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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Quando uma queixa comum revela um diagnóstico incomum: Síndroma de Eagle]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: The Eagle syndrome is characterized by the elongation of styloid process. This provides attachment for many important neurovascular structures and can lead to a broad spectrum of symptoms. The most common symptoms include odynophagia and a sensation of a foreign body. It can also cause dysphagia, headache, syncope, or even transient ischemic attacks. The diagnosis is difficult as the symptoms may be attributed to other diseases. Case report: We describe the case of a 35-year-old female with persistent odynophagia for 8 months, with multiple consultations with her family doctor and the local emergency department. Physical examination revealed oropharyngeal erythema. Endoscopy and pharyngeal exudate were normal. The patient was referred to an otolaryngology consultation, but no cause was found. With persistent odynophagia and anxiety due to a lack of a diagnosis, computerized tomography of the pharynx was requested. This revealed asymmetry of the styloid process and the Eagle syndrome was diagnosed. Conservative management was suggested, but due to refractory symptoms, the patient was referred to stomatology. After consultation in hospital, the complaints of pain improved with anti-inflammatory therapy. The patient is currently followed in hospital with annual monitoring. Comment: Although the Eagle syndrome is rare, it should be considered in patients with chronic cervicofacial pain, especially when this is refractory to treatment. Otherwise, it may lead to incorrect diagnosis, to consumption of health resources, and to physical and emotional stress for the patient. The family doctor has a role to play in recognition this syndrome since the symptoms are commonly encountered in daily clinical practice.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Síndroma de Eagle]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Quando uma queixa comum revela um     diagn&#243;stico incomum - S&#237;ndroma de Eagle</b></font></p>     <p><font size="3"><b>When   a common complaint reveals an uncommon diagnosis - The Eagle syndrome</b></font></p>       <p><b>Dina Novais Fernandes,* Ant&#243;nio Silva,**     Adriana Miranda,*** Luis Sousa,* Jos&#233; Sequeira*</b></p>       <p>*M&#233;dicos     Internos de Medicina Geral e Familiar, USF +Carand&#225; - ACeS C&#225;vado I</p>       <p>**M&#233;dico     Interno de Medicina Geral e Familiar, USF MaxiSa&#250;de - ACeS C&#225;vado I</p>       <p>***M&#233;dica     Interna de Medicina Geral e Familiar, USF Pr&#243;-Sa&#250;de - ACeS C&#225;vado II</p>       <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A S&#237;ndroma de Eagle     caracteriza-se pelo alongamento da ap&#243;fise estil&#243;ide do osso temporal, a qual     comprime as estruturas neurovasculares adjacentes abrangendo, por isso, um     amplo espectro de sintomas. Os mais comuns incluem odinofagia e sensa&#231;&#227;o de     corpo estranho, mas tamb&#233;m disfagia, otalgia, cefaleia, s&#237;ncope ou at&#233; mesmo     acidente isqu&#233;mico transit&#243;rio. O diagn&#243;stico n&#227;o &#233; f&#225;cil, sendo necess&#225;rio um     alto &#237;ndice de suspei&#231;&#227;o, dado que os sintomas podem ser atribu&#237;dos a outras     patologias.</p>       <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Relata-se o caso de     uma utente de 35 anos de idade, com odinofagia esquerda persistente com cerca     de oito meses de evolu&#231;&#227;o e com m&#250;ltiplas recorr&#234;ncias a consultas agudas na     unidade de sa&#250;de familiar e no servi&#231;o de urg&#234;ncia. Ao exame objetivo     destacava-se apenas rubor da orofaringe. Realizou zaragatoa de exsudado     far&#237;ngeo e endoscopia digestiva alta que n&#227;o revelaram altera&#231;&#245;es. Foi     referenciada &#224; consulta de otorrinolaringologia; por&#233;m, teve alta por n&#227;o ter     sido detetada patologia. Por persist&#234;ncia de odinofagia intensa, e revelando j&#225;     alguma ansiedade face &#224; aus&#234;ncia de diagn&#243;stico, foi solicitada uma tomografia     computorizada da faringe que evidenciou assimetria das ap&#243;fises estil&#243;ides,     considerando a possibilidade de s&#237;ndroma de Eagle. Optou-se pelo tratamento     conservador mas, por refratariedade da sintomatologia, foi referenciada para a     consulta de estomatologia. &#192; data da consulta hospitalar apresentava j&#225;     melhoria das queixas &#225;lgicas com terap&#234;utica anti-inflamat&#243;ria, mantendo o     seguimento hospitalar com vigil&#226;ncia anual.</p>       <p><b>Coment&#225;rio:</b> Apesar de a s&#237;ndroma de     Eagle ser uma patologia rara, deve ser equacionada nos pacientes que apresentam     dor cervico-facial cr&#243;nica, sobretudo quando refrat&#225;ria ao tratamento. Caso     contr&#225;rio, poder&#225; conduzir, erradamente, ao diagn&#243;stico de outras patologias,     ao consumo de recursos de sa&#250;de e ao desgaste f&#237;sico e emocional do doente.     Assim sendo, o m&#233;dico de fam&#237;lia apresenta um papel importante no     reconhecimento desta s&#237;ndroma, uma vez que os sintomas s&#227;o comummente     encontrados na sua pr&#225;tica cl&#237;nica di&#225;ria.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> S&#237;ndroma de Eagle;     Ap&#243;fise Estil&#243;ide; Odinofagia.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Introduction:</b> The Eagle syndrome is     characterized by the elongation of styloid process. This provides attachment     for many important neurovascular structures and can lead to a broad spectrum of     symptoms. The most common symptoms include odynophagia and a sensation of a     foreign body. It can also cause dysphagia, headache, syncope, or even transient     ischemic attacks. The diagnosis is difficult as the symptoms may be attributed   to other diseases.</p>       <p><b>Case report:</b> We describe the case of a     35-year-old female with persistent odynophagia for 8 months, with multiple     consultations with her family doctor and the local emergency department.     Physical examination revealed oropharyngeal erythema. Endoscopy and pharyngeal     exudate were normal. The patient was referred to an otolaryngology     consultation, but no cause was found. With persistent odynophagia and anxiety     due to a lack of a diagnosis, computerized tomography of the pharynx was     requested. This revealed asymmetry of the styloid process and the Eagle     syndrome was diagnosed. Conservative management was suggested, but due to     refractory symptoms, the patient was referred to stomatology. After     consultation in hospital, the complaints of pain improved with     anti-inflammatory therapy. The patient is currently followed in hospital with     annual monitoring.</p>       <p><b>Comment:</b> Although the Eagle syndrome is     rare, it should be considered in patients with chronic cervicofacial pain, especially     when this is refractory to treatment. Otherwise, it may lead to incorrect     diagnosis, to consumption of health resources, and to physical and emotional     stress for the patient. The family doctor has a role to play in recognition     this syndrome since the symptoms are commonly encountered in daily clinical     practice.</p>       <p><b>Keywords:</b> Eagle Syndrome; Styloid     Process; Odynophagia.</p>   <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>A s&#237;ndroma     de Eagle, raramente diagnosticada, foi descrita pela primeira vez em 1937 pelo     otorrinolaringologista Watt Eagle<sup>1</sup> e resulta do alongamento da     ap&#243;fise estil&#243;ide e/ou calcifica&#231;&#227;o do ligamento estilo-hi&#243;ideu comprimindo     importantes estruturas neurovasculares.<sup>1</sup></p>       <p>A ap&#243;fise     estil&#243;ide &#233; uma proje&#231;&#227;o &#243;ssea que se origina na base do osso temporal,     posterior ao &#225;pice da mast&#243;ide, conectando-se ao corno inferior do osso hi&#243;ide     pelo ligamento estilo-hi&#243;ideu. O comprimento normal da ap&#243;fise estil&#243;ide &#233; de     2,5 a 3,0cm, considerando-se alongado acima deste valor.<sup>1-4</sup></p>       <p>Os sintomas     dependem de v&#225;rios fatores, incluindo o comprimento e largura da ap&#243;fise     estil&#243;ide, o &#226;ngulo e dire&#231;&#227;o do desvio e o seu grau de ossifica&#231;&#227;o e resultam     da compress&#227;o dos nervos cranianos X, XI e XII, art&#233;rias car&#243;tidas e respetivas     fibras simp&#225;ticas perivasculares.<sup>5</sup> Por conseguinte, pode     apresentar-se atrav&#233;s de um amplo espectro de sintomas, geralmente unilateral,     e pode incluir mais frequentemente dor, disfagia e sensa&#231;&#227;o de corpo estranho,     mas tamb&#233;m otalgia, cefaleia, disfonia, sintomas visuais e at&#233; mesmo s&#237;ncope ou     acidente isqu&#233;mico transit&#243;rio.<sup>2,5-7</sup> Foram ainda descritos casos de     morte s&#250;bita, atribu&#237;dos &#224; compress&#227;o bilateral dos seios carot&#237;deos por     ap&#243;fises estil&#243;ides alongadas.<sup>2,6,8</sup></p>       <p>Dada a sua     apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica variada e inespec&#237;fica, o seu diagn&#243;stico &#233; desafiante e     baseia-se nas manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas, na palpa&#231;&#227;o da ap&#243;fise estil&#243;ide ao exame     objetivo e posterior confirma&#231;&#227;o imagiol&#243;gica.<sup>4-5</sup></p>       <p>Os autores     relatam o caso cl&#237;nico de uma utente com odinofagia persistente que, apesar de     se tratar de um sintoma comum, culminou no diagn&#243;stico de uma s&#237;ndroma pouco     frequente. Este percurso diagn&#243;stico conduziu ao desgaste f&#237;sico e psicol&#243;gico     da utente, pela incerteza diagn&#243;stica e pelo grande consumo de recursos de     sa&#250;de.</p>       <p><b>Descri&#231;&#227;o     do Caso</b></p>       <p>Relata-se o     caso de uma doente do sexo feminino, caucasiana, de 35 anos de idade, natural e     residente em Braga. Completou o 9.<sup>o</sup> ano de escolaridade e trabalha     como administrativa. Insere-se numa fam&#237;lia nuclear altamente funcional, na     fase IV do Ciclo de <i>Duvall</i> e     pertencente &#224; classe m&#233;dia de <i>Graffar.</i> Como antecedentes pessoais apresenta espondilite anquilosante (diagnosticada em     2005, acompanhada desde ent&#227;o por reumatologia no Hospital de Ponte de Lima),     perturba&#231;&#245;es depressivas (diagnosticada em 2007, seguida pela m&#233;dica de     fam&#237;lia) e &#250;lcera duodenal (diagnosticada em 2012). Foi submetida a mamoplastia     de aumento em 2010, sem outros antecedentes cir&#250;rgicos, nomeadamente do foro de     otorrinolaringologia (ORL). Sem h&#225;bitos tab&#225;gicos ou alco&#243;licos, referindo uma     alimenta&#231;&#227;o saud&#225;vel. Nega antecedentes familiares de relevo. Encontra-se     medicada habitualmente com metotrexato 25mg/semana, etoricoxib 60mg/dia e     esomeprazol 20mg/dia.</p>       <p>Em fevereiro     de 2013 recorreu &#224; consulta de intersubstitui&#231;&#227;o, na USF, por odinofagia com     cerca de um m&#234;s de evolu&#231;&#227;o, mais intensa &#224; esquerda. Sem febre ou outros     sintomas respirat&#243;rios ou otol&#243;gicos associados. Ao exame objetivo constatou-se     uma orofaringe ruborizada, sem exsudados e sem g&#226;nglios cervicais palp&#225;veis.     Foi medicada com terap&#234;utica t&#243;pica (fusafungina) por hist&#243;ria de &#250;lcera duodenal,     tendo sido solicitada endoscopia digestiva alta (EDA) para reavalia&#231;&#227;o.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um m&#234;s ap&#243;s     foi observada pela sua m&#233;dica de fam&#237;lia por odinofagia &#224; esquerda com dois     meses de evolu&#231;&#227;o, sem outros sintomas de novo. Ao exame objetivo destacava-se     apenas eritema da orofaringe, sem adenomegalias palp&#225;veis ou tumefa&#231;&#245;es     cervicais. Foi solicitado exame cultural de exsudado far&#237;ngeo, que se revelou     normal.</p>       <p>Posteriormente     recorreu por duas vezes ao servi&#231;o de urg&#234;ncia do hospital de refer&#234;ncia por     manter queixas de odinofagia &#224; esquerda com irradia&#231;&#227;o otol&#243;gica </p>       <p>ipsilateral.     Foi inclusivamente observada por ORL cujo exame objetivo dirigido n&#227;o revelou     nenhuma altera&#231;&#227;o, excetuando um ligeiro rubor dos pilares amigdalinos, pelo     que teve alta medicada com analgesia (paracetamol).</p>       <p>Em junho de     2013 foi novamente observada pela sua m&#233;dica de fam&#237;lia mantendo queixas de     odinofagia esquerda com cinco meses de evolu&#231;&#227;o, sem outra sintomatologia de     novo. O exame objetivo era sobrepon&#237;vel. A EDA revelou-se normal, apresentando     apenas discretas les&#245;es de gastrite cr&#243;nica, sem sinais de atividade de <i>Helicobacter pylori.</i> Foi equacionada a     possibilidade de refluxo gastroesof&#225;gico n&#227;o erosivo e associou-se &#224;     terap&#234;utica habitual um protetor da mucosa g&#225;strica (sucralfalto), devendo manter     o inibidor da bomba de prot&#245;es (IBP) e o anti-inflamat&#243;rio n&#227;o ester&#243;ide     (AINE). Dadas as queixas persistentes de odinofagia a doente foi referenciada     para ORL do hospital de refer&#234;ncia.</p>       <p>Na consulta     hospitalar, realizada cerca de dois meses ap&#243;s a referencia&#231;&#227;o, n&#227;o foi     detetada patologia do foro de ORL. Ao exame objetivo destacava-se dor     localizada na zona alta do esternocleidomastoideu esquerdo, sobretudo com     rota&#231;&#227;o cervical. Teve alta da consulta hospitalar medicada com analg&#233;sico e     relaxante muscular (paracetamol e tiocolquicos&#237;deo).</p>       <p>Insatisfeita     face &#224; aus&#234;ncia de diagn&#243;stico e revelando j&#225; alguma ansiedade e preocupa&#231;&#227;o, a     utente recorreu novamente &#224; consulta com a sua m&#233;dica de fam&#237;lia mantendo     odinofagia esquerda intensa, apesar da terap&#234;utica institu&#237;da a n&#237;vel     hospitalar. Mais uma vez, ao exame objetivo apresentava apenas rubor da     orofaringe sem outros achados. Pela persist&#234;ncia da sintomatologia, com cerca     de oito meses de evolu&#231;&#227;o e aus&#234;ncia de diagn&#243;stico, foi solicitada uma     tomografia computorizada (TC) da faringe.</p>       <p>Ap&#243;s a     consulta com a m&#233;dica de fam&#237;lia e mantendo odinofagia intensa, a doente     recorreu novamente ao servi&#231;o de urg&#234;ncia do hospital de refer&#234;ncia, sendo     evidente alguma ansiedade face &#224; sintomatologia recorrente e &#224; aus&#234;ncia de diagn&#243;stico.     O exame objetivo era sobrepon&#237;vel &#224;s restantes observa&#231;&#245;es, pelo que a doente     teve alta medicada com analg&#233;sico (paracetamol e code&#237;na). Foi equacionada a     hip&#243;tese de patologia psicossom&#225;tica, pelo que foi associado um ansiol&#237;tico     (lorazepam) &#224; terap&#234;utica habitual.</p>       <p>A TC da     faringe, realizada em setembro de 2013, revelou uma assimetria das dimens&#245;es     das ap&#243;fises estil&#243;ides temporais, sendo maior &#224; esquerda com cerca de 40mm     (<a href="#f1">figura 1</a>), considerando a possibilidade de se tratar de s&#237;ndroma de Eagle.     Optou-se pelo tratamento conservador, com indica&#231;&#227;o para reavaliar no caso de     persist&#234;ncia da sintomatologia.</p>      <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a10f1.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>Por manter     queixas de odinofagia apesar de terap&#234;utica anti-inflamat&#243;ria foi referenciada     &#224; consulta de estomatologia com o diagn&#243;stico de s&#237;ndroma de Eagle, para     avalia&#231;&#227;o da eventual necessidade de corre&#231;&#227;o cir&#250;rgica. &#192; data da consulta, em     novembro de 2013, a doente apresentava melhoria das queixas &#225;lgicas. Ao exame     objetivo palpava-se a ap&#243;fise estil&#243;ide &#224; esquerda, sem outros achados de novo.     Dada a melhoria sintom&#225;tica optou-se por vigil&#226;ncia anual.</p>       <p>Atualmente a     doente apresenta-se assintom&#225;tica e sem outra sintomatologia de novo, mantendo     seguimento anual em consulta hospitalar de estomatologia.</p>       <p><b>Coment&#225;rio</b></p>       <p>A s&#237;ndroma     de Eagle &#233; uma patologia rara. No entanto, deve ser equacionada nos pacientes     que apresentam dor cervico-facial cr&#243;nica, sobretudo quando refrat&#225;ria ao     tratamento.<sup>5</sup> Na verdade, nem sempre &#233; tida como diagn&#243;stico     diferencial neste tipo de situa&#231;&#245;es, levando ao subdiagn&#243;stico desta entidade     cl&#237;nica e, consequentemente, a que a sua incid&#234;ncia seja subestimada.<sup>2</sup> N&#227;o existem dados relativos &#224; sua preval&#234;ncia em Portugal, tendo sido     publicados dois artigos, em 2012<sup>9</sup> e 2014,<sup>6</sup> descrevendo o     caso de s&#237;ndroma de Eagle num homem de 53 anos e numa mulher de 60 anos,     respetivamente.</p>       <p>A sua     etiologia permanece desconhecida, apesar de uma hist&#243;ria de trauma cir&#250;rgico     (amigdalectomia) ou irrita&#231;&#227;o local cr&#243;nica ser descrita por muitos autores,     inclusive Watt Eagle.<sup>1-3</sup> Outras teorias propostas compreendem a     predisposi&#231;&#227;o gen&#233;tica e o metabolismo anormal do c&#225;lcio, f&#243;sforo e vitamina D,     sobretudo nas mulheres em idade p&#243;s-menopausa.<sup>2,4</sup></p>       <p>At&#233; 28% da     popula&#231;&#227;o geral pode apresentar um alongamento da ap&#243;fise estil&#243;ide.<sup>2,5</sup> Contudo, tal altera&#231;&#227;o n&#227;o significa, necessariamente, s&#237;ndroma de Eagle, uma     vez que a maioria dos indiv&#237;duos &#233; assintom&#225;tica (90-96%).<sup>1,4-5</sup> Al&#233;m     disso, embora a maioria dos casos apresente um alongamento bilateral das     ap&#243;fises estil&#243;ides, os sintomas s&#227;o geralmente unilaterais.<sup>2,5</sup> Esta     condi&#231;&#227;o &#233; mais prevalente no sexo feminino, com um r&#225;cio 3:1, em quem os     sintomas s&#227;o habitualmente mais intensos.<sup>1,5</sup></p>       <p>O amplo     espectro de sintomas que comp&#245;e a s&#237;ndroma de Eagle deve-se &#224; compress&#227;o das     estruturas neurovasculares adjacentes, podendo variar entre odinofagia,     sensa&#231;&#227;o de corpo estranho, disfagia, sintomas visuais ou at&#233; mesmo s&#237;ncope ou     acidente isqu&#233;mico transit&#243;rio.<sup>5</sup></p>       <p>O     diagn&#243;stico de s&#237;ndroma de Eagle n&#227;o &#233; f&#225;cil e requer um alto &#237;ndice de     suspei&#231;&#227;o por parte do m&#233;dico. Este baseia-se nas manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas e na     palpa&#231;&#227;o da ap&#243;fise estil&#243;ide ao exame objetivo.<sup>4-5</sup> Uma hist&#243;ria de     cirurgia ou trauma local e a exacerba&#231;&#227;o dos sintomas com a rota&#231;&#227;o cervical ou     com a palpa&#231;&#227;o da ap&#243;fise estil&#243;ide podem igualmente sugerir s&#237;ndroma de Eagle.<sup>2,4</sup> A confirma&#231;&#227;o diagn&#243;stica &#233; feita por investiga&#231;&#227;o imagiol&#243;gica, sendo a TC o     exame <i>gold-standard.</i><sup>2,5-6</sup> A inje&#231;&#227;o de anest&#233;sico na fossa amigdalina pode diminuir ou mesmo fazer     desaparecer a dor, podendo tamb&#233;m ser usada como ferramenta diagn&#243;stica.<sup>5-6</sup></p>       <p>A s&#237;ndroma     de Eagle pode ser tratada de forma conservadora ou cir&#250;rgica atrav&#233;s da excis&#227;o     da ap&#243;fise estil&#243;ide, sendo o tratamento adequado selecionado com base na     gravidade dos sintomas.<sup>5</sup> O tratamento conservador compreende a     inje&#231;&#227;o local de AINE ou anest&#233;sicos no corno inferior do osso hi&#243;ide ou na     fossa amigdalina, com o objetivo de aliviar os sintomas. Os AINE podem     igualmente ser administrados oralmente.<sup>5</sup> Para o tratamento cir&#250;rgico     existem duas abordagens diferentes poss&#237;veis: abordagem transcervical ou     transfar&#237;ngea.<sup>5</sup> As complica&#231;&#245;es relacionadas com a estiloidectomia     incluem: les&#227;o do nervo facial, osteomielite e infe&#231;&#227;o da ferida operat&#243;ria e     dos tecidos profundos da cabe&#231;a e pesco&#231;o.<sup>5</sup> Geralmente obt&#233;m-se     sucesso terap&#234;utico (m&#233;dico ou cir&#250;rgico) em cerca de 80% dos doentes,<sup>10</sup> da&#237; a import&#226;ncia de um diagn&#243;stico atempado de forma a diminuir o insucesso     terap&#234;utico ou o risco de complica&#231;&#245;es, algumas delas potencialmente graves.     Neste caso cl&#237;nico em particular conseguiu-se uma remiss&#227;o da sintomatologia     apenas com tratamento conservador, mantendo a doente vigil&#226;ncia anual em     consulta hospitalar.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sendo a     apresenta&#231;&#227;o da s&#237;ndroma de Eagle variada e inespec&#237;fica pode conduzir ao     diagn&#243;stico errado de outras patologias da regi&#227;o oral e maxilofacial<sup>5-6</sup> (<a href="#q1">quadro I</a>). Como tal, at&#233; ao estabelecimento do diagn&#243;stico definitivo, estes     pacientes s&#227;o usualmente consultados por v&#225;rias especialidades m&#233;dicas (ORL,     neurologia, neurocirurgia, cirurgia maxilo-facial, medicina dent&#225;ria ou at&#233;     mesmo psiquiatria).<sup>5-6</sup> A dificuldade diagn&#243;stica e a recorr&#234;ncia a     outras especialidades m&#233;dicas ficaram tamb&#233;m evidenciadas neste caso cl&#237;nico,     em que a utente foi observada por ORL e foi ainda equacionada a possibilidade     de sintomatologia psicossom&#225;tica, dado os seus antecedentes de perturba&#231;&#245;es     depressivas.</p>      <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n1/32n1a10q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Importa     ressalvar a dificuldade e a morosidade diagn&#243;stica caracter&#237;sticas desta     s&#237;ndroma. Neste caso cl&#237;nico, decorreram cerca de oito meses desde a primeira     consulta na USF at&#233; ao estabelecimento do diagn&#243;stico definitivo. Tal facto vai     de encontro aos restantes casos cl&#237;nicos descritos na literatura, cujo tempo     decorrido at&#233; ao diagn&#243;stico definitivo varia entre sete meses at&#233; quatro anos.<sup>2,4,6</sup></p>       <p>Inevitavelmente,     o longo caminho percorrido at&#233; ao diagn&#243;stico acarretou um grande desgaste     f&#237;sico e emocional da doente, quer pelas v&#225;rias idas &#224;s consultas agudas da USF     ou servi&#231;o de urg&#234;ncia quer pela realiza&#231;&#227;o de meios complementares de     diagn&#243;stico, alguns deles invasivos, ou at&#233; pela ida &#224; consulta hospitalar de     ORL, que se revelou infrut&#237;fera. </p>       <p>De salientar     que, atualmente, o diagn&#243;stico de s&#237;ndroma de Eagle &#233; facilitado pelo arsenal     de meios complementares diagn&#243;sticos dispon&#237;veis. Por conseguinte, &#233; importante     que o m&#233;dico de fam&#237;lia seja conhecedor desta patologia para assim evitar que     os doentes sejam erradamente classificados como sofrendo de patologia     psicossom&#225;tica.</p>       <p>N&#227;o raras     vezes a dor persistente, caracter&#237;stica desta s&#237;ndroma, pode afetar     psicologicamente o paciente, podendo haver a necessidade de encaminhamento para     psiquiatria. Da&#237; a import&#226;ncia do m&#233;dico de fam&#237;lia que, na sua abordagem hol&#237;stica,     necessita de se debru&#231;ar n&#227;o s&#243; na componente org&#226;nica, mas tamb&#233;m na     envolv&#234;ncia psicol&#243;gica e social do utente. </p>       <p>A dor     persistente conduz geralmente &#224; necessidade de recurso a terap&#234;utica     anti-inflamat&#243;ria e analg&#233;sica, aspeto que ficou patente neste caso cl&#237;nico.     Esta hipermedicaliza&#231;&#227;o abre espa&#231;o para outra reflex&#227;o, a da preven&#231;&#227;o     quatern&#225;ria. O m&#233;dico de fam&#237;lia assume, assim, um papel fundamental neste     campo, tendo a tarefa, por vezes herc&#250;lea, de defender um dos princ&#237;pios     fundamentais da medicina, o de <i>primum non     nocere.</i></p>       <p>A     import&#226;ncia da s&#237;ndroma de Eagle, retratada neste caso cl&#237;nico, assenta no     facto de se apresentar com um leque variado de sintomas comummente encontrados     ao n&#237;vel dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios, sendo alguns deles potencialmente     graves. Tal facto demarca o papel do m&#233;dico de fam&#237;lia no reconhecimento desta     s&#237;ndroma, anteriormente restrita a especialidades hospitalares, de forma a     evitar o diagn&#243;stico tardio e suas potenciais complica&#231;&#245;es, sejam elas f&#237;sicas     ou psicol&#243;gicas.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Eagle WW.     Elongated styloid process: report of two cases. Arch Otolaryngol.     1937;25:584-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359746&pid=S2182-5173201600010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>2. Zeckler     SR, Betancur AG, Yaniv G. The eagle is landing: Eagle syndrome - an     important differential diagnosis. Br J Gen Pract. 2012;62(602):501-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359748&pid=S2182-5173201600010001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>3. Monti LM,     Fran&#231;a DC, Trento CL, Tiano GC, Castro AL. S&#237;ndrome de Eagle: relato de caso     cl&#237;nico (Eagle&#8217;s syndrome: clinical case report). Rev Odontol Ara&#231;atuba.     2005;26(1):32-5. Portuguese </p>       <!-- ref --><p>4. Akheel M,     Tomar S. Eagle syndrome. Muller J Med Sci Res. 2013;4(2):124-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359751&pid=S2182-5173201600010001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Piagkou     M, Anagnostopoulou S, Kouladouros K, Piagkos G. Eagle&#8217;s syndrome: a review of     the literature. Clin Anat. 2009;22(5):545-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359753&pid=S2182-5173201600010001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. Ferreira     PC, Mendanha M, Frada T, Carvalho J, Silva A, Amarante J. Eagle syndrome. J Craniofac     Surg. 2014;25(1):e84-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359755&pid=S2182-5173201600010001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. Song JH,     Ahn SK, Cho CB. Elongated styloid process as a cause of transient ischemic     attacks. JAMA Neurol. 2013;70(8):1072-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359757&pid=S2182-5173201600010001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>8. Kumar P,     Rayamane AP, Subbaramaiah M. Sudden death due to Eagle syndrome: a case report.     Am J Forensic Med Pathol. 2013;34(3):231-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359759&pid=S2182-5173201600010001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>9. Alves ND,     Sousa M. S&#237;ndrome de Eagle (Eagle syndrome). Acta Med Port. 2012;25(5):348.     Portuguese</p>     <!-- ref --><p>10. Rinaldi     V, Salvinelli F, Casale M, Faiella F, Coco M. Eagle syndrome treatment &amp;     management. Medscape (Internet); 2014 (updated 2015 Jan 20; cited 2015 Sep 6).     Available from: <a href="http://emedicine.medscape.com/article/1447247-treatment" target="_blank">http://emedicine.medscape.com/article/1447247-treatment</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1359762&pid=S2182-5173201600010001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>        <p>Dina Novais     Fernandes</p>     <p>R. Padre     Gaspar Roriz, 4810-429 Guimar&#227;es</p>      <p>E-mail: <a href="mailto:dina.novaisf@gmail.com">dina.novaisf@gmail.com</a></p>        <p>&nbsp;</p>       <p><b>Conflito     de interesses</b></p>       <p>Os autores     declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 03-04-2015</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 02-12-2015</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Artigo escrito ao abrigo do novo acordo     ortogr&#225;fico.</i></p>      ]]></body><back>
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