<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2182-5173</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev Port Med Geral Fam]]></abbrev-journal-title>
<issn>2182-5173</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2182-51732014000400012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cálcio a mais?: Riscos da suplementação com cálcio e vitamina D na pós-menopausa]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Too much calcium?: Risks of post-menopausal calcium and vitamin D supplementation]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[Helena]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Unidade Local de Saúde de Matosinhos USF Lagoa ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Matosinhos ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>08</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>08</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<volume>30</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>274</fpage>
<lpage>276</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732014000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732014000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732014000400012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>CLUBE DE LEITURA</b></p>     <p><font size="4"><b>C&#225;lcio a mais? Riscos da suplementa&#231;&#227;o com     c&#225;lcio e vitamina D na p&#243;s-menopausa</b></font></p>       <p><font size="3"><b>Too     much calcium? Risks of post-menopausal calcium and vitamin D supplementation</b></font></p>       <p><b>Helena   Martins</b></p>       <p>Interna de     Forma&#231;&#227;o Espec&#237;fica em Medicina Geral e Familiar, USF Lagoa,     Unidade Local de Sa&#250;de de Matosinhos</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p>Gallagher     JC, Smith LM, Yalamanchili V. Incidence of hypercalciuria and hypercalcemia     during vitamin D and calcium supplementation in older women. Menopause. 2014     Jun 16. [Epub ahead of print]</p>       <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>A     suplementa&#231;&#227;o com c&#225;lcio e vitamina D &#233; amplamente utilizada para preven&#231;&#227;o da     osteoporose em mulheres p&#243;s-menop&#225;usicas. Embora a dose exata de vitamina D e     c&#225;lcio associada a sintomas t&#243;xicos seja desconhecida, a dose di&#225;ria m&#225;xima     recomendada &#233; de 4000 UI e 2000 mg, respetivamente, estando, contudo, descritos     casos de toxicidade com doses inferiores. O estudo da <i>Women&#8217;s Health Initiative</i> (WHI, NEJM 2006), com 36.282 mulheres,     foi, at&#233; &#224; data, o &#250;nico grande estudo prospetivo controlado e de longa dura&#231;&#227;o     acerca da suplementa&#231;&#227;o com c&#225;lcio e vitamina D, tendo reportado, ap&#243;s sete     anos de seguimento, um aumento do risco de nefrolit&#237;ase em 17% face ao grupo     placebo.</p>       <p>O objetivo     deste estudo &#233; avaliar prospetivamente a incid&#234;ncia de hipercalc&#233;mia e     hipercalci&#250;ria com a suplementa&#231;&#227;o de diferentes doses de vitamina D, mantendo     um consumo di&#225;rio de c&#225;lcio aproximado de 1200 mg em mulheres p&#243;s-menop&#225;usicas.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>M&#233;todos</b></p>       <p>Ensaio     cl&#237;nico aleatorizado e controlado, duplamente cego, que envolveu 163 mulheres     caucasianas com idades entre os 57 e os 90 anos, agrupadas de modo a receberem     diferentes doses de vitamina D<sub>3</sub> (400 a 4800 UI/dia) ou placebo.     Todas as mulheres inclu&#237;das tinham, &#224; partida, uma defici&#234;ncia pr&#233;via de     vitamina D (&#8804; 20 ng/mL). Foram exclu&#237;das aquelas com antecedentes de     nefrolit&#237;ase, insufici&#234;ncia renal cr&#243;nica, hipercalc&#233;mia, hipercalci&#250;ria, bem     como aquelas medicadas com cortic&#243;ides, bifosfonatos ou qualquer outra     medica&#231;&#227;o com potencial para interferir com as medi&#231;&#245;es. A dieta foi analisada     e suplementada com c&#225;lcio, de modo a totalizar uma ingest&#227;o total di&#225;ria de     aproximadamente 1200 mg (inclusive no grupo placebo). Durante um ano, foram     avaliados, trimestralmente, os n&#237;veis s&#233;ricos e urin&#225;rios de c&#225;lcio bem como os     n&#237;veis s&#233;ricos de vitamina D. Qualquer resultado acima do valor m&#225;ximo de     refer&#234;ncia representou um epis&#243;dio de hipercalc&#233;mia (&gt; 10,2 mg/dL) ou de     hipercalci&#250;ria (&gt; 300 mg/dia). </p>       <p><b>Resultados</b></p>       <p>A ades&#227;o     m&#233;dia &#224; suplementa&#231;&#227;o com vitamina D<sub>3</sub> e c&#225;lcio durante os 12 meses     foi de 94% e 91%, respetivamente, tendo a taxa de abandono do estudo sido de     9,8%.</p>       <p>Ao longo de     um ano foi detetada hipercalc&#233;mia em 8,8% e hipercalci&#250;ria em 30,6% das     participantes pertencentes a ambos os grupos controlo e placebo. Ao contr&#225;rio     da hipercalc&#233;mia, que foi transit&#243;ria, os epis&#243;dios de hipercalci&#250;ria foram     recorrentes. N&#227;o foi detetada nenhuma associa&#231;&#227;o significativa entre os     epis&#243;dios de hipercalc&#233;mia e hipercalci&#250;ria com a dosagem dos suplementos de     vitamina D ou com os seus n&#237;veis s&#233;ricos. </p>       <p>O modelo de     regress&#227;o log&#237;stica multinominal demonstrou que a idade e os n&#237;veis basais de     c&#225;lcio urin&#225;rio na urina de 24 horas (pr&#233;-suplementa&#231;&#227;o) s&#227;o preditores     significativos de hipercalci&#250;ria, sendo que o aumento da idade parece ser um     fator protetor, enquanto n&#237;veis de c&#225;lcio urin&#225;rio basais mais elevados     promovem o desenvolvimento de hipercalci&#250;ria. O aumento de um ano na idade     resultou numa diminui&#231;&#227;o de 10% do risco de desenvolver hipercalci&#250;ria (RR,     0,90; IC 95%, 0,84-0,97; p = 0,0044). Uma mulher com uma calci&#250;ria basal     superior a 132 mg/dia apresentou um risco 15 vezes superior de vir a     desenvolver hipercalci&#250;ria durante o estudo (RR, 15,3; IC 95%, 5,44-43,01; p =     0,0001) relativamente &#224;queles com n&#237;veis basais inferiores. </p>       <p>Durante o     estudo n&#227;o foram observados epis&#243;dios sintom&#225;ticos de nefrolit&#237;ase.</p>       <p><b>Discuss&#227;o/Conclus&#227;o:</b></p>       <p>Este foi o     primeiro estudo prospetivo controlado para descrever detalhadamente os efeitos     da suplementa&#231;&#227;o com c&#225;lcio e vitamina D nos n&#237;veis s&#233;ricos e urin&#225;rios de     c&#225;lcio em mulheres na p&#243;s-menopausa.</p>       <p>Os epis&#243;dios     de hipercalc&#233;mia e hipercalci&#250;ria observados n&#227;o parecem estar dependentes da     dose de vitamina D ou dos seus n&#237;veis s&#233;ricos, embora n&#227;o se saiba se foram     causados somente pela suplementa&#231;&#227;o com c&#225;lcio ou tamb&#233;m pela combina&#231;&#227;o de     c&#225;lcio e vitamina D. Mesmo uma suplementa&#231;&#227;o modesta de c&#225;lcio de 600 mg/dia     (no grupo placebo) foi suficiente para causar, em algumas mulheres,     hipercalc&#233;mia e/ou hipercalci&#250;ria.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alguns     estudos pr&#233;vios j&#225; haviam reportado a ocorr&#234;ncia de hipercalci&#250;ria e/ou     hipercalc&#233;mia ap&#243;s suplementa&#231;&#227;o de c&#225;lcio e de vitamina D. No estudo da WHI, o     desenvolvimento de nefrolit&#237;ase no grupo suplementado com vitamina D (400     UI/dia) e 1000 mg de c&#225;lcio poder&#225; ser parcialmente explicado por uma ingest&#227;o     total de c&#225;lcio excessiva (2200 mg/dia) e pelo facto de terem sido inclu&#237;das     mulheres com antecedentes de nefrolit&#237;ase. Apesar de ser comummente aceite que     a vitamina D aumenta a absor&#231;&#227;o de c&#225;lcio, outros estudos, conduzidos pelos     mesmos autores deste ensaio cl&#237;nico, demonstraram que a suplementa&#231;&#227;o di&#225;ria     com 400 UI de vitamina D n&#227;o influenciou a absor&#231;&#227;o de c&#225;lcio neste grupo de     mulheres mais velhas, nem doses de at&#233; 2400 UI/dia em mulheres mais jovens.     Consequentemente, &#233; pouco prov&#225;vel que a suplementa&#231;&#227;o de 400 UI/dia de     vitamina D possa ter causado a hipercalci&#250;ria e a nefrolit&#237;ase no estudo da     WHI.</p>       <p>Alguns     estudos epidemiol&#243;gicos publicados sugerem que n&#237;veis mais elevados de c&#225;lcio     na dieta diminuem o risco de nefrolit&#237;ase, enquanto a sua suplementa&#231;&#227;o parece     ter o efeito contr&#225;rio.</p>       <p>Em suma, o     risco de hipercalc&#233;mia e hipercalci&#250;ria decorrente da suplementa&#231;&#227;o com c&#225;lcio     e vitamina D &#233; muitas vezes ignorado pelos profissionais de sa&#250;de. Estes     eventos n&#227;o parecem estar relacionados com as doses de vitamina D administradas     ou com os seus n&#237;veis s&#233;ricos, mas antes com a suplementa&#231;&#227;o isolada de c&#225;lcio     ou se associada &#224; vitamina D. Dado que um n&#237;vel basal elevado de c&#225;lcio na     urina de 24 horas pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de     hipercalci&#250;ria, &#233; aconselh&#225;vel avaliar os n&#237;veis s&#233;ricos e urin&#225;rios de c&#225;lcio     previamente e 3 meses ap&#243;s o in&#237;cio da suplementa&#231;&#227;o.</p>       <p><b>COMENT&#193;RIO</b></p>       <p>Este artigo     refere-se a um ensaio cl&#237;nico de curta dura&#231;&#227;o e que, por isso, se consigna     apenas a medir <i>endpoints</i> anal&#237;ticos.     N&#227;o obstante, esta medi&#231;&#227;o &#233; feita de um modo rigoroso, com exclus&#227;o de     potenciais fatores de confundimento. A hipercalci&#250;ria, apesar de ser um dado     meramente laboratorial, poder-se-&#225; tornar clinicamente relevante se outros     fatores de risco para nefrolit&#237;ase, dif&#237;ceis de rastrear, se conjugarem no     mesmo doente. O facto de terem sido exclu&#237;das mulheres com hipercalci&#250;ria     basal, algo que n&#227;o reflete a pr&#225;tica cl&#237;nica comum, pode ter subestimado o     efeito da suplementa&#231;&#227;o.</p>       <p>Este estudo     apresenta algumas limita&#231;&#245;es, apontadas pelos autores: suplementa&#231;&#227;o vari&#225;vel     de c&#225;lcio consoante os n&#237;veis na dieta (embora 70% das mulheres tenham recebido     600 a 800 mg/dia); aus&#234;ncia de um grupo placebo sem suplementa&#231;&#227;o de c&#225;lcio,     pelo que n&#227;o se pode afirmar que a hipercalci&#250;ria se deva exclusivamente &#224;     suplementa&#231;&#227;o; os resultados obtidos podem n&#227;o se aplicar a outros grupos     et&#225;rios ou &#233;tnicos nos quais o metabolismo do c&#225;lcio e da vitamina D pode ser     diferente. </p>       <p>Em abril de     2014 foi publicada uma revis&#227;o sistem&#225;tica da Cochrane<sup>1</sup> cujo     objetivo era determinar o efeito da suplementa&#231;&#227;o de vitamina D, com ou sem     c&#225;lcio, na preven&#231;&#227;o de fraturas em mulheres p&#243;s-menop&#225;usicas e homens com     idade m&#233;dia superior a 65 anos. Existe evid&#234;ncia de elevada qualidade que a     suplementa&#231;&#227;o de vitamina D e c&#225;lcio, comparativamente &#224; aus&#234;ncia de tratamento     ou ao placebo, resulta numa pequena redu&#231;&#227;o do risco de fratura da anca (16%),     mais expressiva nos indiv&#237;duos institucionalizados, e numa redu&#231;&#227;o     significativa na incid&#234;ncia de novas fraturas n&#227;o vertebrais (o efeito na     redu&#231;&#227;o do risco de fraturas vertebrais n&#227;o &#233; significativo). Os efeitos     laterais descritos s&#227;o a hipercalc&#233;mia ligeira, mais frequente com o an&#225;logo     calcitriol, sintomas gastrointestinais e nefrolit&#237;ase ou insufici&#234;ncia renal.</p>     <p>Em s&#237;ntese,     um dos principais m&#233;ritos deste estudo &#233; o de alertar o cl&#237;nico para uma     terap&#234;utica que, apesar de deter um benef&#237;cio cada vez mais s&#243;lido, poder&#225; ter,     a longo prazo, efeitos laterais n&#227;o menosprez&#225;veis. Tendo em vista a     identifica&#231;&#227;o dos indiv&#237;duos em maior risco de nefrolit&#237;ase, os autores do     estudo sugerem a medi&#231;&#227;o dos n&#237;veis s&#233;ricos e urin&#225;rios de c&#225;lcio previamente e     3 meses ap&#243;s o in&#237;cio da suplementa&#231;&#227;o de c&#225;lcio e vitamina D. Contudo, s&#227;o     necess&#225;rios estudos que avaliem o custo-efetividade desta recomenda&#231;&#227;o. Ainda     que um indiv&#237;duo com alto risco de fratura osteopor&#243;tica desenvolva     hipercalci&#250;ria durante a suplementa&#231;&#227;o com vitamina D e c&#225;lcio, a decis&#227;o de     suspens&#227;o da suplementa&#231;&#227;o n&#227;o ser&#225; de todo clara face &#224; evid&#234;ncia atualmente     dispon&#237;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1. Avenell     A, Mak JC, O&#8217;Connell D. Vitamin D and vitamin D analogues for preventing     fractures in post-menopausal women and older men. Cochrane Database Syst Rev.     2014 Apr 14;4:CD000227.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000033&pid=S2182-5173201400040001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Conflitos de interesse</b></p>       <p>A autora     declara n&#227;o ter conflito de interesses.</p>       <p><i>Artigo escrito ao abrigo do novo acordo     ortogr&#225;fico.</i></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Avenell]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mak]]></surname>
<given-names><![CDATA[JC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[O'Connell]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Vitamin D and vitamin D analogues for preventing fractures in post-menopausal women and older men]]></article-title>
<source><![CDATA[Cochrane Database Syst Rev]]></source>
<year>2014</year>
<month>04</month>
<day>14</day>
<volume>4</volume>
<page-range>CD000227</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
