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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Comunicação e percepção de risco: diferentes modos de comunicar, diferentes modos de partilhar a decisão clínica]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[An informed clinical decision arises from a dialogue, where the patient shares biopsychosocial information, preferences and values with his/her physician. Physicians share information about epidemiology and the risk of interventions. We can communicate risk using words, numbers or graphs and the chosen format influences patient&#8217;s perceptions and behaviour. The format is not always understood, and the inability to reason with numbers (innumeracy) constitutes an important barrier to communicate in an effective way. Despite that, the impact of innumeracy can be lessened through communicational strategies. Frequencies, absolute risk reduction and pictograms convey risk information in a more realistic and understandable way, irrespective of numeracy. There is always uncertainty about risk estimates, but physicians should focus on helping patients dealing with uncertainty. Furthermore, we should understand risk in an individualized context by taking into account personal factors that influence benefits or harms related to the proposed interventions. Regardless of population policies, decisions about health are always made by the patient, who is an autonomous and free person.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>OPINI&#195;O E DEBATE</b></p>     <p><font size="4"><b>Comunica&#231;&#227;o e percep&#231;&#227;o de risco:     diferentes modos de comunicar, diferentes modos de partilhar a decis&#227;o cl&#237;nica</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Risk     communication and risk perception: different ways of communicating, different   ways of sharing clinical decisions</b></font></p>       <p><b>Ricardo Rodrigues,<sup>1</sup> Ana Rita     Maria,<sup>2</sup> Ana Bragan&#231;a,<sup>3</sup> Susana Sim&#245;es,<sup>4</sup> Andr&#233;     Tom&#233;,<sup>5</sup> David Rodrigues,<sup>6</sup> Daniel Pinto,<sup>7</sup> Bruno     Heleno<sup>8</sup></b></p>       <p><sup>1</sup>M&#233;dico     Interno de Medicina Geral e Familiar, USF Conde de Oeiras</p>       <p><sup>2</sup>M&#233;dica     Interna de Medicina Geral e Familiar, USF Conde de Oeiras</p>       <p><sup>3</sup>M&#233;dica     Interna de Medicina Geral e Familiar, USF do Arco</p>       <p><sup>4</sup>Estudante     de Doutoramento em Ensino e Divulga&#231;&#227;o das Ci&#234;ncias, Faculdade de Ci&#234;ncias,     Universidade do Porto</p>       <p><sup>5</sup>M&#233;dico     de Fam&#237;lia, USF do Arco</p>       <p><sup>6</sup>Departamento     de Medicina Geral e Familiar, NOVA Medical School/Faculdade de Ci&#234;ncias     M&#233;dicas, Universidade Nova de Lisboa</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>7</sup>Departamento     de Medicina Geral e Familiar, NOVA Medical School/Faculdade de Ci&#234;ncias     M&#233;dicas, Universidade Nova de Lisboa</p>       <p><sup>8</sup>M&#233;dico     de Fam&#237;lia, Unidade de Investiga&#231;&#227;o em Cl&#237;nica Geral, Universidade de Copenhaga</p>       <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>       <p>Uma decis&#227;o     cl&#237;nica informada deriva de um di&#225;logo, no qual ocorre a partilha de especificidades     biopsicossociais, prefer&#234;ncias e valores de uma pessoa com o seu m&#233;dico. Este,     por sua vez, partilha informa&#231;&#245;es associadas a um risco epidemiol&#243;gico ou de     uma interven&#231;&#227;o. O risco pode ser comunicado por palavras, n&#250;meros ou gr&#225;ficos,     sendo que o formato escolhido influencia as percep&#231;&#245;es e os comportamentos dos     utentes. O formato nem sempre &#233; compreendido e a incapacidade de raciocinar com     informa&#231;&#227;o num&#233;rica (inumeracia) constitui uma importante barreira a uma     comunica&#231;&#227;o eficaz. Apesar disso, &#233; poss&#237;vel minorar o impacto da inumeracia     atrav&#233;s de estrat&#233;gias comunicacionais. As frequ&#234;ncias naturais, a redu&#231;&#227;o de     risco absoluto e a utiliza&#231;&#227;o de pictogramas permitem uma percep&#231;&#227;o mais     realista do risco e tornam-no mais intelig&#237;vel, independentemente do grau de     numeracia. Existe sempre algum grau de incerteza associado &#224;s estimativas de     risco, mas o mais importante &#233; ajudar o utente a lidar com a incerteza. Al&#233;m     disso, o risco n&#227;o deve ser encarado num contexto populacional, mas antes     personalizado, tendo em conta os factores pessoais que modulam os benef&#237;cios ou     preju&#237;zos associados &#224;s interven&#231;&#245;es propostas. Independentemente das pol&#237;ticas     populacionais existentes, uma decis&#227;o de sa&#250;de cabe sempre ao utente, pessoa livre e     aut&#243;noma.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Risco, Comunica&#231;&#227;o em     Sa&#250;de, Incerteza, Tomada de Decis&#245;es, Medicina Individualizada.</p>  <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p>An informed     clinical decision arises from a dialogue, where the patient shares     biopsychosocial information, preferences and values with his/her physician.     Physicians share information about epidemiology and the risk of interventions.     We can communicate risk using words, numbers or graphs and the chosen format     influences patient&#8217;s perceptions and behaviour. The format is not always     understood, and the inability to reason with numbers (innumeracy) constitutes     an important barrier to communicate in an effective way. Despite that, the     impact of innumeracy can be lessened through communicational strategies.     Frequencies, absolute risk reduction and pictograms convey risk information in     a more realistic and understandable way, irrespective of numeracy. There is     always uncertainty about risk estimates, but physicians should focus on helping     patients dealing with uncertainty. Furthermore, we should understand risk in an     individualized context by taking into account personal factors that influence     benefits or harms related to the proposed interventions. Regardless of     population policies, decisions about health are always made by the patient, who   is an autonomous and free person.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Risk; Health Communication;     Uncertainty; Decision Making; Individualized Medicine.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Comunica&#231;&#227;o     de risco</b></p>       <p>Pode     definir-se risco como a quantifica&#231;&#227;o da ocorr&#234;ncia de um determinado evento     prejudicial, neutro ou ben&#233;fico.<sup>1</sup> No meio m&#233;dico &#233; geralmente     entendido como a probabilidade de se desenvolver uma determinada doen&#231;a,<sup>2</sup> tendo-se ampliado o conceito para incluir os efeitos nocivos da interven&#231;&#227;o     m&#233;dica (preven&#231;&#227;o quatern&#225;ria).<sup>3</sup></p>       <p>A     comunica&#231;&#227;o destes riscos tornou-se uma compet&#234;ncia essencial para os m&#233;dicos     de fam&#237;lia, tendo em vista a promo&#231;&#227;o de decis&#245;es cl&#237;nicas partilhadas e     informadas. De acordo com o modelo centrado no paciente, o utente &#233; o elemento     central na tomada de decis&#245;es de sa&#250;de. Primeiro, dever&#225; adquirir conhecimentos     sobre a sua doen&#231;a e as op&#231;&#245;es terap&#234;uticas dispon&#237;veis. S&#243; ent&#227;o poder&#225; tomar     uma decis&#227;o esclarecida, de acordo com os seus valores e prefer&#234;ncias. Neste     sentido, os m&#233;dicos de fam&#237;lia devem saber: 1) as frequ&#234;ncias das doen&#231;as e os     efeitos das interven&#231;&#245;es; 2) comunicar estas frequ&#234;ncias e efeitos e 3) evocar     prefer&#234;ncias e atitudes.</p>       <p>Se realizada     adequadamente, a comunica&#231;&#227;o de risco poder&#225; ajudar a combater a ilus&#227;o da     certeza: &#8220;os tratamentos s&#243; trazem benef&#237;cios, sem qualquer preju&#237;zo&#8221;;&nbsp; &#8220;existe um e apenas um melhor     tratamento&#8221;; &#8220;um teste diagn&#243;stico &#233; absolutamente certo&#8221;. Estas formas de     interpretar a realidade constituem um obst&#225;culo mental para se tomar uma     decis&#227;o esclarecida. Uma decis&#227;o &#233; sempre uma escolha entre duas ou mais     incertezas.<sup>1</sup></p>       <p>Muitas     vezes, os utentes e os m&#233;dicos apresentam dificuldades em pesar os benef&#237;cios e     preju&#237;zos de diferentes op&#231;&#245;es terap&#234;uticas. Al&#233;m disso, a educa&#231;&#227;o m&#233;dica     aborda de forma insuficiente as estrat&#233;gias de comunica&#231;&#227;o e os modos de     partilhar a decis&#227;o de sa&#250;de. O resultado &#233; uma pr&#225;tica cl&#237;nica que pode     conduzir a decis&#245;es unilaterais ou pouco esclarecidas.</p>       <p>O objectivo     deste artigo consiste em fornecer ferramentas que facilitem a comunica&#231;&#227;o de     risco e ajudem a lidar com o seu grau de complexidade. Ser&#227;o abordadas as     diferentes formas de comunicar o risco (palavras, n&#250;meros ou gr&#225;ficos) e a sua     influ&#234;ncia na percep&#231;&#227;o e na tomada de uma decis&#227;o pelo utente. Exploram-se,     ainda, os temas da inumeracia, do efeito da personaliza&#231;&#227;o das mensagens e da     comunica&#231;&#227;o da incerteza sobre os riscos. O artigo foca-se exclusivamente na     comunica&#231;&#227;o de frequ&#234;ncias e efeitos. Para ilustrar os aspectos te&#243;ricos mais relevantes     recorrer-se-&#225; a um di&#225;logo ficcionado acerca do rastreio de cancro colo-rectal     (CCR) no contexto de uma consulta de medicina geral e familiar. Os dados do     di&#225;logo baseiam-se na revis&#227;o sistem&#225;tica mais recente sobre rastreio de CCR     publicada pela colabora&#231;&#227;o Cochrane.<sup>4</sup></p>       <p><i>O Sr. Silva vem &#224; consulta da sua M&#233;dica de     Fam&#237;lia, Dr&#170; Prud&#234;ncia, para discutir o rastreio do CCR. Na semana anterior     tinha conversado com o seu colega de trabalho sobre a necessidade de realizar     este exame, tendo em conta que j&#225; tem 50 anos. Ficou a saber que a pesquisa de     sangue oculto nas fezes (PSOF) detecta um cancro antes de se verificar qualquer     sintoma, pelo que &#8220;s&#243; pode ser uma coisa boa!&#8221; Apesar disso, encara com algum     cepticismo este rastreio, lembrando-se de um amigo seu, cujo resultado do exame     foi positivo, revelando-se posteriormente um &#8220;falso alarme&#8221;. O Sr. Silva     pretende informar-se melhor acerca dos benef&#237;cios e preju&#237;zos do rastreio     atrav&#233;s da PSOF, antes de tomar uma decis&#227;o.</i></p>       <p><i>Para o Sr. Silva s&#227;o relevantes o risco de     ter CCR, de morrer por CCR e de ter um falso positivo, se aceitar ser     rastreado. De referir que o Sr. Silva n&#227;o toma medica&#231;&#227;o, n&#227;o apresenta     queixas, nem tem antecedentes familiares ou pessoais relevantes para neoplasia     intestinal.</i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>A Dr&#170; Prud&#234;ncia realiza, desde h&#225; 20 anos,     consultas centradas no paciente, pelo que se sente confort&#225;vel em descobrir     quais as prefer&#234;ncias e atitudes dos seus utentes. Leu ainda recentemente um     resumo da &#250;ltima revis&#227;o sistem&#225;tica4 sobre rastreio de CCR. Contudo, apresenta     algumas quest&#245;es sobre a melhor forma de comunicar os riscos das doen&#231;as e os     efeitos dos testes.</i></p>       <p><b>Compreens&#227;o     de dados num&#233;ricos na decis&#227;o cl&#237;nica</b></p>       <p>Frequentemente     comunica-se o risco atrav&#233;s de n&#250;meros. A interpreta&#231;&#227;o desta informa&#231;&#227;o &#233;     influenciada pela capacidade de compreender e utilizar informa&#231;&#227;o matem&#225;tica     simples (numeracia),<sup>1</sup> mas tamb&#233;m pelo formato da informa&#231;&#227;o     transmitida (percentagens, frequ&#234;ncias naturais, riscos absolutos e relativos,     n&#250;mero necess&#225;rio tratar).</p>       <p>Nem todas as     pessoas s&#227;o capazes de compreender e utilizar correctamente os n&#250;meros na     tomada de uma decis&#227;o.<sup>2</sup> V&#225;rios estudos documentam que muitos utentes     t&#234;m dificuldade em compreender informa&#231;&#227;o quantitativa em geral<sup>5</sup> e     que muitos profissionais de sa&#250;de cometem erros na interpreta&#231;&#227;o de informa&#231;&#227;o     estat&#237;stica, como por exemplo na compreens&#227;o de riscos relativos e valores     preditivos.<sup>1-2,5</sup> Com efeito, a educa&#231;&#227;o e a numeracia associam-se,     mas n&#227;o constituem sin&#243;nimos. &#201; necess&#225;rio tomar em considera&#231;&#227;o que a     dificuldade em pensar com n&#250;meros poder&#225; n&#227;o decorrer somente de uma forma&#231;&#227;o     insuficiente. Em parte, poder&#225; derivar de representa&#231;&#245;es que n&#227;o correspondem     ao modo de funcionamento intuitivo da nossa mente.<sup>1</sup></p>       <p>O     desconforto provocado por sintomas (e.g., dor, dispneia), a tens&#227;o emocional e     a curta dura&#231;&#227;o da consulta comprometem a capacidade de racioc&#237;nio, mesmo em     pessoas com boas capacidades num&#233;ricas. Quando a dificuldade da decis&#227;o     ultrapassa a capacidade de racioc&#237;nio l&#243;gico, os utentes decidem, recorrendo a     fontes emocionais em detrimento da informa&#231;&#227;o providenciada. Isto sucede, por     um lado, porque a informa&#231;&#227;o emocional &#233; mais f&#225;cil de processar. Por outro     lado, a quantidade de informa&#231;&#227;o pode ser demasiada para o tempo de consulta     dispon&#237;vel.<sup>2</sup> Deste modo, a inumeracia influencia as decis&#245;es de     sa&#250;de, acabando por ter impacto na sa&#250;de a n&#237;vel individual e populacional.</p>       <p>Pelos     motivos apresentados, compreende-se a relev&#226;ncia de discutir as melhores formas     de apresentar a informa&#231;&#227;o num&#233;rica. Boas escolhas podem minorar os efeitos da     inumeracia.</p>       <p><b>Enquadramento</b></p>       <p><i>A Dr&#170; Prud&#234;ncia consulta o quadro-resumo da     revis&#227;o sistem&#225;tica: em 1.000 pessoas, 20 desenvolvem CCR, sobrevivendo 12.     Como transmitir esta frequ&#234;ncia de mortalidade? Dever&#225; dizer ao Sr. Silva que     &#8220;12 pessoas em 20 sobrevivem a CCR&#8221; ou que &#8220;em 20 pessoas com CCR, morrem 8&#8221;?     Ambas as frases fornecem a mesma informa&#231;&#227;o. Mas qual delas &#233; melhor     compreendida?</i></p>       <p>O risco de     desenvolver uma doen&#231;a, bem como os preju&#237;zos ou benef&#237;cios de uma interven&#231;&#227;o,     podem ser retratados de um modo positivo, como um ganho, ou de um modo     negativo, como uma perda. Estas diferen&#231;as na forma de apresentar o risco s&#227;o     designadas de <i>enquadramento.</i><sup>6</sup> Distinguem-se dois tipos de enquadramento: atributos e efeitos.</p>       <p>O     enquadramento de atributos permite retratar o risco associado a uma doen&#231;a como     algo positivo ou negativo. Como exemplo de enquadramento de atributos positivo     temos &#8221;12 pessoas em 20 sobrevivem a CCR&#8221; e, como exemplo de enquadramento de     atributos negativo, &#8220;em 20 pessoas com CCR, morrem 8&#8221;. O enquadramento de     efeitos, por seu lado, possibilita a apresenta&#231;&#227;o das consequ&#234;ncias decorrentes     de uma interven&#231;&#227;o como um ganho (e.g., &#8220;a realiza&#231;&#227;o de PSOF aumenta a     probabilidade de sobreviver a CCR&#8221;) ou como uma perda (e.g., &#8220;a n&#227;o realiza&#231;&#227;o     de PSOF aumenta a probabilidade de morrer de CCR&#8221;).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma revis&#227;o     da Cochrane concluiu que as mensagens sobre atributos s&#227;o melhor compreendidas     quando apresentadas de modo negativo. Relativamente ao enquadramento de     efeitos, n&#227;o existem estudos sobre compreens&#227;o da mensagem. Contudo,     verifica-se uma percep&#231;&#227;o de maior efic&#225;cia, em rela&#231;&#227;o aos rastreios,     utilizando o enquadramento de efeitos negativo.<sup>6</sup> A melhor     compreens&#227;o ou percep&#231;&#227;o de maior efic&#225;cia podem n&#227;o se traduzir em altera&#231;&#245;es     no comportamento. Ao contr&#225;rio do que se pensava, a prova cient&#237;fica     actualmente dispon&#237;vel, de qualidade baixa a moderada, sugere que o     enquadramento de atributos e efeitos tem um efeito bastante reduzido ou mesmo     nulo na tomada de decis&#227;o em sa&#250;de.<sup>6</sup></p>       <p>Apesar de     n&#227;o se verificarem efeitos do enquadramento a n&#237;vel do comportamento,     desconhece-se se a percep&#231;&#227;o de uma maior efic&#225;cia determinar&#225; uma melhor     resposta ao tratamento ou que efeitos ter&#225; do ponto de vista psicol&#243;gico. A     mesma informa&#231;&#227;o, transmitida por palavras diferentes, &#233; recebida de um modo     tamb&#233;m diferente. A utiliza&#231;&#227;o de ant&#243;nimos, sin&#243;nimos ou de nega&#231;&#227;o s&#227;o     aspectos ainda pouco investigados, mas poder&#227;o originar diferentes reac&#231;&#245;es no     interlocutor.</p>       <p><b>Formato</b></p>       <p><b>N&#250;meros</b></p>       <p><i>A Dr&#170; Prud&#234;ncia considera importante     transmitir ao Sr. Silva o seu risco de desenvolver CCR. Decide apresentar esta     informa&#231;&#227;o utilizando enquadramento de atributos negativo:</i></p>       <p><i>Dr&#170; Prud&#234;ncia - Sr. Silva, antes de     tomar uma decis&#227;o, tem de ter em conta que o seu risco de desenvolver CCR &#233; de     0,02.</i></p>       <p><i>Sr. Silva - Ah&#8230; mas ent&#227;o isso &#233; um     risco muito baixo, ou estarei enganado?</i></p>       <p><i>Dr&#170; Prud&#234;ncia - Dizendo por outras     palavras, o seu risco de desenvolver CCR &#233; de 2%.</i></p>       <p><i>Sr. Silva - Ent&#227;o, mas afinal o risco     &#233; de 2 ou de 0,02? Assim j&#225; parece um pouco maior.</i></p>       <p><i>Dr&#170; Prud&#234;ncia - S&#227;o formas diferentes     de dizer o mesmo. Melhor dizendo, em 1.000 pessoas como o senhor (entre os 50 e     os 70 anos) que n&#227;o fazem rastreio, 20 t&#234;m cancro do intestino.</i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A m&#233;dica do     Sr. Silva pretende transmitir-lhe o risco que este apresenta de desenvolver     CCR. Este risco pode ser representado na forma de propor&#231;&#227;o (a propor&#231;&#227;o de     pessoas que desenvolvem CCR &#233; de 0,02), de percentagem (dois por cento das     pessoas desenvolvem CCR) ou de frequ&#234;ncia absoluta (em cada 1.000 pessoas, 20     desenvolver&#227;o CCR).<sup>4</sup></p>       <p>Matematicamente     n&#227;o existe diferen&#231;a em expressar a informa&#231;&#227;o como propor&#231;&#227;o, percentagem ou     frequ&#234;ncia absoluta. No entanto, a compreens&#227;o, a percep&#231;&#227;o de risco e o     comportamento s&#227;o influenciados pela forma de representar o risco.<sup>7</sup></p>       <p>As     percentagens constituem uma forma de representa&#231;&#227;o estat&#237;stica que as pessoas     poder&#227;o n&#227;o saber calcular e consequentemente n&#227;o compreender a sua relev&#226;ncia.<sup>1</sup> Entendem-nas como abstractas e sentem que n&#227;o se aplicam a elas pr&#243;prias. As     frequ&#234;ncias naturais s&#227;o percepcionadas como mais v&#237;vidas e pessoais. Por este     motivo, muitos advogam a convers&#227;o de percentagens em frequ&#234;ncias naturais.     Numa revis&#227;o publicada pela Cochrane concluiu-se que as frequ&#234;ncias naturais     s&#227;o melhor compreendidas que as percentagens. Parecem, ainda, constituir a melhor     forma de comunicar risco de doen&#231;a em contexto de rastreio ou testes     diagn&#243;sticos.<sup>8</sup></p>       <p>No entanto,     &#233; necess&#225;rio ter cuidado com dois potenciais problemas que surgem com a     utiliza&#231;&#227;o de frequ&#234;ncias naturais: neglig&#234;ncia do denominador e confus&#227;o do     denominador. A neglig&#234;ncia do denominador deriva do facto de a aten&#231;&#227;o se focar     no n&#250;mero de eventos em detrimento do tamanho da popula&#231;&#227;o. Por exemplo, pode     percepcionar-se o risco de desenvolver CCR de 2 em 100 como inferior a 20 em     1.000, quando na realidade s&#227;o riscos equivalentes.<sup>4,9</sup> Confus&#227;o do     denominador surge quando se comparam riscos com diferentes denominadores.     Algumas pessoas t&#234;m maior probabilidade de focar-se no numerador e confundir-se     ao n&#227;o reconhecer, por exemplo, que o risco de morrer por CCR de 8 em 1.000 &#233;     menor que o risco de desenvolver CCR de 2 em 100. Deste modo, a informa&#231;&#227;o deve     ser sempre apresentada com os mesmos denominadores. O exemplo acima referido     seria melhor compreendido se se comparasse o risco de desenvolver CCR de 20 em 1.000     com o de morrer por CCR de 8 em 1.000.<sup>4,9</sup></p>       <p><i>Dr&#170; Prud&#234;ncia - E se essas 1.000     pessoas fizessem rastreio, morria menos uma pessoa de cancro do intestino.</i></p>       <p><i>Sr. Silva - Menos uma pessoa em 1.000?     Isso parece-me pouco...</i></p>       <p><i>Dr&#170; Prud&#234;ncia - Olhe que com o teste &#224;s     fezes h&#225; 12,5% menos mortes...</i></p>       <p><i>Sr. Silva - Ent&#227;o prefiro fazer o     teste &#224;s fezes do que o rastreio.</i></p>       <p><i>Dr&#170; Prud&#234;ncia - Hmmm, acho que n&#227;o me     expliquei bem. Deixe-me l&#225; tentar outra vez: &#233; preciso rastrear 1.000 pessoas     para que uma delas beneficie do rastreio.</i></p>       <p><i>Sr. Silva - Oh Doutora, j&#225; n&#227;o percebo     nada! &#201; boa ideia fazer o teste &#224;s fezes ou n&#227;o?</i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A varia&#231;&#227;o     de risco associada a determinada interven&#231;&#227;o (a rela&#231;&#227;o entre o risco final e o     risco de base) pode ser expressa atrav&#233;s de redu&#231;&#227;o de risco absoluto, redu&#231;&#227;o     de risco relativo e n&#250;mero necess&#225;rio tratar (<a href="#q1">quadro I</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n2/31n2a08q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>A redu&#231;&#227;o de     risco relativo &#233; percepcionada como maior e &#233; mais persuasiva que a redu&#231;&#227;o de     risco absoluto ou o n&#250;mero necess&#225;rio tratar, sugerindo benef&#237;cios superiores     aos que realmente existem.<sup>1,8</sup> Al&#233;m disso, as redu&#231;&#245;es de risco     relativo ou absoluto s&#227;o melhor compreendidas do que o n&#250;mero necess&#225;rio     tratar. No entanto, n&#227;o &#233; certo que maior compreens&#227;o, percep&#231;&#227;o ou persuas&#227;o     se traduzam em diferen&#231;as no comportamento de ades&#227;o a testes, rastreios ou     tratamentos.<sup>8</sup> Curiosamente, a revis&#227;o sugere que os profissionais de     sa&#250;de apresentam dificuldades semelhantes aos outros participantes na     interpreta&#231;&#227;o dos diferentes formatos num&#233;ricos.<sup>8</sup></p>       <p>Para     organiza&#231;&#245;es que pretendem promover uma determinada interven&#231;&#227;o (como &#233; o caso     de servi&#231;os de sa&#250;de p&#250;blica, de sociedades cient&#237;ficas e da ind&#250;stria     farmac&#234;utica), a redu&#231;&#227;o de risco relativo &#233; a melhor forma de apresentar     informa&#231;&#227;o, dado ser mais persuasiva. Contudo, do ponto de vista dos utentes, o     melhor formato ser&#225; aquele que resulte em decis&#245;es mais consistentes com uma     boa compreens&#227;o e com os seus valores e prefer&#234;ncias pessoais.<sup>8</sup> Se a     redu&#231;&#227;o de risco relativo for utilizada deve ser igualmente apresentado o risco     de base ou a varia&#231;&#227;o absoluta de risco. De modo contr&#225;rio, a redu&#231;&#227;o de risco     relativo poder&#225; conduzir a decis&#245;es mal informadas, particularmente quando o     risco de base for reduzido. Por exemplo, o rastreio por PSOF associa-se a uma     redu&#231;&#227;o relativa do risco de morrer por CCR de 12,5%. No entanto, quando se     transmite tamb&#233;m que o risco de morte por CCR &#233; 0,8% tem-se uma percep&#231;&#227;o de     menor efeito do rastreio. De qualquer forma, a magnitude da varia&#231;&#227;o de risco &#233;     melhor transmitida sob a forma de redu&#231;&#227;o de risco absoluto (0,1%),     principalmente se apresentada como frequ&#234;ncia natural (1 em 1.000).<sup>8</sup></p>       <p>Em rela&#231;&#227;o &#224;     transmiss&#227;o da informa&#231;&#227;o num&#233;rica, a prova cient&#237;fica &#233; escassa sobre as     diferen&#231;as entre a comunica&#231;&#227;o verbal e a comunica&#231;&#227;o escrita. A maioria da     investiga&#231;&#227;o tem-se centrado na comunica&#231;&#227;o escrita. Com efeito, isto suscita     algumas quest&#245;es, dado que a maioria dos profissionais de sa&#250;de providencia     informa&#231;&#245;es verbalmente.<sup>2</sup></p>       <p>Em nosso     entender, a import&#226;ncia do formato num&#233;rico na comunica&#231;&#227;o de risco levanta a     necessidade da educa&#231;&#227;o m&#233;dica abordar as vantagens e desvantagens dos     diferentes formatos num&#233;ricos, privilegiando as frequ&#234;ncias naturais e a redu&#231;&#227;o     de risco absoluto. A adop&#231;&#227;o destes formatos conduzir&#225; a uma melhor compreens&#227;o     e a uma percep&#231;&#227;o mais realista da informa&#231;&#227;o. Al&#233;m disso, torna-se imposs&#237;vel     memorizar os riscos associados a todas as doen&#231;as e interven&#231;&#245;es com as quais o     m&#233;dico de fam&#237;lia se pode deparar. &#201; essencial aumentar a acessibilidade &#224;     informa&#231;&#227;o e a materiais de apoio &#224; consulta.</p>       <p><b>Gr&#225;ficos</b></p>       <p><i>O Sr. Silva ainda n&#227;o se sentia     suficientemente esclarecido para tomar uma decis&#227;o sobre o rastreio. A Dr&#170;     Prud&#234;ncia pesquisou ent&#227;o na Internet uma s&#233;rie de folhetos com gr&#225;ficos sobre     os benef&#237;cios e preju&#237;zos do rastreio por PSOF. Mas quais s&#227;o os melhores     gr&#225;ficos para esclarecer o Sr. Silva?</i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O uso de     gr&#225;ficos &#233; recomendado para complementar a informa&#231;&#227;o verbal e num&#233;rica.<sup>9-10</sup> De facto, a convers&#227;o do risco num&#233;rico em gr&#225;ficos pode facilitar a percep&#231;&#227;o     visual da informa&#231;&#227;o do risco.<sup>9,11</sup> O melhor desenho para um gr&#225;fico     depende do objectivo da comunica&#231;&#227;o do risco: promover a compreens&#227;o de dados     quantitativos ou mudar comportamentos.<sup>11</sup> Para isso, podem ser     utilizados diferentes tipos de gr&#225;ficos, como os gr&#225;ficos de &#237;cones, os     gr&#225;ficos de barras e circulares, as escadas e escalas de risco e as curvas de     sobreviv&#234;ncia e mortalidade.</p>       <p><b>Gr&#225;ficos de &#237;cones</b></p>       <p>Os gr&#225;ficos     de &#237;cones (<a href="#f1">figura 1</a>) permitem uma representa&#231;&#227;o visual do risco atrav&#233;s de um     conjunto de figuras, em que cada figura representa uma pessoa ou grupo     (vari&#225;vel discreta). Os dados s&#227;o melhor compreendidos nesta forma do que     atrav&#233;s de probabilidades ou percentagens.<sup>11</sup> Diversos estudos     sugerem que os pictogramas exprimem melhor o risco em rela&#231;&#227;o a outros tipos de     gr&#225;fico.<sup>12-14</sup> A analogia visual com a informa&#231;&#227;o de risco &#233; clara     para pessoas com baixo grau de numeracia e mostra a rela&#231;&#227;o da parte com o     todo.<sup>2</sup></p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n2/31n2a08f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p   >    <p><b>Gr&#225;ficos de barras</b></p>       <p>Os gr&#225;ficos     de barras s&#227;o amplamente conhecidos, mas parece que n&#227;o facilitam a percep&#231;&#227;o     da informa&#231;&#227;o de um ponto de vista personalizado, relevante para o pr&#243;prio.<sup>2</sup> Adicionalmente, as caracter&#237;sticas gr&#225;ficas que favorecem a compreens&#227;o dos     aspectos quantitativos diferem das que introduzem mudan&#231;as no comportamento.<sup>11</sup> Os gr&#225;ficos que traduzem a rela&#231;&#227;o da parte com o todo (figura 2) facilitam a     compreens&#227;o da raz&#227;o entre o numerador (n&#250;mero de indiv&#237;duos afectados) e o     denominador (toda a popula&#231;&#227;o em risco).<sup>9,11</sup> Se reflectirem apenas o     numerador &#233; amplificada a percep&#231;&#227;o do risco, com consequ&#234;ncias na tomada de     decis&#227;o e comportamento (<a href="#f2">figura 2</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n2/31n2a08f2.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p   >    <p>De certo     modo, a caracter&#237;stica mais importante num gr&#225;fico &#233; a simplicidade visual,     pois independentemente da precis&#227;o dos aspectos quantitativos, os utentes     preferem gr&#225;ficos com menos elementos visuais.<sup>11</sup></p>       <p><b>Tabelas de risco, escadas e escalas de     risco</b></p>       <p>A varia&#231;&#227;o     do risco, de muito baixa a muito elevada, pode ser apresentada numa tabela     vertical (escada) ou horizontal (escala). Um exemplo conhecido deste tipo de     gr&#225;fico &#233; a tabela de risco SCORE, que resulta da conjuga&#231;&#227;o de v&#225;rios factores     de risco cardiovascular, tomando-se decis&#245;es terap&#234;uticas ou preventivas a     partir de determinados limiares. Uma das vantagens das escadas ou escalas de     risco em rela&#231;&#227;o &#224; comunica&#231;&#227;o em formato num&#233;rico &#233; a capacidade de comparar     diversos riscos simultaneamente.<sup>11</sup> Neste tipo de gr&#225;ficos &#233; poss&#237;vel     introduzir limiares a partir dos quais &#233; necess&#225;rio tomar determinadas ac&#231;&#245;es.</p>       <p><b>Comunica&#231;&#227;o     de risco personalizada</b></p>       <p><i>A Dr&#170; Prud&#234;ncia interroga-se sobre se os     riscos que comunicou ao Sr. Silva estar&#227;o correctos. Afinal, &#233; um risco     calculado a partir de homens e mulheres que participaram em ensaios cl&#237;nicos     realizados noutros pa&#237;ses e noutro tempo (h&#225; cerca de 20 anos). Talvez fosse     melhor procurar estudos que tomassem em considera&#231;&#227;o o sexo, a idade e outros     factores de risco para CCR.</i></p>       <p>A     comunica&#231;&#227;o personalizada &#233; um di&#225;logo que pretende alcan&#231;ar uma pessoa em     particular, baseando-se nas caracter&#237;sticas que lhe s&#227;o &#250;nicas. A     personaliza&#231;&#227;o pode tomar em considera&#231;&#227;o qualquer caracter&#237;stica pessoal,     nomeadamente factores de risco para uma determinada condi&#231;&#227;o (idade, sexo,     antecedentes familiares, h&#225;bitos tab&#225;gicos, etan&#243;licos, marcadores de risco,     entre outros). </p>       <p>A     comunica&#231;&#227;o personalizada dever&#225; basear-se em prova cient&#237;fica de qualidade que     permita categorizar o risco de um modo objectivo. Existem estudos que     identificam vari&#225;veis de progn&#243;stico e desenvolvem modelos matem&#225;ticos para     prever quem ter&#225; maior risco de desenvolver determinada doen&#231;a. Ap&#243;s estes     modelos serem validados em popula&#231;&#245;es diferentes, &#233; poss&#237;vel transform&#225;-los em     calculadoras ou outros materiais de consulta. Estas ferramentas devem fornecer,     de modo simples e r&#225;pido, um risco personalizado, como &#233; o exemplo da     ferramenta FRAX<sup>&#174;</sup>. Embora desej&#225;vel do ponto de vista comunicacional,     esta informa&#231;&#227;o de risco personalizada apenas est&#225; dispon&#237;vel para um conjunto     limitado de doen&#231;as. Por esse motivo, a comunica&#231;&#227;o de risco &#233; geralmente     efectuada de um modo pouco sistem&#225;tico, decorrendo da valoriza&#231;&#227;o intuitiva e     subjectiva que cada m&#233;dico atribui aos diferentes factores de risco.</p>       <p>A     personaliza&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o &#233; apoiada por teoria psicol&#243;gica e prova emp&#237;rica.     Do ponto de vista te&#243;rico, as mensagens personalizadas s&#227;o mais relevantes para     o indiv&#237;duo, s&#227;o melhor processadas e compreendidas.<sup>15</sup> Consequentemente, as mensagens s&#227;o mais eficazes a modificar a percep&#231;&#227;o da     susceptibilidade &#224; doen&#231;a. Segundo o modelo de cren&#231;as em sa&#250;de, uma     determinante-chave dos comportamentos de sa&#250;de &#233; a percep&#231;&#227;o de perigo.<sup>16</sup> Uma revis&#227;o da Cochrane sintetiza a prova emp&#237;rica: a personaliza&#231;&#227;o do risco     melhora de modo significativo a tomada de uma decis&#227;o informada. Verifica-se um     aumento dos conhecimentos referentes aos m&#233;todos de rastreio e uma melhor     percep&#231;&#227;o de risco. Em termos de comportamento, parece existir uma maior ades&#227;o     aos programas de rastreio, principalmente entre os participantes que se     consideraram como tendo um risco mais elevado de contrair doen&#231;a.<sup>15</sup></p>       <p><b>Incerteza</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>A Dr&#170; Prud&#234;ncia tem ainda algumas d&#250;vidas em     rela&#231;&#227;o aos n&#250;meros que consultou. Por um lado, tranquiliza-a o facto de     tratarem-se de dados retirados de uma revis&#227;o da Cochrane; mas sabe, por outro     lado, que existe sempre risco de vi&#233;s, os testes usados nos ensaios cl&#237;nicos     s&#227;o diferentes dos dispon&#237;veis nos laborat&#243;rios da sua zona e os ensaios     tiveram lugar h&#225; muitos anos. Al&#233;m disso, desconhece qual &#233; a popula&#231;&#227;o     relevante para fornecer o risco de CCR do Sr. Silva: dever&#225; usar os valores da     meta-an&#225;lise (que s&#227;o antigos) ou estat&#237;sticas nacionais (que t&#234;m muitos     asteriscos e letras pequeninas)? N&#227;o se ir&#225; enganar nas contas? Com tanta     d&#250;vida, o Sr. Silva ainda vai pensar que a Dr&#170; Prud&#234;ncia n&#227;o sabe nada.</i></p>       <p>&#201; poss&#237;vel     diferenciar cinco fontes de incerteza: 1) replica&#231;&#227;o do risco no futuro; 2)     ambiguidade sobre a for&#231;a/validade da prova cient&#237;fica; 3) significado pessoal     de riscos particulares (e.g., gravidade do risco e data de ocorr&#234;ncia do     evento); 4) complexidade da informa&#231;&#227;o de risco (multiplicidade de benef&#237;cios e     preju&#237;zos e incerteza sobre a varia&#231;&#227;o dos mesmos com o tempo); 5) incerteza     decorrente da ignor&#226;ncia.<sup>17</sup></p>       <p>A incerteza     sobre uma estimativa de risco &#233; frequentemente expressa atrav&#233;s do uso de     intervalos de confian&#231;a - intervalo de valores que corresponde a uma gama     de estimativas plaus&#237;veis para o verdadeiro risco em fun&#231;&#227;o do n&#250;mero de     eventos ocorridos.<sup>2</sup> No entanto, existem fontes de incerteza que n&#227;o     s&#227;o expressas neste intervalo de valores, podendo conduzir a que se subestime o     grau de incerteza.</p>       <p>Por exemplo,     quando calculamos o risco para um determinado utente observamos o que se passou     em pessoas semelhantes no passado. Essa informa&#231;&#227;o &#233; resumida numa estimativa     de risco, assumindo que se aplica ao nosso utente no futuro. Portanto, o risco     explica padr&#245;es de ocorr&#234;ncia do passado numa popula&#231;&#227;o de refer&#234;ncia que podem     n&#227;o se replicar.<sup>17</sup></p>       <p>Em parte, o     grau de incerteza depende da for&#231;a da prova cient&#237;fica. Esta &#233; afectada por     diversos factores, nomeadamente: o risco de vi&#233;s nos estudos individuais; a     imprecis&#227;o e a inconsist&#234;ncia dos resultados de estudos em popula&#231;&#245;es     semelhantes; a correspond&#234;ncia entre as vari&#225;veis do estudo e as vari&#225;veis de     interesse cl&#237;nico (les&#227;o vascular e doen&#231;a coron&#225;ria aguda, por exemplo) e,     finalmente, a suspei&#231;&#227;o de que nem todos os estudos feitos sobre o assunto     foram publicados. Qualquer problema nos factores atr&#225;s referidos poder&#225;     comprometer a confian&#231;a nos resultados (aumentar a incerteza).<sup>17</sup></p>       <p>Al&#233;m disso,     o facto de a avalia&#231;&#227;o de riscos e o estabelecimento de diagn&#243;sticos e de     decis&#245;es terap&#234;uticas tomarem lugar num encontro cl&#237;nico breve implica que     muitos factos n&#227;o sejam falados ou apenas sumariamente referidos. Isto pode     conduzir a incerteza sobre o estado actual do utente. Os m&#233;dicos nem sempre rev&#234;em     os antecedentes familiares e os utentes, por vezes, n&#227;o se lembram de factores     importantes para calcular o risco.<sup>17</sup></p>       <p>A prova     cient&#237;fica &#233; bastante escassa sobre a melhor forma de comunicar a incerteza.     Dada a complexidade das respostas cognitivas, emocionais e comportamentais dos     utentes, muitos advogam que o foco da comunica&#231;&#227;o de risco deve ser ajudar os     utentes a tolerar e lidar com a incerteza, em vez de ajudar a compreend&#234;-la.<sup>18</sup></p>       <p><b>Conclus&#227;o</b></p>       <p>A     comunica&#231;&#227;o de risco constitui um pilar importante na promo&#231;&#227;o de decis&#245;es de     sa&#250;de partilhadas e esclarecidas. O risco pode ser comunicado sob a forma de     n&#250;meros, palavras ou gr&#225;ficos, sendo que o formato escolhido influencia as     percep&#231;&#245;es e os comportamentos do utente. Por exemplo, a personaliza&#231;&#227;o da     informa&#231;&#227;o e a sua express&#227;o na forma de frequ&#234;ncias naturais, risco absoluto e     pictogramas favorecem a tomada de uma decis&#227;o informada e individualizada.     Contudo, independentemente do formato escolhido, &#233; fundamental adequar a     mensagem ao utente e tomar em considera&#231;&#227;o que as decis&#245;es resultam da rela&#231;&#227;o     que se estabelece entre o m&#233;dico e o utente.</p>       <p><i>Felizmente, o Sr. Silva era um utente que a     Dr.&#170; Prud&#234;ncia imaginava, enquanto estudava este assunto. Na pr&#243;xima vez que     tenha um utente que queira falar de rastreio do CCR vai iniciar a conversa com     o risco de CCR, usando enquadramento negativo e frequ&#234;ncias naturais e vai     transmitir os efeitos de tratamento atrav&#233;s de riscos absolutos. Entretanto,     pediu a um dos alunos do 6.&#186; ano que desenhe um pictograma, baseado no quadro     resumo da revis&#227;o Cochrane. N&#227;o vai falar da incerteza numa primeira abordagem.</i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>REFERÊNCIAS     BIBLIOGRÁFICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1.     Gigerenzer G. Reckoning with risk: learning to live with uncertainty. London:     Penguin Press; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S2182-5173201500020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9780140297867</p>       <!-- ref --><p>2. French     MG. Health literacy and numeracy: workshop summary. Washington, DC: The     National Academies Press; 2014. Available from:     <a href="http://www.nap.edu/catalog.php?record_id=18660" target="_blank">http://www.nap.edu/catalog.php?record_id=18660</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S2182-5173201500020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. Jamoulle     M. Preven&#231;&#227;o quatern&#225;ria: a prop&#243;sito de um desenho. Rev Port Clin Geral.     2012;28(6):398-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S2182-5173201500020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Portuguese</p>       <!-- ref --><p>4. Holme &#216;,     Bretthauer M, Fretheim A, Odgaard-Jensen J, Hoff G. Flexible sigmoidoscopy     versus faecal occult blood testing for colorectal cancer screening in     asymptomatic individuals. Cochrane Database Syst Rev. 2013;9:CD009259.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S2182-5173201500020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5.     Gigerenzer G, Gaissmaier W, Kurz-Milcke E, Schwartz LM, Woloshin S.&nbsp; Helping doctors and patients make sense     of health statistics. Psychol Sci Publ Interest. 2008;8(2):53-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S2182-5173201500020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. Akl EA,     Oxman AD, Herrin J, Vist GE, Terrenato I, Sperati F, et al. Framing of health     information messages. Cochrane Database Syst Rev. 2011;12:CD006777.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S2182-5173201500020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. Hoffrage     U, Lindsey S, Hertwig R, Gigerenzer G. Medicine: communicating statistical     information. 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Science. 2011;333(6048):1393-400.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S2182-5173201500020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>10.     Fischhoff B, Brewer NT, Downs JS. Communicating risks and benefits: an     evidence-based user&#8217;s guide. Silver Spring, MD: The Food and Drug     Administration; 2011. 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Numeric, verbal, and visual formats of conveying health risks: suggested     best practices and future recommendations. Med Decis Making.     2007;27(5):696-713.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S2182-5173201500020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>14. Fagerlin     A, Zikmund-Fisher BJ, Ubel PA. Helping patients decide: ten steps to better     risk communication. J Natl Cancer Inst. 2011;103(19):1436-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S2182-5173201500020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>15. Edwards     AG, Naik G, Ahmed H, Elwyn GJ, Pickles T, Hood K, et al. Personalised risk     communication for informed decision making about taking screening tests.     Cochrane Database Syst Rev. 2013;2:CD001865.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S2182-5173201500020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>16. Becker     MH. The health belief model and personal health behaviour. San Francisco: C.B.     Slack; 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S2182-5173201500020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>17. Politi     MC, Han PK, Col NF. Communicating the uncertainty of harms and benefits of     medical interventions. Med Decis Making. 2007;27(5):681-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S2182-5173201500020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>18. Brashers     DE. Communication and uncertainty management. J Commun. 2001;51(3):477-97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S2182-5173201500020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      <p>Ricardo Rodrigues</p>       <p>USF Conde de     Oeiras</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Av. Salvador     Allende Oeiras</p>       <p>2780-163     Oeiras</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:ricardomoreirarodrigues@gmail.com">ricardomoreirarodrigues@gmail.com</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Agradecimentos</b></p>       <p>Os autores     agradecem &#224; Dra. Ana Ribeiro, Dra. Maria Jo&#227;o Martins e Dra. Nicole Marques     pelos coment&#225;rios que fizeram a uma vers&#227;o inicial do manuscrito.</p>       <p><b>Conflitos     de interesse</b></p>     <p>Os autores     declaram n&#227;o ter conflito de interesses.</p>     <p>Andr&#233; Tom&#233; &#233;     editor da RPMGF e n&#227;o esteve envolvido no processo de revis&#227;o editorial do presente artigo.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Recebido em 08-11-2014</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 08-04-2015</b></p>      ]]></body><back>
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