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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perfil terapêutico da hipertensão na Rede Médicos Sentinela: 12 anos depois]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Prescribing patterns for hypertension in the Portuguese sentinel practice network: 12 years after]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objectives: To determine the treatment profile of hypertension in the Portuguese sentinel practice network and compare the results 12 years after an initial study. Study design: Cross-sectional study Setting: Portuguese sentinel practice network Participants: Hypertensive patients over 18 years of age on the lists of general practitioners in the sentinel practice network who attended a consultation with their physician between June 7, 2010 and December 31, 2010. Results: In 2010, 616 hypertensive patients were included in the study. Between the two periods (1998 and 2010) there was a slight increase in the average age of the participants (62.0 years in 1998 and 64.3 years in 2010), with a higher proportion of female patients in both periods. The mean average duration of hypertension since the time of diagnosis increased significantly (<0.0001). Approximately half of the hypertensive patients presented target organ damage, in both periods with heart disease as the most common lesion. Dyslipidemia, hyperuricemia and diabetes were the most common co-morbid conditions. From 1998 to 2010, the proportion of patients on monotherapy decreased from 47.6% to 30.3%. Angiotensin-converting enzyme inhibitors were the most frequently prescribed drugs for monotherapy in both periods. In 1998, the antihypertensive treatment most frequently prescribed was angiotensin-converting enzyme inhibitors as monotherapy (24.3%). In 2010 the combination of angiotensin receptor blockers with thiazide diuretics was the most common treatment (15.4%). Conclusions: Drugs acting on the renin-angiotensin system were the antihypertensive drugs most frequently prescribed in both periods as monotherapy and in combination with other drugs. The number of antihypertensive drugs prescribed differed between the two periods in relation to the existence and type of co-morbidities.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Hipertensão]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Perfil de Prescrição Médica]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ESTUDOS ORIGINAIS</b></p>       <p><font size="4"><b>Perfil terap&ecirc;utico da hipertens&atilde;o na Rede     M&eacute;dicos Sentinela - 12 anos depois</b></font></p>       <p><font size="3"><b>Prescribing     patterns for hypertension in the Portuguese sentinel practice network -   12 years after</b></font></p>       <p><b>Diana Souto,<sup>1</sup> Jos&eacute; Augusto     Sim&otilde;es,<sup>2</sup> Carla Torre,<sup>3</sup> Zilda Mendes,<sup>4</sup> Isabel     Marinho Falc&atilde;o,<sup>5</sup> Fernando Ferreira,<sup>6</sup> Ana da Costa     Miranda,<sup>7</sup> Carlos Matias Dias<sup>8</sup></b></p>       <p><sup>1</sup> Farmac&ecirc;utica, Centro de Estudos e Avalia&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de</p>       <p><sup>2</sup> M&eacute;dico Sentinela, USF Marqu&ecirc;s de Marialva, Cantanhede</p>       <p><sup>3</sup> Farmac&ecirc;utica e Epidemiologista, Centro de Estudos e Avalia&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de</p>       <p><sup>4</sup> Estat&iacute;stica, Centro de Estudos e Avalia&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de</p>       <p><sup>5</sup> M&eacute;dica de Medicina Geral e Familiar, Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de</p>       <p><sup>6</sup> M&eacute;dico Sentinela, USF de Sto. Andr&eacute; de Canidelo, Vila Nova de Gaia</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>7</sup> M&eacute;dica Epidemiologista, Centro de Estudos e Avalia&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de</p>       <p><sup>8</sup> M&eacute;dico de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de     Sa&uacute;de Doutor Ricardo Jorge e Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica Universidade Nova     de Lisboa</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Objectivos:</b> Determinar o perfil     terap&ecirc;utico da hipertens&atilde;o arterial na Rede de M&eacute;dicos Sentinela e comparar os     resultados obtidos, 12 anos ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o do primeiro estudo.</p>       <p><b>Tipo de estudo:</b> Estudo transversal.</p>       <p><b>Local:</b> Rede de M&eacute;dicos Sentinela de     Portugal.</p>       <p><b>Popula&ccedil;&atilde;o:</b> Doentes hipertensos com mais     de 18 anos das listas dos m&eacute;dicos sentinela que se deslocaram &agrave; consulta entre     7 de Junho de 2010 e 31 de Dezembro de 2010.</p>       <p><b>M&eacute;todos:</b> Os m&eacute;dicos sentinela     participantes recolheram informa&ccedil;&atilde;o dos doentes hipertensos, informa&ccedil;&atilde;o essa     que contemplou a caracteriza&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica, a caracteriza&ccedil;&atilde;o da patologia     (data de diagn&oacute;stico, forma de hipertens&atilde;o, danos em &oacute;rg&atilde;o-alvo e morbilidade     associada) e a caracteriza&ccedil;&atilde;o da terap&ecirc;utica institu&iacute;da.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resultados:</b> Foram inclu&iacute;dos 616     hipertensos no estudo. Comparativamente ao primeiro estudo (1998), verificou-se     um ligeiro aumento da idade m&eacute;dia dos participantes (62,0 anos em 1998 <i>vs</i> 64,3 anos em 2010), mantendo-se o     predom&iacute;nio do sexo feminino. A dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia da hipertens&atilde;o desde o momento do     diagn&oacute;stico aumentou significativamente (<i>p</i> &lt; 0,0001). Aproximadamente metade dos hipertensos apresentou danos em     &oacute;rg&atilde;os-alvos em ambos os momentos, sendo a doen&ccedil;a card&iacute;aca o dano mais     frequente. As patologias associadas mais frequentes foram a dislipidemia, a     hiperuricemia e a diabetes. De 1998 para 2010, a propor&ccedil;&atilde;o de doentes em     monoterapia diminuiu (47,6% <i>vs</i> 30,3%), sendo os inibidores da enzima da convers&atilde;o da angiotensina a classe     terap&ecirc;utica mais frequentemente prescrita em monoterapia nos dois momentos. Em     1998, o padr&atilde;o de tratamento mais frequentemente prescrito foram inibidores da     enzima da convers&atilde;o da angiotensina em monoterapia (24,3%) e em 2010 foi a     associa&ccedil;&atilde;o de antagonistas dos receptores da angiotensina + diur&eacute;ticos     tiaz&iacute;dicos (15,4%).</p>       <p><b>Conclus&otilde;es:</b> Os f&aacute;rmacos que actuam no     eixo renina-angiotensina-aldosterona foram, neste estudo, os mais     frequentemente prescritos em ambos os momentos, tanto em monoterapia como em     politerapia. O n&uacute;mero de anti-hipertensores prescritos diferiu entre os dois     momentos de acordo com a exist&ecirc;ncia e tipo de comorbilidade.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Hipertens&atilde;o; Perfil de     Prescri&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica; Uso Terap&ecirc;utico; M&eacute;dicos de Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>         <p><b>Objectives:</b> To determine the treatment     profile of hypertension in the&nbsp;Portuguese sentinel practice network and   compare the results 12 years after an initial study.</p>       <p><b>Study design:</b> Cross-sectional study</p>       <p><b>Setting:</b> Portuguese sentinel practice     network</p>       <p><b>Participants:</b> Hypertensive patients     over 18 years of age on the lists of general practitioners in the sentinel     practice network who attended a consultation with their physician between June     7, 2010 and December 31, 2010.</p>       <p><b>Results:</b> In 2010, 616 hypertensive     patients were included in the study. Between the two periods (1998 and 2010)     there was a slight increase in the average age of the participants (62.0 years     in 1998 and 64.3 years in 2010), with a higher proportion of female patients in     both periods. The mean&nbsp;average duration of hypertension since the time of     diagnosis increased significantly (&lt;0.0001). Approximately half of the     hypertensive patients presented target organ damage, in both periods with heart     disease as the most common lesion. Dyslipidemia, hyperuricemia and diabetes     were the most common co-morbid conditions. From 1998 to 2010, the proportion of     patients on monotherapy decreased from 47.6% to 30.3%. Angiotensin-converting     enzyme inhibitors were the most frequently prescribed drugs for monotherapy in     both periods. In 1998, the antihypertensive treatment most frequently     prescribed was angiotensin-converting enzyme inhibitors as monotherapy (24.3%).     In 2010 the combination of angiotensin receptor blockers with thiazide     diuretics was the most common treatment (15.4%).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclusions:</b> Drugs acting on the     renin-angiotensin system were the antihypertensive drugs most frequently     prescribed in both periods as monotherapy and in combination with other drugs.     The number of antihypertensive drugs prescribed differed between the two     periods in relation to the existence and type of co-morbidities.</p>       <p><b>Keywords:</b> Hypertension; Physician     Prescribing Pattern; Therapeutic Uses; Primary Care Physicians.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>A     hipertens&atilde;o arterial (HTA) &eacute; um importante factor de risco no desenvolvimento     de doen&ccedil;as cardiovasculares, como o enfarte do mioc&aacute;rdio e o acidente vascular     cerebral (AVC), sendo um dos mais importantes problemas de sa&uacute;de em Portugal,     causando excesso de morbilidade e mortalidade.<sup>1</sup></p>       <p>Estima-se     que mais de tr&ecirc;s milh&otilde;es de adultos portugueses sofram de HTA.<sup>2</sup> No     estudo de M&aacute;rio Espiga de Macedo e colaboradores,<sup>2</sup> apenas 11,2% dos     hipertensos tinham a press&atilde;o arterial (PA) controlada e apenas 28,9% dos que     relataram tomar a sua medica&ccedil;&atilde;o, regularmente, tinham a sua PA controlada. A     defini&ccedil;&atilde;o de HTA controlada utilizada no estudo citado foi considerar uma     press&atilde;o arterial sist&oacute;lica (PAS) &lt; 140 mmHg e uma press&atilde;o arterial     diast&oacute;lica (PAD) &lt; 90 mmHg, o que se encontra de acordo com as recomenda&ccedil;&otilde;es     europeias<sup>3</sup> e com a norma emitida pela Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de (DGS)     em 2011.<sup>4</sup></p>       <p>O controlo     da HTA &eacute; imperativo, n&atilde;o s&oacute; para reduzir o risco de enfarte do mioc&aacute;rdio, AVC e     doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica mas tamb&eacute;m a incid&ecirc;ncia de fibrilha&ccedil;&atilde;o auricular,     insufici&ecirc;ncia card&iacute;aca congestiva e disfun&ccedil;&atilde;o cognitiva. V&aacute;rios agentes     anti-hipertensivos provaram ser eficazes,<sup>5</sup> tendo sido demonstrado     que uma redu&ccedil;&atilde;o de 10 mmHg na PAS e uma redu&ccedil;&atilde;o de 5 mmHg na PAD diminui     significativamente a incid&ecirc;ncia de enfarte do mioc&aacute;rdio, AVC, insufici&ecirc;ncia     card&iacute;aca congestiva e a mortalidade global.<sup>6</sup> No entanto, a reduzida     propor&ccedil;&atilde;o de hipertensos controlados sugere a necessidade de abordagens     terap&ecirc;uticas mais agressivas, bem como de melhoria nos sistemas de presta&ccedil;&atilde;o de     cuidados de sa&uacute;de.<sup>1,2,6</sup></p>       <p>Al&eacute;m das     complica&ccedil;&otilde;es associadas, a HTA n&atilde;o controlada representa um importante impacto     econ&oacute;mico, decorrente da incapacidade por ela provocada, bem como dos elevados     custos associados ao seu tratamento. Em Portugal, em 2012, os     anti-hipertensores (aHT) foram o subgrupo terap&ecirc;utico com maior encargo     financeiro para o Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de.<sup>7</sup></p>       <p>A elevada     preval&ecirc;ncia da HTA na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, o seu insuficiente controlo e o     decorrente elevado impacto econ&oacute;mico, fazem da HTA uma das &aacute;reas priorit&aacute;rias     de interven&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de. A DGS estabeleceu o Programa Nacional para as Doen&ccedil;as     C&eacute;rebro-Cardiovasculares como um dos programas de sa&uacute;de priorit&aacute;rios em     Portugal. Al&eacute;m da promo&ccedil;&atilde;o da preven&ccedil;&atilde;o cardiovascular e da presta&ccedil;&atilde;o racional     de cuidados diagn&oacute;sticos e terap&ecirc;uticos, este programa tem tamb&eacute;m como     objectivo a promo&ccedil;&atilde;o das boas pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas e terap&ecirc;uticas atrav&eacute;s da     adop&ccedil;&atilde;o de recomenda&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas nacionais ou internacionais.</p>       <p>Para o     planeamento e implementa&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias destinadas a melhorar o tratamento     da HTA e para a monitoriza&ccedil;&atilde;o dos indicadores estabelecidos pela DGS &eacute;     necess&aacute;ria a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de tratamento e da sua evolu&ccedil;&atilde;o ao     longo dos anos.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desta forma,     a Rede de M&eacute;dicos Sentinela (MS) decidiu repetir em 2010, 12 anos depois do     estudo transversal realizado em 1998, o estudo do perfil terap&ecirc;utico da HTA na     Rede.<sup>8</sup></p>       <p>Este estudo     teve como principais objectivos determinar o perfil terap&ecirc;utico da HTA na Rede     de MS, de acordo com as vari&aacute;veis demogr&aacute;ficas (idade, sexo), forma de HTA e     comorbilidades e comparar os resultados obtidos, 12 anos ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o do     primeiro estudo.</p>       <p><b>M&eacute;todos</b></p>       <p>Realizou-se     um estudo transversal, tendo-se recorrido &agrave; Rede MS, que consiste numa rede de     m&eacute;dicos de fam&iacute;lia, cuja actividade profissional se desenvolve em Centros de     Sa&uacute;de do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de e que, voluntariamente, notificam casos ou     epis&oacute;dios de doen&ccedil;a e de outras situa&ccedil;&otilde;es relacionadas com a sa&uacute;de dos     indiv&iacute;duos inscritos nas respectivas listas de utentes. No ano 2010 estavam     inscritos na Rede MS 152 m&eacute;dicos de fam&iacute;lia, distribu&iacute;dos nos 18 distritos do     Continente e nas Regi&otilde;es Aut&oacute;nomas dos A&ccedil;ores e da Madeira. Em Abril de 2010     foi enviado um convite a todos os m&eacute;dicos da Rede para colaborarem no estudo,     tendo aceite participar 35 m&eacute;dicos.</p>       <p>A selec&ccedil;&atilde;o     de doentes foi efectuada sequencialmente, de acordo com o plano de consultas de     cada m&eacute;dico e com base num plano de amostragem por cotas. Tendo em conta o     n&uacute;mero de m&eacute;dicos que aceitou participar, foi pedido a cada m&eacute;dico que     recolhesse entre 27 e 31 casos, seguindo a distribui&ccedil;&atilde;o por cotas descrita no     <a href="#q1">Quadro I</a> (de acordo com a distribui&ccedil;&atilde;o por sexo e classe et&aacute;ria dos doentes hipertensos     constante no Inqu&eacute;rito Nacional de Sa&uacute;de de 2005/2006).</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n5/29n5a03q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>A recolha     dos dados decorreu entre 7 de Junho de 2010 e 31 de Dezembro de 2010, tendo     sido inclu&iacute;dos os indiv&iacute;duos hipertensos, com idade igual ou superior a 18     anos, que consultaram o m&eacute;dico de fam&iacute;lia no per&iacute;odo considerado,     independentemente do diagn&oacute;stico. As mulheres gr&aacute;vidas foram exclu&iacute;das.</p>       <p>Para o     c&aacute;lculo da dimens&atilde;o da amostra fixou-se um erro absoluto de 3% e um intervalo     de confian&ccedil;a de 95% para o c&aacute;lculo de propor&ccedil;&otilde;es, tendo-se obtido uma dimens&atilde;o     de amostra de 1.067 doentes hipertensos.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O     question&aacute;rio preenchido pelo m&eacute;dico de fam&iacute;lia compreendeu informa&ccedil;&atilde;o sobre a     caracteriza&ccedil;&atilde;o do doente (sexo, idade e etnia), a caracteriza&ccedil;&atilde;o da patologia     (data aproximada do diagn&oacute;stico, forma da HTA, danos em &oacute;rg&atilde;os-alvo e     morbilidade associada) e a terap&ecirc;utica farmacol&oacute;gica.</p>       <p>No que     respeita &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o da patologia, a vari&aacute;vel forma de HTA foi     classificada em tr&ecirc;s estratos, em fun&ccedil;&atilde;o dos valores de PAS e PAD no momento do     diagn&oacute;stico: grau 1 ou ligeira (PAS 140-159 mmHg e PAD 90-99 mmHg), grau 2 ou     moderada (PAS 160-179 mmHg e PAD 100-109 mmHg) e grau 3 ou severa (PAS &#8805;     180 mmHg e PAD &#8805; 110 mmHg).</p>       <p>Os danos em     &oacute;rg&atilde;o-alvo (doen&ccedil;a card&iacute;aca, insufici&ecirc;ncia renal, doen&ccedil;a c&eacute;rebro-vascular,     retinopatia e doen&ccedil;a arterial perif&eacute;rica) e morbilidade(s) associada(s)     (diabetes, asma, doen&ccedil;a pulmonar obstrutiva cr&oacute;nica, disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;ctil,     glaucoma, insufici&ecirc;ncia hep&aacute;tica, dislipidemia, hiperuricemia e perturba&ccedil;&otilde;es da     condu&ccedil;&atilde;o aur&iacute;culo-ventricular) foram definidos de acordo com o crit&eacute;rio cl&iacute;nico     de cada m&eacute;dico participante, recorrendo, se necess&aacute;rio, ao processo cl&iacute;nico do     doente.</p>       <p>Para an&aacute;lise     comparativa e conforme descrito, anteriormente, utilizaram-se os resultados do     estudo realizado em 1998.<sup>8</sup></p>       <p><b>An&aacute;lise Estat&iacute;stica</b></p>       <p>Os dados     recolhidos foram introduzidos numa base de dados expressamente constru&iacute;da para     o efeito, em <i>Microsoft Access.</i> Foi     realizada uma valida&ccedil;&atilde;o por amostragem dos dados recolhidos e introduzidos na     base de dados, comparando os question&aacute;rios recepcionados em papel com o registo     inform&aacute;tico. A an&aacute;lise estat&iacute;stica foi realizada no programa inform&aacute;tico SAS     GUIDE vers&atilde;o 4.0.</p>       <p>A an&aacute;lise     consistiu na descri&ccedil;&atilde;o de todas as vari&aacute;veis em estudo, atrav&eacute;s do c&aacute;lculo de     frequ&ecirc;ncias absolutas, frequ&ecirc;ncias relativas, medidas de localiza&ccedil;&atilde;o e medidas     de dispers&atilde;o. Para as an&aacute;lises relacionadas com o perfil terap&ecirc;utico foram     calculados os intervalos de confian&ccedil;a a 95% com aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; normal sem     correc&ccedil;&atilde;o de continuidade, para as propor&ccedil;&otilde;es encontradas. Para a compara&ccedil;&atilde;o de     alguns resultados, segundo as caracter&iacute;sticas dos doentes, utilizou-se o teste     de Qui-quadrado, ou o teste exacto de <i>Fisher,</i> em dados categorizados, e o teste n&atilde;o param&eacute;trico de <i>Mann-Whitney</i> e <i>Wilcoxon</i> para dados cont&iacute;nuos.</p>       <p>A an&aacute;lise     comparativa dos resultados obtidos em 1998 e os resultados obtidos em 2010 foi     efectuada recorrendo ao teste de Qui-quadrado ou ao teste de compara&ccedil;&atilde;o de     propor&ccedil;&otilde;es. No caso das vari&aacute;veis idade e tempo de HTA foi utilizado o teste F     de <i>Snedecor</i> para testar a hip&oacute;tese de     igualdade entre as vari&acirc;ncias e posteriormente o teste <i>t-student</i> para compara&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dias com aproxima&ccedil;&atilde;o de <i>Welch.</i> Foi utilizado um n&iacute;vel de     signific&acirc;ncia &#945; = 0,05. Os valores omissos foram exclu&iacute;dos da an&aacute;lise.</p>       <p><b>Resultados</b></p>       <p>Em 2010,     foram inclu&iacute;dos no estudo 616 doentes hipertensos. O <a href="#q2">Quadro II</a> apresenta as     caracter&iacute;sticas gerais da amostra nos dois momentos em estudo. Relativamente &agrave;s     vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas, observaram-se diferen&ccedil;as significativas ao n&iacute;vel     da idade e do sexo entre os dois momentos, verificando-se um aumento da idade     m&eacute;dia dos participantes (IC 95%: 63,2-65,4) e um aumento da propor&ccedil;&atilde;o dos participantes     do sexo masculino, de 1998 para 2010. Em ambos os momentos, apenas 1% dos     doentes n&atilde;o era de etnia caucasiana, pelo que se considerou que essa     caracter&iacute;stica n&atilde;o era relevante para a an&aacute;lise.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n5/29n5a03q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Relativamente     &agrave; dura&ccedil;&atilde;o da HTA, de 1998 para 2010, diminuiu a propor&ccedil;&atilde;o de doentes com     dura&ccedil;&atilde;o da HTA superior a 10 anos, sendo esta diferen&ccedil;a estatisticamente     significativa. N&atilde;o se verificaram diferen&ccedil;as quanto &agrave; dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia da HTA. No     que respeita &agrave; forma de HTA no momento do diagn&oacute;stico, verificou-se um aumento     da propor&ccedil;&atilde;o de doentes com HTA ligeira, a par de uma diminui&ccedil;&atilde;o da propor&ccedil;&atilde;o     de participantes com HTA moderada. Aproximadamente metade dos hipertensos     apresentou danos em &oacute;rg&atilde;os-alvos em ambos os momentos, sendo a doen&ccedil;a card&iacute;aca     o dano mais frequente. As patologias associadas mais frequentes foram, em 1998     e 2010, a dislipidemia, a hiperuricemia e a diabetes. No entanto, a propor&ccedil;&atilde;o     de participantes com dislipidemia e diabetes aumentou e a propor&ccedil;&atilde;o com     hiperuricemia diminuiu (<a href="#q2">Quadro II</a>).</p>       <p>Entre 1998 e     2010, o padr&atilde;o de prescri&ccedil;&atilde;o revelou diferen&ccedil;as relativas &agrave; prescri&ccedil;&atilde;o de aHT     em monoterapia ou politerapia e tamb&eacute;m no que respeita &agrave;s classes de aHT     prescritas. O esquema terap&ecirc;utico em monoterapia foi prescrito a 47,6% (n =     536;&nbsp;IC95%: 44,7%-50,5%) dos hipertensos em 1998 e a 30,3% (n =     183;&nbsp;IC95%: 26,7%-34,0%) em 2010 (<a href="#f1">Figura 1</a>). Neste esquema, as classes     terap&ecirc;uticas mais frequentemente prescritas foram, em 1998, os inibidores da     enzima da convers&atilde;o da angiotensina (IECA) (24,3%; IC95%:20,7%-27,9%), seguidos     dos bloqueadores dos canais de c&aacute;lcio (BCC)&nbsp;(8,4%;&nbsp;IC95%: 6,1%-10,7%)     e diur&eacute;ticos (6,1%;&nbsp;IC95%: 4,1%-8,1%). Em 2010, o uso de IECA, BCC e     diur&eacute;ticos diminuiu para 10,8%&nbsp;(IC95%: 6,3%-15,3%), 3,2% (IC95%:     0,6%-5,7%) e 2,2%&nbsp;(IC95%: 0,1%-4,3%), respetivamente.</p>      <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n5/29n5a03f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>      <p>A classe dos     IECA representou, em ambos os momentos, a classe mais frequentemente prescrita     em monoterapia, tendo diminu&iacute;do de 24,3% para 10,3% em 2010.</p>       <p>A prescri&ccedil;&atilde;o     de antagonistas dos receptores da angiotensina (ARA) aumentou     significativamente de 3,2% (IC95%: 1,7%-4,7%) em 1998 para 9,8%&nbsp;(IC95%:     5,5%-14,1%) em 2010. A prescri&ccedil;&atilde;o de bloqueadores beta (BB) n&atilde;o diferiu     significativamente entre os dois momentos, variando de 5,2% (IC95%: 3,3%-7,1%)     para 4,0% (IC95%: 1,1%-6,8%).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre 1998 e     2010 o n&uacute;mero m&eacute;dio de aHT prescritos manteve-se semelhante (1,4 <i>vs</i> 1,5 medicamentos por doente).</p>       <p>A combina&ccedil;&atilde;o     de 2 classes de aHT continuou a ser o modo mais comum de politerapia entre     1998&nbsp;(36,2%; IC95%: 33,4%-39,0%) e 2010 (42,8%; IC95%: 38,8%-46,7%). De     entre as poss&iacute;veis combina&ccedil;&otilde;es entre as principais classes de medicamentos aHT,     verificou-se um aumento significativo para a prescri&ccedil;&atilde;o de ARA em combina&ccedil;&atilde;o     com um diur&eacute;tico (3,2%;&nbsp;IC95%: 1,5%-4,9%&nbsp;<i>vs</i>&nbsp;43,4%;&nbsp;IC95%: 37,4%-39,5%) ou um BCC (1,5;&nbsp;IC95%:     0,3% 2,7%&nbsp;<i>vs</i>&nbsp;8,9%; IC95%:     5,4%-12,4%) e uma diminui&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es de IECA em combina&ccedil;&otilde;es com     diur&eacute;tico (48,2%;&nbsp;IC95%: 43,4%-53,0% <i>vs</i>&nbsp;26,0%;&nbsp;IC95%:     20,6%-31,3%) ou BCC (15,0&nbsp;IC95%: 11,5%-18,5%&nbsp;<i>vs</i> 6,2%;&nbsp;IC95%: 3,3%-9,1%) (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n5/29n5a03f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>A     politerapia contendo 3 classes de medicamentos aHT aumentou de 14,0% (IC95%:     12,0%-16,0%) para 21,2% (IC95%: 18,0%-24,5%). Em 2010, as tr&ecirc;s formas mais     comuns deste tipo de politerapia foram as combina&ccedil;&otilde;es que inclu&iacute;am um diur&eacute;tico:     diur&eacute;tico + ARA + BCC (22,7%;&nbsp;IC95%: 18,7%-26,7%), diur&eacute;tico + ARA + BB     (14,1%;&nbsp;IC95%: 10,8%-17,4%) ou diur&eacute;tico + IECA + BCC (13,3%;&nbsp;IC95%:     10,1%-16,5%).</p>       <p>Em 2010, os     padr&otilde;es de tratamento mais frequentes foram os ARA + diur&eacute;ticos tiaz&iacute;dicos (15,4%;&nbsp;IC95%:     12,5%-18,3%), seguido de IECA em monoterapia (10,8%;&nbsp;IC95%: 6,3%-15,3%) e     ARA (9,8%;&nbsp;IC95%: 5,5%-14,1%).</p>       <p>De forma a     avaliar o efeito da presen&ccedil;a de comorbilidades na terap&ecirc;utica farmacol&oacute;gica da     HTA, compararam-se os esquemas terap&ecirc;uticos institu&iacute;dos aos doentes sem     qualquer comorbilidade com os esquemas institu&iacute;dos aos doentes com apenas uma     comorbilidade (diabetes, dislipidemia ou hiperuricemia). Foram observadas     diferen&ccedil;as significativas em rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero de f&aacute;rmacos aHT prescritos na     presen&ccedil;a de diabetes (<i>p</i> = 0,0472),     dislipidemia (<i>p</i> = 0,0431) e     hiperuricemia (<i>p</i> = 0,0463) (<a href="#q3">Quadro III</a>). Comparando o n&uacute;mero de aHT prescritos em 1998 com n&uacute;mero de aHT     prescritos em 2010 em fun&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia e tipo de comorbilidades,     observaram-se diferen&ccedil;as significativas entre os dois momentos, na aus&ecirc;ncia de     comorbilidades (<i>p</i> = 0,0032) e para a     dislipidemia (<i>p</i> = 0,0233) (<a href="#q3">Quadro III</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n5/29n5a03q3.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>Quanto &agrave;     distribui&ccedil;&atilde;o dos grupos terap&ecirc;uticos mais prescritos de acordo com a exist&ecirc;ncia     e tipo de comorbilidade, verificou-se um aumento significativo na prescri&ccedil;&atilde;o de     ARA, isolados ou em associa&ccedil;&atilde;o, tanto nos indiv&iacute;duos sem comorbilidades, como     nos indiv&iacute;duos com apenas uma comorbilidade (diabetes, dislipidemia ou     hiperuricemia) (<a href="#q4">Quadro IV</a>). Em 2010, a propor&ccedil;&atilde;o de doentes sob terap&ecirc;utica com     IECA diminuiu para todas as patologias apresentadas, tendo sido a classe mais     frequentemente prescrita em 1998, independentemente da presen&ccedil;a ou tipo de     patologia (<a href="#q4">Quadro IV</a>). Tendo em considera&ccedil;&atilde;o que os ARA eram uma classe     relativamente recente em 1998, a frequ&ecirc;ncia da sua utiliza&ccedil;&atilde;o no referido ano     era muito inferior comparando com 2010. N&atilde;o foi poss&iacute;vel aplicar o teste     estat&iacute;stico para comparar os grupos terap&ecirc;uticos prescritos em 1998 e em 2010     em fun&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a e tipo de comorbilidades devido ao reduzido n&uacute;mero de     casos ap&oacute;s estratifica&ccedil;&atilde;o da amostra.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n5/29n5a03q4.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Para este     estudo foram ainda analisadas algumas caracter&iacute;sticas dos MS, nomeadamente a     idade, o sexo e os anos de pr&aacute;tica cl&iacute;nica que se considerou poderem,     eventualmente, influenciar a decis&atilde;o no que respeita &agrave; terap&ecirc;utica da HTA. A     idade m&eacute;dia foi de 54&plusmn;4,3 anos, o n&uacute;mero m&eacute;dio de anos desde a licenciatura foi     de 29&plusmn;4,6 anos, e 61,8% pertenciam ao sexo feminino. Comparando-se as vari&aacute;veis     dos m&eacute;dicos participantes no estudo e dos m&eacute;dicos que comp&otilde;em a Rede de MS,     verificou-se n&atilde;o existir diferen&ccedil;as significativas, para m&eacute;dia de idade (<i>p</i> = 0,6737), para o n&uacute;mero m&eacute;dio de anos     de pr&aacute;tica cl&iacute;nica (<i>p</i> = 0,5058) e     para o sexo (<i>p</i> = 0,4023). &Eacute; de     salientar a diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de m&eacute;dicos participantes no estudo em 2010 (n     = 35). Decorrente deste facto, quando se compararam os doentes em estudo com a     amostra de doentes que se esperava obter, verificou-se que, no ano de 1998, o     n&uacute;mero de m&eacute;dicos participantes foi superior ao esperado, resultando num     tamanho da amostra superior ao previamente calculado. Em 2010, o n&uacute;mero     reduzido de m&eacute;dicos participantes resultou numa redu&ccedil;&atilde;o do tamanho amostral,     que contou com aproximadamente metade dos participantes esperados.</p>       <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>       <p>As normas de     orienta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica para o tratamento da HTA da <i>Joint National Committee 7,</i> da <i>European     Society of Hypertension</i> e <i>European     Society of Cardiology</i> consideram que, de uma forma geral, independentemente     do aHT utilizado, a monoterapia permite atingir o controlo da PA apenas num     n&uacute;mero limitado de hipertensos, sendo que a maioria dos doentes necessitar&aacute; do     uso de associa&ccedil;&otilde;es farmacol&oacute;gicas para atingir as metas tensionais desej&aacute;veis.<sup>9,10</sup></p>       <p>No presente     estudo, verificou-se que a utiliza&ccedil;&atilde;o da combina&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios aHT, isolados ou     em associa&ccedil;&atilde;o de dose fixa, apresentou um aumento de 17,3%, tendo sido     prescrita a mais de metade dos hipertensos em 2010 (69,7%). A propor&ccedil;&atilde;o de     doentes em monoterapia &eacute; inferior &agrave; observada no estudo VALSIM (2009),<sup>11</sup> o que est&aacute; de acordo com as observa&ccedil;&otilde;es de estudos noutros pa&iacute;ses europeus, que     t&ecirc;m revelado que a propor&ccedil;&atilde;o de doentes sob monoterapia tem vindo a diminuir     significativamente, de forma constante.<sup>11</sup></p>       <p>De acordo     com as mais recentes normas de orienta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica emanadas pela DGS, no     tratamento da HTA de risco acrescido baixo, pode ser utilizado qualquer     medicamento considerado de primeira linha &#8211; diur&eacute;ticos tiaz&iacute;dicos,     isolados ou em associa&ccedil;&atilde;o de baixa dose com modificadores do eixo     renina&#8208;angiotensina&#8208;aldosterona (RAA); modificadores do eixo RAA     (n&atilde;o diferenciando os IECA dos ARA) ou BCC.<sup>4</sup> Contudo, determinadas     condi&ccedil;&otilde;es de alto risco, como a <i>diabetes     mellitus,</i> s&iacute;ndrome metab&oacute;lica ou doen&ccedil;a renal s&atilde;o indica&ccedil;&otilde;es para o uso     inicial de associa&ccedil;&otilde;es com mecanismos de ac&ccedil;&atilde;o complementar &#8211; diur&eacute;ticos     tiaz&iacute;dicos com modificadores do eixo RAA ou BCC com modificadores do eixo RAA.<sup>4</sup></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A escolha da     op&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica deve ser justificada sempre que se considere ser a melhor     alternativa para o doente, seja para minimizar reac&ccedil;&otilde;es adversas seja,     eventualmente, para minorar o n&uacute;mero de tomas; caso contr&aacute;rio, privilegia-se a     op&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica de menor custo para igual efic&aacute;cia, salvaguardando o     cumprimento das orienta&ccedil;&otilde;es de boa pr&aacute;tica cl&iacute;nica.<sup>4</sup></p>       <p>Neste     estudo, embora os diur&eacute;ticos tenham sido frequentemente prescritos em     associa&ccedil;&atilde;o com outras classes de aHT (32,0% em 1998 e 54,1% em 2010), j&aacute; quando     prescritos em monoterapia representaram apenas 6,1 % da utiliza&ccedil;&atilde;o de aHT em     1998 e 2,2% em 2010, apresentando uma diminui&ccedil;&atilde;o de 3,9% entre 1998 e 2010.     Como f&aacute;rmacos de primeira linha, assim classificados pela maioria das normas de     orienta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica,<sup>4,10</sup> e tendo em considera&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o a classe     terap&ecirc;utica com menor custo di&aacute;rio de tratamento, seria expect&aacute;vel uma maior     propor&ccedil;&atilde;o na sua utiliza&ccedil;&atilde;o.<sup>12</sup></p>       <p>Os f&aacute;rmacos     que actuam no eixo RAA foram os mais frequentemente prescritos em ambos os     momentos em estudo (1998 e 2010), tanto em monoterapia como em politerapia. Por     outro lado, a utiliza&ccedil;&atilde;o de diur&eacute;ticos, BB e BCC diminu&iacute;ram ou aumentaram     residualmente entre os dois per&iacute;odos.</p>       <p>Estes     resultados est&atilde;o de acordo com o observado nos &uacute;ltimos estudos nacionais sobre     o padr&atilde;o de utiliza&ccedil;&atilde;o dos aHT, que revelaram que os IECA e, fundamentalmente,     os ARA t&ecirc;m, cada vez mais, superado a utiliza&ccedil;&atilde;o das outras classes de aHT,     tais como os BCC e os BB.<sup>11,12</sup> O estudo VALSIM, publicado em 2009,     demonstrou que os padr&otilde;es de tratamento mais frequentemente prescritos foram os     ARA, em monoterapia (16,9%), seguidos dos IECA em monoterapia (14,4%) e das     associa&ccedil;&otilde;es de ARA e diur&eacute;tico (11,8%).<sup>11</sup></p>       <p>Os ARA t&ecirc;m     indica&ccedil;&otilde;es semelhantes aos IECA, no entanto, devido ao seu elevado custo, devem     ser apenas recomendados aos doentes que apresentem intoler&acirc;ncia aos IECA.<sup>9,12,13,14</sup> No presente estudo, o marcado aumento na utiliza&ccedil;&atilde;o dos ARA e o decr&eacute;scimo na     propor&ccedil;&atilde;o de utiliza&ccedil;&atilde;o de IECA, parece sugerir a hip&oacute;tese de que, em     determinadas situa&ccedil;&otilde;es, estes poder&atilde;o estar a ser utilizados para al&eacute;m das     indica&ccedil;&otilde;es em que representem uma mais-valia terap&ecirc;utica, sugerindo-se a     realiza&ccedil;&atilde;o de outros estudos com outras op&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas para a eventual     comprova&ccedil;&atilde;o desta hip&oacute;tese. N&atilde;o obstante, a atrac&ccedil;&atilde;o pela prescri&ccedil;&atilde;o de     mol&eacute;culas novas, como &eacute; o caso dos ARA, e a press&atilde;o para usar as terap&ecirc;uticas     mais recentes s&atilde;o factores que podem afectar a prescri&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico no     tratamento da HTA, podendo explicar, parcialmente, a op&ccedil;&atilde;o pelos ARA.<sup>13</sup></p>       <p>Um estudo da     Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Sa&uacute;de I.P. (INFARMED), que     analisou a evolu&ccedil;&atilde;o dos medicamentos do aparelho cardiovascular em Portugal,     entre 2000 e 2011, mostrou que os f&aacute;rmacos que actuam no eixo RAA apresentaram     tend&ecirc;ncias de utiliza&ccedil;&atilde;o crescentes, enquanto os restantes f&aacute;rmacos tiveram as     suas tend&ecirc;ncias de utiliza&ccedil;&atilde;o estabilizadas ou invertidas.<sup>15</sup> Por     outro lado, de acordo com os dados do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Consumo de     Medicamentos do Centro de Estudos e Avalia&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de (CEFAR), da Associa&ccedil;&atilde;o     Nacional das Farm&aacute;cias &#8211; sistema criado com base numa amostra de cerca de     80% das farm&aacute;cias portuguesas, entre 2004 e 2011, a utiliza&ccedil;&atilde;o dos aHT em Doses     Di&aacute;rias Definidas (DDD)/1.000 habitantes/dia aumentou 33,8%. Neste per&iacute;odo, o     r&aacute;cio em DDD: ARA/(IECA + ARA) &#8211; indicador do grupo EURO-MED-STAT<sup>16</sup> &#8211; aumentou de 33,8% para 51,9%, evidenciando, claramente, a substitui&ccedil;&atilde;o     dos IECA pelos ARA. De notar que desde 2005, e mais acentuadamente a partir de     Outubro de 2010, o crescimento na despesa, apesar de elevado, foi bastante     inferior ao crescimento em volume, devido &agrave;s medidas legislativas implementadas     em Portugal para redu&ccedil;&atilde;o dos custos, nomeadamente, redu&ccedil;&otilde;es administrativas nos     pre&ccedil;os de venda ao p&uacute;blico, quer dos medicamentos de marca, quer dos     medicamentos gen&eacute;ricos.</p>       <p>A HTA est&aacute;     frequentemente associada a determinadas patologias, com elevada preval&ecirc;ncia,     como a diabetes e a dislipidemia. Os doentes com HTA e determinadas     comorbilidades necessitam de uma abordagem espec&iacute;fica nas op&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas.</p>       <p>No caso de     dislipidemia, as normas de orienta&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica desaconselham o uso dos BB em     hipertensos com m&uacute;ltiplos factores de risco metab&oacute;lico, incluindo a s&iacute;ndrome     metab&oacute;lica, devido aos seus efeitos adversos sobre o metabolismo lip&iacute;dico e     aumento da incid&ecirc;ncia da diabetes.<sup>10,17</sup> Isto tamb&eacute;m se aplica ao uso     de diur&eacute;ticos tiaz&iacute;dicos, que em doses elevadas t&ecirc;m efeitos dislipid&eacute;micos e     diabetog&eacute;nicos.<sup>10</sup> Em 1998, foi prescrito um IECA a 63,4% dos doentes     com dislipidemia, enquanto em 2010 esta propor&ccedil;&atilde;o diminuiu para 35,4%,     mantendo-se, contudo, como a classe mais frequentemente prescrita nos doentes     cuja &uacute;nica comorbilidade era a dislipidemia.</p>       <p>Nos doentes     com diabetes, o controlo da HTA pode ser particularmente dif&iacute;cil de alcan&ccedil;ar,     podendo ser necess&aacute;ria a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma combina&ccedil;&atilde;o de dois ou mais aHT.<sup>10</sup> &Eacute; recomendado o uso de associa&ccedil;&otilde;es que incluam um IECA ou ARA, em virtude da     efic&aacute;cia particular destes agentes sobre a excre&ccedil;&atilde;o renal de prote&iacute;na e a     preserva&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o renal a longo prazo.<sup>14</sup></p>       <p>A combina&ccedil;&atilde;o     de um diur&eacute;tico com um BB tem efeitos metab&oacute;licos adversos e favorece o desenvolvimento     de diabetes, devendo, portanto, ser evitado, a menos que exigido por outras     raz&otilde;es. Neste estudo, verificou-se que a propor&ccedil;&atilde;o de hipertensos com diabetes     aumentou significativamente de 1998 para 2010, pelo que poder&aacute; ter contribu&iacute;do     para o aumento da utiliza&ccedil;&atilde;o de medicamentos modificadores do eixo RAA, os mais     adequados para o tratamento da HTA em indiv&iacute;duos diab&eacute;ticos com protein&uacute;ria.<sup>10</sup> Os f&aacute;rmacos mais frequentemente prescritos nos indiv&iacute;duos cuja &uacute;nica     comorbilidade era a diabetes foram os IECA, em 1998 (75%), e a associa&ccedil;&atilde;o de     IECA com diur&eacute;ticos tiaz&iacute;dicos, em 2010 (52,9%).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os     resultados deste estudo devem ser interpretados &agrave; luz de algumas limita&ccedil;&otilde;es     existentes. A generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados dever&aacute; ser cuidadosa, uma vez que o     n&uacute;mero de hipertensos inclu&iacute;dos no estudo foi inferior ao tamanho amostral     definido na metodologia e os padr&otilde;es terap&ecirc;uticos encontrados poder&atilde;o n&atilde;o     corresponder, na totalidade, aos padr&otilde;es terap&ecirc;uticos da generalidade dos     m&eacute;dicos de medicina geral e familiar em Portugal. Com efeito, o facto de os     prescritores pertencerem &agrave; Rede de MS &#8211; rede volunt&aacute;ria de m&eacute;dicos de     Medicina Geral e Familiar &#8211; constitui, por si s&oacute;, um vi&eacute;s, na medida em     que poder&atilde;o apresentar um padr&atilde;o de prescri&ccedil;&atilde;o sistematicamente diferente do     praticado por outros m&eacute;dicos de Medicina Geral e Familiar ou cl&iacute;nicos de outras     especialidades, porventura reflexo da possibilidade dos utentes da Rede terem     caracter&iacute;sticas diferentes e, no caso concreto, n&atilde;o serem representativos da     popula&ccedil;&atilde;o total de doentes a fazer terap&ecirc;utica anti-hipertensora.</p>       <p>Embora o     recrutamento dos doentes tenha sido efectuado sequencialmente, com base num     plano de amostragem por cotas, previamente disponibilizado aos MS, &eacute; poss&iacute;vel     que tenha existido um vi&eacute;s de selec&ccedil;&atilde;o, em virtude de uma selec&ccedil;&atilde;o de     conveni&ecirc;ncia dos doentes por parte dos MS e tendo em conta o longo per&iacute;odo de     recrutamento verificado no terreno.</p>       <p>Por outro     lado, o facto de os m&eacute;dicos terem conhecimento de que se encontravam a     participar num estudo com vista &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o do perfil de prescri&ccedil;&atilde;o pode     ter contribu&iacute;do para um vi&eacute;s de notifica&ccedil;&atilde;o, considerando que cada m&eacute;dico     participante pode n&atilde;o ter reportado algumas prescri&ccedil;&otilde;es de aHT durante o     per&iacute;odo do estudo ou pode ter alterado o seu padr&atilde;o habitual de prescri&ccedil;&atilde;o.</p>       <p>Os per&iacute;odos     de recolha transversal de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o possibilitam a obten&ccedil;&atilde;o de     determinadas vari&aacute;veis que poderiam permitir outras an&aacute;lises de relev&acirc;ncia para     a caracteriza&ccedil;&atilde;o do perfil terap&ecirc;utico da HTA, embora n&atilde;o constassem nos     objectivos deste estudo. N&atilde;o foi, por exemplo, recolhida informa&ccedil;&atilde;o sobre a     experi&ecirc;ncia terap&ecirc;utica anterior com aHT, como intoler&acirc;ncia, efeitos adversos     ou patologias associadas que contra-indiquem a utiliza&ccedil;&atilde;o de algum aHT, bem     como informa&ccedil;&atilde;o sobre terap&ecirc;uticas concomitantes dos doentes, que permitiria a     detec&ccedil;&atilde;o de eventuais interac&ccedil;&otilde;es medicamentosas.<sup>8</sup></p>       <p>A forma de     HTA avaliada neste estudo &eacute; referente &agrave; forma de HTA no momento do diagn&oacute;stico     e a terap&ecirc;utica &eacute; referente ao momento do estudo, em 2010. Entre estas duas     datas podem mediar per&iacute;odos de tempo variados, de anos at&eacute;, pelo que n&atilde;o se     pode estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o directa ente a terap&ecirc;utica actual e a forma de HTA     registada pelo m&eacute;dico.</p>       <p>Em     conclus&atilde;o, verificou-se que o padr&atilde;o de prescri&ccedil;&atilde;o de aHT na Rede MS sofreu     significativas altera&ccedil;&otilde;es no que diz respeito ao n&uacute;mero e tipologia de classes     de aHT prescritos. O n&uacute;mero m&eacute;dio de aHT prescritos aumentou significativamente     entre os dois momentos. Por outro lado, embora os diur&eacute;ticos sejam o aHT de     menor custo, a sua utiliza&ccedil;&atilde;o reduziu-se consideravelmente entre 1998 e 2010.     Ao inv&eacute;s, os f&aacute;rmacos que actuam no eixo RAA (IECA e ARA) foram os mais     frequentemente prescritos em ambos os momentos, tanto em monoterapia como em     politerapia. Contudo, sublinha-se o aumento significativo da prescri&ccedil;&atilde;o de ARA     em detrimento da diminui&ccedil;&atilde;o dos IECA.</p>       <p>Comparativamente     ao primeiro estudo, salienta-se um ligeiro aumento da idade m&eacute;dia dos     participantes, mantendo-se por&eacute;m o predom&iacute;nio do sexo feminino. Aproximadamente     metade dos hipertensos apresentou danos em &oacute;rg&atilde;os-alvos em ambos os momentos,     sendo a doen&ccedil;a card&iacute;aca o dano mais frequente. As patologias associadas mais     frequentes foram a dislipidemia, a hiperuricemia e a diabetes. Verificou-se     ainda uma varia&ccedil;&atilde;o significativa no n&uacute;mero e classes de aHT prescritos em     fun&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a de comorbilidades nos dois momentos.</p>     <p>No &acirc;mbito do     uso racional do medicamento, os resultados deste estudo contribu&iacute;ram para o     conhecimento do perfil de prescri&ccedil;&atilde;o dos aHT em Portugal. Contudo, prop&otilde;e-se,     em estudos futuros, avaliar a implementa&ccedil;&atilde;o da Norma da DGS e o seu decorrente     impacto no padr&atilde;o de prescri&ccedil;&atilde;o dos anti-hipertensores, por forma a promover a     qualidade da prescri&ccedil;&atilde;o e o real controlo da despesa p&uacute;blica com medicamentos,     concretamente nesta classe farmacoterap&ecirc;utica.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1. Morgado     MP, Rolo SA, Pereira L, Castelo-Branco M. Blood pressure control and     antihypertensive pharmacotherapy patterns in a hypertensive population of     Eastern Central Region of Portugal. BMC Health Serv Res 2010 Dec 30; 10: 349.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S2182-5173201300050000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. De Macedo     ME, Lima MJ, Silva AO, Alc&acirc;ntara P, Ramalhinho V, Carmona J. Prevalence,     awareness, treatment and control of hypertension in Portugal: the PAP study.     Rev Port Cardiol 2007 Jan; 26 (1): 21-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S2182-5173201300050000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Perk J,     De Backer G, Gohlke H, Graham I, Reiner Z, Verschuren M, et al. European     Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice (version     2012). The Fifth Joint Task Force of the European Society of Cardiology and     Other Societies on Cardiovascular Disease Prevention in Clinical Practice. Eur     Heart J 2012 Jul; 33 (13): 1635-701.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S2182-5173201300050000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Normas     para a Abordagem Terap&ecirc;utica da Hipertens&atilde;o Arterial (Norma n&ordm; 026/2011 de     29/09/2011 actualizada a 19/03/2013). Lisboa: Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S2182-5173201300050000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Pol&oacute;nia     J, Ramalhinho V, Martins L, Saavedra J. Normas sobre detec&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e     tratamento da hipertens&atilde;o arterial da Sociedade Portuguesa de Hipertens&atilde;o. Rev     Port Cardiol 2006 Jun; 25 (6): 649-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S2182-5173201300050000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>6. Kithas     PA, Supiano MA. Practical recommendations for treatment of hypertension in     older patients. Vasc Health Risk Manag 2010 Aug 9; 6; 561-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S2182-5173201300050000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. Direc&ccedil;&atilde;o     de Servi&ccedil;os de Informa&ccedil;&atilde;o e An&aacute;lise. Divis&atilde;o de Estat&iacute;stica. Elementos     Estat&iacute;sticos: Informa&ccedil;&atilde;o Geral: Sa&uacute;de 2008. Lisboa: Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de;     2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S2182-5173201300050000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>8. Martins     AP, Melo MN, Mendes Z, Ferreira AP, Miranda AC, Falc&atilde;o IM, et al. Perfil     terap&ecirc;utico da hipertens&atilde;o arterial na Rede dos M&eacute;dicos Sentinela. Rev Port     Clin Geral 2001 Set-Out; 17 (5): 359-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S2182-5173201300050000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>9. Chobanian     AV, Bakris GL, Black HR, Cushman WC, Green LA, Izzo JL Jr, et al. The Seventh     Report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation,     and Treatment of High Blood Pressure: the JNC 7 report. JAMA 2003 May 21; 289     (19): 2560-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S2182-5173201300050000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>10. Mancia     G, De Backer G, Dominiczak A, Cifkova R, Fagard R, Germano G, et al. 2007     ESH-ESC Practice Guidelines for the Management of Arterial Hypertension:     ESH-ESC Task Force on the Management of Arterial Hypertension. J Hypertens 2007     Sep.; 25 (9): 1751-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S2182-5173201300050000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>11.     Cortez-Dias N, Martins S, Belo A, Fiuza M. Preval&ecirc;ncia e padr&otilde;es de tratamento     da hipertens&atilde;o arterial nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios em Portugal; resultados     do Estudo VALSIM. Rev Port Cardiol 2009 Mai; 28 (5): 499-523.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S2182-5173201300050000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>12. An&aacute;lise     da evolu&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o dos anti-hipertensores em Portugal Continental entre     1999 e 2003. Lisboa: Observat&oacute;rio do Medicamento e Produtos de Sa&uacute;de &#8211;     INFARMED; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S2182-5173201300050000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>13. Stafford     RS, Monti V, Furberg CD, Ma J. Long-term and short-term changes in     antihypertensive prescribing by office-based physicians in the United States.     Hypertension 2006 Aug; 48 (2): 213-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S2182-5173201300050000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>14. Mancia     G, Laurent S, Agabiti-Rosei E, Ambrosioni E, Burnier M, Caulfield MJ, et al.     Reappraisal of European guidelines on hypertension management: a European     Society of Hypertension Task Force document. Blood Press 2009; 18 (6): 308-47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S2182-5173201300050000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>15.     Medicamentos do Aparelho Cardiovascular: Uma an&aacute;lise dos padr&otilde;es de utiliza&ccedil;&atilde;o     e despesa em Portugal Continental entre 2000 e 2011. Lisboa: Infarmed; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S2182-5173201300050000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>16. STAT,     EURO MED. The Library of European Union Pharmaceutical Indicators Expenditure     and Utilisation Indicators. Final version. March 2004. Dispon&iacute;vel em <a href="http://ec.europa.eu/health/ph_projects/2001/monitoring/fp_monitoring_2001_frep_12_3_en.pdf" target="_blank">http://ec.europa.eu/health/ph_projects/2001/monitoring/fp_monitoring_2001_frep_12_3_en.pdf</a>     (acedido em 25/09/2013).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S2182-5173201300050000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17.     Bangalore S, Parkar S, Grossman E, Messerli FH. A meta-analysis of 94,492     patients with hypertension treated with beta blockers to determine the risk of     new-onset diabetes mellitus. Am J Cardiol 2007 Oct 15; 100 (8): 1254-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S2182-5173201300050000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>       <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>       <p>Carla Torre</p>       <p>CEFAR-Centro     de Estudos e Avalia&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de</p>       <p>Associa&ccedil;&atilde;o     Nacional das Farm&aacute;cias</p>       <p>Rua Marechal     Saldanha, 1</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1249-069     Lisboa</p>       <p><a href="mailto:carla.torre@anf.pt">carla.torre@anf.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Conflito   de interesses</b></p>       <p>O autor Jos&eacute;     Augusto Sim&otilde;es declara que nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos foi prelector em eventos     cient&iacute;ficos patrocinados pela Merck, Sharp and Dhome, pela Novartis e pela     Pfizer e foi tamb&eacute;m perito externo na avalia&ccedil;&atilde;o das Normas de Orienta&ccedil;&atilde;o     Cl&iacute;nica da Direc&ccedil;&atilde;o Geral da Sa&uacute;de. Os restantes autores declaram n&atilde;o possuir     qualquer conflito de interesses.</p>       <p><b>Agradecimentos</b></p>       <p>Um     agradecimento especial a todos os M&eacute;dicos Sentinela que tornaram poss&iacute;vel este     estudo enviando a informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria sobre os seus doentes e &agrave; Direc&ccedil;&atilde;o da     Associa&ccedil;&atilde;o Nacional das Farm&aacute;cias pelo apoio concedido para a realiza&ccedil;&atilde;o do     estudo.</p>       <p>Ao Doutor     Baltazar Nunes e &agrave; Dr&ordf; Suzete Costa pela revis&atilde;o do manuscrito e contributo     para a discuss&atilde;o sobre a an&aacute;lise dos resultados.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 25-04-2013</b></p>       ]]></body>
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