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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estigma na doença mental: estudo observacional]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Stigma in mental illness]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732014000400004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732014000400004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732014000400004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Objetivos: Verificar se existe estigma relativamente à doença mental na população em estudo e sua associação com características sociodemográficas ou contacto com doença mental. Tipo de estudo: Analítico, transversal. Local: Unidade de Saúde Familiar Santiago (Centro de Saúde Arnaldo Sampaio) e Centro de Saúde da Marinha Grande. População: Utentes com idade igual ou superior a 18 anos inscritos nas duas unidades de saúde. Métodos: Foi selecionada uma amostra não aleatória de conveniência e foram avaliadas variáveis sociodemográficas, antecedentes pessoais e familiares de doença mental e aplicado o questionário AQ-9 de Corrigan para medição do estigma. Análise univariável e multivariável, n.s.=0,05. Resultados: Amostra de 206 utentes com média de 45 anos. Questões sobre ajuda, coerção para tratamento e pena foram aquelas que obtiveram maior classificação no questionário. Utentes com filhos e casados apresentaram maior concordância com coerção (t-student p=0,008; ANOVA p=0,018). Baixa escolaridade associou-se a maior score na segregação dos doentes mentais (ANOVA p<0,001). Não se verificou associação entre o estigma e a presença de antecedentes pessoais ou familiares de doença mental. Conclusões: Verificou-se existência de estigma na população estudada. O estado civil, a existência de filhos e a escolaridade apresentaram associação com o estigma. Não se encontrou associação com as restantes questões do AQ-9.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objectives: To estimate the prevalence of stigma in relation to mental illness in a general practice population and its association with socio-demographic characteristics or previous contact with mental illness. Type of study: Cross-sectional Setting: Unidade de Saúde Familiar Santiago do Centro de Saúde Arnaldo Sampaio (Leiria) and Centro de Saúde da Marinha Grande. Population: Patients 18 years of age and older registered in the two health units Methods: A convenience sample of patients was used. Socio-demographic factors, a personal history and a family history of mental illness were assessed. The AQ-9 questionnaire of Corrigan was used to measure stigma. Univariate and multivariate analysis were performed with significance set at the 0.05 level. Results: The study sample consisted of 206 patients with an average of 45 years. The attributes of mental illness receiving the highest scores in the AQ-9 questionnaire were the need for help, coercion for treatment, and segregation from the community. Married patients and those with children had the greatest agreement with the statement regarding coercion for treatment (Student t p = 0.008, ANOVA p=0.018). A lower educational level was associated with higher agreement with statement regarding the need for segregation of the mentally ill (ANOVA p<0.001). No association was found between stigma and a personal or family history of mental illness. Conclusion: Evidence of stigma from mental illness was found in this population. Marital status and education were associated with stigma. No association was found between demographic variables and other items in the AQ-9.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Estigma]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Doença Mental]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Mental Illness]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ESTUDOS ORIGINAIS</b></p>     <p><font size="4"><b>Estigma na doen&#231;a mental: estudo     observacional</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Stigma   in mental illness</b></font></p>       <p><b>Ana Rita Fernandes Oliveira,* S&#243;nia Meira     Azevedo**</b></p>     <p>*Interna     Forma&#231;&#227;o Espec&#237;fica Medicina Geral e Familiar, USF Santiago, Leiria, Portugal</p>       <p>**Interna     Forma&#231;&#227;o Espec&#237;fica Medicina Geral e Familiar, CS Marinha Grande, Marinha     Grande, Portugal</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Objetivos:</b> Verificar se existe estigma     relativamente &#224; doen&#231;a mental na popula&#231;&#227;o em estudo e sua associa&#231;&#227;o com     caracter&#237;sticas sociodemogr&#225;ficas ou contacto com doen&#231;a mental.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Tipo de estudo:</b> Anal&#237;tico, transversal.</p>       <p><b>Local:</b> Unidade de Sa&#250;de Familiar     Santiago (Centro de Sa&#250;de Arnaldo Sampaio) e Centro de Sa&#250;de da Marinha Grande.</p>       <p><b>Popula&#231;&#227;o:</b> Utentes com idade igual ou     superior a 18 anos inscritos nas duas unidades de sa&#250;de.</p>       <p><b>M&#233;todos:</b> Foi selecionada uma amostra     n&#227;o aleat&#243;ria de conveni&#234;ncia e foram avaliadas vari&#225;veis sociodemogr&#225;ficas,     antecedentes pessoais e familiares de doen&#231;a mental e aplicado o question&#225;rio     AQ-9 de Corrigan para medi&#231;&#227;o do estigma. An&#225;lise univari&#225;vel e multivari&#225;vel,     n.s.=0,05.</p>       <p><b>Resultados:</b> Amostra de 206 utentes com     m&#233;dia de 45 anos. Quest&#245;es sobre ajuda, coer&#231;&#227;o para tratamento e pena foram     aquelas que obtiveram maior classifica&#231;&#227;o no question&#225;rio. Utentes com filhos e     casados apresentaram maior concord&#226;ncia com coer&#231;&#227;o (t-student p=0,008; ANOVA     p=0,018). Baixa escolaridade associou-se a maior score na segrega&#231;&#227;o dos     doentes mentais (ANOVA p&lt;0,001). N&#227;o se verificou associa&#231;&#227;o entre o estigma     e a presen&#231;a de antecedentes pessoais ou familiares de doen&#231;a mental.</p>       <p><b>Conclus&#245;es:</b> Verificou-se exist&#234;ncia de     estigma na popula&#231;&#227;o estudada. O estado civil, a exist&#234;ncia de filhos e a     escolaridade apresentaram associa&#231;&#227;o com o estigma. N&#227;o se encontrou associa&#231;&#227;o     com as restantes quest&#245;es do AQ-9. </p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Estigma; Doen&#231;a Mental.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Objectives:</b> To estimate the prevalence     of stigma in relation to mental illness in a general practice population and     its association with socio-demographic characteristics or previous contact with   mental illness.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Type of study:</b> Cross-sectional</p>       <p><b>Setting:</b> Unidade de Sa&#250;de Familiar     Santiago do Centro de Sa&#250;de Arnaldo Sampaio (Leiria) and Centro de Sa&#250;de da     Marinha Grande.</p>       <p><b>Population:</b> Patients 18 years of age     and older registered in the two health units</p>       <p><b>Methods:</b> A convenience sample of     patients was used. Socio-demographic factors, a personal history and a family     history of mental illness were assessed. The AQ-9 questionnaire of Corrigan was     used to measure stigma. Univariate and multivariate analysis were performed     with significance set at the 0.05 level.</p>       <p><b>Results:</b> The study sample consisted of     206 patients with an average of 45 years. The attributes of mental illness     receiving the highest scores in the AQ-9 questionnaire were the need for help,     coercion for treatment, and segregation from the community. Married patients     and those with children had the greatest agreement with the statement regarding     coercion for treatment (Student t p = 0.008, ANOVA p=0.018). A lower     educational level was associated with higher agreement with statement regarding     the need for segregation of the mentally ill (ANOVA p&lt;0.001). No association     was found between stigma and a personal or family history of mental illness. </p>       <p><b>Conclusion:</b> Evidence of stigma from     mental illness was found in this population. Marital status and education were     associated with stigma. No association was found between demographic variables     and other items in the AQ-9.</p>       <p><b>MeSH terms:</b> Stigma; Mental Illness.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>N&#227;o existe     uma defini&#231;&#227;o de doen&#231;a mental que seja consensual do ponto de vista cl&#237;nico,     filos&#243;fico e cient&#237;fico. Quando os sintomas da doen&#231;a s&#227;o sentimentos,     pensamentos e comportamentos, tendo em conta que as conex&#245;es entre o c&#233;rebro, a     mente e o comportamento permanecem ainda em fase de explora&#231;&#227;o, mais dif&#237;cil se     torna o processo de elabora&#231;&#227;o de defini&#231;&#245;es.<sup>1</sup></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2001, a     Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de (OMS) definiu a perturba&#231;&#227;o mental como uma     adultera&#231;&#227;o do pensamento e das emo&#231;&#245;es produzida por desadequa&#231;&#227;o ou     deteriora&#231;&#227;o do funcionamento psicossocial em depend&#234;ncia de fatores     biol&#243;gicos, psicol&#243;gicos e sociais.<sup>1</sup></p>       <p>Estigma     define-se como um atributo, vis&#237;vel ou n&#227;o, que denuncia uma imperfei&#231;&#227;o no     indiv&#237;duo, que o desqualifica de uma aceita&#231;&#227;o comunit&#225;ria plena, resultando em     atitudes discriminat&#243;rias, ou seja, o estigma pode ser definido como uma     desaprova&#231;&#227;o social severa devido a caracter&#237;sticas presumidas ou ver&#237;dicas,     cren&#231;as ou comportamentos, que n&#227;o est&#227;o de acordo com as normas econ&#243;micas,     pol&#237;ticas, culturais ou sociais.<sup>2</sup></p>       <p>O estigma da     doen&#231;a mental permanece um assunto complexo na sociedade, culminando em efeitos     nefastos nos doentes mentais, retardando ou impedindo a procura de cuidados de     sa&#250;de, a institui&#231;&#227;o ou manuten&#231;&#227;o de tratamento e a sua recupera&#231;&#227;o.<sup>3-6</sup></p>       <p>Por parte da     pessoa com doen&#231;a mental, experienciar o estigma e a discrimina&#231;&#227;o pode     aumentar os n&#237;veis de <i>stress</i> e     ang&#250;stia e conduzir a uma diminui&#231;&#227;o do seu funcionamento psicossocial.<sup>2,5</sup> Podem surgir sentimentos de raiva, tristeza e desencorajamento e,     consequentemente, depress&#227;o, ansiedade e baixa autoestima, aspetos que ir&#227;o     contribuir para a diminui&#231;&#227;o do investimento por parte do pr&#243;prio doente no seu     processo de recupera&#231;&#227;o.<sup>1,3,7</sup> O conceito de recupera&#231;&#227;o &#233;     multidimensional e consiste num processo que possibilita ao indiv&#237;duo com     doen&#231;a mental maximizar a esperan&#231;a relativamente ao futuro, envolver-se em     atividades significativas e desenvolver a autodetermina&#231;&#227;o integrado na     sociedade sem sofrer efeitos de estigma e discrimina&#231;&#227;o.<sup>1-2,6</sup></p>       <p>Segundo a     Associa&#231;&#227;o Mundial de Psiquiatria, o estigma cria um ciclo vicioso de exclus&#227;o     social e discrimina&#231;&#227;o, constituindo uma enorme barreira para a qualidade de     vida das pessoas com doen&#231;a mental e dos seus familiares, por vezes at&#233; mais     importante do que a pr&#243;pria doen&#231;a. Procura-se que cada vez mais as pessoas com     doen&#231;a mental sejam tratadas em estruturas comunit&#225;rias; contudo, o peso de uma     opini&#227;o p&#250;blica negativa pode ter muito mais impacto no doente e no seu sistema     familiar. Consequ&#234;ncias do estigma como desemprego, autoestima diminu&#237;da, falta     de habita&#231;&#227;o pr&#243;pria e fraco suporte social constituem grandes obst&#225;culos ao     processo de recupera&#231;&#227;o. Al&#233;m disso, o estigma e expectativas de estigma,     nomeadamente autoestigma, podem produzir desagrega&#231;&#227;o do sistema familiar e     reduzir o fluxo normal das intera&#231;&#245;es sociais pelo desejo de manter em segredo     a condi&#231;&#227;o de doente mental.<sup>1</sup></p>       <p>A dete&#231;&#227;o e     abordagem do estigma na popula&#231;&#227;o utilizadora dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios     torna-se importante, visto que o m&#233;dico de fam&#237;lia encontra-se em posi&#231;&#227;o     privilegiada para educar e informar os utentes e as suas fam&#237;lias, de modo a     minimizar os efeitos do estigma na popula&#231;&#227;o. Para al&#233;m disso, a import&#226;ncia     deste estudo prende-se com a inexist&#234;ncia de dados na popula&#231;&#227;o da &#225;rea de     influ&#234;ncia das autoras.</p>       <p>Este     trabalho tem como <b>objetivos:</b> i)     estimar a preval&#234;ncia de estigma relativamente &#224; doen&#231;a mental na popula&#231;&#227;o em     estudo; ii) verificar se existe associa&#231;&#227;o do estigma com caracter&#237;sticas     sociodemogr&#225;ficas (idade, g&#233;nero, escolaridade, estado civil, exist&#234;ncia de     filhos) e iii) verificar se o contacto com doen&#231;a mental (antecedentes pessoais     ou familiares) influencia a exist&#234;ncia de estigma.</p>       <p><b>M&#233;todos</b></p>       <p>Estudo     anal&#237;tico, transversal, que teve por base uma popula&#231;&#227;o de utentes inscritos em     duas unidades de sa&#250;de do distrito de Leiria: USF Santiago (Leiria) e Centro de     Sa&#250;de da Marinha Grande. </p>       <p>Foi     selecionada uma amostra n&#227;o aleat&#243;ria, de conveni&#234;ncia, constitu&#237;da por todos     os utentes com idade igual ou superior a 18 anos, que se dirigiram ao Centro de     Sa&#250;de da Marinha Grande e &#224; USF Santiago durante o m&#234;s de abril de 2013 e que     acederam a participar no estudo. Foram definidos como crit&#233;rios de exclus&#227;o a     recusa na participa&#231;&#227;o no estudo e o preenchimento incompleto ou incorreto dos     question&#225;rios.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A recolha de     dados teve por base um question&#225;rio de autopreenchimento constitu&#237;do por tr&#234;s     grupos: a) grupo 1 com quest&#245;es relacionadas com aspetos pessoais e     sociodemogr&#225;ficos (idade, g&#233;nero, escolaridade, estado civil, exist&#234;ncia de     filhos); b) grupo 2 constitu&#237;do por quest&#245;es relacionadas com o contacto com a     doen&#231;a mental (hist&#243;ria pessoal ou contacto familiar); c) grupo 3 constitu&#237;do     pelo Question&#225;rio de Atribui&#231;&#227;o - AQ-9 criado por <i>Corrigan</i> (vers&#227;o preliminar portuguesa, revista e abreviada do     Question&#225;rio de Atribui&#231;&#227;o - AQ-27 de <i>Corrigan</i>)<sup>8</sup> que pretende medir globalmente o estigma atrav&#233;s de 9 fatores:     &#8220;responsabilidade&#8221;, &#8220;pena&#8221;, &#8220;irrita&#231;&#227;o&#8221;, &#8220;perigosidade&#8221;, &#8220;medo&#8221;, &#8220;ajuda&#8221;,     &#8220;coer&#231;&#227;o&#8221;, &#8220;segrega&#231;&#227;o&#8221; e &#8220;evitamento&#8221;, cotados pela soma dos itens segundo uma     grelha espec&#237;fica. Este question&#225;rio, usado no dom&#237;nio da investiga&#231;&#227;o,     pretende avaliar nove estere&#243;tipos acerca da doen&#231;a mental, sendo constitu&#237;do     por uma descri&#231;&#227;o de um caso de uma pessoa com esquizofrenia, seguindo-se 9     afirma&#231;&#245;es ou quest&#245;es para as quais existe uma escala de <i>Likert</i> de 1 a 9, em que o 1 corresponde maioritariamente &#224; resposta     &#8220;n&#227;o ou nada&#8221; e o 9 a &#8220;muito ou completamente&#8221;. O resultado produz um score     representativo de cada um dos estere&#243;tipos, sendo que o estigma &#233; diretamente     proporcional ao valor do <i>score.</i> Admite-se, assim, que um resultado superior a 1 implica exist&#234;ncia de estigma.</p>       <p>O     question&#225;rio (<a href="#f1">figura 1</a>) e respetivo consentimento informado foram distribu&#237;dos     pelo administrativo aquando da efetiva&#231;&#227;o da inscri&#231;&#227;o da consulta ou pelas     pr&#243;prias m&#233;dicas durante a mesma. Ap&#243;s o preenchimento dos question&#225;rios e     respetivos consentimentos informados foi solicitado aos doentes que procedessem     &#224; sua coloca&#231;&#227;o, separadamente, em urna colocada para o efeito no balc&#227;o da     sala de espera. </p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v30n4/30n4a04f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Previamente     &#224; recolha dos dados, foi aplicado o question&#225;rio em formato pr&#233;-teste, com     algumas quest&#245;es abertas direcionadas para a dete&#231;&#227;o de problemas na     aplicabilidade do mesmo. Este pr&#233;-teste foi aplicado a uma amostra de 10     pessoas com idade igual ou superior a 18 anos, pertencentes a unidades de sa&#250;de     diferentes das inclu&#237;das no estudo.</p>       <p>O protocolo     do estudo foi submetido a avalia&#231;&#227;o pela Comiss&#227;o de &#201;tica da ARS do Centro,     tendo obtido um parecer positivo e o estudo foi igualmente avaliado e aceite pela     Dire&#231;&#227;o das unidades de sa&#250;de em causa (USF Santiago e Centro de Sa&#250;de da     Marinha Grande)</p>       <p>Os dados     obtidos foram codificados e introduzidos numa base de dados, tendo sido depois     tratados com a aplica&#231;&#227;o inform&#225;tica de estat&#237;stica <i>SPSS 18.0</i>&#174;. Foi efetuada an&#225;lise estat&#237;stica descritiva univari&#225;vel     e multivari&#225;vel com a aplica&#231;&#227;o dos testes: <i>t     de Student,</i> Mann-Whitney, <i>ANOVA</i> e     correla&#231;&#227;o de <i>Pearson</i> ou respetivos     n&#227;o param&#233;tricos para um n&#237;vel de signific&#226;ncia de 0,05.</p>       <p><b>Resultados</b></p>       <p>Entre os     utentes inscritos em ambas as unidades de sa&#250;de obtiveram-se 210 respostas ao     question&#225;rio. Foram exclu&#237;dos 4 por preenchimento inadequado, pelo que se     consideraram 206 question&#225;rios para estudo.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A maioria     dos respondentes era do sexo feminino (68,4%; n=141). As idades distribu&#237;ram-se     entre um m&#237;nimo de 18 e um m&#225;ximo de 85 anos, com m&#233;dia de 45,0&#177;15,6 anos. A     maior parte dos indiv&#237;duos eram casados ou viviam em uni&#227;o de facto (62,1%;     n=128) e tinham filhos (75,7%; n=156). Apenas 20,9% (n=43) tinham instru&#231;&#227;o     superior, sendo que mais de metade (51,9%; n=107) apresentou escolaridade igual     ou inferior ao 3.<sup>o</sup> ciclo do ensino b&#225;sico. </p>       <p>Relativamente     ao contacto com doen&#231;a mental, 37,9% (n=78) dos utentes tinham antecedentes     pessoais de doen&#231;a enquanto mais de um ter&#231;o (36,9%; n=76) tinha contacto com     familiares com patologia deste foro, sendo na maioria (19,4%; n=40) familiares     de primeiro grau.</p>       <p>Quando     confrontados com o relato de um doente com esquizofrenia, as respostas &#224;s     perguntas do question&#225;rio AQ-9, segundo uma escala de <i>likert</i> de 1 a 9 pontos, revelaram posi&#231;&#245;es na sua maioria medianas,     como se pode observar no <a href="#q1">Quadro I</a>. Nas quest&#245;es que avaliam a culpa, raiva e     evita&#231;&#227;o do doente, a m&#233;dia das respostas revelou-se inferior a 3. As restantes     afirma&#231;&#245;es despoletaram respostas em m&#233;dia entre 4,2 e 6,4. A moda observada em     todas as respostas foi sempre um dos extremos da escala (pena, ajuda e coer&#231;&#227;o     obtiveram moda de 9, sendo que nas restantes al&#237;neas se verificou moda de 1).     (<a href="#f2">Figura 2</a>)</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v30n4/30n4a04q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v30n4/30n4a04f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>N&#227;o se     encontram diferen&#231;as estatisticamente significativas nas respostas ao AQ-9     consoante o g&#233;nero, idade ou hist&#243;ria de antecedentes pessoais ou familiares de     doen&#231;a mental (<a href="#q2">Quadro II</a> e <a href="#q4">IV</a>). Utentes com filhos e casados apresentaram uma     maior probabilidade de coer&#231;&#227;o para o tratamento do doente mental (<i>t-student p</i>=0,008; <i>ANOVA p</i>=0,018) (<a href="#q3">Quadro III</a>). Verificou-se ainda a exist&#234;ncia de     associa&#231;&#227;o estatisticamente significativa entre a baixa escolaridade e um maior <i>score</i> na quest&#227;o relativa &#224;     segrega&#231;&#227;o dos doentes mentais (<i>ANOVA p</i>&lt;0,001).     (<a href="#q2">Quadro II</a>)</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v30n4/30n4a04q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>        <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v30n4/30n4a04q3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>        <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v30n4/30n4a04q4.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p><b>Discuss&#227;o</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trinta e     sete por cento dos utentes inquiridos referiram a exist&#234;ncia de antecedentes     pr&#233;vios ou atuais de doen&#231;a mental. Esta preval&#234;ncia revela-se um pouco     superior aos dados encontrados para a popula&#231;&#227;o portuguesa. Estima-se que a     preval&#234;ncia de perturba&#231;&#245;es psiqui&#225;tricas na popula&#231;&#227;o geral ronde os 30%, sendo     aproximadamente de 12% a de perturba&#231;&#245;es psiqui&#225;tricas graves, embora n&#227;o     existam dados de morbilidade psiqui&#225;trica de abrang&#234;ncia nacional que permitam     uma melhor caracteriza&#231;&#227;o do Pa&#237;s.<sup>9</sup></p>       <p>Esta elevada     preval&#234;ncia poder&#225;, contudo, dever-se ao perfil dos hiperfrequentadores (g&#233;nero     feminino, a idade avan&#231;ada, a baixa escolaridade e a presen&#231;a de patologia     psiqui&#225;trica)<sup>10</sup> ou a uma errada perce&#231;&#227;o do conceito de doen&#231;a     mental, podendo os inquiridos ter englobado na resposta alguns sintomas     psiqui&#225;tricos sem crit&#233;rios patol&#243;gicos, assim como patologias do foro     neurol&#243;gico, tendo em conta que n&#227;o foi pedido ao doente que especificasse a     perturba&#231;&#227;o nem foi dado ao doente uma defini&#231;&#227;o de doen&#231;a mental ou uma lista     de diagn&#243;sticos pass&#237;veis de serem considerados na quest&#227;o.</p>       <p>Relativamente     &#224;s respostas obtidas no AQ-9 constatou-se, &#224; semelhan&#231;a do encontrado num     estudo de Barbosa<sup>1</sup> que teve por base a aplica&#231;&#227;o do AQ-27 (vers&#227;o     completa do AQ-9), que os par&#226;metros que obtiveram um maior grau de     concord&#226;ncia foram os relativos &#224; pena, ajuda e coer&#231;&#227;o para o tratamento (com     uma m&#233;dia de 5,5 no estudo de Barbosa e m&#233;dias ainda superiores no nosso     estudo). Considerando que, quanto mais elevado o valor do <i>score</i> maior o estigma existente, pode admitir-se que o estigma est&#225;     presente na amostra em estudo, uma vez que a maioria dos par&#226;metros avaliados     no AQ-9 apresenta m&#233;dia superior a 4. Por outro lado, os que apresentaram     m&#233;dias mais baixas (inferiores a 3), ou seja, maior grau de discord&#226;ncia, foram     a culpa, a raiva e a evita&#231;&#227;o.</p>       <p>No entanto,     h&#225; que salientar o facto das modas se terem situado nos extremos. Esta     concentra&#231;&#227;o de resposta nos extremos poder&#225; significar uma dificuldade de     compreens&#227;o do question&#225;rio ou alertar-nos para o facto dos inquiridos terem     dado a resposta que consideravam moralmente aceite.</p>       <p>Ainda que se     tenha verificado uma maior probabilidade de coer&#231;&#227;o para o tratamento do doente     mental nos utentes com filhos e casados e uma associa&#231;&#227;o estatisticamente     significativa entre a baixa escolaridade e um maior score na quest&#227;o relativa &#224;     segrega&#231;&#227;o dos doentes mentais (<i>ANOVA p</i>&lt;0,001)     n&#227;o se pode excluir que estes resultados se devam a um erro aleat&#243;rio tipo 1.</p>       <p>Ap&#243;s a     an&#225;lise realizada, com base nesta amostra, admite-se que o g&#233;nero, a idade e o     contacto com a doen&#231;a mental n&#227;o apresentem associa&#231;&#227;o com o estigma. Contudo,     dados da literatura apontam para o facto de, tanto a educa&#231;&#227;o quanto o contacto     com a doen&#231;a mental, terem um impacto positivo na redu&#231;&#227;o do estigma para com o     doente mental.<sup>11</sup></p>       <p>Um estudo     polaco revelou que &#8220;a profiss&#227;o, a frequ&#234;ncia de contacto com o doente mental,     o grau de literacia sobre a doen&#231;a mental, a experi&#234;ncia pessoal, o n&#237;vel de     escolaridade, fatores culturais, o g&#233;nero e a idade s&#227;o os fatores mais     influentes/determinantes para a perce&#231;&#227;o do doente psiqui&#225;trico, sendo que a     literacia sobre a doen&#231;a mental &#233; o fator modific&#225;vel que mais facilmente     poder&#225; ser pass&#237;vel de interven&#231;&#227;o&#8221;.<sup>12</sup> Segundo Corrigan et al,<sup>13</sup> as mulheres t&#234;m uma menor tend&#234;ncia a estigmatizar, assim como doentes com maior     n&#237;vel de escolaridade.<sup>13</sup></p>       <p>Em jeito de     conclus&#227;o, admite-se que existe estigma na popula&#231;&#227;o estudada e que o estado     civil, a exist&#234;ncia de filhos e a escolaridade influenciam esse mesmo estigma.     N&#227;o se verificou associa&#231;&#227;o entre a exist&#234;ncia de estigma e as restantes     vari&#225;veis estudadas.</p>       <p>Uma das     principais limita&#231;&#245;es deste estudo prende-se com o facto de se ter utilizado um     question&#225;rio ainda em processo de valida&#231;&#227;o para a popula&#231;&#227;o portuguesa; no     entanto, tentou minimizar-se o erro atrav&#233;s da aplica&#231;&#227;o de um pr&#233;-teste. H&#225;     que ter em conta que, ainda que o question&#225;rio tenha sido de autopreenchimento     e an&#243;nimo, a press&#227;o de responder o moralmente correto poder&#225; ter condicionado     as respostas. N&#227;o &#233; ainda poss&#237;vel excluir a exist&#234;ncia de um vi&#233;s de sele&#231;&#227;o,     tendo em conta que se utilizou uma amostra de conveni&#234;ncia n&#227;o aleatorizada;     contudo tentou minimizar-se este vi&#233;s atrav&#233;s do uso de uma amostra de tamanho     alargado.</p>       <p>De futuro     seria interessante aprofundar o estudo atrav&#233;s da utiliza&#231;&#227;o de outra ferramenta     de medi&#231;&#227;o mais objetiva e da inclus&#227;o de uma quest&#227;o que especifique as     patologias psiqui&#225;tricas nos doentes que afirmem padecer de doen&#231;a mental.     Seria tamb&#233;m &#250;til inquirir o doente relativamente a situa&#231;&#245;es de descrimina&#231;&#227;o,     vivenciadas pelos mesmos, decorrentes da sua patologia.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Est&#225; ainda     em vista a realiza&#231;&#227;o de um estudo em parceria com o Servi&#231;o de Psiquiatria do     Centro Hospitalar de Leiria, longitudinal, com uma amostra mais alargada, com     vista a avaliar estes par&#226;metros numa amostra hospitalar, assim como a avaliar     o estigma no pr&#243;prio doente do foro mental no seio familiar e nos profissionais     de sa&#250;de (atrav&#233;s da aplica&#231;&#227;o, respetivamente, dos question&#225;rios <i>The self stigma of mental illness scale</i> (SSMIS), <i>Family Questionnaire</i> e AQ-9     modificado).<sup>8</sup></p>     <p>Este     trabalho de investiga&#231;&#227;o poder&#225; ser uma mais-valia porque &#233; um estudo inovador     e permite detetar fatores pass&#237;veis de serem alvo de medidas que visem a     redu&#231;&#227;o das atitudes discriminat&#243;rias e que facilitem a integra&#231;&#227;o do doente     mental na sociedade. O m&#233;dico de fam&#237;lia, enquanto m&#233;dico mais pr&#243;ximo da     comunidade, deve estar atento a esta problem&#225;tica, tentando minimizar o estigma     atrav&#233;s da educa&#231;&#227;o dos seus utentes, visando a melhoria dos cuidados e apoio     ao doente e &#224; fam&#237;lia.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Barbosa     T. Estigma face &#224; doen&#231;a mental por parte dos futuros profissionais de sa&#250;de     mental (Dissertation). Porto: Faculdade de Psicologia e Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o da     Universidade do Porto; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S2182-5173201400040000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Portuguese</p>       <!-- ref --><p>2. Corbi&#232;re     M, Samson E, Villotti P, Pelletier JF. Strategies to fight stigma toward people     with mental disorders: perspectives from different stakeholders. Scientific     World J. 2012;2012:516358.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S2182-5173201400040000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Boyd JE,     Katz EP, Link BG, Phelan JC. The relationship of multiple aspects of stigma and     personal contact with someone hospitalized for mental illness, in a nationally     representative sample. Soc Psychiatry Psychiatr Epidemiol. 2010;45(11):1063-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S2182-5173201400040000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>4. Svensson     B, Markstr&#246;m U,&nbsp; Bejerholm U,     Bj&#246;rkman T, Brunt D, Eklund M et al. Test - retest reliability of two     instruments for measuring public attitudes towards persons with mental illness.     BMC Psychiatry. 2011;11:11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S2182-5173201400040000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Bayar MR,     Poyraz PC, Aksoy-Poyraz C, Arikan MK. Reducing mental illness stigma in mental health     professionals using a web-based approach. Isr J Psychiatry Relat Sci.     2009;46(3):226-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S2182-5173201400040000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. Kassam A,     Papish A, Modgill G, Patten S. The development and psychometric properties of a     new scale to measure mental illness related stigma by health care providers:     the Opening Minds Scale for Health Care Providers (OMS-HC). BMC Psychiatry.     2012;12:62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S2182-5173201400040000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. Corrigan     P, Markowitz FE, Watson A, Rowan D, Kubiak MA. An attribution model of public     discrimination towards persons with mental illness. J Health Soc Behav.     2003;44(2):162-79.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S2182-5173201400040000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>8. Corrigan     P. A toolkit for evaluating programs meant to erase the stigma of mental     illness. Illinois Institute of Technology; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S2182-5173201400040000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>9.     Minist&#233;rio da Sa&#250;de. Plano nacional de sa&#250;de 2004-2010. Lisboa: MS; 2004.     Portuguese&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S2182-5173201400040000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>10. Gomes J,     Machado A, Cavadas LF, Teixeira H, Pires P, Santos JA, et al. Perfil do     hiperfrequentador nos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios (The primary care frequent     atender profile). Acta Med Port. 2013;26(1):17-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S2182-5173201400040000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Portuguese</p>       <!-- ref --><p>11. Corrigan     PW, Morris SB, Michaels PJ, Rafacz JD, R&#252;sch N. Challenging the public stigma     of mental illness: a meta-analysis of outcome studies. Psychiatr Serv.     2012;63(10):963-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S2182-5173201400040000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>12. Dyduch     A, Grzywa A. (Stigma and related factors basing on mental illness stigma). Pol     Merkur Lekarski. 2009;26(153):263-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S2182-5173201400040000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Polish</p>     <!-- ref --><p>13. Corrigan     PW, Watson AC. The stigma of psychiatric disorders and the gender, ethnicity,     and education of the perceiver. Community Ment Health J. 2007;43(5):439-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S2182-5173201400040000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        <p>Ana Rita     Fernandes Oliveira</p>     <p>Rua Dr. Jos&#233;     Oliveira Baptista, 6 - 2&#186; dt&#186;, 2300-491 Tomar</p>       <p>E-mail: <a href="mailto:rita-olive@hotmail.com">rita-olive@hotmail.com</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>As autoras     gostariam de agradecer a todos aqueles que de alguma forma ajudaram na     aplica&#231;&#227;o deste estudo.</p>       <p>Gostar&#237;amos     de destacar particularmente as colegas Davina Bento, Sara Martins e Susana     Machado, internas de Medicina Geral e Familiar, pela preciosa colabora&#231;&#227;o na     recolha de dados.</p>       <p><b>Conflitos   de interesse</b></p>       <p>Os autores     declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 18-11-2013</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 19-07-2014</b></p>      ]]></body><back>
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