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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A propósito do artigo “O que classificar nos registos clínicos com a Classificação Internacional de Cuidados Primários?”]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Regarding: “What should we code in health records with the International Classification of Primary Care?”]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>CARTA &Agrave; DIRECTORA</b></p>      <p><font size="4"><b>A prop&oacute;sito do artigo “O que classificar     nos registos cl&iacute;nicos com a Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Cuidados Prim&aacute;rios?”</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Regarding:     “What should we code in health records with the International Classification of     Primary Care?”</b></font></p>       <p><b>Liliana Valente Heleno*</b></p>       <p>*M&eacute;dica     Interna de Medicina Geral e Familiar</p>       <p>USF     Marginal, S&atilde;o Jo&atilde;o do Estoril</p>         <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>        <p><i>Exma. Senhora</i></p>       <p><i>Diretora da Revista Portuguesa de Medicina     Geral e Familiar</i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa recente     edi&ccedil;&atilde;o da <i>Revista Portuguesa de Medicina     Geral e Familiar</i> (n&uacute;mero cinco, volume 30 de 2014) foi publicado um artigo     de pr&aacute;tica intitulado “O que classificar nos registos cl&iacute;nicos com a     Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Cuidados Prim&aacute;rios?”<sup>1</sup></p>       <p>Este artigo     vem esclarecer quest&otilde;es pr&aacute;ticas com que no dia-a-dia o m&eacute;dico de fam&iacute;lia se depara,     quer por falta de treino formal na utiliza&ccedil;&atilde;o da ICPC quer pela car&ecirc;ncia de     recomenda&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas que uniformizem a pr&aacute;tica de codifica&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica     di&aacute;ria em cuidados prim&aacute;rios. </p>       <p>A ICPC     faculta a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma linguagem nacional e internacional comum em     Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios (CSP), permitindo identificar rapidamente doentes     com os mesmos problemas de sa&uacute;de, convocar doentes com doen&ccedil;a cr&oacute;nica ou     necessidade de avalia&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica, realizar auditorias para avalia&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas     definidas, analisar problemas para desenhar programas de forma&ccedil;&atilde;o ou recolher     dados para investiga&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica.</p>       <p>N&atilde;o sendo o     objetivo primordial da ICPC, &eacute; contudo expect&aacute;vel que a sua utiliza&ccedil;&atilde;o     generalizada permita conhecer melhor a morbilidade nacional, atrav&eacute;s da caracteriza&ccedil;&atilde;o     epidemiol&oacute;gica da popula&ccedil;&atilde;o utilizadora dos CSP em Portugal.<sup>2</sup></p>       <p>Torna-se,     assim, evidente a necessidade imperiosa de padronizar a utiliza&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica     da classifica&ccedil;&atilde;o ICPC e potenciar a consequente melhoria da qualidade dos     registos cl&iacute;nicos e da gest&atilde;o de epis&oacute;dios, permitindo uma maior fiabilidade e     reprodutibilidade no planeamento, organiza&ccedil;&atilde;o, monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o da     cl&iacute;nica di&aacute;ria dos m&eacute;dicos de fam&iacute;lia.<sup>3</sup> A n&atilde;o uniformiza&ccedil;&atilde;o desta     pr&aacute;tica pode transformar a excelente ferramenta que &eacute; a ICPC num exerc&iacute;cio     heterog&eacute;neo, sob pena de comprometer a informa&ccedil;&atilde;o acerca da carga de doen&ccedil;a     existente no nosso pa&iacute;s e consequentemente as medidas de planeamento em sa&uacute;de.<sup>4</sup></p>       <p>Foi     interessante ver desmistificado no artigo supracitado a prescind&iacute;vel codifica&ccedil;&atilde;o     de motivos de consulta e procedimentos e justificada a sua necessidade apenas     no contexto de investiga&ccedil;&atilde;o ou de pr&aacute;tica formativa, n&atilde;o devendo ser exigida     como crit&eacute;rio de qualidade ou auditoria.<sup>1,3</sup></p>       <p>A lista de     problemas proporciona uma vis&atilde;o de conjunto integrada do estado de sa&uacute;de     passado e presente do utente. Esta &eacute; considerada o ingrediente mais importante     do Registo M&eacute;dico Orientado por Problemas, quando considerado isoladamente.<sup>3</sup></p>       <p>Saliento, no     entanto, a minha discord&acirc;ncia com o seguinte par&aacute;grafo transcrito: “A ICPC pode     tamb&eacute;m ser utilizada para classificar os problemas identificados nos     antecedentes familiares, apesar de tal se afigurar de menor utilidade pr&aacute;tica     na gest&atilde;o do utente e avalia&ccedil;&atilde;o da morbilidade na popula&ccedil;&atilde;o”. A codifica&ccedil;&atilde;o de     certos antecedentes familiares pode ser feita atrav&eacute;s de r&uacute;bricas como     A21-Fator de risco de malignidade, K22-Fator de risco de doen&ccedil;a cardiovascular,     entre outras. Esta codifica&ccedil;&atilde;o, principalmente se completada na lista de     problemas com informa&ccedil;&atilde;o mais detalhada acerca desse fator de risco (por     exemplo: “m&atilde;e faleceu aos 62 anos com cancro da mama” ou “pai sofreu enfarte     agudo do mioc&aacute;rdio aos 55 anos”), pode ser muito &uacute;til na aplica&ccedil;&atilde;o de     estrat&eacute;gias preventivas direcionadas, como a realiza&ccedil;&atilde;o de rastreios, o     aconselhamento dirigido aos fatores de risco individualizados ou, inclusive,     detetar os utentes candidatos a aconselhamento gen&eacute;tico. Na nossa pr&aacute;tica     cl&iacute;nica, a verifica&ccedil;&atilde;o das listas de problemas &eacute; procedimento sistem&aacute;tico antes     da consulta, pelo que este tipo de codifica&ccedil;&atilde;o funciona como r&aacute;pido alerta e     possibilita uma gest&atilde;o do utente mais eficiente. Este tipo de codifica&ccedil;&atilde;o     tem-se revelado uma experi&ecirc;ncia bastante facilitadora da pr&aacute;tica di&aacute;ria da     micro-equipa que integro, com ganhos em sa&uacute;de bastante evidentes ao permitir     destacar na lista de problemas antecedentes pessoais/familiares e/ou de fatores     de risco cl&iacute;nico relevantes, que alertam o m&eacute;dico para a tomada de atitudes     preventivas dirigidas, quando e como deve um indiv&iacute;duo de 45 anos com antecedentes     familiares de carcinoma colorrectal iniciar o rastreio oncol&oacute;gico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;     indica&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o em geral. </p>       <p>Este tipo de     codifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se esgota no planeamento de determinadas estrat&eacute;gias     preventivas, podendo ser utilizada como instrumento de apoio &agrave; decis&atilde;o cl&iacute;nica.     A intensifica&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica nos casos de dislipidemia familiar (devido ao seu     alto risco cardiovascular), em rela&ccedil;&atilde;o aos casos de dislipidemia de causa n&atilde;o     heredit&aacute;ria, pode ser um exemplo.<sup>5</sup> Neste caso, o c&oacute;digo K22     suportado pela informa&ccedil;&atilde;o antecedente familiar de dislipidemia familiar pode     adquirir maior relev&acirc;ncia na lista de problemas do utente que nos chega &agrave;     consulta com hipercolesterolemia, orientando-nos para uma investiga&ccedil;&atilde;o e     tratamento mais adequados. </p>       <p>Esta     codifica&ccedil;&atilde;o permite, ainda, ser utilizada na avalia&ccedil;&atilde;o de fatores de risco de     uma popula&ccedil;&atilde;o, com impacto na morbilidade da mesma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os sistemas     de informa&ccedil;&atilde;o e registos cl&iacute;nicos s&atilde;o uma componente essencial na matriz em que     est&aacute; assente a governa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e da sa&uacute;de, sendo imprescind&iacute;vel a sua     uniformiza&ccedil;&atilde;o. Seria interessante estudar futuramente a import&acirc;ncia da     codifica&ccedil;&atilde;o de fatores de risco de doen&ccedil;a na organiza&ccedil;&atilde;o e agenda de medidas     preventivas, diagn&oacute;sticas e terap&ecirc;uticas adequadas a cada utente.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>       <p>1. Pinto D.     O que classificar nos registos cl&iacute;nicos com a Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de     Cuidados Prim&aacute;rios? (What should we code in health records with the     international classification of primary care?) Rev Port Med Geral Fam.     2014;30(5):328-34. Portuguese</p>       <!-- ref --><p>2. Comit&eacute; de     Classifica&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Ordens Nacionais, Academias e     Associa&ccedil;&otilde;es Acad&eacute;micas de Cl&iacute;nicos Gerais/M&eacute;dicos de Fam&iacute;lia (WONCA).     Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios. 2&ordf; ed. Lisboa:     Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de Sa&uacute;de; Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa dos M&eacute;dicos de     Cl&iacute;nica Geral; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000027&pid=S2182-5173201500010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>3. Melo M. O     uso da ICPC nos registos cl&iacute;nicos em medicina geral e familiar. Rev Port Med     Geral Fam. 2012;28(4):245-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000029&pid=S2182-5173201500010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4.     Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de Sa&uacute;de. Melhoria do registo de morbilidade     nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios. Lisboa: ACSS; 2010. Available from:     <a href="http://www.acss.min-saude.pt/Default.aspx?TabId=108&amp;language=pt-PT" target="_blank">http://www.acss.minsaude.pt/Default.aspx?TabId=108&amp;language=pt-PT</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000031&pid=S2182-5173201500010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>5.     Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Abordagem terap&ecirc;utica das dislipidemias: norma de     orienta&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica n&ordm; 19/2011, de 28/09/2011, atualizada a 11/07/2013. Lisboa:     DGS; 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000032&pid=S2182-5173201500010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        <p>Liliana     Valente Heleno</p>     <p>Rua Egas     Moniz, n&ordm; 9010, piso 2, 2765-618 S&atilde;o Jo&atilde;o do Estoril</p>       <p>E-mail: <a href="mailto:lilianascvalente@hotmail.com">lilianascvalente@hotmail.com</a></p></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Agradecimentos</b></p>       <p>Presto um     agradecimento &agrave; Dra. Ana Ferr&atilde;o por ter chamado &agrave; aten&ccedil;&atilde;o para este artigo e o     ter comentado numa reuni&atilde;o da USF Marginal, tendo assim levado a esta reflex&atilde;o     e ao meu orientador, Dr. Andr&eacute; Biscaia, pelo apoio e revis&atilde;o.</p>       <p><b>Conflito de interesses</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A autora     declara n&atilde;o ter conflitos de interesse.</p>      ]]></body><back>
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