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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Hemoglobinopatias em Portugal e a intervenção do médico de família]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Hemoglobinopathies are among the most common inherited diseases. Early diagnosis can reduce morbidity and mortality with prompt implementation of preventive and therapeutic measures. The family physician can perform screening tests for hemoglobinopathies to help achieve this. This article reviews the clinical and epidemiological features of the major hemoglobinopathies. Based on these characteristics, an approach is proposed for primary health care services to identify and manage the complications related to these conditions. In order to promote critical reflection on this topic, we have collected the literature on the epidemiology of these conditions in Portugal. There is only one Portuguese guideline on hemoglobinopathies. This was published in 2004 but there have been no epidemiological studies published in Portugal since the 1980s. Given the patterns of external and internal migration of the population since that time, health professionals should reflect on the need for targeted screening for hemoglobinopathies in the risk areas identified previously. We conclude that is urgent to sensitize and train family physician to address these conditions. A new study of the national epidemiology of hemoglobinopathies and possible regional variations is necessary in order to make decisions based on scientific evidence and focused on the specific needs of the population.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>OPINI&#195;O E DEBATE</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Hemoglobinopatias em Portugal e a interven&#231;&#227;o do m&#233;dico de fam&#237;lia</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Hemoglobinopathies in Portugal and the role of the family physician</b></font></p>     <p><b>Sara Neves Costa,* Sara Madeira,** Maria Ana Sobral,*** Gon&#231;alo Delgadinho****</b></p>     <p>*M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar, USF Mactam&#227;, ACeS Sintra</p>     <p>**M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar, USF Mactam&#227;, ACeS Sintra</p>     <p>***M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar, USF AlphaMouro, ACeS Sintra</p>     <p>****M&#233;dico Interno de Medicina Geral e Familiar, USF Arco-Iris, ACeS Amadora</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>As hemoglobinopatias s&#227;o as doen&#231;as heredit&#225;rias mais frequentes e o seu diagn&#243;stico precoce pode reduzir a morbimortalidade atrav&#233;s da implementa&#231;&#227;o atempada de medidas preventivas e terap&#234;uticas. O m&#233;dico de fam&#237;lia encontra-se numa posi&#231;&#227;o privilegiada para a realiza&#231;&#227;o do rastreio destas patologias.</p>     <p>Neste artigo s&#227;o revistos elementos cl&#237;nicos e epidemiol&#243;gicos das hemoglobinopatias <i>major.</i> Com base nestas caracter&#237;sticas &#233; proposta uma abordagem por parte dos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios, de forma a identificar precocemente e/ou gerir as principais complica&#231;&#245;es associadas a esta condi&#231;&#227;o. Por fim, e com o intuito de promover uma reflex&#227;o cr&#237;tica, compil&#225;mos os documentos publicados sobre a epidemiologia nacional nesta tem&#225;tica.</p>     <p>Em Portugal existe uma &#250;nica norma de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica que contempla a tem&#225;tica das hemoglobinopatias na perspetiva do rastreio pr&#233;-natal. Esta norma data de 2004, apesar de n&#227;o terem sido publicados estudos epidemiol&#243;gicos de car&#225;ter nacional desde a d&#233;cada de 80. Considerando os fen&#243;menos migrat&#243;rios externos e internos decorridos desde esse tempo, dever&#227;o os profissionais de sa&#250;de refletir sobre a proposta vigente de aplica&#231;&#227;o de um rastreio dirigido a zonas de risco ent&#227;o identificadas.</p>     <p>Conclui-se que &#233; premente sensibilizar e capacitar os m&#233;dicos de fam&#237;lia na abordagem destas patologias. A revis&#227;o da epidemiologia nacional e eventuais condicionalismos regionais parecem ter tamb&#233;m uma import&#226;ncia fundamental, de modo a serem tomadas decis&#245;es baseadas em evid&#234;ncia cient&#237;fica e mais orientadas para as necessidades espec&#237;ficas da popula&#231;&#227;o.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Hemoglobinopatias; Portugal; M&#233;dico de Fam&#237;lia; Planeamento Familiar.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Hemoglobinopathies are among the most common inherited diseases. Early diagnosis can reduce morbidity and mortality with prompt implementation of preventive and therapeutic measures. The family physician can perform screening tests for hemoglobinopathies to help achieve this.</p>     <p>This article reviews the clinical and epidemiological features of the major hemoglobinopathies. Based on these characteristics, an approach is proposed for primary health care services to identify and manage the complications related to these conditions. In order to promote critical reflection on this topic, we have collected the literature on the epidemiology of these conditions in Portugal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>There is only one Portuguese guideline on hemoglobinopathies. This was published in 2004 but there have been no epidemiological studies published in Portugal since the 1980s. Given the patterns of external and internal migration of the population since that time, health professionals should reflect on the need for targeted screening for hemoglobinopathies in the risk areas identified previously.</p>     <p>We conclude that is urgent to sensitize and train family physician to address these conditions. A new study of the national epidemiology of hemoglobinopathies and possible regional variations is necessary in order to make decisions based on scientific evidence and focused on the specific needs of the population. </p>     <p><b>Keywords:</b> Hemoglobinopathies; Portugal; Family Physician; Family Planning Services.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Objetivo</b></p>     <p>Com este artigo pretendemos promover uma reflex&#227;o cr&#237;tica sobre o algoritmo de rastreio das hemoglobinopatias em Portugal. Este &#233; definido na Normal de Orienta&#231;&#227;o Cl&#237;nica, da Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de, em 2004 e sustenta uma pol&#237;tica de rastreio apenas pr&#233;-natal e dirigido a uma popula&#231;&#227;o de risco. Para um melhor enquadramento definimos os seguintes objetivos espec&#237;ficos: </p>     <p>1. Sistematizar os aspetos relevantes para a medicina geral e familiar na abordagem cl&#237;nica das hemoglobinopatias;</p>     <p>2. Rever os estudos epidemiol&#243;gicos realizados a n&#237;vel nacional sobre hemoglobinopatias.</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A hemoglobina existente nos gl&#243;bulos vermelhos &#233; constitu&#237;da por quatro cadeias de globina, duas do tipo alfa (&#945;) e duas do tipo n&#227;o alfa. A principal hemoglobina presente nos adultos saud&#225;veis designa-se por HbA1 (97%) e &#233; constitu&#237;da por duas cadeias alfa e duas cadeias beta (&#945;<sub>2</sub>/&#946;<sub>2</sub>). Existem ainda outros dois tipos de hemoglobina presentes: a HbA2, que representa cerca de 2% do total e &#233; constitu&#237;da por duas cadeias alfa e duas cadeias delta (&#945;<sub>2</sub>/&#948;<sub>2</sub>), e uma fra&#231;&#227;o residual (&lt;1%) de hemoglobina fetal (HbF) constitu&#237;da por duas cadeias alfa e duas gama (&#945;2/&#947;2). As hemoglobinopatias resultam de muta&#231;&#245;es que afetam os genes respons&#225;veis pela s&#237;ntese das cadeias de globina da hemoglobina. S&#227;o as doen&#231;as heredit&#225;rias mais frequentes a n&#237;vel mundial e t&#234;m uma transmiss&#227;o autoss&#243;mica recessiva. S&#227;o origin&#225;rias da &#193;frica subsariana, &#193;sia e subcontinente Indiano,<sup>1</sup> mas atualmente a sua distribui&#231;&#227;o &#233; heterog&#233;nea, resultado de m&#250;ltiplos fen&#243;menos migrat&#243;rios. Este grupo de doen&#231;as divide-se em defeitos quantitativos (&#945;-talass&#233;mia/&#946;-talass&#233;mia) e qualitativos, quando h&#225; uma estrutura an&#243;mala das cadeias (HbS, HbD, etc.). A maioria das manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas ocorrem a partir dos tr&#234;s meses de idade, resultado da convers&#227;o das cadeias existentes no per&#237;odo pr&#233;-natal nas cadeias p&#243;s-natais. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&#945;-Talass&#233;mia</b></p>     <p>As diferentes formas de &#945;-talass&#233;mia est&#227;o relacionadas com o n&#250;mero de genes delecionados ou mutados.<sup>2</sup> A dele&#231;&#227;o dos quatro genes &#233; incompat&#237;vel com a vida por hidr&#243;psia fetal. A dele&#231;&#227;o ou muta&#231;&#227;o de tr&#234;s genes cursa com anemia moderada a grave (Hb 8-11g/dl) e designa-se por doen&#231;a da hemoglobina H. O atingimento de dois genes cursa com anemia ligeira microc&#237;tica e hipocr&#243;mica (Hb 11-13g/dl). A dele&#231;&#227;o de um gene pode ser fenotipicamente silenciosa (eritrograma dentro do intervalo de normalidade) ou manifestar-se por ligeira microcitose e hipocromia isoladas.</p>     <p>O diagn&#243;stico da &#945;-talass&#233;mia no adulto s&#243; pode ser confirmado com o recurso a t&#233;cnicas de gen&#233;tica molecular. O aconselhamento gen&#233;tico justifica-se se ambos os elementos de um casal em idade f&#233;rtil apresentarem microcitose e, ap&#243;s exclus&#227;o de ferrop&#233;nia, &#946;-talass&#233;mia e presen&#231;a de variantes da hemoglobina.</p>     <p><b>&#946;-Talass&#233;mia</b></p>     <p>O diagn&#243;stico de &#946;-talass&#233;mia &#233; feito pela presen&#231;a aumentada de HbA2 (&gt;3,5%) associada a uma diminui&#231;&#227;o dos &#237;ndices eritrocit&#225;rios. A gravidade do quadro cl&#237;nico depende do grau de diminui&#231;&#227;o da s&#237;ntese da cadeia, definindo-se tr&#234;s grupos<sup>3</sup> (ver <a href="#q1">Quadro I</a>): talass&#233;mia <i>minor</i> ou tra&#231;o talass&#233;mico, talass&#233;mia interm&#233;dia e talass&#233;mia <i>major</i> (Doen&#231;a de Cooley). Enquanto na talass&#233;mia <i>minor</i> n&#227;o existem sintomas graves (anemia ligeira microc&#237;tica), na talass&#233;mia interm&#233;dia a cl&#237;nica &#233; vari&#225;vel, com necessidade de transfus&#227;o ocasional. Na talass&#233;mia <i>major,</i> os doentes s&#227;o dependentes de transfus&#245;es com complica&#231;&#245;es graves, incluindo as da sobrecarga de ferro.<sup>4</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a09q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Doen&#231;a de c&#233;lulas falciformes </b></p>     <p>A Doen&#231;a de c&#233;lulas falciformes (DCF) ou drepanocitose &#233; um termo gen&#233;rico usado para denominar um grupo de doen&#231;as caracterizadas pela presen&#231;a da hemoglobina S, na aus&#234;ncia de forma&#231;&#227;o de HbA1. Sendo assim, exclui-se desta designa&#231;&#227;o os portadores de HbS - usualmente designados por HbAS -, os quais n&#227;o requerem quaisquer cuidados espec&#237;ficos, exceto no planeamento familiar em que o estudo do parceiro &#233; necess&#225;rio para evitar associa&#231;&#227;o de genes afetados no feto.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A designa&#231;&#227;o de DCF inclui os casos homozig&#243;ticos para a HbS (HbSS), que se designa por anemia de c&#233;lulas falciformes (HbSS), as duplas heterozigotias - associa&#231;&#245;es de HbS com outras variantes de hemoglobinas como a HbD, HbC - e ainda as intera&#231;&#245;es com talass&#233;mias (HbS/&#946;-talass&#233;mia, HbS/&#945;-talass&#233;mia).<sup>3</sup></p>     <p>Em Portugal, a apresenta&#231;&#227;o mais frequente &#233; a anemia de c&#233;lulas falciformes (ACF). A HbS resulta de uma muta&#231;&#227;o pontual no gene da globina &#946; que condiciona altera&#231;&#245;es da estabilidade e solubilidade, o que, em situa&#231;&#245;es de baixa oxigena&#231;&#227;o, conduz &#224; polimeriza&#231;&#227;o da sua estrutura com deforma&#231;&#227;o em foice. A ACF caracteriza-se por anemia e hem&#243;lise cr&#243;nicas, com agudiza&#231;&#245;es como, por exemplo, crises vasooclusivas e/ou anemia aguda e aumento da suscetibilidade a infe&#231;&#245;es sist&#233;micas. O quadro inaugural da doen&#231;a pode ser fatal, como consequ&#234;ncia de acidente cerebrovascular,<sup>5</sup> sequestro espl&#233;nico ou s&#233;psis. </p>     <p><b>Abordagem da medicina geral e familiar</b></p>     <p>O diagn&#243;stico laboratorial das hemoglobinopatias &#233; efetuado com base numa marcha anal&#237;tica (<a href="#f1">Figura 1</a>). Na avalia&#231;&#227;o de um hemograma &#233; indispens&#225;vel a valoriza&#231;&#227;o da microcitose, mesmo se n&#227;o se encontra associada a anemia. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a09f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Um diagn&#243;stico precoce possibilita uma diminui&#231;&#227;o da morbimortalidade atrav&#233;s da implementa&#231;&#227;o de medidas gerais e preventivas.<sup>6</sup> O benef&#237;cio das medidas profil&#225;ticas est&#225; bem estabelecido na DCF, nomeadamente ao n&#237;vel das doen&#231;as infecciosas.<sup>6</sup> Na talass&#233;mia major os benef&#237;cios da interven&#231;&#227;o precoce n&#227;o s&#227;o t&#227;o evidentes.<sup>7</sup> No <a href="#q2">Quadro II</a> apresentam-se as principais complica&#231;&#245;es e poss&#237;veis interven&#231;&#245;es cl&#237;nicas. No <a href="#q3">Quadro III</a> apresentam-se medidas educacionais espec&#237;ficas para a DCF.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a09q2.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a09q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em 2004, a Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de (DGS) reviu as orienta&#231;&#245;es para preven&#231;&#227;o de hemoglobinopatias <i>major.</i><sup>8</sup> Neste documento &#233; recomendado o pedido de hemograma para pesquisa de hemoglobinopatias &#8220;a todas as mulheres em idade reprodutiva, em particular, nas consultas de planeamento familiar, pr&#233;-concecional ou, com car&#225;ter de urg&#234;ncia, na 1&#170; consulta da gravidez&#8221;. Para al&#233;m destas situa&#231;&#245;es, est&#225; recomendado o estudo de hemoglobinas se se verificar anemia, microcitose, hipocromia ou hemoglobina elevada* ou nas situa&#231;&#245;es em que o hemograma &#233; normal mas a fam&#237;lia da mulher (ou do parceiro) &#233; oriunda dos distritos com maior preval&#234;ncia de HbS - Beja, Faro, Santar&#233;m e Set&#250;bal - ou das comunidades de imigrantes de zonas de risco. Esta norma refere que o rastreio n&#227;o deve ser realizado em crian&#231;as, salvo condi&#231;&#245;es espec&#237;ficas.</p>     <p>No nosso pa&#237;s, o programa nacional de diagn&#243;stico precoce<sup>&#8224;</sup> n&#227;o contempla o rastreio destas doen&#231;as.<sup>9</sup></p>     <p>*Excluir formas raras de hemoglobinas variantes (hemoglobinas de alta afinidade) nas mulheres sem patologia associada e sem h&#225;bitos tab&#225;gicos.</p>     <p><sup>&#8224;</sup>Teste de Guthrie.</p>     <p>Nestas doen&#231;as, a atua&#231;&#227;o do m&#233;dico de fam&#237;lia &#233; transversal e longitudinal. Inclui o aconselhamento e rastreio pr&#233;-natal, diagn&#243;stico e consequente interven&#231;&#227;o precoce e o acompanhamento dos doentes afetados e suas fam&#237;lias. O conhecimento da preval&#234;ncia e incid&#234;ncia das doen&#231;as &#233; particularmente relevante na medicina comunit&#225;ria uma vez que condiciona o processo de tomada de decis&#245;es. Assim se justifica o interesse desta revis&#227;o epidemiol&#243;gica na &#225;rea da medicina geral e familiar, embora n&#227;o seja de excluir a sua utilidade para outras especialidades m&#233;dicas. Os constantes fen&#243;menos migrat&#243;rios tornam imprescind&#237;vel conhecer a epidemiologia nacional, com as suas idiossincrasias regionais, de uma forma rigorosa e atualizada.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o dos estudos realizados em Portugal</b></p>     <p>No sentido de rever os estudos realizados no &#226;mbito da popula&#231;&#227;o portuguesa consult&#225;mos entidades e personalidades nacionais de refer&#234;ncia, tanto de &#226;mbito cl&#237;nico como de sa&#250;de p&#250;blica. S&#227;o apresentados os principais resultados dos estudos em conjunto com as considera&#231;&#245;es dos documentos oficiais da DGS, por ordem cronol&#243;gica. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No in&#237;cio dos anos 80 foi realizado o primeiro estudo de &#226;mbito nacional, baseado nos jovens militarizados, com o intuito de caracterizar a preval&#234;ncia e a distribui&#231;&#227;o geogr&#225;fica dos genes associados a hemoglobinopatias no nosso pa&#237;s. A preval&#234;ncia global de portadores foi definida entre 1 e 2%, sendo superior a preval&#234;ncia do gene da &#946;-talass&#233;mia (0,45%) em rela&#231;&#227;o &#224; HbS (0,32%).<sup>10</sup> Foram ainda identificadas duas &#8220;bolsas&#8221; de elevada preval&#234;ncia de portadores de HbS, no curso dos rios Tejo e Sado.<sup>10</sup> A distribui&#231;&#227;o geogr&#225;fica revelou-se francamente assim&#233;trica, com preponder&#226;ncia no sul do Pa&#237;s, como pode ser observado na <a href="#f2">Figura 2</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a09f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na sequ&#234;ncia destes achados foi criado em Portugal, no ano de 1986, o Programa Nacional de Controlo das Hemoglobinopatias (PNCH), em coopera&#231;&#227;o com a Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de e coordenado pelo Instituto Nacional de Sa&#250;de Dr. Ricardo Jorge (INSA, IP). O PNCH foi implementado nas sete regi&#245;es do Pa&#237;s identificadas com maiores preval&#234;ncias de portadores, tendo como popula&#231;&#227;o alvo os habitantes dos distritos de Beja, &#201;vora, Faro, Leiria, Lisboa, Santar&#233;m e Set&#250;bal.<sup>11</sup> Os objetivos deste programa abrangiam diferentes vertentes, nomeadamente ao n&#237;vel da preven&#231;&#227;o e aconselhamento, do cuidado otimizado aos doentes, mas tamb&#233;m a investiga&#231;&#227;o cient&#237;fica e epidemiol&#243;gica e a forma&#231;&#227;o dos profissionais de sa&#250;de.<sup>11</sup> Atrav&#233;s da colheita de sangue &#224;s popula&#231;&#245;es de risco pretendia-se prevenir o aparecimento de novos casos de hemoglobinopatias <i>major,</i> identificando portadores e casais de risco, aos quais era fornecido aconselhamento gen&#233;tico e diagn&#243;stico pr&#233;-natal. Aos portadores identificados era oferecida a possibilidade de rastreio aos seus familiares (rastreio &#8220;em cascata&#8221; ou <i>&#8220;clusters&#8221;</i>).<sup>10-11</sup> Os testes hematol&#243;gicos (de rastreio) inclu&#237;am avalia&#231;&#227;o dos &#237;ndices eritrocit&#225;rios e o teste de solubilidade da hemoglobina S. </p>     <p>No &#226;mbito do PNCH foi realizado um estudo multic&#234;ntrico de rastreio orientado para portadores. No per&#237;odo entre 1987 e 1993 foram rastreados 22.683 residentes nas sete regi&#245;es abrangidas dos quais 6.688 estavam gr&#225;vidas e 15.955 eram considerados como popula&#231;&#227;o de risco. Foram identificados 19 casais de risco e realizados 14 diagn&#243;sticos pr&#233;-natais que possibilitaram a preven&#231;&#227;o de dois novos casos de hemoglobinopatia <i>major</i> (um caso de anemia falciforme e um caso de &#946;-talass&#233;mia <i>major</i>).<sup>11</sup> Esta avalia&#231;&#227;o permitiu completar a informa&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica descrita nos anos 80,<sup>10</sup> descrevendo a exist&#234;ncia de &#8220;bolsas&#8221; de alta preval&#234;ncia (superior a 5%) de portadores de &#946;-talass&#233;mia, na Bacia do Rio Mira e no Barlavento Algarvio. Neste estudo foram identificados 2.027 portadores (incluindo portadores de &#946;-talass&#233;mia e de HbS), o que corresponde a 8,9% dos indiv&#237;duos rastreados. </p>     <p>O Plano Nacional de Sa&#250;de 2004-2010 previa o Programa Nacional de Controlo das Hemoglobinopatias, referindo que &#8220;o problema representado pelas talass&#233;mias est&#225; controlado, o mesmo n&#227;o podendo dizer-se da drepanocitose agravado por imigrantes oriundos da costa ocidental de &#193;frica, especialmente de Angola e S&#227;o Tom&#233;&#8221;<sup>12</sup> e incentivando os trabalhos de controlo nas &#225;reas de alta preval&#234;ncia. Neste contexto, em 2004, a DGS rev&#234; as orienta&#231;&#245;es para preven&#231;&#227;o de hemoglobinopatias <i>major,</i> que datavam de 1996. Esta revis&#227;o foi motivada pela acentuada migra&#231;&#227;o interna e acolhimento de imigrantes proveniente de &#225;reas de elevada preval&#234;ncia, nomeadamente da Europa de Leste e da &#193;sia.<sup>8</sup> Estas orienta&#231;&#245;es mant&#234;m-se at&#233; &#224; data.</p>     <p>Em 2006 foi publicado um estudo realizado na regi&#227;o centro<sup>13</sup> sobre a utiliza&#231;&#227;o de amostras de sangue capilar no contexto de rastreio de &#946;-talass&#233;mia e variantes da hemoglobina. A metodologia foi aplicada a gr&#225;vidas at&#233; &#224;s 18 semanas e adultos jovens, obtendo-se um total de 12.228 amostras no final do primeiro ano. Foram identificados 217 portadores (1,77%), dos quais 65,4% com &#946;-talass&#233;mia, sendo os restantes variantes da hemoglobina. Foram identificados quatro casais de risco (dois com &#946;-talass&#233;mia <i>major</i> e dois DCF), tendo-se identificado um feto afetado.</p>     <p>Em 2011, numa tentativa de criar um registo nacional de doentes com drepanocitose, foram apresentados no encontro <i>Drepanocitose em Debate</i> dados reportados pelos diferentes centros hospitalares. De um total de 590 registos, o gen&#243;tipo HbSS foi o mais frequente (75,9%), sendo o segundo mais representativo a HbS-tal (5,1%) e HbSC (5,1%). A faixa et&#225;ria com maior n&#250;mero de doentes registados foi a dos 6 aos 25 anos (48,8%). Estes dados foram divulgados, mas n&#227;o foram publicados at&#233; &#224; data.</p>     <p>Mais recentemente, num artigo breve publicado pelo departamento de promo&#231;&#227;o da sa&#250;de e preven&#231;&#227;o de doen&#231;as n&#227;o-transmiss&#237;veis do INSA foi apresentada a casu&#237;stica referente aos anos de 2010 a 2013 do PNCH. Foi descrita uma diminui&#231;&#227;o progressiva do n&#250;mero de amostras enviadas ao INSA, essencialmente justificada pela maioria dos rastreios serem realizados ao n&#237;vel dos laborat&#243;rios locais. Em conformidade com o p&#250;blico-alvo da norma em vigor, a maioria dos portadores identificados eram do g&#233;nero feminino e a m&#233;dia de idades foi de 29 anos. &#201; de referir que, apesar de a maioria dos portadores ser origin&#225;ria da regi&#227;o sul, t&#234;m sido diagnosticados m&#250;ltiplos casos na regi&#227;o norte, sugerindo uma dispers&#227;o geogr&#225;fica. Neste per&#237;odo foram identificados nove casais em risco e que foram devidamente encaminhados.<sup>14</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O &#250;nico estudo realizado em Portugal em crian&#231;as data da d&#233;cada de 90. Este estudo foi realizado na Maternidade Alfredo da Costa e envolveu a colheita de sangue do cord&#227;o umbilical de 400 rec&#233;m-nascidos independentemente de qualquer sele&#231;&#227;o. Foram identificadas seis crian&#231;as portadoras de HbS (1,5%), das quais quatro eram de proveni&#234;ncia africana e n&#227;o foi identificado nenhum caso de doen&#231;a. Foram ainda identificados 10 portadores de dele&#231;&#227;o de um gene de &#945;-globina num total de 100 avaliados (10%). &#201; com base nestes resultados que os autores deste estudo consideraram n&#227;o existir justifica&#231;&#227;o, em termos de custo-benef&#237;cio, na aplica&#231;&#227;o de um rastreio neonatal de drepanocitose a toda a popula&#231;&#227;o. No entanto, consideraram a hip&#243;tese de um rastreio dirigido &#224; popula&#231;&#227;o em risco. Em rela&#231;&#227;o ao rastreio neonatal de &#945;-talass&#233;mia, os autores preveem um grande n&#250;mero de resultados falsos negativos se o rastreio for baseado nos &#237;ndices hematim&#233;tricos e na presen&#231;a de Hb Bart (&#947;2/&#947;2), sendo indispens&#225;vel a caracteriza&#231;&#227;o do gen&#243;tipo da &#945;-globina.<sup>15</sup></p>     <p><b>Discuss&#227;o</b></p>     <p>Os m&#233;dicos de fam&#237;lia devem conhecer a comunidade onde trabalham e estar atentos &#224;s suas necessidades espec&#237;ficas. Por exemplo, na &#225;rea geogr&#225;fica de Amadora-Sintra a popula&#231;&#227;o migrante &#233; frequente e as hemoglobinopatias s&#227;o uma realidade da pr&#225;tica cl&#237;nica. Neste contexto, o hospital de refer&#234;ncia apresenta uma interven&#231;&#227;o espec&#237;fica e dirigida ao realizar o rastreio neonatal &#224; popula&#231;&#227;o de risco cuja m&#227;e n&#227;o foi rastreada.</p>     <p>No nosso pa&#237;s, a &#250;nica orienta&#231;&#227;o oficial data de 2004, inclui apenas o rastreio pr&#233;-natal e est&#225; preconizado para as mulheres em idade reprodutiva que, perante par&#226;metros hematol&#243;gicos normais, tenham fam&#237;lia pr&#243;pria ou do parceiro oriundos de Beja, Faro, Santar&#233;m, Set&#250;bal, pa&#237;ses africanos, subcontinente Indiano, Brasil, Europa de Leste e &#193;sia.</p>     <p>&#201; de real&#231;ar que, desde o estudo que deu origem &#224; cria&#231;&#227;o do PNCH na d&#233;cada de 80, n&#227;o foram publicados estudos epidemiol&#243;gicos de abrang&#234;ncia nacional que permitam conhecer a percentagem atualizada de portadores ou doentes com hemoglobinopatias. Esta necessidade torna-se ainda mais premente se considerarmos que o n&#250;mero de indiv&#237;duos estrangeiros a residir em Portugal aumentou de 226.775 para 359.969 entre 2001 e 2011, dos quais a popula&#231;&#227;o brasileira passou a constituir o grupo migrat&#243;rio mais significativo.<sup>16</sup></p>     <p>De acordo com a nossa perspetiva, esta circular normativa apresenta algumas limita&#231;&#245;es. Em rela&#231;&#227;o &#224; pr&#225;tica cl&#237;nica, a uniformiza&#231;&#227;o de procedimentos &#233; dif&#237;cil face a uma proposta de abordagem pouco linear. A principal dificuldade em consulta &#233;, desde logo, a identifica&#231;&#227;o dos casais de risco. O correto reconhecimento implica uma anamnese familiar cuidada, dirigida e tendencialmente morosa. Acresce o facto de, no documento, n&#227;o estar definido at&#233; que grau geracional se deve investigar a origem geogr&#225;fica dos antecedentes. Adicionalmente, as pessoas podem n&#227;o conseguir fornecer informa&#231;&#227;o fidedigna acerca das suas origens familiares e/ou do parceiro. No modelo atual, este rastreio assume caracter&#237;sticas de rastreio dirigido uma vez que nem toda a popula&#231;&#227;o &#233; eleg&#237;vel. As dificuldades na implementa&#231;&#227;o do rastreio na pr&#225;tica cl&#237;nica podem-se traduzir num menor n&#250;mero de pessoas rastreadas. Esta atitude regionalista n&#227;o tem em conta os fluxos migrat&#243;rios internos no nosso pa&#237;s, cujos casos de hemoglobinopatias recentemente identificados no norte do Pa&#237;s fazem prova.</p>     <p>Pelo que foi apresentado, os autores defendem um modelo de rastreio universal, mais inclusivo, evitando, assim, diagn&#243;sticos tardios. Este modelo seria tamb&#233;m uma fonte de informa&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica relevante a n&#237;vel nacional.</p>     <p>O rastreio pr&#233;-natal (pr&#233;-concecional e durante a gravidez), preconizado na norma, tem como principal objetivo a evic&#231;&#227;o de novos casos de hemoglobinopatias graves. As interven&#231;&#245;es preconizadas incluem o aconselhamento gen&#233;tico pr&#233;-concecional e/ou durante a gravidez e/ou a eventual interrup&#231;&#227;o m&#233;dica da gravidez.</p>     <p>A inclus&#227;o das hemoglobinopatias no leque de patologias rastreadas pelo Programa Nacional de Diagn&#243;stico Precoce (PNDP) est&#225; atualmente a ser revista pelos peritos. O rastreio neonatal seria uma resposta poss&#237;vel em rela&#231;&#227;o &#224;s gravidezes inadequadamente vigiadas e possibilitaria evitar as complica&#231;&#245;es de um diagn&#243;stico tardio, por vezes fatal. O atual modelo de diagn&#243;stico precoce, cuja implementa&#231;&#227;o se registou h&#225; dez anos em Portugal, &#233; uma quest&#227;o em debate. As hemoglobinopatias, mais concretamente a doen&#231;a de c&#233;lulas falciformes, seriam um grupo de patologias candidatas na medida em que t&#234;m uma hist&#243;ria natural conhecida e existem interven&#231;&#245;es que alteram o curso da doen&#231;a. No entanto, um conhecimento epidemiol&#243;gico atualizado &#233; essencial para uma tomada de decis&#227;o fundamentada.</p>     <p>A n&#237;vel europeu, as pol&#237;ticas referentes ao rastreio de hemoglobinopatias s&#227;o muito heter&#243;geneas e n&#227;o parecem estar diretamente associadas com a preval&#234;ncia destas condi&#231;&#245;es (<a href="#q4">Quadro IV</a>). Uma an&#225;lise de tipo custo-efetividade &#233; incontorn&#225;vel. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v32n6/32n6a09q4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em termos de pr&#225;tica cl&#237;nica, tendo em conta o modelo atual de atua&#231;&#227;o nas hemoglobinopatias, o m&#233;dico de fam&#237;lia tem um papel fundamental. O seu papel &#233; transversal &#224;s v&#225;rias fases, incluindo o rastreio pr&#233;-natal, o diagn&#243;stico e referencia&#231;&#227;o precoce e tamb&#233;m nos cuidados espec&#237;ficos, ainda que em articula&#231;&#227;o com os cuidados de sa&#250;de secund&#225;rios.</p>     <p>O foco de aten&#231;&#227;o para o rastreio ser&#225; em contexto de planeamento familiar ou de sa&#250;de materna. A identifica&#231;&#227;o de casos segue uma marcha diagn&#243;stica bem estabelecida (<a href="#f1">Figura 1</a>). Neste contexto, al&#233;m do conhecimento das origens familiares &#233; necess&#225;ria a valoriza&#231;&#227;o de alguns par&#226;metros hematol&#243;gicos. &#201; necess&#225;ria a identifica&#231;&#227;o de altera&#231;&#245;es do eritrograma, independentemente da exist&#234;ncia de anemia, nomeadamente a microcitose, a hipocromia e, ainda, a hemoglobina elevada.</p>     <p>Em contexto de sa&#250;de infantil, a atitude do MF pode ser determinante, uma vez que estas crian&#231;as apenas apresentam sintomatologia a partir do terceiro m&#234;s de vida. A identifica&#231;&#227;o ou suspei&#231;&#227;o precoce &#233; determinante, uma vez que possibilita a implementa&#231;&#227;o de v&#225;rias medidas preventivas e educacionais (<a href="#q2">Quadros II</a> e <a href="#q3">III</a>) que alteram drasticamente o progn&#243;stico dos doentes com anemia das c&#233;lulas falciformes (ACF).</p>     <p>Pelo que se apresenta depreende-se que &#233; premente a necessidade de estudos epidemiol&#243;gicos rigorosos, de cariz regional e nacional, que permitam a tomada de decis&#245;es baseadas em evid&#234;ncia cient&#237;fica. A forma&#231;&#227;o e a sensibiliza&#231;&#227;o dos m&#233;dicos de fam&#237;lia para esta tem&#225;tica &#233; determinante na melhoria do progn&#243;stico e na qualidade de vida destes doentes e suas fam&#237;lias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Williams TN, Weatherall DJ. World distribution, population genetics, and health burden of the hemoglobinopathies. Cold Spring Harb Perspect Med. 2012;2:a011692.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365792&pid=S2182-5173201600060000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>2. Granito M. Hemoglobinopatias: interpreta&#231;&#227;o do teste de triagem (Haemoglobinopathies: interpretation of neonatal neonatal screning test). Pediatria (S. Paulo). 2008;30(3):172-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365794&pid=S2182-5173201600060000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Portuguese</p>     <!-- ref --><p>3. Lissauer T, Clayden G. Illustrated textbook of paediatrics. 3rd ed. Elsevier; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365796&pid=S2182-5173201600060000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>4. Constan&#231;o MC, Rocha P, Bento C, Silva MH. Talass&#233;mia &#946; heterozigotica: com triplica&#231;&#227;o do gene &#945; globin&#237;co (Heterozygous &#946; thalassemia with triplication of the &#945; globin gene). Acta Med Port. 2011;24(4):633-6. Portuguese</p>     <p>5. Sim&#245;es AS, Garcia P, Fernandes I, Ventura L, Silva R, Barata D. Anemia de c&#233;lulas falciformes e acidente c&#233;rebro-vascular: uma hist&#243;ria evit&#225;vel (Sickle cell disease and cerebrovascular stroke: a preventable event). Acta Med Port. 2011;24(4):637-40. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>6. Quinn CT, Rogers ZR, McCavit TL, Buchanan GR. Improved survival of children and adolescents with sickle cell disease. Blood. 2010;115(17):3447-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365800&pid=S2182-5173201600060000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Federa&#231;&#227;o Internacional de Talass&#233;mia. Diretrizes para o controle cl&#237;nico da talass&#233;mia (Internet). TIF; 2015. Available from: <a href="http://www.thalassaemia.org.cy/uploads/1447949168thalassaemiaguidelinesportugese.pdf" target="_blank">http://www.thalassaemia.org.cy/uploads/1447949168thalassaemiaguidelinesportugese.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365802&pid=S2182-5173201600060000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>8. Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de. Preven&#231;&#227;o das formas graves de hemoglobinopatia: circular normativa n&#186; 18/DSMIA, de 07/09/2004. Lisboa: DGS; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365803&pid=S2182-5173201600060000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>9. Instituto Nacional de Sa&#250;de Dr. Ricardo Jorge. Programa nacional de diagn&#243;stico precoce (Internet). Lisboa: INSA; 2014. Available from: <a href="http://www.diagnosticoprecoce.org/doencasrastreadas.htm" target="_blank">http://www.diagnosticoprecoce.org/doencasrastreadas.htm</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365805&pid=S2182-5173201600060000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>10. Martins MC, Olim G, Melo J, Magalh&#227;es HA, Rodrigues MO. Hereditary anaemias in Portugal: epidemiology, public health significance, and control. J Med Genetic. 1993;30(3):235-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365806&pid=S2182-5173201600060000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Inez F, Sequeira M, Santos P, Santos R, Nunes E. Contribui&#231;&#227;o do rastreio de portadores para a preven&#231;&#227;o da &#946;-talass&#233;mia e da drepanocitose na popula&#231;&#227;o portuguesa: estudo multic&#234;ntrico. Arq INSA. 1993;19:27-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365808&pid=S2182-5173201600060000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Minist&#233;rio da Sa&#250;de. Plano nacional de sa&#250;de: orienta&#231;&#245;es estrat&#233;gicas para 2004-2010 (Internet). Lisboa: MS; 2004 (cited 2016 Dec 1). Available from: <a href="http://pns.dgs.pt/pns-2004-2010/" target="_blank">http://pns.dgs.pt/pns-2004-2010/</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365810&pid=S2182-5173201600060000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>13. Bento C, Relvas L, Vaz&#227;o H, Campos J, Rebelo U, Ribeiro ML. The use of capillary blood samples in a large scale screening approach for the detection of &#946;-thalassemia and hemoglobin variants. Haematologica. 2006;91(11):1565.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365811&pid=S2182-5173201600060000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
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Manual de diagn&#243;stico e tratamento de doen&#231;as falciformes. Bras&#237;lia: ANVISA; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365820&pid=S2182-5173201600060000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 8588233045</p>         <!-- ref --><p>20. Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de. Sa&#250;de reprodutiva: planeamento familiar. Lisboa: DGS; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365822&pid=S2182-5173201600060000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9789726751823</p>         <!-- ref --><p>21. Manchiakanti A, Grimes DA, Lopez LM, Schulz KF. 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Available from: <a href="https://www.enerca.org/media/upload/arxius/Training/Novartis_OncologyReport_2013.pdf" target="_blank">https://www.enerca.org/media/upload/arxius/Training/Novartis_OncologyReport_2013.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1365826&pid=S2182-5173201600060000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>         <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>         <p>Sara Neves Costa</p>         <p>Rua Dr. Higino de Sousa</p>         <p>2710-486 Sintra</p>         <p>E-mail: <a href="mailto:saraancosta@gmail.com">saraancosta@gmail.com</a> </p>         ]]></body>
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