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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Desafios e oportunidades do sistema     inform&#225;tico</b></font></p>       <p><b>Maria Jos&#233; Ribas*</b></p>       <p>*M&#233;dica de     fam&#237;lia. USF Garcia de Orta, Porto.</p>       <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Muito se tem     dito sobre o papel dos computadores na nossa pr&#225;tica cl&#237;nica. As opini&#245;es s&#227;o     geralmente inflamadas, baseiam-se na nossa experi&#234;ncia e denotam o desgaste dos     profissionais com as exig&#234;ncias que estes meios trazem a uma especialidade     muito complexa. Este editorial &#233; uma reflex&#227;o pessoal sobre os desafios e     oportunidades que nos colocam.</p>       <p>Aviso: gosto     de usar computadores, <i>gadgets,</i> aplica&#231;&#245;es e afins, acredito que n&#227;o t&#234;m nada contra mim, n&#227;o deixo que me     irritem, n&#227;o acredito que tenham sentimentos e, por isso, n&#227;o acordam de manh&#227;     para me infernizar a vida. N&#227;o deixo que interfiram com o bem-estar dos meus     doentes, defendo o seu uso como ferramentas ao meu servi&#231;o e dos utentes e n&#227;o     o contr&#225;rio. Acredito que tenho o direito de ser feliz no trabalho, que posso     fazer alguma coisa para melhorar os problemas e, por &#250;ltimo, que h&#225; coisas mais     importantes na vida.</p>       <p>H&#225; 15 anos     atr&#225;s, a nossa vida era um inferno de papel. Era virtualmente imposs&#237;vel saber     com rigor que patologias prevaleciam na comunidade, que medicamentos     prescrev&#237;amos, que diagn&#243;sticos faz&#237;amos e apenas os obsessivos entre n&#243;s     tinham uma p&#225;lida ideia das caracter&#237;sticas da sua lista.</p>       <p>Atualmente,     entre aplica&#231;&#245;es de uso di&#225;rio e outras de uso menos frequente, contamos     dezasseis, todas elas ligadas &#224; pr&#225;tica cl&#237;nica. Poucas est&#227;o integradas; a     maioria n&#227;o comunica entre si e exige abertura de novas janelas, introdu&#231;&#227;o de     novos <i>logins</i> e palavras-chave ou     repeti&#231;&#227;o de dados j&#225; registados noutro lado.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Devemos     exigir que todas estas aplica&#231;&#245;es sejam integradas, evitando a sua     multiplica&#231;&#227;o, e que tenham um mesmo aspeto ou interface para que a sua     utiliza&#231;&#227;o seja intuitiva.</p>       <p>Hoje em dia     baseamos decis&#245;es nacionais ou locais muito importantes nos nossos registos. Os     registos s&#227;o um dever e s&#227;o um direito. O direito que temos de mostrar que     fazemos bem, de medir o nosso desempenho, de prestar contas aos nossos utentes.     N&#243;s, os respons&#225;veis por esses registos, sabemos qu&#227;o dif&#237;cil &#233; manter uma     lista de problemas atualizada, colocar as datas do diagn&#243;stico certas, retirar     problemas que j&#225; passaram. E o que registamos &#233; &#250;til para o m&#233;dico e para o     doente na consulta seguinte? Quando usamos exclusivamente c&#243;digos da     classifica&#231;&#227;o internacional sabemos o que se passou naquela consulta? O que     fazemos ter&#225; de facto impacto na sa&#250;de da popula&#231;&#227;o?</p>       <p>Devemos     poder ter, de forma autom&#225;tica, f&#225;cil e em tempo real, os dados do nosso     trabalho para tomar decis&#245;es sobre as necessidades da nossa popula&#231;&#227;o.</p>       <p>Deve     tornar-se poss&#237;vel classificar problemas de forma autom&#225;tica, rever a     perman&#234;ncia de determinados problemas na lista ou a data real do diagn&#243;stico,     dando lugar a informa&#231;&#227;o fidedigna sobre a popula&#231;&#227;o.</p>       <p>A entrada do     computador e dos registos inform&#225;ticos na consulta veio tamb&#233;m mudar a nossa     forma de comunicar. Temos mais dificuldade em olhar os doentes nos olhos e     percecionar os sinais n&#227;o verbalizados. A nossa aten&#231;&#227;o deixou de estar totalmente     centrada na pessoa, no diagn&#243;stico e na decis&#227;o para se dividir por m&#250;ltiplas     tarefas n&#227;o cl&#237;nicas que nada t&#234;m a ver com medicina. Existe mais uma barreira     f&#237;sica entre n&#243;s e chegamos a ocupar mais de 40% da nossa consulta em intera&#231;&#227;o     com o computador.<sup>1-2</sup></p>       <p>Cada     profissional chega a ter, no m&#237;nimo, dez nomes de utilizador diferentes, quatro     palavras-passe. Com boa vontade, s&#227;o-nos criados nomes imaginativos, mas sempre     diferentes e nem todas as aplica&#231;&#245;es nos deixam mudar a palavra-passe.</p>       <p>Para come&#231;ar     a primeira consulta do dia conto sete cliques, para usar as diferentes     aplica&#231;&#245;es chego a 17, s&#227;o incont&#225;veis os cliques por consulta, chegando uma     consulta de sa&#250;de infantil a exigir 39 cliques. O tempo acumulado em esperas     por rodinhas, ampulhetas e afins, quando acumulado, chega a minutos e, ao fim     de um ano, acredito poder chegar a horas.</p>       <p>Devemos     aumentar a capacidade dos servidores, atualizar as m&#225;quinas e garantir uma     largura de banda que possibilite o trabalho de um modo otimizado e em tempo     &#250;til. Exige dinheiro, sim, mas compensa em efici&#234;ncia e satisfa&#231;&#227;o. Quem     aceitaria ser operado com um bisturi ferrugento?</p>       <p>Devemos     libertar o tempo dos profissionais de registos duplicados e triplicados, de     transcri&#231;&#227;o de exames e documentos, de abertura de m&#250;ltiplas janelas e     aplica&#231;&#245;es, dos in&#250;meros cliques.</p>       <p>Os alertas,     quando existem, s&#227;o contradit&#243;rios, por vezes extensos, atrasados no tempo e     pouco &#250;teis para a seguran&#231;a do doente. S&#227;o frequentes as mensagens em <i>pop-up,</i> relacionadas com o processo     inform&#225;tico em si e n&#227;o com a cl&#237;nica. Estas mensagens interrompem a     comunica&#231;&#227;o e o ritmo da consulta e n&#227;o t&#234;m relev&#226;ncia no diagn&#243;stico, decis&#227;o     ou tratamento do doente.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Devem ser     introduzidos alertas de apoio &#224; decis&#227;o e &#224; prescri&#231;&#227;o, de risco de intera&#231;&#245;es     medicamentosas ou alergias, de internamento do doente, de exist&#234;ncia de nova     informa&#231;&#227;o cl&#237;nica dispon&#237;vel.</p>       <p>O sistema     inform&#225;tico &#233; o maior aliado da nossa mem&#243;ria. Permite um acesso mais r&#225;pido &#224;     informa&#231;&#227;o do doente, que deve estar integrada e facilmente vis&#237;vel sem     necessidade de abertura de novas aplica&#231;&#245;es, potenciar a comunica&#231;&#227;o entre     prestadores de cuidados de sa&#250;de e facilitar a produ&#231;&#227;o de informa&#231;&#227;o     relevante.</p>       <p>Devemos     poder usar as especificidades da nossa especialidade que se perderam, como o     genograma e alguns instrumentos de avalia&#231;&#227;o familiar, poder integrar     fotografias, documentos e resultados anal&#237;ticos de outras entidades no processo     sem que os tenhamos de transcrever e lembretes para n&#243;s mesmos que nos ajudem a     n&#227;o cometer erros.</p>       <p>O computador     deve ser uma ferramenta de diagn&#243;stico, de apoio &#224; decis&#227;o, de preven&#231;&#227;o do     erro e de capacita&#231;&#227;o do doente. O uso de imagem, v&#237;deos, folhetos     informativos, correio eletr&#243;nico, gr&#225;ficos, calculadoras, eleva a nossa     capacidade de informar o doente e tomar decis&#245;es em conjunto.</p>       <p>Devemos     poder emitir pareceres, escrever cartas a colegas e informa&#231;&#245;es cl&#237;nicas sem     ter de reescrever o que j&#225; est&#225; escrito ou, no limite, escrever em papel o que     j&#225; foi registado em computador, em suma, desmaterializar tudo o poss&#237;vel para     aumentar a efici&#234;ncia e reduzir o erro.</p>       <p>Quando     questionados sobre o seu trabalho, os profissionais usam termos como     &#171;desgaste&#187;, &#171;tristeza&#187;, &#171;corrida de obst&#225;culos&#187; e t&#234;m necessitado de muita     resili&#234;ncia e entrega.</p>       <p>Cerca de 75%     das unidades de sa&#250;de familiar est&#225; insatisfeita ou muito insatisfeita com a     largura de banda e com a interoperabilidade das aplica&#231;&#245;es inform&#225;ticas e 55%     est&#225; insatisfeita ou muito insatisfeita com os seus computadores.<sup>3</sup></p>       <p>Podemos     trabalhar horas sentados em posi&#231;&#245;es incorretas. S&#227;o v&#225;rios os problemas de     sa&#250;de ligados ao uso do computador, como as les&#245;es por esfor&#231;os repetidos,<sup>4-5</sup> altera&#231;&#245;es de vis&#227;o, imobilidade, agravamento de doen&#231;as j&#225; existentes,     ansiedade, irritabilidade e <i>burnout.</i></p>       <p>Temos de     prevenir j&#225;. Somos respons&#225;veis, em primeiro lugar, pelo nosso bem-estar, sem o     qual n&#227;o podemos tomar decis&#245;es s&#233;rias sobre a vida de outras pessoas.</p>     <p>Os     respons&#225;veis hier&#225;rquicos devem investir tempo, energia e recursos no     acompanhamento da sa&#250;de dos trabalhadores, na cria&#231;&#227;o de condi&#231;&#245;es f&#237;sicas de     trabalho, no apoio psicol&#243;gico aos mais fragilizados.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em     conclus&#227;o, os sistemas inform&#225;ticos e de informa&#231;&#227;o devem ser concebidos e     constru&#237;dos para estar ao servi&#231;o dos doentes e dos profissionais, e n&#227;o o     inverso.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Sobral D,     Rosenbaum M, Figueiredo-Braga M. Computer use in primary care and     patient-physician communication. Patient Educ Couns. 2015 Jul 8. (Epub ahead of     print). doi: 10.1016/j.pec.2015.07.002&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363821&pid=S2182-5173201600050000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. Yaphe J.     Computers and doctor-patient communication. Rev Port Med Geral Fam.     2013;29(3):148-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363822&pid=S2182-5173201600050000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3.     Associa&#231;&#227;o Nacional das Unidades de Sa&#250;de Familiar. O momento actual da reforma     dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios em Portugal, 2014/2015: question&#225;rios aos     coordenadores de USF (Internet). Lisboa: USF-AN; 2015. Available from:     <a href="http://www.usf-an.pt/index.php/em-noticia/299-estudo-momento-atual-2015" target="_blank">http://www.usf-an.pt/index.php/em-noticia/299-estudo-momento-atual-2015</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363824&pid=S2182-5173201600050000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>4. Edling C,     Lindblom J, Skogholm M, Feychting M, Nordander C, Styf J, et al. Occupational     exposures and neck and upper extremity disorders: a systematic review.     Stockholm: Swedish Council on Health Technology Assessment; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363825&pid=S2182-5173201600050000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN     9789185413485</p>       <!-- ref --><p>5. Wahlstr&#246;m     J. Ergonomics, musculoskeletal disorders and computer work. Occup Med.     2005;55(3):168-76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363827&pid=S2182-5173201600050000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      <p>E-mail: <a href="mailto:director@rpmgf.pt">director@rpmgf.pt</a></p>      ]]></body><back>
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