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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: The distortion of the sense of taste (dysgeusia), transient or permanent, may have significant impact on the lives of patients. It may be associated with weight loss, anorexia, malnutrition, depressive symptoms, and a significant reduction in quality of life. Dysgeusia can have several causes. One surgical cause is tonsillectomy. Case description: A 38 year-old female patient, with dysgeusia is presented. She had a history of bilateral chronic tonsillitis and a cold blade tonsillectomy was performed with electrocautery of tonsillar hemorrhages without complications. After surgery she complained of dysgeusia characterized by lack of taste discrimination, stating that all foods seemed bitter. Six months after surgery, at a follow-up consultation, her gustatory function was evaluated with taste strips. This revealed changes in taste discrimination. She experienced a bitter taste, even when stimulated with sour, sweet or salty stimuli. The patient began daily gustatory rehabilitation, working on mental associations with sensory stimuli. She repeated the gustometry one year after surgery. The patient improved, although selective dysgeusia persisted with a bitter sensation in the presence of salt at low concentration. Comment: Dysgeusia is a rare complication of tonsillectomy, but can have great impact on the lives of patients. The surgical procedure can damage sensory nerves responsible for taste, directly or indirectly. There are few therapeutic options. Cases are under reported in the literature, and tend to be benign. Dysgeusia can have various causes, such as antihypertensive drugs, poor oral hygiene, surgery, infection, smoking, diabetes, autoimmune diseases, anti-microbial agents, and anti-inflammatory drugs. In primary health care, taste complaints often have no obvious explanation at the initial presentation. In Portugal there is no data on their incidence. It is important to sensitize clinicians to this disease. Patients' complaints about changes in taste should be addressed because of the impact that it has on the quality of life and possible treatable causes. Patients with dysgeusia require assessment, advice and treatment.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Disgeusia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS BREVES</b></p>     <p><font size="4"><b>Disgeusia: a prop&#243;sito de um caso cl&#237;nico</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Dysgeusia: a case report</b></font></p>     <p><b>&#211;scar de Barros,<sup>1</sup> Jo&#227;o Carlos Ribeiro,<sup>2-3</sup> &#194;ngela Ferreira,<sup>4</sup> H&#233;lder Ferreira,<sup>5</sup> Ant&#243;nio Paiva<sup>6-7</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>M&#233;dico Interno de Medicina Geral e Familiar, UCSP Celas, ACES Baixo Mondego</p>     <p><sup>2</sup>M&#233;dico Assistente Hospitalar, Servi&#231;o de Otorrinolaringologia, CHUC</p>     <p><sup>3</sup>Assistente Convidado, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra</p>     <p><sup>4</sup>M&#233;dico Interno de Medicina Geral e Familiar, USF Briosa, ACES Baixo Mondego</p>     <p><sup>5</sup>M&#233;dico Assistente Graduado e Diretor de Servi&#231;o, UCSP Celas, ACES Baixo Mondego</p>     <p><sup>6</sup>Chefe de Servi&#231;o, Diretor de Servi&#231;o, Servi&#231;o de Otorrinolaringologia, CHUC</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>7</sup>Professor Catedr&#225;tico, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A distor&#231;&#227;o persistente da sensa&#231;&#227;o gustativa (disgeusia), sendo transit&#243;ria ou permanente, pode ter influ&#234;ncia significativa no quotidiano dos doentes, relacionando-se com perda ponderal, anorexia, desnutri&#231;&#227;o, quadros depressivos e redu&#231;&#227;o significativa da qualidade de vida. A disgeusia pode ter v&#225;rias causas, sendo uma delas a cir&#250;rgica, nomeadamente a amigdalectomia.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Doente do sexo feminino, 38 anos, com hist&#243;ria de amigdalite cr&#243;nica bilateral. Realiza amigdalectomia por l&#226;mina fria e eletrocauteriza&#231;&#227;o de pontos hemorr&#225;gicos da loca amigdalina, sem complica&#231;&#245;es cir&#250;rgicas. Inicia quadro de disgeusia caracterizada pela n&#227;o discrimina&#231;&#227;o dos gostos, referindo que tudo parecia amargo. Na consulta de seguimento hospitalar em otorrinolaringologia (ORL), seis meses ap&#243;s cirurgia, efetuou-se avalia&#231;&#227;o gustom&#233;trica por tiras teste, revelando altera&#231;&#245;es na discrimina&#231;&#227;o gustativa, referindo o gosto amargo, mesmo quando estimulada com tiras &#225;cidas, doces ou salgadas. A doente iniciou reabilita&#231;&#227;o gustativa di&#225;ria, fazendo associa&#231;&#227;o mental com a sensorial. Repetiu-se gustometria um ano ap&#243;s cirurgia. A doente melhorou bastante, mas manteve uma disgeusia seletiva para o amargo na presen&#231;a de est&#237;mulo salgado em baixa concentra&#231;&#227;o.</p>     <p><b>Coment&#225;rio:</b> A disgeusia &#233; uma complica&#231;&#227;o rara da amigdalectomia e de elevada import&#226;ncia para o doente. O procedimento cir&#250;rgico pode atingir os nervos respons&#225;veis pela transmiss&#227;o sensorial gustativa, direta ou indiretamente, n&#227;o havendo muitas op&#231;&#245;es terap&#234;uticas. Estes casos est&#227;o subreportados na literatura e os que foram tiveram evolu&#231;&#227;o benigna. A disgeusia pode ser v&#225;rias etiologias, como higiene oral prec&#225;ria, cirurgia, infe&#231;&#227;o e tabaco, diabetes, doen&#231;as autoimunes, f&#225;rmacos antimicrobianos, anti-hipertensores e anti-inflamat&#243;rios. Nos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios, as queixas gustativas s&#227;o vagas e sem rela&#231;&#227;o patol&#243;gica aparente, n&#227;o existindo em Portugal dados acerca da incid&#234;ncia da mesma. &#201; importante sensibilizar os cl&#237;nicos para esta patologia. N&#227;o devemos descuidar a queixa do doente, quer pelo impacto que a mesma tem na qualidade de vida do mesmo, quer pela possibilidade de haver uma patologia de base trat&#225;vel. &#201; nosso papel avaliar, orientar e tratar.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Disgeusia; Paladar; Amigdalectomia.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introduction:</b> The distortion of the sense of taste (dysgeusia), transient or permanent, may have significant impact on the lives of patients. It may be associated with weight loss, anorexia, malnutrition, depressive symptoms, and a significant reduction in quality of life. Dysgeusia can have several causes. One surgical cause is tonsillectomy.</p>     <p><b>Case description:</b> A 38 year-old female patient, with dysgeusia is presented. She had a history of bilateral chronic tonsillitis and a cold blade tonsillectomy was performed with electrocautery of tonsillar hemorrhages without complications. After surgery she complained of dysgeusia characterized by lack of taste discrimination, stating that all foods seemed bitter. Six months after surgery, at a follow-up consultation, her gustatory function was evaluated with taste strips. This revealed changes in taste discrimination. She experienced a bitter taste, even when stimulated with sour, sweet or salty stimuli. The patient began daily gustatory rehabilitation, working on mental associations with sensory stimuli. She repeated the gustometry one year after surgery. The patient improved, although selective dysgeusia persisted with a bitter sensation in the presence of salt at low concentration.</p>     <p><b>Comment:</b> Dysgeusia is a rare complication of tonsillectomy, but can have great impact on the lives of patients. The surgical procedure can damage sensory nerves responsible for taste, directly or indirectly. There are few therapeutic options. Cases are under reported in the literature, and tend to be benign. Dysgeusia can have various causes, such as antihypertensive drugs, poor oral hygiene, surgery, infection, smoking, diabetes, autoimmune diseases, anti-microbial agents, and anti-inflammatory drugs. In primary health care, taste complaints often have no obvious explanation at the initial presentation. In Portugal there is no data on their incidence. It is important to sensitize clinicians to this disease. Patients&#8217; complaints about changes in taste should be addressed because of the impact that it has on the quality of life and possible treatable causes. Patients with dysgeusia require assessment, advice and treatment.</p>     <p><b>Keywords:</b> Dysgeusia; Taste; Tonsillectomy.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>Altera&#231;&#245;es na fun&#231;&#227;o gustativa, quer transit&#243;rias quer permanentes, podem ter consequ&#234;ncias importantes para o quotidiano dos indiv&#237;duos, estando relacionadas com altera&#231;&#245;es ponderais e quadros depressivos.<sup>1-2</sup> Atualmente s&#227;o descritos cinco tipos de sensa&#231;&#245;es gustativas: o doce, o amargo, o salgado, o &#225;cido e o umami. A informa&#231;&#227;o gustativa &#233; transmitida superiormente, n&#227;o s&#243;, mas significativamente atrav&#233;s do nervo glossofar&#237;ngeo. </p>     <p>A amigdalectomia &#233;, na atualidade, a cirurgia mais frequente do foro otorrinolaringol&#243;gico, nos EUA, Europa e Jap&#227;o. Est&#225; mais frequentemente indicada em doentes com amigdalites de repeti&#231;&#227;o (sete epis&#243;dios por ano ou cinco epis&#243;dios em dois anos consecutivos), amigdalite cr&#243;nica n&#227;o responsiva ao tratamento m&#233;dico e abcessos peri-amigdalinos com complica&#231;&#245;es. Apesar de ser considerada um procedimento de baixa complexidade, tem associados riscos e complica&#231;&#245;es como qualquer cirurgia. A hemorragia, odinofagia, infe&#231;&#227;o, danos dent&#225;rios, otalgia, n&#225;useas e v&#243;mitos s&#227;o os mais comuns. A altera&#231;&#227;o do gosto, por seu lado, encontra-se entre os menos reportados. Sendo parca a incid&#234;ncia descrita na literatura, as altera&#231;&#245;es gustativas no per&#237;odo p&#243;s cir&#250;rgico pode atingir os 8%; no entanto, menos de 1% permanece a longo prazo. Esta pode ser tempor&#225;ria ou definitiva, parcial (hipogeusia) ou total (ageusia) ou gosto fantasma que est&#225; presente na aus&#234;ncia de est&#237;mulo gustativo (fantogeusia/alucina&#231;&#245;es gustativas).<sup>3-5</sup></p>     <p>A avalia&#231;&#227;o da altera&#231;&#227;o gustativa pode ser feita por v&#225;rios m&#233;todos, incluindo a eletrogustometria e a gustometria qu&#237;mica por tiras teste.<sup>6</sup></p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Doente do sexo feminino, 38 anos, com hist&#243;ria pessoal de &#946;-talass&#233;mia minor, pr&#233;-eclampsia com edema cerebral e amigdalite cr&#243;nica bilateral. Realiza ami-</p>     <p>gdalectomia por l&#226;mina fria e eletrocauteriza&#231;&#227;o de pontos hemorr&#225;gicos da loca amigdalina. N&#227;o foram relatadas complica&#231;&#245;es cir&#250;rgicas. Duas semanas ap&#243;s cirurgia, na consulta de seguimento p&#243;s-cirurgia em ORL, refere altera&#231;&#227;o do gosto caracterizada pela n&#227;o discrimina&#231;&#227;o dos gostos, parecendo-lhe tudo amargo.</p>     <p>Seis meses ap&#243;s in&#237;cio do quadro, em nova consulta de seguimento hospitalar, efetuou-se avalia&#231;&#227;o gustom&#233;trica por tiras teste.</p>     <p>A gustometria qu&#237;mica por tiras teste baseia-se na aplica&#231;&#227;o de tiras teste impregnadas com cada um dos quatro gostos (&#225;cido, amargo, doce, salgado) em quatro diferentes concentra&#231;&#245;es padronizadas. Este protocolo de avalia&#231;&#227;o n&#227;o contempla o umami por n&#227;o terem obtido resultados com a popula&#231;&#227;o teste. As tiras s&#227;o colocadas no lado direito e/ou esquerdo da l&#237;ngua, no ter&#231;o anterior da l&#237;ngua em extens&#227;o, somando um total de 32 testes. Com a l&#237;ngua ainda em extens&#227;o, o doente tem de identificar o gosto da tira teste, escolhendo um dos quatro gostos obrigatoriamente.<sup>2</sup></p>     <p>Aplicando o protocolo de gustometria com tiras teste,<sup>1</sup> obtivemos as altera&#231;&#245;es descritas no <a href="#q1">Quadro I</a>. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n4/31n4a07q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A doente apresentava altera&#231;&#245;es na discrimina&#231;&#227;o gustativa, em que para todos os gostos confundia o gosto testado pelo amargo, com predom&#237;nio nas tiras de baixa concentra&#231;&#227;o. De notar que em cinco das oito tiras controlo foi referido o gosto amargo. A doente fez reabilita&#231;&#227;o gustativa, em que diariamente provava os quatro tipos de gosto em causa, fazendo associa&#231;&#227;o mental com a sensorial.</p>     <p>Repetiu-se a avalia&#231;&#227;o gustom&#233;trica 10 meses ap&#243;s cirurgia (<a href="#q2">Quadro II</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n4/31n4a07q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A disgeusia mant&#233;m-se, embora seletivamente para o salgado &#8211; amargo. Refere ainda que a fam&#237;lia se queixa que ela abusa muito do sal quando cozinha, o que vai ao encontro aos resultados encontrados na gustometria, visto s&#243; conseguir discriminar o salgado para concentra&#231;&#245;es elevadas.</p>     <p>Atualmente n&#227;o h&#225; tratamento para a disgeusia secund&#225;ria a cirurgia. Os casos reportados na literatura observaram uma evolu&#231;&#227;o benigna, sem contudo diferenciarem as v&#225;rias qualidades de gosto. Esta doente teve uma evolu&#231;&#227;o benigna em menos de dois anos. De facto, comparando este relato de caso com outros semelhantes existentes, verificamos uma melhoria significativa em menos tempo que os habituais dois anos. Este facto pode ser atribu&#237;do &#224; reabilita&#231;&#227;o gustativa di&#225;ria iniciada em consulta de seguimento em ORL e posteriormente feita pela doente em casa. A doente fez provas gustativas v&#225;rias vezes por dia, juntamente com associa&#231;&#227;o mental com a perce&#231;&#227;o sensorial. Durante todo o processo de recupera&#231;&#227;o, embora soubesse dos riscos cir&#250;rgicos, a doente nunca pensou que a sua altera&#231;&#227;o do paladar pudesse ter um impacto t&#227;o grande na sua vida. E reconhece que, quando se deparou com esta dificuldade, foi dif&#237;cil aceitar a sua condi&#231;&#227;o, particularmente pelo facto de a mesma poder ser definitiva.</p>     <p><b>Coment&#225;rio</b></p>     <p>A digeusia &#233; uma complica&#231;&#227;o rara da amigdalectomia, mas de elevada import&#226;ncia para o doente. </p>     <p>Muitos s&#227;o os fatores que podem causar disgeusia num doente; podem ser fatores locais, sist&#233;micos ou f&#225;rmacos, como &#233; representado no <a href="#q3">Quadro III</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v31n4/31n4a07q3.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O ramo lingual do nervo glossofar&#237;ngeo dista 2-4mm do p&#243;lo inferior da am&#237;gdala palatina<sup>7</sup> e, em 21,5% dos casos, este est&#225; fortemente aderente &#224; c&#225;psula amigdalina.<sup>3,7</sup> Este &#233; um dos respons&#225;veis pela transmiss&#227;o sensorial gustativa, juntamente com o nervo da corda do t&#237;mpano e grande petroso superficial.<sup>8</sup></p>     <p>A amigdalectomia pode afetar este ramo, direta (lacera&#231;&#227;o, descontinua&#231;&#227;o) ou indiretamente (dano t&#233;rmico por cauteriza&#231;&#227;o, compress&#227;o), afetando a perce&#231;&#227;o gustativa do doente.<sup>4,7</sup></p>     <p>Atualmente n&#227;o h&#225; <i>guidelines</i> baseadas na evid&#234;ncia para o diagn&#243;stico. No entanto, importa n&#227;o esquecer que &#233; importante esclarecer a causa da altera&#231;&#227;o do gosto, pois podemos estar perante uma doen&#231;a sist&#233;mica potencialmente trat&#225;vel ou precocemente diagnostic&#225;vel. Devemos ter consci&#234;ncia de que o gosto alterado do doente influenciar&#225; a sua qualidade de vida e o seu dia-a-dia, podendo culminar em dist&#250;rbios alimentares/nutricionais e mesmo do foro psiqui&#225;trico.<sup>3,5,7</sup></p>     <p>Os casos de disgeusia p&#243;s amigdalectomia est&#227;o subreportados. Apresentam uma evolu&#231;&#227;o relativamente r&#225;pida (disgeusia de curta dura&#231;&#227;o) com recupera&#231;&#227;o completa em poucas semanas e sem tratamento. H&#225;, no entanto, uma pequena percentagem de casos que mant&#233;m a sua altera&#231;&#227;o gustativa at&#233; dois anos ap&#243;s cirurgia.<sup>8</sup> Este &#233; um desses raros casos de disgeusia de longa dura&#231;&#227;o. </p>     <p>Nos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios, as queixas de altera&#231;&#245;es gustativas s&#227;o queixas vagas e sem rela&#231;&#227;o aparentemente l&#243;gica com outras patologias, pelo que s&#227;o facilmente negligenciadas na consulta. Este &#233; um problema para o qual os m&#233;dicos de fam&#237;lia est&#227;o pouco alertados, dada a reduzida produ&#231;&#227;o na literatura acerca deste tema, nomeadamente os relatos de caso. &#201; importante a descri&#231;&#227;o destas situa&#231;&#245;es. Atualmente n&#227;o existem dados relativos &#224; incid&#234;ncia/preval&#234;ncia das altera&#231;&#245;es do paladar em cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios em Portugal. </p>     <p>A maioria das altera&#231;&#245;es gustativas tem uma evolu&#231;&#227;o benigna. No entanto, a avalia&#231;&#227;o do doente n&#227;o deve ser descuidada, nem t&#227;o pouco desvalorizadas as suas queixas.<sup>8</sup> Cabe-nos a n&#243;s estar atentos e ter um papel ativo na valoriza&#231;&#227;o, avalia&#231;&#227;o, orienta&#231;&#227;o e tratamento das altera&#231;&#245;es do paladar, entre elas a disgeusia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Collet S, Eloy P, Rombaux P, Bertrand B. Taste disorders after tonsillectomy: case report and literature review. Ann Otol Rhinol Laryngol. 2005;114(3):233-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S2182-5173201500040000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Landis BN, Welge-Luessen A, Br&#228;merson A, Bende M, Mueller CA, Nordin S, et al. Taste Strips: a rapid, lateralized, gustatory bedside identification test based on impregnated filter papers. J Neurol. 2009;256(2):242-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S2182-5173201500040000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Tomofuji S, Sakagami S, Kushida K, Terada T, Mori H, Kakibuchi M. Taste disturbance after tonsillectomy and laryngomicrosurgery. Auris Nasus Larynx. 2005;32(4):381-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S2182-5173201500040000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Leong SC, Karkos PD, Papouliakos SM, Apostolidou MT. Unusual complications of tonsillectomy: a systematic review. Am J Otolaryngol. 2007;28(6):419-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S2182-5173201500040000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Velmurugan SM. Dysgeusia: a review. Asian J Pharm Clin Res. 2013;6(4):16-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S2182-5173201500040000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Mueller C, Kallert S, Renner B, Stiassny K, Temmel AF, Hummel T, et al. Quantitative assessment of gustatory function in a clinical context using impregnated &#8220;taste strips&#8221;. Rhinology. 2003;41(1):2-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S2182-5173201500040000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Uzun C, Adali MK, Karasalihoglu AR. Unusual complication of tonsillectomy: taste disturbance and the lingual branch of the glossopharyngeal nerve. J Laryngol Otol. 2003;117(4):314-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S2182-5173201500040000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Malaty J, Malaty IA. Smell and taste disorders in primary care. Am Fam Physician. 2013;88(12):852-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S2182-5173201500040000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>&#211;scar de Barros</p>     <p>Rua Dr. Francisco S&#225; Carneiro, lote 2, n.o 150, 2.o Fte</p>     <p>3000-194 Coimbra</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E-mail: <a href="mailto:oscardcbarros@gmail.com">oscardcbarros@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 27-07-2014</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 02-06-2015</b></p>     <p><i>Artigo escrito ao abrigo do novo acordo ortogr&#225;fico.</i></p>      ]]></body><back>
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