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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Neurofibromatose tipo 1: relato de um caso clínico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Neurofibromatosis type 1 (NF1) is a common neurocutaneous condition with an autosomal dominant pattern of inheritance. A new mutation occurs in about half of the cases. The diagnosis is based on clinical assessment so family physicians should be aware of the manifestations of the disease. Case presentation: A 29 year-old female patient presented with a history of numerous skin lesions since childhood. The lesions were getting progressively worse. The patient also had learning disabilities. Her mother had similar skin lesions. She was referred to a General Surgery clinic in 2008 because of “multiple moles and warts”. After excision of skin lesions, a pathological diagnosis, of neurofibromas was made in 2009. She was referred to a Neurology clinic and the clinical diagnosis of NF1 was confirmed by the presence of neurofibromas, freckles, and more than 6 café au lait spots on the skin. It was also noted that her three year-old son had one café au lait patch on his skin. The child was referred to a Dermatology clinic in 2012. At this time the child fulfilled the clinical criteria for the diagnosis of NF1. Commentary: Because of the prevalence (1/2500-3000) and severity of complications of NF1, the early detection of the disease is important. As is evident in this case, clinicians are not always aware of its manifestations, missing opportunities for genetic counselling and preventing complications of the disease.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS BREVES</b></p>       <p><font size="4"><b>Neurofibromatose tipo 1: relato de um caso     cl&iacute;nico</b></font></p>       <p><font size="3"><b>Neurofibromatosis   type 1: a case report</b></font></p>       <p><b>Ana Catarina Marques*, F&aacute;tima Dinis**</b></p>       <p>*Interna de     3.<sup>o</sup> ano de forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica em Medicina Geral e Familiar</p>       <p>Unidade de     Sa&uacute;de Familiar Fafe Sentinela - ACES do Alto Ave</p>       <p>**Interna de     2.<sup>o</sup> ano de forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica em Medicina Geral e Familiar</p>       <p>Unidade de     Sa&uacute;de Familiar de Ronfe - ACES do Alto Ave</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o:</b> A neurofibromatose tipo 1     (NF1) &eacute; uma doen&ccedil;a neurocut&acirc;nea de hereditariedade autoss&oacute;mica dominante,     ocorrendo muta&ccedil;&otilde;es de novo em cerca de metade dos casos. Sendo o diagn&oacute;stico     firmado na presen&ccedil;a de pelo menos dois crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico, na maioria     cl&iacute;nicos, o m&eacute;dico de fam&iacute;lia deve conhecer as manifesta&ccedil;&otilde;es desta doen&ccedil;a.</p>       <p><b>Caso:</b> AIGD, sexo feminino, 29 anos, com     hist&oacute;ria de numerosas les&otilde;es cut&acirc;neas desde crian&ccedil;a, de agravamento progressivo     e dificuldades de aprendizagem. Antecedentes maternos de les&otilde;es cut&acirc;neas     semelhantes. Pertence a uma fam&iacute;lia alargada, de classe m&eacute;dia-baixa, com     crit&eacute;rios de risco familiar. Em 2008 foi referenciada a consulta de Cirurgia     Geral pelo seu m&eacute;dico de fam&iacute;lia por &laquo;m&uacute;ltiplos nevos e verrugas&raquo;. Ap&oacute;s a     ex&eacute;rese de v&aacute;rias destas les&otilde;es, foi feito o diagn&oacute;stico anatomopatol&oacute;gico, em     2009, de neurofibromas. Foi enviada para consulta de Neurologia, na qual se     confirmou apresentar crit&eacute;rios cl&iacute;nicos para diagn&oacute;stico de NF1 (neurofibromas,     ef&eacute;lides axilares, &#8805; seis manchas cut&acirc;neas de cor caf&eacute; com leite). Nessa     consulta havia registo de um filho de 3 anos com manchas cut&acirc;neas de cor caf&eacute;     com leite. A crian&ccedil;a foi convocada para observa&ccedil;&atilde;o por Dermatologia apenas em     2012, ap&oacute;s observa&ccedil;&atilde;o da utente por esta especialidade. Nesta consulta,     verificou-se que o filho apresentava tamb&eacute;m crit&eacute;rios para diagn&oacute;stico de NF1.</p>       <p><b>Coment&aacute;rio:</b> A NF1, pela sua frequ&ecirc;ncia     (1/2500-3000) e gravidade das complica&ccedil;&otilde;es associadas, constitui uma doen&ccedil;a     cujo diagn&oacute;stico precoce &eacute; importante. Como &eacute; evidente neste caso, nem sempre     os m&eacute;dicos est&atilde;o atentos &agrave;s suas manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas, perdendo-se a     oportunidade de aconselhamento gen&eacute;tico e/ou de minimizar as complica&ccedil;&otilde;es desta     doen&ccedil;a.</p>       <p><b>Palavras-Chave:</b> Neurofibromatoses;     Neurofibromatose 1; Neurofibromas.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Introduction:</b> Neurofibromatosis type 1     (NF1) is a common neurocutaneous condition with an autosomal dominant pattern     of inheritance. A new mutation occurs in about half of the cases. The diagnosis     is based on clinical assessment so family physicians should be aware of the   manifestations of the disease.</p>       <p><b>Case presentation:</b> A 29 year-old female     patient presented with a history of numerous skin lesions since childhood. The     lesions were getting progressively worse. The patient also had learning     disabilities. Her mother had similar skin lesions. She was referred to a     General Surgery clinic in 2008 because of “multiple moles and warts”. After     excision of skin lesions, a pathological diagnosis, of neurofibromas was made     in 2009. She was referred to a Neurology clinic and the clinical diagnosis of     NF1 was confirmed by the presence of neurofibromas, freckles, and more than 6 <i>caf&eacute; au lait</i> spots on the skin. It was     also noted that her three year-old son had one <i>caf&eacute; au lait</i> patch on his skin. The child was referred to a     Dermatology clinic in 2012. At this time the child fulfilled the clinical     criteria for the diagnosis of NF1.</p>       <p><b>Commentary:</b> Because of the prevalence     (1/2500-3000) and severity of complications of NF1, the early detection of the     disease is important. As is evident in this case, clinicians are not always     aware of its manifestations, missing opportunities for genetic counselling and     preventing complications of the disease.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Key-Words:</b> Neurofibromatoses;     Neurofibromatosis 1; Neurofibroma.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>Aneurofibromatose     tipo 1 (NF1) &eacute; uma doen&ccedil;a neurocut&acirc;nea, cuja incid&ecirc;ncia estimada &eacute; de 1 em cada     2500-3000 indiv&iacute;duos.<sup>1-3</sup> Os primeiros relatos desta doen&ccedil;a datam do     ano 1000 aC.<sup>1</sup> No entanto, s&oacute; em 1881 <i>von Recklinghausen</i> descreveu e apelidou de &laquo;neurofibromas&raquo; os     tumores benignos que cresciam da bainha dos nervos perif&eacute;ricos; a NF1 &eacute;, ainda     hoje, alternativamente designada por &laquo;Doen&ccedil;a de <i>von Recklinghausen</i>&raquo;.<sup>1</sup> Em 1990 foi identificado o gene no     qual ocorre a muta&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel pela doen&ccedil;a &#8211; o gene NF1 do cromossoma     17q11.2. Na presen&ccedil;a de muta&ccedil;&atilde;o deixa de haver s&iacute;ntese de neurofibromina, um     supressor tumoral com express&atilde;o ubiquit&aacute;ria no sistema nervoso, condicionando     um risco significativamente aumentado de desenvolvimento de tumores benignos e     malignos por todo o sistema nervoso.<sup>1</sup></p>       <p><b>A     prop&oacute;sito de um caso cl&iacute;nico</b></p>       <p><b>Identifica&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>A.I.G.D.,     sexo feminino, 29 anos, portuguesa*. Completou o 6.<sup>o</sup> ano de     escolaridade. Atualmente desempregada. Vive em uni&atilde;o de facto. Reside, desde     2007, com o filho de 5 anos de idade e com o companheiro em casa dos pais     deste, pertencendo assim a uma fam&iacute;lia alargada. A fam&iacute;lia enquadra-se na     classe IV da classifica&ccedil;&atilde;o de <i>Graffar</i> (classe m&eacute;dia-baixa) e apresenta crit&eacute;rios de risco familiar m&eacute;dio, segundo as     escalas de <i>Segovia-Dreyer</i> e de <i>Garcia Gonzalez.</i></p>       <p>*Foram     omitidos alguns dados para melhor prote&ccedil;&atilde;o da identidade da utente.</p>       <p><b>Antecedentes pessoais e familiares</b></p>       <p>Trata-se de     uma utente sem m&eacute;dico de fam&iacute;lia atribu&iacute;do, que mant&eacute;m contacto espor&aacute;dico na     Unidade de Sa&uacute;de Familiar (USF)<sup>2</sup> onde o filho se encontra inscrito.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tem     antecedentes pessoais de dificuldade de aprendizagem e numerosas les&otilde;es     cut&acirc;neas (p&aacute;pulas e n&oacute;dulos de pequenas dimens&otilde;es) desde crian&ccedil;a, que foram     aumentando em n&uacute;mero e tamanho com o decorrer da idade.</p>       <p>Como     antecedentes familiares de relevo tem m&atilde;e com les&otilde;es cut&acirc;neas semelhantes.</p>       <p><b>Hist&oacute;ria da doen&ccedil;a atual</b></p>       <p>Em janeiro     de 2006, com 23 anos de idade, foi referenciada &agrave; consulta de Obstetr&iacute;cia do     hospital de refer&ecirc;ncia pelo Centro de Apoio a Toxicodependentes (CAT), ao qual     recorreu pela primeira vez por teste de gravidez positivo ap&oacute;s rela&ccedil;&atilde;o sexual     desprotegida com namorado, seropositivo para o V&iacute;rus da Imunodefici&ecirc;ncia Humana     (VIH).</p>       <p>Foi seguida     em consulta hospitalar de gravidez de risco, tendo-se verificado sempre     seronegatividade da utente para o VIH 1 e 2. N&atilde;o foram detetados outros fatores     de risco. O parto decorreu em setembro de 2006, sem intercorr&ecirc;ncias.</p>       <p>Por     agravamento das les&otilde;es cut&acirc;neas ap&oacute;s a gravidez, em n&uacute;mero e tamanho, a utente     realizou um contacto espor&aacute;dico na USF em novembro de 2007. Nesta consulta, foi     constatada a presen&ccedil;a de v&aacute;rias les&otilde;es cut&acirc;neas, descritas como &laquo;m&uacute;ltiplas     verrugas na pele de distribui&ccedil;&atilde;o generalizada&raquo;, pelo que foi feita a     referencia&ccedil;&atilde;o para consulta de Cirurgia Geral.</p>       <p>Na primeira     consulta de Cirurgia Geral, em fevereiro de 2008, observaram-se ao exame     objetivo &laquo;tr&ecirc;s p&aacute;pulas no antebra&ccedil;o direito, antebra&ccedil;o esquerdo e coxa     esquerda&raquo;. Os antecedentes pessoais e familiares foram considerados     irrelevantes. Em agosto de 2008 foi efetuada ex&eacute;rese das les&otilde;es descritas, que     histologicamente correspondiam a nevos melanoc&iacute;ticos intrad&eacute;rmicos.</p>       <p>Na consulta     de reavalia&ccedil;&atilde;o, em fevereiro de 2009, a utente apresentava novas les&otilde;es,     descritas como &laquo;um quisto seb&aacute;ceo, uma p&aacute;pula fibrosa e seis p&aacute;pulas nos     membros&raquo;. Em maio de 2009 foi realizada a ex&eacute;rese destas les&otilde;es, cujo exame     anatomopatol&oacute;gico revelou &laquo;neurofibromas&raquo;. Foi referenciada em junho de 2009     para consulta de Neurologia, por &laquo;cl&iacute;nica compat&iacute;vel com neurofibromatose&raquo;.</p>       <p>Na primeira     consulta de Neurologia, que se realizou em outubro de 2009, aos 26 anos de     idade, foi confirmada a presen&ccedil;a de &laquo;m&uacute;ltiplos quistos seb&aacute;ceos, neurofibromas     de v&aacute;rios tamanhos, manchas caf&eacute; com leite e ef&eacute;lides&raquo;. N&atilde;o existia hist&oacute;ria de     epilepsia, cefaleias ou altera&ccedil;&otilde;es ao exame neurol&oacute;gico. Apresentava avalia&ccedil;&atilde;o     tensional normal. Foram registados nesta consulta, como antecedentes familiares     de relevo, &laquo;m&atilde;e com o mesmo problema de pele&raquo; e &laquo;filho de 3 anos com uma mancha     caf&eacute; com leite&raquo;. Foi pedida Resson&acirc;ncia Magn&eacute;tica Nuclear (RMN) cerebral e     marcada consulta de seguimento.</p>       <p>Em novembro     de 2010, a doente mantinha-se sem queixas e a RMN cerebral, realizada em mar&ccedil;o     de 2010, revelou &laquo;suspeita de hamartoma a n&iacute;vel do v&eacute;rmis, hipersinal tal&acirc;mico     punctiforme direito no mesmo contexto e discreta assimetria da hip&oacute;fise com     normal impregna&ccedil;&atilde;o&raquo;.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi     referenciada a Dermatologia, para avalia&ccedil;&atilde;o da necessidade de ex&eacute;rese de     algumas les&otilde;es/quistos, tendo a primeira consulta sido realizada em novembro de     2011. Apresentava ent&atilde;o &laquo;incont&aacute;veis neurofibromas epid&eacute;rmicos e intrad&eacute;rmicos     em todo o tegumento, ef&eacute;lides de localiza&ccedil;&atilde;o axilar e inguinal, mais de seis     manchas caf&eacute; com leite&raquo; e <i>pectus     excavatum</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>). Por reunir crit&eacute;rios cl&iacute;nicos para diagn&oacute;stico de     NF1, foi pedida avalia&ccedil;&atilde;o por Oftalmologia, radiografia da coluna e ossos     longos, ecografia abdominal e renovesical, e recomendada vigil&acirc;ncia peri&oacute;dica da tens&atilde;o arterial.</p>         <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n5/29n5a07f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Na avalia&ccedil;&atilde;o     oftalmol&oacute;gica foi detetado erro de refra&ccedil;&atilde;o, corrigido com &oacute;culos. N&atilde;o foram     detetadas outras altera&ccedil;&otilde;es, nomeadamente a presen&ccedil;a de hamartoma da &iacute;ris (n&oacute;dulos     de <i>Lisch</i>), e foi recomendada     vigil&acirc;ncia peri&oacute;dica.</p>       <p>A     radiografia da coluna vertebral evidenciava &laquo;segmento dorsal com atitude     escoli&oacute;tica dorsal de concavidade esquerda e segmento lombar com escoliose     lombar de concavidade direita&raquo;.</p>       <p>Nesta     consulta de Dermatologia foi convocado o filho da utente.</p>       <p>Na primeira     observa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, em junho de 2012, eram evidentes seis manchas caf&eacute; com     leite &#8805; 0,50 cm, ef&eacute;lides axilares e inguinais, esbo&ccedil;o de <i>pectus excavatum</i> e excesso de p&ecirc;los     terminais na regi&atilde;o lombossagrada (<a href="#f2">Figura 2</a>). Confirmou-se assim a presen&ccedil;a de     crit&eacute;rios cl&iacute;nicos suficientes para o diagn&oacute;stico de NF1 e foi feita     referencia&ccedil;&atilde;o para avalia&ccedil;&atilde;o multidisciplinar.</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n5/29n5a07f2.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Acerca     da NF1</b></p>       <p>As     complica&ccedil;&otilde;es da NF1 s&atilde;o diversas e a express&atilde;o da doen&ccedil;a varia, mesmo dentro da     mesma fam&iacute;lia.<sup>1,2,4</sup> &Eacute; transmitida por hereditariedade autoss&oacute;mica     dominante, apesar de em aproximadamente metade dos doentes n&atilde;o existir hist&oacute;ria     familiar (muta&ccedil;&otilde;es de novo).<sup>1</sup></p>       <p>A NF &eacute;     classificada como um s&iacute;ndrome de predisposi&ccedil;&atilde;o tumoral, pela incid&ecirc;ncia     aumentada de tumores benignos e malignos.<sup>5</sup> Os doentes com NF t&ecirc;m uma     diminui&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida de cerca de 15 anos. A principal causa de     morte em adultos jovens s&atilde;o os tumores malignos das bainhas nervosas     perif&eacute;ricas, que s&atilde;o muito agressivos e com elevada capacidade de metastiza&ccedil;&atilde;o,     podendo ocorrer em v&aacute;rios locais do sistema nervoso perif&eacute;rico. Os     neurofibromas podem sofrer transforma&ccedil;&atilde;o maligna numa propor&ccedil;&atilde;o tr&ecirc;s a cinco     vezes superior &agrave; da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o afetada pela NF.<sup>1,5</sup></p>       <p>O     diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a &eacute; frequentemente firmado em caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas,     sendo estabelecido na presen&ccedil;a de pelo menos dois dos crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico     descritos no <a href="#q1">Quadro I</a>.<sup>1-3</sup> Como tal, para que este diagn&oacute;stico possa     ser precoce, &eacute; necess&aacute;rio que o cl&iacute;nico esteja alerta para as primeiras     manifesta&ccedil;&otilde;es da doen&ccedil;a.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n5/29n5a07q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>As primeiras     manifesta&ccedil;&otilde;es da doen&ccedil;a s&atilde;o cut&acirc;neas, usualmente sob a forma de manchas caf&eacute;     com leite. Uma a duas manchas caf&eacute; com leite ocorrem em at&eacute; 10% da popula&ccedil;&atilde;o     geral, sem que isso tenha significado patol&oacute;gico.<sup>1</sup> No entanto, a     presen&ccedil;a de tr&ecirc;s ou mais manchas, principalmente se presentes desde a inf&acirc;ncia     e mesmo sem que existam antecedentes familiares, deve deixar o cl&iacute;nico alerta     para a poss&iacute;vel exist&ecirc;ncia de NF1.<sup>1</sup> As ef&eacute;lides axilares e inguinais     s&atilde;o igualmente frequentes e carater&iacute;sticas desta patologia e, como tal, devem     ser ativamente pesquisadas. Os neurofibromas surgem habitualmente mais tarde,     no entanto, por serem t&atilde;o carater&iacute;sticos da NF1, constituem um auxiliar     precioso para o diagn&oacute;stico.<sup>1-4</sup> A estimula&ccedil;&atilde;o hormonal durante a     puberdade e gravidez conduz ao agravamento das les&otilde;es pr&eacute;-existentes e ao     desenvolvimento de novas les&otilde;es.<sup>5</sup></p>       <p>Das     manifesta&ccedil;&otilde;es musculoesquel&eacute;ticas, a escoliose &eacute; a mais frequente, podendo     afetar 20% dos doentes e associar-se a neurofibromas paravertebrais. A baixa     estatura e incid&ecirc;ncia de fraturas s&atilde;o superiores nos doentes com NF1. Estas     manifesta&ccedil;&otilde;es parecem dever-se &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o da concentra&ccedil;&atilde;o s&eacute;rica de     25-hidroxi-vitamina D, carater&iacute;stica destes doentes.<sup>6,7</sup></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Perante     achados cl&iacute;nicos sugestivos de NF1, &eacute; essencial recolher toda a informa&ccedil;&atilde;o     poss&iacute;vel acerca das les&otilde;es existentes (idade de aparecimento e eventual     modifica&ccedil;&atilde;o com a idade, entre outros), averiguar antecedentes familiares     (questionando a presen&ccedil;a de les&otilde;es carater&iacute;sticas nos familiares de 1.<sup>o</sup> grau) e proceder a um exame f&iacute;sico completo e orientado para a pesquisa de     outras manifesta&ccedil;&otilde;es da NF1.<sup>1-4</sup></p>       <p>A requisi&ccedil;&atilde;o     de teste gen&eacute;tico para pesquisa da muta&ccedil;&atilde;o carater&iacute;stica ou a biopsia dos     neurofibromas para confirma&ccedil;&atilde;o anatomopatol&oacute;gica n&atilde;o s&atilde;o habitualmente     necess&aacute;rias. Se os dados cl&iacute;nicos existentes forem sugestivos, mas n&atilde;o     suficientes para o diagn&oacute;stico de NF1, recomenda-se a vigil&acirc;ncia, de     periodicidade anual, por parte do m&eacute;dico assistente.<sup>1-4</sup></p>       <p>Se as     manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas forem suficientes para se estabelecer o diagn&oacute;stico de     NF1, &eacute; recomendada a referencia&ccedil;&atilde;o do utente &agrave;s especialidades de Dermatologia,     Neurologia, Pediatria, Oftalmologia, Gen&eacute;tica M&eacute;dica ou outras, conforme o     exame cl&iacute;nico ou estudo complementar assim o indique. O seguimento por parte do     m&eacute;dico de fam&iacute;lia deve ser mantido, com periodicidade m&iacute;nima anual. Nestas     consultas deve ser efetuada uma avalia&ccedil;&atilde;o cuidadosa, procurando les&otilde;es de novo     ou evid&ecirc;ncia de atingimento de outros &oacute;rg&atilde;os (ver <a href="#q2">Quadro II</a>). O utente com NF1 deve     ser esclarecido acerca do diagn&oacute;stico, etiologia, complica&ccedil;&otilde;es e progn&oacute;stico da     sua doen&ccedil;a, e deve ser instru&iacute;do a recorrer ao m&eacute;dico sempre que surja um     sintoma de novo.<sup>1-3</sup></p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n5/29n5a07q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>O     aconselhamento gen&eacute;tico deveria ser proposto a todos os portadores de     neurofibromatose pois, ao tratar-se de uma doen&ccedil;a heredit&aacute;ria autoss&oacute;mica     dominante, existe 50% de risco de transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a. &Eacute; poss&iacute;vel evitar a     transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a atrav&eacute;s da fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro,</i> com pesquisa e sele&ccedil;&atilde;o dos embri&otilde;es sem muta&ccedil;&atilde;o.<sup>1</sup></p>       <p>O     atingimento da NF1 &eacute; multiorg&acirc;nico, podendo ocorrer nos mais diversos sistemas.     No entanto, n&atilde;o est&aacute; recomendada a requisi&ccedil;&atilde;o de exames auxiliares de     diagn&oacute;stico para detetar complica&ccedil;&otilde;es assintom&aacute;ticas.</p>       <p><b>Atua&ccedil;&atilde;o do MF na NF1</b></p>       <p>A NF1, pela     sua frequ&ecirc;ncia e gravidade das complica&ccedil;&otilde;es a ela associadas, constitui uma     doen&ccedil;a cujo diagn&oacute;stico precoce &eacute; de primordial import&acirc;ncia.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O m&eacute;dico de     fam&iacute;lia, ao constituir o primeiro contacto do utente com os cuidados de sa&uacute;de,     est&aacute; numa posi&ccedil;&atilde;o privilegiada para suspei&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, diagn&oacute;stico e     referencia&ccedil;&atilde;o atempada para os cuidados de sa&uacute;de hospitalares.</p>       <p>Com o     diagn&oacute;stico tardio, perde-se a oportunidade de dete&ccedil;&atilde;o, seguimento e controlo     eficaz das complica&ccedil;&otilde;es. Neste caso cl&iacute;nico, a utente apresenta escoliose, que     n&atilde;o teve aconselhamento direcionado. Al&eacute;m disso, o diagn&oacute;stico tardio n&atilde;o     permitiu evitar a transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a aos seus descendentes.</p>       <p>A     convocat&oacute;ria do filho da utente &agrave; consulta foi tamb&eacute;m tardia. Neste caso,     decorreram tr&ecirc;s anos desde a informa&ccedil;&atilde;o de que a utente tinha um filho que     apresentava uma mancha caf&eacute; com leite at&eacute; &agrave; sua observa&ccedil;&atilde;o. Este facto     condicionou o acesso da crian&ccedil;a ao rastreio das complica&ccedil;&otilde;es mais precoces     (avalia&ccedil;&atilde;o oftalmol&oacute;gica e auditiva, &oacute;ssea e do desenvolvimento psicomotor)     assim como aos cuidados antecipat&oacute;rios essenciais (prote&ccedil;&atilde;o solar, programas de     educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar e terapia da fala, nata&ccedil;&atilde;o e outros exerc&iacute;cios de corre&ccedil;&atilde;o     postural, …).</p>       <p>O m&eacute;dico de     fam&iacute;lia tem a oportunidade de, pelo car&aacute;cter hol&iacute;stico da sua abordagem e pela     acessibilidade &agrave;s suas consultas, realizar um acompanhamento longitudinal     destes utentes e respetivas fam&iacute;lias, complementando a consulta hospitalar.     Seria de esperar que o filho da utente, nas consultas na USF, possuindo les&otilde;es     caracter&iacute;sticas em n&uacute;mero suficiente para se estabelecer o diagn&oacute;stico de NF1,     tivesse sido diagnosticado e orientado mais precocemente.</p>     <p>O facto de a     utente n&atilde;o ter m&eacute;dico de fam&iacute;lia atribu&iacute;do pode ter contribu&iacute;do para o atraso     no diagn&oacute;stico e orienta&ccedil;&atilde;o. Tal facto vem alertar para a import&acirc;ncia de se     valorizarem os contactos espor&aacute;dicos nos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios para a     realiza&ccedil;&atilde;o de uma avalia&ccedil;&atilde;o global e cuidada, mantendo um olhar atento sobre os     achados cl&iacute;nicos encontrados, pesquisando antecedentes familiares e/ou pessoais     e n&atilde;o adiando as referencia&ccedil;&otilde;es pertinentes.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS     BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Ferner R,     Huson SM, Thomas N, Moss C, Willshaw H, Evans DG, et al. Guidelines for the     diagnosis and management of individuals with neurofibromatosis 1. J Med Genet     2007 Feb; 44 (2): 81-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S2182-5173201300050000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2.     Neurofibromatosis. NIH Consens Statement Online 1987 Jul 13-15; 6 (12): 1-19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S2182-5173201300050000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Radtke H,     Sebold CD, Allison C, Haidle JL, Schneider G. Neurofibromatosis type 1 in     genetic counseling practice: recommendations of the National Society of Genetic     Counselors. J Genet Couns 2007 Aug; 16 (4): 387-407.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S2182-5173201300050000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Fauci AS,     Braunwald E, Casper DL, Hauser SL, Longo DL, Jameson JL, Loscalzo J. Harrison&acute;s     Principles of Internal Medicine. 17th ed. New York: McGraw-Hill Professional;     2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S2182-5173201300050000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>5. Soares S,     Oliveira G, Teixeira Gomes J, Bom Sucesso M, Teixeira Gomes R. Neurofibromatose     tipo 1, uma evolu&ccedil;&atilde;o maligna em idade pedi&aacute;trica. Acta Med Port 2010 Mai-Jun;     23 (5): 515-20.</p>       <!-- ref --><p>6. Souza JF,     Toledo LL, Ferreira MC, Rodrigues LO, Rezende NA. Neurofibromatose tipo 1: mais     comum e grave do que se imagina. Rev Assoc Med Bras 2009 jul-ago; 55 (4):     394-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S2182-5173201300050000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Pasmant     E, Vidaud M, Vidaud D, Wolkenstein P. Neurofibromatosis type 1: from genotype     to phenotype. J Med Genet 2012 Aug; 49 (8): 483-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S2182-5173201300050000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      <p>F&aacute;tima     Alexandra Ferreira Dinis</p>     <p>Rua Antero     Henriques da Silva, n.<sup>o</sup> 389, R/c dto. 4810-026 Costa, Guimar&atilde;es</p>       <p><a href="mailto:dinisalexandra@gmail.com">dinisalexandra@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Agradecimentos</b></p>       <p>&Agrave; Dra. Olga     Pereira, orientadora do est&aacute;gio hospitalar de Dermatologia, pelo apoio prestado     na elabora&ccedil;&atilde;o do presente artigo.</p>       <p><b>Conflito   de interesses</b></p>       <p>As autoras     declaram n&atilde;o ter conflito de interesses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 25/10/2012</b></p>       <p><b>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 29/09/2013</b></p>     <p>&nbsp;</p>       <p><i>Artigo escrito ao abrigo do novo acordo     ortogr&aacute;fico.</i></p>      ]]></body><back>
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