<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2182-5173</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev Port Med Geral Fam]]></abbrev-journal-title>
<issn>2182-5173</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2182-51732013000600008</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sopro Cardíaco Pediátrico: estudo de série de casos]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Paediatric Heart Murmur: a case series study]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rita]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luís]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Andrade]]></surname>
<given-names><![CDATA[Helena]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pires]]></surname>
<given-names><![CDATA[António]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castela]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eduardo]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar Tondela-Viseu Hospital São Teotónio Pediatria]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Viseu ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra Hospital Pediátrico Carmona da Mota Pediatria]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Coimbra ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra Hospital Pediátrico Carmona da Mota Cardiologia Pediátrica]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Coimbra ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>11</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>11</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<volume>29</volume>
<numero>6</numero>
<fpage>398</fpage>
<lpage>402</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732013000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732013000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732013000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: Em cerca de metade da população pediátrica é detectado um sopro cardíaco (SC) em algum momento da sua vida. Os SC constituem uma causa frequente de referenciação a Consulta de Pediatria e/ou Cardiologia Pediátrica, pelo que se torna importante o conhecimento dos sinais de alarme evocadores de cardiopatia na avaliação de uma criança com SC. Objectivo: Estudo da população referenciada a Consulta de Cardiologia Pediátrica entre Janeiro e Março de 2012 com o diagnóstico de SC. Material e Métodos: Estudo de uma série de casos de crianças referenciadas por SC. Foram analisados dados, avaliando variáveis demográficas, anamnésicos, sinais clínicos e resultado dos exames complementares, nomeadamente ecocardiografia transtorácica e electrocardiograma. Resultados: No período em análise, realizaram-se um total de 743 primeiras consultas de Cardiologia Pediátrica, das quais em 197 (26,5%) o motivo de referenciação foi SC. Das crianças avaliadas, 51,3% pertenciam ao sexo masculino e a maioria (cerca de 70%) tinha idade inferior a 2 anos. Na quase totalidade das crianças o SC apresentava características de sopro inocente e o restante exame objectivo não apresentava alterações de relevo. Em cerca de 1/3 dos casos foi detectada alteração na avaliação ecocardiográfica. Do cruzamento entre as diferentes variáveis em análise destaca-se uma relação estatisticamente significativa entre auscultação de sopro não inocente, alterações ao exame objectivo e ecocardiografia patológica. Verificou-se também uma associação positiva e com significância estatística entre o grupo etário inferior a 1 ano e os achados ecocardiográficos. Discussão: O SC em idade pediátrica é um motivo frequente de referenciação a Consulta da especialidade. Na sua maioria, o SC em pediatria é uma condição benigna e as características clínicas parecem suficientes para diferenciação de uma condição potencialmente patológica. Tal como descrito em estudos anteriores, alterações ao exame físico e idade inferior a 2 anos são sinais de alarme que requerem avaliação mais detalhada.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Heart murmurs are detected in many children. They are a common cause of referral and it is important to be aware of the warning signs for significant murmurs when evaluating a child with a heart murmur. Purpose: To analyze the population referred to a Pediatric Cardiology Department with a cardiac murmur. Material and Methods: This is a study of a case series of children referred for investigation of a cardiac murmur. The authors reviewed the cases referred between January to March 2012 with the diagnosis of heart murmur, assessing demographic data, clinical history, physical findings, and the results of laboratory tests, including transthoracic echocardiography and electrocardiography. Results: During the study period, there were a total of 743 first consultations. In 197 children (26.5%) a heart murmur was the reason for referral. Of the sample, 51.3% were male and the majority (about 70%) of patients were younger than 2 years. In almost all of the children the murmur was described as innocent and there were no other significant finding on physical examination. In about one third of cases, anomalies were found with echocardiographic assessment. There was a significant association between a non-innocent murmur and abnormal findings on physical examination and echocardiography. There was also a significant association between important murmurs and age less than one year with ultrasound findings. Discussion: Cardiac murmurs in children are a frequent reason for referral. Most murmurs in children are benign. Clinical features allow for differentiation between innocent and pathological murmurs. As described in previous studies, abnormalities found on physical examination and younger ages are warning signs that require a more detailed evaluation.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Sopro Cardiaco]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Pediatria]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Heart Murmur]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Children]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>PR&Aacute;TICA</b></p>       <p><font size="4"><b>Sopro Card&iacute;aco Pedi&aacute;trico: estudo de s&eacute;rie     de casos</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Paediatric   Heart Murmur: a case series study</b></font></p>       <p><b>Rita Oliveira,<sup>1</sup> Lu&iacute;s Martins,<sup>2</sup> Helena Andrade,<sup>3</sup> Ant&oacute;nio Pires,<sup>4</sup> Eduardo Castela<sup>5</sup></b></p>       <p><sup>1</sup>Interna     Complementar de Pediatria - Hospital S&atilde;o Teot&oacute;nio, Centro Hospitalar     Tondela-Viseu</p>       <p><sup>2</sup>Interno     Complementar de Pediatria - Hospital Pedi&aacute;trico Carmona da Mota, Centro     Hospitalar e Universit&aacute;rio de Coimbra</p>       <p><sup>3</sup>Assistente     Hospitalar de Cardiologia Pedi&aacute;trica - Hospital Pedi&aacute;trico Carmona da     Mota, Centro Hospitalar e Universit&aacute;rio de Coimbra</p>       <p><sup>4</sup>Assistente     Hospitalar Graduado de Cardiologia Pedi&aacute;trica - Hospital Pedi&aacute;trico     Carmona da Mota, Centro Hospitalar e Universit&aacute;rio de Coimbra</p>       <p><sup>5</sup>Chefe     de Servi&ccedil;o de Cardiologia Pedi&aacute;trica - Hospital Pedi&aacute;trico Carmona da     Mota, Centro Hospitalar e Universit&aacute;rio de Coimbra</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o:</b> Em cerca de metade da     popula&ccedil;&atilde;o pedi&aacute;trica &eacute; detectado um sopro card&iacute;aco (SC) em algum momento da sua     vida. Os SC constituem uma causa frequente de referencia&ccedil;&atilde;o a Consulta de     Pediatria e/ou Cardiologia Pedi&aacute;trica, pelo que se torna importante o conhecimento     dos sinais de alarme evocadores de cardiopatia na avalia&ccedil;&atilde;o de uma crian&ccedil;a com     SC.</p>       <p><b>Objectivo:</b> Estudo da popula&ccedil;&atilde;o     referenciada a Consulta de Cardiologia Pedi&aacute;trica entre Janeiro e Mar&ccedil;o de 2012     com o diagn&oacute;stico de SC.</p>       <p><b>Material e M&eacute;todos:</b> Estudo de uma s&eacute;rie     de casos de crian&ccedil;as referenciadas por SC. Foram analisados dados, avaliando     vari&aacute;veis demogr&aacute;ficas, anamn&eacute;sicos, sinais cl&iacute;nicos e resultado dos exames     complementares, nomeadamente ecocardiografia transtor&aacute;cica e     electrocardiograma.</p>       <p><b>Resultados:</b> No per&iacute;odo em an&aacute;lise,     realizaram-se um total de 743 primeiras consultas de Cardiologia Pedi&aacute;trica,     das quais em 197 (26,5%) o motivo de referencia&ccedil;&atilde;o foi SC. Das crian&ccedil;as     avaliadas, 51,3% pertenciam ao sexo masculino e a maioria (cerca de 70%) tinha     idade inferior a 2 anos. Na quase totalidade das crian&ccedil;as o SC apresentava     caracter&iacute;sticas de sopro inocente e o restante exame objectivo n&atilde;o apresentava     altera&ccedil;&otilde;es de relevo. Em cerca de 1/3 dos casos foi detectada altera&ccedil;&atilde;o na     avalia&ccedil;&atilde;o ecocardiogr&aacute;fica. Do cruzamento entre as diferentes vari&aacute;veis em     an&aacute;lise destaca-se uma rela&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre ausculta&ccedil;&atilde;o     de sopro n&atilde;o inocente, altera&ccedil;&otilde;es ao exame objectivo e ecocardiografia     patol&oacute;gica. Verificou-se tamb&eacute;m uma associa&ccedil;&atilde;o positiva e com signific&acirc;ncia     estat&iacute;stica entre o grupo et&aacute;rio inferior a 1 ano e os achados     ecocardiogr&aacute;ficos.</p>       <p><b>Discuss&atilde;o:</b> O SC em idade pedi&aacute;trica &eacute;     um motivo frequente de referencia&ccedil;&atilde;o a Consulta da especialidade. Na sua     maioria, o SC em pediatria &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o benigna e as caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas     parecem suficientes para diferencia&ccedil;&atilde;o de uma condi&ccedil;&atilde;o potencialmente     patol&oacute;gica. Tal como descrito em estudos anteriores, altera&ccedil;&otilde;es ao exame f&iacute;sico     e idade inferior a 2 anos s&atilde;o sinais de alarme que requerem avalia&ccedil;&atilde;o mais     detalhada.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Sopro Cardiaco;     Pediatria.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>ABSTRACT</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introduction:</b> Heart murmurs are     detected in many children. They are a common cause of referral and it is     important to be aware of the warning signs for significant murmurs when   evaluating a child with a heart murmur.</p>       <p><b>Purpose:</b> To analyze the population     referred to a Pediatric Cardiology Department with a cardiac murmur.</p>       <p><b>Material and Methods:</b> This is a study     of a case series of children referred for investigation of a cardiac murmur.     The authors reviewed the cases referred between&nbsp;January to March 2012 with     the diagnosis of heart murmur, assessing demographic data, clinical history,     physical findings, and the results of laboratory tests, including transthoracic     echocardiography and electrocardiography.</p>       <p><b>Results:</b> During the study period, there     were a total of 743 first consultations. In 197 children (26.5%) a heart murmur     was the reason for referral. Of the sample, 51.3% were male and the majority     (about 70%) of patients were younger than 2 years. In almost all of the     children the murmur was described as innocent and there were no other     significant finding on physical examination. In about one third of cases,     anomalies were found&nbsp;with echocardiographic assessment. There was a     significant association between a non-innocent murmur and abnormal findings on     physical examination and echocardiography. There was also a significant     association between important murmurs and age less than one year with ultrasound     findings.</p>       <p><b>Discussion:</b> Cardiac murmurs&nbsp;in     children are a frequent reason for referral. Most murmurs in children are     benign. Clinical features allow for differentiation between innocent and     pathological murmurs. As described in previous studies, abnormalities found on     physical examination and younger ages are warning signs that require a more     detailed evaluation.</p>       <p><b>Key-words:</b> Heart Murmur; Children.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>Um sopro     card&iacute;aco (SC) corresponde a um som extra, aud&iacute;vel para al&eacute;m dos normais tons     card&iacute;acos, que surge em resultado de uma turbul&ecirc;ncia no fluxo sangu&iacute;neo capaz     de gerar vibra&ccedil;&otilde;es de intensidade suficiente para serem transmitidas atrav&eacute;s da     parede tor&aacute;cica.<sup>1</sup></p>       <p>Constitui um     importante elemento diagn&oacute;stico na detec&ccedil;&atilde;o de uma cardiopatia cong&eacute;nita, permitindo     avaliar, ainda que grosseiramente, a sua gravidade, bem como vigiar o seu curso     cl&iacute;nico.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&atilde;o v&aacute;rios     os factores que interv&ecirc;m na produ&ccedil;&atilde;o de um SC: o aumento de volume da corrente     sangu&iacute;nea, a passagem do fluxo sangu&iacute;neo atrav&eacute;s de uma estrutura valvular     anormal, cavidade/vaso dilatado ou hipertrofiado ou, ainda, a regurgita&ccedil;&atilde;o do     fluxo sangu&iacute;neo em v&aacute;lvulas incompetentes ou defeitos cong&eacute;nitos.</p>       <p>No per&iacute;odo     neonatal, a preval&ecirc;ncia do SC situa-se entre 0,6 a 4,2% da popula&ccedil;&atilde;o nesta     faixa et&aacute;ria; ap&oacute;s este per&iacute;odo, estima-se que cerca de 90% das crian&ccedil;as ter&atilde;o     um SC detect&aacute;vel durante a sua inf&acirc;ncia.<sup>2,3</sup> Em aproximadamente 50 a     70% das crian&ccedil;as em idade escolar, &eacute;-lhes identificado um SC durante uma     observa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica de rotina,<sup>3</sup> apresentando um pico m&aacute;ximo de     incid&ecirc;ncia aos 5 anos, a qual diminui drasticamente ap&oacute;s os 10 anos de idade.<sup>1</sup></p>       <p>Em idade     pedi&aacute;trica, poder&atilde;o definir-se tr&ecirc;s tipos principais de SC:</p>       <p>• o sopro     inocente, quando ocorre num cora&ccedil;&atilde;o estrutural e funcionalmente normal;</p>       <p>• o sopro     funcional ou fisiol&oacute;gico se, embora na aus&ecirc;ncia de anomalia cardiovascular,     existe uma altera&ccedil;&atilde;o hemodin&acirc;mica que concorre para a altera&ccedil;&atilde;o do normal fluxo     sangu&iacute;neo (como por exemplo as situa&ccedil;&otilde;es de anemia, hipertiroidismo,     intercorr&ecirc;ncias febris e, numa percentagem significativa de crian&ccedil;as, ap&oacute;s um     esfor&ccedil;o f&iacute;sico moderado a intenso);</p>       <p>• por     &uacute;ltimo, o sopro patol&oacute;gico ou org&acirc;nico, que decorre da presen&ccedil;a de anomalias     estruturais e funcionais do sistema cardiovascular.</p>       <p>A     diferencia&ccedil;&atilde;o entre um sopro inocente e um sopro patol&oacute;gico em geral &eacute; dada     pelas suas caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas comuns: &eacute; considerado um sopro patol&oacute;gico     ou org&acirc;nico aquele que apresenta uma intensidade na ausculta&ccedil;&atilde;o superior ao     grau II/VI da escala de Levine, com irradia&ccedil;&atilde;o cervical ou ao dorso, fixo, meso     ou pansist&oacute;lico ou aquele aud&iacute;vel (tamb&eacute;m) na di&aacute;stole.</p>       <p>O sopro     patol&oacute;gico em idade pedi&aacute;trica &eacute; causado maioritariamente por altera&ccedil;&otilde;es     valvulares ou defeitos septais; no entanto, outras cardiopatias podem estar     presentes, quer do foro cong&eacute;nito (persist&ecirc;ncia do canal arterial ou coarta&ccedil;&atilde;o     da aorta) quer adquiridas (exemplo da cardiomiopatia dilatada).<sup>7</sup></p>       <p>Apesar da     sua elevada frequ&ecirc;ncia e do facto de a maioria dos SC em idade pedi&aacute;trica n&atilde;o     serem patol&oacute;gicos, podem ser a &uacute;nica manifesta&ccedil;&atilde;o de uma cardiopatia;<sup>4,5</sup> cerca de 70% dos SC em crian&ccedil;as e adolescentes s&atilde;o assintom&aacute;ticos.<sup>3,8,9</sup></p>       <p>Assim, na     pr&aacute;tica cl&iacute;nica a ausculta&ccedil;&atilde;o de um SC em idade pedi&aacute;trica pode constituir um     verdadeiro dilema diagn&oacute;stico e, dado o potencial de gravidade que lhes poder&aacute;     estar subjacente, a sua detec&ccedil;&atilde;o condiciona, por norma, a referencia&ccedil;&atilde;o a     consulta de sub-especialidade, ainda que sinais cl&iacute;nicos indicadores de     aus&ecirc;ncia de benignidade sejam detectados.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Objectivos</b></p>       <p>Com este     trabalho pretendemos caracterizar a popula&ccedil;&atilde;o referenciada a Consulta de     Cardiologia Pedi&aacute;trica de um Centro Hospitalar Terci&aacute;rio por SC, analisando a     exist&ecirc;ncia de factores associados a sopro patol&oacute;gico, nomeadamente no que diz     respeito a aspectos demogr&aacute;ficos, sinais cl&iacute;nicos ou achados no exame objectivo.</p>       <p><b>Material     e M&eacute;todos</b></p>       <p>O presente     estudo &eacute; um estudo descritivo de s&eacute;rie de casos.</p>       <p>Para a     realiza&ccedil;&atilde;o do presente trabalho foi utilizada uma amostra populacional de     conveni&ecirc;ncia, constitu&iacute;da por crian&ccedil;as ou adolescentes observados em Consulta     de Cardiologia Pedi&aacute;trica do Hospital Pedi&aacute;trico Carmona da Mota (HPCM) entre o     per&iacute;odo de 1 de Janeiro e 31 de Mar&ccedil;o de 2012, inclusive, com motivo de     consulta SC.</p>       <p>Definiram-se     como crit&eacute;rios de inclus&atilde;o o motivo de referencia&ccedil;&atilde;o por SC, n&atilde;o se excluindo     qualquer caso.</p>       <p>Definiu-se     com SC inocente aquele que apresentava as seguintes caracter&iacute;sticas: SC que     ocorre no in&iacute;cio da s&iacute;stole (protosist&oacute;lico), &eacute; de curta dura&ccedil;&atilde;o e de baixa     intensidade (grau I ou II/VI da escala de Levine), tem qualidade musical ou     vibrante e n&atilde;o apresenta irradia&ccedil;&atilde;o para localiza&ccedil;&otilde;es fora da regi&atilde;o     precordial; altera&ccedil;&atilde;o da intensidade com as mudan&ccedil;as de posi&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a.</p>       <p>Um SC foi     classificado como patol&oacute;gico se apresenta uma intensidade na ausculta&ccedil;&atilde;o     superior ao grau II/VI da escala de Levine, fixo, com irradia&ccedil;&atilde;o cervical ou ao     dorso, meso ou pansist&oacute;lico ou aquele aud&iacute;vel na di&aacute;stole.</p>       <p>Procedeu-se     &agrave; consulta retrospectiva do processo cl&iacute;nico inform&aacute;tico das crian&ccedil;as     referenciadas por SC, avaliando vari&aacute;veis demogr&aacute;ficas, dados anamn&eacute;sicos, sinais     cl&iacute;nicos, descri&ccedil;&atilde;o do exame objectivo e resultado dos exames complementares,     nomeadamente ecocardiografia transtor&aacute;cica e electrocardiograma.</p>       <p>O tratamento     estat&iacute;stico dos dados foi realizado atrav&eacute;s do Microsoft Excel&reg; e da aplica&ccedil;&atilde;o     SPSS&reg; vers&atilde;o 15.0, realizando-se uma avalia&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica descritiva e an&aacute;lise     entre as diferentes vari&aacute;veis atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o do teste de qui-quadrado,     definindo-se resultados com signific&acirc;ncia estat&iacute;stica se p&lt;0,05.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resultados</b></p>       <p>No per&iacute;odo     em an&aacute;lise, realizaram-se um total de 743 primeiras consultas de Cardiologia     Pedi&aacute;trica e, em 197 casos (26,5%), o motivo de referencia&ccedil;&atilde;o foi SC.</p>       <p>Da amostra     final de crian&ccedil;as avaliadas com o diagn&oacute;stico de SC, 101 (53,1%) pertenciam ao     sexo masculino; no que diz respeito &agrave; idade, a s&eacute;rie em an&aacute;lise apresentava uma     idade m&eacute;dia &agrave; data da consulta de 21 meses com um desvio padr&atilde;o de 13 meses,     sendo que a maioria (sensivelmente 70% do total) inclu&iacute;a-se na faixa et&aacute;ria     inferior a 24 meses.</p>       <p>Da avalia&ccedil;&atilde;o     das caracter&iacute;sticas auscultat&oacute;rias, na maioria dos casos (109, cerca de 96%) o     SC apresentava caracter&iacute;sticas inocentes. Em apenas 7 crian&ccedil;as (3,6%)     inferia-se o diagn&oacute;stico de sopro patol&oacute;gico e em 4 destes 7 casos foram     encontradas outras altera&ccedil;&otilde;es ao exame objectivo que pudessem corroborar a     hip&oacute;tese de doen&ccedil;a cardiovascular, mormente sinais de dificuldade respirat&oacute;ria,     hepatomeg&aacute;lia e m&aacute; evolu&ccedil;&atilde;o estaturo-ponderal.</p>       <p>Da avalia&ccedil;&atilde;o     por exames complementares de diagn&oacute;stico, mormente o electrocardiograma,     verificamos que este foi efectuado na totalidade dos casos observados,     encontrando-se um caso de extrassistolia supraventricular e um caso de bloqueio     auriculo-ventricular de 2.<sup>o</sup> grau em crian&ccedil;as com sopro de     caracter&iacute;sticas inocentes.</p>       <p>Quando     analisados os dados relativos &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de ecocardiograma transtor&aacute;cico,     tamb&eacute;m realizado em todas as crian&ccedil;as, foi detectada altera&ccedil;&atilde;o estrutural ou     funcional card&iacute;aca em cerca de um ter&ccedil;o dos casos (n=67), sendo a altera&ccedil;&atilde;o     mais frequentemente encontrada a Comunica&ccedil;&atilde;o interauricular (CIA) em 40% dos casos     (n=26), seguida da Comunica&ccedil;&atilde;o interventricular em 15% (n=10) (<a href="#q1">Quadro I</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n6/29n6a08q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Cruzando as     caracter&iacute;sticas do sopro com o resultado do ecocardiograma, pudemos constatar     que todas as crian&ccedil;as que apresentavam um SC de caracter&iacute;sticas patol&oacute;gicas ou     outras altera&ccedil;&otilde;es no exame objectivo apresentaram um ecocardiograma alterado;     em cerca de 32% dos casos de sopro inocente, foi igualmente detectada uma     condi&ccedil;&atilde;o patol&oacute;gica ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o do ecocardiograma. Salienta-se tamb&eacute;m o     facto de nenhum caso de CIA, j&aacute; referida anteriormente como a patologia mais     frequente, apresentar um sopro de carater&iacute;sticas inocentes ou outras altera&ccedil;&otilde;es     ao exame objectivo. No <a href="#q1">Quadro I</a> est&atilde;o igualmente discriminadas as patologias     encontradas, em fun&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas do sopro.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Destaca-se     tamb&eacute;m uma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa entre a idade inferior a     24 meses e altera&ccedil;&otilde;es detectadas na ecografia card&iacute;aca (p&lt;0,001) (<a href="#q2">Quadro II</a>).     Relacionando esta faixa et&aacute;ria com os achados cl&iacute;nicos verifica-se, em 4 casos,     a exist&ecirc;ncia ao exame cl&iacute;nico de um SC org&acirc;nico/patol&oacute;gico, sendo que nos     restantes casos em que existia um SC, este apresentava caracter&iacute;sticas     inocentes.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n6/29n6a08q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Pela an&aacute;lise     dos dados, e de acordo com o descrito no <a href="#q3">Quadro III</a>, a ausculta&ccedil;&atilde;o de um SC de     caracter&iacute;sticas patol&oacute;gicas tem um valor preditivo positivo de doen&ccedil;a card&iacute;aca     estrutural de 100%; no entanto, a ausculta&ccedil;&atilde;o de um SC inocente n&atilde;o exclui a     presen&ccedil;a de doen&ccedil;a card&iacute;aca estrutural.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v29n6/29n6a08q3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>       <p>O SC em     idade pedi&aacute;trica &eacute; um motivo frequente de referencia&ccedil;&atilde;o a Consulta da     especialidade.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No estudo     realizado inferimos uma associa&ccedil;&atilde;o positiva e estatisticamente significativa     entre dados cl&iacute;nicos (caracterist&iacute;cas do SC e outros achados ao exame objectivo     compat&iacute;veis com o diagn&oacute;stico de cardiopatia) e os resultados do ecocardiograma     transtor&aacute;cico, confirmando uma vez mais a import&acirc;ncia fulcral da cl&iacute;nica no     diagn&oacute;stico de uma cardiopatia estrutural e funcional.</p>       <p>No que diz     respeito aos exames complementares de diagn&oacute;stico, a realiza&ccedil;&atilde;o de     ecocardiograma transtor&aacute;cico com estudo de doppler persiste como o <i>gold standard </i>para o diagn&oacute;stico     definitivo de cardiopatias (nomeadamente cardiopatias cong&eacute;nitas) em doentes em     idade pedi&aacute;trica.<sup>1,8</sup></p>       <p>Em cerca de     1/3 dos casos de SC com caracter&iacute;sticas de sopro inocente, o ecocardiograma foi     compat&iacute;vel com uma cardiopatia, comprovando uma vez mais de que um SC pode ser     a &uacute;nica manifesta&ccedil;&atilde;o. Constatamos tamb&eacute;m que, dos achados ecocardiogr&aacute;ficos, a     CIA foi a altera&ccedil;&atilde;o mais frequentemente encontrada, indo de encontro ao     descrito na literatura de que os defeitos do septo interaricular s&atilde;o uma das     cardiopatias cong&eacute;nitas mais frequentes (representando cerca de 5 a 10% do     total de cardiopatias de acordo com as v&aacute;rias s&eacute;ries publicadas) e que, numa     percentagem significativa de casos, se apresenta clinicamente apenas como um     SC, muitas vezes de caracter&iacute;sticas inocentes.<sup>2,3</sup></p>       <p>Verificamos     que as caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas do SC s&atilde;o um elemento fulcral da avalia&ccedil;&atilde;o, uma     vez que conclu&iacute;mos que um SC patol&oacute;gico &eacute; altamente espec&iacute;fico da presen&ccedil;a de     uma cardiopatia estrutural, apresentando no nosso estudo um valor preditivo     positivo de 100%.</p>       <p>Contudo, a     ausculta&ccedil;&atilde;o de um sopro inocente n&atilde;o exclui a presen&ccedil;a de doen&ccedil;a card&iacute;aca     estrutural, sendo por isso necess&aacute;ria a realiza&ccedil;&atilde;o de ecocardiograma.</p>       <p>Verificamos     na nossa an&aacute;lise que a maioria das crian&ccedil;as observadas tinha idade inferior 24     meses; para esta faixa et&aacute;ria comprovou-se, &agrave; semelhan&ccedil;a de estudos     internacionais, uma associa&ccedil;&atilde;o relevante e com significado estat&iacute;stico com a     presen&ccedil;a de altera&ccedil;&otilde;es ecocardiogr&aacute;ficas patol&oacute;gicas.</p>       <p>Estes dados     v&atilde;o de encontro aos pressupostos da <i>American     Heart Association,</i> que recomenda a realiza&ccedil;&atilde;o de ecocardiografia em todas     as crian&ccedil;as com SC e idade inferior a 24 meses ainda que com SC assintom&aacute;ticos,     j&aacute; que nesta faixa et&aacute;ria a probabilidade de perante um sopro inocente se     encontrar uma cardiopatia ronda os 2%.<sup>1</sup> Tamb&eacute;m no per&iacute;odo neonatal     (ou, para alguns autores, at&eacute; &agrave;s 6 a 8 semanas de vida) a ecocardiografia deve     sempre ser realizada, uma vez que, na presen&ccedil;a de um SC aud&iacute;vel no exame de     rotina, a probabilidade de cardiopatia aumenta de 0,6% para 54%.<sup>7</sup></p>       <p>Em     contrapartida, num doente em que a aus&ecirc;ncia destes achados permitem     conscientemente afirmar uma baixa probabilidade de estar perante uma patologia     do foro card&iacute;aco, o seu seguimento pode continuar a ser realizado pelo m&eacute;dico     assistente, com eventual referencia&ccedil;&atilde;o posterior se altera&ccedil;&otilde;es patol&oacute;gicas     surgem em avalia&ccedil;&otilde;es seriadas ulteriores.<sup>3</sup></p>       <p>Apesar de     relevante e concordante com os dados de outras s&eacute;ries publicadas, o estudo     apresenta algumas limita&ccedil;&otilde;es pass&iacute;veis de comprometer os resultados     estat&iacute;sticos, nomeadamente o facto de se tratar de uma amostra pequena, de     conveni&ecirc;ncia e n&atilde;o aleat&oacute;ria, assim como o facto de se tratar de um estudo     retrospectivo elaborado com base em registos cl&iacute;nicos anteriores, em que por     vezes a descri&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas dos achados cl&iacute;nicos n&atilde;o se encontra     elaborada de forma exaustiva, o que poderia comprometer a classifica&ccedil;&atilde;o dos SC     em inocentes ou patol&oacute;gicos.</p>       <p>Contudo,     permanece como um estudo importante no sentido de reafirmar a import&acirc;ncia da     caracteriza&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica do sopro card&iacute;aca em idade pedi&aacute;trica que, de acordo com     a faixa et&aacute;ria, &eacute; relevante na necessidade de referencia&ccedil;&atilde;o e/ou realiza&ccedil;&atilde;o de     exames complementares de diagn&oacute;stico.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclus&otilde;es</b></p>       <p>Na sua     maioria, o SC em pediatria &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o benigna e as caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas     s&atilde;o suficientes para diferencia&ccedil;&atilde;o de uma condi&ccedil;&atilde;o potencialmente patol&oacute;gica.     Tal como descrito em estudos anteriores, altera&ccedil;&otilde;es ao exame f&iacute;sico e idade     inferior 24 meses s&atilde;o sinais de alarme que requerem avalia&ccedil;&atilde;o mais detalhada,     mormente por especialista em Cardiologia Pedi&aacute;trica.</p>       <p>Afirmar,     perante o doente e sua fam&iacute;lia, a benignidade de um SC inocente, sobretudo se     detectado ap&oacute;s os 2 anos de vida, &eacute; de extrema import&acirc;ncia. O alerta para     eventuais sinais indicadores de doen&ccedil;a cardiovascular deve tamb&eacute;m ser tido em     conta. Porque este tipo de SC sofre frequentemente altera&ccedil;&otilde;es com a posi&ccedil;&atilde;o,     bem como ao longo do crescimento e desenvolvimento, os pais e prestadores de     cuidados devem ser alertados para o facto de que os SC inocentes podem     desaparecer e reaparecer ao longo do curso de vida da crian&ccedil;a.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>       <p>1. Berdejo     CR. Soplo inocente: importancia diagn&oacute;stica. In: Protocolos Diagn&oacute;sticos y     Terapeuticos en Cardiologia Pedi&aacute;trica - Protocolos AEPED 2010; 26:1-9.     Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.telecardiologo.com/descargas/56854.pdf" target="_blank">http://www.telecardiologo.com/descargas/56854.pdf</a> (acedido em     17/12/2013).</p>       <!-- ref --><p>2. Manning     D, Paweletz A, Robertson JL. Management of asymptomatic heart murmurs in     infants and children. Paediatr Child Health J 2009 Jan; 19 (1): 25-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S2182-5173201300060000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Wierwille     L. Pediatric heart murmurs: evaluation and management in primary care. Nurse     Pract 2011 Mar; 36 (3): 22-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S2182-5173201300060000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>4. Frank JE,     Jacobe KM. Evaluation and management of heart murmurs in children. Am Fam     Physician 2011 Oct; 8 4 (7): 793-800.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S2182-5173201300060000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Poddar B,     Basu S. Approach to a child with a heart murmur. Indian J Pediatr 2004 Jan; 71     (1): 63-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S2182-5173201300060000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. Discigil     G, Aydogdu A, Gemalmaz A, Gurel FS, Basak O. Cardiac auscultatory skills of     academic family physicians: strength of association with an academic pediatric     cardiologist. Int J Fam Med 2010: 370731.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S2182-5173201300060000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. Martins     P. Sopro Card&iacute;aco. In: Conceitos B&aacute;sicos de Cardiologia Pedi&aacute;trica. Lisboa: Mar     da Palavra-Edi&ccedil;&otilde;es; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S2182-5173201300060000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>8. Alvares     S, Ferreira M, Ferreira H, Mota CR. Avalia&ccedil;&atilde;o inicial do sopro card&iacute;aco na     crian&ccedil;a: papel dos exams complementares.Rev Port Cardiol 1997 Jul-Ago; 16     (7-8): 621-4, 588; 625.</p>       <!-- ref --><p>9. Saunders     NR. Innocent heart murmurs in children: taking a diagnostic approach. Can Fam     Physician 1995 Sep; 41: 1507-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S2182-5173201300060000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>10. Kwiatkowski     D, Wang Y, Cnota J. The utility of outpatient echocardiography for evaluation     of asymptomatic murmurs in children. Congenit Heart Dis 2012 May-Jun; 7 (3):     283-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S2182-5173201300060000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>       <p>Rita S.     Oliveira</p>       <p>Largo Poeta     Ary dos Santos, n&ordm;1-5&ordm;A</p>       <p>Alfornelos</p>       <p> 2700-662 Amadora</p>       <p><a href="mailto:ritas-oliveira@hotmail.com">ritas-oliveira@hotmail.com</a></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;  </p>       <p><b>Conflitos   de interesse</b></p>       <p>As autoras     declaram n&atilde;o ter conflito de interesses.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 03-07-2013</b></p>       <p><b>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 18-12-2013</b></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Berdejo]]></surname>
<given-names><![CDATA[CR]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Soplo inocente: importancia diagnóstica]]></article-title>
<source><![CDATA[Protocolos Diagnósticos y Terapeuticos en Cardiologia Pediátrica: Protocolos AEPED 2010]]></source>
<year></year>
<page-range>1-9</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Manning]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Paweletz]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Robertson]]></surname>
<given-names><![CDATA[JL]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Management of asymptomatic heart murmurs in infants and children]]></article-title>
<source><![CDATA[Paediatr Child Health J]]></source>
<year>2009</year>
<month>01</month>
<day>00</day>
<volume>19</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>25-9</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wierwille]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Pediatric heart murmurs: evaluation and management in primary care]]></article-title>
<source><![CDATA[Nurse Pract]]></source>
<year>2011</year>
<month>03</month>
<day>00</day>
<volume>36</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>22-9</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Frank]]></surname>
<given-names><![CDATA[JE]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Jacobe]]></surname>
<given-names><![CDATA[KM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Evaluation and management of heart murmurs in children]]></article-title>
<source><![CDATA[Am Fam Physician]]></source>
<year>2011</year>
<month> O</month>
<day>ct</day>
<volume>84</volume>
<numero>7</numero>
<issue>7</issue>
<page-range>793-800</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Poddar]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Basu]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Approach to a child with a heart murmur]]></article-title>
<source><![CDATA[Indian J Pediatr]]></source>
<year>2004</year>
<month>01</month>
<day>00</day>
<volume>71</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>63-6</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Discigil]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Aydogdu]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gemalmaz]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gurel]]></surname>
<given-names><![CDATA[FS]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Basak]]></surname>
<given-names><![CDATA[O]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Cardiac auscultatory skills of academic family physicians: strength of association with an academic pediatric cardiologist]]></article-title>
<source><![CDATA[Int J Fam Med]]></source>
<year>2010</year>
<month>00</month>
<day>00</day>
<page-range>370731</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sopro Cardíaco]]></article-title>
<source><![CDATA[Conceitos Básicos de Cardiologia Pediátrica]]></source>
<year>2009</year>
<month>00</month>
<day>00</day>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mar da Palavra-Edições]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alvares]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mota]]></surname>
<given-names><![CDATA[CR]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação inicial do sopro cardíaco na criança: papel dos exames complementares]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Port Cardiol]]></source>
<year>1997</year>
<month> J</month>
<day>ul</day>
<volume>16</volume>
<numero>7-8</numero>
<issue>7-8</issue>
<page-range>621-4</page-range><page-range>588</page-range><page-range>625</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Saunders]]></surname>
<given-names><![CDATA[NR]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Innocent heart murmurs in children: taking a diagnostic approach]]></article-title>
<source><![CDATA[Can Fam Physician]]></source>
<year>1995</year>
<month>09</month>
<day>00</day>
<volume>41</volume>
<page-range>1507-12</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kwiatkowski]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wang]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cnota]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The utility of outpatient echocardiography for evaluation of asymptomatic murmurs in children]]></article-title>
<source><![CDATA[Congenit Heart Dis]]></source>
<year>2012</year>
<month> M</month>
<day>ay</day>
<volume>7</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>283-8</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
