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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um jovem com hipocalcémia: um relato breve]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: The coexistence of two endocrine diseases is rare. Making the right diagnoses can be challenging. Case report: A 32 year-old man complained of difficulty in maintaining a sustained erection and mechanical low back pain in 2011. Those complaints were attributed to lumbar spinal stenosis with mixed neuropathy. Six months later he went to his family doctor with generalized paraesthesia. Supplementation with oral magnesium was started and hypocalcaemia was found. Ten days later due to exacerbation of his condition, he went to the emergency department of a local hospital and was admitted to an internal medicine ward for investigation of hypocalcaemia. He was discharged with the diagnosis of autoimmune thyroiditis with subclinical hypothyroidism and hypoparathyroidism. This raised the possibility of polyglandular autoimmune syndrome. Eight months later, he was admitted to the endocrinology ward with similar symptoms. The diagnoses of hypoparathyroidism and primary hypothyroidism were made but an autoimmune aetiology for hypoparathyroidism was ruled out. The results of genetic testing confirmed the existence of a polymorphism in the CASR gene. Comment: This case report shows that we cannot always fit signs and symptoms into the diagnosis of a single disease. Many diagnostic tests were necessary to make the right diagnosis in this case. Genetic testing confirmed the polymorphism of the CASR gene. This polymorphism results in amplification of function of the receptor that leads to the inhibition of PTH secretion and resorption of calcium with increased urinary excretion.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS BREVES</b></p>     <p><font size="4"><b>Um jovem com hipocalc&#233;mia: um relato breve</b></font></p>     <p><font size="3"><b>A young man with hypocalcaemia: a brief report</b></font></p>     <p><b>Ana Rita Mendes,* Gon&#231;alo Melo,** Ana Dantas***</b></p>     <p>*M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Sa&#250;de Familiar T&#237;lias, ACES Lisboa Norte, Lisboa. anarita_m@msn.com</p>     <p>**M&#233;dico Assistente de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Sa&#250;de Familiar T&#237;lias, ACES Lisboa Norte, Lisboa. </p>     <p>***M&#233;dica Assistente de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Sa&#250;de Familiar S&#227;o Martinho de Alcabideche, ACES Cascais, Lisboa.</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A coexist&#234;ncia de duas endocrinopatias &#233; uma situa&#231;&#227;o rara e cujo diagn&#243;stico pode constituir um desafio.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Doente de 32 anos iniciou queixas de dificuldade em manter ere&#231;&#227;o sustentada e lombalgia de ritmo mec&#226;nico, em 2011. As queixas foram interpretadas como estenose do canal raquidiano lombar com neuropatia mista. </p>     <p>Cerca de seis meses depois recorreu novamente a consulta aberta na sua unidade de sa&#250;de familiar, agora por parestesias generalizadas. Iniciou suplementa&#231;&#227;o com magn&#233;sio e pediu-se avalia&#231;&#227;o anal&#237;tica que mostrava hipocalc&#233;mia. Dez dias depois, por agravamento do quadro cl&#237;nico, o utente decidiu recorrer ao servi&#231;o de urg&#234;ncia, tendo ficado internado no servi&#231;o de medicina interna para investiga&#231;&#227;o da hipocalc&#233;mia. &#192; data de alta apurou-se tiroidite auto-imune com hipotiroidismo subcl&#237;nico e hipoparatiroidismo, tendo sido colocada a hip&#243;tese de s&#237;ndroma poliglandular auto-imune. </p>     <p>Cerca de oito meses depois surgiu novo internamento no servi&#231;o de endocrinologia, motivado por quadro semelhante. Confirmaram-se os diagn&#243;sticos de hipotiroidismo e hipoparatiroidismo prim&#225;rios, mas a avalia&#231;&#227;o anal&#237;tica realizada excluiu a etiologia auto-imune do hipoparatiroidismo, tendo ficado assim descartada a hip&#243;tese diagn&#243;stica de s&#237;ndroma poliglandular auto-imune. O resultado do teste gen&#233;tico, entretanto realizado para despiste de etiologia gen&#233;tica, veio mais tarde confirmar a exist&#234;ncia de polimorfismo do gene CASR. </p>     <p><b>Coment&#225;rio:</b> O caso cl&#237;nico que descrevemos mostra que nem sempre &#233; poss&#237;vel enquadrar os sinais e sintomas numa &#250;nica entidade nosol&#243;gica. A marcha diagn&#243;stica revelou-se complexa, mas foi essencial para esclarecer o diagn&#243;stico. Neste sentido, o teste gen&#233;tico confirmou o polimorfismo do gene CASR. O polimorfismo resulta num ganho de fun&#231;&#227;o do recetor que leva &#224; inibi&#231;&#227;o da secre&#231;&#227;o da PTH e reabsor&#231;&#227;o de c&#225;lcio, com aumento da excre&#231;&#227;o urin&#225;ria.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Hipoparatiroidismo; Poliendocrinopatias Auto-imunes; Hipotiroidismo.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> The coexistence of two endocrine diseases is rare. Making the right diagnoses can be challenging. </p>     <p><b>Case report:</b> A 32 year-old man complained of difficulty in maintaining a sustained erection and mechanical low back pain in 2011. Those complaints were attributed to lumbar spinal stenosis with mixed neuropathy. Six months later he went to his family doctor with generalized paraesthesia. Supplementation with oral magnesium was started and hypocalcaemia was found. Ten days later due to exacerbation of his condition, he went to the emergency department of a local hospital and was admitted to an internal medicine ward for investigation of hypocalcaemia. He was discharged with the diagnosis of autoimmune thyroiditis with subclinical hypothyroidism and hypoparathyroidism. This raised the possibility of polyglandular autoimmune syndrome. Eight months later, he was admitted to the endocrinology ward with similar symptoms. The diagnoses of hypoparathyroidism and primary hypothyroidism were made but an autoimmune aetiology for hypoparathyroidism was ruled out. The results of genetic testing confirmed the existence of a polymorphism in the CASR gene.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Comment:</b> This case report shows that we cannot always fit signs and symptoms into the diagnosis of a single disease. Many diagnostic tests were necessary to make the right diagnosis in this case. Genetic testing confirmed the polymorphism of the CASR gene. This polymorphism results in amplification of function of the receptor that leads to the inhibition of PTH secretion and resorption of calcium with increased urinary excretion.</p>     <p><b>Keywords:</b> Hypoparathyroidism; Polyendocrinopathies, Autoimmune; Hypothyroidism.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>Descreve-se um caso cl&#237;nico raro em que coexistem duas patologias end&#243;crinas. Al&#233;m da raridade do caso, &#233; interessante notar que, ao contr&#225;rio do que habitualmente acontece, n&#227;o existia apenas uma entidade cl&#237;nica respons&#225;vel pelo quadro cl&#237;nico mas duas entidades nosol&#243;gicas: hipoparatiroidismo prim&#225;rio e hipotiroidismo prim&#225;rio. Al&#233;m disso, a marcha diagn&#243;stica complexa foi essencial para o desfecho do caso, bem como o papel do m&#233;dico de fam&#237;lia como gestor do doente, promovendo a adapta&#231;&#227;o &#224; doen&#231;a. </p>     <p>Pretendemos com este artigo melhorar o conhecimento acerca destas entidades nosol&#243;gicas, elucidando o seu processo de diagn&#243;stico, mostrando que mesmo em casos raros a medicina geral e familiar tem um papel essencial.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso cl&#237;nico</b></p>     <p>Doente de 32 anos, sexo masculino, com antecedentes pessoais de psor&#237;ase vulgar sob calcipotriol e corticoides t&#243;picos, sem outras doen&#231;as cr&#243;nicas ou h&#225;bitos toxif&#237;licos. Sem hist&#243;ria familiar de endocrinopatias ou nefropatias.</p>     <p>Em 2011 recorreu ao m&#233;dico assistente por queixas de dificuldade em manter ere&#231;&#227;o sustentada e lombalgia &#224; direita de ritmo mec&#226;nico. As queixas foram interpretadas no contexto de estenose do canal raquidiano lombar com neuropatia mista. Foram pedidas avalia&#231;&#227;o anal&#237;tica sum&#225;ria, que n&#227;o mostrava altera&#231;&#245;es revelantes, e TAC da coluna lombar que revelava h&#233;rnia L4/L5, sem compromisso radicular, discartrose L3/L4 e oste&#243;lise L5. O utente foi encaminhado para a consulta de urologia para esclarecimento da disfun&#231;&#227;o sexual.</p>     <p>Seis meses depois, o doente recorreu &#224; consulta aberta da sua Unidade de Sa&#250;de Familiar com queixas de parestesias generalizadas, mais frequentes nos grandes peitorais e bra&#231;os, de predom&#237;nio diurno e com cerca de duas semanas de evolu&#231;&#227;o. Iniciou-se suplementa&#231;&#227;o oral com magn&#233;sio e realizou nova avalia&#231;&#227;o anal&#237;tica com ionograma que mostrava hipocalc&#233;mia (Ca2+ total 6,9mg/dL; Ca2+ ionizado 0,78mg/dL) com albumina normal e deu-se indica&#231;&#227;o para agendar consulta com o seu m&#233;dico de fam&#237;lia. Contudo, dez dias depois, por agravamento do quadro, o doente recorreu ao servi&#231;o de urg&#234;ncia do hospital de refer&#234;ncia. &#192; entrada no servi&#231;o de urg&#234;ncia apresentava quadro de deje&#231;&#245;es l&#237;quidas, sem sangue, muco ou pus e v&#243;mitos aquosos, acompanhados de agravamento das parestesias e espasmos, agora sobretudo de localiza&#231;&#227;o perioral, dos membros inferiores e superiores. &#192; observa&#231;&#227;o apresentava hiporreflexia generalizada com sinal de Chvostek e Trosseau despert&#225;veis bilateralmente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Realizou, no SU, avalia&#231;&#227;o anal&#237;tica que confirmava a hipocalc&#233;mia com discreta diminui&#231;&#227;o da PTH, decidindo-se o internamento no servi&#231;o de medicina interna para investiga&#231;&#227;o da hipocalc&#233;mia em doente jovem.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n3/31n3a08q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Durante o internamento foram realizadas ecografia da tiroide e paratiroide, abdominal e renal, que n&#227;o mostravam altera&#231;&#245;es e TAC cervico-toraco-abdomino-p&#233;lvica que revelava apenas um divert&#237;culo do es&#243;fago com 13mm. Da avalia&#231;&#227;o anal&#237;tica efetuada, e que se apresenta na tabela 1, constata-se diminui&#231;&#227;o da PTHi, hipocalc&#233;mia com hipercalci&#250;ria em doente com albuminemia normal, fosfat&#250;ria e magnesi&#250;ria, TSH aumentada com FT4 normal e anticorpos antitiroideus positivos. </p>     <p>O doente teve alta com os diagn&#243;sticos de tiroidite auto-imune com hipotiroidismo subcl&#237;nico e hipoparatiroidismo, colocando-se a hip&#243;tese de se enquadrar numa s&#237;ndroma poliglandular auto-imune. Foi medicado com clorotalidona pelo seu efeito hipocalci&#250;rico. Iniciou suplementa&#231;&#227;o com magn&#233;sio oral, carbonato de c&#225;lcio e cacitriol e, para corre&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o tiroideia, iniciou levotiroxina. Manteve seguimento em consulta de medicina interna, nefrologia e seguimento trimestral em consulta de medicina geral e familiar para realiza&#231;&#227;o peri&#243;dica de ionograma, por forma a ajustar a terap&#234;utica mais frequentemente para prevenir a ocorr&#234;ncia de novas crises. O aumento da periodicidade das consultas com o seu m&#233;dico assistente permitiram tamb&#233;m tranquilizar um pouco o doente que se mostrava ansioso em rela&#231;&#227;o ao progn&#243;stico da doen&#231;a e necessitava de apoio para aprender a viver com uma doen&#231;a cr&#243;nica.</p>     <p>Entretanto, o doente foi visto na consulta de urologia que o referenciou para a consulta externa de cirurgia vascular. Ap&#243;s realiza&#231;&#227;o de prova de esfor&#231;o e <i>eco-doppler</i> carot&#237;deo e peniano, vertebral e abdominal excluiu-se disfun&#231;&#227;o er&#233;ctil secund&#225;ria, a doen&#231;a arterial peniana, atribuindo-se a disfun&#231;&#227;o er&#233;ctil a causas microangiop&#225;ticas. </p>     <p>Cerca de oito meses depois surgiu novo internamento, num outro hospital por altera&#231;&#227;o da &#225;rea de referencia&#231;&#227;o hospitalar, no servi&#231;o de endocrinologia. O doente apresentava quadro cl&#237;nico semelhante ao anteriormente descrito, mas sem altera&#231;&#245;es ao exame objetivo.</p>     <p>Pretendia-se com este internamento confirmar os diagn&#243;sticos de hipoparatiroidismo e hipotiroidismo e despistar outra endocrinopatia ou doen&#231;a auto-imune que permitisse enquadrar o doente numa s&#237;ndroma poliglandular auto-imune. </p>     <p>A avalia&#231;&#227;o anal&#237;tica realizada mostrava hipocali&#233;mia, hipocalc&#233;mia com normofosfat&#233;mia, hipomagnes&#233;mia e alcalose metab&#243;lica. Foram pedidos doseamentos dos anticorpos anti-insulina, anti-21-hidroxilase e anti-paratiroideia, que vieram negativos. Foram tamb&#233;m pedidos doseamentos das hormonas GH (SmC, IGFBP3), LH/FSH, Testosterona, ACTH/cortisol, Prolactina que, face &#224; sua normalidade, exclu&#237;ram outra doen&#231;a end&#243;crina. Foi ainda realizada a prova do tetracosactido, que foi negativa para insufici&#234;ncia da suprarrenal ou diminui&#231;&#227;o da reserva cortico-suprarenal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, o doente teve alta com os diagn&#243;sticos de hipoparatiroidismo prim&#225;rio e hipotiroidismo prim&#225;rio, excluindo quase certamente tratar-se de uma s&#237;ndroma poliglandular. Para esclarecimento etiol&#243;gico do hipoparatiroidismo foi ent&#227;o pedido estudo gen&#233;tico que ficou em curso. </p>     <p>&#192; data de alta houve ajuste terap&#234;utico, parou a clorotalidona e iniciou hidroclorotiazida e amiloride, devido a hipocali&#233;mias iatrog&#233;nicas persistentes, mantendo a restante medica&#231;&#227;o (levotiroxina, carbonato de c&#225;lcio, vitamina D ativada e magn&#233;sio oral). </p>     <p>Ap&#243;s a alta, o doente agendou consulta com o seu m&#233;dico de fam&#237;lia para pedir uma segunda opini&#227;o acerca da altera&#231;&#227;o terap&#234;utica institu&#237;da pelo servi&#231;o de endocrinologia, uma vez que a medicina interna pretendia manter terap&#234;utica com clorotalidona. Aqui, o m&#233;dico de fam&#237;lia incentiva o doente a manter seguimento num &#250;nico centro hospitalar e, ap&#243;s revis&#227;o do caso, incentiva altera&#231;&#227;o da terap&#234;utica como proposta pela endocrinologia, pois a hidroclotiazida associada ao amiloride diminui a excre&#231;&#227;o urin&#225;ria de c&#225;lcio, &#224; semelhan&#231;a da clorotalidona mas, ao contr&#225;rio desta &#250;ltima, &#233; poupador de pot&#225;ssio. </p>     <p>Cerca de tr&#234;s meses depois, o resultado do estudo gen&#233;tico confirmou que o doente apresentava um polimorfismo no gene CASR (variante Arg990Gly), excluindo definitivamente a possibilidade de s&#237;ndroma poliglandular auto-imune. </p>     <p>Ap&#243;s confirma&#231;&#227;o da altera&#231;&#227;o gen&#233;tica, os familiares de primeiro grau foram convocados para uma consulta com o m&#233;dico assistente a fim de explicar a necessidade de alargar o estudo gen&#233;tico. A fam&#237;lia mantinha-se tranquila em rela&#231;&#227;o &#224; possibilidade de haver outros elementos com esta altera&#231;&#227;o e pretendia a realiza&#231;&#227;o do teste. Foi ent&#227;o efetuado o estudo gen&#233;tico nos familiares de 1.<sup>o</sup> grau do doente, cujo resultado foi negativo, tratando-se provavelmente de uma muta&#231;&#227;o de novo.</p>     <p>Presentemente, o doente mant&#233;m-se est&#225;vel com a terap&#234;utica acima descrita, tendo havido inclusivamente regress&#227;o do quadro de disfun&#231;&#227;o er&#233;til. </p>     <p>Mant&#233;m seguimento em consulta de endocrinologia e em consulta de medicina geral e familiar.</p>     <p><b>Coment&#225;rio </b></p>     <p>O caso cl&#237;nico que descrevemos mostra que por vezes nem sempre conseguimos enquadrar os sinais e sintomas numa &#250;nica entidade nosol&#243;gica. Desde o in&#237;cio ficou claro estarmos perante uma tiroidite auto-imune. Este diagn&#243;stico baseou-se fundamentalmente na avalia&#231;&#227;o laboratorial com auto-anticorpos positivos uma vez que a ecografia da tir&#243;ide se mostrou normal. Na verdade sabemos que as tiroidites de Hashimoto cursam com anticorpos anti-peroxidase e anti-tiroglobulina positivos em 90-85% dos doentes, n&#227;o sendo as altera&#231;&#245;es ecoestruturais da tiroide condi&#231;&#227;o necess&#225;ria ao diagn&#243;stico.<sup>1</sup></p>     <p>Apesar de serem claros os diagn&#243;sticos de hipoparatiroidismo prim&#225;rio e hipotiroidismo prim&#225;rio, ao n&#227;o existir evid&#234;ncia de outra endocrinopatia ou doen&#231;a do foro auto-imune n&#227;o foi poss&#237;vel enquadrar este caso cl&#237;nico numa s&#237;ndroma poliglandular auto-imune. Na verdade, ele nunca poderia corresponder &#224; s&#237;ndroma poligladular tipo 1 em que a candid&#237;ase mucocut&#226;nea est&#225; sempre presente, nem &#224; s&#237;ndroma poliglandular tipo 2 em que a associa&#231;&#227;o &#233; de doen&#231;a da tiroideia com diabetes mellitus e em que o hipoparatiroidismo &#233; extremamente raro. Embora pouco prov&#225;vel, ainda foi considerada a hip&#243;tese de tratar-se de uma s&#237;ndroma poliglandular tipo 3,<sup>2-4</sup> mas o teste gen&#233;tico entretanto realizado confirmou a hip&#243;tese da diminui&#231;&#227;o do PTHi resultar de um polimorfismo no gene CASR, receptor de c&#225;lcio existente na superf&#237;cie da paratiroide. O alelo 990G situa-se na extremidade carboxil-terminal do dom&#237;nio intracelular, podendo condicionar altera&#231;&#227;o da conforma&#231;&#227;o do receptor.<sup>5</sup> Isto resulta num ganho de fun&#231;&#227;o do receptor6 que condiciona inibi&#231;&#227;o da secre&#231;&#227;o de PTH e da reabsor&#231;&#227;o de c&#225;lcio, com aumento da excre&#231;&#227;o urin&#225;ria.<sup>7</sup> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O polimorfismo 990G est&#225; associado na literatura a casos de hiperparatiroidismo.<sup>5,7</sup> Contudo, o caso apresentado cursou com valores diminu&#237;dos de PTHi, que normalizaram ap&#243;s o primeiro internamento. Assim sendo, consideramos que esta altera&#231;&#227;o pode ser multifactorial. Por um lado, o polimorfismo parece estar relacionado com n&#237;veis mais baixos de PTH, inclusive em doentes com hiperparatiroidismo;<sup>5</sup> por outro lado, sabe-se que a deple&#231;&#227;o de magn&#233;sio pode ser suficiente para levar a hipoparatiroidismo funcional por d&#233;fice da secre&#231;&#227;o de PTH ou aumento da resist&#234;ncia perif&#233;rica &#224; hormona.<sup>8</sup> Sabe-se, por&#233;m, que a hipomagnes&#233;mia tamb&#233;m poder&#225; ser consequ&#234;ncia e n&#227;o causa do hipoparatiroidismo.<sup>9</sup></p>     <p>Neste caso, a realiza&#231;&#227;o do teste gen&#233;tico foi essencial, n&#227;o s&#243; porque possibilitou esclarecer o diagn&#243;stico, mas tamb&#233;m porque a dete&#231;&#227;o da muta&#231;&#227;o pode ter implica&#231;&#245;es importantes na vida do doente. Ao que parece, este polimorfismo parece estar implicado no aparecimento de nefrolit&#237;ase e nefrocalcinose,<sup>5-7</sup> pelo que conv&#233;m que mantenha um seguimento m&#233;dico peri&#243;dico.</p>     <p>Em rela&#231;&#227;o &#224; terap&#234;utica, ela visa essencialmente o controlo sintom&#225;tico. Deste modo, &#233; objetivo terap&#234;utico aumentar os n&#237;veis s&#233;ricos de c&#225;lcio e vitamina D e controlar a fun&#231;&#227;o tiroideia. Assim, o doente realiza suplementa&#231;&#227;o oral com c&#225;lcio e vitamina D e diur&#233;ticos tiaz&#237;dicos que permitem reduzir a excre&#231;&#227;o urin&#225;ria de c&#225;lcio. Al&#233;m do refor&#231;o h&#237;drico recomendado ao doente, estes diur&#233;ticos s&#227;o o elemento chave que permitir&#225; diminuir o risco de nefrolit&#237;ase e nefrocalcinose ao reduzirem a excre&#231;&#227;o urin&#225;ria de c&#225;lcio, aumentada no doente.</p>     <p>Outro aspeto interessante neste caso cl&#237;nico relaciona-se com o diagn&#243;stico de disfun&#231;&#227;o er&#233;til microangiop&#225;tica. Como se depreende da marcha diagn&#243;stica, este foi um diagn&#243;stico de exclus&#227;o colocado na altura pelos colegas. O facto &#233; que ap&#243;s terap&#234;utica de corre&#231;&#227;o das doen&#231;as de base houve uma regress&#227;o da sintomatologia, apesar de o doente se encontrar a realizar terap&#234;utica com diur&#233;ticos que, como vimos, s&#227;o essenciais ao controlo da doen&#231;a e para a sua qualidade de vida. Assim sendo, e tendo por base o descrito na literatura, a disfun&#231;&#227;o er&#233;til estar&#225; provavelmente relacionada com o hipotiroidismo. Sabe-se que as altera&#231;&#245;es da fun&#231;&#227;o tiroideia, sejam elas hiper ou hipotiroidismo, afetam a fun&#231;&#227;o er&#233;ctil, pelo que nestes casos o doseamento hormonal &#233; recomendado.<sup>10-11</sup></p>     <p>Em suma, trata-se de um caso cl&#237;nico complexo e rico, n&#227;o s&#243; pela marcha diagn&#243;stica, mas pela sua abrang&#234;ncia e no qual o m&#233;dico de fam&#237;lia teve um papel importante, apesar de muitos dos diagn&#243;sticos terem sido realizados ao n&#237;vel de cuidados secund&#225;rios. Para al&#233;m do seguimento cl&#237;nico do doente em consulta de vigil&#226;ncia trimestral, com realiza&#231;&#227;o de ionograma, do controlo da sintomatologia e da preven&#231;&#227;o de crises atrav&#233;s do ajuste terap&#234;utico, o m&#233;dico de fam&#237;lia pode auxiliar o doente a compreender a doen&#231;a e a saber lidar com a sintomatologia de forma a promover a adapta&#231;&#227;o do doente &#224; doen&#231;a, atrav&#233;s de medidas educativas como o refor&#231;o da ingesta h&#237;drica ou o refor&#231;o do magn&#233;sio oral em per&#237;odos de maior esfor&#231;o f&#237;sico. Isto permite diminuir a ansiedade do doente, porque ele sente que tem um papel ativo no controlo e na preven&#231;&#227;o da sintomatologia e co-morbilidades. Foi igualmente importante nesse processo o agendamento de consultas marcadas periodicamente que permitiram que o doente se sentisse mais apoiado ao longo de toda a marcha diagn&#243;stica, sendo a escuta ativa uma ferramenta essencial ao dispor do m&#233;dico de fam&#237;lia, contribuindo igualmente para avalia&#231;&#227;o e eventual interven&#231;&#227;o, quando necess&#225;rio, no reajuste da din&#226;mica familiar, alterada pela ocorr&#234;ncia de uma doen&#231;a cr&#243;nica no seio de um dos seus elementos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Lee SL, Odeke S, Nagelberg SB. Hashimoto tyroiditis. Medscape.com (homepage); updated 2014 Jun 3 (cited 2013 Dec 22). Available from: <a href="http://emedicine.medscape.com/article/120937-overview" target="_blank">http://emedicine.medscape.com/article/120937-overview</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000060&pid=S2182-5173201500030000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. Aldasouqi SA, Akinsoto OP, Jabbour SA. Type I polyglandular autoimmune syndrome. Medscape.com (homepage); updated 2014 Aug 28 (cited 2013 Dec 22). Available from: <a href="http://emedicine.medscape.com/article/124183-overview" target="_blank">http://emedicine.medscape.com/article/124183-overview</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000061&pid=S2182-5173201500030000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. Sivarajah S, Fan CY, Akinsoto OP. Type II polyglandular autoimmune syndrome. Medscape.com (homepage); updated 2014 Aug 28 (cited 2013 Dec 22). Available from: <a href="http://emedicine.medscape.com/article/124287-overview" target="_blank">http://emedicine.medscape.com/article/124287-overview</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S2182-5173201500030000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>4. Aung K, Talavera F, Chausmer AB. Type III polyglandular autoimmune syndrome. Medscape.com (homepage); 2014 Aug 28 (cited 2013 Dec 22). Available from: <a href="http://emedicine.medscape.com/article/124398-overview" target="_blank">http://emedicine.medscape.com/article/124398-overview</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000063&pid=S2182-5173201500030000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>5. Corbetta S, Eller-Vainicher C, Filopanti M, Saeli P, Vezzoli G, Arcidiacono T, et al. R990G polymorphism of the calcium-sensing receptor and renal calcium excretion in patients with primary hyperparathyroidism. Eur J Endocrinol. 2006;155(5):687-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S2182-5173201500030000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Vezzoli G, Terranegra A, Arcidiacono T, Biasion R, Coviello D, Syren ML, et al. R990G polymorphism of calcium-sensing receptor does produce a gain-of-function and predispose to primary hypercalciuria. Kidney Int. 2007;71(11):1155-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S2182-5173201500030000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Vezzoli G, Scillitani A, Corbetta S, Terranegra A, Dogliotti E, Guarnieri V, et al. Polymorphisms at the regulatory regions of the CASR gene influence stone risk in primary hyperparathyroidism. Eur J Endocrinol. 2011;164(3):421-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S2182-5173201500030000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>8. Anselmo J, Martins J, Matos L, Boavida J, Carreiras F, Correia G, et al. Hipoparatiroidismo cr&#243;nico: revis&#227;o de 5 casos cl&#237;nicos (Chronic hypoparathyroidism: review of 5 case reports). Acta Med Por. 1991; 4(2):83-6. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>9. Kifor O, McElduff A, LeBoff MS, Moore Jr FD, Butters R, Gao P, et al. Activating antibodies to the calcium-sensing receptor in two patients with autoimmune hypoparathyroidism. J Clin Endocrinol Metab. 2004;89(2):548-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S2182-5173201500030000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>10. Krassas GE, Tziomalos K, Papadopoulou F, Pontikides N, Perros P. Erectile dysfunction in patients with hyper- and hypothyroidism: how common and should we treat? J Clin Endocrinol Metab. 2008;93(5):1815-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S2182-5173201500030000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Nikoobakht MR, Aloosh M, Nikoobakht N, Mehrsay AR, Biniaz F, Karjalian MA. The role of hypothyroidism in male infertility and erectile dysfunction. Urol J. 2012;9(1):405-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S2182-5173201500030000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Ana Rita Mendes</p>     <p>Rua Padre Carlos dos Santos, Bloco B - 1&#186; </p>     <p>1500-901 LISBOA</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:anarita_m@msn.com">anarita_m@msn.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 15-10-2014</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 08-06-2015</b></p>      ]]></body><back>
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