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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Diagrama de Stacey: um exercício formativo em medicina geral e familiar]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Stacey Diagram: a formative exercise in family medicine]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Background: Ralph Stacey designed the Stacey diagram in 1995 to help in the analysis of decision-making in situations with different degrees of information, complexity, and uncertainty in management and leadership within organizations. British General Practitioners adapted this model to the medical field, with a focus on more complex and uncertain situations. This article describes a training exercise using the Stacey diagram in a clinical setting. Training objectives: We attempted to critically reflect on the factors that influence the decision-making process in medicine, to analyse the determinants of health problems in General Practice consultations using the Stacey diagram, to discuss the advantages and limitations arising from the use of guidelines and protocols in a training context, to strengthen the trainees' perceptions of the uniqueness of each person and the need for a reflective and critical attitude to deal with health problems, and to raise awareness of the influence of the personal characteristics of the physician in this process. Description: The exercise consisted of the analysis of the content of 30 sequential consultations in one week in a training program in general practice. The trainee placed each health problem encountered on the Stacey Diagram based on her perceptions and knowledge of available information about the problem and consensus regarding recommended actions. The results were discussed in the training group. Discussion: The diagram obtained illustrates diversity, heterogeneity, and the range of uncertainty and consensus associated with the health problems addressed. Nearly half of the health problems were placed in areas with higher complexity. Only one quarter of the problems were placed in the area that signifies greater certainty and greater consensus. The training group identified the advantages of the exercise, in particular support for the perception of uncertainty and clinical complexity, based on individual factors in some circumstances. This highlights the dynamic and subjective nature of the decision-making process in medicine. The replication of this exercise by a GP-trainee can increase self-awareness about the clinical decision making process and enhance perception of the influences of personal and situational determinants for each health problem. The authors suggests that other training groups should perform and discuss similar exercises as a training method to approach uncertainty and complexity in medicine in general and in general practice in particular.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>FORMA&#199;&#195;O</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Diagrama de Stacey: um exerc&#237;cio formativo em medicina geral e familiar</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The Stacey Diagram: a formative exercise in family medicine</b></font></p>     <p><b>Filipa Manuel*, Eunice Carrapi&#231;o**, V&#237;tor Ramos***</b></p>     <p>*M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF S&#227;o Jo&#227;o do Estoril, ACES de Cascais</p>     <p>**M&#233;dica Especialista de Medicina Geral e Familiar. USF S&#227;o Jo&#227;o do Estoril, ACES de Cascais</p>     <p>***M&#233;dico Especialista de Medicina Geral e Familiar. USF S&#227;o Jo&#227;o do Estoril, ACES de Cascais. Professor convidado da Escola Nacional de Sa&#250;de P&#250;blica (UNL)</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Enquadramento:</b> O Diagrama de <i>Stacey</i> foi conceptualizado por Ralph Stacey em 1995. Foi desenvolvido como auxiliar no processo de tomada de decis&#227;o em situa&#231;&#245;es com graus vari&#225;veis de informa&#231;&#227;o, incerteza e complexidade em problemas de gest&#227;o e lideran&#231;a nas organiza&#231;&#245;es. Posteriormente, alguns autores da &#225;rea da <i>general practice</i> brit&#226;nica aplicaram este modelo com enfoque especial na abordagem da incerteza e complexidade no processo de decis&#227;o cl&#237;nica. Tomando esta linha conceptual, os autores realizaram o exerc&#237;cio formativo que descrevem neste artigo.</p>     <p><b>Objetivos formativos:</b> a) refletir criticamente sobre os fatores que influenciam o processo de tomada de decis&#227;o em medicina; b) analisar, com a ajuda do Diagrama de <i>Stacey,</i> os determinantes associados aos problemas de sa&#250;de abordados em medicina geral e familiar (MGF); c) discutir, em contexto formativo, as vantagens e limita&#231;&#245;es do recurso a normas de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica, <i>guidelines</i> e protocolos; d) refor&#231;ar as perce&#231;&#245;es dos internos quanto &#224; singularidade de cada pessoa e &#224; exig&#234;ncia de uma atitude reflexiva e cr&#237;tica na abordagem por problemas; e) melhorar a autoconsci&#234;ncia quanto &#224; influ&#234;ncia das caracter&#237;sticas pessoais do m&#233;dico neste processo.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o:</b> O exerc&#237;cio consistiu na an&#225;lise, num dos est&#225;gios de MGF, do conte&#250;do de 30 consultas sequenciais numa semana. O interno, ap&#243;s an&#225;lise de cada situa&#231;&#227;o, posicionou no Diagrama de <i>Stacey</i> cada um dos problemas abordados, de acordo com as suas perce&#231;&#245;es e conhecimentos sobre a informa&#231;&#227;o dispon&#237;vel e o consenso atual quanto &#224;s interven&#231;&#245;es recomendadas. Os resultados foram discutidos no grupo de forma&#231;&#227;o.</p>     <p><b>Discuss&#227;o:</b> A mancha gr&#225;fica obtida no diagrama, ap&#243;s posicionamento dos problemas segundo a perce&#231;&#227;o do interno, ilustrou grande diversidade, heterogeneidade e amplitude de varia&#231;&#227;o de graus de incerteza e de consenso associados aos problemas abordados. Cerca de metade dos problemas foram colocados nas zonas de maior complexidade. Apenas um quarto foi colocado na zona que pressup&#245;e maior certeza e maior consenso. Na discuss&#227;o, o grupo formativo identificou as vantagens do exerc&#237;cio, designadamente na ajuda &#224; perce&#231;&#227;o da incerteza e da complexidade cl&#237;nica, pessoal e circunstancial de algumas situa&#231;&#245;es, sobressaindo o car&#225;ter din&#226;mico e intersubjetivo dos processos decisionais em contexto cl&#237;nico. A replica&#231;&#227;o do exerc&#237;cio pelos internos de MGF pode aumentar a sua autoconsci&#234;ncia quanto ao processo de racioc&#237;nio cl&#237;nico e refor&#231;ar a perce&#231;&#227;o da influ&#234;ncia dos determinantes pessoais e circunstanciais na abordagem de cada problema ou associa&#231;&#245;es de problemas de sa&#250;de. Os autores sugerem que outros grupos de forma&#231;&#227;o realizem e discutam entre si os resultados de exerc&#237;cios semelhantes, como m&#233;todo pedag&#243;gico na abordagem da incerteza e da complexidade em medicina, em especial na amplitude cl&#237;nica da MGF.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Forma&#231;&#227;o em Medicina Geral e Familiar; Incerteza; Complexidade; Medicina Geral e Familiar; Diagrama de <i>Stacey.</i></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Background:</b> Ralph Stacey designed the Stacey diagram in 1995 to help in the analysis of decision-making in situations with different degrees of information, complexity, and uncertainty in management and leadership within organizations. British General Practitioners adapted this model to the medical field, with a focus on more complex and uncertain situations. This article describes a training exercise using the Stacey diagram in a clinical setting.</p>     <p><b>Training objectives:</b> We attempted to critically reflect on the factors that influence the decision-making process in medicine, to analyse the determinants of health problems in General Practice consultations using the Stacey diagram, to discuss the advantages and limitations arising from the use of guidelines and protocols in a training context, to strengthen the trainees&#8217; perceptions of the uniqueness of each person and the need for a reflective and critical attitude to deal with health problems, and to raise awareness of the influence of the personal characteristics of the physician in this process.</p>     <p><b>Description:</b> The exercise consisted of the analysis of the content of 30 sequential consultations in one week in a training program in general practice. The trainee placed each health problem encountered on the Stacey Diagram based on her perceptions and knowledge of available information about the problem and consensus regarding recommended actions. The results were discussed in the training group. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discussion:</b> The diagram obtained illustrates diversity, heterogeneity, and the range of uncertainty and consensus associated with the health problems addressed. Nearly half of the health problems were placed in areas with higher complexity. Only one quarter of the problems were placed in the area that signifies greater certainty and greater consensus. The training group identified the advantages of the exercise, in particular support for the perception of uncertainty and clinical complexity, based on individual factors in some circumstances. This highlights the dynamic and subjective nature of the decision-making process in medicine. The replication of this exercise by a GP-trainee can increase self-awareness about the clinical decision making process and enhance perception of the influences of personal and situational determinants for each health problem. The authors suggests that other training groups should perform and discuss similar exercises as a training method to approach uncertainty and complexity in medicine in general and in general practice in particular.</p>     <p><b>Keywords:</b> Family Medicine Training; Uncertainty; Complexity; General Practice; Family Medicine; Stacey Diagram.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Enquadramento te&#243;rico</b></p>     <p>O Diagrama de <i>Stacey</i> foi conceptualizado por Ralph Stacey em 1995. Foi desenvolvido como auxiliar no processo de tomada de decis&#227;o perante situa&#231;&#245;es com graus vari&#225;veis de informa&#231;&#227;o e incerteza na gest&#227;o e lideran&#231;a de organiza&#231;&#245;es. Stacey tem vindo a desenvolver o seu modelo conceptual e interventivo.<sup>1-3</sup> Alguns autores da &#225;rea da medicina familiar brit&#226;nica <i>(general practice)</i> ensaiaram este modelo de an&#225;lise na sua &#225;rea m&#233;dica, com enfoque especial em consultas mais complexas.<sup>4-6</sup> Tomando esta linha conceptual, os autores realizaram o exerc&#237;cio formativo que descrevem neste artigo.</p>     <p>No Diagrama (<a href="#f1">Figura 1</a>), o eixo dos X representa o n&#237;vel decrescente de informa&#231;&#227;o e certeza percecionado pelo decisor sobre um problema, situa&#231;&#227;o e pessoa, incluindo o conhecimento cient&#237;fico dispon&#237;vel sobre causalidade e determinantes para abordar e compreender um dado problema. O eixo dos Y representa, tamb&#233;m por ordem decrescente, o grau de evid&#234;ncia ou consenso sobre como atuar em rela&#231;&#227;o a esse problema, desde situa&#231;&#245;es de grande consenso quanto &#224; a&#231;&#227;o adequada at&#233; situa&#231;&#245;es de grande controv&#233;rsia quanto ao que fazer.<sup>1-3</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n2/32n2a10f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Stacey considerou originariamente no seu Diagrama v&#225;rias &#225;reas e zonas (<a href="#f1">Figura 1</a>):<sup>1-3</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Zona 1.</b> Mais propensa &#224; &#171;decis&#227;o t&#233;cnica normalizada&#187;, por existirem maior certeza e maior consenso e, previsivelmente, maior evid&#234;ncia sobre efic&#225;cia e efici&#234;ncia. Aqui poder&#227;o localizar-se as situa&#231;&#245;es e problemas onde &#233; mais f&#225;cil aplicar normas de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica (NOC), a medicina baseada na evid&#234;ncia (MBE), <i>guidelines</i> e protocolos.<sup>4-6</sup></p>     <p><b>Zona 2.</b> Suscita &#171;decis&#245;es mais contingenciais&#187; por, apesar do grau de informa&#231;&#227;o ou evid&#234;ncia cient&#237;fica dispon&#237;veis, existir desacordo quanto ao que se deve fazer.<sup>4-6</sup></p>     <p><b>Zona 3.</b> Onde se requerem &#171;decis&#245;es mais cr&#237;ticas&#187; por, apesar dos n&#237;veis de consenso quanto ao que fazer, existir menor informa&#231;&#227;o ou certeza quanto a mecanismos de causalidade ou caracteriza&#231;&#227;o de situa&#231;&#227;o.<sup>4-6</sup></p>     <p><b>Zona 4.</b> Zona de maior &#171;complexidade&#187; pela interfer&#234;ncia de m&#250;ltiplos fatores e imprevisibilidade de efeitos e escassez de &#171;receitas feitas&#187;. Situa-se entre as zonas 1, 2, 3 e a zona de maior incerteza e controv&#233;rsias (zona 5). Aqui requere-se aten&#231;&#227;o mais abrangente, criatividade e inova&#231;&#227;o. Nesta zona, as NOC ou <i>guidelines</i> t&#234;m utilidade fraca ou nula e, quando consideradas em algum aspeto, devem ser vistas em fun&#231;&#227;o de cada pessoa, situa&#231;&#227;o, momento e atendendo &#224; rela&#231;&#227;o m&#233;dico-doente j&#225; constru&#237;da.<sup>4-6</sup></p>     <p><b>Zona 5.</b> Onde existe elevada incerteza e desacordo. Nela pode haver desorganiza&#231;&#227;o e contradi&#231;&#227;o de perce&#231;&#245;es e a&#231;&#245;es com maior risco de consequ&#234;ncias negativas e danos.<sup>4-6</sup></p>     <p>A &#225;rea percecionada como de maior seguran&#231;a (zonas 1, 2 e 3) corresponde a menor incerteza e a maior previsibilidade. Na &#225;rea de maior complexidade (zona 4) crescem a incerteza e a imprevisibilidade, requerendo integra&#231;&#227;o circunstancial de m&#250;ltiplas vari&#225;veis e confronto cr&#237;tico mais cuidadoso e prudente entre o conhecimento dispon&#237;vel, a realidade de cada pessoa e os seus contextos &#171;aqui e agora&#187;. A &#225;rea de maior risco de desintegra&#231;&#227;o e caos (zona 5) &#233; cr&#237;tica pela grande instabilidade, inseguran&#231;a e excessiva incerteza com riscos iminentes e imprevis&#237;veis para a sa&#250;de e seguran&#231;a do doente. Habitualmente requer aten&#231;&#227;o apurada, discuss&#227;o interpares, elevada prud&#234;ncia, recursos e a&#231;&#245;es excecionais.</p>     <p>A transla&#231;&#227;o da conceptualiza&#231;&#227;o de <i>Stacey</i> das &#225;reas socio-organizacionais para a medicina e seus processos decisionais &#233; apelativa e intuitiva, tendo sido ensaiada por v&#225;rios autores, em especial na &#225;rea da medicina geral e familiar (MGF).<sup>4-8</sup> Por&#233;m, deve ser aplicada com autoconsci&#234;ncia e sentido cr&#237;tico para evitar o seu uso como instrumento simplificador inapropriado. Com a devida cautela, o Diagrama pode ser &#250;til numa reflex&#227;o estruturada sobre aspetos e fatores em jogo no racioc&#237;nio de decis&#227;o face a um problema concreto, mas n&#227;o uma chave para a sua solu&#231;&#227;o. Esta perspetiva foi adquirida pelos autores no decurso de correspond&#234;ncia trocada com Ralph Stacey, em outubro de 2015.</p>     <p>O contacto com Ralph Stacey permitiu conhecer a sua vis&#227;o atual de como lidar com a incerteza e a complexidade. Stacey advertiu os autores para alguns inconvenientes do uso acr&#237;tico do seu Diagrama, simplificando inadequadamente os processos decisionais na tentativa ilus&#243;ria de contornar desafios e dificuldades face a situa&#231;&#245;es marcadas pela incerteza, pela mudan&#231;a e evolu&#231;&#227;o incessantes e pela imprevisibilidade determinada pela cont&#237;nua emerg&#234;ncia de fatores e influ&#234;ncias imposs&#237;veis de controlar - numa palavra, pela complexidade da vida e, portanto, da medicina. Consequentemente, o Diagrama de <i>Stacey</i> passou a ser visto pelos autores como um auxiliar da tomada de consci&#234;ncia dos n&#237;veis de certeza/incerteza e graus de consenso quanto ao que fazer face a determinado problema, numa pessoa singular, mas n&#227;o como um instrumento para gerar respostas ou solu&#231;&#245;es. </p>     <p>A sua aplica&#231;&#227;o consistiu em representar, num dado momento o posicionamento de um problema de sa&#250;de apresentado por uma pessoa num dado contexto e momento, admitindo a sua evolu&#231;&#227;o posicional em fun&#231;&#227;o da varia&#231;&#227;o de v&#225;rios fatores, inerentes ao m&#233;dico, &#224; pessoa e &#224; evolu&#231;&#227;o natural do problema ou doen&#231;a (<a href="#f1">Figura 1</a>). Em jogo est&#227;o sempre a intera&#231;&#227;o e integra&#231;&#227;o de m&#250;ltiplos aspetos e fatores, como:</p>     <p>1. O m&#233;dico cuida de pessoas, o que implica ter em conta v&#225;rios sistemas interrelacionados (<a href="#f2">Figura 2</a>): individual, familiar, organizacional, sistema comunit&#225;rio;<sup>8</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n2/32n2a10f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>2. Cada problema pode apresentar-se de forma indiferenciada, aguda ou com evolu&#231;&#227;o prolongada, com v&#225;rios determinantes associados, por vezes n&#227;o relacion&#225;veis com doen&#231;a org&#226;nica identific&#225;vel;<sup>8,10</sup></p>     <p>3. Frequentemente coexistem v&#225;rios problemas na mesma pessoa com os mais diversos graus de mecanismos de interliga&#231;&#227;o e efeitos emergentes;</p>     <p>4. Podem estar envolvidos comportamentos e estilos de vida, cuja g&#233;nese e modifica&#231;&#227;o s&#227;o muito complexas;<sup>8,11</sup></p>     <p>5. A ades&#227;o terap&#234;utica implica a participa&#231;&#227;o e o envolvimento ativo da pr&#243;pria pessoa. Por vezes, o <i>armamentarium terap&#234;utico</i> dispon&#237;vel &#233; insuficiente para determinados problemas, em particular os associados a elevado sofrimento, tendo muitas vezes na sua origem teias familiares, relacionais, laborais, sociais e econ&#243;micas;<sup>8</sup></p>     <p>6. A aplica&#231;&#227;o de tecnologia e a fragmenta&#231;&#227;o disciplinar aumentaram a complexidade das situa&#231;&#245;es como um todo.<sup>12</sup></p>     <p>Em suma, inerente ao processo de decis&#227;o cl&#237;nica encontra-se uma teia de fatores e aspetos determinantes relacionados com a pessoa, o m&#233;dico, a circunst&#226;ncia e o problema de sa&#250;de da pessoa. Estes fatores despertam incerteza e motivam a mobiliza&#231;&#227;o de recursos (e.g., discuss&#227;o interpares, envolvimento da fam&#237;lia e comunidade, referencia&#231;&#227;o, alarga-mento do tempo de consulta, etc.). De uma forma simplista contribuem, tamb&#233;m, para real&#231;ar a complexidade que pode surgir em consultas, o que condiciona uma vis&#227;o global, uma abordagem hol&#237;stica, centrada na pessoa e na sua circunst&#226;ncia.</p>     <p>O Diagrama de <i>Stacey</i> pode ser utilizado como um auxiliar neste processo de reflex&#227;o e an&#225;lise face a um problema de sa&#250;de. Contudo, o modo de o ver e de analisar deve ter em conta o todo da pessoa, a globalidade da sua situa&#231;&#227;o cl&#237;nica e dos seus contextos e circunst&#226;ncias. N&#227;o &#233; poss&#237;vel posicionar uma pessoa num Diagrama bidimensional e est&#225;tico, apenas nos &#233; poss&#237;vel posicionar a pessoa com um dado problema, num dado momento, integrada na sua rede de sistemas e em intera&#231;&#227;o com um determinado m&#233;dico.<sup>1-3</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Descri&#231;&#227;o do exerc&#237;cio</b></p>     <p>O exerc&#237;cio foi realizado durante um est&#225;gio de MGF do internato da especialidade, no &#226;mbito de um dos objetivos educacionais indicados pela coordena&#231;&#227;o do internato. Os seus objetivos formativos espec&#237;ficos foram:</p>     <p>a) Refletir criticamente sobre os fatores que influenciam o processo de tomada de decis&#227;o em medicina;</p>     <p>b) Analisar, com a ajuda do Diagrama, determinantes como: n&#237;vel de informa&#231;&#227;o; previsibilidade evolutiva e incerteza associadas ao diagn&#243;stico, progn&#243;stico, a&#231;&#245;es e resultados associados aos problemas de sa&#250;de abordados em MGF;</p>     <p>c) Discutir em contexto formativo as vantagens e limita&#231;&#245;es do recurso a normas de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica, <i>guidelines</i> e protocolos;</p>     <p>d) Refor&#231;ar as perce&#231;&#245;es dos internos quanto &#224; singularidade de cada pessoa e &#224; exig&#234;ncia de uma atitude reflexiva e cr&#237;tica na abordagem por problemas;</p>     <p>e) Melhorar a autoconsci&#234;ncia quanto &#224; influ&#234;ncia das caracter&#237;sticas pessoais do m&#233;dico neste processo.</p>     <p>O(s) potencial(ais) ganho(s) com a aplica&#231;&#227;o do exerc&#237;cio, na perspetiva da forma&#231;&#227;o do interno s&#227;o:</p>     <p>a) Treino de um racioc&#237;nio reflexivo sobre os fatores influenciadores do processo de tomada de decis&#227;o numa consulta;</p>     <p>b) Identifica&#231;&#227;o de necessidades pessoais de aprendizagem;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>c) Utiliza&#231;&#227;o do diagrama como instrumento auxiliador do processo reflexivo e formativo de um interno ou m&#233;dico especialista.</p>     <p>O exerc&#237;cio visou, em particular, aprofundar os temas da subjetividade/objetividade na decis&#227;o cl&#237;nica, bem como os da diversidade, abrang&#234;ncia, incerteza e complexidade em MGF. Este exerc&#237;cio serviu exclusivamente fins de aprendizagem e treino e n&#227;o deve ser visto nem interpretado como um estudo.</p>     <p>A metodologia do exerc&#237;cio consistiu na an&#225;lise do conte&#250;do de consultas de MGF no per&#237;odo de uma semana, que corresponderam a 30 consultas consecutivas, e posicionar cada um dos problemas abordados num ponto do Diagrama de <i>Stacey,</i> de acordo com as perce&#231;&#245;es e conhecimentos do interno sobre a informa&#231;&#227;o dispon&#237;vel e consenso atual quanto &#224;s interven&#231;&#245;es recomendadas. Os crit&#233;rios para posicionamento, tendo em conta os eixos do X e do Y, foram os determinados pela perce&#231;&#227;o subjetiva do interno. Os resultados foram discutidos em grupo de forma&#231;&#227;o e apresentados em reuni&#227;o de equipa da unidade de sa&#250;de. Foram posicionados no diagrama 52 problemas (<a href="#f3">Figura 3</a>, <a href="#q1">Quadro I</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n2/32n2a10f3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n2/32n2a10q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Estes n&#250;meros decorrem da realiza&#231;&#227;o de consultas consecutivas para o per&#237;odo de tempo estipulado para o exerc&#237;cio e incluem consultas de sa&#250;de do adulto, sa&#250;de infantil, planeamento familiar e sa&#250;de da mulher e consulta n&#227;o programada.</p>     <p><b>Discuss&#227;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A representa&#231;&#227;o obtida no Diagrama de <i>Stacey</i> representa uma &#171;mancha&#187; onde cerca de metade dos problemas foi posicionada nas &#225;reas de maior seguran&#231;a (zonas 1, 2 e 3). A restante metade dos problemas foi posicionada em zonas com maior incerteza e imprevisibilidade. Cerca de um quinto dos problemas foram posicionados na &#225;rea mais cr&#237;tica que Stacey designa no seu diagrama como zona de &#171;caos&#187; (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f4"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n2/32n2a10f4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Salienta-se o facto de cerca de metade dos problemas abordados terem sido percecionados fora dos quadrantes onde &#233; poss&#237;vel e mais f&#225;cil aplicar conhecimentos com maior evid&#234;ncia cient&#237;fica, designadamente os dispon&#237;veis em NOC e <i>guidelines.</i> A abordagem contextualizada destes problemas &#233; um dos grandes desafios da pr&#225;tica da MGF. Apela a uma maior prud&#234;ncia, a an&#225;lises, consultorias e discuss&#227;o interpares, ao envolvimento multidisciplinar, a atitudes de permanente questionamento cr&#237;tico e a uma abordagem sempre centrada na pessoa e nas suas circunst&#226;ncias. Em suma: maior conjuga&#231;&#227;o e integra&#231;&#227;o de conhecimentos, com envolvimento de outros recursos, profissionais e disciplinas.<sup>13</sup> De igual modo, surge como indispens&#225;vel o envolvimento e a participa&#231;&#227;o dos doentes para encontrar solu&#231;&#245;es satisfat&#243;rias.</p>     <p>A an&#225;lise qualitativa detalhada de cada situa&#231;&#227;o permite ao interno refletir e questionar sobre diversos &#226;ngulos o seu processo de an&#225;lise e decis&#227;o cl&#237;nica, como: o mesmo problema em pessoas, situa&#231;&#245;es e momentos diferentes pode ser percecionado em diferentes zonas do diagrama. Por exemplo:</p>     <p>1. O &#171;excesso de peso&#187; tanto pode ser posicionado na zona 1 se se tratar do motivo de consulta e reconhecido como um problema pelo(a) doente ou na zona 4 quando n&#227;o &#233; relevante para a pessoa e requer uma forma personalizada, cautelosa e indireta de o abordar;</p>     <p>2. A &#171;surdez&#187; pode cair na zona 5 quando, apesar de parecer que a consulta correu bem, com <i>feedback</i> positivo por parte da utente, no fim da mesma, a pessoa n&#227;o &#233; capaz de reproduzir a informa&#231;&#227;o veiculada. Esta situa&#231;&#227;o exemplifica um desencontro entre o desempenho do m&#233;dico e o efeito obtido. Mas a &#171;surdez&#187; pode tamb&#233;m ser posicionada noutras zonas, requerendo abordagens diversas e a busca de solu&#231;&#245;es com o envolvimento da pessoa e outros recursos como foi o caso de uma pu&#233;rpera surda, a habitar com m&#227;e alco&#243;lica e com receio de n&#227;o prestar os melhores cuidados ao filho devido &#224; sua defici&#234;ncia;</p>     <p>3. A &#171;hipertens&#227;o arterial&#187; tanto pode ser posicionada na zona 1 quando corresponde a hipertens&#227;o arterial essencial, bem controlada, ou ser colocada numa das zonas de maior complexidade noutra pessoa com problemas econ&#243;micos graves, sem possibilidade de comprar os f&#225;rmacos anti-hipertensores.</p>     <p>Portanto, muito para al&#233;m dos problemas ou entidades nosol&#243;gicas em si, s&#227;o de terminantes as caracter&#237;sticas de cada pessoa e dos seus contextos, circunst&#226;ncias e momento, bem como as perce&#231;&#245;es, os conhecimentos e a experi&#234;ncia de cada m&#233;dico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As <i>guidelines</i> e as NOC s&#227;o desenhadas para situa&#231;&#245;es ou doen&#231;as espec&#237;ficas, excluindo frequentemente as fases extremas da vida e as situa&#231;&#245;es de multimorbilidade, cada vez mais frequentes. Tamb&#233;m n&#227;o atendem aos contextos, &#224; singularidade e ao momento de cada pessoa. Por isso, sendo &#250;teis, devem ser usadas sempre com uma atitude de questionamento cr&#237;tico.<sup>14</sup></p>     <p>Por outro lado, &#233; nas zonas de maior incerteza e imprevisibilidade que a medicina sobressai como &#171;arte&#187;, que complementa a ci&#234;ncia e que questiona os conhecimentos existentes ou inexistentes, estimulando a sua evolu&#231;&#227;o. &#201; tamb&#233;m por esta via que podem surgir novas perguntas de investiga&#231;&#227;o, estimulando o ensaio de novos &#171;modos de ver&#187; e de &#171;fazer diferente&#187; e se produzem novos conhecimentos.</p>     <p>A aplica&#231;&#227;o do Diagrama de <i>Stacey</i> numa semana de consultas e a sua discuss&#227;o num grupo de forma&#231;&#227;o permitiu evidenciar caracter&#237;sticas, dilemas e exig&#234;ncias da pr&#225;tica cl&#237;nica da MGF, designadamente:</p>     <p>&#8226; A amplitude da dispers&#227;o quanto &#224; incerteza e imprevisibilidade associadas aos problemas que um m&#233;dico pode abordar num limitado per&#237;odo de tempo;</p>     <p>&#8226; O posicionamento de um dado problema na matriz depende da pessoa, das suas circunst&#226;ncias e momento, das perce&#231;&#245;es, conhecimentos e exig&#234;ncias do m&#233;dico e, tamb&#233;m, da natureza e est&#225;dio do problema na sua hist&#243;ria evolutiva natural,</p>     <p>&#8226; Cerca de metade dos problemas abordados foram percecionados, embora com dispers&#227;o, numa zona de maior certeza e maior seguran&#231;a para o cl&#237;nico;</p>     <p>&#8226; Em contrapartida, os restantes problemas (tamb&#233;m cerca de metade), por fatores pessoais, pela sua natureza, est&#225;dio evolutivo, comorbilidades associadas, polifarmacoterapia e outros fatores, foram percecionados e posicionados na matriz em zonas de maior incerteza e complexidade; </p>     <p>&#8226; Os autores recomendam a utiliza&#231;&#227;o do exerc&#237;cio tendo por base uma vis&#227;o alargada, considerando cada pessoa e a sua constela&#231;&#227;o de problemas;</p>     <p>&#8226; Dadas as limita&#231;&#245;es da mente humana, mesmo tendo a preocupa&#231;&#227;o de uma abordagem hol&#237;stica centrada na pessoa, a operacionaliza&#231;&#227;o do racioc&#237;nio cl&#237;nico com aplica&#231;&#227;o do conhecimento cient&#237;fico dispon&#237;vel remete inexoravelmente para uma fase anal&#237;tica por problemas, ainda que possa e deva passar a etapas mentais de integra&#231;&#227;o e tentativas de s&#237;ntese dos m&#250;ltiplos fatores e circunst&#226;ncias presentes;</p>     <p>&#8226; O posicionamento de cada problema no Diagrama depende, tamb&#233;m, das perce&#231;&#245;es, conhecimentos e experi&#234;ncia do m&#233;dico - processo com uma indissoci&#225;vel mistura de subjetividade/objetividade de que o m&#233;dico deve estar autoconsciente e ser capaz de um permanente questionamento reflexivo e cr&#237;tico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em conclus&#227;o: O Diagrama de <i>Stacey,</i> se usado acriticamente pode ser redutor e escamotear a contigencialidade, a coevolutividade e a incerteza inerentes a cada pessoa, suas circunst&#226;ncias, seus problemas de sa&#250;de, seus cuidadores e interven&#231;&#245;es terap&#234;uticas. Por&#233;m, o mesmo Diagrama usado com atitude cr&#237;tica serviu, neste exerc&#237;cio, como um instrumento facilitador de an&#225;lises e reflex&#245;es formativas como as descritas neste artigo. Por isso, os autores sugerem que outros internos ou m&#233;dicos especialistas realizem exerc&#237;cios id&#234;nticos, discutam interpares ou em comunidades formativas e comparem os seus resultados e reflex&#245;es com os partilhados neste artigo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Stacey RD, Griffin D, Shaw P. Complexity and management, fad or radical challenge to system thinking. London: Routledge; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361404&pid=S2182-5173201600020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 0415247616</p>     <!-- ref --><p>2. Stacey RD. Complexity and group processes: a radically social understanding of individuals. London: Routledge; 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361406&pid=S2182-5173201600020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9781138011977</p>     <!-- ref --><p>3. Stacey RD. The tools and techniques of leadership and management: meeting the challenge of complexity. London: Routledge; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361408&pid=S2182-5173201600020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 978041553118-4</p>     <!-- ref --><p>4. Griffiths F, Byrne D. General practice and the new science emerging from the theories of &#8216;chaos&#8217; and complexity. Br J Gen Pract. 1998;48(435):1697-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361410&pid=S2182-5173201600020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Innes AD, Campion PD, Griffiths FE. Complex consultations and the &#8216;edge of chaos. Br J Gen Pract. 2005;55(510):47-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361412&pid=S2182-5173201600020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>6. <a href="http://www.gp-training.net/" target="_blank">www.gp-training.net</a> - The GP education and training resource (homepage). Brad Cheek; 2016 Feb (cited 2015 Mar 15). Available from: <a href="http://www.gp-training.net/" target="_blank">http://www.gp-training.net/</a></p>     <!-- ref --><p>7. Ramos V. A consulta em sete passos: execu&#231;&#227;o e an&#225;lise cr&#237;tica de consultas em medicina geral e familiar. Lisboa: VFBM Comunica&#231;&#227;o; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361415&pid=S2182-5173201600020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9789898160225</p>     <p>8. Tudela M, Lobo FA, Ramos V. Desafios da complexidade em medicina geral e familiar (The challenges of complexity in family medicine). Rev Port Clin Geral. 2007;23(6):715-25. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>9. Stewart M. Patient-centered medicine: transforming the clinical method. 2nd ed. Abingdon: Radcliffe Medical Press; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361418&pid=S2182-5173201600020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9781857759815</p>     <!-- ref --><p>10. Nunes JM. Sintomas somatoformes em medicina geral e familiar (Dissertation). Lisboa: Faculdade de Ci&#234;ncias M&#233;dicas da Universidade Nova de Lisboa; 2012. Available from: <a href="http://run.unl.pt/handle/10362/10527" target="_blank">http://run.unl.pt/handle/10362/10527</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361420&pid=S2182-5173201600020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>11. Miller WR, Rollnick S. Motivational interviewing: helping people change. 3rd ed. New York: Guilford Press; 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361421&pid=S2182-5173201600020001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9781609182274</p>     <!-- ref --><p>12. Martin JC. O direito do doente &#224; informa&#231;&#227;o: contextos, pr&#225;ticas, satisfa&#231;&#227;o e ganhos em sa&#250;de (Dissertation). Porto: Instituto de Ci&#234;ncias Biom&#233;dicas Abel Salazar da Universidade do Porto; 2008. Available from: <a href="http://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/7251" target="_blank">http://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/7251</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361423&pid=S2182-5173201600020001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>13. Nicolescu B. O manifesto da transdisciplinaridade. S&#227;o Paulo: TRIOM; 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361424&pid=S2182-5173201600020001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>14. Greenhalgh T, Howick J, Maskrey N. Evidence based medicine: a movement in crisis? BMJ. 2014;348:g3725.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1361426&pid=S2182-5173201600020001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Filipa Melo da Silva Manuel</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Av. de Roma, n&#186;8 - 2&#186; esq. 1000-265 Lisboa</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:filipa.m.s.m@gmail.com">filipa.m.s.m@gmail.com</a> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 28-05-2015</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 03-04-2016</b></p>      ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
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<surname><![CDATA[Stacey]]></surname>
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<surname><![CDATA[Griffin]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
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