<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2182-5173</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev Port Med Geral Fam]]></abbrev-journal-title>
<issn>2182-5173</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2182-51732016000100007</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prevalência de depressão nos internos de medicina geral e familiar da região sul de Portugal Continental: um estudo multicêntrico]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Prevalence of Depression among Family Medicine Residents in the South of Portugal]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gomes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Rita Machado]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,ACES Cascais USF Carcavelos ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Cascais ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>02</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>02</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<volume>32</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>48</fpage>
<lpage>54</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732016000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732016000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732016000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Objetivos: Determinar a prevalência de depressão e consumo de antidepressivos nos internos de medicina geral e familiar (MGF) da região sul de Portugal Continental e estudar a associação da depressão com sexo, idade, ano de internato, localização do centro de saúde e tipo de unidade de cuidados de saúde. Tipo de estudo: Observacional, transversal e descritivo. Local: Unidades de Saúde Familiar (USF) e Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) da região sul de Portugal Continental. População: Internos de medicina geral e familiar (MGF) da região sul do território português. Métodos: Envio de questionários de autopreenchimento por via eletrónica aos internos de MGF da região sul de Portugal continental. O instrumento de medição de depressão usado foi o Inventário Depressivo de Beck II. Os testes Mann-Whitney, Kruskal-Wallis e Correlação de Spearman foram utilizados para avaliar associações de variáveis, considerando-se um nível de significância de 0,05 e intervalos de confiança a 95%. Resultados: A taxa de resposta foi de 33%, reunindo-se uma amostra de 216 participantes. Quase 80% dos inquiridos pertencem ao sexo feminino. A média de idades foi 30 anos. Os internos distribuem-se equitativamente pelos quatro anos de formação pós-graduada. A maioria (88,9%) desenvolve a sua atividade em USF e 61,1% trabalha na região de Lisboa. Cerca de 19% dos internos apresentam algum grau de depressão: 8,9% (4,7-13,0) com depressão leve, 6,9% (3,2-10,6) com depressão moderada e 2,9% (0,4-5,5) com depressão severa. Sete por cento estão medicados com antidepressivos. Os valores na escala de depressão não se relacionam com idade, sexo, ano de internato e tipo de unidade. Conclusões: O estudo representa o primeiro esforço de quantificação de depressão nos internos de MGF em Portugal e poderá configurar um ponto de partida para outros estudos no âmbito da saúde mental dos médicos que resultem em intervenções que tendam a melhorar a prática clínica dos mesmos.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objectives: To determine the prevalence of depression and antidepressant use among Family Medicine residents in the Southern Region of Continental Portugal and to study the associations between depression and gender, age, internship year, location of the health center, and type of health care facility. Study design: Cross-sectional study. Setting: Family Health Units and Personalized Health Care Units from the south of Portugal. Participants: Family Medicine residents from the south of Portugal. Methods: Self-administered questionnaires were sent electronically to Family Medicine residents from the Southern Region of Portugal. The Beck Depression Inventory II was used to measure depression. The Mann-Whitney test, Kruskal-Wallis and Spearman correlation were used to evaluate associations of variables, with a significance level of 0,05 and 95% confidence intervals. Results: The response rate was 33%, giving a sample of 216 participants. Almost 80% of the participants were female. The average age was 30 years old. The residents were equally distributed among the four years of postgraduate training. The majority (88,9%) worked in Family Health Units and 61,1% worked in the Lisbon area. About 19% of the residents had some degree of depression: 8,9% (4,7-13,0) were classified as mild depression, 6,9% (3,2-10,6) as moderate depression and 2,9% (0,4-5,5) as severe depression. Seven percent were treated with antidepressants. Levels of depression were not related to age, gender, internship year or type of health unit. Conclusions: The study represents the first effort to quantify depression among Portuguese Family Medicine residents. It can serve as a starting point for further studies about physicians' mental health, leading to interventions to improve their performance.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Internato]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Medicina Familiar]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Depressão]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Residency]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Family Medicine]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Depression]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Preval&#234;ncia de depress&#227;o nos internos de     medicina geral e familiar da regi&#227;o sul de Portugal Continental: um estudo     multic&#234;ntrico</b></font></p>       <p><b>Prevalence   of Depression among Family Medicine Residents in the South of Portugal </b></p>     <p><font size="3"><b>Ana Rita Machado Gomes*</b></font></p>       <p>*M&#233;dica de     Medicina Geral e Familiar. USF Carcavelos - ACES Cascais</p>       <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Objetivos: </b>Determinar a preval&#234;ncia de     depress&#227;o e consumo de antidepressivos nos internos de medicina geral e     familiar (MGF) da regi&#227;o sul de Portugal Continental e estudar a associa&#231;&#227;o da     depress&#227;o com sexo, idade, ano de internato, localiza&#231;&#227;o do centro de sa&#250;de e     tipo de unidade de cuidados de sa&#250;de.</p>       <p><b>Tipo de estudo:</b> Observacional,     transversal e descritivo.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Local:</b> Unidades de Sa&#250;de Familiar (USF)     e Unidades de Cuidados de Sa&#250;de Personalizados (UCSP) da regi&#227;o sul de Portugal     Continental.</p>       <p><b>Popula&#231;&#227;o:</b> Internos de medicina geral e     familiar (MGF) da regi&#227;o sul do territ&#243;rio portugu&#234;s.</p>       <p><b>M&#233;todos:</b> Envio de question&#225;rios de     autopreenchimento por via eletr&#243;nica aos internos de MGF da regi&#227;o sul de     Portugal continental. O instrumento de medi&#231;&#227;o de depress&#227;o usado foi o Invent&#225;rio     Depressivo de Beck II. Os testes <i>Mann-Whitney,     Kruskal-Wallis</i> e Correla&#231;&#227;o de <i>Spearman</i> foram utilizados para avaliar associa&#231;&#245;es de vari&#225;veis, considerando-se um     n&#237;vel de signific&#226;ncia de 0,05 e intervalos de confian&#231;a a 95%.</p>       <p><b>Resultados:</b> A taxa de resposta foi de     33%, reunindo-se uma amostra de 216 participantes. Quase 80% dos     inquiridos&nbsp;pertencem ao&nbsp;sexo feminino. A m&#233;dia de idades foi 30 anos.     Os internos distribuem-se equitativamente pelos quatro anos de forma&#231;&#227;o     p&#243;s-graduada. A maioria (88,9%) desenvolve a sua atividade em USF e 61,1%     trabalha na regi&#227;o de Lisboa. Cerca de 19% dos internos apresentam algum grau     de depress&#227;o: 8,9% (4,7-13,0) com depress&#227;o leve, 6,9% (3,2-10,6) com depress&#227;o     moderada e 2,9% (0,4-5,5) com depress&#227;o&nbsp;severa. Sete por cento est&#227;o     medicados com antidepressivos. Os valores na escala de depress&#227;o n&#227;o se     relacionam com&nbsp;idade, sexo, ano de internato e tipo de unidade.</p>       <p><b>Conclus&#245;es:</b> O estudo representa o     primeiro esfor&#231;o de quantifica&#231;&#227;o de depress&#227;o nos internos de MGF em Portugal     e poder&#225; configurar um ponto de partida para outros estudos no &#226;mbito da sa&#250;de     mental dos m&#233;dicos que resultem em interven&#231;&#245;es que tendam a melhorar a pr&#225;tica     cl&#237;nica dos mesmos.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Internato; Medicina     Familiar; Depress&#227;o.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</B></p>       <p><b>Objectives:</b> To determine the prevalence     of depression and antidepressant use among Family Medicine residents in the     Southern Region of Continental Portugal and to study the associations between     depression and gender, age, internship year, location of the health center, and   type of health care facility.</p>       <p><b>Study design:</b> Cross-sectional study.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Setting:</b> Family Health Units and     Personalized Health Care Units from the south of Portugal.</p>       <p><b>Participants:</b> Family Medicine residents     from the south of Portugal.</p>       <p><b>Methods:</b> Self-administered     questionnaires were sent electronically to Family Medicine residents from the     Southern Region of Portugal. The Beck Depression Inventory II was used to     measure depression. The Mann-Whitney test, Kruskal-Wallis and Spearman     correlation were used to evaluate associations of variables, with a     significance level of 0,05 and 95% confidence intervals.</p>       <p><b>Results:</b> The response rate was 33%,     giving a sample of 216 participants. Almost 80% of the participants were     female. The average age was 30 years old. The residents were equally     distributed among the four years of postgraduate training. The majority (88,9%)     worked in Family Health Units and 61,1% worked in the Lisbon area. About 19% of     the residents had some degree of depression: 8,9% (4,7-13,0) were classified as     mild depression, 6,9% (3,2-10,6) as moderate depression and 2,9% (0,4-5,5) as     severe depression. Seven percent were treated with antidepressants. Levels of     depression were not related to age, gender, internship year or type of health     unit.</p>       <p><b>Conclusions:</b> The study represents the     first effort to quantify depression among Portuguese Family Medicine residents.     It can serve as a starting point for further studies about physicians&#8217; mental     health, leading to interventions to improve their performance.</p>       <p><b>Keywords:</b> Residency; Family Medicine;     Depression.</p>  <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>O internato     m&#233;dico &#233; atualmente reconhecido como um per&#237;odo de risco para o desenvolvimento     de v&#225;rios problemas de sa&#250;de mental, incluindo a depress&#227;o.<sup>1-12</sup> Na     literatura, este assunto cruza-se frequentemente com conceitos complexos e     dif&#237;ceis de padronizar, como <i>burnout,</i> qualidade de vida, perce&#231;&#227;o de stress, bem-estar psicol&#243;gico,     qualidade/quantidade de sono, satisfa&#231;&#227;o profissional/carreira, <i>performance</i> profissional e autoperce&#231;&#227;o     do erro. Na sua maioria, os estudos publicados s&#227;o transversais, limitados a     popula&#231;&#245;es de internos hospitalares, que reportam uma preval&#234;ncia de depress&#227;o     maior nos internos relativamente &#224; popula&#231;&#227;o geral.</p>       <p>No &#226;mbito     estrito do internato de medicina familiar, a informa&#231;&#227;o &#233; mais escassa e os     resultados contradit&#243;rios quanto &#224; preval&#234;ncia de depress&#227;o nesta popula&#231;&#227;o     relativamente &#224; popula&#231;&#227;o geral.<sup>5-12</sup></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No contexto     nacional encontram-se publicados artigos apenas sobre o <i>burnout</i> m&#233;dico. Nenhum com foco no problema da depress&#227;o no m&#233;dico     interno e sua quantifica&#231;&#227;o.</p>       <p>A depress&#227;o     no interno de medicina geral e familiar (MGF) pode ser equacionada numa l&#243;gica     de produtividade e qualidade cl&#237;nica e acad&#233;mica, por um lado, e na dimens&#227;o     puramente humana, por outro. Do primeiro t&#243;pico destaca-se, de imediato, a     associa&#231;&#227;o, provavelmente bidirecional, entre a depress&#227;o e o erro m&#233;dico.<sup>4</sup> O segundo ponto remete para a dimens&#227;o extra profissional do interno como     indiv&#237;duo em risco, ou seja, como indiv&#237;duo capaz de adoecer por raz&#245;es     m&#250;ltiplas, incluindo aquelas intr&#237;nsecas &#224; sua atividade formativa e     profissional que o exp&#245;em a <i>stressors</i> repetidamente assinalados na literatura.<sup>13-14</sup></p>       <p>Os objetivos     deste estudo s&#227;o determinar a preval&#234;ncia de depress&#227;o e consumo de     antidepressivos nos internos de MGF da regi&#227;o sul do territ&#243;rio portugu&#234;s e     estudar a associa&#231;&#227;o da depress&#227;o com as vari&#225;veis: sexo, idade, ano de     internato, localiza&#231;&#227;o do centro de sa&#250;de e tipo de unidade de cuidados de     sa&#250;de.</p>       <p><b>M&#233;todos</b></p>       <p>Estudo     observacional, transversal e descritivo, baseado num question&#225;rio eletr&#243;nico,     cujo desenho metodol&#243;gico foi orientado pelas normas CHERRIES, para desenvolver     o protocolo de recolha de dados utilizando a internet, e STROBE, para reportar     os resultados.</p>       <p>O protocolo     foi previamente submetido e aprovado pela Comiss&#227;o de &#201;tica da Administra&#231;&#227;o     Regional de Sa&#250;de de Lisboa e Vale do Tejo.</p>       <p>O     procedimento consistiu no envio de um <i>email</i>-convite,     com o <i>link</i> para um question&#225;rio     eletr&#243;nico, cont&#237;nuo, p&#225;gina &#250;nica, de autopreenchimento volunt&#225;rio, criado     atrav&#233;s da aplica&#231;&#227;o <i>Google Drive</i>&#174;, a     todos os internos de MGF da regi&#227;o sul (Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e     Algarve). O envio dos question&#225;rios foi realizado a 22 de julho de 2014 pela     Comiss&#227;o de Internos de MGF da regi&#227;o sul, que utilizou a sua base de dados de     contactos eletr&#243;nicos. O consentimento para entrar no estudo foi considerado     autom&#225;tico caso o interno respondesse ao question&#225;rio. Este ponto encontrava-se     explicado no texto informativo do <i>email</i>-convite.</p>       <p>Foram     aceites as respostas enviadas entre 22 de julho e 12 de setembro de 2014,     per&#237;odo oficial de recolha de dados. Durante este per&#237;odo, o <i>email</i>-convite foi reenviado duas vezes,     para criar oportunidade renovada de divulga&#231;&#227;o e apelo &#224; participa&#231;&#227;o. No mesmo     per&#237;odo, a p&#225;gina oficial da Coordena&#231;&#227;o do Internato da MGF da Lisboa e Vale     do Tejo anunciou o estudo.</p>       <p>O     question&#225;rio apresentava sete quest&#245;es de escolha m&#250;ltipla pr&#233;-estabelecida. As     cinco primeiras correspondiam &#224;s vari&#225;veis independentes - sexo, idade,     ano de internato, localiza&#231;&#227;o do centro de sa&#250;de e tipo de unidade de cuidados     de sa&#250;de. As duas &#250;ltimas diziam respeito &#224;s vari&#225;veis dependentes em estudo     - depress&#227;o, medida atrav&#233;s do Invent&#225;rio Depressivo de Beck II (IDB-II),     e consumo atual de antidepressivos, definido como &#171;consumo de forma di&#225;ria,     desde h&#225; pelo menos 14 dias, de um ou mais f&#225;rmacos da fam&#237;lia dos     antidepressivos&#187;. </p>       <p>O IDB-II &#233;     uma escala n&#227;o-diagn&#243;stica de autoavalia&#231;&#227;o de depress&#227;o, constitu&#237;do por 21     dimens&#245;es de sintomas e atitudes. Cada dimens&#227;o &#233; constitu&#237;da por quatro     frases, com valores de 0 a 3 pontos, dispostas por ordem crescente de     intensidade. O indiv&#237;duo seleciona a frase que melhor define o estado emocional     vivenciado nas duas &#250;ltimas semanas, incluindo o dia do question&#225;rio. A     pontua&#231;&#227;o total do question&#225;rio situa-se entre os 0 e os 63 pontos, consoante     as respostas dos indiv&#237;duos. Onze dimens&#245;es do question&#225;rio relacionam-se com     aspetos cognitivos, cinco com comportamentos observ&#225;veis, duas com o afeto e     uma com sintomas interpessoais. Ap&#243;s soma das cota&#231;&#245;es, o resultado pode ser     expresso numa das categorias de depress&#227;o definidas: 0-13, depress&#227;o m&#237;nima;     14-19, depress&#227;o leve; 20-28, depress&#227;o moderada; 29-63, depress&#227;o severa.     Assim, considera-se existir algum grau de depress&#227;o a partir dos 14 pontos     e&nbsp;aus&#234;ncia de depress&#227;o no primeiro n&#237;vel da escala (<i>score</i> entre 0 e 13), apesar da designa&#231;&#227;o &#171;depress&#227;o     m&#237;nima&#187;.&nbsp;O IDB-II foi aferido por Campos e Gon&#231;alves para a popula&#231;&#227;o     portuguesa, demonstrando estrutura muito semelhante &#224; vers&#227;o original.<sup>15</sup></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O resultado     individual da escala de avalia&#231;&#227;o de sintomas foi enviado a todos os internos     que o solicitaram, respondendo &#171;sim&#187; &#224; pergunta criada para o efeito. O retorno     do resultado individual no IDB-II foi o &#250;nico incentivo pr&#233;-determinado para     responder ao question&#225;rio.</p>       <p>O     question&#225;rio apresentava ainda um campo para identifica&#231;&#227;o atrav&#233;s do n&#250;mero da     ordem dos m&#233;dicos, necess&#225;rio para evitar repeti&#231;&#245;es de respostas tendo em conta     as limita&#231;&#245;es da aplica&#231;&#227;o inform&#225;tica utilizada. Posteriormente, de modo a     preservar o anonimato e assegurar a confidencialidade, o colaborador externo     codificou as respostas, considerando apenas a &#250;ltima no caso de repeti&#231;&#245;es. Os     question&#225;rios originais permaneceram arquivados em formato digital, com o     colaborador externo, at&#233; ter sido terminado o processamento dos dados e     realizado o retorno do resultado do IDB-II aos participantes interessados. Ap&#243;s     este per&#237;odo, os ficheiros foram eliminados.</p>       <p>Foi     realizada an&#225;lise descritiva, com componente anal&#237;tica, utilizando os <i>softwares SPSS</i>&#174;, vers&#227;o 22 e o <i>Epidat</i>&#174;, sendo a &#250;ltima ferramenta     utilizada exclusivamente para o c&#225;lculo dos intervalos de confian&#231;a.     Inclu&#237;ram-se question&#225;rios com resposta incompleta, facto que implicou     tratamento estat&#237;stico, considerando dados em falta com avalia&#231;&#227;o das     propor&#231;&#245;es v&#225;lidas. A normalidade das vari&#225;veis foi pesquisada previamente &#224;     escolha do teste estat&#237;stico. A correla&#231;&#227;o de <i>Pearson</i> foi aplicada para compara&#231;&#227;o no caso de vari&#225;veis     independentes num&#233;ricas normais e a correla&#231;&#227;o de <i>Spearman</i> foi aplicada para compara&#231;&#227;o no caso de vari&#225;veis     independentes num&#233;ricas n&#227;o normais, os testes <i>t-Student</i> e <i>Mann-Whitney</i> para vari&#225;veis categoriais com duas categorias, respetivamente normais e n&#227;o     normais, e os testes Anova <i>one-way</i> e <i>Kruskal-Wallis</i> para vari&#225;veis     categoriais com tr&#234;s ou mais categorias, respetivamente normais e n&#227;o normais.     O n&#237;vel de signific&#226;ncia considerado foi de 0,05, com intervalos de confian&#231;a a     95%.</p>       <p><b>Resultados</b></p>       <p>A Comiss&#227;o     de Internos de MGF da regi&#227;o sul enviou um total de 655 question&#225;rios por via     eletr&#243;nica. No per&#237;odo de 22 de julho a 12 de setembro de 2014 foram     rececionadas 216 respostas v&#225;lidas n&#227;o repetidas. A taxa de resposta foi de     33%. Assinale-se que as 216 respostas consideradas v&#225;lidas inclu&#237;ram 13     question&#225;rios sem n&#250;mero de identifica&#231;&#227;o, cuja an&#225;lise comparativa com as     restantes respostas permitiu concluir n&#227;o se tratarem de question&#225;rios     repetidos. </p>       <p>Relativamente     &#224; caracteriza&#231;&#227;o das vari&#225;veis independentes, quanto ao sexo, dos 216 internos     respondedores, 172 (80%) pertenciam ao sexo feminino (<a href="#q1">Quadro I</a>). A m&#233;dia das     idades foi de 30 anos, a mediana 29 e a moda 28, com um m&#237;nimo de 25 e m&#225;ximo     de 57. Os internos estavam distribu&#237;dos de forma equitativa pelos quatro anos     de forma&#231;&#227;o p&#243;s-graduada. O mesmo n&#227;o acontecia relativamente &#224; distribui&#231;&#227;o     regional. Mais de metade da amostra, 132 (62,6%) dos internos, trabalhava em     centros de sa&#250;de da regi&#227;o de Lisboa. A segunda regi&#227;o mais representada foi     Set&#250;bal, com 39 (18,5%). As regi&#245;es de Portalegre, Baixo Alentejo e Alto     Alentejo apenas estavam representadas com um, tr&#234;s e quatro internos na     amostra, respetivamente. Quanto ao tipo de unidade onde desenvolviam a sua     atividade cl&#237;nica, 192 (89,3%) internos encontravam-se colocados em USF.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a07q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>No subgrupo     espec&#237;fico dos internos de Lisboa e Vale do Tejo (Lisboa, Ribatejo e Set&#250;bal),     cuja coordena&#231;&#227;o divulgou informa&#231;&#227;o relativa &#224; propor&#231;&#227;o feminino/masculino da     popula&#231;&#227;o de internos no per&#237;odo de recolha de dados, procedeu-se &#224; compara&#231;&#227;o     desta propor&#231;&#227;o com a da amostra. Assim, neste subgrupo, o teste binomial     indica que a propor&#231;&#227;o de indiv&#237;duos do sexo masculino na amostra (18,2%) foi     inferior &#224; da popula&#231;&#227;o (26,4%), <i>p</i>=0,005.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na amostra     do estudo, excluindo o primeiro n&#237;vel da escala (0 e 13), 18,7% dos internos     apresenta algum grau de depress&#227;o, ou seja, pontua&#231;&#227;o maior ou igual a 14 no     Invent&#225;rio Depressivo de Beck II. A m&#233;dia de pontua&#231;&#227;o nesta escala foi de     8,64, com um m&#237;nimo de 0 e um m&#225;ximo de 50 pontos. A sua distribui&#231;&#227;o pelas     categorias leve, moderada e severa do Invent&#225;rio Depressivo foi,     respetivamente, 8,9% (4,7-13,0), 6,9% (3,2-10,6) e 2,9% (0,4-5,5) (<a href="#q2">Quadro II</a>). </p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a07q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>O <a href="#q3">Quadro III</a>     mostra as respostas dos internos em cada uma das 21 dimens&#245;es do Invent&#225;rio. No     topo do quadro, &#171;Cansa&#231;o ou Fadiga&#187; foi a dimens&#227;o com maior percentagem de     respostas que se associam a altera&#231;&#227;o de intensidade vari&#225;vel. Seguiam-se     &#171;Perda de energia&#187;, &#171;Altera&#231;&#245;es no Padr&#227;o de Sono&#187; e &#171;Dificuldade de     Concentra&#231;&#227;o&#187;. Em todas estas dimens&#245;es mais de metade dos internos assinalou     resposta que se associa a altera&#231;&#227;o. A dimens&#227;o com menor frequ&#234;ncia de     respostas que representa altera&#231;&#227;o foi &#171;Pensamentos ou Desejos Suicidas&#187;; ainda     assim, 4,2% dos internos manifestou algum grau de altera&#231;&#227;o neste t&#243;pico.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a07q3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Quanto ao     consumo atual de antidepressivos, 7% (3,4-10,7) dos internos respondedores     afirmou estar a tomar este tipo de f&#225;rmaco (<a href="#q2">Quadro II</a>). </p>       <p>Nesta     amostra, a depress&#227;o quantificada atrav&#233;s do Invent&#225;rio Depressivo de Beck II     n&#227;o se encontrava estatisticamente associada com as vari&#225;veis sexo, idade, ano     de internato e tipo de unidade (<a href="#q4">Quadro IV</a>). A hip&#243;tese de associa&#231;&#227;o de depress&#227;o     e localiza&#231;&#227;o do centro de sa&#250;de n&#227;o foi testada, uma vez que esta &#250;ltima     vari&#225;vel continha tr&#234;s categorias sem o n&#250;mero necess&#225;rio de elementos para     permitir a aplica&#231;&#227;o do teste estat&#237;stico.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a07q4.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>O retorno do     resultado da aplica&#231;&#227;o do Invent&#225;rio Depressivo de Beck II foi realizado a 78%     (<i>n</i>=215) dos internos. </p>       <p><b>Discuss&#227;o</b></p>       <p>A amostra de     internos apresentou uma preval&#234;ncia de depress&#227;o de 18,7%. Embora as limita&#231;&#245;es     deste tipo de estudo impe&#231;am a generaliza&#231;&#227;o e n&#227;o esteja inclu&#237;da a compara&#231;&#227;o     com uma amostra de adultos jovens n&#227;o m&#233;dicos, este resultado vale, antes de mais,     por ser a primeira tentativa de quantifica&#231;&#227;o da depress&#227;o numa popula&#231;&#227;o de     internos portugueses.</p>       <p>A     preval&#234;ncia encontrada n&#227;o est&#225; afastada das apresentadas noutros estudos de     preval&#234;ncia de depress&#227;o em popula&#231;&#245;es de internos de medicina familiar, nomeadamente     o estudo transversal canadiano publicado em 2005, que serviu de refer&#234;ncia     principal ao presente trabalho e cujo objetivo era calcular a preval&#234;ncia de     depress&#227;o e ansiedade e descrever as estrat&#233;gias de <i>coping</i> nos internos de medicina familiar da regi&#227;o de Ont&#225;rio. Este     trabalho apresentou uma preval&#234;ncia total de depress&#227;o de 20%.<sup>7</sup> Os     seus autores utilizaram um modelo do <i>Patient     Health Questionnaire</i> para medir depress&#227;o, tamb&#233;m enviado na forma de     inqu&#233;rito <i>online</i> e obtiveram resposta     a 254 question&#225;rios, com taxa de resposta de 37%.<sup>7</sup></p>       <p>Na verdade,     a literatura sobre preval&#234;ncia de depress&#227;o nos internos mostra um intervalo     amplo de percentagens. Ainda assim, a maioria dos autores, como os do estudo de     refer&#234;ncia relatado, concluem que a preval&#234;ncia de depress&#227;o &#233;     significativamente superior nos internos quando se compara com a popula&#231;&#227;o     geral da mesma regi&#227;o. Com grande probabilidade, parte significativa das     diferen&#231;as nos resultados resultam da heterogeneidade entre os v&#225;rios estudos:     diferentes instrumentos de medida de depress&#227;o, diferentes subpopula&#231;&#245;es de     internos e diferente metodologia. Em alguns casos s&#227;o relatados valores de     depress&#227;o superiores a 20%. Num estudo americano, os autores relatam 25% de     sintomas depressivos significativos em internos de v&#225;rias especialidades que     trabalham nos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios, incluindo medicina familiar,     avaliados com <i>10-item Center for     Epidemiologic Studies Depression Scale.</i><sup>6</sup></p>       <p>Os estudos     mais recentes, e com metodologia mais robusta, t&#234;m decorrido em popula&#231;&#245;es de     internos hospitalares. Em 2010, Sen <i>et al</i> apresentaram um estudo prospetivo que reuniu um coorte de 740 internos de 13     hospitais norte americanos de v&#225;rias especialidades. Durante 14 meses e     come&#231;ando cerca de dois meses antes do in&#237;cio do internato, os participantes     preencheram periodicamente um inqu&#233;rito que inclu&#237;a a escala <i>9-item Patient Health Questionnaire.</i> Os     resultados com significado estat&#237;stico revelaram um aumento marcado dos     sintomas depressivos durante o internato m&#233;dico: 3,9% dos internos com     crit&#233;rios de depress&#227;o no momento 0 <i>versus</i> 26,6% doze meses ap&#243;s in&#237;cio do internato.<sup>2</sup> </p>       <p>O 1.<sup>o</sup> relat&#243;rio do Estudo Epidemiol&#243;gico Nacional de Sa&#250;de Mental<sup>16</sup> apresenta a estimativa mais fi&#225;vel de preval&#234;ncia das perturba&#231;&#245;es do humor na     popula&#231;&#227;o portuguesa - 7,9%. Este valor &#233; bastante inferior ao encontrado     neste trabalho, apesar de incluir diferentes express&#245;es patol&#243;gicas das     perturba&#231;&#245;es do humor. Contudo, as diferentes caracter&#237;sticas das amostras em     causa tornam precipitadas conclus&#245;es sobre um risco superior de depress&#227;o nos     internos. De forma independente, de acordo com o 1.<sup>o</sup> relat&#243;rio, o     sexo feminino aumenta o risco de perturba&#231;&#227;o do humor (OR 2,3), bem como o     facto de ter idade entre os 18 e 34 anos (OR 2,18). A amostra do nosso estudo     apresenta 80% de indiv&#237;duos do sexo feminino e uma m&#233;dia de idades de 30 anos,     pelo que se esperariam valores superiores de &#171;depress&#227;o&#187;. Por outro lado, mesmo     que as caracter&#237;sticas das amostras coincidissem, os dois trabalhos n&#227;o est&#227;o a     considerar exatamente o mesmo problema e n&#227;o o medem da mesma forma, pelo que     n&#227;o seria rigorosa uma compara&#231;&#227;o estat&#237;stica direta. Apenas a compara&#231;&#227;o com     resultados decorrentes da aplica&#231;&#227;o do Invent&#225;rio Depressivo de Beck II numa     amostra de n&#227;o-m&#233;dicos internos de caracter&#237;sticas equivalentes permitiria     concluir com legitimidade sobre o aumento do risco de depress&#227;o na popula&#231;&#227;o de     internos de MGF.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na     literatura s&#227;o muito mais raros os estudos que quantificam o uso de medica&#231;&#227;o     antidepressiva. Na nossa amostra, 7% dos internos afirmou estar a consumir     antidepressivos. Neste &#226;mbito, o par&#226;metro pretendia ser uma medida indireta de     sa&#250;de mental, ou seja, da gravidade da perturba&#231;&#227;o do humor. Contudo, o seu     alcance pode ser equ&#237;voco. Por um lado, porque os antidepressivos n&#227;o s&#227;o     utilizados apenas no tratamento de s&#237;ndromas depressivos e, por outro, porque     existem outras formas de tratamento ou <i>coping</i> de sintomas depressivos. No estudo canadiano, 13,4% dos internos usava     medica&#231;&#227;o para lidar com a perturba&#231;&#227;o afetiva, 7,1% realizava terapia     cognitiva-comportamental e 8,3% interrompeu temporariamente a atividade cl&#237;nica     e formativa.7 Ao contr&#225;rio do estudo canadiano, a an&#225;lise das diferentes     estrat&#233;gias de <i>coping</i> n&#227;o est&#225;     inclu&#237;da nos objetivos deste trabalho.</p>       <p>Numa outra perspetiva,     nenhuma das vari&#225;veis analisadas neste estudo apresentou associa&#231;&#227;o com     depress&#227;o. Relativamente ao sexo, tamb&#233;m no estudo canadiano n&#227;o se verificaram     diferen&#231;as significativas. Todavia, na maioria dos trabalhos realizados neste     contexto, o sexo feminino est&#225; associado a um risco aumentado de presen&#231;a de     sintomas depressivos. Ainda no estudo canadiano, verificou-se um incremento da     preval&#234;ncia de perturba&#231;&#245;es afetivas associada ao aumento dos anos de     internato.<sup>7</sup></p>       <p>Relativamente     a limita&#231;&#245;es, salienta-se a taxa de resposta de 33% da popula&#231;&#227;o alvo do     estudo. Na perspetiva te&#243;rica exclusiva n&#227;o se pode considerar uma boa taxa de     resposta. Contudo, dadas as limita&#231;&#245;es inerentes ao desenho do estudo, cuja     metodologia inclui recolha de dados com base na internet, assume-se que &#233; uma     percentagem positiva e superior ao esperado. Esta n&#227;o se afastou das taxas     alcan&#231;adas em estudos semelhantes.</p>       <p>A     representatividade da amostra n&#227;o foi demonstrada atrav&#233;s da compara&#231;&#227;o de     participantes e n&#227;o participantes, por n&#227;o ter sido disponibilizada informa&#231;&#227;o     oficial relativa &#224;s caracter&#237;sticas do universo dos internos no momento do     estudo. Apenas a distribui&#231;&#227;o por sexo nos internos da regi&#227;o de Lisboa e Vale     do Tejo foi partilhada. A &#250;nica an&#225;lise binomial poss&#237;vel, baseada nesta     informa&#231;&#227;o, mostra uma diferen&#231;a na distribui&#231;&#227;o por sexo, com menor propor&#231;&#227;o     de internos homens na amostra. Acresce a aparente infra representa&#231;&#227;o de alguns     subgrupos regionais. Assim, presume-se que a amostra n&#227;o seja representativa,     impedindo a generaliza&#231;&#227;o dos resultados para toda a popula&#231;&#227;o de internos da     regi&#227;o sul. Este &#233; um fator limitativo major do estudo.</p>       <p>O Invent&#225;rio     Depressivo de Beck II, como a maioria dos instrumentos de avalia&#231;&#227;o de sintomas     depressivos, apresenta limita&#231;&#245;es intr&#237;nsecas e n&#227;o permite diagn&#243;stico     autom&#225;tico, embora seja um indicador padronizado. Os estudos baseados na     resposta a este tipo de question&#225;rios est&#227;o sujeitos a vieses de mem&#243;ria. Em     &#250;ltima inst&#226;ncia, a pr&#243;pria presen&#231;a de depress&#227;o pode interferir na vontade     e/ou capacidade de responder. Na verdade, alguns autores defendem que a     presen&#231;a de depress&#227;o inibe a participa&#231;&#227;o e, portanto, sugerem que a maioria     dos estudos com este tipo de desenho metodol&#243;gico apresentam preval&#234;ncias     subestimadas.</p>       <p>Algumas ocorr&#234;ncias     particulares do estudo devem igualmente ser consideradas na interpreta&#231;&#227;o dos     resultados. Destaca-se a sazonalidade do per&#237;odo de recolha de dados,     coincidente com o per&#237;odo de f&#233;rias, que pode ter influenciado a taxa e     qualidade de resposta. O cronograma inicial precavia esta ocorr&#234;ncia; contudo,     algumas disposi&#231;&#245;es externas necess&#225;rias ao envio do question&#225;rio for&#231;aram o     adiamento da data de envio. Semelhante influ&#234;ncia poder&#225; associar-se ao pedido     do n&#250;mero de identifica&#231;&#227;o no question&#225;rio, inibindo a participa&#231;&#227;o apesar de     garantida a confidencialidade. Como aspetos de influ&#234;ncia positiva destaca-se o     cumprimento escrupuloso dos protocolos de confidencialidade e retorno de     resultados aos internos. </p>       <p>As     limita&#231;&#245;es atr&#225;s designadas, quase todas decorrentes da metodologia escolhida,     que aceita uma amostra obtida por autossele&#231;&#227;o de participantes, foram     previstas e discutidas na fase protocolar. Na literatura, em muitos casos, este     assunto tem sido explorado recorrendo a metodologias semelhantes. Este desenho     metodol&#243;gico permite chegar a uma popula&#231;&#227;o dispersa por uma vasta &#225;rea     geogr&#225;fica com recursos materiais e humanos m&#237;nimos, sendo este ponto crucial     para a exequibilidade do estudo. Deste modo, a escolha metodol&#243;gica tornou-se     aceit&#225;vel numa perspetiva &#171;piloto&#187;, como primeira abordagem de um tema     intang&#237;vel na realidade cient&#237;fica nacional. </p>       <p>Em     conclus&#227;o, o fator de principal impacto deste trabalho relaciona-se com um     maior conhecimento sobre a sa&#250;de mental dos internos de MGF em Portugal. Este     apresenta uma preval&#234;ncia de depress&#227;o pr&#243;xima de 19% numa amostra de 216     internos e sinaliza queixas de cansa&#231;o ou fadiga, perda de energia, altera&#231;&#245;es     no padr&#227;o de sono e dificuldade de concentra&#231;&#227;o em mais de metade dos     respondedores. Tudo isto integrado obriga a relembrar que o m&#233;dico &#233; tamb&#233;m     respons&#225;vel pela sa&#250;de do pr&#243;prio e dos pares, que em &#250;ltima inst&#226;ncia se     refletir&#225; na sa&#250;de da comunidade.</p>       <p>Nesta &#225;rea     de investiga&#231;&#227;o, o futuro passa por evoluir no desenho metodol&#243;gico dos     trabalhos e aprofundar o estudo de fatores predisponentes, fatores protetores,     estrat&#233;gias de <i>coping</i> e de     interven&#231;&#227;o.</p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Dyrbye     LN, West CP, Satele D, Boone S, Tan L, Sloan J, et al. Burnout among U.S.     medical students, residents, and early career physicians relative to the     general U.S. population. Acad Med. 2014;89(3):443-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359415&pid=S2182-5173201600010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. Sen S,     Kranzler HR, Krystal JH, Speller H, Chan G, Gelernter J, et al. A prospective     cohort study investigating factors associated with depression during medical     internship. Arch Gen Psychiatry. 2010;67(6):557-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359417&pid=S2182-5173201600010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Goebert     D, Thompson D, Takeshita J, Beach C, Bryson P, Ephgrave K, et al. Depressive     symptoms in medical students and residents: a multischool study. Acad Med.     2009;84(2):236-41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359419&pid=S2182-5173201600010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. West CP,     Huschka MM, Novotny PJ, Sloan JA, Kolars JC, Habermann TM, et al. Association     of perceived medical errors with resident distress and empathy: a prospective     longitudinal study. JAMA. 2006;296(9):1071-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359421&pid=S2182-5173201600010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Hasanovic     M, Herenda S. Post traumatic stress disorder, depression and anxiety among     family medicine residents after 1992-95 war in Bosnia and Herzegovina.     Psychiatr Danub. 2008 Sep;20(3):277-85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359423&pid=S2182-5173201600010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. Yi MS,     Luckhaupt SE, Mrus JM, Mueller CV, Peterman AH, Puchalski CM, et al. Religion,     spirituality, and depressive symptoms in primary care house officers. Ambul     Pediatr. 2006;6(2):84-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359425&pid=S2182-5173201600010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. Earle L,     Kelly L. Coping strategies, depression, and anxiety among Ontario family     medicine residents. Can Fam Physician. 2005;51:242-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359427&pid=S2182-5173201600010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>8. Costa AJ,     Labuda Schrop S, McCord G, Ritter C. Depression in family medicine faculty. Fam     Med. 2005;37(4):271-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359429&pid=S2182-5173201600010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>9. Oriel K,     Plane MB, Mundt M. Family medicine residents and the impostor phenomenon. Fam     Med. 2004;36(4):248-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359431&pid=S2182-5173201600010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>10. Michels     PJ, Probst JC, Godenick MT, Palesch Y. Anxiety and anger among family practice     residents: a South Carolina family practice research consortium study. Acad     Med. 2003;78(1):69-79.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359433&pid=S2182-5173201600010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>11. Hainer     BL, Palesch Y. Symptoms of depression in residents: a South Carolina Family     Practice Research Consortium study. Acad Med. 1998;73(12):1305-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359435&pid=S2182-5173201600010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>12. Godenick     MT, Musham C, Palesch Y, Hainer BL, Michels PJ. Physical and psychological     health of family practice residents. Fam Med. 1995;27(10):646-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359437&pid=S2182-5173201600010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>13. Reynolds     CF 3rd, Clayton PJ. Commentary: Out of the silence: confronting depression in     medical students and residents. Acad Med. 2009;84(2):159-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359439&pid=S2182-5173201600010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>14. Caiati     ME. Depression and suicide among physicians. News Colorado Phys Health Program.     2006;5(1). Available from: <a href="http://www.cphp.org/documents/depression-suicide.pdf" target="_blank">http://www.cphp.org/documents/depression-suicide.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359441&pid=S2182-5173201600010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>15. Campos     RC, Gon&#231;alves B. Adapta&#231;&#227;o do Invent&#225;rio de Depress&#227;o de Beck II para a     popula&#231;&#227;o portuguesa. In: Actas do VIII Congresso Iberoamericano de Avalia&#231;&#227;o     Psicol&#243;gica, Lisboa, 25 a 27 de julho de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359442&pid=S2182-5173201600010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>16. Caldas     de Almeida JM, Xavier M. Estudo epidemiol&#243;gico nacional de sa&#250;de mental, 1&#186;     relat&#243;rio (Internet). Lisboa: Faculdade de Ci&#234;ncias M&#233;dicas da Universidade     Nova de Lisboa; 2013. ISBN 9789899857605. Available from:     <a href="http://www.fcm.unl.pt/main/alldoc/galeria_imagens/Relatorio_Estudo_Saude-Mental_2.pdf" target="_blank">http://www.fcm.unl.pt/main/alldoc/galeria_imagens/Relatorio_Estudo_Saude-Mental_2.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359444&pid=S2182-5173201600010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        <p>Ana Rita     Machado Gomes </p>       <p>R.     Comendador F. F. Ribeiro da Costa, n&#186; 111</p>     <p>2070-597     Vale da Pinta - Cartaxo</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:rita.ana.gomes@gmail.com">rita.ana.gomes@gmail.com</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Agradecimentos</b></p>       <p>A autora     agradece &#224; colaboradora externa, Ana Marta Cerol Machado.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conflito     de interesses</b></p>       <p>A autora     declara n&#227;o ter conflitos de interesse. </p>     <p><b>Comiss&#227;o     de &#233;tica</b></p>       <p>Estudo     realizado ap&#243;s parecer favor&#225;vel da Comiss&#227;o de &#201;tica para a Sa&#250;de da ARS de     Lisboa e Vale do Tejo. </p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 11-01-2015</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 05-10-2015</b></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dyrbye]]></surname>
<given-names><![CDATA[LN]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[West]]></surname>
<given-names><![CDATA[CP]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Satele]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Boone]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tan]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sloan]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Burnout among U.S. medical students, residents, and early career physicians relative to the general U.S. population]]></article-title>
<source><![CDATA[Acad Med]]></source>
<year>2014</year>
<volume>89</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>443-51</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sen]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Kranzler]]></surname>
<given-names><![CDATA[HR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Krystal]]></surname>
<given-names><![CDATA[JH]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Speller]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Chan]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gelernter]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A prospective cohort study investigating factors associated with depression during medical internship]]></article-title>
<source><![CDATA[Arch Gen Psychiatry]]></source>
<year>2010</year>
<volume>67</volume>
<numero>6</numero>
<issue>6</issue>
<page-range>557-65</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Goebert]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Thompson]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Takeshita]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Beach]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bryson]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ephgrave]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Depressive symptoms in medical students and residents: a multischool study]]></article-title>
<source><![CDATA[Acad Med]]></source>
<year>2009</year>
<volume>84</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>236-41</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[West]]></surname>
<given-names><![CDATA[CP]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Huschka]]></surname>
<given-names><![CDATA[MM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Novotny]]></surname>
<given-names><![CDATA[PJ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sloan]]></surname>
<given-names><![CDATA[JA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Kolars]]></surname>
<given-names><![CDATA[JC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Habermann]]></surname>
<given-names><![CDATA[TM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Association of perceived medical errors with resident distress and empathy: a prospective longitudinal study]]></article-title>
<source><![CDATA[JAMA]]></source>
<year>2006</year>
<volume>296</volume>
<numero>9</numero>
<issue>9</issue>
<page-range>1071-8</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hasanovic]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Herenda]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Post traumatic stress disorder, depression and anxiety among family medicine residents after 1992-95 war in Bosnia and Herzegovina]]></article-title>
<source><![CDATA[Psychiatr Danub]]></source>
<year>2008</year>
<month>09</month>
<volume>20</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>277-85</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Yi]]></surname>
<given-names><![CDATA[MS]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Luckhaupt]]></surname>
<given-names><![CDATA[SE]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mrus]]></surname>
<given-names><![CDATA[JM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mueller]]></surname>
<given-names><![CDATA[CV]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Peterman]]></surname>
<given-names><![CDATA[AH]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Puchalski]]></surname>
<given-names><![CDATA[CM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Religion, spirituality, and depressive symptoms in primary care house officers]]></article-title>
<source><![CDATA[Ambul Pediatr]]></source>
<year>2006</year>
<volume>6</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>84-90</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Earle]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Kelly]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Coping strategies, depression, and anxiety among Ontario family medicine residents]]></article-title>
<source><![CDATA[Can Fam Physician]]></source>
<year>2005</year>
<volume>51</volume>
<page-range>242-3</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[AJ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Labuda-Schrop]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[McCord]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ritter]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Depression in family medicine faculty]]></article-title>
<source><![CDATA[Fam Med]]></source>
<year>2005</year>
<volume>37</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>271-5</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oriel]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Plane]]></surname>
<given-names><![CDATA[MB]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mundt]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Family medicine residents and the impostor phenomenon]]></article-title>
<source><![CDATA[Fam Med]]></source>
<year>2004</year>
<volume>36</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>248-52</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Michels]]></surname>
<given-names><![CDATA[PJ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Probst]]></surname>
<given-names><![CDATA[JC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Godenick]]></surname>
<given-names><![CDATA[MT]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Palesch]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Anxiety and anger among family practice residents: a South Carolina family practice research consortium study]]></article-title>
<source><![CDATA[Acad Med]]></source>
<year>2003</year>
<volume>78</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>69-79</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hainer]]></surname>
<given-names><![CDATA[BL]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Palesch]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Symptoms of depression in residents: a South Carolina Family Practice Research Consortium study]]></article-title>
<source><![CDATA[Acad Med]]></source>
<year>1998</year>
<volume>73</volume>
<numero>12</numero>
<issue>12</issue>
<page-range>1305-10</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Godenick]]></surname>
<given-names><![CDATA[MT]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Musham]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Palesch]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hainer]]></surname>
<given-names><![CDATA[BL]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Michels]]></surname>
<given-names><![CDATA[PJ]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Physical and psychological health of family practice residents]]></article-title>
<source><![CDATA[Fam Med]]></source>
<year>1995</year>
<volume>27</volume>
<numero>10</numero>
<issue>10</issue>
<page-range>646-51</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Reynolds 3rd]]></surname>
<given-names><![CDATA[CF]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Clayton]]></surname>
<given-names><![CDATA[PJ]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Commentary: Out of the silence: confronting depression in medical students and residents]]></article-title>
<source><![CDATA[Acad Med]]></source>
<year>2009</year>
<volume>84</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>159-60</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Caiati]]></surname>
<given-names><![CDATA[ME]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Depression and suicide among physicians]]></article-title>
<source><![CDATA[News Colorado Phys Health Program]]></source>
<year>2006</year>
<volume>5</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Campos]]></surname>
<given-names><![CDATA[RC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Adaptação do Inventário de Depressão de Beck II para a população portuguesa]]></article-title>
<source><![CDATA[Actas do VIII Congresso Iberoamericano de Avaliação Psicológica]]></source>
<year>27 d</year>
<month>e </month>
<day>ju</day>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Caldas de Almeida]]></surname>
<given-names><![CDATA[JM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Xavier]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Estudo epidemiológico nacional de saúde mental, 1º relatório]]></source>
<year>2013</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
