<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2182-5173</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev Port Med Geral Fam]]></abbrev-journal-title>
<issn>2182-5173</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2182-51732016000500004</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fatores inerentes à realização de trabalhos científicos no ACeS de Gondomar: estudo transversal]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Factors related to the performance of research in the Gondomar Group of Health Centres: a cross-sectional study]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Teixeira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Liliana]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fernandes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrícia]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Azevedo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pedro]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sílvia]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A04"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,ACeS Aveiro Norte UCSP Vale de Cambra ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Aveiro ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,ACeS Vale de Sousa Sul USF São Miguel Arcanjo ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,ACeS Aveiro Norte USF La Salette ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Aveiro ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A04">
<institution><![CDATA[,ACeS Maia/Valongo USF Alfena ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Maia ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<volume>32</volume>
<numero>5</numero>
<fpage>304</fpage>
<lpage>314</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732016000500004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732016000500004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732016000500004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Objetivos: A investigação é essencial à afirmação e ao desenvolvimento da medicina geral e familiar (MGF) como disciplina científica. Em Portugal têm sido reconhecidas dificuldades à investigação ao nível dos cuidados de saúde primários (CSP). Pretende-se, com o presente estudo, quantificar a produção científica desenvolvida pelos médicos num agrupamento de centro de saúde (ACeS), bem como identificar os fatores inerentes e motivações para a sua realização. Tipo de estudo: Estudo descritivo, transversal. Local: ACeS de Gondomar. População: Médicos de família e internos de formação específica de MGF. Métodos: Foi realizado um censo de um total de 133 médicos incluídos no estudo, a quem foi entregue um questionário elaborado pelos autores para o efeito. As principais variáveis estudadas foram o número, tipo e forma de divulgação dos trabalhos realizados pelos participantes durante um período de dois anos, bem como a satisfação dos participantes com o número de trabalhos realizados. Foi ainda recolhida informação relativa aos fatores que motivaram a realização dos trabalhos. Resultados: De um total de 79 questionários obtidos (taxa de resposta global de 59,4%), foram reportados 212 trabalhos científicos (média de 2,7 trabalhos por médico), sendo que os internos apresentaram um número médio de trabalhos superior ao dos especialistas (6 e 1,9, respetivamente) e 46,8% dos médicos não realizaram qualquer trabalho. A maioria dos participantes (57%) considerou que o número de trabalhos realizado pelo próprio não foi adequado, sendo que as razões apontadas para tal foram sobretudo a falta de tempo e de horário dedicado à investigação. Conclusão: A dinâmica da especialidade de MGF está em evolução, assim como os CSP. Há ainda um longo caminho a percorrer no que diz respeito às condições de formação das unidades de saúde, assim como incentivos à realização de investigação de qualidade.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objectives: Research is essential for development of general practice as a scientific discipline. In Portugal, there are many difficulties in performing research in primary health care. This study was conducted to quantify the scientific output of family doctors and trainees in primary care units in Gondomar, to understand their motivation for doing research, and to assess the factors related to successful completion of research. Type of study: Cross-sectional study. Location: Gondomar Group of Health Centres, Portugal. Population: Family medicine specialists and trainees. Methods: We performed a census among the 133 general practitioners in the Gondomar Group of Health Centres using an original questionnaire. The variables studied were the number and of studies performed by the participants over a two-year period. We also asked participants about their satisfaction with the amount of research done and the factors that supported the performance of research. Results: We received 79 completed questionnaires for a response rate of 59.4%. There were 212 studies reported for a mean of 2.68 studies per doctor. Trainees were involved in a higher number of studies than specialists, with a mean of 6 studies per trainee. About half the doctors (46.8%) were not involved in any studies during the study period and over half of the participants (57%) were not satisfied with the number of studies done. Lack of time in general and time for research in particular were the main reasons given for not conducting research. Conclusion: General practice in Portugal is evolving but there is still a long way to go in promoting high quality research in primary health care centres.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Medicina Geral e Familiar]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Investigação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Cuidados de Saúde Primários]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[General practitioners]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Research]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Primary care]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS ORIGINAIS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Fatores inerentes &#224; realiza&#231;&#227;o de trabalhos     cient&#237;ficos no ACeS de Gondomar: estudo transversal</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Factors     related to the performance of research in the Gondomar Group of Health Centres: a cross-sectional study</b></font></p>       <p><b>Liliana Teixeira,<sup>1</sup> Patr&#237;cia     Fernandes,<sup>2</sup> Pedro Azevedo,<sup>3</sup> S&#237;lvia Carvalho<sup>4</sup></b></p>       <p><sup>1</sup>M&#233;dica     Assistente de Medicina Geral e Familiar. UCSP Vale de Cambra, ACeS Aveiro     Norte.</p>       <p><sup>2</sup>M&#233;dica     Assistente de Medicina Geral e Familiar. USF S&#227;o Miguel Arcanjo, ACeS Vale de     Sousa Sul</p>       <p><sup>3</sup>M&#233;dico     Assistente de Medicina Geral e Familiar. USF La Salette, ACeS Aveiro Norte</p>       <p><sup>4</sup>M&#233;dica     Assistente de Medicina Geral e Familiar. USF Alfena, ACeS Maia/Valongo</p>       <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Objetivos:</b> A investiga&#231;&#227;o &#233; essencial &#224;     afirma&#231;&#227;o e ao desenvolvimento da medicina geral e familiar (MGF) como     disciplina cient&#237;fica. Em Portugal t&#234;m sido reconhecidas dificuldades &#224;     investiga&#231;&#227;o ao n&#237;vel dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios (CSP). Pretende-se, com o     presente estudo, quantificar a produ&#231;&#227;o cient&#237;fica desenvolvida pelos m&#233;dicos     num agrupamento de centro de sa&#250;de (ACeS), bem como identificar os fatores     inerentes e motiva&#231;&#245;es para a sua realiza&#231;&#227;o. </p>       <p><b>Tipo de estudo:</b> Estudo descritivo,     transversal.</p>       <p><b>Local:</b> ACeS de Gondomar.</p>       <p><b>Popula&#231;&#227;o:</b> M&#233;dicos de fam&#237;lia e     internos de forma&#231;&#227;o espec&#237;fica de MGF. </p>       <p>M&#233;todos: Foi     realizado um censo de um total de 133 m&#233;dicos inclu&#237;dos no estudo, a quem foi     entregue um question&#225;rio elaborado pelos autores para o efeito. As principais     vari&#225;veis estudadas foram o n&#250;mero, tipo e forma de divulga&#231;&#227;o dos trabalhos     realizados pelos participantes durante um per&#237;odo de dois anos, bem como a     satisfa&#231;&#227;o dos participantes com o n&#250;mero de trabalhos realizados. Foi ainda     recolhida informa&#231;&#227;o relativa aos fatores que motivaram a realiza&#231;&#227;o dos     trabalhos.</p>       <p><b>Resultados:</b> De um total de 79     question&#225;rios obtidos (taxa de resposta global de 59,4%), foram reportados 212     trabalhos cient&#237;ficos (m&#233;dia de 2,7 trabalhos por m&#233;dico), sendo que os     internos apresentaram um n&#250;mero m&#233;dio de trabalhos superior ao dos     especialistas (6 e 1,9, respetivamente) e 46,8% dos m&#233;dicos n&#227;o realizaram     qualquer trabalho. A maioria dos participantes (57%) considerou que o n&#250;mero de     trabalhos realizado pelo pr&#243;prio n&#227;o foi adequado, sendo que as raz&#245;es     apontadas para tal foram sobretudo a falta de tempo e de hor&#225;rio dedicado &#224;     investiga&#231;&#227;o. </p>       <p><b>Conclus&#227;o:</b> A din&#226;mica da especialidade     de MGF est&#225; em evolu&#231;&#227;o, assim como os CSP. H&#225; ainda um longo caminho a     percorrer no que diz respeito &#224;s condi&#231;&#245;es de forma&#231;&#227;o das unidades de sa&#250;de,     assim como incentivos &#224; realiza&#231;&#227;o de investiga&#231;&#227;o de qualidade.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Medicina Geral e     Familiar; Investiga&#231;&#227;o; Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Objectives:</b> Research is essential for     development of general practice as a scientific discipline. In Portugal, there     are many difficulties in performing research in primary health care. This study     was conducted to quantify the scientific output of family doctors and trainees     in primary care units in Gondomar, to understand their motivation for doing     research, and to assess the factors related to successful completion of     research.</p>       <p><b>Type of study:</b> Cross-sectional study.</p>       <p><b>Location:</b> Gondomar Group of Health     Centres, Portugal.</p>       <p><b>Population:</b> Family medicine specialists     and trainees.</p>       <p><b>Methods:</b> We performed a census among     the 133 general practitioners in the Gondomar Group of Health Centres using an     original questionnaire. The variables studied were the number and of studies     performed by the participants over a two-year period. We also asked     participants about their satisfaction with the amount of research done and the     factors that supported the performance of research.</p>       <p><b>Results:</b> We received 79 completed     questionnaires for a response rate of 59.4%. There were 212 studies reported     for a mean of 2.68 studies per doctor. Trainees were involved in a higher     number of studies than specialists, with a mean of 6 studies per trainee. About     half the doctors (46.8%) were not involved in any studies during the study     period and over half of the participants (57%) were not satisfied with the     number of studies done. Lack of time in general and time for research in     particular were the main reasons given for not conducting research.</p>       <p><b>Conclusion:</b> General practice in     Portugal is evolving but there is still a long way to go in promoting high     quality research in primary health care centres. </p>       <p><b>Keywords:</b> General practitioners;     Research; Primary care.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>A     investiga&#231;&#227;o ao n&#237;vel dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios (CSP) tem sido alvo de     intensa discuss&#227;o.<sup>1-3</sup> Nos &#250;ltimos anos muito se evoluiu em Portugal     relativamente &#224; constru&#231;&#227;o de compet&#234;ncias, sustentabilidade e continuidade, de     modo a aumentar a capacidade de desenvolver investiga&#231;&#227;o no Servi&#231;o Nacional de     Sa&#250;de (SNS).</p>       <p>Os m&#233;dicos     de fam&#237;lia apresentam um elevado potencial para a realiza&#231;&#227;o de estudos     cient&#237;ficos de investiga&#231;&#227;o ao n&#237;vel dos CSP. Pela sua rela&#231;&#227;o estreita com a     popula&#231;&#227;o apresentam-se numa posi&#231;&#227;o privilegiada para aceder a doentes     representativos da popula&#231;&#227;o geral, podendo ainda fazer o seu acompanhamento de     forma longitudinal. Reconhece-se que s&#227;o de facto necess&#225;rios estudos num     contexto pragm&#225;tico e realista; as estrat&#233;gias terap&#234;uticas e de diagn&#243;stico     devem ser avaliadas e as necessidades, perce&#231;&#245;es e prefer&#234;ncias de pacientes e     de prestadores de cuidados de sa&#250;de devem ser tamb&#233;m exploradas.<sup>1</sup> &#201;     importante averiguar se estes recursos est&#227;o de facto a ser utilizados.</p>       <p>A     investiga&#231;&#227;o &#233; essencial &#224; afirma&#231;&#227;o e ao desenvolvimento da medicina geral e     familiar (MGF) como disciplina cient&#237;fica. Em Portugal t&#234;m sido reconhecidas     muitas dificuldades &#224; investiga&#231;&#227;o em MGF, mantendo-se a carreira acad&#233;mica e     carreira cl&#237;nica em caminhos geralmente separados, o que n&#227;o facilita,     provavelmente, o desenvolvimento da investiga&#231;&#227;o nos servi&#231;os de sa&#250;de e     cl&#237;nicos.<sup>3</sup></p>       <p>O programa     de forma&#231;&#227;o do internato m&#233;dico da &#225;rea profissional de MGF reconhece, contudo,     a import&#226;ncia dos trabalhos de investiga&#231;&#227;o na avalia&#231;&#227;o final dos candidatos.     Segundo a Portaria n.&#186; 300/2009, de 24 de mar&#231;o,<sup>4</sup> mais recentemente     atualizada na Portaria n.&#186; 45/2015, de 20 de fevereiro,<sup>5</sup> o programa     de forma&#231;&#227;o do internato m&#233;dico da &#225;rea profissional de especializa&#231;&#227;o de MGF     estabelece, como parte da avalia&#231;&#227;o final de internato, a apresenta&#231;&#227;o de uma <i>&#8220;Prova de discuss&#227;o curricular &#8212; o     curriculum vitae e que deve conter o resultado das avalia&#231;&#245;es formativas de     desempenho e de conhecimentos obtidos ao longo do processo formativo&#8221;.</i> O     col&#233;gio de Especialidade da Ordem dos M&#233;dicos, em conjunto com as Coordena&#231;&#245;es     Regionais do Internato M&#233;dico de MGF, na sua reuni&#227;o de 14 de setembro de 2012,     homologou os crit&#233;rios e, numa tentativa de uniformiza&#231;&#227;o, instituiu uma grelha     de avalia&#231;&#227;o.<sup>6</sup> Esta estabelece que 1/8 da nota de quatro anos de     trabalho do interno de MGF resulta diretamente do trabalho cient&#237;fico -     projeto de interven&#231;&#227;o, artigo de opini&#227;o, trabalhos de revis&#227;o, relatos de     caso, trabalhos de revis&#227;o sistem&#225;tica, trabalhos de garantia de qualidade e     trabalhos de investiga&#231;&#227;o - com valoriza&#231;&#227;o crescente, assumindo estes     &#250;ltimos uma import&#226;ncia maior.</p>       <p>No que diz     respeito &#224; caracteriza&#231;&#227;o da investiga&#231;&#227;o realizada por m&#233;dicos de fam&#237;lia, a     bibliografia existente &#233; escassa. Num estudo realizado em 2004 na Alemanha,<sup>7</sup> com o objetivo de avaliar a motiva&#231;&#227;o dos m&#233;dicos de fam&#237;lia na participa&#231;&#227;o em     investiga&#231;&#227;o nos CSP, verificou-se que 85,6% dos m&#233;dicos inclu&#237;dos no estudo     revelaram uma atitude positiva face &#224; realiza&#231;&#227;o de investiga&#231;&#227;o. A principal     motiva&#231;&#227;o emanava da vontade de comprovar a qualidade dos cuidados atrav&#233;s de     estudos com maior evid&#234;ncia. Verificou-se, contudo, pouca experi&#234;ncia dos     m&#233;dicos na realiza&#231;&#227;o de estudos cient&#237;ficos, sendo as principais barreiras     apontadas a sobrecarga de trabalho administrativo e cl&#237;nico, o distanciamento     entre a investiga&#231;&#227;o te&#243;rica e o trabalho pr&#225;tico e o dom&#237;nio desta &#225;rea por     outras especialidades. Num outro estudo realizado em 2012,<sup>8</sup> que     incluiu 155 m&#233;dicos de fam&#237;lia especialistas a n&#237;vel nacional, a investiga&#231;&#227;o     era uma das tarefas em que os m&#233;dicos menos tempo despendiam (14% dos m&#233;dicos     em estudo, em m&#233;dia um minuto di&#225;rio).</p>       <p>O presente     estudo foi desenvolvido no Agrupamento de Centros de Sa&#250;de (ACeS) de Gondomar,     criado em 2009, que engloba 14 unidades funcionais: uma Unidade de Cuidados de     Sa&#250;de personalizados (UCSP), seis Unidades de Sa&#250;de Familiar (USF) modelo A e     sete USF modelo B (90 m&#233;dicos de fam&#237;lia e 43 m&#233;dicos internos de MGF).* Com     este estudo pretende-se quantificar a produ&#231;&#227;o cient&#237;fica dos especialistas e     internos de forma&#231;&#227;o espec&#237;fica de MGF no ACeS Gondomar nos &#250;ltimos dois anos,     bem como identificar os motivos e fatores inerentes &#224; sua realiza&#231;&#227;o.</p>       <p>*Informa&#231;&#227;o     recolhida junto do servi&#231;o de recursos humanos do ACeS de Gondomar em dezembro     de 2014.</p>       <p><b>M&#233;todos</b></p>       <p>Foi     realizado um estudo descritivo e transversal no ACeS de Gondomar, que teve     in&#237;cio em mar&#231;o de 2013 com a elabora&#231;&#227;o do protocolo de investiga&#231;&#227;o. Este foi     aprovado pelo Conselho Cl&#237;nico do ACeS de Gondomar em janeiro de 2014 e pela     Comiss&#227;o de &#201;tica da Administra&#231;&#227;o Regional de Sa&#250;de do Norte (ARSN) em maio de     2014.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A popula&#231;&#227;o     foi constitu&#237;da por todos os m&#233;dicos de fam&#237;lia (orientadores e n&#227;o     orientadores) e internos de forma&#231;&#227;o espec&#237;fica de MGF do ACeS de Gondomar, &#224;     data da realiza&#231;&#227;o do estudo. Foram exclu&#237;dos todos os especialistas e internos     ausentes do local de trabalho durante o per&#237;odo em estudo ou que se recusaram a     participar, atrav&#233;s do n&#227;o preenchimento do question&#225;rio.</p>       <p>Em maio de     2014, os question&#225;rios foram entregues pelos autores a todas as unidades     funcionais do ACeS de Gondomar. Os coordenadores de cada unidade, ou seus     substitutos, voluntariamente aceitaram distribuir e recolher os question&#225;rios     ap&#243;s o seu preenchimento, que decorreu de maio at&#233; dezembro de 2014.</p>       <p>Cada     question&#225;rio apresentava um texto introdut&#243;rio em que se explicava o objetivo     principal do estudo e se solicitava a participa&#231;&#227;o volunt&#225;ria, assegurando     ainda a confidencialidade e anonimato no tratamento de todos os dados     recolhidos. Ap&#243;s aplica&#231;&#227;o do question&#225;rio, este era selado num envelope e     entregue ao coordenador de cada unidade. De seguida, foi atribu&#237;do a cada     envelope, e de forma aleat&#243;ria pelos investigadores, um n&#250;mero de identifica&#231;&#227;o     &#250;nico. Os autores (internos do ACeS de Gondomar) foram inclu&#237;dos no estudo.</p>       <p>As vari&#225;veis recolhidas e analisadas encontram-se caracterizadas no <a href="#q1">Quadro I</a>.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Os autores     consideraram um potencial vi&#233;s de mem&#243;ria e, de forma a minimiz&#225;-lo, foi     sugerido aos participantes o preenchimento do question&#225;rio com base no seu <i>curriculum vitae</i> relativo aos &#250;ltimos     dois anos de atividade.</p>       <p>Os dados     recolhidos foram codificados e registados em base de dados inform&#225;tica,     utilizando para o efeito os programas <i>Microsoft     Excel</i><sup>&#174;</sup> e <i>Statistical     Package for Social Sciences - SPSS</i><sup>&#174;</sup> v22.0 para a an&#225;lise     estat&#237;stica. </p>       <p>Tratando-se     de um censo, os crit&#233;rios de signific&#226;ncia estat&#237;stica e testes comparativos     interamostras n&#227;o se aplicaram. A compara&#231;&#227;o entre diferentes vari&#225;veis foi     realizada de forma direta e apenas a signific&#226;ncia cl&#237;nica foi extrapolada.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A consulta e     o trabalho de todos os dados foram realizados exclusivamente pelos autores do     trabalho, garantindo-se, assim, pela obriga&#231;&#227;o ao sigilo m&#233;dico, a     confidencialidade dos dados obtidos para a realiza&#231;&#227;o do estudo.</p>       <p>As despesas     de impress&#227;o dos question&#225;rios e as desloca&#231;&#245;es foram assumidas pelos autores.</p>       <p><b>Resultados</b></p>       <p>Dos 133     m&#233;dicos inclu&#237;dos na popula&#231;&#227;o em estudo, 79 preencheram o question&#225;rio (taxa     global de resposta de 59,4%) - <a href="#q2">Quadro II</a>. A taxa de resposta dos internos     de MGF foi de 62,8% e de 57,8% para os especialistas de MGF, tendo-se     verificado que a taxa de resposta foi superior nos m&#233;dicos especialistas e     orientadores de forma&#231;&#227;o (74,1%). Entre os internos de forma&#231;&#227;o espec&#237;fica da     especialidade, foram os do primeiro e quarto anos que obtiveram uma maior taxa de resposta.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>A mediana de     idades foi de 37 anos, sendo a idade m&#237;nima de 26 anos e a m&#225;xima de 61 anos. A     popula&#231;&#227;o era constitu&#237;da maioritariamente pelo g&#233;nero feminino (74%).     Relativamente ao local de trabalho, 57,0% trabalhavam numa USF modelo B, 41,7%     numa USF Modelo A e 1,3% numa UCSP.</p>       <p>Os     participantes reportaram um total de 212 trabalhos cient&#237;ficos realizados nos     dois anos pr&#233;vios, o que correspondeu a uma m&#233;dia de 2,7 trabalhos por m&#233;dico     (<a href="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04q3.jpg" target="_blank">Quadro III</a>). O n&#250;mero m&#233;dio de trabalhos cient&#237;ficos realizados pelos internos     foi de seis trabalhos por interno, um valor superior ao que se verificou no     grupo dos especialistas, tendo-se observado um aumento gradual ao longo dos primeiros tr&#234;s anos de internato (<a href="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04q3.jpg" target="_blank">Quadro III</a>).</p>       
<p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a href="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04q3.jpg" target="_blank"><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04q3.jpg" width="300" height="167"/><br />(clique para ampliar ! click to enlarge)</a></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Como se pode     observar na <a href="#f1">Figura 1</a>, a maioria dos trabalhos realizados foram revis&#245;es     cl&#225;ssicas de literatura (<i>n</i>=79),     correspondendo a 37,3% do total de trabalhos realizados, seguidos dos relatos     de caso com 23,1%. A forma de divulga&#231;&#227;o atrav&#233;s de comunica&#231;&#227;o oral em     reuni&#245;es de servi&#231;o na unidade de sa&#250;de ou ACeS e atrav&#233;s de p&#243;steres foram as     mais frequentemente observadas (28,8% para cada uma, respetivamente), sendo a publica&#231;&#227;o de artigo a menos frequente (1,4%) (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Em m&#233;dia, os     participantes apontaram dois motivos para a realiza&#231;&#227;o de cada trabalho     cient&#237;fico, sendo que os tr&#234;s motivos mais frequentemente reportados foram a     melhoria do desempenho pessoal, enriquecimento do curriculum vitae e     desenvolvimento da especialidade de MGF (<a href="#f3">Figura 3</a>). A vontade do pr&#243;prio e o orientador de forma&#231;&#227;o foram os incentivos mais frequentes (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04f3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f4"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04f4.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Dos 212     trabalhos cient&#237;ficos realizados, 3,8% (n=8) foram premiados: tr&#234;s trabalhos de     revis&#227;o cl&#225;ssica, dois relatos de caso, dois trabalhos de investiga&#231;&#227;o e um     trabalho de garantia de qualidade.</p>       <p>Cerca de     20,2% dos participantes est&#227;o satisfeitos com o n&#250;mero de trabalhos cient&#237;ficos     realizados, 72,2% consideram que o n&#250;mero de trabalhos realizados n&#227;o foi     adequado &#224; sua pr&#225;tica cl&#237;nica e 7,6% n&#227;o responderam &#224; quest&#227;o. Dentre as     raz&#245;es apontadas para tal, a falta de tempo e falta de hor&#225;rio dedicado &#224;     investiga&#231;&#227;o foram as mais reportadas pelos participantes (42,0% e 30,4%,     respetivamente) - <a href="#f5">Figura 5</a>. Trinta e sete m&#233;dicos (46,8%) n&#227;o     realizaram qualquer trabalho nos &#250;ltimos dois anos, tendo-se verificado que     81,1% destes consideram este valor n&#227;o adequado &#224; sua pr&#225;tica cl&#237;nica - <a href="#f6">Figura 6</a>. </p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f5"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04f5.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f6"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04f6.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>Assim, de     entre os participantes que realizaram trabalhos cient&#237;ficos, destacam-se os     internos de MGF (57,1%), com mediana de 30 anos de idade, sendo que 78,6% eram     do g&#233;nero feminino, com uma m&#233;dia de cinco trabalhos realizados e 54,8%     pertenciam a USF modelo B.</p>       <p><b>Discuss&#227;o</b></p>       <p>Neste     estudo, a taxa global de resposta (59,4%) foi baixa. Os autores consideram que,     apesar do f&#225;cil preenchimento, tal pode dever-se ao facto de o question&#225;rio ser     extenso e do seu preenchimento estar dependente da mem&#243;ria do participante ou     do <i>curriculum vitae</i> atualizado.     Ainda, os autores optaram pela entrega dos question&#225;rios aos coordenadores de     cada unidade, ou seus representantes, pelo que poderiam t&#234;-los distribu&#237;do de     outras formas suplementares para aumentar a taxa de resposta. A aus&#234;ncia na     unidade de sa&#250;de durante os est&#225;gios hospitalares para os internos do segundo e     terceiro anos, poder&#225; tamb&#233;m explicar a menor taxa de resposta observada nestes     grupos (<a href="#q2">Quadro II</a>). Tal facto poderia ter sido ultrapassado com o refor&#231;o,     pelos autores junto dos coordenadores ou seus representantes, da import&#226;ncia do     preenchimento dos question&#225;rios pelos internos em est&#225;gio, durante o per&#237;odo de     liga&#231;&#227;o &#224; unidade funcional e, tamb&#233;m, com a entrega do question&#225;rio nas     reuni&#245;es de n&#250;cleo de internos. Contudo, tal n&#227;o explica a diferen&#231;a nas taxas de resposta observadas entre os diferentes profissionais.</p>       <p>Uma outra     limita&#231;&#227;o prende-se com a aus&#234;ncia de caracteriza&#231;&#227;o e compara&#231;&#227;o entre os     m&#233;dicos participantes e os que n&#227;o responderam ao question&#225;rio, facto que se     deve &#224; confidencialidade inerente ao processo de preenchimento do mesmo.</p>       <p>O n&#250;mero     m&#233;dio de trabalhos cient&#237;ficos realizados por m&#233;dico &#233; muito vari&#225;vel entre os     diferentes profissionais (<a href="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04q3.jpg" target="_blank">Quadro III</a>). A amostra estudada pode dividir-se em     dois grandes grupos: internos e especialistas de MGF. O valor m&#233;dio no grupo     dos internos parece ser devido &#224; press&#227;o para a produ&#231;&#227;o de trabalhos cient&#237;ficos     a que este grupo de profissionais se encontra sujeito. Para analisar estes     resultados &#233; fundamental considerar que a produ&#231;&#227;o cient&#237;fica &#233; muito     importante para a avalia&#231;&#227;o curricular a que todos os internos de MGF s&#227;o     submetidos no final do seu internato, o que est&#225; de acordo com os resultados do     presente estudo, onde se verifica um aumento gradual do n&#250;mero m&#233;dio de     trabalhos (nos dois anos pr&#233;vios) com o ano de internato (<a href="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a04q3.jpg" target="_blank">Quadro III</a>). A     ligeira diminui&#231;&#227;o que se verifica no &#250;ltimo ano do internato &#233;, provavelmente,     devida &#224; necessidade de realiza&#231;&#227;o de atividades obrigat&#243;rias (estudo da lista     do orientador de forma&#231;&#227;o e processo de escrita do <i>curriculum vitae</i>), aliadas &#224; atividade assistencial na unidade de     sa&#250;de.</p>       
<p>No que diz     respeito ao tipo de trabalhos cient&#237;ficos realizados, 60,4% foram trabalhos de     revis&#227;o cl&#225;ssica e relatos de caso (<a href="#f1">Figura 1</a>). Presume-se que tal aconte&#231;a por     serem trabalhos de uma execu&#231;&#227;o aparentemente menos complexa e mais r&#225;pida em     compara&#231;&#227;o com meta-an&#225;lises, revis&#245;es sistem&#225;ticas e trabalhos de garantia de qualidade.</p>       <p>De igual     forma, os processos de divulga&#231;&#227;o mais escolhidos n&#227;o foram os que apresentam     maior impacto na comunidade m&#233;dica, mas as formas mais acess&#237;veis de expor um     trabalho realizado (<a href="#f2">Figura 2</a>), sendo a publica&#231;&#227;o de artigos (com ou sem     revis&#227;o interpares) praticamente inexistente na amostra. Tal deve-se,     provavelmente, &#224; escassez de incentivos para publica&#231;&#227;o que, na maioria das     vezes, &#233; um processo moroso. Como referido anteriormente, os internos de MGF s&#227;o     o grupo profissional que executa um maior n&#250;mero de trabalhos cient&#237;ficos. N&#227;o     obstante, s&#227;o tamb&#233;m o grupo profissional com a remunera&#231;&#227;o inferior     (relativamente aos estudados). Assim sendo, as taxas de publica&#231;&#227;o exigidas por certas revistas podem ser uma dificuldade adicional para a publica&#231;&#227;o.</p>       <p>Relativamente     aos motivos e incentivos para a realiza&#231;&#227;o dos trabalhos cient&#237;ficos, as regras     de preenchimento do question&#225;rio n&#227;o faziam refer&#234;ncia &#224; ordem de import&#226;ncia     (crescente ou n&#227;o) dos mesmos, pelo que &#233; poss&#237;vel apresentar apenas os motivos     e incentivos mais relevantes de acordo com a frequ&#234;ncia com que foram     assinalados. Esta &#233; uma das limita&#231;&#245;es do presente estudo.</p>       <p>Quanto aos     motivos para a realiza&#231;&#227;o de cada trabalho cient&#237;fico, tendo em conta a implica&#231;&#227;o     avalia&#231;&#227;o dos internos de MGF e dado o congelamento da progress&#227;o nas carreiras     m&#233;dicas, compreende-se facilmente que a raz&#227;o &#171;enriquecimento do CV&#187; se     apresente como um dos motivos mais frequentemente apontados, particularmente     pelos internos. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As entidades     mais pr&#243;ximas do m&#233;dico (orientador de forma&#231;&#227;o, unidade de sa&#250;de) foram as     principais fontes de motiva&#231;&#227;o para a realiza&#231;&#227;o de trabalhos cient&#237;ficos. A     manuten&#231;&#227;o de liga&#231;&#245;es fortes e saud&#225;veis entre o m&#233;dico de fam&#237;lia e as     entidades que lhe s&#227;o pr&#243;ximas poder&#225; contribuir para o desenvolvimento de mais     e melhor investiga&#231;&#227;o em MGF.</p>       <p>A maioria     dos participantes (72,2%; <i>n</i>=57)     considerou que o n&#250;mero de trabalhos cient&#237;ficos realizados n&#227;o se adequava &#224;     sua pr&#225;tica cl&#237;nica. As raz&#245;es identificadas pelos m&#233;dicos para estes     resultados (falta de tempo, falta de hor&#225;rio dedicado &#224; investiga&#231;&#227;o e falta de     apoio institucional) poder&#227;o ser entendidas como &#225;reas de interven&#231;&#227;o     priorit&#225;ria. &#201; importante salientar que um n&#250;mero consider&#225;vel de m&#233;dicos (<i>n</i>=37) referiu n&#227;o ter realizado nenhum     trabalho cient&#237;fico nos &#250;ltimos dois anos - <a href="#f6">Figura 6</a>. Observamos ainda     que a satisfa&#231;&#227;o com o n&#250;mero de trabalhos realizados &#233; muito vari&#225;vel, o que poder&#225; estar relacionado com diferentes n&#237;veis de exig&#234;ncia individual.</p>       <p>Com o     presente estudo pretendeu-se dar uma vis&#227;o geral do perfil dos principais     investigadores no ACeS de Gondomar e dos fatores inerentes &#224; realiza&#231;&#227;o de     trabalhos cient&#237;ficos pelos m&#233;dicos de MGF (especialistas e internos). Os     resultados sugerem que, no ACeS de Gondomar, a maioria dos m&#233;dicos est&#225;     insatisfeita com o tempo e com a falta de apoio institucional para a realiza&#231;&#227;o     de trabalhos cient&#237;ficos e que a maioria considera insuficiente o trabalho     realizado. Os internos de MGF, seja por motiva&#231;&#227;o pessoal ou por enriquecimento     do CV, s&#227;o os que realizam a maioria do trabalho cient&#237;fico. Apesar de a     amostra n&#227;o ser representativa da popula&#231;&#227;o de m&#233;dicos de MGF do ACeS de     Gondomar (para tal seria necess&#225;rio uma amostra de 99 participantes), os     autores consideram que este estudo &#233; uma mais-valia por ser uma primeira     abordagem a uma quest&#227;o muito mais complexa: a inexist&#234;ncia de infraestruturas,     recursos e investimentos para o desenvolvimento de investiga&#231;&#227;o na MGF, pr&#225;tica     e adequada &#224; realidade.<sup>3</sup> Ser&#225; de esperar, contudo, que quem     participou esteja, &#224; partida, tamb&#233;m mais sensibilizado para o tema e, por     isso, tenha mais trabalhos realizados ou, em &#250;ltima inst&#226;ncia, mais cientes da     sua import&#226;ncia.</p>     <p>&#201; importante     salientar alguns aspetos que devem ser considerados em futuras investiga&#231;&#245;es     sobre esta tem&#225;tica, nomeadamente na aplica&#231;&#227;o do question&#225;rio (tornando o seu     preenchimento mais simples e menos moroso) e respetiva distribui&#231;&#227;o (atrav&#233;s da     sua aplica&#231;&#227;o via Internet ou em reuni&#245;es de internato).</p>     <p>A din&#226;mica da     especialidade de MGF est&#225; em evolu&#231;&#227;o, assim como os CSP, mas h&#225; ainda um longo     caminho a percorrer no que diz respeito &#224;s condi&#231;&#245;es de forma&#231;&#227;o das unidades     de sa&#250;de, bem como dos m&#233;dicos e orientadores de forma&#231;&#227;o. &#201; necess&#225;rio criar o     conceito de unidades de sa&#250;de formativas com plano pr&#243;prio, de modo a     proporcionar e manter qualidade na forma&#231;&#227;o e que contemple a realiza&#231;&#227;o de     trabalhos cient&#237;ficos.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1.     Hummers-Pradier E, Beyer M, Chevallier P, Eilat-Tsanani S, Lionis C, Peremans     L, et al. Research agenda for general practice/family medicine and primary     health care in Europe (Internet). Maastricht: European General Practice     Research Network; 2009. Available from: <a href="http://www.egprn.org/files/userfiles/file/research_agenda_for_general_practice_family_medicine.pdf" target="_blank">http://www.egprn.org/files/userfiles/file/research_agenda_for_general_practice_family_medicine.pdf</a>     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363981&pid=S2182-5173201600050000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. Is     primary-care research a lost cause? Lancet. 2003;361(9362):977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363982&pid=S2182-5173201600050000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>3. Braga R.     A necessidade de nos afirmarmos na investiga&#231;&#227;o. Rev Port Clin Geral.     2011;27(3):257-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363984&pid=S2182-5173201600050000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>4. Portaria     n.&#186; 300/2009, de 24 de mar&#231;o. Di&#225;rio da Rep&#250;blica. 1.a S&#233;rie(58).</p>       <p>5. Portaria     n.&#186; 45/2015, de 20 de fevereiro. Di&#225;rio da Rep&#250;blica. 1.a S&#233;rie(36). </p>       <!-- ref --><p>6. Col&#233;gio     da Especialidade de Medicina Geral e Familiar. Avalia&#231;&#227;o final do internato     m&#233;dico de medicina geral e familiar: aprovado pelo CNE em 14.09.2012. Lisboa:     Ordem dos M&#233;dicos; 2012 (cited 2015 Feb 24). Available from:     <a href="http://www.ordemdosmedicos.pt" target="_blank">www.ordemdosmedicos.pt</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363988&pid=S2182-5173201600050000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>7. Rosemann     T, Szecsenyi J. General practitioners' attitudes towards research in primary     care: qualitative results of a cross sectional study. BMC Fam Pract.     2004;5(1):31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363989&pid=S2182-5173201600050000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Granja M,     Ponte C, Cavadas LF. What keeps family physicians busy in Portugal? A multicentre     observational study of work other than direct patient contacts. BMJ Open.     2014;4:e005026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1363991&pid=S2182-5173201600050000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      <p>Patr&#237;cia     Fernandes</p>       <p>Av&#170; General     Humberto Delgado, n&#186; 794 - 2&#186; dt&#186; </p>     <p>4420-155 S.     Cosme - Gondomar</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:patricia.fernandes99@gmail.com">patricia.fernandes99@gmail.com</a>     </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Agradecimentos</b></p>       <p>Os autores     gostariam de agradecer a colabora&#231;&#227;o do ACeS de Gondomar e todos os profissionais     que aceitaram participar neste estudo.</p>       <p><b>Conflitos     de interesse</b></p>       <p>Os autores     declaram que n&#227;o t&#234;m nenhum interesse financeiro, nem receberam nenhuma     assist&#234;ncia editorial de qualquer organiza&#231;&#227;o ou entidade com interesse     financeiro no tema do manuscrito.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Comiss&#227;o de &#233;tica</b></p>       <p>Estudo     realizado ap&#243;s parecer favor&#225;vel da Comiss&#227;o de &#201;tica da ARS Norte.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Recebido em 24-07-2015</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 22-08-2016</b></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hummers-Pradier]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Beyer]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Chevallier]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Eilat-Tsanani]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lionis]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Peremans]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Research agenda for general practice/family medicine and primary health care in Europe]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Maastricht ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[European General Practice Research Network]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Is primary-care research a lost cause]]></article-title>
<source><![CDATA[Lancet]]></source>
<year>2003</year>
<volume>361</volume>
<numero>9362</numero>
<issue>9362</issue>
<page-range>977</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Braga]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A necessidade de nos afirmarmos na investigação]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Port Clin Geral]]></source>
<year>2011</year>
<volume>27</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>257-8</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Colégio da Especialidade de Medicina Geral e Familiar</collab>
<source><![CDATA[Avaliação final do internato médico de medicina geral e familiar: aprovado pelo CNE em 14.09.2012]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ordem dos Médicos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rosemann]]></surname>
<given-names><![CDATA[T]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Szecsenyi]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[General practitioners' attitudes towards research in primary care: qualitative results of a cross sectional study]]></article-title>
<source><![CDATA[BMC Fam Pract]]></source>
<year>2004</year>
<volume>5</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>31</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Granja]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ponte]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cavadas]]></surname>
<given-names><![CDATA[LF]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[What keeps family physicians busy in Portugal: A multicentre observational study of work other than direct patient contacts]]></article-title>
<source><![CDATA[BMJ Open]]></source>
<year>2014</year>
<volume>4</volume>
<page-range>e005026</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
