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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Querion do couro cabeludo: A propósito de um caso clínico]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Kerion celsi: a case report]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Hospital do Divino Espírito Santo, E.P.E. Serviço de Dermatologia ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732013000600007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732013000600007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732013000600007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A tinea capitis, considerada a dermatofitose mais comum em idade pediátrica, pode ter várias apresentações clínicas, desde uma descamação não inflamatória até uma severa erupção pustular designada de Querion de Celsi. Esta última pode evoluir para uma alopécia cicatricial, situação que pode ser evitada com o diagnóstico e tratamento atempados da doença. Descrição do Caso: Criança do sexo masculino, 12 anos e raça caucasiana, sem antecedentes patológicos de relevo, foi observada em Novembro de 2011, na consulta aberta da unidade de cuidados de saúde primários da área de residência, por placa supurativa da região occipitoparietal esquerda, com cerca de cinco centímetros de diâmetro, dolorosa e com cinco meses de evolução. Admitida a hipótese de diagnóstico de abcesso do couro cabeludo, foi medicada com antibioterapia sistémica. Cerca de um mês depois, em Dezembro de 2011, por agravamento progressivo da lesão, recorreu ao serviço de urgência do hospital, altura em que foi pedida a colaboração da Dermatologia. Após o estabelecimento do diagnóstico de Querion de Celsi, foi instituída terapêutica com terbinafina (125 mg/dia) e champô de cetoconazol, durante três meses, com cura da infecção fúngica e alopécia cicatricial como sequela. Comentário: Pretende-se alertar para a necessidade do reconhecimento precoce destas lesões, permitindo instituir o tratamento adequado, de forma a evitar a alopécia cicatricial.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Tinea capitis is the most common form of ringworm infection in childhood. It can have various clinical presentations, ranging from non-inflammatory scaling to a severe pustular rash called Kerion celsi. This may heal with scarring alopecia, but it can be avoided if there is timely diagnosis and treatment of the disease. Case description: A 12 year-old Caucasian male with no significant past medical history was seen in November 2011 in the emergency department of his local health centre. He had suppurative scaling of the scalp in the left occipito-parietal region, of five centimeters in diameter. It was painful and had been present for five months. A diagnosis of a scalp abscess was made. He was treated with systemic antibiotics. Due to progressive worsening of the lesion, in December 2011 he went to the emergency department of a local hospital, where a dermatology consultation was requested. He was diagnosed with Kerion celsi, and treatment with terbinafine (125 mg/day) and ketoconazole shampoo was started. The child was treated for three months with cure of the fungal infection, but scarring alopecia remained. Comment: Early recognition of this lesion permits proper treatment in order to prevent scarring alopecia.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Tinea capitis]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RELATOS DE CASOS</b></p>      <p><font size="4"><b>Querion do couro cabeludo - A     prop&oacute;sito de um caso cl&iacute;nico</b></font></p>       <p><font size="3"><b>Kerion   celsi - a case report</b></font></p>       <p><b>Barbara Anahory*, Patr&iacute;cia Santos**, Marta     Borges***</b></p>       <p>*Interna do     2.<sup>o</sup> ano de Medicina Geral e Familiar, Unidade de Sa&uacute;de de Ilha de     S&atilde;o Miguel, Ponta Delgada, A&ccedil;ores</p>       <p>**Diretora do     Servi&ccedil;o de Dermatologia, Hospital do Divino Esp&iacute;rito Santo, E.P.E., </p>       <p>Ponta     Delgada, A&ccedil;ores</p>       <p>***Assistente     de Medicina Geral e Familiar, Unidade de Sa&uacute;de de Ilha de S&atilde;o Miguel, Ponta     Delgada, A&ccedil;ores</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o:</b> A <i>tinea capitis,</i> considerada a dermatofitose mais comum em idade     pedi&aacute;trica, pode ter v&aacute;rias apresenta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas, desde uma descama&ccedil;&atilde;o n&atilde;o     inflamat&oacute;ria at&eacute; uma severa erup&ccedil;&atilde;o pustular designada de Querion de Celsi.     Esta &uacute;ltima pode evoluir para uma alop&eacute;cia cicatricial, situa&ccedil;&atilde;o que pode ser     evitada com o diagn&oacute;stico e tratamento atempados da doen&ccedil;a.</p>       <p><b>Descri&ccedil;&atilde;o do Caso:</b> Crian&ccedil;a do sexo     masculino, 12 anos e ra&ccedil;a caucasiana, sem antecedentes patol&oacute;gicos de relevo,     foi observada em Novembro de 2011, na consulta aberta da unidade de cuidados de     sa&uacute;de prim&aacute;rios da &aacute;rea de resid&ecirc;ncia, por placa supurativa da regi&atilde;o     occipitoparietal esquerda, com cerca de cinco cent&iacute;metros de di&acirc;metro, dolorosa     e com cinco meses de evolu&ccedil;&atilde;o. Admitida a hip&oacute;tese de diagn&oacute;stico de abcesso do     couro cabeludo, foi medicada com antibioterapia sist&eacute;mica. Cerca de um m&ecirc;s     depois, em Dezembro de 2011, por agravamento progressivo da les&atilde;o, recorreu ao     servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia do hospital, altura em que foi pedida a colabora&ccedil;&atilde;o da     Dermatologia. Ap&oacute;s o estabelecimento do diagn&oacute;stico de Querion de Celsi, foi     institu&iacute;da terap&ecirc;utica com terbinafina (125 mg/dia) e champ&ocirc; de cetoconazol,     durante tr&ecirc;s meses, com cura da infec&ccedil;&atilde;o f&uacute;ngica e alop&eacute;cia cicatricial como     sequela.</p>       <p><b>Coment&aacute;rio:</b> Pretende-se alertar para a     necessidade do reconhecimento precoce destas les&otilde;es, permitindo instituir o     tratamento adequado, de forma a evitar a alop&eacute;cia cicatricial.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Tinea capitis; Kerion     Celsi; Alopecia.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Introduction: </b><i>Tinea capitis</i> is the most common form of ringworm infection in     childhood. It can have various clinical presentations, ranging from     non-inflammatory scaling to a severe pustular rash called Kerion celsi. This     may heal with scarring alopecia, but it can be avoided if there is timely   diagnosis and treatment of the disease.</p>       <p><b>Case description:</b> A 12 year-old     Caucasian male with no significant past medical history was seen in November     2011 in the emergency department of his local health centre. He had suppurative     scaling of the scalp in the left occipito-parietal region, of five centimeters     in diameter. It was painful and had been present for five months. A diagnosis     of a scalp abscess was made. He was treated with systemic antibiotics. Due to     progressive worsening of the lesion, in December 2011 he went to the emergency     department of a local hospital, where a dermatology consultation was requested.     He was diagnosed with Kerion celsi, and treatment with terbinafine (125 mg/day)     and ketoconazole shampoo was started. The child was treated for three months     with cure of the fungal infection, but scarring alopecia remained.</p>       <p><b>Comment:</b> Early recognition of this     lesion permits proper treatment in order to prevent scarring alopecia.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Tinea capitis; Kerion celsi;     Alopecia.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>O amplo     diagn&oacute;stico diferencial das les&otilde;es do couro cabeludo inclui patologias como     Dermatite Seborreica, Alopecia Areata, Tricolomania, Psor&iacute;ase, Foliculite     Decalvante ou Pioderma. Assim, uma hist&oacute;ria cl&iacute;nica e exame objectivo     cautelosos s&atilde;o essenciais, devendo sempre excluir-se uma infec&ccedil;&atilde;o f&uacute;ngica que,     se tardiamente diagnosticada e tratada, pode evoluir para uma alop&eacute;cia     cicatricial como sequela.<sup>4,5</sup> A <i>tinea     capitis</i> &eacute; muito contagiosa, podendo originar epidemias, pelo que o seu     diagn&oacute;stico precoce permite a implementa&ccedil;&atilde;o de medidas preventivas, evitando o     cont&aacute;gio e aparecimento de portadores assintom&aacute;ticos.<sup>3,4</sup></p>       <p>A <i>tinea capitis</i> causada por fungos do     g&eacute;nero <i>Microsporum</i> e <i>Trichophyton</i> &eacute; a dermatofitose mais     comum da inf&acirc;ncia, particularmente entre os 6 e 10 anos, podendo ter v&aacute;rias     apresenta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas, desde uma descama&ccedil;&atilde;o n&atilde;o inflamat&oacute;ria at&eacute; uma severa     erup&ccedil;&atilde;o pustular com alop&eacute;cia, designada de Querion de Celsi.<sup>1,2,4</sup></p>       <p>O presente     caso cl&iacute;nico pretende alertar para uma situa&ccedil;&atilde;o de dif&iacute;cil diagn&oacute;stico     mimetizando in&uacute;meras patologias, com necessidade de tratamento atempado.</p>       <p><b>Descri&ccedil;&atilde;o do Caso</b></p>       <p>Serafim,     sexo masculino, ra&ccedil;a caucasiana, 12 anos, natural dos A&ccedil;ores, frequenta o     quarto ano de escolaridade, com mau aproveitamento escolar. Sem antecedentes     pessoais de relevo.</p>       <p>Pertence a     uma fam&iacute;lia alargada, abandonado pela m&atilde;e aos tr&ecirc;s anos de idade, nunca     conheceu o pai. Foi criado pela bisav&oacute; e av&oacute; materna, de 86 e 59 anos,     respectivamente, com as quais tem uma boa rela&ccedil;&atilde;o. A rela&ccedil;&atilde;o com o irm&atilde;o mais     velho tr&ecirc;s anos &eacute; bastante pr&oacute;xima, o que contrasta com a rela&ccedil;&atilde;o distante que     tem com os tios maternos alco&oacute;licos.</p>       <p>Esta &eacute; uma     fam&iacute;lia pertencente &agrave; classe social baixa de acordo com a classifica&ccedil;&atilde;o de     Graffar e de alto risco de acordo com a escala de Seg&oacute;via-Dreyer.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Novembro     de 2011, o doente recorreu &agrave; consulta aberta da unidade de cuidados de sa&uacute;de     prim&aacute;rios da &aacute;rea de resid&ecirc;ncia por placa supurativa do couro cabeludo, com     cerca de cinco meses de evolu&ccedil;&atilde;o, tendo sido diagnosticado abcesso do couro     cabeludo, realizada drenagem da les&atilde;o e medicado com antiss&eacute;ptico t&oacute;pico e     antibioterapia sist&eacute;mica.</p>       <p>Cerca de um     m&ecirc;s depois, o progressivo agravamento da les&atilde;o levou a que recorresse ao     Servi&ccedil;o de Urg&ecirc;ncia hospitalar. Ao exame objectivo apresentava na regi&atilde;o     occipitoparietal esquerda uma placa supurativa com cerca de 5 cm de maior     di&acirc;metro, dolorosa e com alop&eacute;cia associada (<a href="#f1">Figura 1</a>). De real&ccedil;ar a evid&ecirc;ncia     de cuidados de higiene prec&aacute;rios. Na hist&oacute;ria cl&iacute;nica revelou que tinha contacto frequente com animais, nomeadamente c&atilde;es e vacas.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n6/29n6a07f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Foi     observado por Dermatologia, que diagnosticou Querion de Celsi e medicou com     terbinafina oral (125 mg/dia) e champ&ocirc; de cetoconazol para lavagens di&aacute;rias.     Foram aconselhadas medidas preventivas como desinfec&ccedil;&atilde;o de escovas, chap&eacute;us e     outros objectos que tenham estado em contacto com a les&atilde;o. Foi aconselhada a     observa&ccedil;&atilde;o dos animais pelo veterin&aacute;rio para avaliar a possibilidade de serem     eventuais portadores da infec&ccedil;&atilde;o f&uacute;ngica.</p>       <p>A     11/01/2012, em consulta de Dermatologia Pedi&aacute;trica, a crian&ccedil;a apresentava     franca melhoria cl&iacute;nica, embora mantivesse escassas les&otilde;es pustulosas e     alop&eacute;cia do couro cabeludo. Nessa altura decidiu-se manter a medica&ccedil;&atilde;o     prescrita por mais um m&ecirc;s.</p>       <p>A     29/02/2012, ap&oacute;s ter cumprido 12 semanas de tratamento com antif&uacute;ngico oral,     regressou &agrave; consulta com cura total da infec&ccedil;&atilde;o f&uacute;ngica, mantendo, no entanto,     zona de alop&eacute;cia cicatricial. Optou-se por manter as lavagens com champ&ocirc; de     cetoconazol.</p>       <p>Na consulta     de 02/05/2012, verificou-se remiss&atilde;o parcial da &aacute;rea de alop&eacute;cia, pelo que se     decidiu iniciar tratamento com minoxidil t&oacute;pico a 5%, para aplicar diariamente     na zona de alop&eacute;cia.</p>       <p>A     08/08/2012, em nova consulta de Dermatologia, verificou-se que a crian&ccedil;a     manteve a mesma &aacute;rea de alop&eacute;cia, tendo sido poss&iacute;vel apurar, junto de     familiares, que a medica&ccedil;&atilde;o t&oacute;pica (minoxidil a 5%) n&atilde;o foi efectuada por     impossibilidade econ&oacute;mica. Assumiu-se o diagn&oacute;stico de alop&eacute;cia cicatricial     (<a href="#f2">Figura 2</a>) e manteve-se seguimento na consulta de Dermatologia, de modo a avaliar a evolu&ccedil;&atilde;o.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n6/29n6a07f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p><b>Coment&aacute;rios</b></p>       <p>A <i>tinea capitis</i> &eacute; uma infec&ccedil;&atilde;o f&uacute;ngica com     um impacto social marcado, causando grande preocupa&ccedil;&atilde;o e levando &agrave; restri&ccedil;&atilde;o de     actividades sociais e da frequ&ecirc;ncia escolar pela crian&ccedil;a infectada.<sup>3</sup></p>       <p>Pode assumir     uma forma n&atilde;o inflamat&oacute;ria ou tonsurante e outra inflamat&oacute;ria ou Querion.<sup>6</sup> O caso aqui apresentando &eacute; referente &agrave; &uacute;ltima entidade, uma <i>tinea capitis</i> inflamat&oacute;ria dos fol&iacute;culos     do couro cabeludo e pele, habitualmente causada por fungos geof&iacute;licos e     zoof&iacute;licos, mas tamb&eacute;m antropof&iacute;licos.</p>       <p>A hist&oacute;ria     cl&iacute;nica de contacto frequente com animais deve, por isso, ser sempre     questionada, o que poder&aacute; levar &agrave; suspei&ccedil;&atilde;o diagn&oacute;stica de <i>tinea capitis.</i></p>       <p>A     apresenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica supurativa do Querion leva a que esta les&atilde;o seja, muitas     vezes, erroneamente diagnosticada como uma infec&ccedil;&atilde;o bacteriana, tal como no     caso apresentado, o que levou a uma ineficaz conduta terap&ecirc;utica inicial,     contribuindo para o agravamento da situa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e atraso na sua resolu&ccedil;&atilde;o.<sup>7</sup></p>       <p>&Eacute;, por isso,     objectivo deste caso alertar para a necessidade do reconhecimento precoce     destas les&otilde;es, permitindo que seja institu&iacute;do o adequado tratamento, evitando a     alop&eacute;cia cicatricial, que pode advir do seu diagn&oacute;stico tardio.</p>       <p>Neste caso,     a procura tardia dos cuidados de sa&uacute;de, associadas &agrave; precariedade dos cuidados     de higiene e &agrave; baixa diferencia&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-cultural, tamb&eacute;m ter&aacute; contribu&iacute;do para     a dif&iacute;cil resolu&ccedil;&atilde;o do quadro clinico.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A     confirma&ccedil;&atilde;o diagn&oacute;stica &eacute;, habitualmente, feita atrav&eacute;s do exame micol&oacute;gico     directo e cultural, podendo ser auxiliado pelo uso da luz de Wood.<sup>7</sup> Neste caso, devido ao elevado &iacute;ndice de suspei&ccedil;&atilde;o fornecido pelas     caracter&iacute;sticas da les&atilde;o, associada a hist&oacute;ria de contacto com animais, foi     feito o diagn&oacute;stico cl&iacute;nico, pelo que n&atilde;o se considerou fundamental a colheita     do cabelo para exame micol&oacute;gico cultural e isolamento do agente causal.     Situa&ccedil;&atilde;o que &eacute; ali&aacute;s de dif&iacute;cil pr&aacute;tica na actividade di&aacute;ria do M&eacute;dico de     Dermatologia, tal como na do M&eacute;dico de Fam&iacute;lia.</p>       <p>Ao contr&aacute;rio,     do que acontece com as restantes dermatofitoses, na <i>tinea capitis</i> a monoterapia com antif&uacute;ngicos t&oacute;picos n&atilde;o &eacute; eficaz,     uma vez que, estes n&atilde;o penetram no cabelo, por isso, se iniciou tratamento     t&oacute;pico e oral verificando-se melhoria evidente, com resolu&ccedil;&atilde;o da les&atilde;o.<sup>6,8</sup></p>       <p>Recomenda-se     para o tratamento t&oacute;pico champ&ocirc; de cetoconazol ou sulfureto de sel&eacute;nio,     associando-se solutos desinfectantes de camomila ou permanganato pot&aacute;ssico a     1/10.000 nas les&otilde;es muito supurativas, pela sua ac&ccedil;&atilde;o secante e desinfectante.<sup>4,6,9</sup></p>       <p>A     griseofulvina &eacute; o antif&uacute;gico oral de escolha, pela escassez de efeitos     secund&aacute;rios. Contudo, n&atilde;o se encontra comercializado em Portugal.<sup>6</sup></p>       <p>O     fluconazol, itraconazol e a terbinafina s&atilde;o op&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas tamb&eacute;m eficazes     no tratamento da <i>tinea capitis</i> em     crian&ccedil;as.<sup>3,8,9</sup> No entanto, actualmente, apenas o fluconazol est&aacute;     aprovado pelo Infarmed para uso em idade pedi&aacute;trica.10</p>       <p>As doses     recomendadas s&atilde;o, para o fluconazol, de 6 mg/kg/dia durante 3 a 6 semanas, para     o itraconazol, de 5 mg/kg/dia durante 4 a 8 semanas e, para a terbinafina,     ajustadas de acordo com o peso da crian&ccedil;a, ou seja, de 62,5 mg/dia (10-20 kg),     125mg/dia (20-40 kg) e 250 mg/dia (&gt; 40 kg).<sup>4,8</sup></p>       <p>A     implementa&ccedil;&atilde;o de medidas preventivas &eacute; igualmente importante, tais como a     desinfec&ccedil;&atilde;o de escovas, chap&eacute;us ou outros objectos que tenham estado em     contacto com a les&atilde;o, como ali&aacute;s, foi recomendado ao doente.<sup>2,4,8,9</sup> Os contactos escolares e domiciliares da crian&ccedil;a devem ser examinados e     tratados preventivamente com champ&ocirc; de cetoconazol ou sulfureto de sel&eacute;nio,     permitindo a detec&ccedil;&atilde;o de casos frustes de tinha do couro cabeludo e a     irradica&ccedil;&atilde;o de portadores assintom&aacute;ticos.<sup>2,4,8,9</sup></p>       <p>Sendo a <i>tinea capitis</i> uma dermatofitose     frequente na crian&ccedil;a, o M&eacute;dico de Fam&iacute;lia deve estar apto a fazer a sua     identifica&ccedil;&atilde;o precoce, instituindo tratamento adequado, de forma a evitar a     evolu&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e a sua evolu&ccedil;&atilde;o para alop&eacute;cia cicatricial, situa&ccedil;&atilde;o que     pode imprimir problemas de auto-estima, com repercuss&otilde;es no desenvolvimento     psico-social da crian&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1. M&ouml;hrenschlager M, Seidl HP, Ring J, et al. Pediatric tinea capitis:    recognition and management. Am J Clin Dermatol 2005; 6 (4): 203-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000063&pid=S2182-5173201300060000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. Wolff K,     Johnson RA, Suurmond D. Fitzpatrick Dermatologia: Atlas e Texto. 5&ordf; ed. Rio de     Janeiro: McGraw Hill; 2006. p.707-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S2182-5173201300060000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Hern&aacute;ndez     T, Machado S, Carvalho S, et al. Tinhas do Couro Cabeludo na Idade Pedi&aacute;trica.     Nascer e Crescer 2004; 13 (1): 23-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S2182-5173201300060000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Bolognia     JL, Jorizzo JL, Rapini RP. Dermatology. St. Louis: Mosby. 2003. p. 1179-85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S2182-5173201300060000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Goldstein     AO, Goldstein BG. Approach to the patient with a scalp eruption.Uptodate     (Internet). 2012 May. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.uptodate.com" target="_blank">http://www.uptodate.com</a> (acedido em 08/08/2012).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S2182-5173201300060000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>6. Guti&eacute;rres     EQ, Collantes DS. Dermatologia B&aacute;sica em Medicina Familiar. Lisboa: Lidel;     2011. p. 198-205.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S2182-5173201300060000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. Peixoto     AB, Novis CF, Vilela GM, Lerer C. Kerion: a import&acirc;ncia da sua diferencia&ccedil;&atilde;o     com infec&ccedil;&atilde;o bacteriana do couro cabeludo: relato de caso. Rev Bras Cln Med     2012 mai-jun; 10 (3): 243-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S2182-5173201300060000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>8. Gupta AK,     Cooper EA. Update in antifungal therapy of dermatophytosis. Mycopathologia 2008     Nov-Dec;166 (5-6): 353-67.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S2182-5173201300060000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>9. Goldstein     AO, Goldstein BG. Dermatophyte (tinea) infections. Uptodate (Internet). 2012 June. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.uptodate.com" target="_blank">http://www.uptodate.com</a> (acedido em 08/08/2012).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S2182-5173201300060000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>10.     Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Infarmed. Prontu&aacute;rio terap&ecirc;utico. Lisboa: Infarmed; 2011.     p. 53-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S2182-5173201300060000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      <p>Barbara     Bettencourt Anahory</p>       <p>Rua Padre     Domingos S Costa</p>       <p>9500-614     Livramento</p>       <p><a href="mailto:barbaraanahory@gmail.com">barbaraanahory@gmail.com</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Conflito     de Interesses</b>  </p>       <p>As autoras     declaram n&atilde;o ter conflito de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Recebido em 10/12/2012</b></p>       <p><b>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 18/09/2013</b></p>      ]]></body><back>
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