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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Quando três gerações adoecem simultaneamente]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732014000400007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732014000400007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732014000400007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A doença pode ser causa ou consequência da rutura de uma homeostasia pré-existente na família. O médico de família ocupa um lugar privilegiado para identificar fatores de risco familiar, reconhecer recursos e estratégias aquando de doença. Esta tarefa pode tornar-se difícil quando vários membros da família adoecem em simultâneo. Descrição do caso: A., 37 anos, sexo feminino, caucasiana, pertencente a uma família nuclear, fase IV do ciclo de Duvall. Em maio de 2012, no puerpério da segunda gravidez, inicia quadro de sudorese, astenia e perda ponderal. Em setembro apresenta febre vespertina e tosse. Recorre à Unidade de Saúde Familiar em novembro onde foram pedidos exames complementares de diagnóstico cujos resultados motivaram encaminhamento ao Serviço de Hematologia do Hospital… Em dezembro foi confirmado diagnóstico de linfoma não Hodgkin. Esteve internada para vários ciclos de quimioterapia, tendo as filhas ficado ao cuidado do marido. Este assumiu as tarefas e a responsabilidade parental para que as filhas sentissem o menos possível a ausência da mãe. Nesse mês foi também diagnosticada neoplasia maligna do cólon à mãe de A., submetida a tratamento cirúrgico no Hospital… Em fevereiro de 2013, a filha mais velha de A. foi submetida a cirurgia otorrinolaringológica e a de 9 meses, em consulta de saúde infantil, apresentava dificuldade na posição de sentar. Em junho, A. terminou a quimioterapia e a filha de 13 meses mantinha atraso do desenvolvimento psicomotor. Comentário: A equipa de saúde, com o objetivo de manter a funcionalidade e minimizar o impacto das várias doenças na família, procurou mobilizar e gerir os recursos de saúde e capacitar os vários membros da família no desenvolvimento de novas competências.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Disease may be a cause or consequence of loss of family homeostasis. The general practitioner plays a special role in identifying family risk factors and recognizing resources and coping strategies during illness. This may be difficult when several family members are ill simultaneously. Case description: A. is a 37 year-old, Caucasian female, belonging to a nuclear family, in phase IV of the Duvall cycle. In May 2012, after the birth of her second child, she experienced sweating, weakness and weight loss. Four months later, she experienced evening fever and cough. She presented to the Family Health Unit in November and was referred for diagnostic tests. She was then referred to the Hematology Service of a local hospital. In December the diagnosis of non-Hodgkin lymphoma was made. A. was hospitalized several times for chemotherapy and her daughters remained in the care of her husband. The husband performed many required tasks and assumed all parental responsibility, minimizing the effects of the absence of the mother. In January, A.’s mother, was diagnosed with colorectal cancer and was admitted for surgery in the same hospital. Referral to the same hospital allowed visits between mother and daughter. On February, the eldest daughter aged 6 years had ENT surgery and the 9 month-old daughter had difficulty sitting. In June, A. completed her chemotherapy and the 13-month old daughter still had delayed motor and language development. Comment: The health care team, in order to maintain family function and minimize the impact of several diseases on the family, sought to mobilize and manage existing resources and empower different family members in developing new skills.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RELATOS DE CASOS</b></p>       <p><font size="4"><b>Quando tr&#234;s gera&#231;&#245;es adoecem     simultaneamente</b></font></p>       <p><font size="3"><b>When   three generations fall ill simultaneously</b></font></p>       <p><b>Maria Jo&#227;o Ara&#250;jo,* Ana Viegas,* Ana     Ribeiro**</b></p>       <p>*M&#233;dica     interna de Medicina Geral e Familiar, USF Conde de Oeiras, ACES Lisboa     Ocidental e Oeiras</p>       <p>*M&#233;dica     interna de Medicina Geral e Familiar, USF Conde de Oeiras, ACES Lisboa     Ocidental e Oeiras</p>       <p>**M&#233;dica     Assistente Graduada de Medicina Geral e Familiar, USF Conde de Oeiras, ACES     Lisboa Ocidental e Oeiras</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>RESUMO</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A doen&#231;a pode ser causa ou     consequ&#234;ncia da rutura de uma homeostasia pr&#233;-existente na fam&#237;lia. O m&#233;dico de     fam&#237;lia ocupa um lugar privilegiado para identificar fatores de risco familiar,     reconhecer recursos e estrat&#233;gias aquando de doen&#231;a. Esta tarefa pode tornar-se     dif&#237;cil quando v&#225;rios membros da fam&#237;lia adoecem em simult&#226;neo.</p>       <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> A., 37 anos, sexo     feminino, caucasiana, pertencente a uma fam&#237;lia nuclear, fase IV do ciclo de     Duvall. Em maio de 2012, no puerp&#233;rio da segunda gravidez, inicia quadro de     sudorese, astenia e perda ponderal. Em setembro apresenta febre vespertina e     tosse. Recorre &#224; Unidade de Sa&#250;de Familiar em novembro onde foram pedidos     exames complementares de diagn&#243;stico cujos resultados motivaram encaminhamento     ao Servi&#231;o de Hematologia do Hospital&#8230; Em dezembro foi confirmado diagn&#243;stico     de linfoma n&#227;o Hodgkin. Esteve internada para v&#225;rios ciclos de quimioterapia,     tendo as filhas ficado ao cuidado do marido. Este assumiu as tarefas e a     responsabilidade parental para que as filhas sentissem o menos poss&#237;vel a     aus&#234;ncia da m&#227;e. </p>       <p>Nesse m&#234;s     foi tamb&#233;m diagnosticada neoplasia maligna do c&#243;lon &#224; m&#227;e de A., submetida a     tratamento cir&#250;rgico no Hospital&#8230; Em fevereiro de 2013, a filha mais velha de     A. foi submetida a cirurgia otorrinolaringol&#243;gica e a de 9 meses, em consulta     de sa&#250;de infantil, apresentava dificuldade na posi&#231;&#227;o de sentar.</p>       <p>Em junho, A.     terminou a quimioterapia e a filha de 13 meses mantinha atraso do     desenvolvimento psicomotor.</p>       <p><b>Coment&#225;rio:</b> A equipa de sa&#250;de, com o     objetivo de manter a funcionalidade e minimizar o impacto das v&#225;rias doen&#231;as na     fam&#237;lia, procurou mobilizar e gerir os recursos de sa&#250;de e capacitar os v&#225;rios     membros da fam&#237;lia no desenvolvimento de novas compet&#234;ncias.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Fam&#237;lia; Doen&#231;a;     M&#233;dicos de Fam&#237;lia.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Introduction:</b> Disease may be a cause or     consequence of loss of family homeostasis. The general practitioner plays a     special role in identifying family risk factors and recognizing resources and     coping strategies during illness. This may be difficult when several family   members are ill simultaneously. </p>       <p><b>Case description:</b> A. is a 37 year-old,     Caucasian female, belonging to a nuclear family, in phase IV of the Duvall     cycle. In May 2012, after the birth of her second child, she experienced     sweating, weakness and weight loss. Four months later, she experienced evening     fever and cough. She presented to the Family Health Unit in November and was     referred for diagnostic tests. She was then referred to the Hematology Service     of a local hospital. In December the diagnosis of non-Hodgkin lymphoma was     made. A. was hospitalized several times for chemotherapy and her daughters     remained in the care of her husband. The husband performed many required tasks     and assumed all parental responsibility, minimizing the effects of the absence of     the mother. In January, A.&#8217;s mother, was diagnosed with colorectal cancer and     was admitted for surgery in the same hospital. Referral to the same hospital     allowed visits between mother and daughter. On February, the eldest daughter     aged 6 years had ENT surgery and the 9 month-old daughter had difficulty     sitting. In June, A. completed her chemotherapy and the 13-month old daughter     still had delayed motor and language development.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Comment:</b> The health care team, in order     to maintain family function and minimize the impact of several diseases on the     family, sought to mobilize and manage existing resources and empower different     family members in developing new skills.</p>       <p><b>Keywords:</b> Family; Disease; Physicians,     Family.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>A fam&#237;lia &#233;     definida como um conjunto de pessoas unidas por la&#231;os de parentesco ou     afinidade que coabitam e se apoiam reciprocamente.<sup>1</sup> De acordo com a     Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de (OMS), a fam&#237;lia &#233; o primeiro agente social     envolvido na promo&#231;&#227;o da sa&#250;de e bem-estar<sup>2</sup> e o contexto social mais     importante nos cuidados de sa&#250;de individuais.<sup>3</sup></p>       <p>A doen&#231;a     pode ser causa ou consequ&#234;ncia da rutura de uma homeostasia pr&#233;-existente.<sup>1</sup></p>       <p>Segundo o     modelo idealizado por Doherty e Campbell,<sup>4</sup> o sistema familiar     encontra-se em intera&#231;&#227;o constante com o sistema de sa&#250;de e o m&#233;dico de fam&#237;lia     (MF). Este &#250;ltimo, atrav&#233;s da sua a&#231;&#227;o multifacetada, pode intervir em todas as     etapas do espectro sa&#250;de-doen&#231;a: promo&#231;&#227;o da sa&#250;de e preven&#231;&#227;o da doen&#231;a,     vulnerabilidade e in&#237;cio da doen&#231;a, significado familiar do adoecer, resposta     familiar &#224; fase aguda e adapta&#231;&#227;o &#224; doen&#231;a e reabilita&#231;&#227;o.</p>       <p>Assim, a     abordagem individual centrada na fam&#237;lia constitui uma das ferramentas mais     importantes em medicina geral e familiar (MGF) e o MF deve n&#227;o s&#243; compreender     os aspetos f&#237;sicos da doen&#231;a, mas tamb&#233;m o indiv&#237;duo e o significado que ele e     a sua fam&#237;lia atribuem ao adoecer.<sup>3</sup></p>       <p>Esta     abordagem familiar permite ao MF concretizar planos terap&#234;uticos mais efetivos     na ajuda aos pacientes e &#224;s suas fam&#237;lias. O trabalho conjunto com a restante     equipa de sa&#250;de torna poss&#237;vel uma utiliza&#231;&#227;o mais eficiente dos recursos     dispon&#237;veis. </p>       <p>A gest&#227;o de     cuidados de sa&#250;de &#233; uma das atividades mais exigentes em MGF e pode tornar-se     especialmente dif&#237;cil quando v&#225;rios membros da fam&#237;lia adoecem simultaneamente.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Descri&#231;&#227;o     do caso </b></p>       <p><b>Apresenta&#231;&#227;o da fam&#237;lia </b></p>       <p>A., 37 anos,     sexo feminino, ra&#231;a caucasiana, natural e residente em Oeiras, 12.<sup>o</sup> ano de escolaridade, atualmente desempregada. Como problemas ativos apresenta     uma obesidade diagnosticada em 2007. Na lista de problemas passivos h&#225; apenas a     referir um quadro de paniculite (inicialmente interpretado como eritema     nodoso), arrastado e recorrente durante os anos de 2009 e 2010, vigiado em     consulta de medicina interna.</p>       <p>Sem h&#225;bitos     toxicof&#237;licos ou medicamentosos conhecidos. </p>       <p>Sem hist&#243;ria     de alergias alimentares ou medicamentosas.</p>       <p>A. &#233; casada,     pertence a uma fam&#237;lia nuclear na fase IV do ciclo de Duvall, com um Graffar     Familiar de classe social grau 3. O agregado familiar &#233; constitu&#237;do pela     utente, o marido de 39 anos, saud&#225;vel, profissionalmente ativo (contabilista) e     duas filhas do sexo feminino, uma de 6 anos de idade, a frequentar o 1.<sup>o</sup> ano de escolaridade e outra com 1 ano, integrada no jardim de inf&#226;ncia. </p>       <p>A. &#233; o 6.<sup>o</sup> elemento da fratria, com 3 irm&#227;os do sexo masculino e 2 do sexo feminino, tendo     o irm&#227;o mais velho falecido por afogamento antes do nascimento da utente. Na     <a href="#f1">figura 1</a> apresenta-se o respetivo genograma. (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v30n4/30n4a07f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A     Psicofigura de Mitchell revela uma rela&#231;&#227;o pr&#243;xima com os pais, sendo A. a     principal cuidadora destes. Esta rela&#231;&#227;o &#233; fortalecida pelas visitas quase     di&#225;rias a casa dos pais, geograficamente pr&#243;xima da escola das filhas.</p>       <p>A. apresenta     uma rela&#231;&#227;o ambivalente com o marido, que se intui das queixas apresentadas de     falta de aten&#231;&#227;o e apoio &#224;s filhas, motivada pelo elevado volume de trabalho a     que este est&#225; sujeito, mas essencial para o sustento do agregado familiar. </p>       <p><b>Linha de Medalie </b></p>       <p>Em <b>maio de 2012,</b> A. recorre &#224; USF para     consulta de revis&#227;o do puerp&#233;rio da segunda gravidez. A equipa de sa&#250;de     pretendeu explorar o cumprimento de novas tarefas e poss&#237;veis dificuldades     sentidas com a chegada do novo membro da fam&#237;lia. A. manifestou alguma     dificuldade na gest&#227;o da quase totalidade das tarefas familiares que atribu&#237;a &#224;     falta de apoio do marido. Nesta consulta, A. refere cansa&#231;o geral desde o     in&#237;cio do puerp&#233;rio, com cerca de 2 meses de evolu&#231;&#227;o e apresenta palidez     cut&#226;nea e perda ponderal. Os resultados anal&#237;ticos do 3.<sup>o</sup> trimestre     da gravidez n&#227;o tinham evidenciado qualquer altera&#231;&#227;o relevante para este     per&#237;odo, sendo o valor de hemoglobina de 11,3 g/dl. A. Apresentava, nesta     consulta, uma perda ponderal de cerca de 10 Kg desde o final da gravidez,     correspondendo a menos 5,5 Kg do que o seu peso habitual pr&#233; gravidez.</p>       <p>Foi     realizada citologia, dada indica&#231;&#227;o para iniciar anticoncetivo oral     progestativo (uma vez que se encontrava a amamentar) e pedida avalia&#231;&#227;o     anal&#237;tica de acordo com as queixas apresentadas [hemograma completo, glicemia     em jejum, hormona estimulante da tir&#243;ide, velocidade de sedimenta&#231;&#227;o (VS) e     prote&#237;na C reativa (PCR)]. A realiza&#231;&#227;o destas an&#225;lises foi protelada por A.     durante meses.</p>       <p>A. trazia a     filha mais nova &#224;s consultas de vigil&#226;ncia de sa&#250;de infantil e juvenil (SIJ),     de acordo com a periodicidade estabelecida.</p>       <p>Em <b>agosto de 2012</b> recorre a uma consulta     de &#8220;Doen&#231;a Aguda&#8221; da unidade com queixas de cansa&#231;o mantido, sudorese para     pequenos esfor&#231;os e tosse escassa de aparecimento h&#225; uma semana. Uma vez que     n&#227;o tinha realizado a avalia&#231;&#227;o anal&#237;tica solicitada, refor&#231;ou-se a import&#226;ncia     de fazer os exames pedidos, acrescentando-se uma radiografia do t&#243;rax &#224;     avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica.</p>       <p>Al&#233;m da     avalia&#231;&#227;o das queixas f&#237;sicas, a equipa procurou perceber qual a situa&#231;&#227;o da     rela&#231;&#227;o com o marido e criou oportunidade para abordar cuidados antecipat&#243;rios     essenciais &#224; fase de transi&#231;&#227;o do ciclo de vida que se aproximava -     entrada da filha mais velha para a escola prim&#225;ria.</p>       <p>Em <b>novembro de 2012,</b> na sequ&#234;ncia da     consulta de vigil&#226;ncia de SIJ da filha mais nova, e por insist&#234;ncia da equipa     de fam&#237;lia, &#233; agendada para A. uma consulta no pr&#243;prio dia por agravamento do     quadro cl&#237;nico. A. apresentava agora queixas de sudorese profusa em repouso e     mais intensa durante o per&#237;odo noturno, astenia, anorexia e perda ponderal     quantificada de 4,5 Kg nos &#250;ltimos 6 meses. Relatava ainda les&#245;es da mucosa     oral, gengivorragias, tosse produtiva e febre vespertina com 2 meses de     evolu&#231;&#227;o. Foi solicitado &#224; utente a realiza&#231;&#227;o de ECD dirigidos (hemograma     completo, ferro, ferritina, transferrina, glicemia em jejum, VS, PCR, aspartato     transferase, alanina aminotransferase, fosfatase alcalina, gama GT, beta     2-microglobulina, creatinina, proteinograma, pesquisa de sangue oculto nas     fezes, urina II, eletrocardiograma, tomografia computadorizada (TC)     toraco-abdomino-p&#233;lvica). A. ainda n&#227;o tinha apresentado nenhum dos ECD pedidos     anteriormente, alegando falta de tempo. </p>       <p>Pela     urg&#234;ncia em mostrar os resultados dos ECD, recorre &#224; USF 5 dias mais tarde     tendo sido atendida numa &#8220;Consulta de Intersubstitui&#231;&#227;o&#8221;. A TC revelava doen&#231;a     linfoproliferativa com hepatoesplenomegalia e m&#250;ltiplos elementos ganglionares     aumentados desde as regi&#245;es axilares at&#233; &#224;s regi&#245;es inguinais com predom&#237;nio     abdominal superior. Os resultados dos ECD motivaram contacto imediato com a MF     e consequente contacto telef&#243;nico e encaminhamento urgente ao Servi&#231;o de     Hematologia do Hospital&#8230;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em <b>dezembro de 2012</b> foi confirmado o     diagn&#243;stico de linfoma n&#227;o Hodgkin difuso de grandes c&#233;lulas, em est&#225;dio IVb.</p>       <p>Desde ent&#227;o,     A. esteve internada para v&#225;rios ciclos de quimioterapia (QT), tendo as filhas     ficado ao cuidado do marido. Este abra&#231;ou as tarefas solicitadas e assumiu a     responsabilidade parental para que as filhas sentissem o menos poss&#237;vel a     aus&#234;ncia da m&#227;e. Nesta fase, a equipa de sa&#250;de procurou tornar-se mais     dispon&#237;vel aos diferentes membros da fam&#237;lia. </p>       <p>Ainda em <b>dezembro de 2012,</b> a m&#227;e de A., de 76     anos de idade, mostra o resultado de colonoscopia total, realizada na sequ&#234;ncia     de pesquisa de sangue oculto nas fezes positiva. O estudo apresentava     neoforma&#231;&#227;o estenosante a 20 cm da margem do &#226;nus, com histologia compat&#237;vel     com adenocarcinoma moderadamente diferenciado T4N0M0. Este novo diagn&#243;stico foi     alvo de referencia&#231;&#227;o urgente ao Servi&#231;o de Cirurgia do Hospital... A     referencia&#231;&#227;o intencional a este hospital iria permitir as visitas m&#227;e-filha     durante o internamento de ambas. A m&#227;e de A. foi submetida a sigmoidectomia     entre o 2.<sup>o</sup> e o 3.<sup>o</sup> ciclo de QT da filha. </p>       <p>Sendo A. a     principal cuidadora dos pais e estando m&#227;e e filha doentes, o conhecimento     privilegiado da fam&#237;lia alargada e da din&#226;mica familiar permitiu ao MF recrutar     outros membros (irm&#227;os de A.) para cuidar da m&#227;e, o que veio a fortificar     rela&#231;&#245;es e la&#231;os familiares. </p>       <p>Em <b>fevereiro de 2013,</b> a filha de 6 anos     foi submetida a cirurgia otorrinolaringol&#243;gica eletiva - adenoidectomia e     miringotomia. No dia seguinte &#224; alta da filha, A. &#233; internada para o 4.<sup>o</sup> ciclo de QT. </p>       <p>Durante o     mesmo m&#234;s, a filha mais nova de A., na consulta de vigil&#226;ncia de SIJ dos 9     meses, apresenta dificuldade na posi&#231;&#227;o de sentar e diminui&#231;&#227;o da for&#231;a dos     membros inferiores. Foi solicitada maior estimula&#231;&#227;o motora e mantida     vigil&#226;ncia da situa&#231;&#227;o por parte da equipa de fam&#237;lia.</p>       <p>Passado um     m&#234;s, e depois de estimula&#231;&#227;o intensa por parte dos pais, das educadoras de inf&#226;ncia     e da enfermeira da sa&#250;de escolar da Unidade de Cuidado na Comunidade, a     reavalia&#231;&#227;o denota alguma melhoria do equil&#237;brio do tronco na posi&#231;&#227;o de     sentada. </p>       <p>Em <b>junho de 2013,</b> A. terminou os ciclos de     QT e traz a filha mais nova, com 13 meses, &#224; consulta que, apesar de alguma     evolu&#231;&#227;o favor&#225;vel, mant&#233;m atraso do desenvolvimento motor e da linguagem. </p>       <p>A equipa de     sa&#250;de manteve a flexibilidade do hor&#225;rio de atendimento de acordo com a     disponibilidade dos pais. Foram tamb&#233;m realizadas consultas de SIJ extra-plano     &#224; filha mais nova, n&#227;o s&#243; com o intuito de reavalia&#231;&#227;o e seguimento das     altera&#231;&#245;es encontradas, mas tamb&#233;m como fonte de apoio do sistema     familiar.&nbsp; </p>       <p>A. sofre     novo internamento em <b>agosto de 2013 </b>por     doen&#231;a refrat&#225;ria prim&#225;ria, em progress&#227;o ap&#243;s oito ciclos de QT. &#201; proposta     uma segunda linha de tratamento, com transplante alog&#233;nico de progenitores     hematopo&#233;ticas de eventual irm&#227;o dador compat&#237;vel.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em <b>setembro de 2013,</b> a filha mais nova de     A., com 16 meses, volta &#224; consulta de SIJ, altura em que apresenta hiperlaxid&#227;o     articular dos membros inferiores que, em repouso, est&#227;o tendencialmente em     abdu&#231;&#227;o, deslocando-se arrastando a regi&#227;o gl&#250;tea, motivo pelo qual foi     referenciada &#224; consulta de ortopedia infantil do Hospital Dona Estef&#226;nia (HDE). </p>       <p>Em <b>dezembro de 2013,</b> A. recorre &#224; consulta     de &#8220;Doen&#231;a Aguda&#8221; por dor epig&#225;strica ocasional e dificuldade em adormecer. A.     reconhece o apoio que o marido prestou &#224;s filhas aquando dos seus in&#250;meros     internamentos. No mesmo m&#234;s, A. apresenta epis&#243;dio de colecistite aguda, sendo     submetida a colangiopancreatograf&#237;a retr&#243;grada endosc&#243;pica. </p>       <p>Atualmente,     A. est&#225; internada para realiza&#231;&#227;o de transplante alog&#233;nico.</p>       <p>A filha mais     nova foi observada em consulta de ortopedia do HDE e encaminhada &#224; consulta de     medicina f&#237;sica da reabilita&#231;&#227;o para estimula&#231;&#227;o motora.</p>       <p>A m&#227;e de A.     encontra-se assintom&#225;tica e clinicamente est&#225;vel. </p>       <p>A <a href="#f2">figura 2</a>     representa a evolu&#231;&#227;o cronol&#243;gica dos acontecimentos de vida da fam&#237;lia de A. e     a classifica&#231;&#227;o das interven&#231;&#245;es da microequipa em cada uma das fases (<a href="#f2">Figura 2</a>). </p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v30n4/30n4a07f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p><b>Coment&#225;rios</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Doen&#231;a: Pessoa, Fam&#237;lia e M&#233;dico de Fam&#237;lia</b></p>       <p>O relato de     caso acima descrito &#233; exemplo do caminhar passo a passo por todas as etapas do     ciclo de sa&#250;de e doen&#231;a na fam&#237;lia, proposto por Doherty e Campbell.<sup>4</sup></p>       <p>O MF tem a     oportunidade de intervir em todo o espectro da sa&#250;de e doen&#231;a e a sua abordagem     influencia o viver da doen&#231;a, o indiv&#237;duo e a fam&#237;lia.</p>       <p>De seguida,     descreve-se o percurso da fam&#237;lia estudada no ciclo de sa&#250;de e doen&#231;a e o papel     desempenhado pela equipa de sa&#250;de em cada uma das etapas. </p>       <p><b>Promo&#231;&#227;o da sa&#250;de e preven&#231;&#227;o da doen&#231;a </b></p>       <p>A consulta     de revis&#227;o do puerp&#233;rio de A. e as v&#225;rias consultas de SIJ da filha mais nova     realizadas ao longo da hist&#243;ria s&#227;o oportunidades de promo&#231;&#227;o da sa&#250;de e     preven&#231;&#227;o da doen&#231;a. A equipa de sa&#250;de d&#225; a conhecer estilos de vida saud&#225;veis     e prop&#245;e-se influenciar comportamentos que determinem melhores n&#237;veis de sa&#250;de,     bem-estar e redu&#231;&#227;o de riscos. </p>       <p><b>Vulnerabilidade e in&#237;cio da doen&#231;a</b></p>       <p>O in&#237;cio da     doen&#231;a de A. surge na transi&#231;&#227;o da fase III para a fase IV do ciclo de vida de     Duvall, transi&#231;&#227;o esta que, por si s&#243;, confere maior vulnerabilidade &#224; doen&#231;a e     coincide temporalmente n&#227;o s&#243; com a entrada da filha mais velha para a escola,     mas tamb&#233;m com a chegada da filha mais nova e a adapta&#231;&#227;o do agregado familiar     ao novo membro da fam&#237;lia.</p>       <p>As tarefas     de desenvolvimento educacional, de sociabiliza&#231;&#227;o com outras fam&#237;lias no mesmo     est&#225;dio de crescimento, de aceita&#231;&#227;o de um novo membro no sistema conjugal e de     ajuste a novas rotinas foram comprometidas e condicionaram atraso no espect&#225;vel     movimento centr&#237;fugo da fam&#237;lia. </p>       <p>O desemprego     de um dos elementos do casal acarretou ainda depend&#234;ncia econ&#243;mica e,     consequentemente, desequil&#237;brios financeiros e das tarefas dom&#233;sticas, de que     resultou a rela&#231;&#227;o conjugal ambivalente descrita por A. O marido encontrava-se     muito ocupado profissionalmente para fazer cumprir as suas obriga&#231;&#245;es     financeiras, mas n&#227;o ajudava nas tarefas dom&#233;sticas e colaborava pouco nas     tarefas educacionais das filhas. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A fam&#237;lia &#233;     uma fonte de stress ou de suporte e apresenta uma influ&#234;ncia significativa     sobre a sa&#250;de. </p>       <p>Holmes e     Rahe descrevem o impacto dos acontecimentos de vida na sa&#250;de e a sua rela&#231;&#227;o     com o surgir de diversas doen&#231;as,<sup>5</sup> nomeadamente o stress familiar     que pode predispor &#224; doen&#231;a.&nbsp;&nbsp; </p>       <p>Durante este     per&#237;odo, a microequipa de sa&#250;de, com base no conhecimento pr&#233;vio que tinha     desta fam&#237;lia, identificou e avaliou os fatores protetores e de risco     familiares. </p>       <p>Do sistema     familiar em estudo destacam-se, como fatores protetores, a coes&#227;o e a     organiza&#231;&#227;o familiar. De acordo com o modelo de Olson, podemos individualizar e     caracterizar as tr&#234;s dimens&#245;es.</p>       <p>Ao estudar a     fam&#237;lia alargada, segundo o modelo de Olson,<sup>6</sup> verifica-se uma     elevada coes&#227;o demonstrada pela forte liga&#231;&#227;o emocional entre os v&#225;rios     elementos. Contudo, percebe-se que possa existir alguma perda reativa de     autonomia individual. A adaptabilidade foi manifestada pela capacidade de     mudan&#231;a do sistema familiar perante uma situa&#231;&#227;o de doen&#231;a e de stress, com o     assumir de novos pap&#233;is e com a altera&#231;&#227;o de algumas regras relacionais. Esta     altera&#231;&#227;o foi especialmente evidente no c&#244;njuge de A., que assumiu maior     responsabilidade parental e se tornou dispon&#237;vel para A. e para as filhas. </p>       <p>Aquando do     diagn&#243;stico da neoplasia da m&#227;e de A., tamb&#233;m se verificou um recrutamento de     outros irm&#227;os para partilhar as responsabilidades do cuidado aos pais.</p>       <p>A     comunica&#231;&#227;o entre todos os membros da fam&#237;lia foi facilitadora do processo de     mudan&#231;a.</p>       <p>&#192; luz deste     modelo, um sistema familiar saud&#225;vel e funcional consegue oscilar em     equil&#237;brio, mudar e voltar a reorganizar a sua estrutura durante o tempo     necess&#225;rio para resolu&#231;&#227;o da fase de transi&#231;&#227;o que atravessa.<sup>6</sup></p>       <p>Como fatores     de risco nesta fam&#237;lia destacam-se a dificuldade do casal em lidar com a     desigualdade de participa&#231;&#227;o nas tarefas financeiras e dom&#233;sticas e o adoecer     simultaneamente de v&#225;rios membros da fam&#237;lia. A import&#226;ncia dos pap&#233;is que cada     um dos diferentes membros doentes desempenha no seio familiar, a gravidade     individual de cada uma das doen&#231;as e a intensidade da sintomatologia     acompanhante refletem-se na perda de qualidade de vida e consequente disrup&#231;&#227;o     das tarefas familiares.</p>       <p><b>Avalia&#231;&#227;o da doen&#231;a </b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A avalia&#231;&#227;o     da doen&#231;a engloba a explora&#231;&#227;o do significado do adoecer e da doen&#231;a nas     expectativas, cren&#231;as e medos n&#227;o s&#243; do indiv&#237;duo mas tamb&#233;m da sua fam&#237;lia.</p>       <p>A procura     oportun&#237;stica de cuidados de sa&#250;de, a demora na realiza&#231;&#227;o dos ECD solicitados     e a desvaloriza&#231;&#227;o dos sinais e sintomas apresentados por A. foi v&#225;rias vezes     questionada pela equipa de sa&#250;de. </p>       <p>O MF deve     ter em conta que a procura e a utiliza&#231;&#227;o dos servi&#231;os s&#227;o influenciadas por     fatores individuais mas tamb&#233;m familiares e econ&#243;micos. </p>       <p>Os contactos     de A. com a equipa de fam&#237;lia existem desde o in&#237;cio da sua vida de casal,     antes do nascimento da filha mais velha, mas estabelecem-se durante o per&#237;odo     relatado pela procura indireta e oportun&#237;stica de cuidados e a evolu&#231;&#227;o do     quadro cl&#237;nico &#233; percecionada atrav&#233;s das consultas de vigil&#226;ncia de SIJ da     filha mais nova. </p>       <p>Por     insist&#234;ncia m&#233;dica foi agendada uma consulta para a pr&#243;pria.</p>       <p>A atitude de     A. perante a sua sintomatologia pode n&#227;o s&#243; representar um processo de nega&#231;&#227;o     da doen&#231;a como tamb&#233;m evidenciar dificuldade na gest&#227;o do tempo e das tarefas     di&#225;rias, j&#225; que A. era a cuidadora principal das duas filhas e dos pais. </p>       <p>H&#225; que ter     em conta que muitas fam&#237;lias apresentam um elemento perito em assuntos     relacionados com a sa&#250;de dos seus elementos, o <i>expert</i> em sa&#250;de.<sup>3</sup> Toda a fam&#237;lia, e em especial este     membro, vai influenciar o conhecimento, os mitos, as cren&#231;as do indiv&#237;duo e     contribuir para a decis&#227;o de procura ou n&#227;o da equipa de sa&#250;de.</p>       <p>Da avalia&#231;&#227;o     realizada pareceu-nos que A. apresentava este papel de <i>expert</i> em sa&#250;de na fam&#237;lia, j&#225; que era a principal cuidadora dos     pais. Quando esse mesmo elemento adoece &#233; maior o impacto da doen&#231;a no     indiv&#237;duo e na fam&#237;lia, pelo que a doen&#231;a de A. teve impacto significativo na     fam&#237;lia nuclear e alargada.</p>       <p><b>Resposta &#224; fase aguda </b></p>       <p>Uma vez     instalada a doen&#231;a &#233; importante acompanhar a resposta do indiv&#237;duo e da fam&#237;lia     &#224; sua fase aguda.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A escala de     Readapta&#231;&#227;o Social de Holmes e Rahe destaca o surgir de doen&#231;a grave na fam&#237;lia     como uma situa&#231;&#227;o de crise com importante &#237;ndice de probabilidade de     desenvolver doen&#231;a e um dos desafios mais dif&#237;ceis a que a fam&#237;lia pode estar     sujeita.<sup>5</sup></p>       <p>Neste caso     cl&#237;nico, na fase aguda de doen&#231;a, conseguiu-se mobilizar a fam&#237;lia nuclear e     alargada em busca de recursos para dar suporte aos v&#225;rios membros doentes.</p>       <p>Os irm&#227;os de     A. encarregaram-se dos cuidados prestados aos pais, em especial &#224; m&#227;e, com     diagn&#243;stico recente de neoplasia do c&#243;lon.</p>       <p>A     comunica&#231;&#227;o entre os v&#225;rios membros da fam&#237;lia permitiu agilizar meios e     otimizar estrat&#233;gias de apoio.</p>       <p>Ap&#243;s o     conhecimento da doen&#231;a, a microequipa desenvolveu esfor&#231;os no sentido de     melhorar a acessibilidade aos servi&#231;os de sa&#250;de e de capacitar os v&#225;rios     membros, em especial o marido de A., para novas tarefas e responsabilidades     adquiridas. </p>       <p>V&#225;rios     estudos demonstram que o stress dos cuidadores pode ser superior ao do membro     doente e que um dos fatores que contribui para este stress &#233; a falta de     informa&#231;&#227;o.<sup>3</sup> Assim, toda a equipa procurou estar mais dispon&#237;vel     para esclarecer as d&#250;vidas que foram surgindo.</p>       <p>Ao c&#244;njuge     de A. foi poss&#237;vel esclarecer n&#227;o s&#243; d&#250;vidas relacionadas com a doen&#231;a da     esposa, mas tamb&#233;m d&#250;vidas relacionadas com o cuidar das filhas e com as suas     novas responsabilidades.</p>       <p><b>Adapta&#231;&#227;o &#224; doen&#231;a</b></p>       <p>A fam&#237;lia &#233;     a maior fonte de apoio emocional e de suporte social e &#233; considerada     fundamental no bin&#243;mio stress-sa&#250;de. O apoio da fam&#237;lia prestado na doen&#231;a abre     enormes possibilidades ao MF de conseguir uma abordagem abrangente, quer     individual quer familiar. Uma fam&#237;lia que providencia suporte &#233; um recurso     importante no delinear de estrat&#233;gias de <i>coping</i> para lidar com o problema e na gest&#227;o e organiza&#231;&#227;o dos recursos existentes.</p>       <p>O desempenho     deste papel primordial s&#243; &#233; poss&#237;vel com base numa rela&#231;&#227;o m&#233;dico-doente     duradoura, segura e de confian&#231;a.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O MF e a     restante equipa procuraram capacitar e envolver os diferentes elementos da     fam&#237;lia para a adapta&#231;&#227;o &#224; doen&#231;a e ajuda &#224; recupera&#231;&#227;o. </p>       <p>A     modifica&#231;&#227;o imposta de padr&#245;es familiares, pap&#233;is e tarefas originou um maior     envolvimento do marido de A., que adquiriu e assumiu todas as tarefas     familiares e compet&#234;ncias parentais.</p>     <p>Apesar do     atraso de desenvolvimento da filha mais nova de A. poder ser fruto da situa&#231;&#227;o     de crise e das dificuldades vividas, foi necess&#225;rio excluir outras etiologias.</p>       <p>Com a apresenta&#231;&#227;o     deste caso pretendeu-se enfatizar a import&#226;ncia do MF no delinear de     estrat&#233;gias para manter a funcionalidade e minimizar o impacto da doen&#231;a no     doente e na fam&#237;lia. Este relato de caso &#233; tamb&#233;m paradigm&#225;tico da forma como a     fam&#237;lia pode influenciar a intera&#231;&#227;o do doente com o sistema de sa&#250;de nas     diversas fases enunciadas no ciclo de Doherty and Campbell.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS </b></p>       <!-- ref --><p>1. Rebelo L.     A fam&#237;lia em medicina geral e familiar: conceitos e pr&#225;ticas. Lisboa: Verlag     Dashofer; 2011. ISBN 9789896421939&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S2182-5173201400040000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. World     Health Organization. Statistical indices of family health. 1991;589:17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S2182-5173201400040000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Ribeiro     C. Fam&#237;lia, sa&#250;de e doen&#231;a: o que diz a investiga&#231;&#227;o. Rev Port Clin Geral.     2007;23(3):299-306.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S2182-5173201400040000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Doherty     WA, Campbell TL. Families and health. Beverly Hills, CA: Sage; 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S2182-5173201400040000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Holmes     TH, Rahe RH. The social readjustment rating scale. J Psychosom Res.     1967;11(2):213-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S2182-5173201400040000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Olson DH.     Circumplex model of marital and family system. J Fam Ther. 2000;22(2):144-67.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S2182-5173201400040000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        <p>Maria Jo&#227;o     Ara&#250;jo</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Rua do Mato     da Mina, n&#186; 34, Quinta da Beloura, 2710-692, Sintra</p>       <p>E-mail: <a href="mailto:mariajoaoaraujo@gmail.com">mariajoaoaraujo@gmail.com</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Conflitos   de interesse</b></p>       <p>As autoras     declaram n&#227;o ter conflitos de interesse.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 19-01-2014</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 22-07-2014</b></p>      ]]></body><back>
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