<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2182-5173</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev Port Med Geral Fam]]></abbrev-journal-title>
<issn>2182-5173</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2182-51732016000300009</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um caso de penfigóide gestacional]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Pemphigoid gestationis: a case report]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Raquel]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luciana]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Meneses]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,UCSP São Mamede  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<volume>32</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>217</fpage>
<lpage>221</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732016000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732016000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732016000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Descrição do caso: O penfigóide gestacional é uma dermatose bolhosa da gravidez rara. Inicia-se no 2.º/3.º trimestre de gestação ou no pós-parto imediato. Apresentamos um caso clínico de uma mulher de 31 anos, 2G1P, grávida, vigiada na Unidade Funcional. Pertencente a família nuclear, na fase III do ciclo de Duvall e classe média de Graffar. Sem antecedentes pessoais ou familiares relevantes. Com 18 semanas e dois dias de gestação recorreu a consulta de intersubstituição por prurido generalizado, tendo sido medicada com um anti-histamínico oral de primeira geração. No entanto, por agravamento das queixas e aparecimento de vesículas periumbilicais, recorreu a várias instituições de saúde no espaço de um mês, com diagnósticos diversos. Por fim, foi feito o diagnóstico de penfigóide gestacional e iniciou tratamento com corticoterapia endovenosa. Durante a gravidez realizaram-se várias tentativas de redução da dose do corticoide oral com agravamento das lesões, o que impossibilitou a sua suspensão. No 3.º dia pós-parto houve novo agravamento do quadro clínico. Atualmente, a utente mantém lesões que agravam com a tentativa de suspensão da corticoterapia. Sublinha-se a importância do exame objetivo no diagnóstico, bem como de um elevado índice de suspeição, especialmente importante em patologias menos frequentes como o caso descrito, para que a grávida seja orientada adequadamente. O médico de família deve igualmente estar atento à possibilidade da recorrência da dermatose numa gestação seguinte que é, habitualmente, mais precoce e mais grave.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Case description: Pemphigoid gestationis is a rare autoimmune bullous disease occurring in pregnant women. The disease presents in the second or third trimester of pregnancy or during the postpartum period. A 31 year-old woman, G2P1, at 18 weeks and two days of gestation, presented at an urgent consultation with generalized pruritus. She was treated initially with a first generation oral anti-histaminic without improvement. When symptoms worsened and a periumbilical eruption appeared, the patient consulted with several doctors in different institutions and received a number of different diagnoses. One month later, she was diagnosed with pemphigoid gestationis and began treatment with intravenous corticosteroids. During the pregnancy, several attempts were made to reduce the dose of oral corticosteroids without success. On the third day postpartum there was a flare-up of the disease. The patient still presents with skin blisters to this day. It is important for family physicians to be aware of this condition, to know how to perform a relevant clinical examination, and to refer the pregnant woman with these complaints for additional testing to exclude other diagnoses. It is also important to be alert to the possibility of recurrence in subsequent pregnancies, in which the condition may appear earlier and with greater severity.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Penfigóide Gestacional]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Diagnóstico]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Gestão]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Pemphigoid Gestationis]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Diagnosis]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Management]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Um caso de penfig&#243;ide gestacional</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Pemphigoid gestationis: a case report</b></font></p>     <p><b>Ana Raquel Marques,* Luciana Monteiro,** Maria Meneses***</b></p>     <p>*M&#233;dica Interna de MedicinaGeral e Familiar. UCSP S&#227;o Mamede</p>     <p>**M&#233;dica Assistente Graduada S&#233;nior de Medicina Geral e Familiar. UCSP S&#227;o Mamede</p>     <p>***M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar. UCSP S&#227;o Mamede</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> O penfig&#243;ide gestacional &#233; uma dermatose bolhosa da gravidez rara. Inicia-se no 2.<sup>o</sup>/3.<sup>o</sup> trimestre de gesta&#231;&#227;o ou no p&#243;s-parto imediato. Apresentamos um caso cl&#237;nico de uma mulher de 31 anos, 2G1P, gr&#225;vida, vigiada na Unidade Funcional. Pertencente a fam&#237;lia nuclear, na fase III do ciclo de Duvall e classe m&#233;dia de Graffar. Sem antecedentes pessoais ou familiares relevantes. Com 18 semanas e dois dias de gesta&#231;&#227;o recorreu a consulta de intersubstitui&#231;&#227;o por prurido generalizado, tendo sido medicada com um anti-histam&#237;nico oral de primeira gera&#231;&#227;o. No entanto, por agravamento das queixas e aparecimento de ves&#237;culas periumbilicais, recorreu a v&#225;rias institui&#231;&#245;es de sa&#250;de no espa&#231;o de um m&#234;s, com diagn&#243;sticos diversos. Por fim, foi feito o diagn&#243;stico de penfig&#243;ide gestacional e iniciou tratamento com corticoterapia endovenosa. Durante a gravidez realizaram-se v&#225;rias tentativas de redu&#231;&#227;o da dose do corticoide oral com agravamento das les&#245;es, o que impossibilitou a sua suspens&#227;o. No 3.<sup>o</sup> dia p&#243;s-parto houve novo agravamento do quadro cl&#237;nico. Atualmente, a utente mant&#233;m les&#245;es que agravam com a tentativa de suspens&#227;o da corticoterapia. Sublinha-se a import&#226;ncia do exame objetivo no diagn&#243;stico, bem como de um elevado &#237;ndice de suspei&#231;&#227;o, especialmente importante em patologias menos frequentes como o caso descrito, para que a gr&#225;vida seja orientada adequadamente. O m&#233;dico de fam&#237;lia deve igualmente estar atento &#224; possibilidade da recorr&#234;ncia da dermatose numa gesta&#231;&#227;o seguinte que &#233;, habitualmente, mais precoce e mais grave.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Penfig&#243;ide Gestacional; Diagn&#243;stico; Gest&#227;o.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Case description:</b> Pemphigoid gestationis is a rare autoimmune bullous disease occurring in pregnant women. The disease presents in the second or third trimester of pregnancy or during the postpartum period. A 31 year-old woman, G2P1, at 18 weeks and two days of gestation, presented at an urgent consultation with generalized pruritus. She was treated initially with a first generation oral anti-histaminic without improvement. When symptoms worsened and a periumbilical eruption appeared, the patient consulted with several doctors in different institutions and received a number of different diagnoses. One month later, she was diagnosed with pemphigoid gestationis and began treatment with intravenous corticosteroids. During the pregnancy, several attempts were made to reduce the dose of oral corticosteroids without success. On the third day postpartum there was a flare-up of the disease. The patient still presents with skin blisters to this day. It is important for family physicians to be aware of this condition, to know how to perform a relevant clinical examination, and to refer the pregnant woman with these complaints for additional testing to exclude other diagnoses. It is also important to be alert to the possibility of recurrence in subsequent pregnancies, in which the condition may appear earlier and with greater severity. </p>     <p><b>Keywords:</b> Pemphigoid Gestationis; Diagnosis; Management.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso</b></p>     <p>Relata-se um caso de uma utente do sexo feminino, 31 anos, caucasiana, casada, 2G1P, primeira gravidez sem intercorr&#234;ncias em 2010. Auxiliar em jardim-de-inf&#226;ncia, inserida numa fam&#237;lia nuclear em fase III do ciclo de Duvall, pertencente &#224; classe m&#233;dia de Graffar. Sem antecedentes pessoais ou familiares relevantes. N&#227;o pratica atividade f&#237;sica regularmente e tem uma alimenta&#231;&#227;o diversificada. Sem medica&#231;&#227;o habitual.</p>     <p>Em agosto de 2014, gr&#225;vida de sete semanas e quatro dias, iniciou consultas de vigil&#226;ncia de sa&#250;de materna na Unidade Funcional (UF). Trata-se de uma gravidez que decorreu sem intercorr&#234;ncias at&#233; &#224;s 18 semanas e dois dias, altura em que a utente recorreu a consulta de intersubstitui&#231;&#227;o por prurido generalizado, tendo sido medicada com um anti-histam&#237;nico oral de primeira gera&#231;&#227;o (hidroxizina 25mg, toma &#250;nica di&#225;ria). &#192;s 19 semanas e tr&#234;s dias de gesta&#231;&#227;o, por manuten&#231;&#227;o do prurido generalizado e aparecimento de ves&#237;culas na regi&#227;o periumbilical, recorreu ao Servi&#231;o de Atendimento de Situa&#231;&#245;es Urgentes (SASU) (<a href="#f1">Figura 1</a>). Ap&#243;s observa&#231;&#227;o m&#233;dica foi levantada a suspeita de se tratar de uma escabiose. Dada a necessidade de diagn&#243;stico diferencial e tratamento espec&#237;fico de poss&#237;vel escabiose, e por se tratar de uma gestante, foi encaminhada para o servi&#231;o de urg&#234;ncia (SU), ao cuidado da dermatologia. Ap&#243;s observa&#231;&#227;o foi feito o diagn&#243;stico de herpes simples na regi&#227;o periumbilical e prurigo estr&#243;fulo nos membros inferiores. &#192;s 20 semanas vem a consulta programada de vigil&#226;ncia da gravidez na UF, apresentando-se muito ansiosa e preocupada, referindo a manuten&#231;&#227;o das les&#245;es d&#233;rmicas pruriginosas na regi&#227;o periumbilical e relatando a ida ao SU. Por ter iniciado terap&#234;utica dirigida h&#225; sensivelmente tr&#234;s dias, a m&#233;dica de fam&#237;lia (MF) tranquiliza a gr&#225;vida e opta por manuten&#231;&#227;o do tratamento, vigil&#226;ncia das les&#245;es d&#233;rmicas com indica&#231;&#227;o de a contactar, caso as les&#245;es n&#227;o se resolvessem nos pr&#243;ximos dias, e repouso com aus&#234;ncia da atividade laboral. No entanto, por agravamento da sintomatologia com dissemina&#231;&#227;o das ves&#237;culas para tronco e membros tr&#234;s dias depois (<a href="#f2">Figura 2</a>), a utente recorre a m&#233;dico dermatologista do setor privado que interpretou o quadro como um impetigo e medica com flucloxacilina oral e &#225;cido fus&#237;dico t&#243;pico. Apesar dos m&#250;ltiplos tratamentos, a sintomatologia manteve-se e a ansiedade da utente era crescente. Recorre, com 21 semanas de gesta&#231;&#227;o, ao SU do hospital de &#225;rea de resid&#234;ncia. Foi observada por obstetr&#237;cia que pediu colabora&#231;&#227;o ao servi&#231;o de dermatologia. A utente foi observada no mesmo dia e ficou internada com a hip&#243;tese diagn&#243;stica de penfig&#243;ide gestacional. Iniciou de imediato corticoterapia endovenosa. Durante o internamento realizou bi&#243;psia cut&#226;nea &#224;s les&#245;es, que revelou moderado edema intersticial e forma&#231;&#227;o de bolha subepid&#233;rmica; o estudo por imunofluoresc&#234;ncia direta (IF) mostrou positividade linear basal para C3c, compat&#237;vel com penfig&#243;ide gestacional. Teve alta para o domic&#237;lio ap&#243;s quatro dias de internamento, com 21 semanas e quatro dias, e foi medicada com prednisolona oral 30mg/dia e hidroxizina na dose de 25mg di&#225;rias, e orientada para consulta externa de obstetr&#237;cia e dermatologia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n3/32n3a09f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n3/32n3a09f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&#192;s 24 semanas de gesta&#231;&#227;o recorreu a consulta n&#227;o programada na UF com melhorias vis&#237;veis das les&#245;es cut&#226;neas anteriormente observadas, com manuten&#231;&#227;o da dose de 30mg/dia de prednisolona e apresentando v&#225;rias d&#250;vidas sobre o seu diagn&#243;stico, que procurou esclarecer junto da sua MF. </p>     <p>Durante a gravidez manteve consultas de vigil&#226;ncia a n&#237;vel hospitalar, mas sempre mantendo contacto com a sua MF, preferencialmente, via correio eletr&#243;nico inclusivamente, com envio de fotografias com retrato da evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a. Entretanto, realizaram-se v&#225;rias tentativas de redu&#231;&#227;o da dose do corticoide oral com agravamento das les&#245;es cut&#226;neas (<a href="#f3">Figura 3</a>), mantendo uma dose de 20mg/dia de prednisolona no final da gravidez. O parto eut&#243;cico ocorreu &#224;s 39 semanas de gesta&#231;&#227;o no seu hospital de resid&#234;ncia, sem intercorr&#234;ncias, com nascimento de rec&#233;m-nascido do sexo masculino com peso e estatura adequados. Houve recidiva das les&#245;es ao terceiro dia p&#243;s-parto, apesar do aumento da dose de prednisolona (60mg/dia) no per&#237;odo periparto, com r&#225;pida melhoria da sintomatologia. Atualmente, a utente mant&#233;m les&#245;es residuais com dez meses de evolu&#231;&#227;o ap&#243;s o parto, que agravam com a tentativa de suspens&#227;o da corticoterapia, mantendo uma dose m&#237;nima de 10mg de prednisolona em dias alternados e ciclosporina 200mg/dia nos &#250;ltimos quatro meses. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n3/32n3a09f3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discuss&#227;o</b></p>     <p>Desde o in&#237;cio do quadro, a utente recorreu a m&#250;ltiplas consultas num per&#237;odo inferior a dois meses: na UF teve com a sua MF duas consultas programadas e uma consulta n&#227;o programada, assim como uma consulta de intersubstitui&#231;&#227;o e uma consulta no SASU com outros m&#233;dicos; recorreu duas vezes ao SU hospitalar e uma vez a m&#233;dico dermatologista no setor privado. Neste contexto foram-lhe receitados, como descrito, m&#250;ltiplos tratamentos.</p>     <p>O penfig&#243;ide gestacional, tamb&#233;m conhecido como <i>herpes gestationis,</i> &#233; uma dermatose bolhosa rara de etiologia autoimune, cuja preval&#234;ncia varia entre 1:7.000 e 1:50.000.<sup>1</sup> A sua etiologia ainda n&#227;o est&#225; esclarecida, mas pensa-se que deriva de uma resposta imunol&#243;gica contra a express&#227;o aberrante de mol&#233;culas MHC classe II (provavelmente de origem paterna) na placenta e, posteriormente, uma rea&#231;&#227;o cruzada com antig&#233;nios cut&#226;neos.<sup>1-3</sup> Ocorre produ&#231;&#227;o de autoanticorpos (sobretudo IgG1, conhecido como <i>fator herpes gestationis</i>), que se ligam ao complemento circulante e atuam nos hemidesmossomas da jun&#231;&#227;o dermo-epid&#233;rmica, levando &#224; forma&#231;&#227;o de bolhas subepid&#233;rmicas, do epit&#233;lio cori&#243;nico e amni&#243;tico.<sup>1,3-5</sup> A patofisiologia &#233; similar &#224; do p&#234;nfigo bolhoso que envolve imunoglobulina G dirigida ao hemidesmossoma transmembranar 180-kDa.</p>     <p>O penfig&#243;ide gestacional inicia-se, habitualmente, no segundo ou terceiro trimestre da gravidez (em m&#233;dia, &#224;s 21 semanas de gesta&#231;&#227;o) ou no p&#243;s-parto imediato (em cerca de 15-25% dos casos).<sup>1,3,5</sup> O prurido &#233; o sintoma predominante e as les&#245;es iniciam-se tipicamente na regi&#227;o umbilical e periumbilical em 50% dos casos e estendem-se a outras &#225;reas do tronco e membros, frequentemente atingindo as palmas das m&#227;os e as plantas dos p&#233;s.<sup>1</sup> Caracteriza-se pelo aparecimento de p&#225;pulas e placas urticariformes que adquirem um aspeto polic&#237;clico ou em-alvo e que evoluem para uma erup&#231;&#227;o bolhosa generalizada, com bolhas tensas, sobre pele eritematosa ou s&#227;,1 como verificado com esta utente. O diagn&#243;stico &#233; feito por bi&#243;psia cut&#226;nea com achados histol&#243;gicos de bolha subepid&#233;rmica e &#224; IF, considerada <i>gold-standard</i> para o diagn&#243;stico, achados de deposi&#231;&#227;o linear de C3 ao longo da membrana basal em todos os casos.<sup>1,3,6</sup> A utente em quest&#227;o &#233;, pois, uma paciente que se encaixa nos crit&#233;rios diagn&#243;sticos do penfig&#243;ide gestacional, como descrito anteriormente.</p>     <p>O curso natural da doen&#231;a &#233; caracterizado por exacerba&#231;&#245;es e remiss&#245;es durante a gravidez, com habitual ocorr&#234;ncia de exacerba&#231;&#227;o no per&#237;odo p&#243;s-parto (75% dos casos).<sup>1</sup> O tratamento do penfig&#243;ide gestacional passa por corticoterapia sist&#233;mica na dose de 0,5 a 1mg/kg/dia (habitualmente em doses iguais ou superiores a 30mg/dia) com controlo sintom&#225;tico em at&#233; 30 a 50% das mulheres.<sup>7-8</sup> O tratamento desta utente passou pelo uso de corticoides sist&#233;micos, numa dose de 30mg de prednisolona di&#225;ria. Apesar de a corticoterapia sist&#233;mica estar associada a altas taxas de efeitos adversos na gravidez, como abortamento, parto pr&#233;-termo, rec&#233;m-nascido de baixo peso, quando usada em gr&#225;vidas com asma agudizada, alergias ou doen&#231;a inflamat&#243;ria intestinal, o mesmo parece n&#227;o se verificar em gr&#225;vidas com penfig&#243;ide gestacional.<sup>7</sup> Chi e colaboradores,<sup>7</sup> num estudo de coorte retrospetivo em 2009, que incluiu 61 gr&#225;vidas com penfig&#243;ide gestacional, mostraram n&#227;o existir associa&#231;&#227;o estatisticamente significativa entre o aparecimento de efeitos adversos na gravidez e o tratamento com prednisolona na dose de at&#233; 60mg/dia, inclusivamente. Este estudo refere ainda que a prednisolona &#233; a op&#231;&#227;o de escolha preferida durante a gravidez, pois &#233; grandemente inativada a n&#237;vel da placenta, enquanto outros corticoides, como a betametasona e a dexametasona, que atravessam a placenta, devem ser evitados pois representam toxicidade adicional para o feto.<sup>2,7</sup> Relembra-se que quer as doses elevadas de corticoide oral durante a gravidez, quer o quadro inflamat&#243;rio inerente ao penfig&#243;ide gestacional representam um fator de risco para rutura prematura de membranas, parto pr&#233;-termo e atraso de crescimento intrauterino e, como tal, torna-se vital uma vigil&#226;ncia da gravidez ao n&#237;vel dos cuidados de sa&#250;de secund&#225;rios (CSS), com consultas de vigil&#226;ncia mais frequentes.<sup>2,7</sup> Felizmente, a gravidez desta utente decorreu sem mais intercorr&#234;ncias e o rec&#233;m-nascido apresentou peso e estatura adequados, sem altera&#231;&#245;es cut&#226;neas vis&#237;veis. Apesar de ser dif&#237;cil realizar uma avalia&#231;&#227;o do risco fetal e neonatal da penfig&#243;ide gestacional, pela raridade da doen&#231;a, atualmente existem dados recentes que indicam um relativo bom progn&#243;stico fetal, apenas com tend&#234;ncia a parto pr&#233;-termo em 20% dos casos e de baixo peso &#224; nascen&#231;a.<sup>2</sup> A doen&#231;a neonatal &#233; observada em 10% das crian&#231;as nascidas de m&#227;es com penfig&#243;ide gestacional, sendo habitualmente moderada e com resolu&#231;&#227;o espont&#226;nea em dias a semanas.<sup>2</sup> Tipicamente apresenta-se como uma urtic&#225;ria eritematosa ou <i>rash</i> vesicular que resulta da transfer&#234;ncia materna de imunoglobulinas.<sup>2</sup></p>     <p>Durante o tratamento, a dose de prednisolona deve ser aumentada no per&#237;odo periparto para prevenir a exacerba&#231;&#227;o comum que ocorre ap&#243;s o parto, como aconteceu neste caso, com aumento da dose para 60mg por dia; no entanto, sem sucesso na preven&#231;&#227;o da exacerba&#231;&#227;o da sintomatologia e com a agravante de ter impossibilitado a amamenta&#231;&#227;o do rec&#233;m-nascido. No entanto, ap&#243;s o parto, doses de prednisolona at&#233; 20mg/dia s&#227;o consideradas seguras para amamenta&#231;&#227;o.<sup>6</sup> Posteriormente, a utente reduziu a dose de corticoide oral para 10mg por dia numa fase inicial e, posteriormente, para dias alternados com controlo da sintomatologia.</p>     <p>O quadro tem tend&#234;ncia a resolver espontaneamente em algumas semanas a meses.<sup>1</sup> O penfig&#243;ide gestacional &#233;, por defini&#231;&#227;o, considerado cr&#243;nico quando a dermatose tem dura&#231;&#227;o superior a seis meses no per&#237;odo p&#243;s-parto, o que apenas foi reportado em cerca de 20 casos<sup>1</sup> e que se trata do caso desta utente. Dez meses ap&#243;s o parto, a utente mant&#233;m les&#245;es cut&#226;neas residuais e mant&#233;m tratamento com corticoterapia oral em dose baixa e terap&#234;utica imunossupressora.</p>     <p>De referir ainda que o penfig&#243;ide gestacional tem tend&#234;ncia a recorrer em gravidezes subsequentes, numa fase mais inicial da gesta&#231;&#227;o e com aumento da severidade da sintomatologia,<sup>6</sup> devendo o MF informar a utente sobre esta possibilidade e fornecer o aconselhamento anticoncecional adequado. Dois meses ap&#243;s o parto, a utente recorreu a consulta de planeamento familiar (PF), agendada pela pr&#243;pria. A utente apresentava muitas d&#250;vidas em rela&#231;&#227;o &#224; orienta&#231;&#227;o em PF. Teve alta da consulta de obstetr&#237;cia ap&#243;s consulta de revis&#227;o de puerp&#233;rio, com indica&#231;&#227;o de uso de preservativo e, segundo a utente, com orienta&#231;&#227;o para recorrer a consulta de PF com a MF para decis&#227;o do m&#233;todo contracetivo, a optar entre a coloca&#231;&#227;o de dispositivo intrauterino de cobre e a laquea&#231;&#227;o de trompas. Por manter tratamento com corticoterapia oral e les&#245;es cut&#226;neas residuais em estudo, ap&#243;s fornecida toda a informa&#231;&#227;o sobre os dois m&#233;todos e sobre a poss&#237;vel evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a numa pr&#243;xima gravidez, a utente optou por realizar laquea&#231;&#227;o de trompas. Para a utente, o receio de ter uma nova gravidez com as mesmas, ou at&#233; mais graves, intercorr&#234;ncias supera o desejo de ter mais um filho. A utente foi convocada para realizar laquea&#231;&#227;o de trompas em janeiro de 2016, mantendo at&#233; essa data o uso de preservativo como m&#233;todo contracetivo. Atualmente, a utente refere agravamento das les&#245;es cut&#226;neas durante a menstrua&#231;&#227;o. Uma associa&#231;&#227;o forte estabelecida entre o penfig&#243;ide gestacional com determinantes hormonais, nomeadamente gravidez, menstrua&#231;&#227;o e contracetivos orais, juntamente com a predisposi&#231;&#227;o HLA, sugere um mecanismo patog&#233;nico complexo modulado por regula&#231;&#227;o hormonal e suscetibilidade gen&#233;tica.<sup>2</sup> A progesterona deprime a produ&#231;&#227;o de anticorpos e pode atuar como fator inibit&#243;rio para o penfig&#243;ide gestacional.<sup>2</sup> Tal comportamento hormonal pode explicar a usual piora do quadro nas &#250;ltimas semanas de gesta&#231;&#227;o, em que os n&#237;veis de progesterona aumentam e a subsequente melhora no p&#243;s-parto imediato, quando os n&#237;veis de progesterona decaem para os valores habituais. Isto &#233; consistente com o curso natural da doen&#231;a com relativa remiss&#227;o no final do terceiro trimestre seguida de agravamento no per&#237;odo p&#243;s-parto.<sup>2</sup> Os n&#237;veis de progesterona tamb&#233;m diminuem no per&#237;odo pr&#233;-menstrual, o que pode justificar o agravamento da doen&#231;a que ocorre neste per&#237;odo, como a utente refere. Pela exist&#234;ncia desta regula&#231;&#227;o hormonal no penfig&#243;ide gestacional n&#227;o &#233; poss&#237;vel considerar nenhum m&#233;todo contracetivo hormonal pelo risco prov&#225;vel de exacerba&#231;&#227;o da doen&#231;a.</p>     <p>Existe ainda nestas utentes um risco aumentado de doen&#231;a de Graves (10% das doentes comparado com 0,4% dos controlos), que n&#227;o se desenvolve simultaneamente com o penfig&#243;ide gestacional, mas posteriormente, ao qual o MF deve estar atento. Atualmente, a utente mant&#233;m contacto com a sua MF sobre a evolu&#231;&#227;o da sua doen&#231;a via correio eletr&#243;nico e presencialmente em consultas de vigil&#226;ncia de sa&#250;de infantil quando acompanha o filho.</p>     <p>Em conclus&#227;o, as caracter&#237;sticas cl&#237;nicas, em particular o timing de in&#237;cio, a morfologia e a localiza&#231;&#227;o das les&#245;es, s&#227;o dados essenciais para o diagn&#243;stico, o qual deve ser apoiado no estudo histopatol&#243;gico e, em particular, nos achados espec&#237;ficos da IF e dos resultados laboratoriais. S&#227;o atualmente consideradas dermatoses espec&#237;ficas da gravidez o penfig&#243;ide gestacional, a erup&#231;&#227;o polimorfa da gravidez, a colestase intra-hep&#225;tica da gravidez e a erup&#231;&#227;o at&#243;pica da gravidez.<sup>1</sup> O diagn&#243;stico atempado e o tratamento direcionado s&#227;o essenciais para prevenir complica&#231;&#245;es que, apesar de raras, podem estar associadas a significativa comorbilidade materno-fetal.<sup>1</sup> Apesar de muitas vezes o prurido ser o principal sintoma das dermatoses espec&#237;ficas da gravidez, o MF tamb&#233;m deve considerar que o prurido pode surgir associado a outras dermatoses que ocorrem, por coincid&#234;ncia, durante a gravidez (e.g., pitir&#237;ase r&#243;sea, infe&#231;&#245;es cut&#226;neas, urtic&#225;ria, eczema).<sup>1</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O caso cl&#237;nico descrito anteriormente retrata uma utente com diagn&#243;stico de penfig&#243;ide gestacional no segundo trimestre de gravidez. Apesar de existir uma tend&#234;ncia para rec&#233;m-nascidos com baixo peso e prematuridade (20%), o penfig&#243;ide gestacional n&#227;o foi associado a maior mortalidade fetal ou do rec&#233;m nascido.<sup>1-2</sup> Os riscos fetais n&#227;o diminuem com a institui&#231;&#227;o precoce do tratamento e pensa-se estarem associados a um certo grau de insufici&#234;ncia placent&#225;ria.<sup>1-2</sup> </p>     <p>O presente caso pretende alertar para o diagn&#243;stico de uma condi&#231;&#227;o pouco frequente: o penfig&#243;ide gestacional. A presen&#231;a desta dermatose implica o acompanhamento da gravidez nos CSS, pelas poss&#237;veis implica&#231;&#245;es para o feto. A quest&#227;o inicial foi a interpreta&#231;&#227;o do prurido generalizado numa gr&#225;vida, considerando unicamente dermatoses que podem afetar a popula&#231;&#227;o geral em mais do que uma observa&#231;&#227;o m&#233;dica. Sublinha-se, assim, a import&#226;ncia do exame objetivo no diagn&#243;stico, bem como a um elevado &#237;ndice de suspei&#231;&#227;o, especialmente importante em patologias menos frequentes como a que aqui se apresenta. &#201; necess&#225;rio que o MF se encontre sensibilizado para que proceda a uma articula&#231;&#227;o atempada com os CSS e a utente possa beneficiar do tratamento e da vigil&#226;ncia adequados da sua gravidez.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <p>1. Teixeira V, Coutinho I, Gameiro R, Vieira R, Gon&#231;alo M. Dermatoses espec&#237;ficas da gravidez (Specific dermatoses of pregnancy). Acta Med Port. 2013;26(5):593-600. Portuguese </p>     <!-- ref --><p>2. Semkova K, Black M. Pemphigoid gestationis: current insights into pathogenesis and treatment. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2009;145(2):138-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362488&pid=S2182-5173201600030000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>3. Intong LR, Murrell DF. Pemphigoid gestationis: pathogenesis and clinical features. Dermatol Clin. 2011;29(3):447-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362490&pid=S2182-5173201600030000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>4. Schmidt E, Zillikens D. Pemphigoid diseases. Lancet. 2013;381(9863):320-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362492&pid=S2182-5173201600030000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Intong LR, Murrell DF. Pemphigoid gestationis: current management. Dermatol Clin. 2011;29(4):621-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362494&pid=S2182-5173201600030000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Bergman H, Melamed N, Koren G. Pruritus in pregnancy: treatment of dermatoses unique to pregnancy. Can Fam Physician. 2013;59(12):1290-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362496&pid=S2182-5173201600030000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Chi CC, Wang SH, Charles-Holmes R, Ambros-Rudolph C, Powell J, Jenkins R, et al. Pemphigoid gestationis: early onset and blister formation are associated with adverse pregnancy outcomes. Br J Dermatol. 2009;160(6):1222-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1362498&pid=S2182-5173201600030000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>8. Ingen-Housz-Oro S, Bedane C, Prost C, Joly P, Bernard P. Pemphigoid gestationis: guidelines for the diagnosis and treatment (Centres de r&#233;f&#233;rence des maladies bulleuses auto-immunes, Soci&#233;t&#233; Fran&#231;aise de Dermatologie). Ann Dermatol Venereol. 2011;138(3):264-6.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ana Raquel Marques</p>     <p>R. Vasco Lima Couto, entrada 63 - A14, 4250-494 Porto</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:dr.ana.marques@gmail.com">dr.ana.marques@gmail.com</a> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>As autoras declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 14-08-2015</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 01-06-2016</b></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Teixeira]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Coutinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[I]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gameiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Vieira]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalo]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dermatoses específicas da gravidez]]></article-title>
<source><![CDATA[Acta Med Port]]></source>
<year>2013</year>
<volume>26</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>593-600</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Semkova]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Black]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Pemphigoid gestationis: current insights into pathogenesis and treatment]]></article-title>
<source><![CDATA[Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol]]></source>
<year>2009</year>
<volume>145</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>138-44</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Intong]]></surname>
<given-names><![CDATA[LR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Murrell]]></surname>
<given-names><![CDATA[DF]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Pemphigoid gestationis: pathogenesis and clinical features]]></article-title>
<source><![CDATA[Dermatol Clin]]></source>
<year>2011</year>
<volume>29</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>447-52</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schmidt]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zillikens]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Pemphigoid diseases]]></article-title>
<source><![CDATA[Lancet]]></source>
<year>2013</year>
<volume>381</volume>
<numero>9863</numero>
<issue>9863</issue>
<page-range>320-32</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Intong]]></surname>
<given-names><![CDATA[LR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Murrell]]></surname>
<given-names><![CDATA[DF]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Pemphigoid gestationis: current management]]></article-title>
<source><![CDATA[Dermatol Clin]]></source>
<year>2011</year>
<volume>29</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>621-8</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bergman]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Melamed]]></surname>
<given-names><![CDATA[N]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Koren]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Pruritus in pregnancy: treatment of dermatoses unique to pregnancy]]></article-title>
<source><![CDATA[Can Fam Physician]]></source>
<year>2013</year>
<volume>59</volume>
<numero>12</numero>
<issue>12</issue>
<page-range>1290-4</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chi]]></surname>
<given-names><![CDATA[CC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wang]]></surname>
<given-names><![CDATA[SH]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Charles-Holmes]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ambros-Rudolph]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Powell]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Jenkins]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Pemphigoid gestationis: early onset and blister formation are associated with adverse pregnancy outcomes]]></article-title>
<source><![CDATA[Br J Dermatol]]></source>
<year>2009</year>
<volume>160</volume>
<numero>6</numero>
<issue>6</issue>
<page-range>1222-8</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ingen-Housz-Oro]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bedane]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Prost]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Joly]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bernard]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Pemphigoid gestationis: guidelines for the diagnosis and treatment]]></article-title>
<source><![CDATA[Ann Dermatol Venereol]]></source>
<year>2011</year>
<volume>138</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>264-6</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
