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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Quando o apego às coisas se trata de síndroma de Diógenes: a propósito de um caso clínico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: The Diogenes syndrome is a behavior disorder of the elderly characterized by the rejection of social patterns, poor personal hygiene, progressive social isolation, and impaired judgment, associated with the accumulation of objects and trash. Research on this syndrome is scarce but one third to one half of affected individuals show no concomitant psychiatric disorders. Clinical case: We present the case of a 78 year-old single female with a fourth grade education, living alone since her sister's death, three years previously. No relevant medical or surgical history was obtained. She was brought for the first time to a consultation by a neighbour, who stated that the patient was living in a house with poor hygienic conditions. The neighbour provided care once a week. A home visit was arranged to assess her living conditions. An accumulation of objects and waste was found in the patient's home. Evaluation by a social worker was requested but the patient refused her entry into her home. A court order was obtained for psychiatric assessment. Comment: With the aging of the population there is a growing need for care of the elderly. This is clear when a decrease in the functional capacity of the elderly prevents self-care. This increases the responsibility of the family and the health care system. Severe isolation associated with Diogenes syndrome and a life on the margins of society, make detection difficult in these situations. Home visits play a key role in the early detection of this condition. The family physician, as first-line care provider, should promote the integration of family and other caregivers in the care of these patients.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Síndroma de Diógenes]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Quando o apego &#224;s coisas se trata de s&#237;ndroma de Di&#243;genes: a prop&#243;sito de um caso cl&#237;nico</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The Diogenes syndrome: a case report</b></font></p>     <p><b>Albina Oliveira,<sup>1</sup> Sophie Sousa,<sup>1</sup> Susana Paiva<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar</p>     <p><sup>2</sup>M&#233;dica Especialista de Medicina Geral e Familiar</p>     <p>USF Oceanos, Unidade Local de Sa&#250;de de Matosinhos</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A s&#237;ndroma de Di&#243;genes &#233; um dist&#250;rbio de comportamento t&#237;pico dos idosos. Caracteriza-se pela rejei&#231;&#227;o dos padr&#245;es sociais, traduzida pelo descuido pessoal e habitacional, no isolamento social progressivo e no reduzido ju&#237;zo cr&#237;tico para o problema, associado &#224; acumula&#231;&#227;o de objetos e lixo. Apesar de a investiga&#231;&#227;o nesta &#225;rea ainda ser escassa, cerca de um ter&#231;o a metade destes indiv&#237;duos n&#227;o apresenta qualquer patologia psiqui&#225;trica concomitante.</p>     <p><b>Caso cl&#237;nico:</b> Mulher, 78 anos, solteira, a viver sozinha ap&#243;s morte da irm&#227; h&#225; cerca de tr&#234;s anos, com o quarto ano de escolaridade. Sem antecedentes m&#233;dico-cir&#250;rgicos de relevo. Foi trazida, pela primeira vez, &#224; consulta aberta por uma vizinha, que referia que a doente vivia em habita&#231;&#227;o sem condi&#231;&#245;es m&#237;nimas de habitabilidade e salubridade, com cuidados de higiene semanais e fornecidos pela mesma. Para averigua&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es de habitabilidade foi agendado domic&#237;lio, onde foi constatada a acumula&#231;&#227;o de objetos e detritos na habita&#231;&#227;o. Para o apoio da doente foi contactada a assistente social, tendo a utente recusado a sua entrada no domic&#237;lio. Foi ent&#227;o notificado o Minist&#233;rio P&#250;blico, que solicitou a sua referencia&#231;&#227;o para a consulta de psiquiatria para despiste de doen&#231;a psiqui&#225;trica subjacente. </p>     <p><b>Coment&#225;rio:</b> O envelhecimento da popula&#231;&#227;o &#233; um fen&#243;meno mundial, sendo considerado como uma conquista da longevidade. Apesar desta conquista, a necessidade de cuidado ao idoso &#233; crescente e evidenciada quando ocorre compromisso da capacidade funcional, ao ponto de impedir o autocuidado, aumentando a responsabilidade sobre a fam&#237;lia e sobre o sistema de sa&#250;de. </p>     <p>O grave isolamento associado &#224; s&#237;ndroma de Di&#243;genes, numa condi&#231;&#227;o de vida &#224; margem da sociedade, torna dif&#237;cil a dete&#231;&#227;o destas situa&#231;&#245;es. Assim, a visita domicili&#225;ria assume um papel fulcral na dete&#231;&#227;o precoce desta patologia. Al&#233;m disso, o m&#233;dico de fam&#237;lia, como prestador de cuidados de primeira linha, deve promover a integra&#231;&#227;o da fam&#237;lia/cuidadores nos cuidados a prestar a estes doentes.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> S&#237;ndroma de Di&#243;genes; M&#233;dico de Fam&#237;lia; Abordagem Multidisciplinar.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> The Diogenes syndrome is a behavior disorder of the elderly characterized by the rejection of social patterns, poor personal hygiene, progressive social isolation, and impaired judgment, associated with the accumulation of objects and trash. Research on this syndrome is scarce but one third to one half of affected individuals show no concomitant psychiatric disorders.</p>     <p><b>Clinical case:</b> We present the case of a 78 year-old single female with a fourth grade education, living alone since her sister&#8217;s death, three years previously. No relevant medical or surgical history was obtained. She was brought for the first time to a consultation by a neighbour, who stated that the patient was living in a house with poor hygienic conditions. The neighbour provided care once a week. A home visit was arranged to assess her living conditions. An accumulation of objects and waste was found in the patient&#8217;s home. Evaluation by a social worker was requested but the patient refused her entry into her home. A court order was obtained for psychiatric assessment. </p>     <p><b>Comment:</b> With the aging of the population there is a growing need for care of the elderly. This is clear when a decrease in the functional capacity of the elderly prevents self-care. This increases the responsibility of the family and the health care system.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Severe isolation associated with Diogenes syndrome and a life on the margins of society, make detection difficult in these situations. Home visits play a key role in the early detection of this condition. The family physician, as first-line care provider, should promote the integration of family and other caregivers in the care of these patients.</p>     <p><b>Keywords:</b> Diogenes Syndrome; Family Physician; Multidisciplinary Approach.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A s&#237;ndroma de Di&#243;genes (SD) foi descrita, pela primeira vez, em 1966 por Macmillan e Shaw. No entanto, s&#243; em 1975 foi batizada com este nome, em mem&#243;ria ao fil&#243;sofo grego do s&#233;culo IV a.C., Di&#243;genes de Sinope, que acreditava na autossufici&#234;ncia, desvalorizando todos os bens materiais e ajustando a sua exist&#234;ncia ao m&#237;nimo vital.</p>     <p>Esta s&#237;ndroma constitui uma condi&#231;&#227;o cl&#237;nica com import&#226;ncia crescente do ponto de vista social e de sa&#250;de p&#250;blica pelas consequ&#234;ncias que a ela est&#227;o associadas.<sup>1</sup> Caracteriza-se pelo descuido significativo com a higiene pessoal, neglig&#234;ncia com o asseio da pr&#243;pria moradia, isolamento social marcado e pela aus&#234;ncia de cr&#237;tica para a situa&#231;&#227;o.<sup>1-3</sup> Est&#225; frequentemente associada a um comportamento paran&#243;ico, sendo frequente a ocorr&#234;ncia de colecionismo (como a acumula&#231;&#227;o de grandes quantidades de objetos in&#250;teis, sem um prop&#243;sito aparente).<sup>2</sup></p>     <p>Epidemiologicamente, a SD caracteriza-se por afetar, sobretudo, mulheres (dois ter&#231;os dos casos); em 84% dos casos s&#227;o idosos (m&#233;dia de idades de 78 anos), dos quais 21% s&#227;o muito idosos. S&#227;o sobretudo indiv&#237;duos solteiros (44%) ou vi&#250;vos (25%), que habitam sozinhos (64%), em apartamento, em habita&#231;&#245;es com graves defici&#234;ncias de habitabilidade, incapazes de manter rela&#231;&#245;es e relutantes em receber qualquer ajuda.<sup>1</sup></p>     <p>Neste caso cl&#237;nico, o m&#233;dico de fam&#237;lia (MF), pela sua proximidade com a comunidade, teve um papel fundamental na suspei&#231;&#227;o e integra&#231;&#227;o de todos os dados cl&#237;nicos, sobretudo no que concerne &#224; articula&#231;&#227;o com os prestadores de cuidados (fam&#237;lia, vizinhos e assistente social) e com a especialidade de psiquiatria. O objetivo deste caso &#233; alertar para a suspei&#231;&#227;o diagn&#243;stica desta patologia, muitas vezes subdiagnosticada, mas associada ao preju&#237;zo na capacidade de decis&#227;o, despoletando um estilo de vida negligente. </p>     <p><b>Caso cl&#237;nico</b></p>     <p>DRO, g&#233;nero feminino, 78 anos, ra&#231;a caucasiana, solteira, quarto ano de escolaridade. Natural e residente em Matosinhos. Vive sozinha desde a morte da irm&#227; h&#225; cerca de tr&#234;s anos (fam&#237;lia unit&#225;ria); apresenta, no entanto, como pessoas de suporte, uma vizinha e o sobrinho. N&#227;o apresenta antecedentes patol&#243;gicos, m&#233;dicos ou cir&#250;rgicos relevantes. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pertencente a uma fam&#237;lia com disfun&#231;&#227;o acentuada (dois pontos no APGAR familiar) e classe social de Graffar III (classe socioecon&#243;mica m&#233;dia).</p>     <p><b>27 de agosto de 2013</b></p>     <p>DRO, utente pouco frequentadora dos cuidados de sa&#250;de, foi, pela primeira vez, trazida a uma consulta aberta<sup>4</sup> pela vizinha. De acordo com a mesma, DRO vivia numa habita&#231;&#227;o sem condi&#231;&#245;es m&#237;nimas de habitabilidade e salubridade, com cuidados de higiene semanais e fornecidos pela vizinha. A doente, contudo, negava estes factos, afirmando que as coisas que acumulava eram necess&#225;rias. Ao exame objetivo mostrava-se consciente, colaborante e orientada, auto e alopsiquicamente.&nbsp;Aspeto debilitado, embora relativamente cuidado. Humor neutro.&nbsp;Discurso l&#243;gico e coerente, sem altera&#231;&#245;es formais, com uma tonalidade ansiosa. Sem aparentes d&#233;fices mn&#233;sicos (<i>Mini Mental State Examination</i> com 22 pontos de cota&#231;&#227;o), sem atividade heter&#243;loga, sem ideias de teor auto ou heterodestrutivo.&nbsp;Aus&#234;ncia de cr&#237;tica para a desadequa&#231;&#227;o do comportamento. Foi agendado domic&#237;lio para averigua&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es de habitabilidade, tendo sido solicitada a presen&#231;a do sobrinho e da vizinha na visita domicili&#225;ria. </p>     <p><b>29 de agosto de 2013</b></p>     <p>Aquando do domic&#237;lio, constatou-se a acumula&#231;&#227;o de objetos e detritos no mesmo. O sobrinho referiu que desde sempre a tia, bem como a irm&#227; falecida, tinham por h&#225;bito &#8220;acumular tralha em casa&#8221;. No entanto, ap&#243;s falecimento desta, verificou-se agravamento desse comportamento com acumula&#231;&#227;o de restos de comida, latas vazias e objetos deteriorados, que impediam o acesso &#224; casa. Sublinhou que os vizinhos, por v&#225;rias vezes, se tinham queixado do mau odor e do risco de inc&#234;ndio. A doente, contudo, relativizava o relatado pelo sobrinho, referindo que apenas guardava os objetos por serem necess&#225;rios. Foi recomendado ao sobrinho a necessidade de apoio di&#225;rio &#224; utente, com a integra&#231;&#227;o em lar ou domic&#237;lio com apoio de terceiros. Foi tamb&#233;m contactada a assistente social para orienta&#231;&#227;o e agiliza&#231;&#227;o do processo. </p>     <p><b>6 de outubro de 2013</b></p>     <p>Cerca de um m&#234;s depois, a assistente social contactou o m&#233;dico assistente, referindo que a doente tinha negado, por v&#225;rias ocasi&#245;es, o acesso ao domic&#237;lio para averigua&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es de habitabilidade. Nesse sentido, o caso foi notificado ao Minist&#233;rio P&#250;blico que, por sua vez, solicitou a sua referencia&#231;&#227;o para a consulta de psiquiatria para despiste de doen&#231;a psiqui&#225;trica subjacente. Informou tamb&#233;m que a doente recusou a institucionaliza&#231;&#227;o e, por isso, o sobrinho tinha decidido que a doente passaria a residir numa pens&#227;o, com limpeza semanal do quarto e elimina&#231;&#227;o de todo o lixo que acumulasse.</p>     <p><b>5 de novembro de 2013</b></p>     <p>DRO teve consulta de psiquiatria a 24/10 para avalia&#231;&#227;o do estado mental e da capacidade de reger a pr&#243;pria pessoa, ap&#243;s proposta de internamento compulsivo institu&#237;da pelo Minist&#233;rio P&#250;blico. Segundo informa&#231;&#227;o da assistente social, a utente mantinha-se a residir numa pens&#227;o. Ficou tamb&#233;m acordado que o sobrinho ficava respons&#225;vel pela gest&#227;o dos bens de DRO, nomeadamente a sua reforma. Foi colocada, como hip&#243;tese mais prov&#225;vel, a s&#237;ndroma de Di&#243;genes, tendo sido solicitado estudo anal&#237;tico (com avalia&#231;&#227;o nutricional), estudo imagiol&#243;gico por tomografia computorizada cr&#226;nioencef&#225;lica (TC-CE) e avalia&#231;&#227;o neuropsiqui&#225;trica. Proposta terap&#234;utica com quetiapina 25mg ao deitar. Contudo, a doente mostrou-se muito resistente a qualquer tipo de interven&#231;&#227;o.</p>     <p><b>20 de fevereiro de 2014</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em consulta de reavalia&#231;&#227;o de psiquiatria, DRO mantinha as rotinas de recolha de pequenos objetos, que usava como adornos, mesmo ap&#243;s a institui&#231;&#227;o de quetiapina. Do estudo realizado n&#227;o se verificaram altera&#231;&#245;es de relevo, nomeadamente no que diz respeito ao estudo de dem&#234;ncias. Foi decidido manter tratamento com quetiapina e abordagem psicossocial, evitando altera&#231;&#245;es na rotina ou eventual institucionaliza&#231;&#227;o pelo potencial de agravamento em termos de morbimortalidade.</p>     <p><b>Coment&#225;rio</b></p>     <p>O envelhecimento da popula&#231;&#227;o &#233; um fen&#243;meno mundial, sendo considerado como uma conquista da longevidade. Apesar desta conquista, a necessidade de cuidado &#233; crescente e evidenciada quando ocorre compromisso da capacidade funcional do idoso, ao ponto de impedir o autocuidado, aumentando a responsabilidade sobre a fam&#237;lia e o sistema de sa&#250;de.<sup>8</sup></p>     <p>O grave isolamento associado &#224; SD, numa condi&#231;&#227;o de vida &#224; margem da sociedade, torna dif&#237;cil a dete&#231;&#227;o destas situa&#231;&#245;es.<sup>1</sup> Geralmente, apenas se tornam p&#250;blicas ap&#243;s dete&#231;&#227;o do fen&#243;meno, geralmente pela vizinhan&#231;a e apenas perante situa&#231;&#245;es de grave risco para o pr&#243;prio e para terceiros.<sup>1</sup> Este caso ilustra esta realidade e a import&#226;ncia de suspeitar da SD perante certos sintomas inespec&#237;ficos, que podem ser, de outra forma, negligenciados.<sup>5</sup> </p>     <p>O MF, atrav&#233;s do seu contacto continuado com fam&#237;lias e idosos, est&#225; em posi&#231;&#227;o privilegiada para identificar as situa&#231;&#245;es, mas tamb&#233;m para intervir preventivamente, reconhecendo as situa&#231;&#245;es de risco e identificando estes idosos. Neste sentido, a consulta domicili&#225;ria assume um papel fulcral na dete&#231;&#227;o precoce desta patologia. </p>     <p>A consulta no domic&#237;lio, definida como &#171;uma consulta direta, programada ou espont&#226;nea, na resid&#234;ncia do utente, onde o seu MF avalia o seu estado de sa&#250;de, o aconselha e trata, satisfazendo uma necessidade de cuidados assistenciais devido a uma impossibilidade de se deslocar ao gabinete m&#233;dico&#187;, facilita, se realizada adequadamente, a compreens&#227;o e o cuidado ao doente, por propiciar o conhecimento de seus modos de vida, cren&#231;as, cultura e padr&#245;es de comportamento.<sup>9</sup></p>     <p>O MF &#233;, portanto, o piv&#244; quer no reconhecimento atempado desta s&#237;ndroma, quer no fornecimento dos cuidados de proximidade ao doente com SD, permitindo que estes doentes permane&#231;am o maior tempo poss&#237;vel no domic&#237;lio e evitando a multiplica&#231;&#227;o de cuidados. Como prestador de cuidados de primeira linha, &#233; tamb&#233;m respons&#225;vel pela promo&#231;&#227;o, sensibiliza&#231;&#227;o e envolvimento da fam&#237;lia e da vizinhan&#231;a, assim como pela integra&#231;&#227;o dos v&#225;rios prestadores do cuidado (especialidade de psiquiatria, unidade de cuidados na comunidade e rede de apoio social).</p>     <p>O diagn&#243;stico e o tratamento destes doentes s&#227;o muito complexos. Este caso ilustra um caso cl&#237;nico de SD prim&#225;rio, que se relaciona com uma atitude hostil do indiv&#237;duo perante o mundo, sem manifesta&#231;&#227;o psicopatol&#243;gica relevante. Apresenta-se em indiv&#237;duos com tra&#231;os de personalidade pr&#233;-m&#243;rbidos (s&#227;o geralmente pessoas independentes, exc&#234;ntricas, agressivas) que, perante acontecimentos vitais stressantes (luto, reforma, solid&#227;o e doen&#231;as som&#225;ticas), causam um c&#237;rculo vicioso que origina um estilo de vida isolado com abandono das regras sociais b&#225;sicas e recusa de ajuda.<sup>1,5</sup> Por sua vez, a SD secund&#225;ria coexiste com um diagn&#243;stico neuropsiqui&#225;trico (alcoolismo, esquizofrenia, depress&#227;o e dem&#234;ncia) com influ&#234;ncia direta no comportamento do indiv&#237;duo.<sup>1,7</sup></p>     <p>Frequentemente a primeira interven&#231;&#227;o &#233; realizada em situa&#231;&#227;o de crise, na maioria dos casos a pedido da vizinhan&#231;a pela inconveni&#234;ncia ou potencial risco que a situa&#231;&#227;o gera.<sup>10</sup> A aus&#234;ncia de consci&#234;ncia associada &#224; deteriora&#231;&#227;o social do doente faz com que o progn&#243;stico na comunidade seja negativo. Por outro lado, est&#227;o descritas altas taxas de mortalidade ap&#243;s internamento em hospital ou institui&#231;&#245;es sociais, embora os resultados de diferentes estudos na &#225;rea sejam discordantes.<sup>2,10</sup> </p>     <p>Assim, v&#225;rias podem ser as limita&#231;&#245;es para os cuidados a fornecer a estes indiv&#237;duos: a relut&#226;ncia em aceitar ajuda, a nega&#231;&#227;o que se trata de um problema de sa&#250;de e a dificuldade na interven&#231;&#227;o, uma vez que a remo&#231;&#227;o excessiva dos objetos, geralmente, est&#225; associada a uma ang&#250;stia consider&#225;vel, n&#227;o diminuindo o risco de o doente voltar a acumular. Acrescido a isto, n&#227;o existe legisla&#231;&#227;o que proteja o doente ou a comunidade envolvente. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa perspetiva sociointerventiva levantam-se in&#250;meras quest&#245;es, dilemas &#233;ticos e obst&#225;culos que assentam na urg&#234;ncia de buscar melhor compreens&#227;o destes doentes: equil&#237;brio entre o princ&#237;pio de autonomia e o princ&#237;pio da benefic&#234;ncia e a capacidade de <i>um continuum</i> estreito entre os direitos individuais com a responsabilidade para e com a comunidade. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <p>1. Almeida R, Ribeiro O. S&#237;ndrome de Di&#243;genes: revis&#227;o sistem&#225;tica da literatura (Diogenes syndrome: systematic literature review). Rev Port Sa&#250;de P&#250;blica. 2012;30(1):89-99. Portuguese</p>     <p>2. Stumpf BP, Rocha FL. S&#237;ndrome de Di&#243;genes (Diogenes syndrome). J Bras Psiquiatr. 2010;59(2):156-9. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>3. Biswas P, Ganguly A, Bala S, Nag F, Choudhary N, Sen S. Diogenes syndrome: a case report. Case Rep Dermatol Med. 2013;2013:ID595192.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361027&pid=S2182-5173201600020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Miss&#227;o para os Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios. Consulta aberta: consulta de agudos, n&#227;o programada versus consulta aberta no hospital e centro de sa&#250;de (Internet). Lisboa: Administra&#231;&#227;o Central do Sistema de Sa&#250;de; 2007. Available from: <a href="http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/Consulta_Aberta_MCSP_20071213.pdf" target="_blank">http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/Consulta_Aberta_MCSP_20071213.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361029&pid=S2182-5173201600020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>5. Irvine JD, Nwachukwu K. Recognizing Diogenes syndrome: a case report. BMC Res Notes. 2014;7:276.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361030&pid=S2182-5173201600020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>6. Carrato Vaz E, Mart&#237;nez Amor&#243;s R. S&#237;ndrome de Di&#243;genes: a prop&#243;sito de un caso (Diogenes syndrome: a case report). Rev Asoc Esp Neuropsiq. 2010;3(107):489-95. Spanish</p>     <!-- ref --><p>7. Amanullah S, Oomman SK, Datta SS. Diogenes syndrome revisited. German J Psychiatry. 2009;12(1):38-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361033&pid=S2182-5173201600020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Aires M, Paz AA. Necessidades de cuidados aos idosos no domic&#237;lio no contexto da estrat&#233;gia de sa&#250;de da fam&#237;lia. Rev Ga&#250;cha Enferm. 2008;29(1):83-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361035&pid=S2182-5173201600020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>9. Cruz MM, Bourget MM. A visita domicili&#225;ria na estrat&#233;gia de sa&#250;de da fam&#237;lia: conhecendo as percep&#231;&#245;es das fam&#237;lias (Home visiting in the family health strategy: investigating families&#8217; perceptions). Sa&#250;de Soc. S&#227;o Paulo. 2010;19(3):605-13. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>10. Soler Ros JJ, Lucha Fern&#225;ndez V, Palomar Llatas F, Fornes Pujalte B, Mu&#241;oz M&#225;&#241;ez V, Sierra Talamantes C. Sindrome de di&#243;genes y sus cuidados estandarizados (primera parte). Enferm Dermatol. 2010;4(10):8-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361038&pid=S2182-5173201600020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>11. Cerezo Ramirez N, Palma Gois JA. O s&#237;ndrome de Di&#243;genes (Di&#243;genes syndrome). Psilogos. 2006;3(2):51-6. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>12. Frank C, Misiaszek B. Approach to hoarding in family medicine: beyond reality television. Can Fam Physician. 2012;58(10):1087-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361041&pid=S2182-5173201600020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Badr A, Hossain A, Iqbal J. Diogenes syndrome: when self-neglect is nearly life threatening. Clin Geriatr. 2005;13(8):10-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361043&pid=S2182-5173201600020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>14. Cipriani G, Lucetti C, Vedovello M, Nuti A. Diogenes syndrome in patients suffering from dementia. Dialogues Clin Neurosci. 2012;14(4):455-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361045&pid=S2182-5173201600020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Albina Maria Rodrigues Oliveira</p>     <p>R. Penedo do Azeite, n.o 164</p>     <p>Silvares S&#227;o Martinho</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>4820-710 Fafe</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:bi_oliveira@hotmail.com">bi_oliveira@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>As autoras agradecem &#224; Dra. Irene Lopes pelo cuidado na revis&#227;o do artigo.</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>As autoras declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 11-08-2015</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 16-01-2016</b></p>     ]]></body>
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