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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A hipertensão arterial e o exercício físico: elementos para uma prescrição médica]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Hypertension and exercise: the basis for prescription]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Coimbra Faculdade de Medicina ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732015000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732015000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732015000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O aumento dos níveis de atividade física está associado a benefícios globais na saúde do indivíduo e meta-análises recentes mostram que o exercício físico pode ter uma eficácia na redução da pressão arterial comparável à terapêutica anti-hipertensora de primeira linha. Tradicionalmente considerava-se que o efeito anti-hipertensor do exercício físico era exclusivo do exercício de endurance e que o exercício de resistência, nomeadamente na sua vertente isométrica, seria prejudicial. Trabalhos publicados nos últimos anos parecem contrariar esta suposição. A evidência disponível é escassa mas aponta para que possa vir a desempenhar um papel na prevenção primária da hipertensão. Está também demonstrada a sua capacidade de influenciar positivamente outros fatores de risco cardiovascular como são a hipertrigliceridémia e o excesso de peso. O exercício físico assume um papel na prevenção primária e secundária da hipertensão. Na generalidade dos doentes, os benefícios associados à sua prática ultrapassam os potenciais riscos. Nos indivíduos em que estes riscos não sejam desprezáveis deve haver lugar a uma avaliação médica que permita a prescrição de um programa de exercício seguro e orientado para o paciente.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Physical activity is associated with health benefits including a reduction in blood pressure (BP). A recent meta-analysis shows that exercise may reduce BP to a degree comparable to first-line BP-lowering drugs. It was originally thought that the BP-lowering effect of exercise was limited to endurance exercise and that resistance or isometric exercise was harmful. Recent evidence contests this idea. The evidence is scarce but suggests a role for exercise in the primary prevention of hypertensive disease. The favourable influence of exercise on important risk factors such as hypertriglyceridemia and overweight has already been demonstrated. Exercise is important in the primary and secondary prevention of hypertension. For most patients, the benefits of exercise largely exceed the risks. For individuals at risk, medical evaluation is indicated in order to allow safe and patient-oriented prescription of exercise.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Hipertensão Arterial]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Exercício Físico]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Atividade Física]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Physical Activity]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>OPINI&Atilde;O E DEBATE</b></p>     <p><font size="4"><b>A hipertens&atilde;o arterial e o exerc&iacute;cio     f&iacute;sico: elementos para uma prescri&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Hypertension   and exercise: the basis for prescription</b></font></p>       <p><b>Jos&eacute; Pedro Marques,<sup>1</sup> Jo&atilde;o P&aacute;scoa     Pinheiro,<sup>2</sup> Manuel Teixeira Ver&iacute;ssimo,<sup>3</sup> Domingos Ramos<sup>4</sup></b></p>       <p><sup>1</sup> M&eacute;dico Interno de Medicina Desportiva; Centro Hospitalar e Universit&aacute;rio de     Coimbra.</p>       <p><sup>2</sup> Professor de Medicina, M&eacute;dico Assistente Hospitalar Graduado de Medicina F&iacute;sica     e Reabilita&ccedil;&atilde;o, Especialista em Medicina Desportiva; Faculdade de Medicina da     Universidade de Coimbra, Centro Hospitalar e Universit&aacute;rio de Coimbra.</p>       <p><sup>3</sup> Professor de Medicina, M&eacute;dico Assistente Hospitalar Graduado de Medicina     Interna, Especialista em Medicina Desportiva; Faculdade de Medicina da     Universidade de Coimbra, Centro Hospitalar e Universit&aacute;rio de Coimbra.</p>       <p><sup>4</sup> M&eacute;dico Assistente Graduado de Cardiologia, Mestre em Medicina Desportiva;     Centro Hospitalar e Universit&aacute;rio de Coimbra.</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>       <p>O aumento     dos n&iacute;veis de atividade f&iacute;sica est&aacute; associado a benef&iacute;cios globais na sa&uacute;de do     indiv&iacute;duo e meta-an&aacute;lises recentes mostram que o exerc&iacute;cio f&iacute;sico pode ter uma     efic&aacute;cia na redu&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o arterial compar&aacute;vel &agrave; terap&ecirc;utica     anti-hipertensora de primeira linha.</p>       <p>Tradicionalmente     considerava-se que o efeito anti-hipertensor do exerc&iacute;cio f&iacute;sico era exclusivo     do exerc&iacute;cio de endurance e que o exerc&iacute;cio de resist&ecirc;ncia, nomeadamente na sua     vertente isom&eacute;trica, seria prejudicial. Trabalhos publicados nos &uacute;ltimos anos     parecem contrariar esta suposi&ccedil;&atilde;o. A evid&ecirc;ncia dispon&iacute;vel &eacute; escassa mas aponta     para que possa vir a desempenhar um papel na preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria da hipertens&atilde;o.     Est&aacute; tamb&eacute;m demonstrada a sua capacidade de influenciar positivamente outros     fatores de risco cardiovascular como s&atilde;o a hipertriglicerid&eacute;mia e o excesso de     peso.</p>       <p>O exerc&iacute;cio     f&iacute;sico assume um papel na preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e secund&aacute;ria da hipertens&atilde;o. Na     generalidade dos doentes, os benef&iacute;cios associados &agrave; sua pr&aacute;tica ultrapassam os     potenciais riscos. Nos indiv&iacute;duos em que estes riscos n&atilde;o sejam desprez&aacute;veis     deve haver lugar a uma avalia&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica que permita a prescri&ccedil;&atilde;o de um programa     de exerc&iacute;cio seguro e orientado para o paciente.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Hipertens&atilde;o Arterial;     Exerc&iacute;cio F&iacute;sico; Atividade F&iacute;sica.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p>Physical     activity is associated with health benefits including a reduction in blood pressure     (BP). A recent meta-analysis shows that exercise may reduce BP to a degree   comparable to first-line BP-lowering drugs.</p>       <p>It was     originally thought that the BP-lowering effect of exercise was limited to     endurance exercise and that resistance or isometric exercise was harmful.     Recent evidence contests this idea. The evidence is scarce but suggests a role     for exercise in the primary prevention of hypertensive disease. The favourable     influence of exercise on important risk factors such as hypertriglyceridemia     and overweight has already been demonstrated.</p>       <p>Exercise is     important in the primary and secondary prevention of hypertension. For most     patients, the benefits of exercise largely exceed the risks. For individuals at     risk, medical evaluation is indicated in order to allow safe and     patient-oriented prescription of exercise.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Hypertension, Exercise,     Physical Activity.</p>     <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>A     hipertens&atilde;o arterial (HTA) &eacute; definida pela eleva&ccedil;&atilde;o cr&oacute;nica da press&atilde;o arterial     sist&oacute;lica (PAS) acima de 140mmHg e da press&atilde;o arterial diast&oacute;lica (PAD) acima     de 90mmHg. A preval&ecirc;ncia de HTA &eacute; de 42%<sup>1</sup> em Portugal e de 31% nos     Estados Unidos da Am&eacute;rica.<sup>2</sup> &Eacute; um dos principais fatores de risco     cardiovascular<sup>3</sup> contribuindo de forma significativa para a     morbilidade e mortalidade por enfarte agudo do mioc&aacute;rdio e acidente vascular     cerebral. Ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a evid&ecirc;ncia aponta para o aumento de     uma rela&ccedil;&atilde;o dose-resposta in-versa entre o volume total de exerc&iacute;cio f&iacute;sico     (EF) e a mortalidade cardiovascular. Neste artigo abordamos a efic&aacute;cia     anti-hipertensora do EF, comparando-a com a dos f&aacute;rmacos mais habitualmente     empregues para esse fim. Revemos o impacto de diferentes tipos de exerc&iacute;cio e     propomos um programa de exerc&iacute;cio adaptado a esta popula&ccedil;&atilde;o. Para melhor     compreens&atilde;o optou-se por definir no <a href="#q1">Quadro I</a> alguns dos conceitos usados nas     sec&ccedil;&otilde;es subsequentes.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n1/31n1a07q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p><b>Efic&aacute;cia anti-hipertensora do EF</b></p>       <p>&Eacute; atualmente     consensual que perante um doente com hipertens&atilde;o o m&eacute;dico deve recomendar     altera&ccedil;&otilde;es ao seu estilo de vida<sup>4</sup> e zelar para que, tanto quanto     poss&iacute;vel, elas sejam cumpridas. Estas altera&ccedil;&otilde;es passam for&ccedil;osamente pelo     aumento da atividade f&iacute;sica. Existe inclusive uma recomenda&ccedil;&atilde;o (classe I, n&iacute;vel     B) segundo a qual, no g&eacute;nero feminino, 150 minutos de atividade f&iacute;sica semanal     de intensidade moderada deve ser usada.<sup>5</sup> Com base nesta recomenda&ccedil;&atilde;o     somos levados a pensar que a medica&ccedil;&atilde;o anti-hipertensora tem uma efic&aacute;cia e/ou     pot&ecirc;ncia bastante superior &agrave; do EF. Um trabalho publicado em 2000 reunia os     v&aacute;rios ensaios que tinham testado a efic&aacute;cia de diferentes classes de     anti-hipertensores e tamb&eacute;m aqueles que comparavam estrat&eacute;gias mais e menos     intensivas.<sup>6</sup> Podemos ver no <a href="#q2">Quadro II</a> os resultados obtidos nalguns     destes estudos.</p>       <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n1/31n1a07q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>&Eacute; deveras     interessante comparar estes resultados com os apresentados na meta-an&aacute;lise de     Cornelissen et al,<sup>7</sup> resumidos no <a href="#q3">Quadro III</a>.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n1/31n1a07q3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Compara&ccedil;&otilde;es     diretas s&atilde;o limitadas pelas diferentes metodologias usadas. No entanto, &eacute;     not&oacute;ria a semelhan&ccedil;a no que diz respeito &agrave; magnitude dos efeitos atingidos. No     caso do exerc&iacute;cio de <i>endurance,</i> se     atentarmos apenas aos resultados obtidos na popula&ccedil;&atilde;o de doentes com     hipertens&atilde;o, observaram-se redu&ccedil;&otilde;es de press&atilde;o arterial (PA) de 8.3/5.2 mmHg.     Estes s&atilde;o, na pior das hip&oacute;teses, compar&aacute;veis aos resultados obtidos com a     terap&ecirc;utica anti-hipertensora de primeira linha. Acresce o facto do EF ter     efeitos pleiotr&oacute;picos, atuando sobre a obesidade, dislipid&eacute;mia e     insulinorresist&ecirc;ncia. Isto ajuda a explicar o benef&iacute;cio global no perfil     cardiovascular, independentemente das redu&ccedil;&otilde;es na PA. Apesar disso, diariamente     constatamos que no nosso pa&iacute;s a terap&ecirc;utica n&atilde;o farmacol&oacute;gica (na qual se     inclui a atividade f&iacute;sica) da hipertens&atilde;o permanece num segundo plano.</p>       <p><b>Compara&ccedil;&atilde;o entre diferentes tipos de EF</b></p>       <p>Tradicionalmente     considerava-se que o efeito anti-hipertensor do EF era um exclusivo do     exerc&iacute;cio de endurance. Ao exerc&iacute;cio de resist&ecirc;ncia, nas suas vertentes     din&acirc;mica e isom&eacute;trica, era atribu&iacute;da uma resposta hipertensora, o que     contribu&iacute;a para que este fosse contra-indicado na preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e     secund&aacute;ria da hipertens&atilde;o. Uma meta-an&aacute;lise publicada recentemente examinou o     efeito de diferentes tipos de exerc&iacute;cio na press&atilde;o arterial em repouso.<sup>7</sup> Incluiu ensaios cl&iacute;nicos randomizados, com dura&ccedil;&atilde;o superior a quatro semanas, e     em que participaram adultos com PA que v&atilde;o desde valores normais at&eacute; &agrave;     hipertens&atilde;o. Foi demonstrada a redu&ccedil;&atilde;o significativa da PAS e PAD com os     exerc&iacute;cios de <i>endurance,</i> de     resist&ecirc;ncia din&acirc;mica e resist&ecirc;ncia isom&eacute;trica (ver <a href="#q3">Quadro III</a>). Atrav&eacute;s da     an&aacute;lise de subgrupos, os autores chegaram a conclus&otilde;es interessantes no que diz     respeito ao exerc&iacute;cio de <i>endurance:</i> &eacute;     maior a efic&aacute;cia nos indiv&iacute;duos hipertensos (-8.3/-5.2) quando comparado com     pr&eacute;-hipertensos (-2,1/-1,7) e normotensos (-0,75/-1,1); os programas com     dura&ccedil;&atilde;o inferior a 24 semanas parecem reduzir mais a PAS (<i>p</i>&lt;0,0001) e a PAD (<i>p</i>&lt;0,01)     do que aqueles com dura&ccedil;&atilde;o superior; sess&otilde;es de menos de 210 minutos por semana     est&atilde;o associadas a redu&ccedil;&otilde;es significativamente maiores da PAS (<i>p</i>&lt;0,05) e n&atilde;o t&atilde;o significativas da     PAD (<i>p</i>=0,20); sess&otilde;es de menor     intensidade est&atilde;o associadas a efeitos menos significativos. Estes achados     estar&atilde;o provavelmente relacionados com o facto de programas de dura&ccedil;&atilde;o superior     estarem associados a diminui&ccedil;&atilde;o da <i>compliance</i> e de sess&otilde;es de exerc&iacute;cio com maior dura&ccedil;&atilde;o implicarem habitualmente uma     diminui&ccedil;&atilde;o da intensidade. O efeito hipotensor do exerc&iacute;cio de resist&ecirc;ncia     din&acirc;mica parece ser maior em popula&ccedil;&otilde;es normotensas e pr&eacute;-hipertensas. A     verdade &eacute; que, at&eacute; &agrave; data e &agrave; semelhan&ccedil;a do que acontece com o exerc&iacute;cio     isom&eacute;trico, poucos estudos avaliaram os seus efeitos em doentes com     hipertens&atilde;o. Os resultados obtidos com o treino de resist&ecirc;ncia isom&eacute;trico s&atilde;o     bastante promissores, mas prov&ecirc;m de um n&uacute;mero reduzido de pacientes envolvidos     (n=114),<sup>7</sup> na sua maioria normotensos e pr&eacute;-hipertensos. Aguardamos     com expectativa futuros trabalhos que testem os seus efeitos em popula&ccedil;&otilde;es     maiores e nas diferentes fases do <i>continuum</i> que &eacute; a doen&ccedil;a hipertensiva.</p>       <p>&Agrave; luz do conhecimento     atual parece sensato incluir o exerc&iacute;cio de resist&ecirc;ncia nos programas de     preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria (e porventura secund&aacute;ria) da hipertens&atilde;o. A sua efic&aacute;cia na     redu&ccedil;&atilde;o da PA em pessoas com hipertens&atilde;o ainda carece de confirma&ccedil;&atilde;o, mas a     capacidade de influenciar favoravelmente a capacidade aer&oacute;bia, perfil lip&iacute;dico     e gordura (adiposidade) corporal tornam-no um complemento importante.<sup>8</sup></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Prescri&ccedil;&atilde;o de EF no doente hipertenso</b></p>       <p>Apesar dos     reconhecidos benef&iacute;cios no tratamento da hipertens&atilde;o, o EF n&atilde;o &eacute; isento de     riscos. Como tal, alguns ind&iacute;viduos carecem de avalia&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica antes de     iniciarem a atividade f&iacute;sica. Os principais objetivos desta avalia&ccedil;&atilde;o s&atilde;o:</p>       <p>•     Identificar contra-indica&ccedil;&otilde;es absolutas ou relativas &agrave; pr&aacute;tica de determinado     tipo de atividade f&iacute;sica/desporto.</p>       <p>• Adaptar,     tanto quanto poss&iacute;vel, o programa de exerc&iacute;cio &agrave; condi&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e prefer&ecirc;ncia     do indiv&iacute;duo, de forma a minimizar as complica&ccedil;&otilde;es e promover a <i>compliance.</i></p>       <p>•     Identificar doen&ccedil;a cardiovascular (DCV) oculta.</p>       <p>•     Identificar indiv&iacute;duos com risco cardiovascular elevado, como aqueles com     hipertens&atilde;o n&atilde;o controlada, angina inst&aacute;vel e diabetes descompensada. Estes     devem ser estabilizados antes de iniciar o programa de exerc&iacute;cio.</p>       <p>Obviamente a     profundidade da avalia&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-participa&ccedil;&atilde;o vai depender da intensidade planeada     para o programa de exerc&iacute;cio e do perfil de risco cardiovascular.<sup>9</sup> O     <a href="#q4">Quadro IV</a> apresenta as indica&ccedil;&otilde;es para realiza&ccedil;&atilde;o de prova de esfor&ccedil;o. Um     paciente assintom&aacute;tico inclu&iacute;do no grupo de risco A ou B, com PA &lt; 180/110     mmHg e que pretenda participar em exerc&iacute;cio de intensidade ligeira a moderada     (&lt;60% VO<sub>2</sub> max) n&atilde;o necessita habitualmente de investiga&ccedil;&atilde;o     diagn&oacute;stica adicional. J&aacute; os inclu&iacute;dos no grupo C, sem DCV ou TA     &gt;180/110mmHg, podem beneficiar de prova de esfor&ccedil;o caso pretendam exercitar-se     com intensidade moderada (40 a 60% VO<sub>2</sub> max). A prova de esfor&ccedil;o &eacute;     indispens&aacute;vel para todos os pacientes com DCV documentada, independentemente do     n&iacute;vel de intensidade pretendido. Para al&eacute;m disso, o exerc&iacute;cio vigoroso nestes     pacientes deve ser restrito a centros de reabilita&ccedil;&atilde;o card&iacute;aca.<sup>10-11</sup></p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n1/31n1a07q4.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que     concerne &agrave; terap&ecirc;utica farmacol&oacute;gica existem alguns cuidados a ter no doente     ativo com hipertens&atilde;o.<sup>10-11</sup> Os f&aacute;rmacos escolhidos devem baixar a PA     em repouso e durante o exerc&iacute;cio, as resist&ecirc;ncias vasculares perif&eacute;ricas e     preferencialmente n&atilde;o afetar a capacidade m&aacute;xima de exerc&iacute;cio. Por estas raz&otilde;es     preferem-se os inibidores da enzima de convers&atilde;o da angiotensina, antagonistas     dos recetores da angiotensina e bloqueadores de canais de c&aacute;lcio. Alguns     aspetos particulares das classes farmacol&oacute;gicas habitualmente usadas devem ser     tidos em conta: os bloqueadores de canais de c&aacute;lcio, os vasodilatadores diretos     e os bloqueadores alfa podem provocar uma resposta hipotensora (no     p&oacute;s-exerc&iacute;cio imediato) exagerada, devendo aconselhar-se o prolongamento do     per&iacute;odo de arrefecimento; a utiliza&ccedil;&atilde;o de tiazidas deve ser ponderada com     cautela devido ao risco de hiper e hipocalcemia, hiponatremia, hipocaliemia e     potenciais arritmias malignas; diur&eacute;ticos e bloqueadores-beta podem afetar a     termorregula&ccedil;&atilde;o e aumentam o risco de hipoglic&eacute;mias; os diur&eacute;ticos de ansa     podem causar deple&ccedil;&atilde;o de volume; os bloqueadores-beta t&ecirc;m efeitos inotr&oacute;picos e     cronotr&oacute;picos negativos. Os n&atilde;o seletivos podem provocar broncoconstri&ccedil;&atilde;o e em     doentes com doen&ccedil;a arterial perif&eacute;rica podem agravar a claudica&ccedil;&atilde;o     intermitente. A utiliza&ccedil;&atilde;o dos bloqueadores-beta em hipertensos ativos     fisicamente deve ser restrita a casos excecionais.</p>       <p>O programa     ideal para obter a redu&ccedil;&atilde;o da TA em doentes hipertensos ainda n&atilde;o foi     estabelecido. No entanto, de acordo com a evid&ecirc;ncia mais recente e recorrendo     ao FITT,<sup>9</sup> prop&otilde;e-se o seguinte:</p>       <p>• Frequ&ecirc;ncia:     tr&ecirc;s a cinco vezes por semana para o exerc&iacute;cio aer&oacute;bio.</p>       <p>•     Intensidade: moderada (40% &lt; VO<sub>2</sub>R     &lt; 60% ou 12-13 na escala de Borg). Em pacientes selecionados podem ser     obtidos benef&iacute;cios adicionais com intensidades superiores.<sup>9,11</sup></p>       <p>• Tempo: 30     a 60 minutos por sess&atilde;o de exerc&iacute;cio continuado ou intermitente (m&iacute;nimo de 10     minutos de cada vez).</p>       <p>• Tipo: O     mais estudado &eacute; o exerc&iacute;cio aer&oacute;bio, dentro do qual se podem recomendar as     caminhadas, <i>jogging,</i> ciclismo,     nata&ccedil;&atilde;o. A prefer&ecirc;ncia individual deve ser tida em conta para maximizar a     ader&ecirc;ncia. </p>       <p>O exerc&iacute;cio     de resist&ecirc;ncia integra a generalidade dos programas de prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio     na popula&ccedil;&atilde;o geral e em subpopula&ccedil;&otilde;es de pacientes com patologias diversas.<sup>11</sup> No doente com hipertens&atilde;o poder&aacute; ser recomendado em associa&ccedil;&atilde;o ao exerc&iacute;cio     aer&oacute;bio, a realizar duas a tr&ecirc;s vezes por semana, preferencialmente com     intensidade &gt; 60% de 1-RM e envolvendo os principais grupos musculares     (cinturas escapular e p&eacute;lvica, musculatura abdominal e dorsal, flexores e     extensores dos membros superior e inferior).</p>       <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>       <p>O aumento da     atividade f&iacute;sica &eacute; condi&ccedil;&atilde;o <i>sine qua non</i> para a ado&ccedil;&atilde;o de um estilo de vida mais saud&aacute;vel. A capacidade do EF     influenciar favoravelmente o perfil tensional ficou bem patente neste texto.     Enquanto a evid&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao exerc&iacute;cio de <i>endurance</i> &eacute; j&aacute; robusta, o mesmo n&atilde;o se passa com o exerc&iacute;cio de     resist&ecirc;ncia. S&atilde;o necess&aacute;rios mais trabalhos que permitam caracterizar a     resposta da PA ao exerc&iacute;cio de resist&ecirc;ncia em pacientes hipertensos. Importa     destacar que grande parte dos dados que apresentamos &eacute; extra&iacute;da da meta-an&aacute;lise     de Cornelissen et al<sup>7</sup> e, portanto, a sua interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute;     condicionada pelas limita&ccedil;&otilde;es da t&eacute;cnica meta-anal&iacute;tica e da literatura     prim&aacute;ria inclu&iacute;da. &Agrave; primeira vista podem parecer resultados modestos, mas     quando enquadrados na perspetiva de que a redu&ccedil;&atilde;o de 5mmHg na PAS &eacute; respons&aacute;vel     por uma diminui&ccedil;&atilde;o de 14% na mortalidade por AVC e 9% na mortalidade por doen&ccedil;a     coron&aacute;ria,<sup>4</sup> certamente j&aacute; n&atilde;o fica essa impress&atilde;o. Num trabalho que     incluiu mais de 100.000 participantes, Kodama et al demonstraram que o aumento     de apenas 1 MET na capacidade aer&oacute;bia est&aacute; associado a redu&ccedil;&otilde;es de,     respetivamente, 13 e 15% na mortalidade global e por doen&ccedil;a cardiovascular.<sup>12</sup> Apesar disso, a ades&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o ao EF permanece reduzida. &Eacute; imperioso     apurar os motivos subjacentes a esta realidade e incentivar a comunidade m&eacute;dica     a prescrever EF com base na atual evid&ecirc;ncia cl&iacute;nica.</p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>       <p>1. Macedo     ME, Lima MJ, Silva AO, Alc&acirc;ntara P, Ramalhinho V, Carmona J. Preval&ecirc;ncia,     conhecimento, tratamento e controlo da hipertens&atilde;o em Portugal: estudo PAP     (Prevalence, awareness, treatment and control of hypertension in Portugal: the     PAP study). Rev Port Cardiol. 2007;26(1):21-39. Portuguese</p>       <!-- ref --><p>2. Centers     for Disease Control and Prevention. Vital signs: prevalence, treatment, and     control of hypertension: United States, 1999-2002 and 2005-2008. MMWR.     2011;60(4):103-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S2182-5173201500010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. World     Health Organization. The world health report 2002: reducing risks, promoting     healthy life. Geneva: WHO; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S2182-5173201500010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Chobanian     AV, Bakris GL, Black HR, Cushman WC, Green LA, Izzo JL Jr, et al. The seventh     report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation,     and Treatment of High Blood Pressure: the JNC 7 report. JAMA. 2003;289(19):2560-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S2182-5173201500010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Mosca L,     Benjamin EJ, Berra K, Benzanson JL, Dolor RJ, Lloyd-Jones DM, et al.     Effectiveness-based guidelines for the prevention of cardiovascular disease in     women - 2011 update: a guideline from the American Heart Association. J     Am Coll Cardiol. 2011;57(12):1404-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S2182-5173201500010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>6. Neal B,     MacMahon S, Chapman N, Blood Pressure Lowering Treatment Trialists'     Collaboration. Effects of ACE inhibitors, calcium antagonists, and other     blood-pressure-lowering drugs: results of prospectively designed overviews of     randomised trials. Lancet. 2000;356(9246):1955-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S2182-5173201500010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7.     Cornelissen VA, Smart NA. Exercise training for blood pressure: a systematic     review and meta&#8208;analysis. J Am Heart Assoc. 2013;2(1):e004473.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S2182-5173201500010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>8.     Cornelissen VA, Fagard RH, Coeckelberghs E, Vanhees L. Impact of resistance     training on blood pressure and other cardiovascular risk factors: a     meta-analysis of randomized, controlled trials. Hypertension. 2011;58(5):950-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S2182-5173201500010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>9.     Pescatello LS, Franklin BA, Fagard R, Farquhar WB, Kelley GA, Ray CA. American     College of Sports Medicine position stand: exercise and hypertension. Med Sci     Sports Exerc. 2004;36(3):533-53.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S2182-5173201500010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>10. Ruivo     JA, Alc&acirc;ntara P. Hipertens&atilde;o arterial e exerc&iacute;cio f&iacute;sico (Hypertension and     exercise). Rev Port Cardiol. 2012;31(2):151-8. Portuguese</p>       <!-- ref --><p>11. Franklin     BA, Whaley MH, Howley ET, editors. ACSM’s guidelines for exercise testing and     prescription. 6th ed. Baltimore: Lippincott Williams &amp; Wilkins; 2000. ISBN     9780683303551&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S2182-5173201500010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>12. Kodama     S, Saito K, Tanaka S, Maki M, Yachi Y, Asumi M, et al. Cardiorespiratory fitness     as a quantitative predictor of all-cause mortality and cardiovascular events in     healthy men and women: a meta-analysis. JAMA. 2009;301(19):2024-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S2182-5173201500010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        <p>Jos&eacute; Pedro     de Pinho Marques</p>       <p>Av. Hintze     Ribeiro, n&ordm; 37, 3870-323 Torreira</p>      <p>E-mail: <a href="mailto:joseppmarques@gmail.com">joseppmarques@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Conflito de interesses</b></p>       <p>Os autores     declaram n&atilde;o ter conflitos de interesses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 01-09-2014</b></p>       <p><b>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 06-02-2015</b></p>      ]]></body><back>
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