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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O descortinar de um diagnóstico de hematúria: relato de caso]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: The prevalence of lower urinary tract symptoms (LUTS) increases with age. They have significant impact on quality of life and commonly cause adults to seek medical care. When a middle-aged man presents with LUTS, we must consider diseases that affect the prostate, urethra, bladder and detrusor muscle. Case report: A 50 year-old male welder, with a previous history of dyslipidemia, 3,5 pack-years of smoking, and an episode of renal colic with renal microlithiasis came to his Family Physician in October 2012. He complained of dysuria, urinary frequency, terminal hematuria, and hypogastric pain. A diagnosis of cystitis was made and antibiotic therapy was prescribed after obtaining a urine culture. The urine culture was negative. In the absence of prostration, fever, and purulent discharge, and given a previous history of urolithiasis, this episode was reinterpreted as a second episode of renal colic. In August 2013, the patient presented with terminal dribbling, sporadic dysuria, and hematuria on urine dipstick analysis. An assay of total prostate specific antigen, an analysis of urinary sediment, and a transabdominal vesicoprostatic ultrasound were ordered. One month later a bulky neoplastic lesion of the bladder was found on ultrasound examination. Comment: Despite the presence of risk factors for bladder carcinoma (previous smoking and age over 35 years), this diagnosis was not considered at the initial consultation. On follow-up, other confounding factors emerged, including a past history of renal stones and the presence of symptoms suggestive of other diseases more common in this age group. The case report explores the complexity of the differential diagnosis of LUTS in an adult male. This is a common complaint in Family Medicine consultations, pointing to a set of disorders with defined diagnostic and therapeutic guidelines.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Hematúria]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Sintomas do Trato Urinário Inferior]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Neoplasias da Bexiga]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RELATOS DE CASOS</b></p>     <p><font size="4"><b>O descortinar de um diagn&#243;stico de hemat&#250;ria: relato de caso</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Diagnosing hematuria in a middle-aged man: a case report</b></font></p>     <p><b>Joana Sim&#245;es Casanova,<sup>1</sup> Alexandra Sousa<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar - Unidade de Sa&#250;de Familiar Oceanos, Unidade Local de Sa&#250;de de Matosinhos</p>     <p><sup>2</sup>M&#233;dica Assistente Graduada S&#233;nior em Medicina Geral e Familiar - Unidade de Sa&#250;de Familiar Le&#231;a, Unidade Local de Sa&#250;de de Matosinhos</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A preval&#234;ncia dos sintomas do aparelho urin&#225;rio baixo (LUTS) no homem aumenta com a idade e apresenta um enorme impacto na qualidade de vida, sendo uma das grandes causas de procura de cuidados m&#233;dicos pelo homem adulto. De uma forma geral, perante um homem com LUTS dever-se-&#227;o considerar as patologias que afetam a pr&#243;stata, a uretra, a bexiga e o m&#250;sculo detrusor.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Homem de 50 anos, soldador, com antecedentes pessoais de dislipidemia, um epis&#243;dio de c&#243;lica renal, microlit&#237;ase renal e ex-fumador de 3,5 UMA.</p>     <p>Em outubro de 2012 recorre &#224; consulta aberta por queixas de dis&#250;ria, polaqui&#250;ria, hemat&#250;ria terminal e dor hipog&#225;strica, tendo sido considerado o diagn&#243;stico de cistite com a indica&#231;&#227;o de cumprir antibioterapia, ap&#243;s colheita de urocultura. Perante resultado negativo da urocultura e por n&#227;o apresentar prostra&#231;&#227;o, febre nem corrimento purulento e pelos antecedentes de lit&#237;ase renal, interpretou-se como segundo epis&#243;dio de c&#243;lica renal. </p>     <p>Em agosto de 2013 apresenta-se na consulta programada com queixas de gotejamento final ao urinar e dis&#250;ria terminal espor&#225;dica de longa evolu&#231;&#227;o e hemat&#250;ria em tira-teste. Foram requisitados o PSA total, sedimento urin&#225;rio e ecografia vesicoprost&#225;tica que, um m&#234;s mais tarde, veio a revelar uma volumosa les&#227;o neopl&#225;sica da bexiga.</p>     <p><b>Coment&#225;rio:</b> Apesar da exist&#234;ncia de fatores de risco (tabagismo pr&#233;vio e idade superior a 35 anos) para o carcinoma da bexiga, este diagn&#243;stico n&#227;o foi considerado numa primeira fase. No acompanhamento deste quadro cl&#237;nico surgiram outros fatores de confundimento, como os antecedentes pessoais de lit&#237;ase renal e a presen&#231;a de sintomas sugestivos de outras patologias mais frequentes nesta faixa et&#225;ria.</p>     <p>O caso cl&#237;nico exposto pelas autoras revela a complexidade do escrut&#237;nio diagn&#243;stico dos LUTS no homem, t&#227;o comuns na consulta de medicina geral e familiar e que podem abranger um conjunto de patologias com orienta&#231;&#245;es terap&#234;uticas distintas.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Hemat&#250;ria; Sintomas do Trato Urin&#225;rio Inferior; Neoplasias da Bexiga.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> The prevalence of lower urinary tract symptoms (LUTS) increases with age. They have significant impact on quality of life and commonly cause adults to seek medical care. When a middle-aged man presents with LUTS, we must consider diseases that affect the prostate, urethra, bladder and detrusor muscle.</p>     <p><b>Case report:</b> A 50 year-old male welder, with a previous history of dyslipidemia, 3,5 pack-years of smoking, and an episode of renal colic with renal microlithiasis came to his Family Physician in October 2012. He complained of dysuria, urinary frequency, terminal hematuria, and hypogastric pain. A diagnosis of cystitis was made and antibiotic therapy was prescribed after obtaining a urine culture. The urine culture was negative. In the absence of prostration, fever, and purulent discharge, and given a previous history of urolithiasis, this episode was reinterpreted as a second episode of renal colic.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>In August 2013, the patient presented with terminal dribbling, sporadic dysuria, and hematuria on urine dipstick analysis. An assay of total prostate specific antigen, an analysis of urinary sediment, and a transabdominal vesicoprostatic ultrasound were ordered. One month later a bulky neoplastic lesion of the bladder was found on ultrasound examination.</p>     <p><b>Comment:</b> Despite the presence of risk factors for bladder carcinoma (previous smoking and age over 35 years), this diagnosis was not considered at the initial consultation. On follow-up, other confounding factors emerged, including a past history of renal stones and the presence of symptoms suggestive of other diseases more common in this age group. The case report explores the complexity of the differential diagnosis of LUTS in an adult male. This is a common complaint in Family Medicine consultations, pointing to a set of disorders with defined diagnostic and therapeutic guidelines. </p>     <p><b>Keywords:</b> Hematuria; Lower urinary tract symptoms; Urinary bladder neoplasms.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A preval&#234;ncia dos sintomas do trato urin&#225;rio inferior (LUTS) do homem aumenta com a idade (cerca de 30% dos homens com mais de 65 anos)<sup>1</sup> e pelo importante impacto que poder&#225; ter na qualidade de vida do homem adulto ocupa uma grande parte das consultas de medicina geral e familiar.</p>     <p>Na presen&#231;a destes sintomas existe uma forte tend&#234;ncia para direcionarmos as nossas hip&#243;teses de diagn&#243;stico para a hiperplasia benigna da pr&#243;stata, respons&#225;vel pela obstru&#231;&#227;o do trato de sa&#237;da da bexiga.<sup>2</sup> No entanto, &#233; necess&#225;rio seguir um racioc&#237;nio cuidadoso de forma a excluir as patologias que envolvem todo o aparelho urin&#225;rio, envolvendo: a pr&#243;stata, uretra, bexiga e os esf&#237;ncteres.<sup>3</sup></p>     <p>Neste contexto, o diagn&#243;stico de neoplasia da bexiga, na maioria das vezes, &#233; um diagn&#243;stico de exclus&#227;o por ser menos frequente do que os outros diagn&#243;sticos respons&#225;veis por LUTS. No presente caso cl&#237;nico, a probabilidade de tal diagn&#243;stico seria ainda menor pela exist&#234;ncia de alguns fatores de confundimento descritos ao longo deste artigo. Por essa baixa probabilidade, as autoras consideram pertinente a divulga&#231;&#227;o deste caso cl&#237;nico e relembrar os passos a seguir no escrut&#237;nio diagn&#243;stico de um homem adulto com LUTS.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso</b></p>     <p><b>Identifica&#231;&#227;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>J.F.N.Q. &#233; um utente caucasiano, tem 50 anos de idade e &#233; natural e residente no concelho de Matosinhos. Tem o sexto ano de escolaridade e a &#250;nica profiss&#227;o que exerceu at&#233; ao momento foi a de soldador. &#201; casado e tem um filho e uma neta. O seu agregado familiar &#233; constitu&#237;do por esposa e sogros, sendo uma fam&#237;lia do tipo alargada que pertence &#224; classe III de Grafar.</p>     <p>A <a href="#f1">Figura 1</a> revela o genograma familiar com a representa&#231;&#227;o da psicofigura de Mitchell do agregado familiar. Revela os antecedentes familiares mais relevantes, destacando-se a aus&#234;ncia de patologia oncol&#243;gica do sistema urin&#225;rio e a presen&#231;a de um caso de carcinoma (do col&#243;n) num parente de primeiro grau (m&#227;e do utente).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n3/31n3a07f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Antecedentes pessoais</b></p>     <p>J.F.N.Q. &#233; frequentador das consultas de medicina geral e familiar desde o ano 2000. Por ordem cronol&#243;gica, apresenta os seguintes antecedentes pessoais: no ano 2000, ocorr&#234;ncia de epis&#243;dio de paralisia facial perif&#233;rica e realizado diagn&#243;stico de surdez neurossensorial bilateral, iniciando seguimento em consulta externa de otorrinolaringologia. Em 2010 &#233; feito o diagn&#243;stico de diabetes <i>mellitus</i> tipo 2 que se mant&#233;m controlada com dieta e atividade f&#237;sica e, ainda, dislipidemia medicada e controlada com anti-dislipid&#233;mico. Em maio de 2011 sofre um epis&#243;dio de c&#243;lica renal aguda, documentado em ecografia renal. No ano de 2013, no &#226;mbito do rastreio do cancro colorretal, &#233; submetido a uma colonoscopia que revela um p&#243;lipo de 4mm (adenoma com displasia de baixo grau).</p>     <p>Sedent&#225;rio, ex-fumador h&#225; 27 anos (carga tab&#225;gica 3,5 UMA), sem h&#225;bitos et&#237;licos ou consumo de subst&#226;ncias de abuso. </p>     <p>J.Q. nega antecedentes de tuberculose urin&#225;ria, infe&#231;&#227;o cr&#243;nica do aparelho urin&#225;rio e schistosom&#237;ase urin&#225;ria. N&#227;o existia, ainda, hist&#243;ria de radia&#231;&#227;o p&#233;lvica e de tratamentos com ciclofosfamida e toma de pioglitazona&nbsp; para o controlo da diabetes <i>mellitus</i> tipo 2.</p>     <p><b>Hist&#243;ria da doen&#231;a atual</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>29 de outubro de 2012 - Consulta aberta</b></p>     <p>O utente dirigiu-se &#224; consulta aberta por apresentar hemat&#250;ria terminal, dor hipog&#225;strica, dis&#250;ria e polaqui&#250;ria com 12 horas de evolu&#231;&#227;o. N&#227;o apresentava n&#225;useas, v&#243;mitos, dor lombar ou febre. Ao exame objetivo encontrava-se corado, apir&#233;tico e, &#224; palpa&#231;&#227;o abdominal, sem altera&#231;&#245;es de relevo, com Murphy renal negativo. Realizou tira-teste &#224; urina que evidenciou hemat&#250;ria isolada.</p>     <p>Perante este quadro cl&#237;nico, foi considerada como primeira hip&#243;tese de diagn&#243;stico uma infe&#231;&#227;o do trato urin&#225;rio (ITU). No seu diagn&#243;stico diferencial foram tidas em conta as seguintes patologias: prostatite, orquiepididimite ou uretrite. </p>     <p>Por o utente n&#227;o apresentar queixas de dor escrotal nem corrimento uretral, diminuiu a probabilidade de se tratar de uma orquiepididimite e uretrite.</p>     <p>Na aus&#234;ncia de febre, calafrios e mal-estar generalizado, a prostatite foi considerada como menos prov&#225;vel. No entanto, tendo em conta a frequente coexist&#234;ncia de prostatite e cistite no homem e a dificuldade em distingui-las, a m&#233;dica de fam&#237;lia prescreveu ciprofloxacina 500mg duas vezes por dia, durante sete dias e requisitou urocultura com a indica&#231;&#227;o de colher a amostra de urina antes da primeira toma de antibi&#243;tico. Ap&#243;s resultado, seria contactado caso fosse necess&#225;rio alterar a atitude terap&#234;utica. </p>     <p>Tr&#234;s dias ap&#243;s a consulta foi obtido o resultado da urocultura que se revelou negativa. Ao consultar o processo cl&#237;nico, estava descrito em duas ecografias renais (nos anos de 2010 e 2012) a presen&#231;a de microlit&#237;ase e hist&#243;ria de um epis&#243;dio de c&#243;lica renal, o que configurou mais um dado cl&#237;nico e mais uma hip&#243;tese diagn&#243;stica: c&#243;lica renal. O doente foi contactado e referia desaparecimento das queixas. Tendo em conta estes antecedentes, as queixas do doente, o achado de hemat&#250;ria isolada na tira-reativa e uma urocultura negativa, foi interpretado como um epis&#243;dio de c&#243;lica renal aguda com resolu&#231;&#227;o clinica espont&#226;nea.</p>     <p><b>29 de dezembro de 2012 - Servi&#231;o de Atendimento de Situa&#231;&#245;es de Urg&#234;ncia (SASU)</b></p>     <p>O utente recorreu ao SASU por apresentar dor abdominal generalizada, sem irradia&#231;&#227;o e n&#225;useas, com uma semana de evolu&#231;&#227;o. Referia ter tido v&#243;mitos nos primeiros dias da doen&#231;a que remitiram e apresentava dis&#250;ria e hemat&#250;ria com aparecimento nas &#250;ltimas 24 horas, sem febre. Existia hist&#243;ria de conviventes com gastroenterite. </p>     <p>Ao exame objetivo apresentava-se com bom estado geral, mucosas coradas e hidratadas, hemodinamicamente est&#225;vel, apir&#233;tico, com dor abdominal &#224; palpa&#231;&#227;o superficial, sem defesa, sem massas ou organomegalias palp&#225;veis e sinal de Murphy renal negativo.</p>     <p>Realizou de novo tira-teste &#224; urina que evidenciou apenas presen&#231;a de sangue. Foi interpretado como c&#243;lica renal e teve alta com recomenda&#231;&#245;es para analgesia e vigil&#226;ncia dos sinais de alarme.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>23 de janeiro de 2013 - Consulta programada</b></p>     <p>Na sua consulta de vigil&#226;ncia da diabetes <i>mellitus</i> tipo 2, o utente referiu queixas de lombalgias epis&#243;dicas do tipo inflamat&#243;rio. Nas an&#225;lises realizadas nos 13 dias anteriores &#224; consulta n&#227;o apresentava altera&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o renal (creatinina: 0,8mg/dL; ureia: 27mg/dL).</p>     <p>Perante o conhecimento de um segundo epis&#243;dio de c&#243;lica renal decorrido no m&#234;s anterior e a presen&#231;a de lombalgias, apesar de uma fun&#231;&#227;o renal normal, foi requisitada ecografia renal para excluir complica&#231;&#245;es associadas a urolit&#237;ase, nomeadamente o aumento do tamanho dos c&#225;lculos j&#225; conhecidos, uma poss&#237;vel obstru&#231;&#227;o e hidronefrose. </p>     <p><b>21 de agosto de 2013 - Consulta programada </b></p>     <p>Na consulta programada queixou-se de jacto fino e gotejante e dis&#250;ria terminal espor&#225;dica com 3 meses de dura&#231;&#227;o. Negava hemat&#250;ria e febre. A tira-teste reativa revelava vest&#237;gios de sangue.</p>     <p>Foi realizada a consulta de vigil&#226;ncia e, na sequ&#234;ncia das queixas apresentadas que teriam um impacto importante na sua qualidade de vida, foi feito um pedido de ecografia vesicoprost&#225;tica, urina tipo II e PSA total. </p>     <p><b>13 de setembro de 2013 - Consulta aberta</b></p>     <p>O utente recorreu &#224; consulta aberta com os resultados dos exames complementares de diagn&#243;stico. O sedimento urin&#225;rio e o valor de PSA, realizados a 26 de agosto de 2013, estavam normais. A ecografia renal, realizada a 12 de setembro de 2013, evidenciava dois quistos sinusais de 11mm e 20mm e microc&#225;lculos escassos e bilaterais, n&#227;o provocando obstru&#231;&#227;o das &#225;rvores excretoras. Na mesma data foi efetuada uma ecografia vesicoprost&#225;tica que identificou: &#8220;Uma volumosa les&#227;o neopl&#225;sica da bexiga, medindo o seu maior di&#226;metro 45mm e com volume de 54cc. Bexiga com parede discretamente espessada com quadro de bexiga de esfor&#231;o. Observa-se uma gl&#226;ndula prost&#225;tica ligeiramente aumentada de dimens&#245;es, estimando-se o seu peso em 35 gramas. Os contornos s&#227;o regulares e a ecoestrutura homog&#233;nea. Res&#237;duo p&#243;s-miccional nulo&#8221;. </p>     <p>Perante o diagn&#243;stico, ainda n&#227;o confirmado por bi&#243;psia e cistoscopia, a m&#233;dica de fam&#237;lia contactou o servi&#231;o de urologia do hospital da &#225;rea de resid&#234;ncia e referenciou-o de forma urgente para a consulta externa.</p>     <p><b>Outubro de 2013 - Em consulta hospitalar</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O utente foi submetido a duas recess&#245;es transuretrais completas com diagn&#243;stico histol&#243;gico de &#8220;Carcinoma urotelial sem invas&#227;o da submucosa, de baixo grau com focos de alto grau&#8221;.</p>     <p>Atualmente encontra-se vigiado na consulta de urologia sob tratamentos de mitomicina C (MMC) de manuten&#231;&#227;o e vigil&#226;ncia por cistoscopia.</p>     <p>A <a href="#f2">figura 2</a> representa a evolu&#231;&#227;o cronol&#243;gica dos acontecimentos desde os primeiros sintomas at&#233; ao diagn&#243;stico final.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n3/31n3a07f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Coment&#225;rio</b></p>     <p>Na regi&#227;o Norte do pa&#237;s, em 2008, o carcinoma da bexiga era o quinto tumor mais frequente no sexo masculino (7,3% do n&#250;mero total de casos), depois dos tumores da pr&#243;stata, do pulm&#227;o, c&#243;lon e est&#244;mago.<sup>4</sup> </p>     <p>O fator de risco ambiental mais conhecido para o carcinoma da bexiga &#233; o consumo de tabaco (atual ou pr&#233;vio). Os fumadores apresentam um risco de desenvolver carcinoma da bexiga sete vezes superior ao risco de um n&#227;o fumador.<sup>5</sup></p>     <p>Nos pa&#237;ses industrializados, at&#233; 10% dos cancros com essa localiza&#231;&#227;o s&#227;o causados por exposi&#231;&#227;o ocupacional a carcinog&#233;neos, como: aminas arom&#225;ticas, agentes da ind&#250;stria autom&#243;vel, maquinarias e peles.<sup>5</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outros fatores de risco encontrados na bibliografia incluem: pertencer ao sexo masculino e de etnia caucasiana, idade superior a 35 anos, hist&#243;ria familiar, contacto com &#225;gua contaminada com ars&#233;nico, infe&#231;&#227;o cr&#243;nica da bexiga, tuberculose geniturin&#225;ria, algalia&#231;&#227;o cr&#243;nica e schistosom&#237;ase urin&#225;ria e utiliza&#231;&#227;o de alguns f&#225;rmacos de risco (e.g., ciclofosfamida, pioglitazona).<sup>5-7</sup></p>     <p>O utente apresentado neste caso cl&#237;nico &#233; um ex-fumador de carga tab&#225;gica baixa e a sua profiss&#227;o (soldador) n&#227;o representa uma profiss&#227;o de risco por exposi&#231;&#227;o a estes componentes. Para al&#233;m disso, a aus&#234;ncia de hist&#243;ria familiar, de antecedentes pessoais e medica&#231;&#227;o de risco diminuiu ainda mais a probabilidade de se chegar ao diagn&#243;stico de diagnosticar carcinoma da bexiga neste utente. Desta forma, apenas a idade (superior a 35 anos) &#233; o &#250;nico fator de risco a salientar.</p>     <p>O achado cl&#237;nico mais frequentemente encontrado nesta doen&#231;a &#233; a hemat&#250;ria microsc&#243;pica ou macrosc&#243;pica assintom&#225;tica ou associada a dis&#250;ria e a sintomas do trato urin&#225;rio inferior do homem adulto (LUTS).<sup>5</sup></p>     <p>A presen&#231;a de sintomas de armazenamento refrat&#225;rios ao tratamento sintom&#225;tico &#233; indicativo de carcinoma <i>in situ,</i> enquanto os sintomas de esvaziamento s&#227;o mais prevalentes nos tumores localizados pr&#243;ximo da uretra ou do colo vesical.<sup>8</sup> Na doen&#231;a avan&#231;ada pode haver queixas de dor lombar causadas por obstru&#231;&#227;o ureteral ou dor abdominal ou &#243;ssea relacionadas com metastiza&#231;&#227;o &#224; dist&#226;ncia.<sup>5</sup></p>     <p>Ao exame f&#237;sico raramente s&#227;o encontrados sinais da doen&#231;a localizada; no entanto, quando a doen&#231;a est&#225; em est&#225;dio avan&#231;ado pode ser palp&#225;vel uma massa supra-p&#250;bica.<sup>5</sup></p>     <p>Fazendo uma an&#225;lise retrospetiva das queixas do nosso utente ao longo das v&#225;rias consultas, a hemat&#250;ria macrosc&#243;pica, a dis&#250;ria e os sintomas de LUTS constitu&#237;am as suas principais queixas.</p>     <p>Na avalia&#231;&#227;o de uma hemat&#250;ria, confirmada em tira-teste reativa da urina, deveremos pensar em causas renais e extrarrenais, sendo estas &#250;ltimas as mais frequentes, correspondendo a 60% dos casos.<sup>9</sup> Nos primeiros contactos com o J.F.N.Q., as hip&#243;teses consideradas mais prov&#225;veis eram de etiologia n&#227;o renal: cistite aguda ou prostatite aguda, c&#243;lica renal aguda e hiperplasia benigna da pr&#243;stata.</p>     <p>A distin&#231;&#227;o entre cistite e prostatite n&#227;o &#233; muito clara e, assim, a hip&#243;tese de diagn&#243;stico de prostatite deve ser sempre equacionada. Pode apresentar-se de diversas formas, desde queixas subtis at&#233; uma infe&#231;&#227;o grave. As manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas mais comuns s&#227;o dis&#250;ria, urg&#234;ncia miccional, polaqui&#250;ria, noct&#250;ria, desconforto perineal e dor lombar, hemat&#250;ria e ejacula&#231;&#227;o dolorosa, febre, calafrios e mal-estar.<sup>10-11</sup></p>     <p>A probabilidade de existir uma prostatite concomitante &#233; superior nos casos de ITU febril,<sup>12</sup> tal facto n&#227;o se constatou em nenhum contacto com este utente. Outro dado a ter em conta no diagn&#243;stico cl&#237;nico de uma prostatite &#233; o toque retal, pois tipicamente a gl&#226;ndula encontra-se dolorosa, quente e edemaciada.<sup>13</sup> No entanto, esta manobra semiol&#243;gica nunca foi realizada durante o exame objetivo deste utente, o que dificultou a exclus&#227;o deste diagn&#243;stico. </p>     <p>Um dado epidemiol&#243;gico que poder&#225; contribuir para a distin&#231;&#227;o entre estas duas patologias &#233; a idade. A partir dos 50 anos, a incid&#234;ncia de ITU no homem aumenta devido ao alargamento da pr&#243;stata com consequente obstru&#231;&#227;o do trato de sa&#237;da da bexiga e presen&#231;a de urina residual. Outros fatores de risco para ITU mais frequentes no homem adulto s&#227;o a instrumenta&#231;&#227;o do trato urin&#225;rio, imobilidade ou diminui&#231;&#227;o da atividade e diminui&#231;&#227;o do volume de secre&#231;&#245;es prost&#225;ticas.<sup>10</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pela dificuldade neste diagn&#243;stico diferencial, o tratamento antibi&#243;tico emp&#237;rico recomendado para uma ITU no homem passa por uma quinolona pela sua maior penetra&#231;&#227;o no tecido prost&#225;tico.<sup>11-12</sup> Apesar de n&#227;o existir evid&#234;ncia clara sobre o melhor per&#237;odo do tratamento, o consenso nas normas de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica aponta para um per&#237;odo m&#237;nimo de duas<sup>12</sup> at&#233; quatro semanas.<sup>11</sup></p>     <p>N&#227;o existe nenhuma evid&#234;ncia para sugerir o melhor m&#233;todo de diagn&#243;stico de infe&#231;&#227;o urin&#225;ria bacteriana nos homens. Em todas as suspeitas de ITU no homem deve ser colhido um exame bacteriol&#243;gico de urina pr&#233;vio ao tratamento.<sup>14</sup> A obten&#231;&#227;o de uma amostra de urina limpa de urina nos homens &#233; mais f&#225;cil do que em mulheres e uma contagem de col&#243;nia de &#8805;10<sup>3</sup> ufc/ml pode ser suficiente para diagnosticar a infe&#231;&#227;o urin&#225;ria num homem com sinais e sintomas.<sup>12</sup></p>     <p>Conhecendo estes factos, a m&#233;dica de fam&#237;lia prescreveu uma quinolona (ciprofloxacina), recomendando a colheita de urina pr&#233;via &#224; primeira toma de antibioterapia. Uma vez que o resultado da urocultura foi negativo, foi de facto ponderada a possibilidade de se estar perante uma prostatite, visto que nesta situa&#231;&#227;o pode ser encontrada urocultura sem altera&#231;&#245;es.<sup>15</sup> No entanto, o conhecimento dos antecedentes de urol&#237;tiase, de um epis&#243;dio de c&#243;lica renal pr&#233;vio e a aus&#234;ncia de febre, calafrios e dor p&#233;lvica aumentou a probabilidade de se tratar de um segundo epis&#243;dio de c&#243;lica renal aguda.</p>     <p>A c&#243;lica renal &#233; a principal manifesta&#231;&#227;o da urolit&#237;ase e requer uma abordagem assertiva. Em 90% dos casos de c&#243;lica renal, o uso de uma tira de teste reativa demonstrar&#225; hemat&#250;ria,<sup>16</sup> como apresentado no nosso caso cl&#237;nico. Habitualmente, manifesta-se por uma dor s&#250;bita na regi&#227;o lombar ou flanco com irradia&#231;&#227;o para os genitais e sem qualquer posi&#231;&#227;o de al&#237;vio. Por vezes, o doente apresenta v&#243;mitos e febre que dever&#227;o ser motivos de referencia&#231;&#227;o ao servi&#231;o de urg&#234;ncia.<sup>16</sup> No caso exposto, este quadro cl&#237;nico n&#227;o esteve presente; em vez disso o doente manifestou sintomas urin&#225;rios baixos (polaqui&#250;ria, dis&#250;ria e dor no hipogastro) que s&#227;o mais frequentes quando os c&#225;lculos se localizam na por&#231;&#227;o terminal do ureter ou na transi&#231;&#227;o para a bexiga, podendo assim simular um quadro de cistite.<sup>16-17</sup> A possibilidade de exist&#234;ncia de complica&#231;&#245;es agudas e irrevers&#237;veis de um rim obstru&#237;do n&#227;o foi equacionada ap&#243;s a primeira consulta (29 de outubro de 2012) porque o doente se apresentou assintom&#225;tico nos tr&#234;s dias seguintes. A m&#233;dica de fam&#237;lia s&#243; tomou conhecimento do segundo epis&#243;dio de c&#243;lica renal diagnosticado no S.A.S.U. no m&#234;s seguinte e, pelas queixas de lombalgias intermitentes, foi-lhe requisitada uma ecografia renal.</p>     <p>Outro dado contra a exist&#234;ncia de uma ITU ou prostatite &#233; a aus&#234;ncia de leucocit&#250;ria e nitritos na tira-teste urin&#225;ria.<sup>18</sup></p>     <p>A presen&#231;a de LUTS de armazenamento associados a hemat&#250;ria macrosc&#243;pica com uma an&#225;lise de tira-teste apenas positiva para a presen&#231;a de eritr&#243;citos sugere, como hip&#243;teses diagn&#243;sticas mais prov&#225;veis, patologias n&#227;o infecciosas com atingimento do aparelho urin&#225;rio.<sup>19</sup> Um doente que se apresente com hemat&#250;ria macrosc&#243;pica tem uma probabilidade de 20% de apresentar carcinoma da bexiga, pelo que se torna necess&#225;rio considerar estes doentes como poss&#237;veis portadores de neoplasias.<sup>5,20</sup></p>     <p>&#201; tamb&#233;m fundamental questionar o doente na tentativa de relacionar o tempo de aparecimento da hemat&#250;ria na dura&#231;&#227;o do jacto. A hemat&#250;ria poder&#225; ser classificada em inicial (patologia ao n&#237;vel da uretra prost&#225;tica), total (les&#227;o na bexiga ou no aparelho urin&#225;rio superior) e terminal (les&#227;o ao n&#237;vel do colo vesical). A hemat&#250;ria que se acompanha de co&#225;gulos tem geralmente origem extraglomerular.<sup>9,20</sup> No doente em causa, a hemat&#250;ria era descrita como se fosse terminal, aumentando a probabilidade de se tratar de uma patologia envolvendo o colo vesical.</p>     <p>Definindo uma linha temporal deste caso cl&#237;nico (<a href="#f2">figura 2</a>), ao longo de cerca de 10 meses, o nosso utente apresentou-se quatro vezes na unidade de sa&#250;de com um intervalo significativo entre as consultas e com queixas sobrepon&#237;veis. Na &#250;ltima consulta, por aparecimento de uma queixa de novo do tipo de esvaziamento (jacto fino e gotejante) associada a dis&#250;ria e hemat&#250;ria microsc&#243;pica, foi ponderada a possibilidade de se tratar de patologia prost&#225;tica e vesical. Nesse sentido, foi requisitada uma ecografia vesicoprost&#225;tica suprap&#250;bica que, no contexto da hipertrofia benigna prost&#225;tica, &#233; um m&#233;todo n&#227;o invasivo muito &#250;til para a estimativa do volume prost&#225;tico e res&#237;duo p&#243;s-miccional e na identifica&#231;&#227;o de complica&#231;&#245;es a n&#237;vel vesical, como divert&#237;culos, c&#225;lculos ou bexiga trabeculada (&#8220;de esfor&#231;o&#8221;). Tamb&#233;m permite fazer o diagn&#243;stico diferencial com carcinoma da pr&#243;stata, carcinoma da bexiga e c&#225;lculo no ureter distal.<sup>21</sup> Para complementar o estudo da patologia prost&#225;tica foi tamb&#233;m pedido PSA total. O sedimento urin&#225;rio foi requisitado com o objetivo de estudar a hemat&#250;ria persistente.</p>     <p>A hipertrofia benigna da pr&#243;stata caracteriza-se n&#227;o s&#243; pelos sintomas no trato urin&#225;rio inferior (LUTS) secund&#225;rios ao aumento do volume da gl&#226;ndula prost&#225;tica e consequente obstru&#231;&#227;o do fluxo urin&#225;rio,<sup>2</sup> como a polaqui&#250;ria e o jacto fino descritos pelo nosso utente, mas tamb&#233;m por dis&#250;ria e hemat&#250;ria numa fase avan&#231;ada da doen&#231;a.<sup>20</sup> Pelo conhecimento desta apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica, esta hip&#243;tese diagn&#243;stica foi ponderada na pen&#250;ltima consulta do doente e requisitados os exames que revelaram o diagn&#243;stico final.</p>     <p>O exame <i>gold-standard</i> para o diagn&#243;stico e vigil&#226;ncia do carcinoma da bexiga &#233; a cistoscopia, exame apenas dispon&#237;vel nos cuidados de sa&#250;de secund&#225;rios. A ecografia vesical &#233; um exame complementar de diagn&#243;stico de baixo custo e acess&#237;vel aos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios; no entanto, tem importantes limita&#231;&#245;es na dete&#231;&#227;o de neoplasias planas, com menos de 5mm ou pr&#243;ximas do colo vesical. Com a requisi&#231;&#227;o de uma ecografia por via transretal, &#233; poss&#237;vel contornar essas limita&#231;&#245;es e aumentar a sensibilidade deste exame.<sup>21</sup> Alguns autores defendem que a ecografia &#233; um exame custo-efetivo e deve ser o primeiro exame de imagem a ser pedido em contexto de investiga&#231;&#227;o de uma hemat&#250;ria com elevada suspeita de neoplasia da bexiga e a confirma&#231;&#227;o do diagn&#243;stico dever&#225; ser por cistoscopia.<sup>22</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&#233;m da necessidade de interven&#231;&#227;o na cessa&#231;&#227;o tab&#225;gica como estrat&#233;gia de preven&#231;&#227;o prim&#225;ria desta neoplasia, tamb&#233;m a dete&#231;&#227;o precoce da neoplasia da bexiga &#233; uma importante medida de redu&#231;&#227;o da mortalidade associada a esta patologia, tendo impacto na hist&#243;ria natural desta doen&#231;a.<sup>23</sup> Apesar deste facto, sabe-se que os programas de rastreio desta neoplasia (atrav&#233;s do sedimento da urina, citologia da urina e biomarcadores urin&#225;rios) n&#227;o foram considerados eficazes. A <i>U.S. Preventive Services Task Force,</i> numa revis&#227;o de 2011, declara que n&#227;o existe evid&#234;ncia suficiente que permita encontrar um equil&#237;brio entre os benef&#237;cios e malef&#237;cios do rastreio sistematizado a doentes assintom&#225;ticos.<sup>6</sup></p>     <p>Na avalia&#231;&#227;o deste utente surgiram alguns fatores de confundimento que contribu&#237;ram para a baixa suspei&#231;&#227;o de carcinoma da bexiga, permitindo alertar para a necessidade de se efetuar&nbsp; uma avalia&#231;&#227;o urol&#243;gica peri&#243;dica em doentes com queixas de hemat&#250;ria ou LUTS e com uma doen&#231;a benigna subjacente j&#225; conhecida que poder&#225; justificar a sintomatologia (como o caso da lit&#237;ase renal), pois o risco de uma neoplasia concomitante mant&#233;m-se nestes doentes.<sup>7</sup></p>     <p>O grande desafio para o m&#233;dico de fam&#237;lia no diagn&#243;stico desta neoplasia passa por n&#227;o assumir apenas as patologias mais frequentes que apresentam uma cl&#237;nica semelhante como as mais prov&#225;veis e manter sempre um elevado grau de suspei&#231;&#227;o de neoplasia da bexiga perante um doente com fatores de risco e hemat&#250;ria persistente.</p>     <p>Com este caso pretendeu-se ainda chamar a aten&#231;&#227;o para a complexidade da abordagem diagn&#243;stica dos sintomas do trato urin&#225;rio inferior (LUTS) em adultos do g&#233;nero masculino. Nesse sentido, as autoras elaboraram um algoritmo de diagn&#243;stico cl&#237;nico baseado nas normas de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica internacionais mais recentes (<a href="#f3">figura 3</a>) que aborda outras patologias que dever&#227;o tamb&#233;m ser exclu&#237;das perante um homem adulto com queixas de LUTS, nomeadamente: causas de poli&#250;ria noturna, disfun&#231;&#227;o neurog&#233;nica da bexiga, disfun&#231;&#227;o do detrusor (hipo ou hiperatividade) e ainda estenose uretral. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n3/31n3a07f3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. National Institute for Health and Care Excellence. Lower urinary tract symptoms: the management of lower urinary tract symptoms in men (Internet). London: Royal College of Physicians; 2010 May (cited 2013 Nov 8). Available from: <a href="https://www.nice.org.uk/guidance/cg97/resources/guidance-lower-urinary-tract-symptoms-pdf" target="_blank">https://www.nice.org.uk/guidance/cg97/resources/guidance-lower-urinary-tract-symptoms-pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S2182-5173201500030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. Gravas S, Bachmann A, Descazeaud A, Drake M, Gratzke C, Madersbacher S, et al. Guidelines on the management of non-neurogenic male lower urinary tract symptoms (LUTS), incl. benign prostatic obstruction (BPO) (Internet). European Association of Urology; 2014 (cited 2014 Nov 05). Available from: <a href="http://uroweb.org/wp-content/uploads/Non-Neurogenic-Male-LUTS_2705.pdf" target="_blank">http://uroweb.org/wp-content/uploads/Non-Neurogenic-Male-LUTS_2705.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S2182-5173201500030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. British Association of Urological Surgeons. Commissioning guide: lower urinary tract symptoms (Internet). London: The Royal College of Surgeons of England; 2013 May (cited 2013 Nov 8). Available from: <a href="http://www.rcseng.ac.uk/healthcare-bodies/docs/published-guides/luts" target="_blank">http://www.rcseng.ac.uk/healthcare-bodies/docs/published-guides/luts</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S2182-5173201500030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>4. Registo Oncol&#243;gico Regional do Norte. Os tumores mais frequentes no sexo masculino e feminino em 2008 (Internet). RORENO; 2010 (cited 2015 Fev). Available from: <a href="http://www.roreno.com.pt/pt/estatisticas.html" target="_blank">http://www.roreno.com.pt/pt/estatisticas.html</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S2182-5173201500030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>5. Sharma S, Ksheersagar P, Sharma P. Diagnosis and treatment of bladder cancer. Am Fam Physician. 2009;80(7):717-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S2182-5173201500030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Moyer VA, U. S. Preventive Services Task Force. Screening for bladder cancer: U. S. Preventive Services Task Force recommendation statement. Ann Intern Med. 2011;155(4):246-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S2182-5173201500030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Davis R, Jones JS, Barocas DA, Castle EP, Lang EK, Leveillee RJ, et al. Diagnosis, evaluation and follow-up of asymptomatic microhematuria (AMH) in adults: AUA guideline. J Urol. 2012;188 (6 Suppl):2473-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S2182-5173201500030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>8. Witjes JA, Comp&#233;rat E, Cowan NC, De Santis M, Gakis G, Lebr&#233;t T, et al. Guidelines on non-muscle-invasive bladder cancer (Internet). European Association of Urology; 2014 (cited 2014 Nov 05). Available from: <a href="http://uroweb.org/wp-content/uploads/07-Muscle-Invasive-BC_LR-LV2-May-14th.pdf" target="_blank">http://uroweb.org/wp-content/uploads/07-Muscle-Invasive-BC_LR-LV2-May-14th.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S2182-5173201500030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>9. Moreno Elola-Easo C. Orina oscura: hematuria. Landa Go&#241;i J, editor. Gu&#237;a de actualizaci&#243;n cl&#237;nica en nefrourolog&#237;a (Internet). Barcelona: SemFYC; 2003 (cited 2014 Jan 10). p. 37-40. ISBN 8496216187. 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Grabe M, Bartoletti R, Bjerklund-Johansen TE, &#199;ek HM, Pickard RS, Tenke P, et al. Guidelines on urological infections (Internet). European Association of Urology; 2014 (cited 2014 Nov 05). Available from: <a href="http://uroweb.org/wp-content/uploads/19-Urological-infections_LR.pdf" target="_blank">http://uroweb.org/wp-content/uploads/19-Urological-infections_LR.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S2182-5173201500030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>13. Sharp VJ, Takacs EB, Powell CR. Prostatitis: diagnosis and treatment. Am Fam Physician. 2010;82(4):397-406.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S2182-5173201500030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>14. Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de. Terap&#234;utica das infe&#231;&#245;es do aparelho urin&#225;rio (comunidade): norma da DGS n&#186; 015/2011, de 30/08/2011. Lisboa: DGS; 2011 (cited 2013 Nov 8). 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Buitrago-Ram&#237;rez F, Masc&#237;as-Castillo S. Nefrolitiasis: crisis renoureteral. In Landa Go&#241;i J, editor. Gu&#237;a de actualizaci&#243;n cl&#237;nica en nefrourolog&#237;a (Internet). Barcelona: SemFYC; 2003 (cited 2014 Jan 10). p. 81-92. ISBN 8496216187. Available from: <a href="http://www.semfyc.es/es/biblioteca/virtual/detalle/Guia_Act_Clinica_Nefrourologia/" target="_blank">http://www.semfyc.es/es/biblioteca/virtual/detalle/Guia_Act_Clinica_Nefrourologia/</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S2182-5173201500030000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>17. Gomes J, Vendeira P, Ribau U, Reis M. Urolit&#237;ase e c&#243;lica renal: perspectiva terap&#234;utica em urologia (Urolithiasis and renal colic: a treatment approach in urology). 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Am Fam Physician. 2005;71(6):1153-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S2182-5173201500030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>20. Milheiro A, Prisco R. Hemat&#250;ria (Hematuria). Act Med Port. 1999;12(1-3):13-7. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>21. Leyendecker JR, Francis IR, Casalino DD, Arellano RS, Baumgarten DA, Curry NS, et al. Expert panel on urologic imaging: ACR appropriateness criteria&#174; follow-up imaging of bladder carcinoma (Internet). Reston (VA): American College of Radiology (ACR); 2009. Available from: <a href="http://www.guideline.gov/content.aspx?id=48293" target="_blank">http://www.guideline.gov/content.aspx?id=48293</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S2182-5173201500030000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>22. Rafique M, Javed AA. Role of intravenous urography and transabdominal ultrasonography in the diagnosis of bladder carcinoma. Int Braz J Urol. 2004; 30(3):185-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S2182-5173201500030000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>23. Smith A, Balar AV, Milowsky MI, Chen RC. Bladder cancer. In Niederhuber JE, Armitage JO, Doroshow JH, Kastan MB, Tepper JE. Abeloff's clinical oncology. 5th ed. Philadelphia: Churchill Livingstone; 2014. p. 1445-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S2182-5173201500030000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9781455728657</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Joana Sim&#245;es Casanova</p>     <p>Pra&#231;a Lu&#237;s de Cam&#245;es Bloco, 2</p>     <p>4490-441 P&#243;voa de Varzim</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:j.simoescasanova@gmail.com">j.simoescasanova@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>As autoras declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 05-11-2014</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 25-04-2015</b></p>      ]]></body><back>
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