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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O impacto do nível socioeconómico na acessibilidade aos cuidados de saúde primários: estudo em quatro unidades de saúde do Norte de Portugal]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objectives: To examine the association between socioeconomic status and access to Primary Health Care in four Family Health Units (FHU) in the north of Portugal, in the dimensions of health care needs perceived by the patient, namely availability and accommodation, affordability and appropriateness. Type of Study: Cross-sectional study. Setting: Brás-Oleiro FHU, São Pedro da Cova FHU, Bracara Augusta FHU, and Prelada FHU. Participants: Adult patients (18 years of age or older) registered in these health units for more than 12 months, on the lists of one of four family medicine residency trainers, with at least one contact in the last 24 months. Methods: A telephone survey was conducted between April and December 2014. Each of the dimensions of accessibility was evaluated by a global score, which was related to the socioeconomic status of the population. We used the Qui-Square, Mann-Whitney, Kruskal-Wallis and Spearman correlation to test associations. Results: Of the 1,250 selected patients, 692 (55.4%) answered the questionnaire. We found statistically significant differences between health units for each score (p<0.05). Education, income, family size, and health fee exemption status were significantly correlated with all scores. Age, professional status, global health status and the duration of the relationship between the patient and the family doctor were significantly correlated with the scores for &#8220;availability and accommodation&#8221; (p<0.05) and &#8220;appropriateness&#8221; (p<0.05). Conclusions: In this population, a disadvantaged socioeconomic status and a worse health status were correlated with greater accessibility to health care, especially regarding «Availability and accommodation» and «Appropriateness».]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Cuidados de Saúde Primários]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ESTUDOS ORIGINAIS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>O impacto do n&#237;vel socioecon&#243;mico na acessibilidade aos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios: estudo em quatro unidades de sa&#250;de do Norte de Portugal</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Socioeconomic status and access to primary health care: a cross-sectional study in four health units in Northern Portugal</b></font></p>     <p><b>V&#226;nia Teixeira,<sup>1</sup> Ana Mafalda Macedo,<sup>2</sup> Catarina Borges,<sup>3</sup> Sofia Carrapa,<sup>3</sup> Sara China,<sup>3</sup> Raquel Cunha<sup>4</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>M&#233;dica assistente de Medicina Geral e Familiar, Unidade de Cuidados Continuados, Hospital-escola Universidade Fernando Pessoa</p>     <p><sup>2</sup>M&#233;dica assistente de Medicina Geral e Familiar, UCSP Cinf&#227;es - ACeS Baixo T&#226;mega</p>     <p><sup>3</sup>M&#233;dica assistente de Medicina Geral e Familiar, UCSP santo Ant&#243;nio do Laranjeiro, ACeS Almada -Seixal</p>     <p><sup>4</sup>M&#233;dica assistente de Medicina Geral e Familiar, UCSP Castro D'Aire, ACeS D&#227;o Laf&#245;es</p>     <p><sup>5</sup>M&#233;dica assistente de Medicina Geral e Familiar, Centro de Sa&#250;de da Marinha Grande - ACeS Pinhal Litoral</p>     <p><sup>6</sup>M&#233;dica assistente de Medicina Geral e Familiar, UCSP Terras de Bouro, ACeS Ger&#234;s - Cabreira</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Objetivos:</b> Relacionar o n&#237;vel socioecon&#243;mico com a acessibilidade aos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios em quatro Unidades de Sa&#250;de Familiar (USF), nas dimens&#245;es que surgem ap&#243;s a perce&#231;&#227;o, por parte dos utentes, da necessidade de cuidados de sa&#250;de: capacidade e acomoda&#231;&#227;o, esfor&#231;o financeiro e adequabilidade.</p>     <p><b>Tipo de Estudo:</b> Estudo observacional descritivo, transversal e anal&#237;tico.</p>     <p><b>Local:</b> USF Br&#225;s-Oleiro, USF S&#227;o Pedro da Cova, USF Bracara Augusta e USF Prelada.</p>     <p><b>Popula&#231;&#227;o:</b> Utentes com idade igual ou superior a 18 anos, inscritos nas USFs supracitadas h&#225; mais de doze meses, pertencentes &#224;s listas dos orientadores de forma&#231;&#227;o das investigadoras e com pelo menos um contacto com a sua USF nos &#250;ltimos 24 meses.</p>     <p><b>M&#233;todos:</b> Estudo realizado entre abril e dezembro de 2014 atrav&#233;s da aplica&#231;&#227;o de um question&#225;rio por via telef&#243;nica. Cada uma das dimens&#245;es da acessibilidade foi avaliada atrav&#233;s de um <i>score</i> global que foi posteriormente relacionado com o n&#237;vel socioecon&#243;mico da popula&#231;&#227;o em estudo. Foram utilizados os testes estat&#237;sticos do Qui-Quadrado, <i>Mann-Whitney, Kruskal-Wallis</i> e a correla&#231;&#227;o de <i>Spearman.</i></p>     <p><b>Resultados:</b> Dos 1.250 utentes selecionados, 692 (55,4%) responderam ao question&#225;rio. Verificou-se existirem diferen&#231;as estatisticamente significativas entre as USF relativamente a cada <i>score</i> (<i>p</i>&lt;0,05). A escolaridade, o rendimento, o n&#250;mero de elementos do agregado familiar e a situa&#231;&#227;o de isen&#231;&#227;o apresentaram correla&#231;&#227;o estatisticamente significativa com todos os scores. Constatou-se que a idade, a situa&#231;&#227;o profissional, o estado geral de sa&#250;de e a dura&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o do utente com o seu m&#233;dico de fam&#237;lia se correlacionaram de forma estatisticamente significativa com os <i>scores</i> &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (<i>p</i>&lt;0,05) e &#171;Adequabilidade&#187; (<i>p</i>&lt;0,05).</p>     <p><b>Conclus&#245;es:</b> Globalmente, o presente estudo permitiu inferir que, para a popula&#231;&#227;o analisada, um n&#237;vel socioecon&#243;mico mais desfavorecido e uma pior perce&#231;&#227;o do estado de sa&#250;de se correlacionaram com uma maior acessibilidade, fundamentalmente no que diz respeito &#224; &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; e &#171;Adequabilidade&#187;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios; N&#237;vel Socioecon&#243;mico; Acessibilidade.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Objectives:</b> To examine the association between socioeconomic status and access to Primary Health Care in four Family Health Units (FHU) in the north of Portugal, in the dimensions of health care needs perceived by the patient, namely availability and accommodation, affordability and appropriateness.</p>     <p><b>Type of Study:</b> Cross-sectional study.</p>     <p><b>Setting:</b> Br&#225;s-Oleiro FHU, S&#227;o Pedro da Cova FHU, Bracara Augusta FHU, and Prelada FHU.</p>     <p><b>Participants:</b> Adult patients (18 years of age or older) registered in these health units for more than 12 months, on the lists of one of four family medicine residency trainers, with at least one contact in the last 24 months.</p>     <p><b>Methods:</b> A telephone survey was conducted between April and December 2014. Each of the dimensions of accessibility was evaluated by a global score, which was related to the socioeconomic status of the population. We used the Qui-Square, Mann-Whitney, Kruskal-Wallis and Spearman correlation to test associations.</p>     <p><b>Results:</b> Of the 1,250 selected patients, 692 (55.4%) answered the questionnaire. We found statistically significant differences between health units for each score (<i>p</i>&lt;0.05). Education, income, family size, and health fee exemption status were significantly correlated with all scores. Age, professional status, global health status and the duration of the relationship between the patient and the family doctor were significantly correlated with the scores for &#8220;availability and accommodation&#8221; (<i>p</i>&lt;0.05) and &#8220;appropriateness&#8221; (<i>p</i>&lt;0.05).</p>     <p><b>Conclusions:</b> In this population, a disadvantaged socioeconomic status and a worse health status were correlated with greater accessibility to health care, especially regarding &#171;Availability and accommodation&#187; and &#171;Appropriateness&#187;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Primary Health Care; Socioeconomic Status; Accessibility.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A Declara&#231;&#227;o de Alma-Ata considerou os cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios (CSP) a solu&#231;&#227;o para o alcance de um n&#237;vel de sa&#250;de que permita a todos uma vida econ&#243;mica e socialmente produtiva, representando o primeiro ponto de contacto dos indiv&#237;duos, da fam&#237;lia e da comunidade com o sistema de sa&#250;de.<sup>1</sup></p>     <p>Os servi&#231;os de sa&#250;de s&#227;o determinantes importantes do bem-estar da popula&#231;&#227;o e a desigualdade &#224; sua acessibilidade e utiliza&#231;&#227;o podem contribuir para as assimetrias na sa&#250;de. Num sistema de sa&#250;de ideal, um servi&#231;o equitativo &#233; aquele em que o acesso aos cuidados de sa&#250;de est&#225; associado &#224;s necessidades independentemente da capacidade para pagar.<sup>2</sup> Existe evid&#234;ncia de que os indiv&#237;duos com n&#237;vel socioecon&#243;mico mais baixo s&#227;o mais doentes e, neste contexto, tendem a utilizar mais os servi&#231;os de sa&#250;de mas, em contraste, recorrem menos a servi&#231;os especializados do que os indiv&#237;duos com n&#237;vel socioecon&#243;mico mais elevado.<sup>3</sup> Em Portugal foram descritas menos visitas ao m&#233;dico de fam&#237;lia (MF) por indiv&#237;duos pertencentes a grupos socioecon&#243;micos mais baixos.<sup>2</sup></p>     <p>A acessibilidade tem sido idealizada de diversas formas. O modelo de acessibilidade desenvolvido por Pechansky e Thomas<sup>4</sup> assenta no conceito de ajuste entre a capacidade do sistema de sa&#250;de e a possibilidade ou a facilidade com a qual os utentes ou as popula&#231;&#245;es s&#227;o capazes de usar os servi&#231;os adequados &#224;s suas necessidades.</p>     <p>Um estudo recente<sup>5</sup> conceptualizou que o acesso pode ser medido pela avalia&#231;&#227;o das seguintes dimens&#245;es: proximidade <i>(approachability),</i> aceitabilidade <i>(acceptability),</i> capacidade e acomoda&#231;&#227;o <i>(availability and accomodation),</i> esfor&#231;o financeiro <i>(affordability)</i> e adequabilidade <i>(appropriateness).</i></p>     <p>A proximidade &#233; caracterizada pela capacidade das pessoas que necessitam de cuidados de sa&#250;de conseguirem aferir que alguma forma de servi&#231;os existe, pode ser usada e tem um impacto sobre a sa&#250;de destas. A no&#231;&#227;o da capacidade de perceber a necessidade de cuidados entre as popula&#231;&#245;es &#233; crucial e determinada por fatores como a literacia em sa&#250;de, o conhecimento sobre a sa&#250;de e cren&#231;as relacionadas com a sa&#250;de e a doen&#231;a.</p>     <p>A aceitabilidade diz respeito a fatores culturais e sociais, determinando a possibilidade das pessoas aceitarem os aspetos do servi&#231;o (e.g., o g&#233;nero ou o grupo social dos prestadores de cuidados) e a adequabilidade do discernimento para as pessoas procurarem os servi&#231;os.</p>     <p>J&#225; a capacidade e acomoda&#231;&#227;o representam a medida em que o prestador det&#233;m os recursos necess&#225;rios - como pessoal e tecnologia - para atender &#224;s necessidades dos utentes. Este traduz uma medi&#231;&#227;o da capacidade da rede em oferecer servi&#231;os em quantidade suficiente para fazer face &#224; procura potencial. &#192; luz desta dimens&#227;o avalia-se se a organiza&#231;&#227;o do prestador (em termos de hor&#225;rios de funcionamento, marca&#231;&#227;o de consultas, etc.) &#233; adequada &#224;s restri&#231;&#245;es e prefer&#234;ncias dos utentes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O esfor&#231;o financeiro refere-se &#224; capacidade econ&#243;mica ou &#224; disposi&#231;&#227;o de tempo por parte dos utentes para suportar os encargos com a presta&#231;&#227;o de cuidados de sa&#250;de. &#201; o resultado direto dos pre&#231;os dos servi&#231;os e despesas relacionadas, al&#233;m dos custos de oportunidade relacionados com a perda de remunera&#231;&#227;o durante o tempo que precisam dos servi&#231;os de sa&#250;de. Pobreza, isolamento social ou endividamento s&#227;o exemplos de fatores que restringem a capacidade das pessoas para pagar os cuidados necess&#225;rios.</p>     <p>A adequabilidade denota o ajuste entre os servi&#231;os dispon&#237;veis e o que os utentes precisam, a quantidade de tempo gasto na avalia&#231;&#227;o dos problemas de sa&#250;de e na determina&#231;&#227;o do tratamento correto e a qualidade t&#233;cnica e interpessoal dos servi&#231;os prestados. Esta proporcionalidade relaciona-se com a adequabilidade (quais os servi&#231;os prestados) e a qualidade (a forma como s&#227;o fornecidos) dos servi&#231;os de sa&#250;de e a sua natureza integrada e cont&#237;nua.</p>     <p>As v&#225;rias dimens&#245;es da acessibilidade n&#227;o s&#227;o completamente independentes. Estas influenciam-se mutuamente e atuam a partir da intera&#231;&#227;o de determinantes relacionados com as caracter&#237;sticas dos indiv&#237;duos (lugar onde vivem, seus recursos econ&#243;micos e estrato social) e dos servi&#231;os (quantidade, localiza&#231;&#227;o das instala&#231;&#245;es e custos).</p>     <p>Resumindo, o papel dos custos (entenda-se, n&#227;o s&#243; os financeiros) do utente no Sistema Nacional de Sa&#250;de e a influ&#234;ncia do n&#237;vel socioecon&#243;mico das popula&#231;&#245;es s&#227;o &#225;reas bastante sens&#237;veis que necessitam de mais investiga&#231;&#227;o.</p>     <p>O conhecimento de eventuais desigualdades no acesso a cuidados de sa&#250;de &#233; fundamental. Assim, de acordo com o princ&#237;pio de justi&#231;a distributiva, ser&#225; de almejar um sistema de sa&#250;de em que o fator primordial, moderando o seu acesso, seja a necessidade de cuidados e n&#227;o uma qualquer outra caracter&#237;stica do indiv&#237;duo que o procure. Neste contexto, e por ser um tema de interesse das autoras, decidiram explor&#225;-lo mais aprofundadamente nas popula&#231;&#245;es que servem. Assim, pretende-se com este estudo verificar se o n&#237;vel socioecon&#243;mico tem influ&#234;ncia na acessibilidade aos CSP em quatro unidades selecionadas por conveni&#234;ncia - duas Unidades de Sa&#250;de Familiar (USF) do ACeS Grande Porto II-Gondomar, uma USF do ACeS C&#225;vado I-Braga e uma USF do ACeS do Grande Porto V, Porto Ocidental - nas dimens&#245;es que surgem ap&#243;s a perce&#231;&#227;o, por parte dos utentes, da necessidade de cuidados de sa&#250;de: capacidade e acomoda&#231;&#227;o, esfor&#231;o financeiro e adequabilidade. Pretende-se, ainda, enfatizar as assimetrias que se venham a detetar nas unidades de sa&#250;de supracitadas.</p>     <p><b>M&#233;todos</b></p>     <p>Foi realizado um estudo observacional descritivo, transversal e anal&#237;tico, entre abril e dezembro de 2014, nas USF Br&#225;s-Oleiro, S&#227;o Pedro da Cova, Bracara Augusta e Prelada, atrav&#233;s da aplica&#231;&#227;o de um question&#225;rio por via telef&#243;nica.</p>     <p>A popula&#231;&#227;o estudada contemplou utentes com idade igual ou superior a 18 anos, inscritos nas USF supracitadas h&#225; mais de 12 meses, pertencentes &#224;s listas dos orientadores de forma&#231;&#227;o (OF) das investigadoras, com pelo menos um contacto com a sua USF nos &#250;ltimos 24 meses e sem dem&#234;ncia codificada no processo cl&#237;nico (c&#243;digo P70, segundo a ICPC-2, <i>International Classification of Primary Care, 2<sup>nd</sup> edition</i>).</p>     <p>Atrav&#233;s do SIARS&#174; e do MIMUF&#174; apurou-se, no m&#234;s de novembro de 2013, uma popula&#231;&#227;o total de 7.753 utentes que preenchiam os crit&#233;rios de inclus&#227;o. Considerando-se uma preval&#234;ncia de 50%, o tamanho amostral m&#237;nimo foi calculado em 938 utentes, de forma a poder estimar os resultados com margem de erro de 3% e intervalos de confian&#231;a a 95%. Prevendo uma taxa de recusa de participa&#231;&#227;o de 30%, as autoras aumentaram o tamanho amostral para 1.250 utentes, selecionados por processo de amostragem aleat&#243;ria simples (recorreu-se ao programa <i>Random Integer Generator,</i> dispon&#237;vel em <a href="http://www.random.org" target="_blank">www.random.org</a>). O n&#250;mero de question&#225;rios por investigadora obedeceu ao peso relativo que cada uma das listas de utentes tinha relativamente &#224; popula&#231;&#227;o total apurada. De notar que, das seis investigadoras, tr&#234;s pertenciam &#224; USF Br&#225;s-Oleiro, pelo que foram selecionados utentes de tr&#234;s listas diferentes. &#192; USF S&#227;o Pedro da Cova, Bracara Augusta e Prelada pertencia apenas uma investigadora e, como tal, foram selecionados utentes de apenas uma lista de cada uma das USF. </p>     <p>O question&#225;rio aplicado foi elaborado a partir do question&#225;rio do <i>Primary Care Assessment Survey,</i><sup>6</sup> facultado pelo pr&#243;prio autor ap&#243;s a sua solicita&#231;&#227;o. As quest&#245;es selecionadas foram aquelas que melhor se enquadravam ao objetivo deste estudo, tendo sido posteriormente adaptadas &#224; l&#237;ngua portuguesa e elaboradas de forma a facilitar a sua aplica&#231;&#227;o via telef&#243;nica. Apesar de baseado no <i>Primary Care Assessment Survey,</i> o question&#225;rio aplicado foi inteiramente criado pelas investigadoras, n&#227;o consistindo na tradu&#231;&#227;o do question&#225;rio referido. Este era composto por nove quest&#245;es relativas &#224; identifica&#231;&#227;o pessoal e caracteriza&#231;&#227;o do agregado familiar e dez quest&#245;es sobre a opini&#227;o pessoal acerca do MF e Unidade de Sa&#250;de (US). Os utentes selecionados aleatoriamente foram, numa primeira fase, contactados via telef&#243;nica pelos administrativos de cada uma das USF correspondentes. Neste primeiro contacto, o secret&#225;rio cl&#237;nico/administrativo, seguindo um gui&#227;o, explicava brevemente ao utente em que consistia o estudo para o qual tinha sido selecionado e que, caso aceitasse participar, seria posteriormente contactado por um m&#233;dico da sua USF para responder ao question&#225;rio. Os contactos telef&#243;nicos foram efetuados das 8 &#224;s 20 horas. Na aus&#234;ncia de resposta ao primeiro contacto, quer pelo secret&#225;rio cl&#237;nico/administrativo na primeira fase, quer pelo investigador na segunda fase, eram efetuados, pelo menos, mais quatro tentativas de contacto posteriores, sempre em hor&#225;rios e dias diferentes. A todos os utentes que aceitaram participar foi garantida a confidencialidade das suas respostas e a liberdade de, a qualquer momento, desistirem de participar no estudo. Os utentes que n&#227;o atenderam a chamada telef&#243;nica, os que se recusaram participar no estudo e os que ao longo da entrevista telef&#243;nica apresentaram evidente incapacidade/dificuldade em perceber as perguntas que lhes foram colocadas ou responderam de forma inapropriada foram exclu&#237;dos. Destes, recolheu-se, do processo cl&#237;nico, apenas o g&#233;nero e a idade. Os dados obtidos foram codificados e introduzidos em base de dados constru&#237;da para o efeito, com recurso ao programa <i>Microsoft Office Excel 2010</i>&#174;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente aos dados recolhidos foram definidas vari&#225;veis qualitativas (isen&#231;&#227;o, g&#233;nero, estado civil, situa&#231;&#227;o profissional, profiss&#227;o atual, rendimento mensal l&#237;quido do agregado familiar e estado geral de sa&#250;de) e quantitativas (idade, anos de escolaridade, n&#250;mero de elementos do agregado familiar e dura&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o do utente com o seu MF atual). Para cada uma das dimens&#245;es da acessibilidade (&#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187;, &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187; e &#171;Adequabilidade&#187;) foram definidas tr&#234;s vari&#225;veis qualitativas. Na avalia&#231;&#227;o da &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187;, as vari&#225;veis foram a &#171;Facilidade de desloca&#231;&#227;o do utente &#224; sua US&#187;, a &#171;Satisfa&#231;&#227;o do utente com o hor&#225;rio de atendimento da sua US&#187; e a &#171;Facilidade de marca&#231;&#227;o de consulta com o seu MF&#187;. As vari&#225;veis &#171;Frequ&#234;ncia com que o utente deixou de recorrer ao seu MF por ser dispendioso&#187;, &#171;Frequ&#234;ncia com que o utente deixou de fazer medica&#231;&#227;o ou outros tratamentos por ser dispendioso&#187; e a &#171;Frequ&#234;ncia com que o utente deixou de fazer exames por ser dispendioso&#187; avaliaram o &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187;. A &#171;Adequabilidade&#187; foi estudada com recurso &#224;s vari&#225;veis &#171;Frequ&#234;ncia com que o utente recorre a um m&#233;dico no privado por n&#227;o obter resposta com o seu MF&#187;, &#171;Satisfa&#231;&#227;o com a forma como o utente &#233; atendido pelo seu MF&#187; e &#171;Confian&#231;a do utente no seu MF&#187;.</p>     <p>As vari&#225;veis quantitativas foram sumariadas atrav&#233;s de estat&#237;sticas descritivas, nomeadamente, m&#233;dia, mediana, desvio-padr&#227;o, m&#237;nimo e m&#225;ximo e as vari&#225;veis qualitativas atrav&#233;s do c&#225;lculo de frequ&#234;ncias absolutas <i>(n)</i> e relativas (%) e intervalos de confian&#231;a a 95%. Para avaliar cada uma das tr&#234;s dimens&#245;es foi criado um <i>score</i> global para cada dimens&#227;o a partir do c&#225;lculo da m&#233;dia das tr&#234;s vari&#225;veis dessa dimens&#227;o. Cada uma das vari&#225;veis pontuava de zero a cinco (sempre (0), quase sempre (1), muitas vezes (2), algumas vezes (3), quase nunca (4) e nunca (5)). Assim, por exemplo, para a dimens&#227;o &#171;Esfor&#231;o financeiro&#187;, se a resposta nas tr&#234;s vari&#225;veis fosse &#8220;nunca&#8221; o <i>score</i> dessa dimens&#227;o seria de 5. Contudo, para o c&#225;lculo do <i>score</i> de cada dimens&#227;o houve necessidade de inverter a pontua&#231;&#227;o em algumas das vari&#225;veis para que a interpreta&#231;&#227;o do <i>score</i> se fizesse sempre no mesmo sentido (inverteram-se as tr&#234;s vari&#225;veis da dimens&#227;o &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; e as duas &#250;ltimas vari&#225;veis da dimens&#227;o &#171;Adequabilidade&#187;). Assim, para todas as dimens&#245;es da acessibilidade, um <i>score</i> mais pr&#243;ximo de zero correspondia a uma pior avalia&#231;&#227;o e um <i>score</i> mais pr&#243;ximo de cinco traduzia uma avalia&#231;&#227;o mais positiva. Note-se que, quando uma vari&#225;vel da dimens&#227;o tinha valor omisso, o <i>score</i> era calculado com base na m&#233;dia das outras duas vari&#225;veis e o <i>score</i> s&#243; era calculado quando pelo menos duas das tr&#234;s vari&#225;veis (66%) estavam preenchidas (&#8805;50%). Se duas ou tr&#234;s vari&#225;veis tinham valor omisso, o score era considerado omisso. A consist&#234;ncia interna dos scores foi avaliada atrav&#233;s do coeficiente de alfa de <i>Cronbach.</i></p>     <p>Para a an&#225;lise inferencial foi utilizado o teste do Qui-Quadrado para testar a associa&#231;&#227;o de duas vari&#225;veis qualitativas. Ap&#243;s a an&#225;lise de normalidade, a compara&#231;&#227;o de dois grupos independentes face a uma vari&#225;vel quantitativa foi efetuada atrav&#233;s do teste n&#227;o param&#233;trico de <i>Mann-Whitney-U,</i> de acordo com a valida&#231;&#227;o dos pressupostos inerentes a cada teste. Na compara&#231;&#227;o de tr&#234;s ou mais grupos independentes face a uma vari&#225;vel quantitativa, e uma vez que as hip&#243;teses de normalidade e/ou de homogeneidade de vari&#226;ncias n&#227;o se verificaram, utilizou-se o teste n&#227;o param&#233;trico de <i>Kruskal-Wallis.</i> A an&#225;lise de associa&#231;&#227;o entre duas vari&#225;veis quantitativas foi efetuada atrav&#233;s do coeficiente de correla&#231;&#227;o de <i>Spearman,</i> uma vez que n&#227;o se verificou o pressuposto de normalidade. Os testes estat&#237;sticos foram efetuados bilateralmente considerando um n&#237;vel de signific&#226;ncia de 5%.</p>     <p>A an&#225;lise estat&#237;stica dos dados foi efetuada atrav&#233;s do <i>software</i> estat&#237;stico IBM<sup>&#174;</sup> SPSS<sup>&#174;</sup> <i>Statistics,</i> v. 19.</p>     <p>A realiza&#231;&#227;o deste estudo foi aprovada pelos orientadores das investigadoras, pelos coordenadores das USF Br&#225;s-Oleiro, S&#227;o Pedro da Cova, Bracara Augusta e Prelada, pelos Presidentes dos Conselhos Cl&#237;nicos e de Sa&#250;de dos ACeS Grande Porto II-Gondomar, C&#225;vado I-Braga e Grande Porto V-Porto Ocidental e pela Unidade de Investiga&#231;&#227;o Cl&#237;nica da Administra&#231;&#227;o Regional de Sa&#250;de (ARS) do Norte, tendo merecido parecer favor&#225;vel por parte da Comiss&#227;o de &#201;tica da ARS Norte.</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Dos 1.250 utentes selecionados, 692 (55,4%) responderam ao question&#225;rio. Dos utentes exclu&#237;dos, 446 (35,6%) n&#227;o se encontravam contact&#225;veis, 66 (5,3%) recusaram participar, 33 (2,6%) mostraram-se incapazes de responder, seis (0,5%) tinham falecido e sete (0,6%) n&#227;o correspondiam a nenhum utente identific&#225;vel na lista de utentes (por algum erro n&#227;o detetado na recolha inicial da popula&#231;&#227;o em estudo) (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a04f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em m&#233;dia, foram realizados 115 question&#225;rios por investigadora (varia&#231;&#227;o: 89 a 160 question&#225;rios). Na USF Br&#225;s-Oleiro foram aplicados 49,6% dos question&#225;rios, seguindo-se a USF Bracara Augusta com 21,7%, a USF Prelada com 15,2% e a USF S&#227;o Pedro da Cova com 13,6%.</p>     <p>Em rela&#231;&#227;o &#224;s caracter&#237;sticas sociodemogr&#225;ficas dos utentes inclu&#237;dos no estudo (<a href="#q1">Quadro I</a>), a maioria dos utentes pertencia ao g&#233;nero feminino (57,4%) e encontrava-se casado ou em uni&#227;o de facto (65,2%). Os utentes entrevistados tinham, em m&#233;dia, 52 anos de idade (mediana=52 anos; varia&#231;&#227;o=18 e 90 anos) e uma escolaridade m&#233;dia de oito anos. Relativamente &#224; situa&#231;&#227;o profissional, 323 (46,7%) dos utentes que responderam estavam no ativo, 218 (31,5%) encontravam-se reformados, 115 (16,6%) estavam desempregados e 29 (4,2%) eram estudantes. Em m&#233;dia, o agregado familiar dos utentes inclu&#237;dos apresentava cerca de tr&#234;s elementos, variando entre um a oito elementos. A maioria dos utentes (64,5%) apresentava um rendimento mensal l&#237;quido do agregado familiar entre os 500 &#8364;&nbsp; e os 1.500 &#8364;, em 14,6% dos casos este era inferior a 500 &#8364;&nbsp; e em 20,2% auferiam um rendimento l&#237;quido superior a 1.500 &#8364;. A isen&#231;&#227;o de taxa moderadora verificou-se em 49,0% dos casos. Em 8,1% dos casos, os utentes referiram ter um estado geral de sa&#250;de &#8220;excelente&#8221;, em 16,2% &#8220;muito bom&#8221;, em 33,5% &#8220;bom&#8221;, em 31,6% &#8220;suficiente&#8221; e em 10,5% &#8220;mau&#8221;. A dura&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o do utente com o seu MF atual foi, em m&#233;dia, de 17 anos (mediana=17 anos; varia&#231;&#227;o=1 e 45 anos).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a04q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Comparando os indiv&#237;duos exclu&#237;dos e inclu&#237;dos constatou-se existirem diferen&#231;as estatisticamente significativas entre os dois grupos relativamente &#224; idade e ao g&#233;nero. Assim, utilizou-se o teste de <i>Mann-Whitney-U</i> para amostras independentes para comparar os dois grupos relativamente &#224; idade, verificando-se, em termos medianos, que os inclu&#237;dos eram mais velhos que os exclu&#237;dos (52 anos <i>vs</i> 47 anos; <i>p</i>=0,003). A diferen&#231;a entre os dois grupos relativamente ao g&#233;nero foi testada atrav&#233;s do teste Qui-quadrado, tendo-se observado que havia mais mulheres no grupo dos inclu&#237;dos do que nos exclu&#237;dos (57,4% <i>vs</i> 50,8%; <i>p</i>=0,021) (<a href="#q2">Quadro II</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a04q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os <i>scores</i> mostraram uma boa consist&#234;ncia interna (&#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (alfa de Cronbach=0,663); &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187; (alfa de Cronbach=0,75); &#171;Adequabilidade&#187; (alfa de Cronbach=0,74)). A &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; obteve um <i>score</i> global m&#233;dio de 3,91, o &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187; de 4,74 e a &#171;Adequabilidade&#187; de 4,34.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para comparar as USF onde foi realizado o estudo utilizou-se o teste de <i>Kruskal-Wallis,</i> tendo-se verificado a exist&#234;ncia de diferen&#231;as estatisticamente significativas entre as USF relativamente a cada score (&#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187;, <i>p</i>&lt;0,001; &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187;, <i>p</i>=0,004; &#171;Adequabilidade&#187;, <i>p</i>&lt;0,001) (<a href="#q3">Quadro III</a>). A USF Br&#225;s Oleiro foi a que apresentou melhor &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (mediana=4,6; varia&#231;&#227;o=0,0 e 5,0; m&#233;dia=4,1; <i>DP</i>=0,9) e melhor &#171;Adequabilidade&#187; (mediana=5,0; varia&#231;&#227;o: 0,0 e 5,0; m&#233;dia=4,5; <i>DP</i>=0,8). Todas as USF apresentaram igual valor mediano relativamente ao &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187;. No entanto, a USF Br&#225;s Oleiro foi a que apresentou melhor m&#233;dia relativamente a esta &#250;ltima dimens&#227;o (m&#233;dia=4,5; <i>DP</i>=0,8).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a04q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A rela&#231;&#227;o entre o g&#233;nero, estado civil, situa&#231;&#227;o profissional e as tr&#234;s dimens&#245;es da acessibilidade est&#225; representada no <a href="#q4">Quadro IV</a>. O teste de <i>Mann-Whitney-U</i> foi utilizado para comparar o g&#233;nero relativamente a cada um dos <i>scores,</i> n&#227;o se tendo observado diferen&#231;as estatisticamente significativas entre o g&#233;nero feminino e masculino (<i>p</i>&gt;0,05). Para comparar o estado civil e a situa&#231;&#227;o profissional relativamente a cada <i>score</i> foi utilizado o teste de <i>Kruskal-Wallis.</i> N&#227;o se verificaram diferen&#231;as estatisticamente significativas entre o estado civil para cada um dos <i>scores</i> (<i>p</i>&gt;0,05). No entanto, constatou-se existirem diferen&#231;as estatisticamente significativas entre a situa&#231;&#227;o profissional (exceto para as categorias &#8220;n&#227;o aplic&#225;vel&#8221; e &#8220;desconhecido&#8221; - o teste n&#227;o entrou em linha de conta com estas categorias) relativamente aos scores &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (<i>p</i>&lt;0,001) e &#171;Adequabilidade&#187; (<i>p</i>&lt;0,001). Assim, os reformados apresentaram melhor &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (mediana=4,5; varia&#231;&#227;o: 1,0 e 5,0). Os ativos e os estudantes tiveram pior &#171;Adequabilidade&#187; (mediana=4,3) em compara&#231;&#227;o com os reformados e os desempregados (mediana=5,0).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a04q4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para procurar associa&#231;&#245;es entre as vari&#225;veis idade, escolaridade, n&#250;mero de elementos do agregado familiar e rendimento familiar e cada um dos <i>scores</i> foi utilizada a correla&#231;&#227;o de <i>Spearman</i> (<a href="#q5">Quadro V</a>). A idade associou-se quer com a &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187;, quer com a &#171;Adequabilidade&#187;: quanto maior a idade melhor a &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>=0,123; <i>p</i>=0,001) e melhor a &#171;Adequabilidade&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>=0,124; <i>p</i>=0,001). A escolaridade mostrou correla&#231;&#227;o com os tr&#234;s <i>scores:</i> quanto menor a escolaridade melhor a &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>= -0,165; <i>p</i>&lt;0,001), maior o &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>=0,140; <i>p</i>&lt;0,001) e melhor a &#171;Adequabilidade&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>= -0,253; <i>p</i>&lt;0,001). O n&#250;mero de elementos do agregado familiar, assim como o rendimento familiar, tamb&#233;m se correlacionaram com os scores obtidos em cada uma das tr&#234;s dimens&#245;es: quanto menor o agregado familiar melhor a &#171;Capacidade e Adequabilidade&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>= -0,150; <i>p</i>&lt;0,001), menor o &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>= -0,103; <i>p</i>=0,007) e melhor a &#171;Adequabilidade&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>= -0,166; <i>p</i>&lt;0,001); quanto menor o rendimento mensal melhor a &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>= -0,141; <i>p</i>&lt;0,001) e melhor a &#171;Adequabilidade&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>= -0,295; <i>p</i>&lt;0,001) e, em sentido inverso, quanto maior o rendimento mensal menor o &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>=0,173; <i>p</i>&lt;0,001). Assim, ainda que baixas, as correla&#231;&#245;es mostraram-se estatisticamente significativas para estas quatro vari&#225;veis relativamente a alguns dos <i>scores.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="q5"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a04q5.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na tentativa de esclarecer que influ&#234;ncia a isen&#231;&#227;o de taxas moderadoras poderia ter na pontua&#231;&#227;o destes <i>scores,</i> o teste <i>Mann-Whitney-U</i> foi novamente utilizado, desta vez para comparar o estado de isen&#231;&#227;o de taxa moderadora (isento vs n&#227;o isento) relativamente a cada <i>score</i> (<a href="#q4">Quadro IV</a>). Assim, no mesmo sentido que o verificado para o rendimento mensal, observou-se que existiam diferen&#231;as estatisticamente significativas entre estar ou n&#227;o isento relativamente a cada um dos <i>scores</i> (&#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187;, p=0,036; &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187;, p&lt;0,001 e &#171;Adequabilidade&#187;, p=0,005). Os isentos e os n&#227;o isentos apresentaram o mesmo valor mediano na &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (mediana=4,0) e no &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187; (mediana=5,0). No entanto, em termos m&#233;dios, os isentos apresentaram melhor &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (m&#233;dia=4,0; <i>DP</i>=1,1) e os n&#227;o isentos apresentaram menor &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187; (m&#233;dia=4,8; <i>DP</i>=0,5). Os isentos foram os que apresentaram melhor &#171;Adequabilidade&#187; (mediana=5,0; varia&#231;&#227;o: 1,0 e 5,0).</p>     <p>Recorreu-se ainda &#224; correla&#231;&#227;o de <i>Spearman</i> para analisar a associa&#231;&#227;o quer do estado geral de sa&#250;de, quer a dura&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o do utente com o seu m&#233;dico de fam&#237;lia com cada score (<a href="#q5">Quadro V</a>). Encontraram-se correla&#231;&#245;es estatisticamente significativas, ainda que baixas, de ambas as vari&#225;veis relativamente aos scores de &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; e de &#171;Adequabilidade&#187;. Assim, quanto pior a perce&#231;&#227;o do estado geral de sa&#250;de, melhor a &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>= 0,076; <i>p</i>=0,046) e melhor a &#171;Adequabilidade&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>=0,143; <i>p</i>&lt;0,001); quanto maior a dura&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o do utente com o seu m&#233;dico de fam&#237;lia, melhor a &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>=0,153; <i>p</i>&lt;0,001) e melhor a &#171;Adequabilidade&#187; (<i>r<sub>s</sub></i>=0,212; <i>p</i>&lt;0,001).</p>     <p><b>Discuss&#227;o</b></p>     <p>Neste estudo, a acessibilidade foi avaliada atrav&#233;s de par&#226;metros que surgem ap&#243;s a perce&#231;&#227;o, por parte dos utentes, da necessidade de cuidados de sa&#250;de: a &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187;, que reflete sobretudo a capacidade das US oferecerem servi&#231;os em quantidade suficiente e a facilidade com que os utentes podem recorrer a esses servi&#231;os; o &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187;, que exprime os custos associados aos cuidados prestados; e a &#171;Adequabilidade&#187;, que expressa a qualidade da rela&#231;&#227;o m&#233;dico-doente e a perce&#231;&#227;o de qualidade dos cuidados providenciados no servi&#231;o de sa&#250;de.</p>     <p>Na aus&#234;ncia de um instrumento consistente e validado que avaliasse o n&#237;vel socioecon&#243;mico na sua globalidade, utilizaram-se alguns par&#226;metros individuais para o determinar de forma indireta, como o grau de escolaridade, o n&#250;mero de elementos e o rendimento mensal do agregado familiar, a situa&#231;&#227;o ocupacional e o estado de isen&#231;&#227;o. Posteriormente procurou-se demonstrar de que forma estariam relacionados ou n&#227;o com a acessibilidade aos CSP nesta popula&#231;&#227;o da regi&#227;o norte de Portugal.</p>     <p>Relativamente &#224; escolaridade e ao rendimento mensal do agregado familiar verificou-se que, quanto menor o n&#250;mero de anos frequentados na escola pelos utentes e menor o seu rendimento, melhor a sua acessibilidade aos CSP em todos os aspetos, exceto no que diz respeito ao &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187;. Assim, assumindo que os indiv&#237;duos com menos anos de escolaridade e menor rendimento mensal pertencem a um n&#237;vel socioecon&#243;mico mais desfavorecido, estes apresentaram, como seria de esperar, mais dificuldade em comprar medica&#231;&#227;o, efetuar tratamentos, realizar exames complementares de diagn&#243;stico e suportar os custos inerentes &#224; visita m&#233;dica (transporte, perda de remunera&#231;&#227;o por absentismo, taxa moderadora). No entanto, em contraste, estes indiv&#237;duos referiram uma maior facilidade em deslocar-se e aceder a uma consulta com o seu MF, assim como manifestaram uma maior satisfa&#231;&#227;o com este, em compara&#231;&#227;o com os indiv&#237;duos de maior escolaridade e rendimento mensal, ou seja, pertencentes a um n&#237;vel socio-econ&#243;mico mais favorecido. Por outro lado, grande parte da popula&#231;&#227;o tem seguros de sa&#250;de privado para al&#233;m do servi&#231;o p&#250;blico e a frequ&#234;ncia com que acede ao servi&#231;o de sa&#250;de privado pode variar de acordo com o n&#237;vel educacional.<sup>3</sup> Assim, poder&#225; especular-se que os indiv&#237;duos com n&#237;vel de escolaridade mais elevado, e que poder&#227;o apresentar consequentemente maiores rendimentos, possam recorrer mais aos servi&#231;os de sa&#250;de privados, diminuindo desta forma a acessibilidade destes ao servi&#231;o p&#250;blico.</p>     <p>Em termos de situa&#231;&#227;o profissional, os reformados foram o grupo que teve uma melhor &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187;. O facto de estes poderem apresentar uma maior disponibilidade ao longo do dia poder&#225; justificar uma maior facilidade em se deslocarem &#224; sua US, satisfa&#231;&#227;o com o seu hor&#225;rio de funcionamento e flexibilidade na marca&#231;&#227;o de consultas. Em contrapartida, os indiv&#237;duos ativos e os estudantes evidenciaram pior &#171;Adequabilidade&#187;, isto &#233;, mostraram-se menos satisfeitos com os cuidados de sa&#250;de prestados pelo seu MF, assim como com a rela&#231;&#227;o estabelecida com este. Considerando que estes indiv&#237;duos ser&#227;o, &#224; partida, mais jovens e ter&#227;o uma menor disponibilidade di&#225;ria devido &#224; sua atividade profissional, &#233; prov&#225;vel que sejam mais exigentes e tenham necessidade de resolver os seus problemas de sa&#250;de de forma mais c&#233;lere e efetiva, pois o tempo de que disp&#245;em &#233; menor em compara&#231;&#227;o com os utentes desempregados e reformados. Al&#233;m disso, os utentes estudantes e ativos recorrem, &#224; partida, menos vezes ao m&#233;dico, condicionando um menor contacto com este e, por isso, menos oportunidades de estabelecimento de uma rela&#231;&#227;o de confian&#231;a com este, podendo justificar uma menor adequabilidade dos cuidados. O esfor&#231;o financeiro n&#227;o afetou a acessibilidade em nenhum destes grupos.</p>     <p>Relativamente ao tamanho do agregado familiar verificou-se que, quanto menor o n&#250;mero de elementos, melhor a acessibilidade, em todos os par&#226;metros. A rela&#231;&#227;o entre o n&#250;mero de elementos do agregado familiar e o n&#237;vel socioecon&#243;mico poder&#225; ser mais dif&#237;cil de estabelecer. &#192; primeira vista, poderia depreender-se que quanto menor o agregado familiar maior a disponibilidade financeira por elemento e, de uma forma global, melhor seria o n&#237;vel socioecon&#243;mico da fam&#237;lia. Desta forma, e contrariando o que tem vindo a ser estabelecido, um menor agregado familiar (melhor n&#237;vel socioecon&#243;mico) estaria associado a uma maior acessibilidade aos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios. Numa outra perspetiva, fam&#237;lias abastadas poder&#227;o ter mais filhos e, com medidas de planeamento familiar, fam&#237;lias de baixos rendimentos poder&#227;o escolher ter menos. Assim, um menor agregado familiar, associado agora a um n&#237;vel socioecon&#243;mico mais baixo, estaria associado a melhor acessibilidade. Desta forma, a rela&#231;&#227;o do tamanho do agregado com o n&#237;vel socioecon&#243;mico carece de suporte bibliogr&#225;fico e necessita de ser melhor estabelecida em trabalhos futuros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os indiv&#237;duos isentos de taxa moderadora revelaram melhor &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; e &#171;Adequabilidade&#187;, enquanto os n&#227;o isentos mostraram menor &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187;. Os isentos s&#227;o provavelmente indiv&#237;duos com menor rendimento econ&#243;mico, desempregados ou reformados, pelo que ter&#227;o, &#224; partida, mais facilidade em aceder ao seu MF. Al&#233;m disso, como recorrem mais frequentemente ao servi&#231;o p&#250;blico em detrimento do privado, a probabilidade de estarem mais satisfeitos e confiarem no seu MF &#233; maior. De destacar que a isen&#231;&#227;o de taxa moderadora se verificou em 49% dos casos, o que &#233; sensivelmente semelhante &#224; m&#233;dia nacional (53%).<sup>7</sup></p>     <p>A perce&#231;&#227;o do estado geral de sa&#250;de bem como a dura&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o com o MF n&#227;o demonstraram associa&#231;&#227;o com o &#171;Esfor&#231;o Financeiro&#187;. Por outro lado, uma pior perce&#231;&#227;o de estado de sa&#250;de e uma maior dura&#231;&#227;o daquela rela&#231;&#227;o associaram-se a uma maior acessibilidade no que diz respeito &#224; &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; e &#224; &#171;Adequabilidade&#187;. Mais acessibilidade para os que t&#234;m pior perce&#231;&#227;o de estado de sa&#250;de vai de encontro ao princ&#237;pio de justi&#231;a distributiva que se refere &#224; distribui&#231;&#227;o justa, equitativa e apropriada dos recursos de sa&#250;de, isto &#233;, &#8220;dar mais a quem mais precisa&#8221;.<sup>8</sup> Paralelamente, uma rela&#231;&#227;o mais longa providencia maior conhecimento m&#250;tuo e solidifica&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o de confian&#231;a m&#233;dico-utente.</p>     <p>Todas as unidades de sa&#250;de mostraram, de uma forma global, boa acessibilidade, destacando-se a USF Br&#225;s Oleiro nos par&#226;metros &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; e &#171;Adequabilidade&#187;. Isto pode dever-se, em parte, &#224; localiza&#231;&#227;o geogr&#225;fica desta unidade, pois situa-se numa regi&#227;o mais perif&#233;rica e, portanto, com menos unidades privadas de sa&#250;de, levando ao recurso mais ass&#237;duo dos doentes aos CSP.</p>     <p>Sobre a utiliza&#231;&#227;o de subsistemas e servi&#231;os privados, em Portugal existem mais de 2.500.000 habitantes com subsistemas ou com seguros de sa&#250;de (2010) e uma diversidade de prestadores de cuidados de sa&#250;de. Do total da popula&#231;&#227;o residente em Portugal, 81,1% recorre ao SNS, 10,1% tem acesso &#224; Assist&#234;ncia na Doen&#231;a aos Servidores Civis do Estado (ADSE), 1,3% n&#227;o utiliza nenhum subsistema de sa&#250;de, 7,5% utiliza outros subsistemas e 10,5% possui seguros de sa&#250;de privados.<sup>9</sup> Neste contexto, inquirir os utentes sobre a posse de um seguro de sa&#250;de poderia ser &#250;til; contudo, n&#227;o seria &#233;tico.</p>     <p>Analisando os resultados, depreende-se que a taxa de resposta ficou aqu&#233;m do esperado, sendo o principal motivo os utentes n&#227;o se encontrarem contact&#225;veis. Deveu-se, provavelmente, &#224; n&#227;o atualiza&#231;&#227;o dos contactos telef&#243;nicos da lista de utentes e ao facto de os contactos terem sido efetuados unicamente durante o hor&#225;rio de funcionamento das USF (8h-20h) que poder&#225; ter coincidido com o hor&#225;rio laboral de grande parte da popula&#231;&#227;o ativa. Outra limita&#231;&#227;o do estudo foi a cria&#231;&#227;o de um question&#225;rio n&#227;o validado para determina&#231;&#227;o da acessibilidade. O facto de uma das USF estar quantitativamente mais representada do que as restantes poder&#225; ter influenciado os resultados, enviesando as conclus&#245;es retiradas. Por outro lado, verificou-se que existiam diferen&#231;as entre os exclu&#237;dos e os inclu&#237;dos - os utentes inclu&#237;dos eram, em m&#233;dia, mais velhos do que os exclu&#237;dos, provavelmente por apresentarem maior disponibilidade de tempo, uma vez que uma grande parte desta popula&#231;&#227;o se encontra inativa -, criando problemas na interpreta&#231;&#227;o dos resultados e extrapola&#231;&#227;o dos dados obtidos para a popula&#231;&#227;o geral.</p>     <p>Em rela&#231;&#227;o &#224; avalia&#231;&#227;o do estado geral de sa&#250;de, deve salientar-se que esta &#233; subjetiva, sendo autorreportada e dependendo unicamente da perce&#231;&#227;o do utente. No entanto, &#224; semelhan&#231;a deste estudo, noutros<sup>2</sup> a avalia&#231;&#227;o do estado de sa&#250;de era realizada apenas atrav&#233;s de uma simples quest&#227;o ou atrav&#233;s de uma combina&#231;&#227;o de quest&#245;es sobre incapacidade e perce&#231;&#227;o do estado de sa&#250;de. Em &#250;ltima an&#225;lise, mais importante do que conhecer o estado geral de sa&#250;de, &#233; saber a perce&#231;&#227;o que o pr&#243;prio tem do seu estado de sa&#250;de. Adicionalmente, e de acordo com a literatura,<sup>10</sup> a probabilidade de ser observado por um MF parece estar distribu&#237;da de acordo com a necessidade e n&#227;o &#233; muito influenciada pelo rendimento. Contudo, no presente estudo n&#227;o foi feito o ajuste para o estado geral de sa&#250;de, pelo que a rela&#231;&#227;o entre o n&#237;vel socioecon&#243;mico e a acessibilidade poder&#225; estar enviesada.</p>     <p>De acordo com estudos pr&#233;vios, a frequ&#234;ncia de consultas/ano poder&#225; influenciar a acessibilidade; contudo, este n&#227;o foi um dos par&#226;metros avaliado. Poder&#227;o existir erros na informa&#231;&#227;o obtida atrav&#233;s do sistema inform&#225;tico, nomeadamente relativa &#224; data do &#250;ltimo contacto. A amostragem telef&#243;nica poder&#225; ter exclu&#237;do utentes que n&#227;o apresentassem contacto telef&#243;nico registado ou atualizado no sistema inform&#225;tico. Este estudo tamb&#233;m n&#227;o avaliou de forma precisa os custos indiretos totais no acesso aos cuidados de sa&#250;de.</p>     <p>Em Portugal, um estudo realizado pela Entidade Reguladora de Sa&#250;de em 2009<sup>1</sup> procurou avaliar v&#225;rios par&#226;metros da acessibilidade aos CSP. Relativamente &#224; dimens&#227;o &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; (naquele estudo representadas por &#171;Proximidade&#187; e &#171;Adequabilidade&#187;) concluiu-se que os CSP se encontram pr&#243;ximos dos utentes, j&#225; que a popula&#231;&#227;o residente fora do alcance de um centro de sa&#250;de (a mais de 30 minutos) n&#227;o chega a representar 0,03% da popula&#231;&#227;o. Por outro lado, as avalia&#231;&#245;es positivas em rela&#231;&#227;o aos hor&#225;rios de funcionamento das consultas e facilidade da sua marca&#231;&#227;o foram mais predominantes do que as avalia&#231;&#245;es negativas. Contudo, o estudo supracitado apenas avaliou descritivamente os diversos par&#226;metros da acessibilidade, mas n&#227;o a relacionou com o n&#237;vel socioecon&#243;mico, ao contr&#225;rio do presente estudo, enfatizando a inova&#231;&#227;o do mesmo.</p>     <p>A avalia&#231;&#227;o detalhada do n&#237;vel socioecon&#243;mico, a elabora&#231;&#227;o de um question&#225;rio original e a realiza&#231;&#227;o de um question&#225;rio telef&#243;nico a um elevado n&#250;mero de indiv&#237;duos s&#227;o outras mais-valias deste estudo.</p>     <p>Globalmente, o presente estudo permitiu mostrar que um n&#237;vel socioecon&#243;mico mais desfavorecido e uma pior perce&#231;&#227;o do estado de sa&#250;de estavam correlacionados com uma maior acessibilidade, fundamentalmente no que diz respeito &#224; &#171;Capacidade e Acomoda&#231;&#227;o&#187; e &#171;Adequabilidade&#187; para a popula&#231;&#227;o analisada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dada a escassez de estudos realizados noutras popula&#231;&#245;es que associem a acessibilidade&nbsp; e o n&#237;vel socioecon&#243;mico &#233; fundamental que se realizem, no futuro, estudos semelhantes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Entidade Reguladora da Sa&#250;de. Estudo do acesso aos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios do SNS (Internet). Porto: ERS; 2009. Available from: <a href="https://www.ers.pt/uploads/writer_file/document/86/ERS_-_Estudo_do_Acesso_aos_Cuidados_de_Saude_Primarios_-_Relatorio.pdf" target="_blank">https://www.ers.pt/uploads/writer_file/document/86/ERS_-_Estudo_do_Acesso_aos_Cuidados_de_Saude_Primarios_-_Relatorio.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365047&pid=S2182-5173201600060000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. Hanratty B, Zhang T, Whitehead M. How close have universal health systems come to achieving equity in use of curative services? A systematic review. Int J Health Serv. 2007;37(1):89-109.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365048&pid=S2182-5173201600060000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Lostao L, Regidor E, Geyer S, A&#239;ach P. Patient cost sharing and physician visits by socioeconomic position: findings in three Western European countries. J Epidemiol Community Health. 2007;61(5):416-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365050&pid=S2182-5173201600060000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Penchansky R, Thomas JW. The concept of access: definition and relationship to consumer satisfaction. Med Care. 1981;19(2):127-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365052&pid=S2182-5173201600060000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>5. Levesque JF, Harris MF, Russell G. Patient-centred access to health care: conceptualising access at the interface of health systems and populations. Int J Equity Health. 2013;12:18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365054&pid=S2182-5173201600060000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Safran DG, Kosinski M, Tarlov AR, Rogers WH, Taira DH, Lieberman N, et al. The Primary Care Assessment Survey: tests of data quality and measurement performance. Med Care. 1998;36(5):728-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365056&pid=S2182-5173201600060000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>7. Administra&#231;&#227;o Central do Sistema de Sa&#250;de. Taxas moderadoras (Internet). Lisboa: Minist&#233;rio da Sa&#250;de; 2016. Available from: <a href="http://www.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365058&pid=S2182-5173201600060000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->acss.min-saude.pt/2016/09/15/taxas-moderadoras/" target="_blank">http://www.acss.min-saude.pt/2016/09/15/taxas-moderadoras/</a> </p>     <!-- ref --><p>8. Nunes R. Regula&#231;&#227;o na sa&#250;de. 3&#170; ed. Porto: Vida Econ&#243;mica; 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365060&pid=S2182-5173201600060000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9789897680687. </p>     <!-- ref --><p>9. Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de. Plano nacional de sa&#250;de, 2012-2016. Lisboa: DGS; 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365062&pid=S2182-5173201600060000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>10. Van Doorslaer E, Masseria C, Koolman X. Inequalities in access to medical care by income in developed countries. CMAJ. 2006;174(2):177-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365064&pid=S2182-5173201600060000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>V&#226;nia Teixeira </p>     <p>R. Serafim da Silva Lopes, 32 - 2&#186;dto</p>     <p>4465-261 S&#227;o Mamede de Infesta</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:vaniafteixeira@gmail.com">vaniafteixeira@gmail.com</a> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As autoras declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 24-07-2015</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 22-08-2016</b></p>      ]]></body><back>
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