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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732017000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732017000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732017000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A insuficiência de crescimento (IC) constitui um motivo frequente de referenciação a consultas médicas em idade pediátrica. As causas podem ser múltiplas, sendo a sua identificação fundamental para o tratamento e/ou prevenção de complicações secundárias. Apesar da baixa prevalência das doenças genéticas inatas, é importante estar ciente desta possibilidade na investigação etiológica da IC. Descrição do caso: Apresenta-se o caso de uma criança de dois anos, do género masculino, com antecedentes de restrição do crescimento intrauterino e dificuldades de alimentação desde o período neonatal, observada em consulta de medicina geral e familiar com IC e atraso global do desenvolvimento psicomotor (ADPM). Adicionalmente, a observação de dismorfias craniofaciais típicas, íris estrelada, voz rouca, laxidez articular e uma personalidade hipersociável e comunicativa, permitiram suspeitar de síndroma de Williams. Foi solicitada consulta de genética médica, tendo o diagnóstico clínico sido confirmado através da identificação da deleção da região cromossómica 7q11.23, o que permitiu uma vigilância clínica adequada da criança, assim como o aconselhamento genético dos jovens progenitores. Comentário: Apesar das inúmeras causas de IC, as síndromas de etiologia genética devem ser consideradas na presença de ADPM e/ou anomalias congénitas. O médico de família, como principal mediador entre o doente e a família, deverá possuir conhecimentos básicos que permitam o reconhecimento de manifestações clínicas sugestivas de doenças genéticas inatas, de modo a efetuar um diagnóstico e/ou uma referenciação precoces dos doentes e seus familiares em risco.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Failure to thrive is a common reason for referral of children for pediatric consultation. There are many causes and the correct diagnosis is essential for the treatment and prevention of secondary complications. Although genetic diseases as a cause of failure to thrive are rare, awareness of this possibility is necessary. Case report: A 2-year-old boy, with history of intrauterine growth retardation and feeding difficulties from the neonatal period, was seen in a general practice consultation due to failure to thrive and global psychomotor developmental delay. In addition to these medical problems, the child had craniofacial dysmorphism, a stellate iris pattern, a hoarse voice, lax joints, and an overfriendly and talkative personality. The diagnosis of Williams syndrome was proposed. The patient was referred to a medical genetics consultation and the diagnosis was confirmed by demonstrating a chromosomal microdeletion at 7q11.23. The child was referred for appropriate follow-up of the child and his young parents received genetic counselling. Comment: The presence of psychomotor developmental delay and multiple physical anomalies should raise the possibility of a genetic syndrome as a cause of failure to thrive. Family physicians should have basic knowledge of genetic disorders to allow the recognition of clinical signs suggestive of inborn genetic diseases in order to enable early diagnosis and referral of the patient and the family for medical genetic consultation.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Síndroma de Williams]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RELATOS DE CASO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Mais do que uma insufici&#234;ncia de   crescimento: relato de caso</b></font></p>     <p><font size="3"><b>More than failure to thrive: a case report</b></font></p>     <p><b>Sara Magalh&#227;es,<sup>1</sup> Marlene   Rodrigues,<sup>2</sup> Maria Jo&#227;o Nabais S&#225;<sup>3</sup></b></p>     <p>1. M&#233;dica   Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Ponte, ACES Alto Ave -   Guimar&#227;es</p>     <p>2. M&#233;dica   Interna de Pediatria. Servi&#231;o de Pediatria, Hospital de Braga</p>     <p>3. M&#233;dica   Interna de Gen&#233;tica M&#233;dica. Servi&#231;o de Gen&#233;tica M&#233;dica, Centro de Gen&#233;tica   M&#233;dica Dr. Jacinto Magalh&#227;es/Centro Hospitalar do Porto</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A insufici&#234;ncia de   crescimento (IC) constitui um motivo frequente de referencia&#231;&#227;o a consultas   m&#233;dicas em idade pedi&#225;trica. As causas podem ser m&#250;ltiplas, sendo a sua   identifica&#231;&#227;o fundamental para o tratamento e/ou preven&#231;&#227;o de complica&#231;&#245;es   secund&#225;rias. Apesar da baixa preval&#234;ncia das doen&#231;as gen&#233;ticas inatas, &#233;   importante estar ciente desta possibilidade na investiga&#231;&#227;o etiol&#243;gica da IC.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Apresenta-se o caso   de uma crian&#231;a de dois anos, do g&#233;nero masculino, com antecedentes de restri&#231;&#227;o   do crescimento intrauterino e dificuldades de alimenta&#231;&#227;o desde o per&#237;odo   neonatal, observada em consulta de medicina geral e familiar com IC e atraso   global do desenvolvimento psicomotor (ADPM).</p>     <p>Adicionalmente,   a observa&#231;&#227;o de dismorfias craniofaciais t&#237;picas, &#237;ris estrelada, voz rouca,   laxidez articular e uma personalidade hipersoci&#225;vel e comunicativa, permitiram   suspeitar de s&#237;ndroma de Williams.</p>     <p>Foi   solicitada consulta de gen&#233;tica m&#233;dica, tendo o diagn&#243;stico cl&#237;nico sido   confirmado atrav&#233;s da identifica&#231;&#227;o da dele&#231;&#227;o da regi&#227;o cromoss&#243;mica 7q11.23,   o que permitiu uma vigil&#226;ncia cl&#237;nica adequada da crian&#231;a, assim como o   aconselhamento gen&#233;tico dos jovens progenitores.</p>     <p><b>Coment&#225;rio:</b> Apesar das in&#250;meras causas   de IC, as s&#237;ndromas de etiologia gen&#233;tica devem ser consideradas na presen&#231;a de   ADPM e/ou anomalias cong&#233;nitas. </p>     <p>O m&#233;dico de   fam&#237;lia, como principal mediador entre o doente e a fam&#237;lia, dever&#225; possuir   conhecimentos b&#225;sicos que permitam o reconhecimento de manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas   sugestivas de doen&#231;as gen&#233;ticas inatas, de modo a efetuar um diagn&#243;stico e/ou   uma referencia&#231;&#227;o precoces dos doentes e seus familiares em risco.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> S&#237;ndroma de Williams;   Insufici&#234;ncia de crescimento, Doen&#231;as gen&#233;ticas inatas.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> Failure to thrive is a   common reason for referral of children for pediatric consultation. There are   many causes and the correct diagnosis is essential for the treatment and   prevention of secondary complications. Although genetic diseases as a cause of   failure to thrive are rare, awareness of this possibility is necessary. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Case report:</b> A 2-year-old boy, with   history of intrauterine growth retardation and feeding difficulties from the   neonatal period, was seen in a general practice consultation due to failure to   thrive and global psychomotor developmental delay.</p>     <p>In addition   to these medical problems, the child had craniofacial dysmorphism, a stellate   iris pattern, a hoarse voice, lax joints, and an overfriendly and talkative   personality. The diagnosis of Williams syndrome was proposed.</p>     <p>The patient   was referred to a medical genetics consultation and the diagnosis was confirmed   by demonstrating a chromosomal microdeletion at 7q11.23. The child was referred   for appropriate follow-up of the child and his young parents received genetic   counselling.</p>     <p><b>Comment:</b> The presence of psychomotor   developmental delay and multiple physical anomalies should raise the   possibility of a genetic syndrome as a cause of failure to thrive.</p>     <p>Family   physicians should have basic knowledge of genetic disorders to allow the   recognition of clinical signs suggestive of inborn genetic diseases in order to   enable early diagnosis and referral of the patient and the family for medical   genetic consultation.</p>     <p><b>Keywords:</b> Williams syndrome; Failure to   thrive; Inborn genetic diseases.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A   insufici&#234;ncia de crescimento (IC) caracteriza-se pela presen&#231;a de peso e   estatura abaixo do percentil 3 (P<sub>3</sub>) em, pelo menos, duas avalia&#231;&#245;es   consecutivas ou pelo cruzamento de dois percentis nas curvas de crescimento de   refer&#234;ncia da popula&#231;&#227;o em estudo.<sup>1</sup> N&#227;o existe, no entanto, ainda   uma defini&#231;&#227;o consensual e uma das dificuldades da sua abordagem reside na   distin&#231;&#227;o variante do normal <i>versus</i> doen&#231;a org&#226;nica.</p>     <p>Dependendo   da sua intensidade e idade de in&#237;cio, as repercuss&#245;es no desenvolvimento f&#237;sico   e intelectual da crian&#231;a podem ser graves, constituindo um motivo frequente de   preocupa&#231;&#227;o dos pais e de procura de ajuda m&#233;dica. De acordo com a literatura,   a IC representa 5 a 10% dos motivos de consulta nos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios   (CSP) nos EUA.<sup>1</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente   &#224; sua patofisiologia, esta pode dividir-se em causas org&#226;nicas, funcionais ou   resultar da intera&#231;&#227;o de ambas (<a href="#q1">Quadro I</a>).<sup>2-4</sup> Nos CSP, o inadequado   aporte cal&#243;rico constitui a causa mais prevalente de IC.<sup>1</sup> Por outro   lado, as s&#237;ndromas de etiologia gen&#233;tica destacam-se de entre as causas   org&#226;nicas em idade pr&#233;-natal.</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n1/33n1a08q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>A s&#237;ndroma   de Williams constitui uma causa de IC associado a altera&#231;&#245;es multissist&#233;micas   de express&#227;o vari&#225;vel, que incluem uma dismorfia facial t&#237;pica, cardiopatias,   altera&#231;&#245;es end&#243;crinas, anomalias do tecido conjuntivo, atraso do   desenvolvimento psicomotor e caracter&#237;sticas de personalidade, nomeadamente   hiperssociabilidade, comunica&#231;&#227;o e ansiedade extremas. Nesta s&#237;ndroma, fatores   pr&#233; e p&#243;s-natais confluem para a causalidade da IC como a restri&#231;&#227;o de   crescimento intrauterino (RCIU), a dificuldade na suc&#231;&#227;o, o refluxo gastroesof&#225;gico (RGE), a avers&#227;o a determinados alimentos e as c&#243;licas (<a href="#q2">Quadro II</a>).<sup>5</sup></p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n1/33n1a08q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>A s&#237;ndroma   de Williams apresenta uma preval&#234;ncia de 1/7.500 e resulta de uma microdele&#231;&#227;o   no bra&#231;o longo do cromossoma 7 (<i>locus</i> 7q11.23), envolvendo o gene da elastina (ELN) com fun&#231;&#227;o estrutural nas fibras   el&#225;sticas.<sup>6</sup> Na maioria dos casos &#233; espor&#225;dica (pais n&#227;o afetados).   Quando herdada, apresenta transmiss&#227;o autoss&#243;mica dominante, com risco de   recorr&#234;ncia de 50% na descend&#234;ncia dos indiv&#237;duos afetados.<sup>6</sup></p>     <p>Os autores   descrevem a investiga&#231;&#227;o diagn&#243;stica de uma crian&#231;a com s&#237;ndroma de Williams,   centrando-se no doente e na fam&#237;lia. Este artigo pretende sensibilizar para a   necessidade de o m&#233;dico de fam&#237;lia possuir conhecimentos b&#225;sicos sobre   s&#237;ndromas de etiologia gen&#233;tica associadas a IC, destacando a import&#226;ncia da   abordagem multidisciplinar para uma precoce e adequada orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica do   doente e dos seus familiares, o que permite prevenir investiga&#231;&#227;o e ansiedade   desnecess&#225;rias no doente e na fam&#237;lia. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Descri&#231;&#227;o do caso</b></p>     <p>Rapaz de   dois anos de idade, de ra&#231;a caucasiana pertencente a uma fam&#237;lia reconstru&#237;da   da classe m&#233;dia, na fase III do ciclo de vida de <i>Duvall</i> e fruto de uma rela&#231;&#227;o n&#227;o consangu&#237;nea. Primeiro filho de   uma mulher de 31 anos, ex-fumadora de 5,25 UMA (Unidades Ma&#231;o-Ano), com   antecedentes pessoais de asma moderadamente controlada e com irm&#227; com trissomia   21. O pai, homem de 38 anos sem antecedentes pessoais ou familiares relevantes,   tinha um filho saud&#225;vel de nove anos, de uma rela&#231;&#227;o pr&#233;via.</p>     <p>Gravidez   desejada e planeada, de baixo risco, vigiada simultaneamente pelo m&#233;dico de   fam&#237;lia (MF) e obstetra privado por op&#231;&#227;o da gr&#225;vida e, desde a fase   pr&#233;-concecional, n&#227;o apresentando intercorr&#234;ncias at&#233; &#224;s 33 semanas de idade   gestacional, momento em que foi detetada restri&#231;&#227;o de crescimento intrauterino   (RCIU) sim&#233;trica. Foi efetuado ecocardiograma fetal, onde se verificou   &#8220;discreta hiperrefring&#234;ncia da v&#225;lvula tric&#250;spide, sem altera&#231;&#227;o do fluxo ou   funcionamento card&#237;aco&#8221;. Foram exclu&#237;das outras malforma&#231;&#245;es, assim como   positividade para serologias TORCH.</p>     <p>Nascimento   &#224;s 38 semanas de gesta&#231;&#227;o e seis dias por parto dist&#243;cico por trabalho de parto   estacion&#225;rio, com Apgar 9/10. Antropometricamente apresentava peso de 2,105kg   (&lt;P<sub>3</sub>), comprimento de 43,7cm (&lt;P<sub>3</sub>) e per&#237;metro   cef&#225;lico de 31cm (&lt;P<sub>3</sub>). N&#227;o se verificaram intercorr&#234;ncias no   per&#237;odo neonatal, sendo o rastreio de doen&#231;as metab&#243;licas negativo. Efetuou   aleitamento materno exclusivo desde o per&#237;odo neonatal e at&#233; aos 5,5 meses, com   destaque de uma anorexia que se mantinha desde o nascimento. Fez suplementa&#231;&#227;o   com vitamina D durante o primeiro ano de vida com cumprimento do Programa   Nacional de Vacina&#231;&#227;o e imuniza&#231;&#227;o extra-plano para Pneumococo.</p>     <p>Ap&#243;s o   nascimento e no contexto da investiga&#231;&#227;o de RCIU, em consulta de neonatologia,   foi efetuada ecografia transfontanelar que se revelou normal. Ainda neste   contexto, em consulta de cardiologia pedi&#225;trica, no primeiro m&#234;s de vida,   realizou ecocardiograma onde se verificou a presen&#231;a de estenose fisiol&#243;gica da   art&#233;ria pulmonar com gradiente de 12mmHg, considerada normal para a idade. A   ecografia reno-vesical detetou ligeira pielectasia bilateral, motivando   vigil&#226;ncia em consulta de nefrologia pedi&#225;trica. A repeti&#231;&#227;o de ecografia   reno-vesical aos nove meses, sem anomalias estruturais, permitiu concluir   tratar-se de uma pielectasia transit&#243;ria mas que, por intercorr&#234;ncia de   pielonefrite nesta idade, motivou manuten&#231;&#227;o em consulta de nefrologia   pedi&#225;trica at&#233; aos 17 meses.</p>     <p>Manteve   paralelamente, e desde o nascimento, consulta com o seu MF cumprindo a   periodicidade estabelecida no Plano Nacional de Sa&#250;de Infantil e Juvenil. Aos   seis meses em consulta com o MF foi detetada criptorquidia unilateral esquerda   com exclus&#227;o de outras anomalias testiculares por ecografia. </p>     <p>Iniciou   diversifica&#231;&#227;o alimentar aos 5,5 meses sem registo de alergias ou intoler&#226;ncias   alimentares. Mantinha, contudo, uma anorexia que a fam&#237;lia veio   progressivamente a interpretar como &#8220;caracter&#237;stica de uma crian&#231;a dif&#237;cil&#8221; <i>(sic).</i> A m&#227;e descrevia que os momentos   de alimenta&#231;&#227;o se revelaram desde o nascimento momentos de grande sofrimento   para todos os elementos da fam&#237;lia: &#8220;a crian&#231;a passava horas ao peito sem   suc&#231;&#227;o e com recusa inicial na pega&#8221; <i>(sic).</i> A manuten&#231;&#227;o da situa&#231;&#227;o gerou nesta, progressivamente, um sentimento de culpa,   considerando-se com limitadas compet&#234;ncias para o aleitamento materno, assim   como com leite &#8220;de baixo conte&#250;do nutricional&#8221; <i>(sic).</i> Apesar da desmistifica&#231;&#227;o destes factos pelos profissionais   de sa&#250;de, a m&#227;e compensava a sua inquieta&#231;&#227;o com o prolongamento dos tempos de   alimenta&#231;&#227;o e encurtamento do seu intervalo. A av&#243; materna, tamb&#233;m prestadora   de cuidados, descrevia que a crian&#231;a &#8220;nunca chorava com fome e, quando se   for&#231;ava a alimenta&#231;&#227;o, esta recusava e demorava longos per&#237;odos para comer   pequenas quantidades&#8221; <i>(sic).</i> Por   volta dos 12 meses iniciou um quadro de obstipa&#231;&#227;o que era controlado com   medidas diet&#233;ticas.</p>     <p>Adicionalmente,   na sequ&#234;ncia de epis&#243;dios de broncospasmo recorrente com in&#237;cio aos 6,5 meses   de vida foi referenciado para consulta de imunoalergologia, onde foi observado   aos 13 meses. Foram exclu&#237;das alergias respirat&#243;rias e alimentares, fibrose   qu&#237;stica, doen&#231;a cel&#237;aca, assim como doen&#231;a parasit&#225;ria intestinal. A   totalidade da investiga&#231;&#227;o revelou-se normal, &#224; exce&#231;&#227;o da presen&#231;a de um   hipotiroidismo subcl&#237;nico. Aos 22 meses, em consulta de   pediatria/gastroenterologia-nutri&#231;&#227;o, foi tamb&#233;m pedido cari&#243;tipo e estudo   metab&#243;lico extenso, que se revelaram normais. Durante este per&#237;odo, o   crescimento estaturo-ponderal manteve-se inferior ao P<sub>3</sub> mas   paralelamente a esta curva de crescimento, tendo sido interpretado como normal   num contexto de RCIU.</p>     <p>No que   refere ao desenvolvimento psicomotor, adquiriu controlo cervical entre os   dois-tr&#234;s meses, apresentou sorriso social aos tr&#234;s meses, sentou com apoio   entre os seis-sete meses e sem apoio aos oito meses e meio, efetuou pin&#231;a aos   nove meses, palrou aos 13 meses e iniciou marcha sem apoio aos 19 meses.</p>     <p>Por raz&#245;es   de conveni&#234;ncia geogr&#225;fica mudou de centro de sa&#250;de, tendo sido observado pela   primeira vez pelo novo MF de fam&#237;lia aos dois anos e tr&#234;s meses. Ao exame   f&#237;sico apresentava antropometria no P<sub>3</sub>, dismorfia facial e n&#227;o   similar a nenhum dos progenitores (estreitamento bitemporal, abund&#226;ncia de   tecido periorbit&#225;rio, epicanto bilateral, bochechas proeminentes, nariz curto,   com ponta bolbosa e narinas antevertidas, filtro longo, boca larga com l&#225;bios   grossos, pavilh&#245;es auriculares com lobos proeminentes - <a href="#f1">Figura 1</a>), &#237;ris   estrelada (<a href="#f2">Figura 2</a>), voz rouca, laxidez articular e uma personalidade   anormalmente soci&#225;vel e comunicativa para a idade e para um primeiro contacto.   Alertado pela preocupa&#231;&#227;o mantida dos pais relativamente &#224; IC e no contexto da   sua experi&#234;ncia pr&#233;via em gen&#233;tica m&#233;dica, referenciou para esta especialidade com suspeita de s&#237;ndroma de Williams.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n1/33n1a08f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n1/33n1a08f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Foi   observado aos dois anos e quatro meses, tendo-se confirmado o diagn&#243;stico   cl&#237;nico atrav&#233;s do exame citogen&#233;tico de FISH <i>(Fluorescent in situ hibridization),</i> que identificou a dele&#231;&#227;o da   regi&#227;o cromoss&#243;mica 7q11.23. Foi ainda exclu&#237;da a mesma altera&#231;&#227;o gen&#233;tica nos   progenitores, concluindo tratar-se de uma situa&#231;&#227;o <i>de novo,</i> com risco de recorr&#234;ncia &lt;1% em novo filho do casal de   progenitores (isto &#233;, baixo, embora ligeiramente superior ao da popula&#231;&#227;o   geral). Foi elaborada estrat&#233;gia de <i>follow-up</i> com envio de relat&#243;rio para o MF e para as especialidades de seguimento: pediatria   do desenvolvimento (para vigil&#226;ncia do atraso de desenvolvimento psicomotor   (ADPM)), endocrinologia pedi&#225;trica (por hipotiroidismo subcl&#237;nico), ORL (para   rastreio de hipoacusia), oftalmologia (para rastreio de hiperopia), ortopedia   (para rastreio de altera&#231;&#245;es esquel&#233;ticas), cirurgia pedi&#225;trica (para   vigil&#226;ncia de criptorquidia unilateral esquerda), cardiologia pedi&#225;trica (para   reavalia&#231;&#227;o card&#237;aca) e a gastrenterologia pedi&#225;trica (por obstipa&#231;&#227;o). Manteve   ainda seguimento em consulta de psicologia no Centro de Gen&#233;tica M&#233;dica (para   avalia&#231;&#227;o do ADPM). A crian&#231;a encontra-se atualmente em vigil&#226;ncia pelas   especialidades, n&#227;o se tendo verificado o aparecimento de outras malforma&#231;&#245;es.   No que se refere ao desenvolvimento estaturo-ponderal apresenta-se no P<sub>50</sub> de peso e estatura, nas curvas de crescimento adaptadas a s&#237;ndroma de Williams.</p>     <p>Enquadrando-se   a IC no contexto desta s&#237;ndroma com implica&#231;&#245;es no normal crescimento da   crian&#231;a, foi decidido iniciar suplementa&#231;&#227;o com hormona tiroideia (levotiroxina   0,25ug/dia) e monitoriza&#231;&#227;o anual da sua fun&#231;&#227;o. No que se refere ao   desenvolvimento psicomotor foi iniciada terapia da fala, terapia ocupacional,   musicoterapia, nata&#231;&#227;o e apoio educacional com ativa&#231;&#227;o das equipas locais de   interven&#231;&#227;o. Assim, aos tr&#234;s anos e onze meses eram j&#225; evidentes melhorias em   todas as &#225;reas do desenvolvimento avaliadas pela escala de Desenvolvimento   Mental de Griffiths, nomeadamente ao n&#237;vel da linguagem expressiva e   compreensiva, assim como da autonomia/sociabilidade. No que se refere &#224;   avalia&#231;&#227;o familiar, ap&#243;s exclus&#227;o do car&#225;ter heredit&#225;rio da condi&#231;&#227;o, foi   realizado aconselhamento gen&#233;tico com tranquiliza&#231;&#227;o dos progenitores, no   sentido de aus&#234;ncia de risco elevado de repeti&#231;&#227;o da patologia numa segunda   gesta&#231;&#227;o do casal.</p>     <p><b>Coment&#225;rio</b></p>     <p>No caso   descrito, a presen&#231;a de IC associada a um conjunto de caracter&#237;sticas cl&#237;nicas   permitiu que o MF levantasse a hip&#243;tese diagn&#243;stica de s&#237;ndroma de Williams.   Esta s&#237;ndroma gen&#233;tica, com manifesta&#231;&#245;es multissist&#233;micas e comuns a outras   entidades nosol&#243;gicas, nomeadamente RCIU, IC e ADPM, diferencia-se pela sua   associa&#231;&#227;o a uma dismorfia craniofacial t&#237;pica.<sup>6</sup></p>     <p>Apesar de a   IC ser motivo frequente de avalia&#231;&#227;o em idade pedi&#225;trica e apresentar na   maioria dos casos um curso benigno,<sup>3</sup> quando em associa&#231;&#227;o com outras   anomalias cong&#233;nitas e ADPM deve fazer suspeitar de uma causa gen&#233;tica. O   atraso na obten&#231;&#227;o do diagn&#243;stico constituiu uma fonte geradora de ansiedade na   fam&#237;lia com sofrimento associado a processos que se pretendiam vinculativos,   como a amamenta&#231;&#227;o. Adicionalmente, o atraso no diagn&#243;stico, em especial no   contexto de uma doen&#231;a gen&#233;tica, pode condicionar graves repercuss&#245;es no que   concerne ao progn&#243;stico do doente, assim como na preven&#231;&#227;o do risco de   recorr&#234;ncia familiar. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O MF,   beneficiando de um contacto privilegiado com os diferentes membros da fam&#237;lia e   do seu acompanhamento longitudinal, dever&#225; estar sensibilizado para a   identifica&#231;&#227;o das caracter&#237;sticas dism&#243;rficas que se distinguem de variantes do   normal ou de tra&#231;os familiares.<sup>6</sup> Neste caso particular, o MF, com   experi&#234;ncia pr&#233;via na &#225;rea da gen&#233;tica m&#233;dica, desempenhou um papel vital no   reconhecimento dessa dismorfia e na sua integra&#231;&#227;o com as restantes anomalias   que n&#227;o pareciam enquadrar-se num caso isolado de IC.</p>     <p>O   diagn&#243;stico de s&#237;ndroma de Williams durante uma fase precoce da inf&#226;ncia   mostrou enormes benef&#237;cios n&#227;o s&#243; para a crian&#231;a como para a fam&#237;lia: evic&#231;&#227;o   de investiga&#231;&#227;o excedent&#225;ria e muitas vezes invasiva; in&#237;cio mais precoce do   tratamento do hipotiroidismo com benef&#237;cios quer a n&#237;vel estatuto-ponderal quer   cognitivo, este &#250;ltimo potenciado pela interven&#231;&#227;o precoce; monitoriza&#231;&#227;o   adequada das complica&#231;&#245;es da doen&#231;a; assim como disponibiliza&#231;&#227;o de   aconselhamento gen&#233;tico aos progenitores que viam, at&#233; ao momento, o receio de   uma nova gravidez pelo risco de recorr&#234;ncia da doen&#231;a. Do mesmo modo, a   avalia&#231;&#227;o das repercuss&#245;es na funcionalidade da fam&#237;lia n&#227;o deve ser esquecida,   devendo ser fomentadas atitudes preventivas nas consultas, no sentido de lidar   com a ansiedade, d&#250;vidas e frustra&#231;&#245;es familiares. Perante a aus&#234;ncia de   fen&#243;tipo t&#237;pico e da dele&#231;&#227;o causadora de s&#237;ndroma de Williams nos pais foi   poss&#237;vel estimar um risco baixo de recorr&#234;ncia desta patologia numa futura   gravidez do casal, permitindo reduzir a sua ansiedade face ao planeamento   familiar. No entanto, dado n&#227;o se puder excluir a exist&#234;ncia de rearranjos   cromoss&#243;micos equilibrados nos pais, foi recomendada uma consulta   pr&#233;-concecional em gen&#233;tica m&#233;dica com possibilidade de diagn&#243;stico pr&#233;-natal   numa futura gravidez. Por outro lado, a possibilidade de fertilidade em doentes   com s&#237;ndroma de Williams fez antecipar a necessidade de aconselhamento gen&#233;tico   ao doente, numa fase em que este planeie ter filhos, pelo risco de recorr&#234;ncia   de 50% na sua descend&#234;ncia.<sup>6</sup></p>     <p>Salienta-se   ainda que, apesar do cari&#243;tipo se revelar uma ferramenta importante na   investiga&#231;&#227;o inicial de crian&#231;as com IC ou atraso desenvolvimento psicomotor,   em muitos casos n&#227;o &#233; suficiente para a obten&#231;&#227;o do diagn&#243;stico, tal como se   verificou no caso descrito.<sup>5</sup> Assim, a abordagem m&#233;dica   multidisciplinar ao n&#237;vel do diagn&#243;stico ou seguimento constitui a melhor   solu&#231;&#227;o para o utente e fam&#237;lia. Numa estrutura de presta&#231;&#227;o de cuidados em   pir&#226;mide, os efeitos ser&#227;o tanto mais potenciados quanto maiores forem os   conhecimentos e meios da base da pir&#226;mide, na qual se encontram os cuidados de   sa&#250;de prim&#225;rios.</p>     <p>Assim, do   presente caso concluiu-se que o MF deve ter presente a possibilidade de uma   doen&#231;a gen&#233;tica aquando na presen&#231;a de IC de in&#237;cio pr&#233;-natal e em associa&#231;&#227;o   com outras anomalias cong&#233;nitas e ADPM. Perante um elevado grau de suspei&#231;&#227;o de   patologia gen&#233;tica dever&#225; referenciar atempadamente e estabelecer a articula&#231;&#227;o   necess&#225;ria entre as especialidades, tendo presente que as patologias gen&#233;ticas   envolvem geralmente necessidades multidisciplinares. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Cole SZ,   Lanham JS. Failure to thrive: an update. Am Fam Physician. 2011;83(7):829-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1367643&pid=S2182-5173201700010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Emond A,   Drewett R, Blair P, Emmett P. Postnatal factors associated with failure to   thrive in term infants in the Avon Longitudinal Study of Parents and Children.   Arch Dis Child. 2007;92(2):115-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1367645&pid=S2182-5173201700010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>3. Olsen EM,   Skovgaard AM, Weile B, Petersen J, J&#248;rgensen T. Risk factors for weight   faltering in infancy according to age at onset. Paediatr Perinat Epidemiol. 2010;24(4):370-82.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1367647&pid=S2182-5173201700010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Kirkland   RT, Motil KJ, Duryea TK. Failure to thrive (undernutrition) in children younger   than two years: etiology and evaluation (Internet). UpToDate; 2015 (updated 2016 Dec). Available from: <a href="http://www.uptodate.com/contents/failure-to-thrive-undernutrition-in-children-younger-than-two-years-etiology-and-evaluation" target="_blank">http://www.uptodate.com/contents/failure-to-thrive-undernutrition-in-children-younger-than-two-years-etiology-and-evaluation</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1367649&pid=S2182-5173201700010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>5. Preus M.   The Williams syndrome: objective definition and diagnosis. Clin Genet.   1984;25(5):422-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1367650&pid=S2182-5173201700010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>6. Morris   CA. Williams syndrome. In: Pagon RA, Adam MP, Ardinger HH, Wallace SE, Amemiya   A, Bean LJ, et al, editors. GeneReviews&#174; (Internet). Seattle, WA: University of   Washington; 1993-2016 (updated 2013 Jun 13). Available from: <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1249/" target="_blank">http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1249/</a> .</p>     <!-- ref --><p>7. Committee   on Genetics. American Academy of Pediatrics: health care supervision for   children with Williams syndrome. Pediatrics. 2001;107(5):1192-204.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1367653&pid=S2182-5173201700010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sara   Magalh&#227;es</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:saraimaga@gmail.com">saraimaga@gmail.com</a>   </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflitos de interesse</b></p>     <p>As autoras   referem n&#227;o ter quaisquer conflitos de interesse.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 20-03-2016</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 25-11-2016</b></p>      ]]></body><back>
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