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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Quando a família é a principal doença]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,ACES IX Algueirão - Rio de Mouro USF AlphaMouro ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: This case study describes multiple signs of family dysfunction detected by a general practitioner (GP) during office visits as well as attention to the context of the patient in primary health care. Case description: The case involves a nuclear family composed of a couple and their 4 year-old daughter. The index patient is a 27 year-old male who was abandoned at birth by his teenage parents. He was raised by his maternal grandparents, who had few economic resources. During his adolescence he had minimal contact with his mother, who was already married with two daughters and living abroad. At the age of 18 he met a paternal uncle, with whom he established a strong relationship. This interaction led to a reunion with his biological father. The patient occasionally lived with him, his stepmother, and his half-sister, seven years younger, with whom he shared a room. They developed an incestuous relationship, which was revealed as a result of the pregnancy of his half-sister who was 15 at the time. They were then evicted from their father’s home. Both members of the couple subsequently visited the same GP in independent consultations with nonspecific complaints without a clinical explanation. The multiple consultations aroused suspicion of family dysfunction. A multidisciplinary approach was helpful in promoting family welfare. Comment: This case study draws attention to warning signs of family dysfunction, the role of the GP in assessing recurrent signs and symptoms, and the use of family assessment tools. The importance of multidisciplinary collaboration for integration of care and family counseling to improve family dynamics are noted.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Medicina Geral e Familiar]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Somatização]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Disfunção Familiar]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RELATOS DE CASOS</b></p>       <p><font size="4"><b>Quando a fam&#237;lia &#233; a principal doen&#231;a</b></font></p>       <p><font size="3"><b>When the family is the main disease</b></font></p>       <p><b>Ant&#243;nio Santos,* Jerusa Oliveira,* Bert&#237;nia     Oliveira,* Susana Medeiros**</b></p>       <p>*Interno de     Medicina Geral e Familiar, USF     AlphaMouro, ACES IX Algueir&#227;o &#8211; Rio de Mouro</p>       <p>**Assistente     de Medicina Geral e Familiar, USF     AlphaMouro, ACES IX Algueir&#227;o &#8211; Rio de Mouro</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> O caso cl&#237;nico relata os     v&#225;rios sinais de disfun&#231;&#227;o familiar detectados pelo m&#233;dico de fam&#237;lia, no     decorrer das consultas, bem como alerta para a import&#226;ncia da contextualiza&#231;&#227;o     hol&#237;stica do doente no &#226;mbito dos Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Trata-se de uma     fam&#237;lia nuclear, constitu&#237;da por um casal com uma filha (de 4 anos). P.P., sexo     masculino, 27 anos, filho de pais adolescentes, foi abandonado &#224; nascen&#231;a,     sendo acolhido pelos av&#243;s maternos, e criado com poucos recursos econ&#243;micos.     Durante a adolesc&#234;ncia teve um escasso contacto com a m&#227;e, j&#225; casada, com duas     filhas e emigrada nos Estados Unidos da Am&#233;rica. Aos 18 anos travou     conhecimento com um tio paterno, com quem estabeleceu uma rela&#231;&#227;o de grande     afectividade. Este conv&#237;vio possibilitou uma aproxima&#231;&#227;o ao pai biol&#243;gico,     passando a coabitar ocasionalmente com este, a madrasta e a meia-irm&#227;, 7 anos     mais nova, com quem partilhava o quarto. Fruto desta proximidade,     desenvolveu-se uma rela&#231;&#227;o incestuosa, descoberta aquando da gravidez da     meia-irm&#227; aos 15 anos, na sequ&#234;ncia da qual foram expulsos de casa. Desde 2005,     ambos os elementos do casal recorreram ao m&#233;dico de fam&#237;lia, em consultas     independentes, por queixas inespec&#237;ficas sem tradu&#231;&#227;o cl&#237;nica. A multiplicidade     de consultas despertou a suspeita e diagn&#243;stico de disfun&#231;&#227;o familiar, o que     promoveu uma abordagem multidisciplinar, que se revelou significativa para um     maior bem-estar familiar.</p>       <p><b>Coment&#225;rio:</b> O presente caso pretende     chamar a aten&#231;&#227;o para alguns sinais de alerta de disfun&#231;&#227;o familiar e para o     papel do m&#233;dico de fam&#237;lia na contextualiza&#231;&#227;o de sinais e sintomas     recorrentes, e na abordagem familiar usando as v&#225;rias ferramentas de avalia&#231;&#227;o.     Salienta-se de igual modo a import&#226;ncia da colabora&#231;&#227;o multidisciplinar e     integra&#231;&#227;o dos cuidados com vista &#224; melhoria da din&#226;mica e orienta&#231;&#227;o familiar.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Medicina Geral e     Familiar; Somatiza&#231;&#227;o; Disfun&#231;&#227;o Familiar; Consanguinidade.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Introduction:</b> This case study describes     multiple signs of family dysfunction detected by a general practitioner (GP)     during office visits as well as attention to the context of the patient in     primary health care.</p>       <p><b>Case description:</b> The case involves a     nuclear family composed of a couple and their 4 year-old daughter. The index     patient is a 27 year-old male who was abandoned at birth by his teenage     parents. He was raised by his maternal grandparents, who had few economic     resources. During his adolescence he had minimal contact with his mother, who     was already married with two daughters and living abroad. At the age of 18 he     met a paternal uncle, with whom he established a strong relationship. This     interaction led to a reunion with his biological father. The patient     occasionally lived with him, his stepmother, and his half-sister, seven years     younger, with whom he shared a room. They developed an incestuous relationship,     which was revealed as a result of the pregnancy of his half-sister who was 15     at the time. They were then evicted from their father&#8217;s home. Both members of     the couple subsequently visited the same GP in independent consultations with     nonspecific complaints without a clinical explanation. The multiple     consultations aroused suspicion of family dysfunction. A multidisciplinary approach     was helpful in promoting family welfare.</p>       <p><b>Comment:</b> This case study draws     attention to warning signs of family dysfunction, the role of the GP in     assessing recurrent signs and symptoms, and the use of family assessment tools.     The importance of multidisciplinary collaboration for integration of care and     family counseling to improve family dynamics are noted.</p>       <p><b>Keywords:</b> Family Practice; Somatoform     Disorders; Family Conflict; Consanguinity.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>Em Medicina     Geral e Familiar &#233; imposs&#237;vel dissociar o exerc&#237;cio m&#233;dico de um conjunto de     conhecimentos, aptid&#245;es e atitudes dirigidas ao bem-estar da pessoa enquanto     indiv&#237;duo, interligando-o ao seu contexto familiar e social. A &#171;fam&#237;lia&#187; &#233; uma     refer&#234;ncia na organiza&#231;&#227;o da pr&#225;tica m&#233;dica, podendo ter um papel na etiologia     e manuten&#231;&#227;o dos padr&#245;es de sa&#250;de, de doen&#231;a e de comportamento.<sup>1</sup> A     Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de caracterizou a fam&#237;lia como &#171;o primeiro agente     social envolvido na promo&#231;&#227;o da sa&#250;de e do bem-estar&#187;.<sup>2</sup></p>       <p>O conceito     de &#171;fam&#237;lia saud&#225;vel&#187; &#233; complexo e alvo de estudo de diferentes autores, os     quais apresentam diferentes interpreta&#231;&#245;es consoante a sua linha de pensamento.     No entanto, na actividade do m&#233;dico de fam&#237;lia, h&#225; sinais que o podem alertar     para problemas que se relacionem com a din&#226;mica familiar e determinem mal-estar     para os seus elementos. Nessas situa&#231;&#245;es &#233; obrigat&#243;rio aplicar m&#233;todos de     avalia&#231;&#227;o familiar, nomeadamente realizar uma entrevista familiar.<sup>3-6</sup></p>       <p>Assim, o     m&#233;dico de fam&#237;lia dever&#225; ser um gestor de cuidados, sendo esta uma das suas     compet&#234;ncias nucleares.<sup>7</sup> Deve ainda assumir o papel de gestor de     meios/recursos comunit&#225;rios, de cuidados de sa&#250;de (da sua consulta e eventual     referencia&#231;&#227;o) e tamb&#233;m, se necess&#225;rio, de defesa do doente na interface de     cuidados.<sup>1,7</sup></p>       <p>A escolha do     presente caso cl&#237;nico prende-se com o facto de os autores considerarem ser o     mesmo exemplificativo de v&#225;rios aspectos que definem o m&#233;dico de fam&#237;lia e a     Medicina Geral e Familiar. Assim, os tr&#234;s aspectos de maior relevo,     apresentados ao longo da descri&#231;&#227;o deste caso s&#227;o: o reconhecimento de sinais     que sugeriram problemas familiares detectados pelo m&#233;dico de fam&#237;lia no     decorrer das consultas, a preponder&#226;ncia da contextualiza&#231;&#227;o hol&#237;stica e vis&#227;o     sist&#233;mica do doente no &#226;mbito dos Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios (CSP) e a     necessidade de gerir cuidados. Por outro lado, o mesmo mostra a import&#226;ncia da     aplica&#231;&#227;o de m&#233;todos de avalia&#231;&#227;o familiar para um correcto conhecimento da sua     din&#226;mica e para a identifica&#231;&#227;o de problemas.<sup>6</sup> Aqui, o m&#233;dico de     fam&#237;lia afirma-se como gestor e integrador de cuidados, articulando-se     multidisciplinarmente com vista ao bem-estar do indiv&#237;duo e da sua fam&#237;lia.<sup>8</sup></p>       <p><b>Descri&#231;&#227;o     do caso</b></p>       <p><b>Identifica&#231;&#227;o</b></p>       <p>P.P., sexo     masculino de 27 anos, natural e residente no concelho de Sintra, completou o 7&#186;     ano de escolaridade e actualmente &#233; operador manual gr&#225;fico. O utente constitui     uma fam&#237;lia nuclear (fase III do ciclo de vida de Duvall) juntamente com a sua     filha de 4 anos e a sua companheira de 20 anos, com quem vive em uni&#227;o de     facto.</p>       <p>Os     resultados dos instrumentos e escalas de avalia&#231;&#227;o familiar ser&#227;o     propositadamente apresentados na sequ&#234;ncia da descri&#231;&#227;o do caso para uma melhor     compreens&#227;o do mesmo.</p>       <p><b>Contexto cl&#237;nico</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aos 15 anos,     P.P. inicia acompanhamento cl&#237;nico espor&#225;dico no Centro de Sa&#250;de da sua &#225;rea,     contactando com m&#250;ltiplos m&#233;dicos de fam&#237;lia no espa&#231;o de 9 anos. De 2007 a     2009 atravessa um per&#237;odo sem m&#233;dico de fam&#237;lia atribu&#237;do, altura em que n&#227;o h&#225;     recurso &#224; consulta. Quando &#233; novamente integrado num ficheiro cl&#237;nico, inicia     acompanhamento m&#233;dico regular.</p>       <p>Em Agosto de     2009, P.P. teve a sua primeira consulta com a sua nova m&#233;dica de fam&#237;lia, ap&#243;s     um per&#237;odo de cerca de 2 anos sem m&#233;dico atribu&#237;do.</p>       <p>Recorreu &#224;     consulta por queixas de precordialgia, palpita&#231;&#245;es e cefaleia, negando, at&#233; &#224;     altura, qualquer problema de sa&#250;de de maior relev&#226;ncia.</p>       <p>O exame     objectivo n&#227;o revelou altera&#231;&#245;es, sendo os sintomas atribu&#237;dos a um eventual     quadro de ansiedade/somatiza&#231;&#227;o.</p>       <p>Durante os     meses seguintes, recorreu v&#225;rias vezes &#224; consulta com m&#250;ltiplas queixas     (sensa&#231;&#227;o de ansiedade, irritabilidade, cefaleias, mialgias, epigastralgias&#8230;),     mantendo-se o exame objectivo invariavelmente sem altera&#231;&#245;es.</p>       <p>Em Fevereiro     de 2010, a m&#233;dica de fam&#237;lia relacionou os sintomas inespec&#237;ficos e     aparentemente fruto de somatiza&#231;&#227;o, presentes nas v&#225;rias consultas de P.P., com     as idas igualmente frequentes &#224; consulta de L.P., a sua companheira, por     motivos muito semelhantes.</p>       <p>&#201; ent&#227;o no     final desta consulta que P.P., ap&#243;s ter sido questionado se havia algum     problema na sua vida pessoal/profissional, sente que foi estabelecida uma     rela&#231;&#227;o de confian&#231;a e decide partilhar, pela primeira vez, os seus     antecedentes pessoais e familiares com a sua nova m&#233;dica de fam&#237;lia.</p>       <p><b>Contexto familiar</b></p>       <p>P.P. &#233; filho     de pais adolescentes, abandonado &#224; nascen&#231;a, sendo acolhido pelos av&#243;s maternos     e criado com poucos recursos econ&#243;micos. Durante a adolesc&#234;ncia teve um     (escasso) contacto com a m&#227;e, entretanto j&#225; casada, com duas filhas e emigrada     nos EUA.</p>       <p>Aos 18 anos,     travou conhecimento com um tio paterno, toxicodependente e VIH positivo, com     quem estabeleceu uma rela&#231;&#227;o de grande afectividade, tendo assistido e sofrido     muito com a morte do mesmo. Este conv&#237;vio levou a uma aproxima&#231;&#227;o ao pai     biol&#243;gico, o qual sempre tentara evitar o contacto com o filho. No entanto, a     partir dessa altura, P.P. passou a frequentar ocasionalmente a casa do seu pai     onde coabitava tamb&#233;m a sua madrasta e a sua meia-irm&#227; (L.P.), 7 anos mais     nova, com quem partilhava o quarto. Esta proximidade fomentou o desenvolvimento     de uma rela&#231;&#227;o de intimidade, culminando numa rela&#231;&#227;o incestuosa, descoberta     aquando da gravidez da sua meia-irm&#227; aos 15 anos. Esta revela&#231;&#227;o motivou a     expuls&#227;o de P.P. de casa do seu pai e a deteriora&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o entre eles.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na sequ&#234;ncia     desta gravidez foi posto um processo criminal a decorrer em Tribunal contra     P.P. por suspeita de viola&#231;&#227;o, apesar de esta ter sido sempre negada pela sua     meia-irm&#227;. Embora estivesse gr&#225;vida, L.P. come&#231;ou nesta fase a sofrer maus     tratos por parte dos seus pais.</p>       <p>Cerca de um     m&#234;s ap&#243;s o nascimento de C.P., a sua m&#227;e L.P. saiu de casa dos pais e foi viver     juntamente com P.P. para casa dos seus av&#243;s maternos onde s&#227;o obrigados a     relacionarem-se como irm&#227;os.</p>       <p>A partir     desta fase sente que todos o &#171;olham de forma diferente&#187; <i>(sic).</i> Este mal-estar por ele sentido condiciona um fraco recurso a     amizades e &#233; causa de sofrimento cont&#237;nuo. Fica igualmente patente, em v&#225;rias     consultas, uma excessiva preocupa&#231;&#227;o com a sa&#250;de e bem-estar da sua filha.</p>       <p>Em 2007,     P.P. e L.P. conseguiram comprar casa pr&#243;pria onde vivem com a sua filha at&#233; &#224;     actualidade.</p>       <p>Perante o     conhecimento dos antecedentes pessoais de P.P. e do impacto dos mesmos na sua     vida, a M&#233;dica de Fam&#237;lia prop&#244;s encaminhamento para a consulta de Psicologia,     a qual foi prontamente aceite, iniciando nessa altura terap&#234;utica com     Paroxetina 20 mg.</p>       <p><b><i>Instrumentos     e escalas de avalia&#231;&#227;o familiar aplicados</i></b></p>       <p>Todo o     contexto apresentado justificou a necessidade sentida de aplicar algumas     ferramentas de avalia&#231;&#227;o familiar para caracteriza&#231;&#227;o da hist&#243;ria pessoal e     relacional do utente (<a href="#f1">Figuras 1</a>, <a href="#f2">2</a> e <a href="#f3">3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n2/29n2a08f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n2/29n2a08f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n2/29n2a08f3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>No que     concerne &#224;s escalas de avalia&#231;&#227;o familiar aplicadas, obtiveram-se as seguintes     classifica&#231;&#245;es:</p>       <p>&#8226; Apgar     Familiar de Smilkstein &#8594; Disfun&#231;&#227;o acentuada (3)</p>       <p>&#8226; Risco     Familiar de Garcia-Gonzalez &#8594; Fam&#237;lia em risco m&#233;dio</p>       <p>&#8226; Escala     Social de Holmes-Rahe &#8594; M&#233;dia vulnerabilidade a doen&#231;as causadas pelo <i>stress</i> (190)</p>       <p>&#8226; Graffard     Familiar &#8594; Classe social grau III</p>       <p><b><i>Problemas     identificados</i></b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na sequ&#234;ncia     do caso descrito, foram identificados os seguintes problemas:</p>       <p>&#8226; Rela&#231;&#227;o     incestuosa de P.P. com a sua meia-irm&#227;, que ocorreu na casa do pai de ambos.</p>       <p>&#8226; M&#225; rela&#231;&#227;o     de P.P. com o pai e a madrasta, que se agravou ap&#243;s a revela&#231;&#227;o da gravidez de     L.P.</p>       <p>&#8226; Maior     probabilidade de patologia cong&#233;nita nos filhos do casal com la&#231;os de     consanguinidade.</p>       <p>&#8226;     Ambival&#234;ncia da rela&#231;&#227;o de P.P. com L.P.: meia-irm&#227;/esposa e m&#227;e da sua filha.</p>       <p>&#8226;     Perturba&#231;&#227;o ansiosa de P.P., fruto dos problemas supracitados.</p>       <p>Perante os     dados recolhidos foi criada a hip&#243;tese sist&#233;mica apresentada no <a href="#q1">Quadro I</a>.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n2/29n2a08q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Plano     de actua&#231;&#227;o</i></b></p>       <p>Atendendo     aos problemas identificados, foi necess&#225;rio criar e estabelecer uma articula&#231;&#227;o     entre a Medicina Familiar e a Psicologia, tendo em linha de conta o sistema     marital. Esta articula&#231;&#227;o visou a defini&#231;&#227;o de pap&#233;is de cada um dos elementos     deste n&#250;cleo familiar. Visou ainda o encaminhamento e aconselhamento gen&#233;tico     no contexto de uma eventual futura gravidez.</p>       <p>Assim, numa     primeira fase, foi fundamental abordar e trabalhar os sistemas marital e     fraternal, de modo a que os elementos da fam&#237;lia se reorganizassem perante os     problemas.</p>       <p>Em termos     pr&#225;ticos, para este objectivo ser atingido aplicou-se o plano de abordagem     familiar descrito no <a href="#q2">Quadro II</a>.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n2/29n2a08q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>&#201; ainda     relevante fornecer aconselhamento parental com o objectivo de proporcionar aos     pais informa&#231;&#227;o de car&#225;cter pr&#225;tico, n&#227;o s&#243; na transmiss&#227;o de princ&#237;pios de     aprendizagem, aqui-si&#231;&#227;o de conhecimentos sobre atitudes e comportamentos a     adoptar enquanto pais, mas tamb&#233;m promovendo compet&#234;ncias parentais de     comunica&#231;&#227;o e resolu&#231;&#227;o de problemas.</p>       <p><b>Coment&#225;rio</b></p>       <p>De acordo     com o Prof. Rui Caeiro,<sup>3</sup> neste caso cl&#237;nico est&#227;o presentes v&#225;rios     sinais que indiciam um poss&#237;vel diagn&#243;stico de disfun&#231;&#227;o familiar, tornando a     avalia&#231;&#227;o familiar mandat&#243;ria: &#171;Sintomas inespec&#237;ficos em doentes com grande     frequ&#234;ncia de consultas sem doen&#231;a org&#226;nica&#187;; &#171;Utiliza&#231;&#227;o excessiva dos     servi&#231;os de sa&#250;de ou consultas frequentes a diferentes membros da fam&#237;lia&#187;;     &#171;Problemas emocionais ou de comportamento&#187; e &#171;Sempre que o modelo biom&#233;dico     tradicional se apresente inadequado ou insuficiente&#187;.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando se     consultaram os processos de P.P. e da sua companheira, constatou-se que, desde     2005, ambos os elementos do casal recorreram ao m&#233;dico de fam&#237;lia, em consultas     independentes, por queixas inespec&#237;ficas sem tradu&#231;&#227;o cl&#237;nica. Coincide esta     data com o ano em que iniciaram o seu relacionamento, o qual optaram por n&#227;o     partilhar com o m&#233;dico assistente, provavelmente por aus&#234;ncia de um seguimento     cl&#237;nico longitudinal.</p>       <p>No caso     cl&#237;nico apresentado, apenas na quarta consulta com a sua m&#233;dica de fam&#237;lia &#233;     que P.P. decidiu partilhar, uma vez criadas as condi&#231;&#245;es apropriadas, os seus     antecedentes pessoais e familiares. Estes muito provavelmente est&#227;o     relacionados com v&#225;rias das queixas apresentadas nas consultas pr&#233;vias. O     conhecimento dos seus antecedentes pessoais possibilitou um melhor     enquadramento da situa&#231;&#227;o cl&#237;nica apresentada e promoveu uma abordagem multidisciplinar,     que se revelou significativa para um maior bem-estar familiar.</p>       <p>O facto de     P.P. ter contactado com m&#250;ltiplos m&#233;dicos assistentes numa fase preponderante     da sua vida dificultou um acompanhamento continuado e global das quest&#245;es     familiares, que neste caso assumem um papel de destaque. No entanto, pode-se     perceber a import&#226;ncia que algumas ferramentas de avalia&#231;&#227;o familiar podem ter.     Em contextos espec&#237;ficos e aplicadas atempadamente, como neste caso, podem     clarificar muito precocemente situa&#231;&#245;es ocultadas por queixas recorrentes e     inespec&#237;ficas.</p>       <p>Os     antecedentes de P.P. condicionam a sua rela&#231;&#227;o com o seu meio social e     profissional. Existe uma ambival&#234;ncia entre &#171;culpa&#187; e &#171;sensa&#231;&#227;o de dever     cumprido&#187;. Esta ambival&#234;ncia vai mais al&#233;m quando nos apercebemos que assume     face ao pai, ao Tribunal e &#224; pr&#243;pria sociedade a sua rela&#231;&#227;o marital com L.P.,     mas que, por outro lado, v&#234; negada pelos mesmos a possibilidade de     reconhecimento do casal que forma com L.P.</p>       <p>&#201; facilmente     entendido por esta descri&#231;&#227;o que esta viv&#234;ncia v&#225; condicionando as m&#250;ltiplas     rela&#231;&#245;es que estabelece na sua vida e simultaneamente seja um factor de <i>stress</i> cont&#237;nuo interferindo com o seu     todo. Naturalmente, tem implica&#231;&#245;es com a forma como se relaciona com os outros     e com o seu pr&#243;prio eu. Do ponto de vista cl&#237;nico, o seu mal-estar, inerente a     todo o contexto j&#225; descrito, condicionou uma s&#233;rie de epis&#243;dios de somatiza&#231;&#227;o     de dif&#237;cil abordagem (quando olhados fora do seu contexto), a presen&#231;a de outro     elemento da fam&#237;lia em v&#225;rias consultas independentes da sua e ainda uma     preocupa&#231;&#227;o excessiva quando a filha era observada em consulta de vigil&#226;ncia de     sa&#250;de. Apesar de n&#227;o ter existido, de modo completamente expresso, um pedido de     ajuda indicativo da direc&#231;&#227;o que este casal pretendia dar &#224; sua rela&#231;&#227;o,     indirectamente, e tomando em linha de conta as atitudes expressas, quer por     P.P., quer por L.P., pode-se assumir que procuravam ser vistos num sistema     marital.</p>       <p>O     entendimento por parte do m&#233;dico de fam&#237;lia deste contexto foi fundamental para     o enquadramento cl&#237;nico, possibilitando a realiza&#231;&#227;o de um correcto plano, que     fosse realmente ao encontro do principal problema que trazia P.P. e a esposa &#224;     consulta.</p>       <p>Permitiu     ainda uma maior defini&#231;&#227;o de pap&#233;is e uma melhor orienta&#231;&#227;o desta situa&#231;&#227;o, com     o objetivo de minorar o sofrimento desta fam&#237;lia. A identifica&#231;&#227;o do problema e     o estabelecimento de um plano foram cruciais para a orienta&#231;&#227;o de P.P. e L.P.</p>     <p>Este plano     incluiu a interven&#231;&#227;o psicol&#243;gica e o trabalho de clarifica&#231;&#227;o de pap&#233;is.<sup>9-10</sup> Atendendo a que a psic&#243;loga que assumiu o seguimento do P.P. tinha forma&#231;&#227;o em     Terapia Familiar, houve, por parte da mesma, uma abordagem nesse sentido.     Realizou v&#225;rias consultas com o casal, tentando perceber e orientar o que ambos     pretendiam da sua rela&#231;&#227;o. Ap&#243;s o in&#237;cio deste trabalho com a psic&#243;loga, o     n&#250;mero de consultas com a sua m&#233;dica de fam&#237;lia reduziu e, quando as mesmas     surgiram, foi em contexto de situa&#231;&#227;o aguda de causa org&#226;nica ou em contexto de     vigil&#226;ncia de sa&#250;de. Notou-se ainda uma postura mais tranquila e tornou-se mais     frequente a vinda em conjunto do casal &#224; consulta.</p>     <p>O m&#233;dico de     fam&#237;lia encontra-se, portanto, numa posi&#231;&#227;o privilegiada para realizar uma     abordagem hol&#237;stica aos seus pacientes. A presta&#231;&#227;o de cuidados longitudinais     permite-lhe criar com estes uma rela&#231;&#227;o que facilita o conhecimento do seu     contexto biopsicossocial e assim uma mais correcta planifica&#231;&#227;o e gest&#227;o dos     seus problemas.</p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Sampaio     D, Resina T. Fam&#237;lia: Sa&#250;de e Doen&#231;a. Lisboa: Instituto de Cl&#237;nica Geral da     Zona Sul; 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S2182-5173201300020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. World     Health Organization. Statistical Indices of Family Health. Geneva: WHO; 1991.     p. 589-617.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S2182-5173201300020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Caeiro     RT. Registos Clinicos em Medicina Familiar. Lisboa: Instituto de Cl&#237;nica Geral     da Zona Sul; 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S2182-5173201300020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Barker P.     Fundamentos da Terapia Familiar. Lisboa: Climepsi; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S2182-5173201300020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Laginha     T. Terapia familiar em Medicina Geral e Familiar. Rev Port Clin Geral. 2007     Mai-Jun; 23 (3): 331-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S2182-5173201300020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. Rebelo L.     Fam&#237;lia e cuidados de sa&#250;de. Rev Port Clin Geral 2007 Mai-Jun; 23 (3): 295-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S2182-5173201300020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. Allen J,     Gay B, Crebolder H, Heyrman J, Svab Igor, Ram P. A Defini&#231;&#227;o Europeia de     Medicina Geral e Familiar (Cl&#237;nica Geral/Medicina Familiar): vers&#227;o reduzida     &#8211; EURACT, 2005. Rev Port Clin Geral 2005 Set-Out; 21 (5): 511-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S2182-5173201300020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>8. Ribeiro     C. Fam&#237;lia, sa&#250;de e doen&#231;a: o que diz a investiga&#231;&#227;o. Rev Port Clin Geral 2007     Mai-Jun; 23 (3): 299-306.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S2182-5173201300020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>9. Ausloos     G. A Compet&#234;ncia das Fam&#237;lias. 2&#170; ed. Lisboa: Climepsi; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S2182-5173201300020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Costa     JM. A terapia como di&#225;logo. Mosaico 2011; 47: 12-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S2182-5173201300020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        <p>Jerusa     Oliveira</p>     <p>Rua Cidade     de Lagos, lote 64, 1685-670 Fam&#245;es, Odivelas</p>       <p><a href="mailto:jerusa.r.g.oliveira@gmail.com">jerusa.r.g.oliveira@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>          <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Agradecimento   &#224; Dr&#170; C&#225;ssia Monteiro, Psic&#243;loga do ACES IX Algueir&#227;o &#8211; Rio de Mouro.</p>       <p><b>Conflitos   de interesse</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os autores     declaram n&#227;o possuir interesses financeiros, liga&#231;&#245;es pessoais ou outros     conflitos de interesse.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 04/06/2012</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 26/02/2013</b></p>      ]]></body><back>
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