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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b>    <br> </p>     <p><font size="4"><b>Parab&#233;ns a Voc&#234;</b></font></p>       <p><b>Pedro Serrano*</b></p>       <p>*M&#233;dico     especialista em Sa&#250;de P&#250;blica, coordenador do grupo Programas de Forma&#231;&#227;o do     Conselho Nacional do Internato M&#233;dico (1996-2013)</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Dois     em um</b></p>       <p>Na altura em     que escrevo estas linhas (um chuvoso final de Novembro) cumprem-se com     exactid&#227;o seis anos sobre a data em que as tr&#234;s Coordena&#231;&#245;es do Internato de     Medicina Geral e Familiar (MGF), com a cumplicidade activa do Col&#233;gio da     Especialidade da Ordem dos M&#233;dicos, deram por conclu&#237;do o primeiro Programa de     Forma&#231;&#227;o (PF) da especialidade a ser aprovado sob a forma de lei. O PF viria a     ser publicado tr&#234;s meses depois, j&#225; a Primavera de 2009 dava um ar da sua     gra&#231;a, com efeitos pr&#225;ticos a partir de Janeiro de 2010.<sup>1</sup></p>       <p>Mas, se o     momento era hist&#243;rico pela publica&#231;&#227;o formal de um texto estruturante que     tardava 25 anos, uma outra hist&#243;ria, igualmente importante, espreitava no seco     item inicial do PF, onde se escrevia: &#8220;1. Dura&#231;&#227;o - 48 meses&#8221;. Ou seja,     estava-se perante um documento <i>dois em 1</i> e naquelas magras quatro p&#225;ginas de texto a duas colunas condensava-se um longo     caminho que vale a pena contar, n&#227;o s&#243; para que, pelo exemplo, a especialidade     progrida e tenha onde se apoiar, mas tamb&#233;m como alerta para os escorregadios     baixios que a rondam neste final de 2014.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conflito     de interesses</b></p>       <p>Pervertendo     um pouco as regras, declaro, neste par&#225;grafo a meio do texto, que n&#227;o tenho     conflito algum de interesse no que digo: perten&#231;o &#224; vizinha especialidade de     Sa&#250;de P&#250;blica (SP), pelo que o meu olhar sobre a vossa tem o arrefecimento de     quem n&#227;o &#233; juiz em causa pr&#243;pria, embora esteja temperado pelo interesse e     carinho que sempre me mereceu uma &#225;rea m&#233;dica que, em termos de forma&#231;&#227;o e     exerc&#237;cio diferenciado, come&#231;ou a dar os primeiros passos ao mesmo tempo do que     a minha.<sup>2</sup> Simultaneamente, fui, ao longo de muitos anos, respons&#225;vel     pela coordena&#231;&#227;o do grupo de trabalho que, no seio do Conselho Nacional do     Internato M&#233;dico (CNIM), se encarregava dos PF de todas as especialidades,     desde a produ&#231;&#227;o das <i>guidelines</i> uniformizadoras at&#233; &#224; discuss&#227;o das sucessivas vers&#245;es finais com os     respectivos 46 col&#233;gios da Ordem dos M&#233;dicos. Sinto-me, ent&#227;o, confort&#225;vel para     conversar sobre esta hist&#243;ria.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v30n6/30n6a01f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p><b>No     princ&#237;pio</b></p>       <p>No come&#231;o     era Dezembro, um bom m&#234;s para nascimentos luminosos, e o verbo era o do Dr.     Paulo Mendo, que fez publicar uma Portaria<sup>3</sup> que formalizava os internatos     m&#233;dicos hospitalares e criava mais dois, novinhos em folha: o de SP e o de     Cl&#237;nica Geral (CG). Como para todas as outras, nestas duas especialidades a     men&#231;&#227;o aos PF condensava-se telegraficamente: tempo total da forma&#231;&#227;o (3 anos     para ambas), mais um esbo&#231;o, r&#225;pido e gen&#233;rico, das &#225;reas de treino a     contemplar. Mas como a finalidade deste diploma era a de regulamentar os     internatos e criava as figuras de Coordenador de Internato de SP e de CG, eles     depois que tratassem disso, j&#225; que o calend&#225;rio marcava o dia 28 de Dezembro de     1982 e era tempo de ir comprar uvas passas e p&#244;r o champanhe a esfriar.</p>       <p><b>Um     bem precioso</b></p>       <p>E assim,     durante dez anos, todas as especialidades deste pa&#237;s se foram improvisando sem     um PF nacional at&#233; que, em Maio de 1991, uma portaria do Minist&#233;rio da Sa&#250;de<sup>4</sup> definia, finalmente, o que era um PF e o que dele deveria constar: tempo de     forma&#231;&#227;o; estrutura dos est&#225;gios e sua dura&#231;&#227;o; objectivos de desempenho e     conhecimentos a atingir; momentos e tipo de avalia&#231;&#227;o a ser levada a cabo. A     norma regulamentar fixava ainda o ing&#233;nuo prazo de tr&#234;s meses para que todos os     programas de todas as especialidades fossem aprovados e publicados! Bem, esta     primeira publica&#231;&#227;o de programas levou quase seis anos a ficar conclu&#237;da e foi     um participad&#237;ssimo e discutid&#237;ssimo processo entre o CNIM, pelo Minist&#233;rio da     Sa&#250;de, e os respectivos Col&#233;gios de especialidade, pela Ordem dos M&#233;dicos.</p>       <p>Mas, ser&#225;     que durante estes dez anos anteriores &#224; aprova&#231;&#227;o dos programas, as     especialidades, mormente as nossas, se regeram sem regras? &#201; claro que n&#227;o:     foram sendo feitos documentos v&#225;rios, a SP tinha um programa aprovado pelo     CNIM, a CG contava com programas n&#227;o totalmente sobrepon&#237;veis nas ent&#227;o tr&#234;s     zonas de Internato: norte, centro, sul. Mas &#233; muito diferente uma situa&#231;&#227;o     destas, com algo de improviso, ou poder contar com um documento nacional, que &#233;     lei, e estabelece regras claras para formadores, formandos e todos os outros     interessados no assunto. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De certo     modo, de modo indirecto, um PF - ao explicitar o que um especialista deve     saber e ser capaz de executar para poder ser considerado como tal -     funciona como um enunciar das compet&#234;ncias e do &#226;mbito de responsabilidade de     uma especialidade e isso &#233;, por si s&#243;, um bem precioso na defesa da qualidade     do exerc&#237;cio de uma qualquer &#225;rea profissional.</p>       <p><b>Amanh&#227;     nunca se sabe</b></p>       <p>Apesar de o     diagn&#243;stico dos constrangimentos estar feito h&#225; anos, de terem sido apontadas     solu&#231;&#245;es, o Minist&#233;rio da Sa&#250;de encontra-se cronicamente a bra&#231;os com a     situa&#231;&#227;o de ter mais candidatos ao Internato m&#233;dico do que aqueles que os     servi&#231;os conseguem formar, do que - &#224; falta de melhor evid&#234;ncia - o     Servi&#231;o Nacional de Sa&#250;de necessita. Perante o excesso de produ&#231;&#227;o de     licenciados, a solu&#231;&#227;o, apressadamente tomada sempre a quinze dias de cada novo     concurso de ingresso nas especialidades, resume-se, grosso modo, a atafulhar     algumas &#225;reas como remedeio para preencher o buraco dos candidatos <i>quase</i> sem coloca&#231;&#227;o, sendo a MGF uma das     v&#237;timas mais perseguidas pela &#250;ltima hora.</p>       <p>Sob a     press&#227;o do aumento indefinido das capacidades formativas, os m&#233;dicos Internos     atropelam-se e os servi&#231;os formam com dificuldade quem l&#225; chega, tornando-se     cada dia mais dif&#237;cil cumprir o estabelecido no PF. E, no esticar das     capacidades, a tenta&#231;&#227;o de quem decide pode passar por submeter os objectivos     da forma&#231;&#227;o a necessidades exteriores a esta, o que, como se calcula, ser&#225; um     p&#233;ssimo caminho. </p>       <p>Por     imperativo legal,<sup>5</sup> os PF de cada especialidade devem ser revistos ao     fim de cinco anos de vig&#234;ncia, cabendo essa responsabilidade, actual e futura,<sup>6*</sup> aos respectivos Col&#233;gios da Ordem dos M&#233;dicos. Aproximando-se os dias da     revis&#227;o, espera-se que essa &#225;rdua, dupla e gloriosa conquista da especialidade     de MGF se afirme tecnicamente ante os interesses que, por sendas curtamente     utilit&#225;rias, estremecem subordinar a forma&#231;&#227;o a interesses alheios a esta,     descaracterizando e pondo, para j&#225;, em risco os conte&#250;dos da aprendizagem e,     como consequ&#234;ncia futura, as compet&#234;ncias e a autonomia da pr&#243;pria     especialidade.</p>       <p>* Minist&#233;rio     da Sa&#250;de. Projecto de decreto-lei sobre o regime jur&#237;dico do internato m&#233;dico.     Novembro 2014 (documento de trabalho n&#227;o publicado).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>        <p>1. Portaria     n&#186; 300/2009, de 24 de Mar&#231;o. Di&#225;rio da Rep&#250;blica. 1&#170; s&#233;rie(58).</p>       <!-- ref --><p>2. Serrano     P. Da import&#226;ncia dos aeroportos: conversas privadas sobre sa&#250;de p&#250;blica (On     the importance of airports: private talks about public health). Rev Port Clin     Geral. 2007;23(4):417-30. Portuguese&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000032&pid=S2182-5173201400060000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>3. Portaria     n&#186; 1223-B/82, de 28 de Dezembro. Di&#225;rio da Rep&#250;blica. 1&#170; s&#233;rie(298 3&#186; Supl).</p>       <p>4. Portaria     n&#186; 416-B/91, de 17 de Maio. Di&#225;rio da Rep&#250;blica. 1&#170; s&#233;rie B(113 Supl).</p>       <p>5. Portaria     n&#186; 251/2011, de 24 de Junho. Di&#225;rio da Rep&#250;blica. 1&#170; s&#233;rie(120).</p>       <p>6.     Decreto-Lei n&#186; 45/2009, de 13 de Fevereiro. Di&#225;rio da Rep&#250;blica. 1&#170; s&#233;rie(31).</p>       <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      <p><a href="mailto:pedroserrano22@sapo.pt">pedroserrano22@sapo.pt</a></p>       ]]></body><back>
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