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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>CLUBE DE LEITURA</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Rastreio do cancro da mama em mulheres     entre os 40 e os 49 anos: os benef&#237;cios superam os malef&#237;cios?</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Breast cancer screening in women aged 40 to 49 years: do the benefits outweigh the     harms?</b></font></p>         <p><b>Ana Sofia Gaspar</b></p>         <p>M&#233;dica de fam&#237;lia - USF S&#227;o Jo&#227;o do Estoril</p>  <hr/>       <p>&nbsp;</p>     <p>Moss SM, Wale C, Smith R, Evans A, Cuckle H, Duffy SW. Effect of mammographic screening     from age 40 years on breast cancer mortality in the UK Age trial at 17 years'     follow-up: a randomised controlled trial. Lancet Oncol. 2015;16(9):1123-32.     doi: 10.1016/S1470-2045(15)00128-X</p>       <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>Os efeitos espec&#237;ficos     relacionados com a idade no rastreio com mamografia e o momento em que se     verificam tais efeitos continuam a ser motivo de discuss&#227;o. No estudo <i>UK Age Trial</i> foi comparado o efeito do     rastreio com mamografia anual a partir dos 40 anos, com in&#237;cio do rastreio a     partir dos 50 anos, na mortalidade por cancro da mama. Os resultados     apresentados ap&#243;s 10 anos de seguimento n&#227;o apresentaram diferen&#231;a     significativa na mortalidade entre os grupos de estudo. No presente estudo s&#227;o     apresentados os resultados ap&#243;s 17 anos de seguimento.</p>       <p><b>Metodologia</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mulheres com     idades compreendidas entre os 39 e os 41 anos, participantes no programa de     rastreio do cancro da mama do <i>National     Health Service</i> do Reino Unido, foram distribu&#237;das aleatoriamente em dois     grupos. No grupo de interven&#231;&#227;o, o rastreio com mamografia foi realizado     anualmente at&#233; terem completado 49 anos e, no grupo de controlo, o rastreio foi     oferecido a partir dos 50 anos e a cada tr&#234;s anos. Foram comparados os     seguintes resultados prim&#225;rios: mortalidade por cancro da mama e incid&#234;ncia de     cancro da mama <i>in situ,</i> invasivo e a     incid&#234;ncia total. Por existir interesse no momento em que se verifica o efeito     sobre a mortalidade, foram analisados os resultados em diferentes per&#237;odos de     seguimento.</p>       <p><b>Resultados</b></p>       <p>Entre 14     outubro de 1990 e 25 de setembro de 1997 foram distribu&#237;dos aleatoriamente     160.921 participantes: 53.883 mulheres no grupo de interven&#231;&#227;o e 106.953 no     grupo de controlo. Ap&#243;s um seguimento m&#233;dio de 17 anos, a raz&#227;o de taxas de     incid&#234;ncia de mortes por cancro de mama foi 0,88 (IC 95% 0,74-1,04) por cancros     diagnosticados durante a fase de interven&#231;&#227;o. Observou-se uma redu&#231;&#227;o     significativa na mortalidade por cancro da mama no grupo de interven&#231;&#227;o     comparativamente ao grupo de controlo nos primeiros 10 anos ap&#243;s o diagn&#243;stico     (raz&#227;o de taxas de incid&#234;ncia de mortes por cancro de mama de 0,75; IC 95%     0,58-0,97), mas n&#227;o depois disso (raz&#227;o de taxas de incid&#234;ncia de mortes por     cancro de mama de 1,02; IC 95% 0,80-1,30) para cancros diagnosticados durante a     fase de interven&#231;&#227;o. A incid&#234;ncia global de cancro da mama durante os 17 anos     de seguimento foi similar entre o grupo de interven&#231;&#227;o e o grupo de controlo     (raz&#227;o de taxas de incid&#234;ncia de cancro de mama de 0,98; IC 95% 0,93-1,04).</p>       <p><b>Interpreta&#231;&#227;o</b></p>       <p>Os     resultados do presente estudo revelam uma redu&#231;&#227;o precoce na mortalidade por     cancro de mama no rastreio atrav&#233;s de mamografia anual em mulheres com idades     compreendidas entre os 40 e os 49 anos. S&#227;o necess&#225;rios mais dados para     compreender plenamente os efeitos a longo prazo. A incid&#234;ncia cumulativa sugere     que o sobrediagn&#243;stico n&#227;o &#233; significativo.</p>       <p><b>Coment&#225;rio</b></p>       <p>A n&#237;vel     mundial, o grupo et&#225;rio alvo para o rastreio do cancro da mama com mamografia     n&#227;o &#233; consensual. Em 2009, a <i>United     States Preventive Services Task Force</i> recomendou formalmente o rastreio     bianual para mulheres entre os 50 e os 74 anos, real&#231;ando que para mulheres     entre os 40 e os 49 anos o benef&#237;cio do rastreio bianual era pequeno e que     deveria considerar-se o risco individual na decis&#227;o de realizar o rastreio.<sup>1</sup> Por outro lado, a <i>American Cancer Society</i> recomenda a realiza&#231;&#227;o de mamografia anualmente a partir dos 40 anos.<sup>2</sup> De facto, estudos realizados no Canad&#225; e na Su&#233;cia demonstraram que o rastreio     de mulheres entre os 40 e os 49 anos reduziu em 30% a mortalidade.<sup>3</sup> No entanto, a maioria das recomenda&#231;&#245;es existentes, incluindo as nacionais,<sup>4</sup> defendem o in&#237;cio do rastreio a partir dos 50 anos, uma vez que os potenciais     benef&#237;cios seriam inferiores aos malef&#237;cios do sobrediagn&#243;stico.</p>       <p>Um recente e     importante estudo, o <i>Canadian National     Breast Screening Study,</i> corroborou estes dados ao concluir n&#227;o existir     evid&#234;ncia do impacto do rastreio de mulheres entre os 40 e os 49 anos na     mortalidade por cancro da mama ap&#243;s 25 anos de seguimento, tendo-se observado     globalmente um aumento significativo do sobrediagn&#243;stico de casos de cancro da     mama (uma em cada 424 mulheres).<sup>5</sup></p>       <p>No estudo     exposto, os resultados revelaram que ap&#243;s 17 anos de seguimento menos mulheres     morreram de cancro da mama no grupo da interven&#231;&#227;o em compara&#231;&#227;o com o grupo     que realizou o rastreio a partir dos 50 anos, ao contr&#225;rio dos resultados     obtidos ap&#243;s 10 anos de seguimento, em que n&#227;o se encontraram diferen&#231;as     significativas.</p>       <p>Este estudo     vem alimentar a controv&#233;rsia ao demonstrar que, para mulheres com idades entre     os 40 e os 50 anos, os benef&#237;cios do rastreio com mamografia prevalecem sobre     os malef&#237;cios do sobrediagn&#243;stico. No entanto, os dados apresentados poder&#227;o     ser considerados insuficientes para clarificar totalmente os malef&#237;cios.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A     discrep&#226;ncia de resultados e as diferen&#231;as no tipo de desenho dos principais     estudos sobre este tema geram d&#250;vidas quanto &#224; suposi&#231;&#227;o de que a redu&#231;&#227;o da     mortalidade do rastreio com mamografia em mulheres sem risco aumentado de     cancro da mama neste grupo et&#225;rio &#233; significativa e supera os malef&#237;cios do     sobrediagn&#243;stico com o consequente impacto na qualidade de vida da mulher.     Assim, poder-se-&#225; considerar que, &#224; luz destes novos dados, a evid&#234;ncia para     recomendar contra a realiza&#231;&#227;o de mamografia como m&#233;todo de rastreio neste     grupo et&#225;rio n&#227;o &#233; s&#243;lida.</p>     <p>Posto isto,     e tal como em todos os rastreios implementados na pr&#225;tica cl&#237;nica do m&#233;dico de     fam&#237;lia, &#233; fundamental disponibilizar a informa&#231;&#227;o existente sobre os riscos e     benef&#237;cios do exame para uma decis&#227;o esclarecida, mesmo que a informa&#231;&#227;o     fornecida seja contradit&#243;ria e possa n&#227;o ser facilitadora do processo de tomada     de decis&#227;o.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. U.S.     Preventive Services Task Force. Final update summary - Breast cancer:     screening. USPSTF; 2009 Nov (cited 2015 Oct 8). Available from:    <a href="http://www.uspreventiveservicestaskforce.org/Page/Document/UpdateSummaryFinal/breast-cancer-screening" target="_blank">http://www.uspreventiveservicestaskforce.org/Page/Document/UpdateSummaryFinal/breast-cancer-screening</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1360012&pid=S2182-5173201600010001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. American     Cancer Society. American Cancer Society guidelines for the early detection of     cancer. ACS; 2015 Sep (cited 2015 Oct 8) Available from: <a href="http://www.cancer.org/healthy/findcancerearly/cancerscreeningguidelines/american-cancer-society-guidelines-for-the-early-detection-of-cancer" target="_blank">http://www.cancer.org/healthy/findcancerearly/cancerscreeningguidelines/american-cancer-society-guidelines-for-the-early-detection-of-cancerX</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1360013&pid=S2182-5173201600010001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. Feig SA.     Screening mammography benefit controversies: sorting the evidence. Radiol Clin     North Am. 2014;52(3):455-80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1360014&pid=S2182-5173201600010001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4.     Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de. Abordagem imagiol&#243;gica da mama feminina: norma n&#186; 51,     de 27/12/2011. Lisboa: DGS; 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1360016&pid=S2182-5173201600010001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>5. Miller     AB, Wall C, Baines CJ, Sun P, To T, Narod SA. Twenty five year follow-up for     breast cancer incidence and mortality of the Canadian National Breast Screening     Study: randomised screening trial. BMJ. 2014;348:g366.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1360018&pid=S2182-5173201600010001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Conflitos de interesse</b></p>       <p>A autora     declara n&#227;o ter conflito de interesses.</p>       <p><i>Artigo escrito ao abrigo do novo acordo     ortogr&#225;fico.</i></p>      ]]></body><back>
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