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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uma improvável dor de cotovelo: relato de um caso de tuberculose dos tecidos moles]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Extrapulmonary tuberculosis is found in 29% of cases in Portugal. The most common sites are lymph nodes, pleura, bone, joints, and meninges. The high prevalence of tuberculosis in Portugal and the scarcity of reported cases of tuberculosis of soft tissues highlight the importance of this case report. Case presentation: A 17 year-old female was healthy until February of 2013 when she began to complain of pain on movement of the right elbow. There was no history of trauma. She was treated with anti-inflammatory medication. Because of persistent pain and the appearance of signs of local inflammation, an ultrasound examination of the elbow was requested by the family doctor. This revealed an area of edema and cellulitis in the peri-articular soft tissues. After failure of treatment with two courses of oral antibiotics, she went to the emergency department of Centro Hospitalar Póvoa do Varzim/Vila do Conde where she was admitted to the pediatric department. She presented with swelling of the lateral aspect of the elbow with fluctuation and tenderness to palpation, but without restriction of mobility of the joint. A local aspiration was performed and culture of the fluid was positive for Mycobacterium tuberculosis. The tuberculin skin test showed an induration of 13 mm. Nuclear magnetic resonance imaging of the elbow was suggestive of an infectious lesion of tuberculosis etiology. The patient was referred to the Centre for Pulmonary Diagnosis with a diagnosis of tuberculosis of soft tissues. She began triple tuberculostatic therapy, with clinical improvement after one month of treatment. Discussion: Although it is rare, tuberculosis of soft tissues should be considered in localized, persistent lesions that are resistant to antibiotic treatment, especially in geographical areas with a high prevalence of tuberculosis.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Tuberculose]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Uma improv&#225;vel dor de cotovelo: relato de     um caso de tuberculose dos tecidos moles</b></font></p>     <p><font size="3"><b>An   uncommon cause of elbow pain: a case report of tuberculosis of soft tissues</b></font></p>       <p><b>Catarina Miranda,<sup>1</sup> Alexandra     Pinto,<sup>2</sup> C&#233;lia Madalena,<sup>3</sup> Lu&#237;s Nora e Sousa,<sup>4</sup> Teresa Febra<sup>5</sup></b></p>       <p><sup>1</sup>M&#233;dica     Interna de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Sa&#250;de Familiar do Mar, ACeS     Grande Porto IV - P&#243;voa de Varzim/Vila do Conde</p>       <p><sup>2</sup>M&#233;dica     Interna de Pediatria, Centro Hospitalar de Lisboa Norte - Hospital de     Santa Maria </p>       <p><sup>3</sup>M&#233;dica     Assistente de Pediatria, Centro Hospitalar P&#243;voa de Varzim/Vila do Conde</p>       <p><sup>4</sup>M&#233;dico     Assistente de Ortopedia, Centro Hospitalar P&#243;voa de Varzim/Vila do Conde</p>       <p><sup>5</sup>M&#233;dica     Assistente Graduada de Medicina Geral e Familiar, Centro de Diagn&#243;stico     Pneumol&#243;gico, ACeS Grande Porto IV - P&#243;voa de Varzim/Vila do Conde</p>      <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> Em Portugal, a percentagem     de casos de tuberculose que tem localiza&#231;&#227;o extrapulmonar estima-se em 29%. As     localiza&#231;&#245;es mais frequentes s&#227;o a ganglionar, pleural, osteoarticular e     men&#237;ngea. A preval&#234;ncia de tuberculose como problema de sa&#250;de p&#250;blica e     escassez de casos descritos de tuberculose de tecidos moles ilustram a     pertin&#234;ncia deste relato.</p>       <p>Descri&#231;&#227;o do     caso: Jovem do sexo feminino, 17 anos de idade, saud&#225;vel at&#233; fevereiro de 2013,     altura em que iniciou quadro de dor &#224; mobiliza&#231;&#227;o ativa do cotovelo direito,     sem hist&#243;ria traum&#225;tica, tendo sido medicada com anti-inflamat&#243;rio. Por     persist&#234;ncia das queixas &#225;lgicas e surgimento de sinais inflamat&#243;rios locais,     realizou estudo ecogr&#225;fico, solicitado pelo m&#233;dico de fam&#237;lia, que revelou uma     &#225;rea de edema e celulite dos tecidos moles periarticulares. Em maio, ap&#243;s     insucesso terap&#234;utico com dois ciclos de antibioterapia oral, recorreu ao     servi&#231;o de urg&#234;ncia do Centro Hospitalar P&#243;voa de Varzim/Vila do Conde. Foi     posteriormente internada no servi&#231;o de pediatria. Apresentava tumefa&#231;&#227;o na face     externa do cotovelo, com sinais de flutua&#231;&#227;o, dolorosa &#224; palpa&#231;&#227;o, sem     compromisso da mobilidade articular. Foi realizada pun&#231;&#227;o aspirativa local,     cujo exame cultural foi positivo para <i>Mycobacterium     tuberculosis.</i> A prova tubercul&#237;nica mostrou endura&#231;&#227;o de 13mm. A     resson&#226;ncia magn&#233;tica nuclear do cotovelo foi sugestiva de les&#227;o infeciosa de     etiologia tuberculosa. A doente foi orientada para o Centro de Diagn&#243;stico     Pneumol&#243;gico com o diagn&#243;stico de tuberculose de tecidos moles, iniciou     terap&#234;utica tuberculost&#225;tica tripla, apresentando evidente melhoria cl&#237;nica     ap&#243;s um m&#234;s de tratamento.</p>       <p><b>Discuss&#227;o:</b> Apesar da sua raridade, a     tuberculose de tecidos moles deve ser uma hip&#243;tese de diagn&#243;stico a considerar     em les&#245;es localizadas, persistentes e resistentes a terap&#234;utica antibi&#243;tica,     sobretudo em &#225;reas geogr&#225;ficas onde a preval&#234;ncia de tuberculose n&#227;o seja     desprez&#237;vel.</p>       <p><b>Palavras-chave: </b>Tuberculose; Infe&#231;&#227;o de     Tecidos Moles; Cotovelo.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Introduction:</b> Extrapulmonary     tuberculosis is found in 29% of cases in Portugal. The most common sites are     lymph nodes, pleura, bone, joints, and meninges. The high prevalence of     tuberculosis in Portugal and the scarcity of reported cases of tuberculosis of   soft tissues highlight the importance of this case report.</p>       <p><b>Case presentation:</b> A 17 year-old female     was healthy until February of 2013 when she began to complain of pain on     movement of the right elbow. There was no history of trauma. She was treated with     anti-inflammatory medication. Because of persistent pain and the appearance of     signs of local inflammation, an ultrasound examination of the elbow was     requested by the family doctor. This revealed an area of edema and cellulitis     in the peri-articular soft tissues. After failure of treatment with two courses     of oral antibiotics, she went to the emergency department of Centro Hospitalar     P&#243;voa do Varzim/Vila do Conde where she was admitted to the pediatric     department. She presented with swelling of the lateral aspect of the elbow with     fluctuation and tenderness to palpation, but without restriction of mobility of     the joint. A local aspiration was performed and culture of the fluid was     positive for <i>Mycobacterium tuberculosis.</i> The tuberculin skin test showed an induration of 13 mm. Nuclear magnetic     resonance imaging of the elbow was suggestive of an infectious lesion of     tuberculosis etiology. The patient was referred to the Centre for Pulmonary     Diagnosis with a diagnosis of tuberculosis of soft tissues. She began triple     tuberculostatic therapy, with clinical improvement after one month of     treatment.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Discussion:     Although it is rare, tuberculosis of soft tissues should be considered in     localized, persistent lesions that are resistant to antibiotic treatment, especially     in geographical areas with a high prevalence of tuberculosis.</p>       <p><b>Keywords: </b>Tuberculosis; Soft Tissue     Infection; Elbow.</p>  <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>Apesar do     decr&#233;scimo constante da taxa de incid&#234;ncia de tuberculose nos &#250;ltimos 12 anos,<sup>1</sup> Portugal continua a assumir-se como um pa&#237;s de incid&#234;ncia interm&#233;dia (o &#250;nico     da Europa Ocidental).<sup>1</sup> Desde 2004 tem-se assistido a uma atenua&#231;&#227;o     das assimetrias na distribui&#231;&#227;o geogr&#225;fica dos casos de tuberculose a n&#237;vel     nacional, desaparecendo &#225;reas de alta incid&#234;ncia (50 ou mais casos por 100 mil     habitantes).<sup>1</sup> No entanto, em 2012, os distritos de Viana do Castelo,     Porto, Lisboa e Set&#250;bal, mantinham ainda incid&#234;ncia interm&#233;dia (mais de 20 e     menos de 50 casos por 100 mil habitantes).<sup>1</sup> Assim, a infe&#231;&#227;o por <i>Mycobacterium tuberculosis</i> continua a     ser um grave problema de sa&#250;de p&#250;blica em Portugal.</p>       <p>A     percentagem de casos de tuberculose que tem localiza&#231;&#227;o extrapulmonar aumentou     de 16,4% em 2002 para 22,4% em 2011, na Europa, sendo mais frequente em     indiv&#237;duos positivos para o v&#237;rus da imunodefici&#234;ncia humana (VIH).<sup>2</sup> Em Portugal, 27,5% dos casos de tuberculose notificados em 2012 foram de     etiologia exclusivamente extrapulmonar (31% dos quais corresponderam a     atingimento pleural e 26% a atingimento linf&#225;tico extrator&#225;cico).<sup>1</sup> J&#225; em 2013, no nosso pa&#237;s, a percentagem de casos de tuberculose que tinha     localiza&#231;&#227;o extrapulmonar foi estimada em 29%.<sup>3</sup> As localiza&#231;&#245;es     extrapulmonares mais frequentes s&#227;o a ganglionar, pleural, osteoarticular e     men&#237;ngea.</p>       <p>S&#227;o escassos     os casos de tuberculose de tecidos moles descritos na literatura.<sup>4-5</sup> A pertin&#234;ncia deste caso cl&#237;nico reside na ilustra&#231;&#227;o de uma apresenta&#231;&#227;o     cl&#237;nica rara (logo, com particular dificuldade diagn&#243;stica) de uma doen&#231;a     frequente entre n&#243;s.</p>       <p><b>Descri&#231;&#227;o     do caso</b></p>       <p>Jovem, sexo     feminino, 17 anos de idade, caucasiana, estudante do 11.<sup>o</sup> ano de um     curso profissional (est&#233;tica), natural e residente na P&#243;voa de Varzim. Pertence     a uma fam&#237;lia nuclear e &#233; a segunda de uma fratria de dois irm&#227;os. Sem     antecedentes pessoais (patol&#243;gicos ou cir&#250;rgicos) relevantes, sem alergias     conhecidas, sem h&#225;bitos tab&#225;gicos, alco&#243;licos ou consumo de drogas de abuso. O     Programa Nacional de Vacina&#231;&#227;o encontrava-se atualizado. Medicada com     contracetivo oral combinado h&#225; um ano por irregularidade menstrual e     dismenorreia.</p>       <p>Em fevereiro     de 2013 iniciou dor moderada &#224; mobiliza&#231;&#227;o ativa do cotovelo direito sem     hist&#243;ria de traumatismo, picada de inseto ou inocula&#231;&#227;o vacinal, sem     deformidade ou sinais inflamat&#243;rios locais. A doente recorreu ao servi&#231;o de     urg&#234;ncia do Centro Hospitalar P&#243;voa de Varzim/Vila do Conde ap&#243;s duas semanas     de evolu&#231;&#227;o do quadro e, perante a normalidade do estudo imagiol&#243;gico     radiogr&#225;fico, teve alta medicada com diclofenac t&#243;pico.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dois meses     depois, a 10 de abril, recorreu &#224; consulta com o seu m&#233;dico de fam&#237;lia por persist&#234;ncia     das queixas &#225;lgicas. A dor era bem localizada, de intensidade moderada e sem     ritmo preferencial ao longo do dia. A doente negava fatores desencadeantes ou     agravantes, bem como outros sintomas, nomeadamente constitucionais (febre,     fadiga, anorexia ou emagrecimento), mucocut&#226;neos, oculares, pulmonares ou     gastrointestinais. Ao exame f&#237;sico apresentava bom estado geral, apirexia e     edema da face p&#243;stero-lateral do cotovelo direito numa &#225;rea de cerca de 3cm,     sem outros sinais inflamat&#243;rios e sem altera&#231;&#245;es cut&#226;neas. A mobiliza&#231;&#227;o ativa     e passiva da articula&#231;&#227;o era moderadamente dolorosa, mas n&#227;o condicionava     limita&#231;&#227;o funcional. Foi solicitada ecografia de partes moles e prescrito     anti-inflamat&#243;rio oral (aceclofenac 100mg de 12 em 12 horas durante sete dias),     sem melhoria significativa.</p>       <p>O estudo     ecogr&#225;fico revelou &#8220;edema e celulite focal em posi&#231;&#227;o p&#243;stero-externa&#8221; e uma     &#8220;&#225;rea lesionada com 30mm no eixo sagital e 7mm no eixo &#226;ntero-posterior&#8221;, sem     afe&#231;&#227;o dos tend&#245;es infrajacentes, sem bursite ou sinais de rotura. A 30 de     abril, e perante este resultado, foi medicada com antibi&#243;tico (flucloxaciclina     500mg de 8 em 8 horas durante oito dias) e foi solicitada radiografia do     cotovelo, que se revelou normal.</p>       <p>Perante o     resultado radiogr&#225;fico e por manuten&#231;&#227;o do quadro cl&#237;nico, a 10 de maio, foi     alterada antibioterapia para a associa&#231;&#227;o amoxicilina e &#225;cido clavul&#226;nico 875 +     125mg de 12 em 12 horas durante oito dias. Foi recomendado &#224; doente a     recorr&#234;ncia &#224; consulta em caso de insucesso terap&#234;utico.</p>       <p>A 16 de     maio, por aus&#234;ncia de melhoria, a doente recorreu por sua iniciativa ao servi&#231;o     de urg&#234;ncia do hospital da &#225;rea de resid&#234;ncia, onde foi observada por     ortopedia. Mantinha edema e agora flutua&#231;&#227;o da regi&#227;o p&#243;stero-lateral do     cotovelo direito, sem adenomegalias axilares palp&#225;veis (<a href="#f1">Figura 1A</a>). A palpa&#231;&#227;o     da les&#227;o permanecia dolorosa, embora sem compromisso da amplitude articular.     Foi efetuada pun&#231;&#227;o aspirativa da tumefa&#231;&#227;o, com drenagem de conte&#250;do     hemato-purulento em quantidade significativa, enviado para exame microbiol&#243;gico     direto e cultural. Teve alta com indica&#231;&#227;o para regressar ao servi&#231;o de     urg&#234;ncia quatro dias depois para reavalia&#231;&#227;o cl&#237;nica.</p>       <p>A 20 de     maio, por persist&#234;ncia do quadro cl&#237;nico, foi decidido internamento no servi&#231;o     de pediatria para repeti&#231;&#227;o de pun&#231;&#227;o aspirativa e institui&#231;&#227;o de     antibioterapia endovenosa (amoxicilina + &#225;cido clavul&#226;nico 2000 + 200mg de 8 em     8 horas), al&#233;m de anti-inflamat&#243;rio oral (ibuprofeno 600mg de 12 em 12 horas).     A doente mantinha edema com discreta melhoria dos sinais inflamat&#243;rios e a     amplitude articular continuava preservada. O exame bacteriol&#243;gico em aerobiose     e anaerobiose, direto e cultural, foi negativo, bem como a pesquisa de bacilos     &#225;lcool-&#225;cido resistentes (colora&#231;&#227;o Ziehl-Neelsen). Teve alta ao fim de quatro     dias, melhorada, orientada para a consulta externa de ortopedia.</p>       <p>Na consulta     de ortopedia, a 30 de maio, o quadro cl&#237;nico persistia, embora negasse     agravamento das queixas ou aumento da &#225;rea lesada. N&#227;o apresentava sintomas <i>de novo,</i> nomeadamente febre, anorexia, perda     ponderal, suores noturnos ou fadiga, bem como tosse ou infe&#231;&#227;o respirat&#243;ria     recente. O exame micobacteriol&#243;gico cultural da primeira colheita revelou-se     positivo para <i>Mycobacterium tuberculosis.</i> Desconhecia conviventes ou contactos pr&#243;ximos doentes e negava viagens     recentes. Foi solicitada colabora&#231;&#227;o imediata de pediatria para continua&#231;&#227;o do     estudo e orienta&#231;&#227;o terap&#234;utica, tendo sido observada em consulta urgente no     mesmo dia.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a09f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>A 6 de junho     foram conhecidos os resultados da investiga&#231;&#227;o adicional. Do estudo efetuado     destaca-se: velocidade de sedimenta&#231;&#227;o de 41mm/h e prote&#237;na C reativa de     1,37mg/dL; serologia VIH negativa; radiografia do t&#243;rax com discreto refor&#231;o     hilar &#224; esquerda; prova tubercul&#237;nica com endura&#231;&#227;o de 13 mm e com flictena;     pesquisa de bacilo de <i>Koch</i> no suco     g&#225;strico negativa nas tr&#234;s amostras; e resson&#226;ncia magn&#233;tica nuclear do     cotovelo com &#8220;volumosa cole&#231;&#227;o l&#237;quida centrada na gordura subcut&#226;nea da     vertente posterior externa do cotovelo (...) compat&#237;vel com les&#227;o infeciosa de     etiologia tuberculosa (...)&#8221; (<a href="#f2">Figura 2</a>). Perante estes resultados, quatro meses     ap&#243;s o in&#237;cio do quadro, foi efetuado o diagn&#243;stico de tuberculose de tecidos     moles do cotovelo direito (extra-articular), caso confirmado de     tuberculose-doen&#231;a.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a09f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>A doente foi     encaminhada para o Centro de Diagn&#243;stico Pneumol&#243;gico para institui&#231;&#227;o e     monitoriza&#231;&#227;o da terap&#234;utica. Foi institu&#237;da terap&#234;utica tuberculost&#225;tica     tripla com rifampicina 120mg + isoniazida 50mg + pirazinamida 300mg (cinco     comprimidos/dia) associada a piridoxina 300mg um comprimido/dia e feito acompanhamento     com consultas com periodicidade mensal.</p>       <p>Decorrido um     m&#234;s do in&#237;cio do tratamento, em consulta de pediatria, apresentava melhoria     franca das queixas, bem como diminui&#231;&#227;o do edema do cotovelo (<a href="#f1">Figura 1B</a>). Aos     dois meses surgiu assintom&#225;tica, sem qualquer altera&#231;&#227;o ao exame objetivo,     tendo-se suspendido pirazinamida, mantendo rifampicina 300mg + isoniazida     150mg, dois comprimidos/dia e piridoxina 300mg um comprimido/dia. No percurso     terap&#234;utico, a doente apresentou como efeitos laterais discreta trombocitopenia,     fotossensibilidade e irregularidades menstruais, transit&#243;rias. Ap&#243;s quatro     meses de tratamento, em outubro (<a href="#f1">Figura 1C</a>), realizou ecografia do cotovelo que     j&#225; n&#227;o evidenciou qualquer altera&#231;&#227;o. </p>       <p>A doente     cumpriu seis meses de terap&#234;utica tuberculost&#225;tica, tendo tido alta da consulta     do Centro de Diagn&#243;stico Pneumol&#243;gico em fevereiro de 2014, orientada para o     seu m&#233;dico de fam&#237;lia, mantendo-se assintom&#225;tica at&#233; &#224; data.</p>       <p><b>Coment&#225;rio</b></p>       <p>A     tuberculose extrapulmonar constitui um desafio diagn&#243;stico. A maioria das     formas extrapulmonares ocorre em &#243;rg&#227;os sem condi&#231;&#245;es &#243;timas de crescimento     bacilar, sendo quase sempre de instala&#231;&#227;o insidiosa e evolu&#231;&#227;o lenta.<sup>6</sup> Uma vez que as les&#245;es s&#227;o habitualmente paucibacilares, a confirma&#231;&#227;o     diagn&#243;stica &#233; poss&#237;vel em apenas 1/4 dos casos.<sup>6</sup></p>       <p>Das formas     de tuberculose extrapulmonar descritas na literatura, as que poderiam suscitar     diagn&#243;stico diferencial com o presente caso seriam a tuberculose osteoarticular     (cerca de 35% de todos os casos de tuberculose extrapulmonar)<sup>7</sup> e a cut&#226;nea.<sup>6</sup> Na sua forma articular, a tuberculose manifesta-se geralmente como uma     monartrite lentamente progressiva, mais frequentemente na articula&#231;&#227;o     coxofemoral ou joelho, em que a sintomatologia sist&#233;mica &#233; incomum, mas existe     limita&#231;&#227;o da amplitude do movimento e achados imagiol&#243;gicos (osteopenia     justa-articular, diminui&#231;&#227;o da interlinha articular e eros&#245;es subcondrais).<sup>7</sup> A tuberculose cut&#226;nea, por seu lado, &#233;, na maioria dos casos, uma manifesta&#231;&#227;o     secund&#225;ria da doen&#231;a, podendo manifestar-se por &#250;lceras, vegeta&#231;&#245;es, n&#243;dulos e     hiperqueratose, f&#237;stulas ou escrofuloderma. Esta &#250;ltima representa a     fistuliza&#231;&#227;o cut&#226;nea espont&#226;nea a partir de g&#226;nglios afetados, sendo a forma     mais comum de tuberculose cut&#226;nea.<sup>6</sup></p>       <p>A     tuberculose de tecidos moles &#233; uma entidade cl&#237;nica rara.<sup>8</sup> Encontram-se descritas s&#233;ries de casos<sup>4-5</sup> que relatam antecedentes     de doen&#231;a vascular do colag&#233;nio, imunossupress&#227;o (farmacol&#243;gica ou por infe&#231;&#227;o     VIH) ou traumatismo pr&#233;vio, bem como hist&#243;ria ou radiografia tor&#225;cica     compat&#237;vel com tuberculose. Este caso, em particular, refere-se a uma jovem     previamente saud&#225;vel, contrariando a epidemiologia mais frequente relatada na     literatura.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A     apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica deste caso, localizada e frustre, dirigiu a investiga&#231;&#227;o e     o tratamento inicial &#224;s suas causas mais comuns. Posteriormente, o facto de a     les&#227;o persistir h&#225; mais de tr&#234;s meses, bem como as caracter&#237;sticas     epidemiol&#243;gicas da tuberculose na &#225;rea de resid&#234;ncia da doente, levaram a que a     tuberculose fosse inclu&#237;da no diagn&#243;stico diferencial do estudo patol&#243;gico,     ainda que n&#227;o se apurassem fatores de risco pessoais para patologia infeciosa     micobacteriana.</p>       <p>Apesar da     sua raridade, a tuberculose de tecidos moles deve ser uma hip&#243;tese de     diagn&#243;stico a considerar em les&#245;es localizadas, persistentes e resistentes &#224;     terap&#234;utica antibi&#243;tica, sobretudo em &#225;reas geogr&#225;ficas onde a preval&#234;ncia de     tuberculose n&#227;o &#233; desprez&#237;vel.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Duarte R,     Diniz A. Programa nacional de luta contra a tuberculose: ponto da situa&#231;&#227;o     epidemiol&#243;gica e de desempenho (dados provis&#243;rios). Lisboa: Dire&#231;&#227;o-Geral da     Sa&#250;de; 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359646&pid=S2182-5173201600010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. European     Centre for Disease Prevention and Control. TB situation in 2011: findings from     the ECDC and WHO/EURO joint TB surveillance report (Internet). In World     Tuberculosis Day 2013, Stockholm (Sweden), 24 March 2013. Available from:    <a href="http://pt.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359648&pid=S2182-5173201600010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->slideshare.net/StopTbItalia/tuberculosis-surveillancemonitoringineu2013slides1" target="_blank">http://pt.slideshare.net/StopTbItalia/tuberculosis-surveillancemonitoringineu2013slides1</a>  </p>       <!-- ref --><p>3. Hollo V,     Dadu A, editors. Tuberculosis surveillance and monitoring in Europe 2015.     Stockholm: European Centre for Disease Prevention and Control; 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359650&pid=S2182-5173201600010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN     9789291936243</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>4. Puttick     MP, Stein HB, Chan RM, Elwood RK, How AR, Reid GD. Soft tissue tuberculosis: a     series of 11 cases. J Rheumatol. 1995;22(7):1321-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359652&pid=S2182-5173201600010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Hugosson     C, Nyman RS, Brismar J, Larsson SG, Lindahl S, Lundstedt C. Imaging of     tuberculosis. V. Peripheral osteoarticular and soft tissue tuberculosis. Acta     Radiol. 1996;37(4):512-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359654&pid=S2182-5173201600010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>6. Lopes AJ,     Capone D, Mogami R, Tessarollo B, Cunha DL, Capone RB. Tuberculose     extrapulmonar: aspectos cl&#237;nicos e de imagem (Extrapulmonary tuberculosis:     clinics and image aspects). Pulm&#227;o RJ. 2006;15(4):253-61. Portuguese</p>       <!-- ref --><p>7. Golden     MP, Vikram HR. Extrapulmonary tuberculosis: an overview. Am Fam Physician.     2005;72(9):1761-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359657&pid=S2182-5173201600010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>8. De Backer     AI, Vanhoenacker FM, Sanghvi DA. Imaging features of extraaxial musculoskeletal     tuberculosis. Indian J Radiol Imaging. 2009;19(3):176-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359659&pid=S2182-5173201600010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        <p>Ana Catarina     Dias Miranda</p>       <p>R.     Vasconcelos e Castro, 122, Apart. 56, 4760-169 Vila Nova de Famalic&#227;o</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:catarinadm@gmail.com">catarinadm@gmail.com</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Conflito   de interesse</b></p>       <p>Os autores     declaram n&#227;o possuir quaisquer conflitos de interesse.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 07-04-2015</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 05-12-2015</b></p>     ]]></body>
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