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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Epigastric pain is frequently associated with gastrointestinal disease. However, when faced with a patient complaining of epigastric pain it is important to obtain a careful history and perform a physical examination because this may also be associated with other diseases. Case Description: We present the story of a 41 year-old man with a history of smoking, dyslipidemia, hypertension and obesity. His father died at age 46 from an acute myocardial infarction. In July 2014 he came to a private clinic complaining of epigastric pain. Following a brief history and physical examination, he received analgesia and gastric mucosal protection with improvement in his symptoms. One month later, he experienced a similar episode of pain, without recourse to medical assistance. In September 2014, came to his family doctor and requested further examinations, including gastroscopy and colonoscopy. The patient also reported that during episodes of epigastric pain he had also experienced a sense of left upper limb numbness. The doctor ordered additional tests, including biochemical analyses, an abdominal ultrasound, an electrocardiogram (ECG), and a stress test. The patient was then referred for an urgent consultation with a cardiologist and coronary artery bypass surgery was performed for triple vessel disease. Discussion: The incidence of heart disease is increasing along with the prevalence of risk factors for cardiovascular disease. This patient had several risk factors that might suggest atypical ischemic pain as the cause of his epigastric pain. Physicians are aware of the most common causes of symptoms reported by the patient but must also consider atypical presentations of less common diagnoses]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Dor abdominal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Enfarte agudo do miocárdio]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Relato de caso]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Case report]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>O descortinar de uma epigastralgia</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Unraveling epigastric pain: A case report</b></font></p>       <p><b>Ana Correia de Oliveira,<sup>1</sup> Ros&#225;rio Mendon&#231;a e Moura,<sup>1</sup> Paulo Pessanha<sup>2</sup></b></p>       <p><sup>1</sup>M&#233;dica     interna de Medicina Geral e Familiar, USF S&#227;o Jo&#227;o do Porto</p>       <p><sup>2</sup>M&#233;dico     Assistente Graduado de Medicina Geral e Familiar, USF S&#227;o Jo&#227;o do Porto</p>      <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A dor epig&#225;strica est&#225;     frequentemente associada &#224; patologia digestiva. Contudo, &#233; essencial a     realiza&#231;&#227;o de uma anamnese e exame objetivo cuidadosos, pois a queixa referida     tamb&#233;m pode estar associada a outras patologias.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Descri&#231;&#227;o do Caso:</b> Homem de 41 anos,     com os seguintes problemas de sa&#250;de ativos: tabagismo, dislipidemia,     hipertens&#227;o arterial e excesso de peso. Antecedentes familiares relevantes de     doen&#231;a coron&#225;ria com morte precoce (pai faleceu aos 46 anos por enfarte agudo     do mioc&#225;rdio).</p>       <p>Em julho de     2014 recorre a cl&#237;nica privada por dor epig&#225;strica s&#250;bita. Foram realizadas     analgesia e prote&#231;&#227;o g&#225;strica e o doente apresentou melhoria cl&#237;nica. De acordo     com o mesmo, a anamnese e o exame objetivo foram breves. Ap&#243;s um m&#234;s teve novo     epis&#243;dio id&#234;ntico, n&#227;o tendo recorrido a avalia&#231;&#227;o m&#233;dica. Em setembro de 2014     recorre &#224; Unidade de Sa&#250;de Familiar (USF) para solicitar exames digestivos     (endoscopia digestiva alta e colonoscopia). Na consulta refere que, durante os     epis&#243;dios de dor epig&#225;strica, experienciou uma sensa&#231;&#227;o de dorm&#234;ncia do membro     superior esquerdo. Foram requisitados exames complementares, nomeadamente     estudo anal&#237;tico, ecografia abdominal, eletrocardiograma (ECG) e prova de     esfor&#231;o. Ap&#243;s realiza&#231;&#227;o de exames complementares foi encaminhado para consulta     de cardiologia de urg&#234;ncia e realizada cirurgia de revasculariza&#231;&#227;o coron&#225;ria     por doen&#231;a de tr&#234;s vasos.</p>       <p><b>Coment&#225;rio:</b> A incid&#234;ncia de patologia     card&#237;aca est&#225; a aumentar, sendo os fatores de risco cardiovascular cumulativos     para o aparecimento de doen&#231;a cardiovascular. Este doente apresentava in&#250;meros     fatores de risco que n&#227;o poderiam ser negligenciados, devendo ter sido     considerada a hip&#243;tese de uma dor isqu&#233;mica at&#237;pica desde o in&#237;cio. Concluindo,     o m&#233;dico deve conhecer os motivos mais prevalentes associados aos sintomas     referidos pelo doente. Contudo, n&#227;o deve excluir apresenta&#231;&#245;es at&#237;picas ou     diagn&#243;sticos diferenciais menos frequentes face &#224;s queixas apresentadas.</p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Dor abdominal; Enfarte     agudo do mioc&#225;rdio; Relato de caso.</p>  <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Introduction:</b> Epigastric pain is     frequently associated with gastrointestinal disease. However, when faced with a     patient complaining of epigastric pain it is important to obtain a careful     history and perform a physical examination because this may also be associated   with other diseases.</p>       <p><b>Case Description:</b> We present the story     of a 41 year-old man with a history of smoking, dyslipidemia, hypertension and     obesity. His father died at age 46 from an acute myocardial infarction. In July     2014 he came to a private clinic complaining of epigastric pain. Following a     brief history and physical examination, he received analgesia and gastric     mucosal protection with improvement in his symptoms. One month later, he     experienced a similar episode of pain, without recourse to medical assistance.     In September 2014, came to his family doctor and requested further     examinations, including gastroscopy and colonoscopy. The patient also reported     that during episodes of epigastric pain he had also experienced a sense of left     upper limb numbness. The doctor ordered additional tests, including biochemical     analyses, an abdominal ultrasound, an electrocardiogram (ECG), and a stress     test. The patient was then referred for an urgent consultation with a     cardiologist and coronary artery bypass surgery was performed for triple vessel     disease.</p>       <p><b>Discussion:</b> The incidence of heart     disease is increasing along with the prevalence of risk factors for     cardiovascular disease. This patient had several risk factors that might     suggest atypical ischemic pain as the cause of his epigastric pain. Physicians     are aware of the most common causes of symptoms reported by the patient but     must also consider atypical presentations of less common diagnoses.</p>       <p><b>Keywords:</b> Abdominal pain; Myocardial     infarction; Case report.</p>  <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>       <p>A doen&#231;a     cardiovascular (DCV), nomeadamente a doen&#231;a coron&#225;ria (DC) e o acidente     vascular cerebral (AVC), s&#227;o a principal causa de morte prematura a n&#237;vel     mundial.<sup>1</sup> Apesar da mortalidade por doen&#231;a cardiovascular estar a     diminuir na maioria dos pa&#237;ses desenvolvidos, sabe-se que a sua preval&#234;ncia     est&#225; a aumentar mundialmente.<sup>2</sup></p>       <p>O termo     enfarte agudo do mioc&#225;rdio (EAM) &#233; utilizado quando h&#225; evid&#234;ncia de necrose     mioc&#225;rdica num contexto cl&#237;nico consistente com isquemia aguda do mioc&#225;rdio.     Quando tal n&#227;o acontece, ou seja, quando h&#225; evid&#234;ncia de necrose mas n&#227;o h&#225;     contexto cl&#237;nico, designa-se apenas de enfarte do mioc&#225;rdio.<sup>3</sup></p>       <p>Tipicamente,     o EAM apresenta-se como angina. No entanto, em alguns doentes n&#227;o h&#225; dor     pr&#233;-cordial mas somente dor ao n&#237;vel do bra&#231;o, pesco&#231;o, mand&#237;bula ou     desconforto epig&#225;strico.<sup>4</sup></p>       <p>Este caso     ilustra o papel do m&#233;dico de fam&#237;lia na abordagem de sintomas inespec&#237;ficos,     que poder&#227;o estar presentes em mais do que uma patologia, nomeadamente card&#237;aca     e digestiva. O m&#233;dico de fam&#237;lia &#233; um elemento chave na preven&#231;&#227;o e diagn&#243;stico     das DCV. </p>       <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso</b></p>       <p>A.C. &#233; um     utente do sexo masculino, caucasiano, de 41 anos de idade, casado e com um     filho. Trata-se de uma fam&#237;lia nuclear na fase IV do ciclo de vida de Duvall. &#201;     empregado numa garagem de autom&#243;veis. Tem como problemas de sa&#250;de tabagismo (20     cigarros/dia, 20 unidades de ma&#231;o/ano), dislipidemia (colesterol total     213mg/dL, colesterol HDL 39mg/dL, colesterol LDL 146,2mg/dL), hipertens&#227;o     arterial (HTA) medicada e controlada (press&#227;o arterial 138/81mmHg) e excesso de     peso (IMC 27,8kg/m<sup>2</sup>). Consumo de &#225;lcool de 120g/semana. O doente     nega consumo de subst&#226;ncias de abuso. A medica&#231;&#227;o habitual de A.C. era     sinvastatina 20mg id e ramipril 5mg id.</p>       <p>A hist&#243;ria     da doen&#231;a atual inicia-se em julho de 2014, altura em que A.C. recorre ao     m&#233;dico numa cl&#237;nica privada por dor epig&#225;strica, s&#250;bita, de intensidade 3 em     10, sem fatores desencadeantes, de al&#237;vio ou agravamento e sem irradia&#231;&#227;o da     mesma. Segundo o doente, foi uma consulta r&#225;pida com exame objetivo escasso.     Nesta altura foi medicado com protetor g&#225;strico e indica&#231;&#227;o para analgesia.</p>       <p>Em agosto de     2014 refere repeti&#231;&#227;o dos sintomas, n&#227;o tendo procurado assist&#234;ncia m&#233;dica. Em     setembro de 2014 recorre ent&#227;o ao seu m&#233;dico de fam&#237;lia para solicitar a     realiza&#231;&#227;o de endoscopia digestiva alta (EDA) e colonoscopia. Ap&#243;s colheita da     anamnese, com descri&#231;&#227;o de dorm&#234;ncia do membro superior esquerdo durante os     epis&#243;dios de dor epig&#225;strica, &#233; colocada a hip&#243;tese de patologia card&#237;aca     versus patologia digestiva. Na anamnese &#233; tamb&#233;m verificado que o doente possui     hist&#243;ria familiar de doen&#231;a coron&#225;ria com morte precoce (pai falecido aos 46     anos por enfarte agudo do mioc&#225;rdio). Neste momento &#233; explicado ao doente que     deve realizar an&#225;lises, ecografia abdominal e eletrocardiograma (ECG) com prova     de esfor&#231;o e, consoante os resultados, a necessidade de realizar a EDA e     colonoscopia. Os exames demonstraram dislipidemia (triglicer&#237;deos 198mg/dL, colesterol     total 194mg/dL, colesterol HDL 40mg/dL, colesterol LDL 114,4mg/dL), aumento da     gama-glutamil transferase (GGT) 46 UI/L e hepatomegalia com infiltra&#231;&#227;o     esteat&#243;sica. O ECG (<a href="#f1">Figura 1</a>) mostrou sequelas de necrose inferior. A prova de     esfor&#231;o traduziu prova m&#225;xima, sem altera&#231;&#245;es eletrocardiogr&#225;ficas sugestivas de isquemia do mioc&#225;rdio, ou seja, foi uma prova negativa perante sintomas.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a07f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Ap&#243;s a     an&#225;lise dos exames suspeitou-se que o doente teve dor epig&#225;strica causada por     EAM (enfarte agudo do mioc&#225;rdio) da parede inferior. Foi solicitada a     realiza&#231;&#227;o de ecocardiograma transtor&#225;cico e procedeu-se a altera&#231;&#227;o da     medica&#231;&#227;o habitual. A sinvastatina foi alterada para rosuvastatina 20mg id,     manteve-se ramipril 5mg id e introduziu-se &#225;cido acetilsalic&#237;lico 100mg id,     bisoprolol 5mg id e pantoprazol 40mg id. Foi ainda efetuada educa&#231;&#227;o para a     sa&#250;de com controlo dos fatores de risco, nomeadamente evic&#231;&#227;o tab&#225;gica     (atualmente 5 cigarros/dia), evic&#231;&#227;o alco&#243;lica e exerc&#237;cio f&#237;sico leve a     moderado. O ecocardiograma, realizado em setembro de 2014, mostrou &#8220;ventr&#237;culo     esquerdo ligeiramente dilatado com altera&#231;&#245;es da motilidade segmentar: acin&#233;sia     dos segmentos basais da parede inferior e septo-inferior e apical do septo;     hipocin&#233;sia de todos os restantes segmentos e paredes. Fun&#231;&#227;o ventricular     sist&#243;lica esquerda moderadamente deprimida&#8221;.</p>       <p>De acordo     com estes antecedentes familiares e resultados de exames &#233; proposto ao doente     ser enviado a consulta urgente de cardiologia, que o doente aceita. A     coronariografia revelou doen&#231;a grave de tr&#234;s vasos, com estenose de 70% do     segmento proximal da art&#233;ria descendente anterior, art&#233;ria circunflexa com     oclus&#227;o cr&#243;nica proximal e art&#233;ria coron&#225;ria direita com estenoses     suboclusivas, tendo sido encaminhado para a consulta de cirurgia     cardiotor&#225;cica. Tendo a cintigrafia de perfus&#227;o mioc&#225;rdica revelado viabilidade     e isquemia da parede anterior e septo e o doente apresentar <i>angor</i> de esfor&#231;o t&#237;pico classe III pouco     frequente, nunca em repouso, foi proposto para realiza&#231;&#227;o de cirurgia de     revasculariza&#231;&#227;o coron&#225;ria (CABG) da descendente anterior (DA) e descendente     posterior (DP). Enquanto aguardava cirurgia teve agravamento de <i>angor</i> e parestesia dos dedos das m&#227;os,     sobretudo &#224; direita; por este motivo foi colocado em lista de espera com     urg&#234;ncia. Em julho de 2015 foi chamado para CABG de tr&#234;s vasos, sem     intercorr&#234;ncias.</p>       <p>O doente     teve alta, assintom&#225;tico, com consulta agendada, mantendo-se em cessa&#231;&#227;o     tab&#225;gica e iniciou dupla antiagrega&#231;&#227;o, associando-se clopidogrel 75mg.</p>       <p><b>Coment&#225;rio</b></p>       <p>No caso     descrito, A.C. apresentou um quadro cl&#237;nico de dor epig&#225;strica, tendo o m&#233;dico,     numa primeira abordagem, considerado como hip&#243;tese diagn&#243;stica patologia     digestiva. Perante um doente com v&#225;rios fatores de risco cardiovasculares,     nomeadamente tabagismo, excesso de peso, HTA, dislipidemia, n&#227;o deveria ter     sido descartada a hip&#243;tese de patologia card&#237;aca. &#201; necess&#225;rio ter em     considera&#231;&#227;o que a anamnese e exame f&#237;sico adequados s&#227;o imprescind&#237;veis. Tendo     em conta que, atualmente, os m&#233;dicos s&#227;o constantemente pressionados a realizar     consultas em tempo escasso, pode levar, por vezes, a anamneses inadequadas com     diagn&#243;sticos err&#243;neos. Neste caso, o doente referiu que, devido &#224; rapidez da     primeira consulta, n&#227;o teve tempo de informar o m&#233;dico sobre a sensa&#231;&#227;o de     dorm&#234;ncia no membro superior esquerdo e tal tamb&#233;m n&#227;o foi questionado. Um EAM     pode apresentar-se como dor pr&#233;-cordial, no membro superior, mand&#237;bula,     desconforto epig&#225;strico, equivalente isqu&#233;mico (dispneia, cansa&#231;o) ou ser assintom&#225;tico     (mais frequente no sexo feminino, idosos ou diab&#233;ticos).<sup>5</sup> A primeira     consulta realizou-se no sistema privado pois, de acordo com o doente, estava de     f&#233;rias e tinha uma cl&#237;nica m&#233;dica numa &#225;rea pr&#243;xima. No entanto, considera que     o atendimento foi r&#225;pido e impreciso, com uma anamnese descurada e exame f&#237;sico     quase inexistente. Apesar de n&#227;o serem conclusivos, estes dois passos da     consulta s&#227;o imprescind&#237;veis para um diagn&#243;stico assertivo. De acordo com o     doente, o motivo que o fez recorrer ao m&#233;dico de fam&#237;lia, numa segunda     consulta, deveu-se &#224; confian&#231;a depositada h&#225; muitos anos e, apesar de n&#227;o     recorrer muitas vezes ao seu m&#233;dico de fam&#237;lia, sentiu a necessidade de     acompanhamento sustentado de um m&#233;dico que o &#8220;olhasse como eu sou&#8221; <i>(sic).</i> Assim, a observa&#231;&#227;o pelo m&#233;dico     de fam&#237;lia &#233; muito importante, pois s&#243; este profissional tem as caracter&#237;sticas     necess&#225;rias para a observa&#231;&#227;o e orienta&#231;&#227;o cuidadas, cruzando essa informa&#231;&#227;o     com a observa&#231;&#227;o longitudinal pr&#233;via. Permite, por exemplo, conhecer bem os     doentes e descartar mais facilmente alguma sintomatologia psicol&#243;gica camuflada     pela sintomatologia org&#226;nica sentida.</p>       <p>Calculando o     risco cardiovascular pela tabela SCORE, previamente ao epis&#243;dio de EAM, podemos     concluir que o score do doente era de 1%. Porque Portugal se encontra numa     regi&#227;o da Europa de baixo risco,<sup>1</sup> estamos perante um indiv&#237;duo do     sexo masculino, 41 anos de idade, fumador, com valor de colesterol total de     213mg/dl e tens&#227;o arterial sist&#243;lica de 138mmHg (<a href="#f2">Figura 2</a>). No entanto, &#233;     necess&#225;rio considerar que o risco poder&#225; ser mais elevado do que o indicado na     tabela; no caso deste doente, ele tinha n&#237;vel de triglicer&#237;deos elevado,     colesterol HDL baixo e familiar portador de DVC prematura (<a href="#q1">Quadro I</a>).<sup>1</sup> &#201; fundamental ter em considera&#231;&#227;o que n&#227;o podemos olhar apenas para as tabelas     de risco a 10 anos de DCV fatal; sabe-se que existem outros fatores, como neste     caso, que influenciam significativamente o risco e que t&#234;m de ser considerados     numa boa anamnese. Ap&#243;s a ocorr&#234;ncia do EAM, este doente passa a ser um doente     de risco muito alto.</p>       <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a07f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n5/32n5a07q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Concluindo,     &#233; necess&#225;rio efetuar uma anamnese assertiva e direcionada para a patologia     principal que abranja a sintomatologia referida pelo doente. Contudo, o m&#233;dico     deve ponderar outros diagn&#243;sticos diferenciais, sobretudo em doentes de risco.     No caso de risco cardiovascular, o m&#233;dico deve estar ciente dos sintomas     at&#237;picos e estar alerta para a possibilidade de ocorr&#234;ncia de eventos     tromboemb&#243;licos, mesmo que os sintomas sejam insipientes. A medicina deve ser     sempre baseada no doente e nas suas necessidades. A consulta deve demorar o     tempo necess&#225;rio para um diagn&#243;stico correto, de modo a levar a um tratamento     eficaz para o melhor benef&#237;cio do doente.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS     BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Perk J,     Backer GD, Gohlke H, Graham I, Reiner Z, Verschuren WM, et al. Recomenda&#231;&#245;es     Europeias para a preven&#231;&#227;o da doen&#231;a cardiovascular na pr&#225;tica cl&#237;nica (vers&#227;o     de 2012). Rev Port Cardiol. 2013;32(6):e1-e77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1364441&pid=S2182-5173201600050000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. Brookes     L. INTERHEART: a global case-control study of a risk factors for acute     myocardial infarction (Internet). Medscape; 2014 Sep 21 (cited 2015 Jul 25).     Available from: <a href="http://www.medscape.com/viewarticle/489738" target="_blank">http://www.medscape.com/viewarticle/489738</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1364443&pid=S2182-5173201600050000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. Thygesen     K, Alpert JS, Jaffe AS, Simoons ML, Chaitman BR, White HD, et al. Third     universal definition of myocardial infarction. Circulation.     2012;126(16):2020-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1364444&pid=S2182-5173201600050000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Coven DL,     Shirani J, Kalyanasundaram A. Acute coronary syndrome clinical presentation (Internet).     Medscape; 2016 (cited 2015 Jul 27; updated 2015 Sep 9). Available from:     <a href="http://emedicine.medscape.com/article/1910735-clinical" target="_blank">http://emedicine.medscape.com/article/1910735-clinical</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1364446&pid=S2182-5173201600050000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>5. Thygesen     K, Alpert JS, Jaffe AS, Simoons ML, Chaitman BR, White HD, et al. Third     universal definition of myocardial infarction. Eur Heart J.     2012;33(20):2551-67.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1364447&pid=S2182-5173201600050000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. Ray KK,     Kastelein JJ, Boekholdt SM, Nicholls SJ, Khaw KT, Ballantyne CM, et al. The     ACC/AHA 2013 guideline on the treatment of blood cholesterol to reduce     atherosclerotic cardiovascular disease risk in adults: the good the bad and the     uncertain: a comparison with ESC/EAS guidelines for the management of     dyslipidaemias 2011. 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Avalia&#231;&#227;o do risco cardiovascular SCORE (Systematic     Coronary Risk Evaluation): norma n&#186; 5/3013, de 19/03/2013; atualiza&#231;&#227;o de     21/01/2015. Lisboa: DGS; 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1364453&pid=S2182-5173201600050000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      <p>Ana     Margarida Ribeiro Correia de Oliveira</p>     <p>Rua D.     Ant&#243;nio Barroso n&#186; 231 1&#186;Dir 4050-060 Porto</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:correiadra@gmail.com">correiadra@gmail.com</a>     </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Conflito   de interesses</b></p>       <p>Os autores     declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Recebido em 20-03-2016</b></p>       <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 22-09-2016</b></p>      ]]></body><back>
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