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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um caso de fagofobia: quando o medo nos consome]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Phagophobia or choking phobia is a psychiatric disorder characterized by the fear of suffocating or choking when swallowing food or tablets. It may lead to a refusal to eat. Little is known about the prevalence of this disease, but the diagnosis is often delayed and this may increase the risk of complications. Organic pathology and other eating disorders must be excluded. The therapy is multidisciplinary and the general practitioner has an important role in management. Case presentation: We report the case of a 10 year-old girl who was seen by her family doctor due to the sudden onset of dysphagia with solid food over a two-week period. She lost 22% of her body weight over the next two months. Physical examination and laboratory tests were normal. A pediatric consultant using a bio-psycho-social approach found &#8216;a fear of choking while eating'. She was referred to the child-psychiatry service of the local children's hospital with suspected anorexia nervosa and functional or organic dysphagia. With worsening of her clinical status with selective and restrictive feeding, including severe weight loss (26% of her previous body weight), she was hospitalized and later transferred to Magalhães Lemos psychiatric hospital. The diagnosis of phagophobia (choking phobia) was made and she was treated with antidepressant, anxiolytic, and antipsychotic medications. She also received cognitive behavioral therapy and clinical improvement was observed. Currently, she is receiving ongoing psychiatric treatment to help her to deal with her fear and to regain the weight she lost. Commentary: Early identification and referral of patients with this problem are essential. Knowledge of the differential diagnosis and available therapy are important. A trusting relationship between the family doctor and teenage patients is helpful for early detection of important signs. Coordination with secondary care services is necessary for close monitoring of these patients.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Fagofobia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Um caso de fagofobia: quando o medo nos consome</b></font></p>     <p><font size="3"><b>A case of phagophobia: when fear consumes us</b></font></p>     <p><b>Estela Rita Loureiro,<sup>1</sup> Ant&#243;nio Cruz Ferreira,<sup>2</sup> Joana Carvalho,<sup>3</sup> Maria Jo&#227;o Xar&#225;,<sup>4</sup> Iva Pimentel<sup>5</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar. ACES Baixo Mondego. UCSP Mealhada, Mealhada, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>M&#233;dico Especialista de Medicina Geral e Familiar. UCSP da Mealhada, ACES Baixo Mondego. Doutorando na Faculdade de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de da Universidade da Beira Interior</p>     <p><sup>3</sup>M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar. ACES Baixo Mondego. USF Buarcos, Figueira da Foz, Portugal</p>     <p><sup>4</sup>M&#233;dica interna de Medicina Geral e Familiar. UCSP Sul - Pinheiro da Bemposta, ACES entre Douro e Vouga II - Aveiro Norte</p>     <p><sup>5</sup>M&#233;dica Especialista de Medicina Geral e Familiar. ACES Baixo Mondego. UCSP Mealhada, Mealhada, Portugal</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A fagofobia ou <i>choking phobia</i> &#233; uma condi&#231;&#227;o psiqui&#225;trica caracterizada pelo medo de sufocar ou engasgar ao engolir alimentos ou comprimidos, associado a um estado de ansiedade que leva &#224; recusa alimentar, com preju&#237;zos potencialmente graves para a sa&#250;de. Pouco se sabe sobre a preval&#234;ncia desta doen&#231;a, mas o diagn&#243;stico &#233; frequentemente tardio, o que aumenta o risco de complica&#231;&#245;es. Deve ser exclu&#237;da patologia org&#226;nica e as perturba&#231;&#245;es do comportamento alimentar. A terap&#234;utica &#233; multidisciplinar e o papel do m&#233;dico de fam&#237;lia preponderante em todo o processo.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o:</b> Apresenta-se o caso cl&#237;nico de uma pr&#233;-adolescente de 10 anos. Recorreu &#224; consulta por disfagia permanente e n&#227;o progressiva para s&#243;lidos com duas semanas de evolu&#231;&#227;o e que, durante o seguimento em consulta, perdeu 22% do peso corporal em dois meses. N&#227;o se observaram altera&#231;&#245;es ao exame f&#237;sico nem nos exames complementares de diagn&#243;stico requisitados. Foi pedida consulta de pediatria geral e, em consulta, utilizando uma abordagem biopsicossocial, a doente referiu &#8220;medo de se engasgar a comer&#8221;. Foi, assim, encaminhada para o servi&#231;o de pedopsiquiatria do Hospital Pedi&#225;trico por suspeita de anorexia nervosa/disfagia de causa org&#226;nica ou funcional. Por manuten&#231;&#227;o da progressiva perda ponderal foi internada e, posteriormente, transferida para o Hospital Magalh&#227;es Lemos por manter alimenta&#231;&#227;o seletiva e restritiva e uma perda ponderal que atingiu os 26%. Foi feito o diagn&#243;stico de fagofobia e medicada com antidepressivo, ansiol&#237;tico e antipsic&#243;tico; iniciou tamb&#233;m terapia cognitivo-comportamental, apresentando melhoria cl&#237;nica e tendo tido alta ao fim de um m&#234;s. Atualmente mant&#233;m seguimento na consulta de pedopsiquiatria.</p>     <p><b>Coment&#225;rio:</b> &#201; imprescind&#237;vel a familiaridade dos m&#233;dicos de fam&#237;lia com a dete&#231;&#227;o precoce e abordagem apropriada da fagofobia. O conhecimento dos v&#225;rios diagn&#243;sticos diferenciais, assim como a referencia&#231;&#227;o e o conhecimento da terap&#234;utica, s&#227;o de extrema import&#226;ncia. A rela&#231;&#227;o de confian&#231;a entre o m&#233;dico e o adolescente coloca o m&#233;dico de fam&#237;lia na primeira linha de dete&#231;&#227;o dos sinais de alarme. A articula&#231;&#227;o com os cuidados de sa&#250;de secund&#225;rios reveste-se de particular interesse, o que permite um acompanhamento mais pr&#243;ximo destas patologias.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Fagofobia; <i>Choking phobia;</i> Ansiedade; Fobia Alimentar; Perturba&#231;&#227;o do Comportamento Alimentar.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> Phagophobia or choking phobia is a psychiatric disorder characterized by the fear of suffocating or choking when swallowing food or tablets. It may lead to a refusal to eat. Little is known about the prevalence of this disease, but the diagnosis is often delayed and this may increase the risk of complications. Organic pathology and other eating disorders must be excluded. The therapy is multidisciplinary and the general practitioner has an important role in management.</p>     <p><b>Case presentation:</b> We report the case of a 10 year-old girl who was seen by her family doctor due to the sudden onset of dysphagia with solid food over a two-week period. She lost 22% of her body weight over the next two months. Physical examination and laboratory tests were normal. A pediatric consultant using a bio-psycho-social approach found &#8216;a fear of choking while eating&#8217;. She was referred to the child-psychiatry service of the local children's hospital with suspected anorexia nervosa and functional or organic dysphagia. With worsening of her clinical status with selective and restrictive feeding, including severe weight loss (26% of her previous body weight), she was hospitalized and later transferred to Magalh&#227;es Lemos psychiatric hospital. The diagnosis of phagophobia (choking phobia) was made and she was treated with antidepressant, anxiolytic, and antipsychotic medications. She also received cognitive behavioral therapy and clinical improvement was observed. Currently, she is receiving ongoing psychiatric treatment to help her to deal with her fear and to regain the weight she lost.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Commentary:</b> Early identification and referral of patients with this problem are essential. Knowledge of the differential diagnosis and available therapy are important. A trusting relationship between the family doctor and teenage patients is helpful for early detection of important signs. Coordination with secondary care services is necessary for close monitoring of these patients.</p>     <p><b>Keywords:</b> Phagophobia; Choking phobia; Anxiety; Food Phobia; Eating Disorders; Dietary Restriction.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A fagofobia ou <i>choking phobia</i> &#233; uma entidade cl&#237;nica pouco frequente e que se caracteriza pela evic&#231;&#227;o de engolir alimentos s&#243;lidos, l&#237;quidos ou comprimidos, levando &#224; recusa alimentar, condicionada pelo medo de asfixiar, engasgar ou sufocar.<sup>1-3</sup> Muitas vezes &#233; tamb&#233;m chamada de fobia alimentar, mas este termo pode levar a confus&#245;es de diagn&#243;stico.</p>     <p>O conhecimento que se tem desta patologia baseia-se essencialmente nos poucos casos descritos na literatura. Segundo De Lucas-Taracena e colaboradores,<sup>4</sup> existem 41 casos descritos na literatura entre 1978 e 2005. A preval&#234;ncia &#233; ainda desconhecida; no entanto, parece ser mais frequente no sexo feminino e, apesar da grande variabilidade et&#225;ria (entre os 5 e os 78 anos), &#233; mais comum no in&#237;cio da inf&#226;ncia/adolesc&#234;ncia, verificando-se os casos mais graves nos doentes do sexo masculino.<sup>1-2,4</sup></p>     <p>T&#234;m sido v&#225;rias as dificuldades encontradas para a classifica&#231;&#227;o desta doen&#231;a. Na DSM-IV <i>(Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4<sup>th</sup> edition),</i><sup>5</sup> a fagofobia enquadrou-se na categoria das fobias espec&#237;ficas (anteriormente chamadas de fobias simples) no cap&#237;tulo das perturba&#231;&#245;es da ansiedade, respeitando, assim, os crit&#233;rios de diagn&#243;stico de uma fobia espec&#237;fica - outros tipos. Isto levou &#224; confus&#227;o com outros termos que se enquadravam tamb&#233;m nesta categoria, como a recusa alimentar, fobia alimentar, avers&#227;o pela comida, os comedores seletivos, transtorno alimentar de separa&#231;&#227;o, medo de comer.<sup>2,4-5</sup></p>     <p>Mais recentemente, na DSM-V <i>(5<sup>th</sup> edition),</i> a fagofobia aparece j&#225; no cap&#237;tulo dos dist&#250;rbios alimentares do tipo evitador/restritivo, definindo-se como uma dificuldade persistente em suprir as necessidades nutricionais devido a uma experi&#234;ncia traum&#225;tica (e.g., se existir um epis&#243;dio de engasgamento).<sup>1,6</sup> Com esta nova categoria pretende-se alargar os dist&#250;rbios alimentares al&#233;m da inf&#226;ncia e adolesc&#234;ncia e incluir todos os doentes que fazem restri&#231;&#227;o da ingest&#227;o alimentar, em associa&#231;&#227;o com sinais fisiol&#243;gicos de perda de peso, d&#233;fice nutricional, alimenta&#231;&#227;o ent&#233;rica ou por suplementa&#231;&#227;o e/ou problemas psicossociais, excluindo as situa&#231;&#245;es de anorexia nervosa e bulimia nervosa.</p>     <p>A fagofobia tem in&#237;cio normalmente num mecanismo desencadeante: geralmente um evento traum&#225;tico em que o doente se engasga com um osso, batatas, frutos secos, uma espinha, com carne ou at&#233; durante um epis&#243;dio de v&#243;mito. Este evento pode ser acompanhado de ataques de p&#226;nico que se manifestam por dificuldade respirat&#243;ria, sensa&#231;&#227;o de asfixia, tens&#227;o muscular durante as refei&#231;&#245;es. No entanto, tudo isto pode ocorrer sem que ocorra qualquer incidente traum&#225;tico. A exist&#234;ncia de comorbilidades concomitantes, como ansiedade, &#233; tamb&#233;m muito frequente.<sup>1,3-4</sup> A evic&#231;&#227;o em deglutir alimentos fundamentalmente s&#243;lidos pelo medo de sufocar ou asfixiar evolui para a recusa alimentar praticamente total.<sup>7</sup> Esta situa&#231;&#227;o ocorre sem que haja qualquer altera&#231;&#227;o ao exame f&#237;sico e com exames complementares de diagn&#243;stico (ECD&#8217;s) normais, que devem ser feitos para ajudar a excluir uma patologia de causa org&#226;nica. O diagn&#243;stico &#233; feito, por isso, muitas vezes tardiamente.</p>     <p>A descri&#231;&#227;o deste caso mostra-se especialmente relevante pelo facto de o diagn&#243;stico de fagofobia na pr&#225;tica cl&#237;nica ser desafiante e dif&#237;cil. &#201; essencial a exclus&#227;o de patologia org&#226;nica e, uma vez exclu&#237;da, &#233; frequente o erro diagn&#243;stico por confus&#227;o com outras patologias psiqui&#225;tricas, essencialmente com perturba&#231;&#245;es do comportamento alimentar como anorexia nervosa. No entanto, nestes doentes n&#227;o se consegue apurar preocupa&#231;&#227;o excessiva com o ganho ponderal ou distor&#231;&#227;o da autoimagem corporal.<sup>7</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A apresenta&#231;&#227;o deste caso cl&#237;nico tem como objetivo alertar os m&#233;dicos de fam&#237;lia para esta entidade que deve ser diagnosticada o mais c&#233;lere poss&#237;vel para se instituir um tratamento adequado e precoce, evitando, assim, a perda de peso excessiva associada &#224; restri&#231;&#227;o alimentar. Torna-se fundamental alertar os m&#233;dicos de fam&#237;lia para a necessidade de uma interven&#231;&#227;o multidisciplinar e refor&#231;ar a vertente dos cuidados continuados para preven&#231;&#227;o de reca&#237;das e orienta&#231;&#227;o do agregado familiar.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o de caso</b></p>     <p><b>Identifica&#231;&#227;o</b></p>     <p>Doente do sexo feminino, 10 anos, de nacionalidade portuguesa, a frequentar o 5.<sup>o</sup> ano de escolaridade sem dificuldades de aprendizagem at&#233; &#224; data, vive com os pais, pertencendo, assim, a uma fam&#237;lia nuclear constitu&#237;da atualmente por tr&#234;s elementos. A fam&#237;lia encontra-se na fase VI do ciclo de <i>Duvall</i> e &#233;, segundo a escala de <i>Graffar,</i> uma fam&#237;lia de classe m&#233;dia com um Apgar altamente funcional e apresenta crit&#233;rios de risco familiar baixo, segundo as escalas de <i>Seg&#243;via-Dreyer.</i></p>     <p>Na <a href="#f1">figura 1</a> representa-se o genograma da fam&#237;lia. Na hist&#243;ria familiar n&#227;o se verifica nenhum padr&#227;o de repeti&#231;&#227;o de doen&#231;as, embora n&#227;o se tenha conseguido apurar a causa de morte dos av&#243;s paternos e da tia paterna. Em rela&#231;&#227;o &#224; psicofigura de Mitchell, a doente tem uma excelente rela&#231;&#227;o com o pai e com a m&#227;e, uma rela&#231;&#227;o forte com o irm&#227;o e av&#243; materna e uma boa rela&#231;&#227;o com os tios maternos e namorada do irm&#227;o. No que se refere &#224; fam&#237;lia paterna tem muito pouco contacto, pelo que n&#227;o foram registadas graficamente as rela&#231;&#245;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n3/32n3a08f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Hist&#243;ria pessoal e familiar</b></p>     <p>Trata-se de uma utente seguida no m&#233;dico de fam&#237;lia desde o nascimento, com bom desenvolvimento estato-ponderal, regular e paralelo ao P<sub>75-90</sub> no peso e P<sub>50-75</sub> em estatura, com bom desenvolvimento psicomotor: boa adapta&#231;&#227;o social, com desenvolvimento intelectual adaptado &#224;s diferentes fases do desenvolvimento, sem revelar altera&#231;&#245;es da linguagem, audi&#231;&#227;o ou visuais ou altera&#231;&#245;es do comportamento durante toda a inf&#226;ncia. Cumpriu o PNV at&#233; &#224; idade atual sem vacinas extracalend&#225;rio. A diversifica&#231;&#227;o alimentar decorreu sem intercorr&#234;ncias, &#224; exce&#231;&#227;o de alguma dificuldade na introdu&#231;&#227;o dos alimentos s&#243;lidos durante a inf&#226;ncia, que ocorreu mais lentamente, mantendo alimenta&#231;&#227;o predominantemente com comida passada at&#233; cerca dos cinco anos. Cumpre atualmente cerca de cinco refei&#231;&#245;es/dia, com uma alimenta&#231;&#227;o muito condicionada pelo seu gosto pessoal (prefere a carne ao peixe, consumo de vegetais apenas espor&#225;dicos, alguns excessos em doces e bolos). Sem antecedentes pessoais patol&#243;gicos, incluindo antecedentes de patologia psiqui&#225;trica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O pai, com 48 anos, &#233; fumador e a m&#227;e, com 44 anos, &#233; saud&#225;vel. Tem ainda um irm&#227;o com 21 anos, saud&#225;vel e que j&#225; se encontra fora do agregado.</p>     <p>N&#227;o h&#225; conhecimento da exist&#234;ncia de antecedentes familiares de patologia do foro psiqui&#225;trico. </p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o de caso</b></p>     <p>A doente veio &#224; consulta de sa&#250;de infantil no dia 14 de junho de 2010 ap&#243;s iniciar um quadro de disfagia para s&#243;lidos, de in&#237;cio s&#250;bito, com duas semanas de evolu&#231;&#227;o, em que s&#243; tolerava alimentos l&#237;quidos ou pastosos. Negava odinofagia, perda de apetite, astenia, v&#243;mitos, refluxo gastroesof&#225;gico, enfartamento p&#243;s-prandial ou epis&#243;dio de engasgamento pr&#233;vio. Negava qualquer fator desencadeante. Apenas referia que notava alguma perda de peso, mas que n&#227;o sabia quantificar. Ao exame objetivo n&#227;o se verificou qualquer altera&#231;&#227;o. Apresentava um peso de 37,5Kg, estatura de 146cm, verificando-se assim um &#237;ndice de massa corporal de 17,6kg/m<sup>2</sup> (P50-75). Identificaram-se, como problemas, disfagia e perda de peso.</p>     <p>Foram solicitados exames complementares de diagn&#243;stico (ECD): an&#225;lises com hemograma, bioqu&#237;mica, uma endoscopia digestiva alta (EDA) e ecografia da tiroide. E foi referenciada &#224; consulta de pediatria geral do Hospital Pedi&#225;trico de Coimbra (HPC).</p>     <p>A doente regressou &#224; consulta 15 dias depois e nas an&#225;lises efetuadas n&#227;o se encontrou qualquer altera&#231;&#227;o (hemograma normal, provas de fun&#231;&#227;o hep&#225;tica normais, fun&#231;&#227;o renal e hormonas tiroideias sem altera&#231;&#245;es). A ecografia da tiroide relatava apenas algumas forma&#231;&#245;es anecog&#233;nicas milim&#233;tricas, as maiores com 4mm, que n&#227;o justificavam a cl&#237;nica. A EDA revelou: eritema do corpo e antro g&#225;strico, sem outras altera&#231;&#245;es. Ao exame objetivo verificou-se a perda de 2kg de peso, em 15 dias. Foi medicada com esomeprazol, 20mg uma vez por dia.</p>     <p>Cerca de 15 dias depois foi &#224; consulta de pediatria geral. Mantinha o mesmo quadro de disfagia para s&#243;lidos (agora com dois meses de evolu&#231;&#227;o), de in&#237;cio s&#250;bito, n&#227;o progressivo, sem dificuldades na degluti&#231;&#227;o de alimentos l&#237;quidos ou pastosos. Pela primeira vez, a utente referiu na consulta que dias antes do in&#237;cio deste episodio se tinha engasgado a comer uma bolacha. Negava qualquer epis&#243;dio de ansiedade pr&#233;vio e que pudesse coincidir com o fim do ano letivo, pois as queixas mantiveram-se ap&#243;s terminar o mesmo. N&#227;o conseguiu tomar o esomeprazol por serem comprimidos. Negava sensa&#231;&#227;o de corpo estranho na orofaringe, mas referia uma sensa&#231;&#227;o de aperto quando engolia e por esse motivo evitava, mantendo assim uma anorexia marcada. Apresentava algum conflito alimentar com a m&#227;e, devido &#224; insist&#234;ncia desta para que se alimentasse.</p>     <p>Quando questionada, a utente aparentemente mantinha uma imagem corporal conservada, sem que isso lhe causasse excessiva preocupa&#231;&#227;o. Nesta consulta pesava 33,5kg, o que correspondia a uma perda de peso de 11% em um m&#234;s. Neste momento colocavam-se, como hip&#243;teses de diagn&#243;stico, anorexia nervosa, disfagia de causa funcional ou disfagia de causa ps&#237;quica, conflito alimentar m&#227;e-filha. A disfagia de causa mec&#226;nica conseguiu-se excluir pela aus&#234;ncia de altera&#231;&#245;es aos ECD efetuados.</p>     <p>Na segunda consulta de pediatria, um m&#234;s depois, procurou-se fazer uma abordagem biopsicossocial. A utente falava do irm&#227;o e demonstrava tristeza por ele ter sa&#237;do de casa. Explicou que, ap&#243;s o epis&#243;dio de engasgamento, ficou com medo de que voltasse acontecer e que pudesse morrer. Ficou ainda evidente a exist&#234;ncia de um conflito alimentar com a m&#227;e, que provavelmente j&#225; se arrastava desde a inf&#226;ncia, na altura da introdu&#231;&#227;o de alimentos s&#243;lidos. Apurou-se ainda que n&#227;o apresentava distor&#231;&#227;o da imagem corporal e mantinha uma autoestima preservada. Nesta consulta, o peso era de 29,5kg, o que significava uma perda de 22% em dois meses.</p>     <p>A utente foi encaminhada para consulta de pedopsiquiatria e psicoterapia, duas vezes por semana, onde manteve o seguimento. Cerca de um m&#234;s depois foi internada por m&#225; evolu&#231;&#227;o cl&#237;nica em ambulat&#243;rio, mantendo uma perda de peso acentuada, motivada pelas cont&#237;nuas restri&#231;&#245;es alimentares por &#8220;medo de se engasgar&#8221;, associadas a comportamentos regressivos e sugestivos de ansiedade agravados por um conflito cada vez mais marcado com a m&#227;e.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Durante o internamento iniciou plano alimentar rigoroso, psicoterapia e algumas restri&#231;&#245;es nas visitas. Ao 10.<sup>o</sup> dia de internamento, por n&#227;o haver melhoria cl&#237;nica, havendo inclusive uma perda de 1,5kg (total de 26% de perda ponderal em tr&#234;s meses), iniciou sertralina 25mg uma vez por dia. Ao 14.<sup>o</sup> dia foi transferida para o departamento de pedopsiquiatria no Hospital Magalh&#227;es Lemos, no Porto.</p>     <p>Nesse internamento foi sujeita a restri&#231;&#227;o rigorosa das visitas familiares, plano alimentar que cumpria rigorosamente e, durante o internamento, ia obtendo ganhos de acordo com o seu comportamento e colabora&#231;&#227;o. Para al&#233;m do antidepressivo, que manteve, introduziu-se no internamento medica&#231;&#227;o ansiol&#237;tica e antipsic&#243;tica: diazepam 5mg 2id, antes das refei&#231;&#245;es e olanzapina 2,5mg id.</p>     <p>Ao longo do internamento verificou-se boa evolu&#231;&#227;o cl&#237;nica ap&#243;s introdu&#231;&#227;o de terap&#234;utica farmacol&#243;gica, com diminui&#231;&#227;o dos n&#237;veis de ansiedade antes das refei&#231;&#245;es e recupera&#231;&#227;o do peso pr&#233;vio a este quadro. &#192; data de alta, um m&#234;s depois, apresentava um peso de 36kg, com um IMC no P<sub>50</sub> para a sua idade. O diagn&#243;stico definitivo foi de fagofobia e manteve seguimento regular em consulta de psicoterapia duas vezes por semana no HPC, tendo tido alta, medicada apenas com sertralina 25mg.</p>     <p>Em 2011, ap&#243;s uma queda de bicicleta e fratura do membro superior, teve uma reca&#237;da com repercuss&#227;o no peso e aumento dos n&#237;veis de ansiedade antes das refei&#231;&#245;es, com o retorno do medo de morrer por engasgamento. No entanto, com ajuste de medica&#231;&#227;o foi poss&#237;vel o controlo sem necessidade de internamento.</p>     <p>Atualmente mant&#233;m as consultas de pedopsiquiatria e psicoterapia regular e encontra-se medicada apenas com sertralina. Apresenta, atualmente, um IMC&gt;P<sub>97</sub>, localizando-a na faixa da obesidade.</p>     <p><b>Coment&#225;rio</b></p>     <p>A escolha deste caso cl&#237;nico torna-se pertinente por se tratar de uma patologia pouco frequente e de dif&#237;cil diagn&#243;stico diferencial, tanto com patologia de causa org&#226;nica como com os dist&#250;rbios do comportamento alimentar, como a anorexia nervosa. Importa ainda salientar que, por ser uma patologia pouco reconhecida, o seu diagn&#243;stico pode ser tardio com consequ&#234;ncias potencialmente graves para o doente.</p>     <p>Nem sempre o diagn&#243;stico &#233; pass&#237;vel de ser feito numa fase inicial e, apontando este caso para uma causa mais prov&#225;vel do foro psiqui&#225;trico, tornava-se, ainda assim, imprescind&#237;vel a exclus&#227;o de um motivo org&#226;nico ou funcional com recurso aos ECD. Um exame imprescind&#237;vel &#233; a realiza&#231;&#227;o da endoscopia digestiva alta, que nos permite ajudar a excluir patologias como a acal&#225;sia, contra&#231;&#227;o difusa do es&#243;fago, &#250;lcera g&#225;strica ou refluxo gastroesof&#225;gico. A realiza&#231;&#227;o da ecografia da tiroide exclui-nos a exist&#234;ncia de uma massa extr&#237;nseca que pudesse causar aperto ao n&#237;vel da orofaringe. Exclui-se tamb&#233;m uma disfagia funcional ou globus hist&#233;rico, uma vez que se identifica o medo de engasgar ao engolir; na disfagia funcional apenas surge a dificuldade em engolir.<sup>2,4</sup></p>     <p>Outros ECD a considerar seriam a realiza&#231;&#227;o de pHmetria e a manometria para exclus&#227;o de refluxo gastroesof&#225;gico ou altera&#231;&#245;es da motilidade esof&#225;gica e ainda exames contrastados, como a esofagografia para exclus&#227;o de corpo estranho, anomalias anat&#243;micas, acal&#225;sia ou a exist&#234;ncia de estenose esof&#225;gica.</p>     <p>A fagofobia, numa fase inicial e ap&#243;s a exclus&#227;o de causa org&#226;nica, faz tamb&#233;m diagn&#243;stico diferencial com os dist&#250;rbios do comportamento alimentar, especialmente com a anorexia nervosa, pela cl&#237;nica apresentada: predom&#237;nio no sexo feminino, evic&#231;&#227;o e recusa de certos alimentos, perda de peso secund&#225;ria a restri&#231;&#227;o alimentar, situa&#231;&#245;es prolongadas e muitas vezes associada a sintomas obsessivo-compulsivos.<sup>8</sup> No entanto, n&#227;o se apura na fagofobia a distor&#231;&#227;o da imagem corporal, sendo muitas vezes os pr&#243;prios doentes que reconhecem o seu baixo peso e que, n&#227;o se sentindo bem, procuram ajuda para tratamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este caso &#233; importante tamb&#233;m para destacar o papel fundamental do m&#233;dico de fam&#237;lia em fazer uma referencia&#231;&#227;o atempada dos casos mais urgentes. Uma vez que se trata de uma patologia que envolve uma abordagem multidisciplinar e tendo em conta a rela&#231;&#227;o m&#233;dico/doente privilegiada do m&#233;dico de fam&#237;lia, este tem o dever de fazer uma integra&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o, prestando apoio e esclarecendo todas as d&#250;vidas junto da utente e da fam&#237;lia.</p>     <p>Por outro lado, ao fazermos uma interpreta&#231;&#227;o retrospetiva deste caso podemos retirar algumas conclus&#245;es no sentido de melhorar a pr&#225;tica cl&#237;nica, nomeadamente destacar a import&#226;ncia dos cuidados antecipat&#243;rios e da dete&#231;&#227;o precoce de erros educacionais que podem ser fulcrais no desenvolvimento futuro das crian&#231;as.</p>     <p>Em rela&#231;&#227;o &#224; terap&#234;utica pouco ainda se sabe baseado na evid&#234;ncia, mas o que parece ter melhores resultados &#233; a terapia cognitivo-comportamental combinada com alguns f&#225;rmacos, como antidepressivos (sendo que os inibidores da recapta&#231;&#227;o da serotonina s&#227;o os preferidos) e associa&#231;&#227;o com benzodiazepinas, que t&#234;m um papel mais preponderante na diminui&#231;&#227;o dos n&#237;veis de ansiedade, principalmente antes das refei&#231;&#245;es.<sup>1,3-4,8</sup></p>     <p>&#201; igualmente importante a integra&#231;&#227;o da fam&#237;lia no plano de tratamento, especialmente em crian&#231;as e adolescentes, sendo este um fator essencial para o sucesso da terap&#234;utica. Destaca-se, assim, o m&#233;dico de fam&#237;lia como essencial na integra&#231;&#227;o necess&#225;ria para atingir o sucesso terap&#234;utico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Lopes R, Melo R, Curral R, Coelho R, Roma-Torres A. A case of choking phobia: towards a conceptual approach. Eat Weight Disord. 2014;19(1):125-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362406&pid=S2182-5173201600030000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. McNally RJ. Choking phobia: a review of the literature. Compr Psychiatry. 1994;35(1):83-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362408&pid=S2182-5173201600030000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>3. Scemes S, Wielenska RC, Savoia MG, Bernik M. Choking phobia: full remission following behavior therapy. Rev Bras Psiquiatr. 2009;31(3):257-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362410&pid=S2182-5173201600030000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>4. De Lucas-Taracena MT, Monta&#241;&#233;s-Rada F. Fobia a tragar: cl&#237;nica, diagn&#243;stico y tratamiento (Swallowing phobia: symptoms, diagnosis and treatment). Actas Esp Psiquiatr. 2006;34(5):309-16. Spanish</p>     <!-- ref --><p>5. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders - DSM-IV-TR. 4th ed. Washington, DC: APA; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362413&pid=S2182-5173201600030000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9780890420256</p>     <!-- ref --><p>6. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders - DSM-5. 5th ed. Arlington, VA: APA; 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362415&pid=S2182-5173201600030000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9780890425541</p>     <p>7. Silva VG, Papelbaum M. Fobia alimentar associada a magreza: um diagnostico diferencial com anorexia nervosa (Low weight associated with food phobia: a differential diagnosis with anorexia nervosa). J Bras Psiquiatr. 2009;58(3):205-8. Portuguese</p>     <p>8. Bailly D, de Chouly de Lenclave MB, Dhaussy S, Baert F, Turck D. La phobie de d&#233;glutition chez l'enfant: un diagnostic diff&#233;rentiel de l'anorexie mentale (Choking phobia in childhood: a differential diagnosis with anorexia nervosa). Arch Pediatr. 2003;10(4):337-39. French </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Estela Rita Lima Bandeira Loureiro</p>     <p>Rua Dr. Jos&#233; Tarroso Gomes, 17, Frai&#227;o</p>     <p>4715-592 Braga, Portugal</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:estelaritaloureiro@hotmail.com">estelaritaloureiro@hotmail.com</a> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 28-07-2015</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 05-04-2016</b></p>      ]]></body><back>
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