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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Criança com hipertrofia gemelar e elevação das transaminases: relato de caso]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732014000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732014000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732014000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: As transaminases não são enzimas específicas do hepatócito e são várias as condições que se associam ao seu aumento. A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é uma doença de transmissão autossómica recessiva ligada ao cromossoma X que se caracteriza por fraqueza muscular progressiva. Descrição do caso: Apresentamos o caso de um menino de 6 anos referenciado à consulta de pediatria para investigação de elevação persistente do valor das transaminases. Sem história familiar de doença hepática ou neuromuscular. Dos antecedentes pessoais a salientar, marcha autónoma aos 15 meses, tendência para marcha em pontas, dificuldade em subir escadas e correr e cansaço fácil em relação aos pares. À observação destacava-se hipertrofia gemelar e abdominal, ligeira hiperlordose lombar, diminuição da força muscular proximal dos membros inferiores e manobra de Gowers positiva. Perante a história clínica, exame objetivo e exames complementares já realizados, foi colocada a hipótese de distrofia muscular e doseada também a enzima creatina quinase (CK) cujo valor estava muito aumentado. A biópsia muscular evidenciou a ausência de distrofina e a sequenciação do gene desta proteina identificou a mutação c.3103C>T (p.Gln1035X) confirmando o diagnóstico de DMD. Comentário: Nem sempre o aumento das transaminases é sinónimo de doença hepática. Perante a elevação mantida destas enzimas, a exclusão de hepatopatia é obrigatória. No entanto, este achado laboratorial também pode surgir na doença muscular. Destacamos o doseamento da CK como avaliação mandatória, evitando a investigação exaustiva centrada na patologia hepática. Os autores pretendem alertar para o diagnóstico diferencial de doença neuromuscular através de um caso em que a anamnese, a clínica e o perfil analítico são sugestivos.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Transaminases are non-specific markers of hepatocyte function. There are several conditions associated with elevated transa-minases such as Duchenne muscular dystrophy (DMD), an X-linked recessive disorder characterized by progressive muscle weakness. Case Report: We report the case of a 6 year-old boy referred to the pediatric department for evaluation of raised transaminases. He had no family history of liver or neuromuscular disease. From his past history we noted independent gait at 15 months, toe-walking, difficulty climbing stairs and running, and fatigue in comparison to his peers. On clinical examination there was calf and abdominal hypertrophy, slight lumbar lordosis, proximal lower limb weakness and a positive Gowers’ sign. Given the clinical history, physical examination and la-boratory findings, the diagnosis of muscular dystrophy was suspected. Serum creatine kinase was found to be elevated. A muscle biopsy was performed and revealed absence of dystrophin. DMD gene sequencing identified the mutation c.3103C > T (p.Gln1035X) which confirmed the diagnosis of DMD. Comment: The finding of raised transaminases is not always diagnostic of liver disease. With prolonged elevation of those enzymes, liver disease must be excluded but this laboratory finding may also appear in muscle disease. CK levels should also be measured to avoid exhaustive testing for liver disease. The authors advise clinicians to consider neuromuscular diseases in the differential diagnosis of cases presenting a with suggestive clinical and laboratory findings.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Transaminases]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS BREVES</b></p>       <p><font size="4"><b>Crian&#231;a com hipertrofia gemelar e eleva&#231;&#227;o     das transaminases: relato de caso</b></font></p>       <p><font size="3"><b>Calf     hypertrophy and raised transaminases in a child: a case report of muscular   dystrophy</b></font></p>       <p><b>Joana Extreia,<sup>1</sup> Paula Afonso,<sup>1</sup> Margarida Rafael,<sup>1</sup> Susana Rocha<sup>2</sup></b></p>       <p><sup>1</sup> M&#233;dica interna de Pediatria.</p>       <p><sup>2</sup> Assistente Hospitalar de Pediatria</p>       <p><sup>1, 2</sup> Servi&#231;o de Pediatria, Centro Hospitalar Barreiro-Montijo</p>       <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>RESUMO</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> As transaminases n&#227;o s&#227;o     enzimas espec&#237;ficas do hepat&#243;cito e s&#227;o v&#225;rias as condi&#231;&#245;es que se associam ao     seu aumento. A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) &#233; uma doen&#231;a de transmiss&#227;o     autoss&#243;mica recessiva ligada ao cromossoma X que se caracteriza por fraqueza     muscular progressiva.</p>       <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Apresentamos o caso     de um menino de 6 anos referenciado &#224; consulta de pediatria para investiga&#231;&#227;o     de eleva&#231;&#227;o persistente do valor das transaminases. Sem hist&#243;ria familiar de     doen&#231;a hep&#225;tica ou neuromuscular. Dos antecedentes pessoais a salientar, marcha     aut&#243;noma aos 15 meses, tend&#234;ncia para marcha em pontas, dificuldade em subir     escadas e correr e cansa&#231;o f&#225;cil em rela&#231;&#227;o aos pares.</p>       <p>&#192; observa&#231;&#227;o     destacava-se hipertrofia gemelar e abdominal, ligeira hiperlordose lombar,     diminui&#231;&#227;o da for&#231;a muscular proximal dos membros inferiores e manobra de     Gowers positiva. Perante a hist&#243;ria cl&#237;nica, exame objetivo e exames     complementares j&#225; realizados, foi colocada a hip&#243;tese de distrofia muscular e     doseada tamb&#233;m a enzima creatina quinase (CK) cujo valor estava muito     aumentado. A bi&#243;psia muscular evidenciou a aus&#234;ncia de distrofina e a     sequencia&#231;&#227;o do gene desta proteina identificou a muta&#231;&#227;o c.3103C&gt;T     (p.Gln1035X) confirmando o diagn&#243;stico de DMD.</p>       <p><b>Coment&#225;rio:</b> Nem sempre o aumento das     transaminases &#233; sin&#243;nimo de doen&#231;a hep&#225;tica. Perante a eleva&#231;&#227;o mantida destas     enzimas, a exclus&#227;o de hepatopatia &#233; obrigat&#243;ria. No entanto, este achado     laboratorial tamb&#233;m pode surgir na doen&#231;a muscular. Destacamos o doseamento da     CK como avalia&#231;&#227;o mandat&#243;ria, evitando a investiga&#231;&#227;o exaustiva centrada na     patologia hep&#225;tica.</p>       <p>Os autores     pretendem alertar para o diagn&#243;stico diferencial de doen&#231;a neuromuscular     atrav&#233;s de um caso em que a anamnese, a cl&#237;nica e o perfil anal&#237;tico s&#227;o     sugestivos.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Transaminases; Creatina     Quinase; Distrofia Muscular; Hipertrofia Gemelar.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Introduction:</b> Transaminases are     non-specific markers of hepatocyte function. There are several conditions     associated with elevated transa-minases such as Duchenne muscular dystrophy     (DMD), an X-linked recessive disorder characterized by progressive muscle     weakness.</p>       <p><b>Case Report:</b> We report the case of a 6     year-old boy referred to the pediatric department for evaluation of raised     transaminases. He had no family history of liver or neuromuscular disease. From     his past history we noted independent gait at 15 months, toe-walking,     difficulty climbing stairs and running, and fatigue in comparison to his peers.     On clinical examination there was calf and abdominal hypertrophy, slight lumbar     lordosis, proximal lower limb weakness and a positive Gowers&#8217; sign. Given the     clinical history, physical examination and la-boratory findings, the diagnosis     of muscular dystrophy was suspected. Serum creatine kinase was found to be     elevated. A muscle biopsy was performed and revealed absence of dystrophin. DMD     gene sequencing identified the mutation c.3103C &gt; T (p.Gln1035X) which     confirmed the diagnosis of DMD.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Comment:</b> The finding of raised     transaminases is not always diagnostic of liver disease. With prolonged     elevation of those enzymes, liver disease must be excluded but this laboratory     finding may also appear in muscle disease. CK levels should also be measured to     avoid exhaustive testing for liver disease. The authors advise clinicians to     consider neuromuscular diseases in the differential diagnosis of cases     presenting a with suggestive clinical and laboratory findings.</p>       <p><b>Keywords:</b> Transaminases; Creatine     Kinase; Muscular Dystrophy; Calf Hypertrophy.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>A alanina     aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST) s&#227;o enzimas     intracelulares com papel fundamental no metabolismo dos amino&#225;cidos. Embora     seja no hepat&#243;cito que atingem maior concentra&#231;&#227;o, estas enzimas encontram-se     tamb&#233;m noutros &#243;rg&#227;os como o m&#250;sculo card&#237;aco e esquel&#233;tico. A ALT localiza-se     exclusivamente no citoplasma e a AST encontra-se no citoplasma e na mitoc&#244;ndria.<sup>1-2</sup></p>       <p>Nas     situa&#231;&#245;es que cursam com les&#227;o dos mi&#243;citos h&#225; liberta&#231;&#227;o das respetivas     enzimas intracelulares com eleva&#231;&#227;o s&#233;rica das mesmas, incluindo as     transaminases. A enzima creatina quinase (CK) vai estar concomitantemente     elevada nestas situa&#231;&#245;es, tornando a patologia hep&#225;tica menos prov&#225;vel. As     doen&#231;as neuromusculares cursam ent&#227;o com aumento da CK e das transaminases,     entre outras enzimas da c&#233;lula muscular como a aldolase, sendo que as     altera&#231;&#245;es laboratoriais podem ser o primeiro ind&#237;cio para o diagn&#243;stico em     indiv&#237;duos assintom&#225;ticos.<sup>1-3</sup></p>       <p>As     distrofias musculares constituem um grupo de doen&#231;as musculares prim&#225;rias,     heredit&#225;rias, caracterizadas por fraqueza muscular progressiva, com grande     variabilidade, quer fenot&#237;pica quer da sua gravidade. A transmiss&#227;o &#233;     autoss&#243;mica recessiva ligada ao X e distinguem-se v&#225;rios tipos de acordo com a     cl&#237;nica. A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) &#233; a forma mais grave e mais     comum, com uma incid&#234;ncia de um em cada 3.500 rec&#233;m-nascidos do sexo masculino.<sup>4-5</sup></p>       <p>A DMD &#233; provocada     por muta&#231;&#245;es no gene da distrofina, uma prote&#237;na fundamental na manuten&#231;&#227;o da     integridade da membrana da c&#233;lula muscular. As muta&#231;&#245;es mais frequentes s&#227;o as     dele&#231;&#245;es e cerca de um ter&#231;o ocorrem de novo.<sup>6</sup> As manifesta&#231;&#245;es     cl&#237;nicas incluem fraqueza muscular progressiva de atingimento inicialmente     proximal e dos membros inferiores; dificuldade em correr, saltar e subir     escadas s&#227;o as queixas mais precoces com in&#237;cio entre os tr&#234;s e cinco anos de     idade na maioria dos casos, associadas a pseudohipertrofia gemelar (secund&#225;ria     &#224; infiltra&#231;&#227;o do m&#250;sculo por gordura e tecido conjuntivo). A lordose lombar e     marcha miop&#225;tica (tipo &#8220;pato&#8221;) s&#227;o tamb&#233;m caracter&#237;sticas do quadro cl&#237;nico.     Alguns doentes caminham em pontas por contraturas ou retra&#231;&#245;es aquilianas. A manobra     de <i>Gowers</i> &#233; caracter&#237;stica das     patologias que cursam com fraqueza muscular proximal e &#233; traduzida pelo apoio     das m&#227;os para eleva&#231;&#227;o da posi&#231;&#227;o sentada para a posi&#231;&#227;o ortost&#225;tica. Com a     progress&#227;o da doen&#231;a h&#225; envolvimento dos grupos musculares distais e tamb&#233;m dos     membros superiores. A fraqueza muscular progressiva associada ao agravamento da     cifo-escoliose levam &#224; degrada&#231;&#227;o gradual da fun&#231;&#227;o respirat&#243;ria. O m&#250;sculo     card&#237;aco vai estar envolvido em estadios mais tardios da doen&#231;a e condiciona     importante comorbilidade, como cardiomiopatia dilatada e altera&#231;&#245;es da condu&#231;&#227;o     card&#237;aca.<sup>4,6</sup> Apesar de n&#227;o existir ainda cura, s&#227;o v&#225;rias as     interven&#231;&#245;es terap&#234;uticas que podem modificar a hist&#243;ria natural da doen&#231;a,     nomeadamente a corticoterapia combinada com a fisioterapia, pelo que hoje em     dia a maioria dos doentes atinge a idade adulta.<sup>7-9</sup></p>       <p>Os autores     pretendem alertar para o diagn&#243;stico diferencial de doen&#231;a neuromuscular,     destacando a import&#226;ncia da cl&#237;nica como principal pista para o diagn&#243;stico.</p>       <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Menino de     seis anos e 10 meses que foi referenciado &#224; consulta de pediatria geral pelo     seu m&#233;dico assistente por aumento persistente das transaminases. </p>       <p>Trata-se do     primeiro filho de casal jovem, n&#227;o consangu&#237;neo, sem hist&#243;ria familiar     relevante, nomeadamente sem antecedentes de doen&#231;a hep&#225;tica ou neuromuscular.     Gesta&#231;&#227;o de termo, vigiada, parto eut&#243;cico, &#205;ndice de Apgar 4/6/10 ao 1&#186;, 5&#186; e     10&#186; minuto, respetivamente. Somatometria ao nascer adequada e per&#237;odo neonatal     sem intercorr&#234;ncias. Boa evolu&#231;&#227;o estaturo-ponderal e do per&#237;metro cef&#225;lico.     Desenvolvimento psicomotor normal, com in&#237;cio da marcha aut&#243;noma aos 15 meses,     embora com tend&#234;ncia a marcha em pontas e dificuldade em correr e subir escadas     em compara&#231;&#227;o com os pares, com quedas frequentes. Refer&#234;ncia, ainda pelos     pais, a aumento de volume da regi&#227;o gemelar, notado desde cedo mas nunca     valorizado pelos profissionais de sa&#250;de.</p>       <p>Na consulta     de vigil&#226;ncia infantil aos cinco anos, por suspeita cl&#237;nica de hepatomeg&#225;lia,     na aus&#234;ncia de outros sinais sugestivos de hepatopatia, foi pedida a primeira     avalia&#231;&#227;o laboratorial e imagiol&#243;gica onde se destacava apenas o aumento das     transaminases, com doseamentos de bilirrubina, fosfatase alcalina,     gama-glutamiltransferase, albumina e tempo de protrombina normais. A ecografia     hep&#225;tica n&#227;o tinha altera&#231;&#245;es, n&#227;o se confirmando a suspeita cl&#237;nica.</p>       <p>Perante esta     altera&#231;&#227;o foram repetidas as an&#225;lises e pedidas serologias v&#237;ricas, que     evidenciaram eleva&#231;&#227;o persistente da ALT e AST sem altera&#231;&#245;es noutras provas de     fun&#231;&#227;o hep&#225;tica e com serologias v&#237;ricas para os v&#237;rus da hepatite A, B, C, <i>Epstein-Barr</i> e citomegalov&#237;rus     negativas. Pelo aumento mantido das transaminases, sem cl&#237;nica sugestiva de     hepatopatia, o doente foi encaminhado &#224; consulta de pediatria hospitalar.</p>       <p>&#192; observa&#231;&#227;o     destacava-se hipertrofia, sim&#233;trica e bilateralmente, dos m&#250;sculos gemelares     (<a href="#f1">figura 1</a>) e abdominais, ligeira hiperlordose lombar, com diminui&#231;&#227;o da for&#231;a     muscular proximal dos membros inferiores e manobra de <i>Gowers</i> positiva. Retra&#231;&#227;o aquiliana bilateral, impossibilitando a     marcha em calcanhares. Anict&#233;rico, sem hepato ou esplenomeg&#225;lia, sem sinais de     discrasia hemorr&#225;gica, sem distens&#227;o abdominal.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v30n6/30n6a08f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Com base na     hist&#243;ria cl&#237;nica e altera&#231;&#245;es no exame objetivo foi colocada a hip&#243;tese de     distrofia muscular e foram pedidos exames complementares de diagn&#243;stico em     concord&#226;ncia: o doseamento da CK mostrou eleva&#231;&#227;o cem vezes superior ao valor     normal, concomitante com aumento das transaminases, AST e ALT, ambas aumentadas     dez vezes acima do valor de refer&#234;ncia; a bi&#243;psia muscular evidenciou a     aus&#234;ncia de distrofina. O estudo gen&#233;tico inicial foi no entanto normal, sendo     apenas atrav&#233;s da sequencia&#231;&#227;o do gene da distrofina que se identificou a     muta&#231;&#227;o c.3103C&gt;T (p.Gln1035X) em hemizigotia, confirmando o diagn&#243;stico de     DMD.</p>       <p>O doente foi     encaminhado para um centro de refer&#234;ncia de doen&#231;as neuromusculares onde mant&#233;m     seguimento e os progenitores referenciados para aconselhamento gen&#233;tico.     Atualmente, o doente est&#225; sob terap&#234;utica com cortic&#243;ide oral, realiza sess&#245;es     de fisioterapia regulares, bissemanais, preservando ainda a capacidade de     deambula&#231;&#227;o mas com agravamento progressivo da lordose lombar, n&#227;o havendo     ainda evid&#234;ncia de envolvimento card&#237;aco, comprometimento ventilat&#243;rio ou     articular.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Coment&#225;rio</b></p>       <p>A altera&#231;&#227;o     das transaminases pode surgir em v&#225;rias situa&#231;&#245;es para al&#233;m da hepatopatia. A     necessidade de investiga&#231;&#227;o mais profunda e a urg&#234;ncia dessa mesma investiga&#231;&#227;o     constituem um desafio da pr&#225;tica cl&#237;nica em qualquer idade.<sup>2</sup></p>       <p>Para al&#233;m do     f&#237;gado, a ALT encontra-se nos m&#250;sculos card&#237;aco e esquel&#233;tico e a AST em &#243;rg&#227;os     como pulm&#227;o, rim e c&#233;rebro, embora em menor concentra&#231;&#227;o.<sup>2,14</sup> J&#225; a     CK tamb&#233;m est&#225; presente no hepat&#243;cito, mas &#233; no mi&#243;cito que atinge maior     concentra&#231;&#227;o. &#201; fundamental ter estas premissas em conta perante um doente com     aumento mantido dos valores destas enzimas.<sup>14</sup></p>       <p>A eleva&#231;&#227;o     isolada destas enzimas &#233; muitas vezes um achado acidental em doentes     assintom&#225;ticos e pode ser a primeira manifesta&#231;&#227;o de uma hepatopatia grave ou     de uma patologia extra-hep&#225;tica. &#201; fundamental que todos os cl&#237;nicos tenham um     elevado &#237;ndice de suspei&#231;&#227;o, n&#227;o s&#243; para miopatias, mas tamb&#233;m para situa&#231;&#245;es     menos comuns que cursam com aumento das transaminases como cardiopatia,     nefropatia, doen&#231;a hemol&#237;tica e at&#233; doen&#231;a cel&#237;aca;<sup>2</sup> a hist&#243;ria     cl&#237;nica deve ser orientada para a pesquisa de sintomas e sinais que os coloquem     na dire&#231;&#227;o diagn&#243;stica correta, sendo fundamental valorizar devidamente a     preocupa&#231;&#227;o dos pais ou acompanhantes, n&#227;o dando in&#237;cio intempestivo a uma     investiga&#231;&#227;o direcionada apenas &#224; doen&#231;a hep&#225;tica.</p>       <p>N&#227;o     considerar a hip&#243;tese de les&#227;o muscular perante o aumento persistente das     transaminases origina muitas vezes o atraso no diagn&#243;stico de miopatias e     perpetua a investiga&#231;&#227;o direcionada para a patologia hep&#225;tica, com realiza&#231;&#227;o     de exames invasivos e dispendiosos.<sup>14</sup></p>       <p>V&#225;rios     autores descrevem s&#233;ries de casos de atraso no diagn&#243;stico de doen&#231;a     neuromuscular perante um aumento isolado e persistente das transaminases.     Muitos doentes s&#227;o inadequadamente referenciados a Unidades de Gastrenterologia     e muitos deles submetidos a exames invasivos (nomeadamente bi&#243;psia hep&#225;tica em     alguns casos) com o objetivo de identificar patologia hep&#225;tica inexistente. H&#225;     relatos de caso em que o atraso no diagn&#243;stico foi superior a um ano.<sup>10-16</sup> Na aus&#234;ncia de uma causa hep&#225;tica identificada, testes simples como o     doseamento da CK e aldolase devem ser realizados numa fase inicial para     redirecionar a marcha diagn&#243;stica.</p>       <p>Ao     apresentar este caso cl&#237;nico os autores pretendem destacar a import&#226;ncia de     colocar causas extra-hep&#225;ticas, nomeadamente doen&#231;a neuromuscular, como     hip&#243;tese diagn&#243;stica perante um aumento mantido das transaminases e tamb&#233;m     real&#231;ar a cl&#237;nica que, neste caso, foi determinante para o diagn&#243;stico. A     idade, o sexo, os detalhes da anamnese, como dificuldade em subir escadas,     marcha em pontas, quedas frequentes e o exame objetivo com manobra de Gowers     positiva e hipertrofia gemelar fizeram colocar a hip&#243;tese diagn&#243;stica de     distrofinopatia e a partir da&#237; orientar a investiga&#231;&#227;o complementar para essa     entidade nosol&#243;gica, n&#227;o persistindo na busca exaustiva de patologia hep&#225;tica.     O fator de confus&#227;o, neste caso, e o que ter&#225; atrasado a suspeita diagn&#243;stica     foi a palpa&#231;&#227;o abdominal sugestiva de hepatomeg&#225;lia quando na verdade se     tratava de uma pseudo-hipertrofia dos m&#250;sculos abdominais.</p>       <p>A eleva&#231;&#227;o     das transaminases como achado acidental, at&#233; mesmo na aus&#234;ncia de cl&#237;nica, pode     ser uma oportunidade &#250;nica e precoce de diagnosticar uma doen&#231;a potencialmente     grave ainda numa fase assintom&#225;tica, permitindo assim a otimiza&#231;&#227;o terap&#234;utica     e a implementa&#231;&#227;o de estrat&#233;gias de reabilita&#231;&#227;o motora que melhorem a     qualidade de vida dos doentes. N&#227;o menos importante &#233; o aconselhamento gen&#233;tico     atempado aos progenitores.</p>       <p>O     progn&#243;stico desta distrofinopatia &#233; reservado, com perda da capacidade de     deambula&#231;&#227;o no in&#237;cio da segunda d&#233;cada de vida, variando com a altura de     in&#237;cio da corticoterapia. Esta demonstrou ser eficaz no prolongamento da     capacidade para a marcha e atrasa a progress&#227;o da disfun&#231;&#227;o respirat&#243;ria,     cardiomiopatia e escoliose. A esperan&#231;a m&#233;dia de vida situa-se, no entanto, na     terceira d&#233;cada de vida. Atualmente est&#227;o a decorrer ensaios cl&#237;nicos com     terapia gen&#233;tica no sentido de se poder modificar a progress&#227;o natural da doen&#231;a.</p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Kohli R,     Harris DC, Whitington PF. Relative elevations of serum alanine and aspartate     aminotransferase in muscular dystrophy. J Pediatr Gastroenterol Nutr.     2005;41(1):121-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000054&pid=S2182-5173201400060000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. Lesmes     Molt&#243; L, Alba&#241;il Ballesteros MR. Aumento aislado de transaminasas: aproximaci&#243;n     diagn&#243;stica. Form Act Pediatr Aten Prim. 2013;6(1):35-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000056&pid=S2182-5173201400060000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Spanish</p>       <!-- ref --><p>3. Vajro P,     Maddaluno S, Veropalumbo C. Persistent hypertransaminasemia in asymptomatic     children: a stepwise approach. World J Gastroenterol. 2013;19(18):2740-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000058&pid=S2182-5173201400060000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Yiu EM,     Kornberg AJ. Duchenne muscular dystrophy. Neurol India. 2008;56(3):236-47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000060&pid=S2182-5173201400060000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Monckton     G, Hoskin V, Warren S. Prevalence and incidence of muscular dystrophy in     Alberta, Canada. Clin Genet. 1982;21(1):19-24.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S2182-5173201400060000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. Reed UC.     Doen&#231;as neuromusculares (Neuromuscular disorders). J Pediatr. 2002;78 Suppl     1:S89-S103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S2182-5173201400060000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Portuguese</p>       <p>7.     L&#243;pez-Hern&#225;ndez LB, V&#225;zquez-C&#225;rdenas NA, Luna-Padr&#243;n E. Distrofia muscular de     Duchenne: actualidad y perspectivas de tratamento (Duchenne muscular dystrophy:     current aspects and perspectives on treatment). Rev Neurol. 2009;49(7):369-75.     Spanish</p>       <!-- ref --><p>8. Bushby K,     Finkel R, Birnkrant DJ, Case LE, Clemens PR, Cripe L, et al. Diagnosis and     management of Duchenne muscular dystrophy, part 1: diagnosis, and     pharmacological and psychosocial management. Lancet Neurol. 2010;9(1):77-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S2182-5173201400060000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>9. Bushby K,     Finkel R, Birnkrant DJ, Case LE, Clemens PR, Cripe L, et al. Diagnosis and     management of Duchenne muscular dystrophy, part 2: implementation of     multidisciplinary care. Lancet Neurol. 2010;9(2):177-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S2182-5173201400060000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>10. Rutledge     J, Andersen J, Fink CW, Cook J, Strickland A. Persistent hypertransaminasemia     as the presenting &#64257;nding of childhood muscle disease. Clin Pediatr.     1985;24(9):500-3.</p>       <!-- ref --><p>11. Zamora     S, Adams C, Butzner JD, Machida H, Scott RB. Elevated aminotransferase activity     as an indication of muscular dystrophy: case reports and review of the     literature. Can J Gastroenterol. 1996;10(6):389-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S2182-5173201400060000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>12. Korones     DN, Brown MR, Palis J. &quot;Liver function tests&quot; are not always tests of     liver function. Am J Hematol. 2001;66(1):46-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S2182-5173201400060000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>13. Urganci     N, Arapoglu M, Serdaroglu P, Nuhoglu A. Incidental raised transaminases: a clue     to muscle disease. Ann Trop Paediatr. 2006;26(4):345-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S2182-5173201400060000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>14. McMillan     HJ, Gregas M, Darras BT, Kang PB. Serum transaminase levels in boys with     Duchenne and Becker muscular dystrophy. Pediatrics. 2011;127(1):e132-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S2182-5173201400060000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>15. Wright     MA, Yang ML, Parsons JA, Westfall JM, Yee AS. Consider muscle disease in     children with elevated transaminase. J Am Board Fam Med. 2012;25(4):536-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S2182-5173201400060000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>16.     Veropalumbo C, Del Giudice E, Esposito G, Maddaluno S, Ruggiero L, Vajro P.     Aminotransferases and muscular diseases: a disregarded lesson. Case reports and     review of the literature. J Paediatr Child Health. 2012;48(10):886-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S2182-5173201400060000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        <p>Joana     Extreia</p>       <p>Rua das     Vieiras, n&#250;mero 16, 3&#186; andar - direito</p>       <p>2830- 572     - Palhais, Barreiro</p>       <p>E-mail: <a href="mailto:joana.extreia@gmail.com">joana.extreia@gmail.com</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Conflitos   de interesse</b></p>       <p>As autoras     declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 30-12-2013</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 17-10-2014</b></p>      ]]></body><back>
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