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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>       <p><font size="4"><b>A medicina preventiva tamb&eacute;m &eacute; importante     para a sa&uacute;de mental</b></font></p>     <p><b>Andre Matalon*</b></p>       <p>*Department     of Family Medicine, Rabin Medical Center, Beilinson Hospital; Department     of Family Medicine, Sackler School of Medicine , Tel Aviv University.</p>       <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>        <p>A preven&ccedil;&atilde;o     prim&aacute;ria e a preven&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria s&atilde;o conceitos j&aacute; bem conhecidos e     estabelecidos na comunidade m&eacute;dica e s&atilde;o parte integrante do trabalho di&aacute;rio     dos m&eacute;dicos de fam&iacute;lia em todo o mundo.</p>       <p>A preven&ccedil;&atilde;o     prim&aacute;ria &eacute; a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de. A medicina preventiva &eacute; mais f&aacute;cil de definir     nas doen&ccedil;as som&aacute;ticas, tais como o tabagismo e a obesidade. A aplica&ccedil;&atilde;o da     preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria na sa&uacute;de mental implicaria principalmente evitar o <i>stress,</i> descansar quando se est&aacute;     cansado, dormir quando se tem sono, praticar exerc&iacute;cio constante, praticar     medita&ccedil;&atilde;o ou yoga, treinar a mente para o pensamento positivo, estar em     relacionamento &iacute;ntimo com outra pessoa e evitar a solid&atilde;o. </p>       <p>A preven&ccedil;&atilde;o     secund&aacute;ria &eacute; a dete&ccedil;&atilde;o precoce de doen&ccedil;as. Exemplos comuns disso s&atilde;o a     mamografia para a dete&ccedil;&atilde;o precoce de cancro de mama e o exame de sangue oculto     nas fezes para dete&ccedil;&atilde;o precoce de cancro colorretal. </p>       <p>Minist&eacute;rios     da sa&uacute;de de muitos pa&iacute;ses exigem aos m&eacute;dicos o uso de medidas no campo da     medicina preventiva e da dete&ccedil;&atilde;o precoce de doen&ccedil;as. No entanto &eacute; surpreendente     que isto s&oacute; se aplique &agrave;s doen&ccedil;as do corpo e n&atilde;o haja recomenda&ccedil;&otilde;es para a     medicina preventiva na sa&uacute;de mental, fato que refor&ccedil;a a cis&atilde;o entre mente e     corpo caracter&iacute;stica da medicina ocidental. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ent&atilde;o, qual     &eacute; o papel da medicina preventiva no campo da sa&uacute;de mental? </p>       <p>Hoje em dia,     a medicina interna e a medicina familiar lidam com estas quest&otilde;es muito mais do     que no passado, tanto para prevenir o sofrimento futuro de seus pacientes, mas     tamb&eacute;m por causa da press&atilde;o dos empregadores ou dos seguros m&eacute;dicos e planos de     sa&uacute;de que querem evitar os custos financeiros de tratar doen&ccedil;as caras e evitar     a&ccedil;&otilde;es judiciais futuras. Mas poucos sabem quais s&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o     secund&aacute;ria na sa&uacute;de mental.</p>       <p>Foi apenas     em 1967 que Gerald Caplan<sup>1</sup>, um psiquiatra social, redefiniu os tipos     de preven&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de mental.</p>       <p>Este assunto     &eacute; particularmente importante nesta d&eacute;cada de medicaliza&ccedil;&atilde;o crescente da     sociedade: as pessoas fazem mais testes e exames m&eacute;dicos e diagnosticam-se mais     doen&ccedil;as que, mesmo sendo tratadas, n&atilde;o alterariam o curso ou a qualidade de     vida do doente, sendo talvez at&eacute; melhor se n&atilde;o se soubesse de sua exist&ecirc;ncia.     Num artigo recente, Moynihan<sup>2</sup> defende que a medicina est&aacute; a ser     contestada por um excesso de diagn&oacute;sticos de doen&ccedil;as, tanto por causa das novas     tecnologias que revelam pequenas les&otilde;es cuja natureza n&atilde;o &eacute; clara e que levam a     mais testes para a sua clarifica&ccedil;&atilde;o, quer porque a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica est&aacute;     interessada em expandir as defini&ccedil;&otilde;es de doen&ccedil;as j&aacute; existentes, para que mais     pessoas venham a consumir mais f&aacute;rmacos. </p>       <p>As     companhias de seguros e v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas tamb&eacute;m podem abordar     diretamente as pessoas para convenc&ecirc;-las a fazer exames m&eacute;dicos, tanto por     raz&otilde;es econ&oacute;micas como pela ilus&atilde;o de que estes testes podem evitar danos     futuros. &Agrave;s vezes, estes pedidos s&atilde;o um ass&eacute;dio a pessoas saud&aacute;veis e intimidam     ou semeiam ansiedade. Alguns m&eacute;dicos podem tamb&eacute;m gerar ansiedade aos doentes     com o seu pedido de exames para atingir os &iacute;ndices de qualidade em medicina     preventiva que o governo ou os servi&ccedil;os de sa&uacute;de estabeleceram. Isto geralmente     pode acontecer de uma forma em que o m&eacute;dico n&atilde;o percebe que est&aacute; a ser     &laquo;paternalista&raquo; e n&atilde;o d&aacute; valor &agrave; autonomia do paciente na escolha do que ele     considera certo. Esta conduta leva &agrave; necessidade de aumentar a consci&ecirc;ncia de     todos os m&eacute;dicos para preven&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria de sa&uacute;de mental. </p>       <p>O <i>stress</i> da vida di&aacute;ria e a ansiedade     podem causar uma cadeia de altera&ccedil;&otilde;es neurol&oacute;gicas, end&oacute;crinas e imunol&oacute;gicas     que, por sua vez, podem intensificar ou acelerar processos de doen&ccedil;a. </p>       <p>O importante     seria parar o processo que levaria &agrave; doen&ccedil;a logo de in&iacute;cio, antes que ele se     cristalize ou se organize em doen&ccedil;a. Muitas vezes pode suspender-se o processo     e a pessoa poder&aacute; organizar-se e talvez voltar ao n&iacute;vel anterior de sa&uacute;de. </p>       <p>Queremos     enfatizar neste artigo a import&acirc;ncia da preven&ccedil;&atilde;o secundaria da sa&uacute;de mental     atrav&eacute;s dos conceitos de Michael Balint e de alguns exemplos para esclarecer     como podem ser aplicados.</p>       <p>Michael     Balint<sup>3</sup> explica-nos no seu livro &laquo;O m&eacute;dico, o paciente e sua doen&ccedil;a&raquo;     que um processo que se inicia com <i>stress,</i> externo ou interno, como por exemplo um conflito n&atilde;o resolvido, pode     transformar-se em doen&ccedil;a, f&iacute;sica ou mental. Esse processo pode levar alguns     minutos, mas tamb&eacute;m pode levar alguns anos. Se o m&eacute;dico da fam&iacute;lia, a quem as     pessoas recorrem com queixas de sintomas f&iacute;sicos inexplic&aacute;veis ou simplesmente     fraqueza <i>(&laquo;illness without a disease&raquo;),</i> se preocupar somente com os sintomas do doente sem perceber o <i>stress</i> psicossocial que os acompanham,     n&atilde;o o diagnosticar e tentar intervir, pode inconscientemente e sem inten&ccedil;&atilde;o,     ajudar o paciente a &laquo;organizar&raquo; a doen&ccedil;a. &Eacute; importante portanto intervir neste     processo e ajudar o paciente a ver e resolver os problemas psicossociais que     muitas vezes n&atilde;o s&atilde;o conscientes, mas podem estar na base dos sintomas n&atilde;o     espec&iacute;ficos. </p>       <p>Os m&eacute;dicos     de fam&iacute;lia usam muitas vezes interven&ccedil;&otilde;es psicoterap&ecirc;uticas focadas, geralmente     breves, e &agrave;s vezes fazem-no sem perceber e sem estar cientes disso. Quando um     doente procura o m&eacute;dico com uma dor no peito n&atilde;o relacionada com o esfor&ccedil;o e     n&atilde;o tem sinais de doen&ccedil;a card&iacute;aca, o m&eacute;dico centrado no exame f&iacute;sico n&atilde;o s&oacute;     ausculta o cora&ccedil;&atilde;o mas tamb&eacute;m pressiona os m&uacute;sculos peitorais, as costelas ou o     esterno para reproduzir a dor. Enquanto pressiona, ele pode explicar ao doente     que a dor &eacute; muscular, externa ao cora&ccedil;&atilde;o e cada vez que ele tiver a mesma dor     pode colocar a m&atilde;o no seu peito para ver se pode reproduzi-la. Com esta     explica&ccedil;&atilde;o simples o m&eacute;dico reduz uma ansiedade natural e comum sobre doen&ccedil;as     card&iacute;acas com risco de vida que uma pessoa com dor no peito pode ter e ensina     um exerc&iacute;cio que o doente pode fazer para reduzir a ansiedade se a dor     retornar. Isso &eacute; um trabalho psicoterap&ecirc;utico cognitivo-comportamental. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto,     se o m&eacute;dico tem medo da dor no peito do doente ou medo de uma a&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-legal     e envia cada paciente para esclarecer a dor do peito para o hospital ou para um     cardiologista, ele n&atilde;o s&oacute; estaria aumentando a ansiedade do doente, mas est&aacute; a     contribuir para causar a fixa&ccedil;&atilde;o no som&aacute;tico. Ele ter&aacute; igualmente dificuldade     em acalmar a ansiedade do paciente em outras visitas com sintomas menos     alarmantes. </p>       <p>Este &eacute; um     trabalho di&aacute;rio de cada m&eacute;dico de fam&iacute;lia e &eacute; um dos exemplos de preven&ccedil;&atilde;o     secund&aacute;ria de sa&uacute;de mental em medicina de fam&iacute;lia. As vezes, os m&eacute;dicos podem     parar o processo de cristaliza&ccedil;&atilde;o ou organiza&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a tamb&eacute;m com o uso de     medicamentos adequados, particularmente os antidepressivos, ou por altera&ccedil;&otilde;es     nos estilos de vida, fomentando o exerc&iacute;cio f&iacute;sico e o pensamento positivo. </p>       <p>Outro     exemplo seria o de um velho solit&aacute;rio que est&aacute; perdendo peso e vem &agrave; consulta.     Al&eacute;m do exame f&iacute;sico geral e, em particular, de seu f&iacute;gado, est&ocirc;mago e     intestinos, &eacute; importante verificar tamb&eacute;m os seus h&aacute;bitos alimentares, os seus     dentes, a extens&atilde;o dos seus movimentos, a possibilidade de dem&ecirc;ncia, quest&otilde;es     de polimedica&ccedil;&atilde;o e se est&aacute; a tomar os tratamentos prescritos (compliance).     Isto, em si, j&aacute; seria uma boa interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica. Mas o m&eacute;dico poderia tamb&eacute;m     refletir sobre as raz&otilde;es para a sua solid&atilde;o e averiguar o seu humor deprimido,     j&aacute; muito tempo depois da morte de sua esposa. Talvez haja um conflito com as     crian&ccedil;as, ou vizinhos? &Agrave;s vezes, este doente tem a necessidade de contar a     hist&oacute;ria de sua longa vida, a fim de fechar conflitos ainda abertos, ou encarar     sua ansiedade de morte. Claro que podemos dar-lhe um tratamento farmacol&oacute;gico e     orient&aacute;-lo para tratamentos n&atilde;o farmacol&oacute;gicos, como uma caminhada di&aacute;ria, o     tai chi, o relaxamento ou mesmo um tratamento psicol&oacute;gico. Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel analisar,     em conjunto, como alterar o estado da sua solid&atilde;o (sugerir um centro di&aacute;rio     para idosos, um lar de idosos, estudos acad&eacute;micos para adultos).</p>       <p>Pode-se     questionar a falta de tempo do m&eacute;dico de fam&iacute;lia. Mas, essas atividades s&atilde;o     geralmente graduais, pequenos passos em cada consulta. Na maioria dos casos, o     m&eacute;dico sabe a hist&oacute;ria do doente e a sua situa&ccedil;&atilde;o atual, mas at&eacute; agora,     frequentemente abst&eacute;m-se de intervir. Infelizmente, a interven&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es     de crise ou de doen&ccedil;a pode vir tarde demais e ser complexa demais. </p>     <p>Finalizando,     se tivermos conscientemente a aten&ccedil;&atilde;o focada na integra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sico-mental, a     orienta&ccedil;&atilde;o integrativa dos cuidados do corpo e dos cuidados da sa&uacute;de mental,     proporcionando uma medicina curativa e preventiva adaptada para cada pessoa,     estaremos ent&atilde;o a exercer uma medicina familiar exemplar… </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS     BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></p>       <!-- ref --><p>1. Caplan G     and Grunebaum H.; Perspectives on Primary Prevention, A Review. Arch. Gen.     Psychiatry 1967; 17; 331-346&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000030&pid=S2182-5173201300040000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. Moynihan     R., Doust J. and Henry D.; Preventing overdiagnosis: How to Stop Harming the     Healthy. BMJ 2012; 344; e3502&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000031&pid=S2182-5173201300040000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. Balint M.     The Doctor, His Patient, and the Illness. Revised 2nd ed.&nbsp; London: Pitman Paperback; 1968.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000032&pid=S2182-5173201300040000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        <p><a href="mailto:matalon@netvision.net.il">matalon@netvision.net.il</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>AGRADECIMENTOS</b></p>       <p>O autor     agradece &agrave; Dra. Maria Jos&eacute; Ribas a sua ajuda na prepara&ccedil;&atilde;o deste artigo.</p>       <p><b>Conflito   de interesses</b></p>       <p>O autor     declara n&atilde;o ter conflitos de interesses.</p>       <p><i>Artigo     escrito ao abrigo do novo acordo ortogr&aacute;fico.</i></p>     ]]></body>
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