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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Hipertensão no grande idoso: tratar ou não tratar?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Hypertension in the very elderly: to treat or not to treat?]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Administração Regional do Norte Agrupamento de Centros de Saúde Entre Douro e Vouga II Centro de Saúde de Oliveira de Azeméis]]></institution>
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<institution><![CDATA[,Administração Regional do Norte Agrupamento de Centros de Saúde Entre Douro e Vouga I Centro de Saúde de Santa Maria da Feira]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Hypertension is the most prevalent cardiovascular risk factor. A decrease in blood pressure (BP) in hypertensive patients below the age of 65 reduces the risk of cardiovascular events and death. There are few studies of the reduction of risk in the very elderly (above 80 years of age). Objectives: To review the evidence for the reduction of risk of major cardiovascular events and mortality in very elderly patients with anti-hypertensive treatment. Data source: National Guideline Clearinghouse, Guideline Finder, Canadian Medical Association, The Cochrane Database, DARE, Bandolier, MEDLINE/PubMed e Índex de Revistas Médicas Portuguesas. Methods: A search was conducted on MEDLINE and evidence-based medical sites for articles published between January 2004 and August 2014 in English, Spanish or Portuguese using the keywords &#8216;Hypertension/therapy' AND &#8216;Aged, 80 and over'. Results: Eight articles met the inclusion criteria. In the guidelines found, antihypertensive treatment reduced the incidence of stroke and cardiovascular morbidity and increased mortality from other causes (Strength of Recommendation C). For patients in good physical and psychological condition, BP values should be around 140-150mmHg (Strength of Recommendation B). Otherwise, treatment should be individualized and monitored clinically (Strength of Recommendation C). One meta-analysis found a reduction in the risk of stroke, cardiovascular events and heart failure (LE 2). Clinical trials show benefit in controlling BP to 150/80mmHg (LE 1). Lower values are associated with greater risk of death and heart failure (LE 2). Conclusion: The overall benefit of treatment of elevated blood pressure in very elderly is questionable. Although it is associated with a reduction in the risk of cardiovascular events, all-cause mortality, and cause-specific mortality, the results are mixed (Strength of Recommendation B). The reduction of all-cause mortality was achieved in studies with lower reductions of blood pressure and less intensive therapies (Strength of Recommendation B).]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Hipertensão]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Tratamento]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Grande Idoso]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[80 and over]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>REVIS&#213;ES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Hipertens&#227;o no grande idoso: tratar ou n&#227;o   tratar?</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Hypertension in the very elderly: to treat   or not to treat?</b></font></p>     <p><b>Teresa Moura Bastos,* Sofia Azenha,** T&#226;nia   Dias***</b></p>     <p>*M&#233;dica   interna de Medicina Geral e Familiar. </p>     <p>Unidade de   Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios Sul, Centro de Sa&#250;de de Oliveira de Azem&#233;is,   Agrupamento de Centros de Sa&#250;de Entre Douro e Vouga II, Administra&#231;&#227;o Regional   do Norte. </p>     <p>**M&#233;dica   especialista de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Sa&#250;de Familiar Fam&#237;lias,   Centro de Sa&#250;de de Santa Maria da Feira, Agrupamento de Centros de Sa&#250;de Entre   Douro e Vouga I, Administra&#231;&#227;o Regional do Norte. </p>     <p>***M&#233;dica   interna de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Sa&#250;de Familiar Fam&#237;lias,   Centro de Sa&#250;de de Santa Maria da Feira, Agrupamento de Centros de Sa&#250;de Entre   Douro e Vouga I, Administra&#231;&#227;o Regional do Norte.</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A hipertens&#227;o arterial &#233; o   fator de risco cardiovascular mais prevalente. Sabe-se que a diminui&#231;&#227;o da   press&#227;o arterial (PA) em hipertensos com &#8804;65 anos reduz a ocorr&#234;ncia de   eventos cardiovasculares e morte. Relativamente ao grande idoso (&#8805;80   anos), ainda h&#225; poucos estudos que possam assegurar o mesmo consenso. </p>     <p><b>Objetivos:</b> Rever se existe evid&#234;ncia   sobre se o tratamento anti-hipertensor conduz a diminui&#231;&#227;o de eventos   cardiovasculares major, bem como a redu&#231;&#227;o da mortalidade no grande idoso. </p>     <p><b>Fontes de dados:</b> <i>National Guideline Clearinghouse, Guideline Finder, Canadian Medical   Association, The Cochrane Database,</i> DARE, Bandolier, MEDLINE/PubMed e &#205;ndex   de Revistas M&#233;dicas Portuguesas.</p>     <p><b>M&#233;todos de revis&#227;o:</b> Pesquisa em sites   de medicina baseada na evid&#234;ncia; entre janeiro de 2004 e agosto de 2014;   l&#237;nguas inglesa, espanhola ou portuguesa; palavras-chave: <i>Hypertension/therapy AND Aged, 80 and over.</i> </p>     <p><b>Resultados:</b> Oito artigos cumpriam os   crit&#233;rios de inclus&#227;o. Segundo as normas, o tratamento anti-hipertensor reduz a   incid&#234;ncia de acidente vascular cerebral (AVC) e morbilidade cardiovascular e   aumenta a mortalidade por outras causas (FR C). Se h&#225; boa condi&#231;&#227;o f&#237;sica e   psicol&#243;gica, os valores de PA devem rondar os 140-150mmHg (FR B); caso   contr&#225;rio, o tratamento deve ser individualizado (FR C). As meta-an&#225;lises   corroboram a redu&#231;&#227;o do risco de AVC, eventos cardiovasculares e insufici&#234;ncia   card&#237;aca (IC) (NE 2). Os ensaios cl&#237;nicos revelam benef&#237;cio na redu&#231;&#227;o da PA   at&#233; 150/80mmHg (NE 1); valores inferiores a este associam-se a maior risco de   morte cerebrovascular e IC (NE 2). </p>     <p><b>Conclus&#227;o:</b> O benef&#237;cio global do   tratamento no grande idoso &#233; question&#225;vel, pois embora esteja associado a uma   redu&#231;&#227;o dos eventos cardiovasculares quanto &#224; mortalidade total, bem como &#224;   mortalidade espec&#237;fica por causa, os resultados s&#227;o heterog&#233;neos (FR B).   Salienta-se, contudo, o facto de a redu&#231;&#227;o da mortalidade total ser conseguida   nos ensaios com menores redu&#231;&#245;es da PA e terap&#234;uticas menos intensivas (FR B). </p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Hipertens&#227;o;   Tratamento; Grande Idoso.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introduction:</b> Hypertension is the most   prevalent cardiovascular risk factor. A decrease in blood pressure (BP) in   hypertensive patients below the age of 65 reduces the risk of cardiovascular   events and death. There are few studies of the reduction of risk in the very   elderly (above 80 years of age). </p>     <p><b>Objectives:</b> To review the evidence for   the reduction of risk of major cardiovascular events and mortality in very   elderly patients with anti-hypertensive treatment.</p>     <p><b>Data source:</b> <i>National Guideline Clearinghouse, Guideline Finder, Canadian Medical   Association, The Cochrane Database, DARE, Bandolier,</i> MEDLINE/PubMed e &#205;ndex   de Revistas M&#233;dicas Portuguesas.</p>     <p><b>Methods:</b> A search was conducted on   MEDLINE and evidence-based medical sites for articles published between January   2004 and August 2014 in English, Spanish or Portuguese using the keywords   &#8216;Hypertension/therapy&#8217; AND &#8216;Aged, 80 and over&#8217;. </p>     <p><b>Results:</b> Eight articles met the   inclusion criteria. In the guidelines found, antihypertensive treatment reduced   the incidence of stroke and cardiovascular morbidity and increased mortality   from other causes (Strength of Recommendation C). For patients in good physical   and psychological condition, BP values should be around 140-150mmHg (Strength   of Recommendation B). Otherwise, treatment should be individualized and   monitored clinically (Strength of Recommendation C). One meta-analysis found a   reduction in the risk of stroke, cardiovascular events and heart failure (LE   2). Clinical trials show benefit in controlling BP to 150/80mmHg (LE 1). Lower   values are associated with greater risk of death and heart failure (LE 2). </p>     <p><b>Conclusion:</b> The overall benefit of   treatment of elevated blood pressure in very elderly is questionable. Although   it is associated with a reduction in the risk of cardiovascular events,   all-cause mortality, and cause-specific mortality, the results are mixed   (Strength of Recommendation B). The reduction of all-cause mortality was   achieved in studies with lower reductions of blood pressure and less intensive   therapies (Strength of Recommendation B).</p>     <p><b>Keywords:</b> Hypertension/therapy; Aged,   80 and over</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A hipertens&#227;o   arterial (HTA) &#233; o fator de risco cardiovascular mais prevalente e afeta at&#233;   60% dos utentes com idade &#8805;60 anos e 75% daqueles com idade &#8805;85   anos.<sup>1</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existe   evid&#234;ncia cient&#237;fica de que a diminui&#231;&#227;o da press&#227;o arterial (PA) em utentes   hipertensos com idade &#8804;65 anos reduz significativamente a ocorr&#234;ncia de   eventos cardiovasculares e morte. No que diz respeito ao grande idoso, esta   tem&#225;tica ainda n&#227;o &#233; consensual.<sup>2-3</sup> Sabe-se que o risco de acidente   vascular cerebral (AVC) aumenta para valores de PA &#8805;115/75mmHg; contudo,   esta associa&#231;&#227;o diminui com o aumento da idade.<sup>4</sup></p>     <p>De facto, os   hipertensos com idade &#8805;80 anos (grande idoso) t&#234;m vindo a ser pouco   considerados em ensaios cl&#237;nicos e, desta forma, a base cient&#237;fica utilizada   para o seu tratamento &#233; extrapolada de utentes muito mais novos.<sup>1</sup> Permanece, assim, a d&#250;vida relativamente aos valores alvo de PA a atingir nesta   faixa et&#225;ria, bem como a incerteza de como uma redu&#231;&#227;o excessiva da PA possa   conduzir a um aumento de eventos cardiovasculares, como AVC, quedas, problemas   cognitivos e sintomas depressivos, levando consequentemente ao aumento da   morbilidade e mortalidade nesta faixa et&#225;ria.<sup>1</sup> Diversos estudos   referem que h&#225; mesmo uma rela&#231;&#227;o inversa entre o valor da PA e a mortalidade   para utentes &#8805;80 anos, correlacionando-se com o aumento das complica&#231;&#245;es   associadas a esta redu&#231;&#227;o.<sup>4</sup></p>     <p>Grande parte   dos grandes idosos hipertensos encontram-se sem tratamento, com controlo   inadequado da PA ou sob tratamento com f&#225;rmacos menos adequados.<sup>3-4</sup> A agravar ainda mais esta problem&#225;tica surge o facto de a HTA ser um   diagn&#243;stico frequente no grande idoso, faixa et&#225;ria que est&#225; progressivamente a   aumentar nos pa&#237;ses desenvolvidos.<sup>3-4</sup> Estima-se que, em 2030, cerca   de 20% da popula&#231;&#227;o mundial ter&#225; idade igual ou superior a 65 anos.<sup>1</sup></p>     <p>O objetivo   do presente estudo &#233; rever se, na faixa et&#225;ria do grande idoso, existe   evid&#234;ncia de que o tratamento anti-hipertensor conduz &#224; diminui&#231;&#227;o de eventos   cardiovasculares major, bem como &#224; redu&#231;&#227;o da mortalidade. </p>     <p><b>M&#233;todos</b></p>     <p>Foi realizada   uma pesquisa bibliogr&#225;fica a 4 de agosto de 2014 com os termos <i>MeSH e operador booleano:   Hypertension/therapy AND Aged, 80 and over.</i></p>     <p>As bases de   dados pesquisadas incluem: <i>National   Guideline Clearinghouse, Guideline Finder, Canadian Medical Association, The   Cochrane Database,</i> DARE, <i>Bandolier,</i> MEDLINE/PubMed e &#205;ndex de Revistas M&#233;dicas Portuguesas. Pesquisaram-se ainda as   refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas dos artigos originais e Normas de Orienta&#231;&#227;o Cl&#237;nica   selecionados. Inclu&#237;ram-se os artigos publicados nos &#250;ltimos dez anos (janeiro   de 2004 a agosto de 2014) em l&#237;ngua portuguesa, inglesa ou espanhola que   respeitassem os crit&#233;rios de elegibilidade a seguir especificados:</p>     <p>&#8226; Popula&#231;&#227;o:   hipertensos com idade igual ou superior a 80 anos;</p>     <p>&#8226;   Interven&#231;&#227;o: tratamento anti-hipertensor;</p>     <p>&#8226;   Compara&#231;&#227;o: sem tratamento ou placebo;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8226; <i>Outcome</i> (orientado para o utente):   diminui&#231;&#227;o do n&#250;mero de eventos cardiovasculares major e da mortalidade.</p>     <p>Considerou-se   como grande idoso o utente com idade &#8805;80 anos por ser essa a defini&#231;&#227;o da   Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de (OMS) para a maioria dos pa&#237;ses desenvolvidos e   por ser a considerada nos termos <i>MeSH</i> dos motores de busca utilizados.</p>     <p>Definiram-se   como crit&#233;rios de exclus&#227;o: </p>     <p>&#8226; Presen&#231;a   de hipertensos noutras faixas et&#225;rias para al&#233;m da definida nos crit&#233;rios de   elegibilidade;</p>     <p>&#8226; N&#227;o   utiliza&#231;&#227;o de tratamento farmacol&#243;gico na redu&#231;&#227;o de PA;</p>     <p>&#8226; Compara&#231;&#227;o   entre diversos tipos de tratamentos farmacol&#243;gicos para a redu&#231;&#227;o de PA;</p>     <p>&#8226; O artigo   n&#227;o corresponder a nenhum dos seguintes tipos: Norma de Orienta&#231;&#227;o Cl&#237;nica   (NOC), meta-an&#225;lise (MA), artigos de revis&#227;o (AR) orientados para o utente,   ensaio cl&#237;nico randomizado e controlado (ECR), estudo de coorte e estudo de caso-controlo. </p>     <p>Para   avalia&#231;&#227;o dos n&#237;veis de evid&#234;ncia (NE) e atribui&#231;&#227;o de for&#231;as de recomenda&#231;&#227;o   (FR) foi usada a escala <i>Strenght of   Recommendation Taxonomy</i> (SORT), da <i>American   Family Physician.</i></p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Na pesquisa   bibliogr&#225;fica inicial obtiveram-se 225 artigos, sendo que se reviram oito   artigos completos (duas MA, duas NOC, dois ECR e dois estudos de coorte). A   sele&#231;&#227;o dos mesmos encontra-se descrita no <a href="#f1">fluxograma I</a> e os seus resultados est&#227;o sumariados no <a href="#q1">quadro I</a>, <a href="#q2">II</a>, <a href="#q3">III</a> e <a href="#q4">IV</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a05f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a05q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a05q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a05q3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a05q4.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Numa das   meta-an&#225;lise inclu&#237;das, Bejan-Angoulvant, <i>et   al,</i><sup>2</sup> foram analisados oito ensaios cl&#237;nicos randomizados que   comparavam o tratamento anti-hipertensor com o placebo no grande idoso e tinham   como <i>outcome</i> principal a mortalidade   total e, como <i>outcomes</i> secund&#225;rios, o   AVC, os eventos cardiovasculares, a insufici&#234;ncia card&#237;aca (IC) e a mortalidade   espec&#237;fica para a causa. Segundo esta MA, o tratamento anti-hipertensor reduziu   significativamente o risco de AVC, eventos cardiovasculares e IC (NE 2).   Relativamente &#224; mortalidade total, os resultados dos ensaios cl&#237;nicos inclu&#237;dos   foram heterog&#233;neos, pelo que n&#227;o foi poss&#237;vel tirar conclus&#245;es (NE 2). Contudo,   a redu&#231;&#227;o da mortalidade total foi conseguida nos ensaios com menor redu&#231;&#227;o da   PA e terap&#234;utica farmacol&#243;gica menos intensiva (NE 2). No que diz respeito &#224;   mortalidade espec&#237;fica por causa, n&#227;o houve diferen&#231;as estatisticamente   significativas entre tratados e n&#227;o tratados (NE 2). </p>     <p>Na outra   meta-an&#225;lise inclu&#237;da, Law, <i>et al,</i><sup>5</sup> foram analisados 108 ensaios cl&#237;nicos randomizados que comparavam o tratamento   anti-hipertensor com o placebo. Esta MA tinha como <i>outcome</i> a doen&#231;a coron&#225;ria e o enfarte agudo do mioc&#225;rdio.   Verificou-se que o tratamento anti-hipertensor reduziu significativamente o   risco de doen&#231;a coron&#225;ria e enfarte agudo do mioc&#225;rdio no grande idoso e que   esse benef&#237;cio foi tanto maior quanto maior o valor de PAs e PAd inicial (NE   1).</p>     <p>O estudo   HYVET,<sup>4</sup> um ensaio cl&#237;nico aleatorizado, controlado e duplamente cego   com 3.845 hipertensos de &#8805;80 anos, desenvolvido na Europa, China,   Austral&#225;sia e Tun&#237;sia, comparou o tratamento com indapamida de liberta&#231;&#227;o   prolongada isolada (ou associa&#231;&#227;o indapamida + perindopril) com o placebo. Este   estudo teve como <i>outcome</i> prim&#225;rio o   AVC fatal e n&#227;o fatal e, como outcomes secund&#225;rios, a morte de causa   cerebrovascular, morte de qualquer tipo de causa e a IC. Os resultados obtidos   mostram que o tratamento anti-hipertensor do grande idoso (indapamida com ou   sem perindopril) at&#233; valores alvo de 150/80mmHg foi ben&#233;fico, devido a uma   diminui&#231;&#227;o estatisticamente significativa do risco de AVC fatal e n&#227;o fatal   (30%), morte de causa cerebrovascular (39%), morte de qualquer causa (21%) e   risco de IC (23%) (NE 1). </p>     <p>Outro ensaio   cl&#237;nico desenvolvido em 2011,<sup>6</sup> que constituiu uma extens&#227;o do estudo   HYVET, teve como objetivo determinar se o grande idoso obtinha benef&#237;cios com o   tratamento anti-hipertensor precoce. Assim, os participantes sob   anti-hipertensor no estudo HYVET continuaram com tratamento farmacol&#243;gico e os   que estavam a fazer placebo iniciaram anti-hipertensor. Os resultados obtidos   foram uma menor mortalidade total e eventos cardiovasculares nos participantes   sob terap&#234;utica anti-hipertensora precoce, n&#227;o havendo contudo diferen&#231;as na   ocorr&#234;ncia de AVC ou eventos cardiovasculares entre os dois grupos (NE 1). Os   investigadores conclu&#237;ram que as diferen&#231;as observadas na redu&#231;&#227;o da   mortalidade total e cardiovascular suportavam os benef&#237;cios e a necessidade de   tratamento anti-hipertensor precoce e de longa dura&#231;&#227;o (NE 1).</p>     <p>A <i>guideline</i> de 2011 da <i>American College of Cardiology   Foundation/American Heart Association</i> (ACCF/ AHA)<sup>7</sup> referiu que o   tratamento anti-hipertensor reduz a incid&#234;ncia de AVC e a morbilidade   cardiovascular (FR C), apesar de aumentar a mortalidade por outras causas de   morte (FR C).</p>     <p>Segundo a <i>guideline</i> da <i>European Society of Hypertension/European Society of Cardiology</i> (ESH/ESC), de 2013,<sup>8</sup> no grande idoso com PAs &#8805;160mmHg   recomenda-se a redu&#231;&#227;o da PA para valores entre 140 e 150mmHg, caso estes   disponham de boa condi&#231;&#227;o f&#237;sica e psicol&#243;gica (FR B). Em grandes idosos   fragilizados recomenda-se individualizar o tratamento anti-hipertensor com base   na monitoriza&#231;&#227;o das consequ&#234;ncias cl&#237;nicas (FR C). Contudo, a continuidade de   um tratamento bem tolerado deve ser considerada quando o utente se torna   octogen&#225;rio (FR C).</p>     <p>Um estudo de   coorte retrospetivo com 471 hipertensos grandes idosos,<sup>1</sup> cujo <i>outcome</i> prim&#225;rio foi a morte durante o   per&#237;odo de estudo (cinco anos), referiu que os utentes com maior press&#227;o   sangu&#237;nea (PAs &#8805;139mmHg e PAd &#8805;89mmHg) tinham uma taxa de   mortalidade inferior aos utentes com press&#227;o sangu&#237;nea abaixo deste valor (NE   2).</p>     <p>Outro estudo   de coorte<sup>3</sup> retrospetivo com 5.296 hipertensos obteve os seguintes   resultados: no grupo de utentes &#8805;80 anos o risco de ocorrer um evento   cardiovascular major, doen&#231;a coron&#225;ria ou insufici&#234;ncia card&#237;aca foi inferior   quando os valores de PA se encontravam entre PAs 140-159mmHg e PAd 90-100mmHg,   comparativamente a valores inferiores (PAs &lt;140mmHg e PAd &lt;90mmHg) e   superiores (PAs &gt;160mmHg e PAd &gt;100mmHg) de PA (NE 2).</p>     <p><b>Conclus&#245;es</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com esta   revis&#227;o podemos concluir que o benef&#237;cio global do tratamento no grande idoso &#233;   question&#225;vel, pois embora esteja associado a uma redu&#231;&#227;o dos eventos cardiovasculares,   AVC e IC (FR B) quanto &#224; mortalidade total, bem como mortalidade espec&#237;fica por   outras causas, os resultados s&#227;o heterog&#233;neos, pelo que h&#225; necessidade de   realiza&#231;&#227;o de mais estudos para a obten&#231;&#227;o de conclus&#245;es mais robustas (FR B).   Salienta-se, contudo, o facto de a redu&#231;&#227;o da mortalidade total ser conseguida   nos ensaios com menores redu&#231;&#245;es da PA e em que as terap&#234;uticas foram menos   intensivas (FR B).</p>     <p>Tamb&#233;m   podemos concluir que a evid&#234;ncia cient&#237;fica vai no sentido do benef&#237;cio da   redu&#231;&#227;o da PAs para valores entre 140-150mmHg no grande idoso hipertenso, com   PAs inicial &#8805;160mmHg e com bom estado geral (FR B). No que concerne ao   grande idoso fragilizado, a evid&#234;ncia leva-nos a concluir que a terap&#234;utica   deve ser individualizada, com base nas comorbilidades e evolu&#231;&#227;o cl&#237;nica do   utente (FR C). Contudo, n&#227;o h&#225; necessidade de interromper um tratamento de   sucesso e bem tolerado quando o utente atinge os 80 anos, recomendando-se a   individualiza&#231;&#227;o do mesmo, de acordo com o utente em causa, suas comorbilidades   e fatores de risco cardiovasculares associados (FR C).</p>     <p>Consideram-se,   como limita&#231;&#245;es desta revis&#227;o, o reduzido n&#250;mero de estudos nesta faixa et&#225;ria,   os utentes inclu&#237;dos nos mesmos serem habitualmente saud&#225;veis, o facto de a   defini&#231;&#227;o de grande idoso n&#227;o ser mundialmente consensual e a inclus&#227;o nesta   revis&#227;o de estudos metodologicamente diferentes, nomeadamente quanto ao desenho   de estudo, tamanho amostral, <i>outcomes</i> e tipo de f&#225;rmacos utilizados.</p>     <p>Considerando   a fragilidade dos estudos e <i>guidelines</i> dispon&#237;veis e o desinvestimento cient&#237;fico em rela&#231;&#227;o ao tratamento do grande   idoso hipertenso, torna-se essencial desenvolver estudos (como a presente   revis&#227;o) que sumariem a evid&#234;ncia existente, de forma a podermos tratar de   forma segura os nossos utentes, evitando, assim, as consequ&#234;ncias do excesso de   intervencionismo m&#233;dico. Cabe-nos a n&#243;s, m&#233;dicos de fam&#237;lia, atrav&#233;s da   preven&#231;&#227;o quatern&#225;ria, refor&#231;ar a an&#225;lise do processo de decis&#227;o em situa&#231;&#245;es   de incerteza, utilizando a epidemiologia cl&#237;nica e a medicina baseada na   evid&#234;ncia para analisar os ganhos potenciais de um tratamento face aos riscos   acrescidos da sobremedicaliza&#231;&#227;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS   BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Oates DJ,   Berlowitz DR, Glickman ME, Silliman RA, Borzecki AM. Blood pressure and   survival in the oldest old. J Am Geriatr Soc. 2007;55(3):383-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359166&pid=S2182-5173201600010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2.   Bejan-Angoulvant T, Saadatian-Elahi M, Wright JM, Schron EB, Lindholm MH,   Fagard R, et al. Treatment of hypertension in patients 80 years and older: the   lower the better? A meta-analysis of randomized controlled trials. J Hypertens.   2010;28(7):1366-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359168&pid=S2182-5173201600010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>3.   Lloyd-Jones DM, Evans JC, Levy D. Hypertension in adults across the age   spectrum current outcomes and control in the community. JAMA.   2005;294(4):466-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359170&pid=S2182-5173201600010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>4. Beckett   NS, Peters R, Fletcher AE, Staessen JA, Lisheng L, Dumitrascu D, et al.   Treatment of hypertension in patients 80 years of age or older. N Engl J Med.   2008;358(18):1887-98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359172&pid=S2182-5173201600010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Law MR,   Morris JK, Wald NJ. Use of blood pressure lowering drugs in the prevention of   cardiovascular disease: meta-analysis of 147 randomised trials in the context   of expectations from prospective epidemiological studies. BMJ. 2009;338:b1665.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359174&pid=S2182-5173201600010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Beckett   N, Peters R, Tuomilehto J, Swift C, Sever P, Potter J, et al. Immediate and   late benefits of treating very elderly people with hypertension: results from   active treatment extension to hypertension in the very elderly randomised   controlled trial. BMJ. 2012;344:d7541.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359176&pid=S2182-5173201600010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Aronow   WS, Fleg JL, Pepine CJ, Artinian NT, Bakris G, Brown AS, et al. ACCF/AHA 2011   expert consensus document on hypertension in the elderly: a report of the   American College of Cardiology Foundation Task Force on Clinical Expert   Consensus Documents. Circulation. 2011;123(21):2434-506.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359178&pid=S2182-5173201600010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>8. Mancia G,   Fagard R, Narkiewicz K, Red&#243;n J, Zanchetti A, B&#246;hm M, et al. 2013 ESH/ESC   Guidelines for the management of arterial hypertension: the Task Force for the   management of arterial hypertension of the European Society of Hypertension   (ESH) and of the European Society of Cardiology (ESC). J Hypertens.   2013;31(7):1281-357.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359180&pid=S2182-5173201600010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      <p>Teresa Moura   Bastos</p>     <p>Praceta   Ramalho Ortig&#227;o, 166, 4420-289 Gondomar</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:mourabastosteresa@gmail.com">mourabastosteresa@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>As autoras   gostariam de agradecer &#224; Dr&#170; Maria de Lourdes Tavares da Silva e ao Dr. Jos&#233;   Nunes de Sousa pelas sugest&#245;es e orienta&#231;&#227;o cient&#237;fica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conflitos   de interesse</b></p>     <p>As autoras   declaram n&#227;o ter conflitos de interesse.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 24-05-2015</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 02-01-2016</b></p>     <p><i>Artigo escrito ao abrigo do novo acordo   ortogr&#225;fico.</i></p> </div>      ]]></body><back>
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