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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um caso clínico de sintomas urinários baixos]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732017000200005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732017000200005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732017000200005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A hiperplasia benigna da próstata (HBP) é uma das patologias benignas mais comuns entre os homens. O diagnóstico é essencialmente clínico, caracteriza-se pela apresentação de sintomatologia do aparelho urinário inferior (lower urinary tract symptoms (LUTS)), um dos principais motivos de consulta, com grande impacto na qualidade de vida. Como diferentes entidades clínicas podem originar LUTS, a marcha diagnóstica constitui um desafio para o médico de família. Descrição do caso: Homem de 88 anos, com antecedentes de LUTS, artrose dos joelhos, hipertensão arterial, flutter auricular, diabetes, tremor parkinsónico, insuficiência cardíaca e obesidade. Em junho de 2013, numa consulta programada, relata um quadro de LUTS com anos de evolução, com predomínio de sintomas de armazenamento como urgência miccional, polaquiúria e marcada noctúria. Refere cansaço progressivo com vários anos de evolução e dispneia para médios esforços. Após introdução e otimização de terapêutica para os LUTS e para a insuficiência cardíaca, o doente mantém alguma resistência na toma do diurético por intensificar os sintomas urinários. Em outubro de 2014, por apresentar sintomas refratários à terapêutica instituída para a HBP, é referenciado à consulta de urologia na qual se realiza o diagnóstico de estenose uretral. Comentário: A sintomatologia urinária pouco característica que o doente apresentava, a inexistência de alterações nos exames complementares de diagnóstico que sugerissem estenose uretral e a presença de vários fatores de confundimento (patologia cardíaca, diabetes e resistência na toma de diurético) contribuíram para a baixa suspeição desse diagnóstico. Contudo, a valorização das queixas do doente e uma monitorização dos sintomas ao longo do tempo foram a chave para uma adequada orientação diagnóstica e terapêutica, permitindo obter um melhor controlo global das queixas do doente.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Benign prostatic hyperplasia (BHP) is one of the most prevalent benign disorders in men. The diagnosis is essentially clinic and typically characterized by low urinary tract symptoms (LUTS), a frequent cause of clinical consultation with a significant impact on quality of life. However, as LUTS can have many etiologies, the journey to the final diagnosis can be a challenge for the family doctor. Case report: An 88 year-old male, with a previous history of BHP, knees osteoarthritis, arterial hypertension, atrial flutter, diabetes, parkinsonian tremor, heart failure and obesity. In June 2013, the patient reports a history of LUTS with years of evolution, with predominantly urine storage symptoms such as urgency, increased urinary frequency and a marked noctúria. He complains of progressive fatigue with years of evolution and dyspnea on moderate exertion. After introduction and optimization of therapy directed to BHP and heart failure, the patient kept avoiding the diuretic because it intensifies the urinary symptoms. In October 2014 after presenting failure of urinary symptom control despite therapy, the patient was referred to an urologist where the diagnosis of urethral stricture was made. Comment: The unusual urinary symptoms that the patient had, the inexistence of abnormal complementary tests results suggesting urethral stricture and the presence of several confounding factors (heart disease, diabetes and resistance in taking diuretic) contributed to the low suspicion of this diagnosis. However, the valorization of patient's complaints and a systematic monitoring of patient's symptoms over time were the key to the diagnosis and therapeutic choice in order to manage a better control of the patient's complaints.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Sintomas do aparelho urinário inferior]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Hiperplasia prostática]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Estenose uretral]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Lower urinary tract symptoms]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Prostatic hyperplasia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RELATOS DE CASO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Um caso cl&#237;nico de sintomas urin&#225;rios   baixos</b></font></p>     <p><font size="3"><b>A case report of lower urinary tract symptoms</b></font></p>     <p><b>In&#234;s Domingues Teixeira,<sup>1</sup> Ana   Menezes Sanches,<sup>2</sup> Gil Falc&#227;o<sup>3</sup></b></p>     <p>1. M&#233;dica   Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Ribeira Nova, ACeS Lisboa Central</p>     <p>2. M&#233;dica   Assistente de Medicina Geral e Familiar. USF Ribeira Nova, ACeS Lisboa Central</p>     <p>3. M&#233;dico   Interno de Urologia. Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A hiperplasia benigna da   pr&#243;stata (HBP) &#233; uma das patologias benignas mais comuns entre os homens. O   diagn&#243;stico &#233; essencialmente cl&#237;nico, caracteriza-se pela apresenta&#231;&#227;o de   sintomatologia do aparelho urin&#225;rio inferior (<i>lower urinary tract symptoms</i> (LUTS)), um dos principais motivos de   consulta, com grande impacto na qualidade de vida. Como diferentes entidades   cl&#237;nicas podem originar LUTS, a marcha diagn&#243;stica constitui um desafio para o   m&#233;dico de fam&#237;lia.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Homem de 88 anos,   com antecedentes de LUTS, artrose dos joelhos, hipertens&#227;o arterial, <i>flutter</i> auricular, diabetes, tremor   parkins&#243;nico, insufici&#234;ncia card&#237;aca e obesidade. Em junho de 2013, numa   consulta programada, relata um quadro de LUTS com anos de evolu&#231;&#227;o, com   predom&#237;nio de sintomas de armazenamento como urg&#234;ncia miccional, polaqui&#250;ria e   marcada noct&#250;ria. Refere cansa&#231;o progressivo com v&#225;rios anos de evolu&#231;&#227;o e   dispneia para m&#233;dios esfor&#231;os. Ap&#243;s introdu&#231;&#227;o e otimiza&#231;&#227;o de terap&#234;utica para   os LUTS e para a insufici&#234;ncia card&#237;aca, o doente mant&#233;m alguma resist&#234;ncia na   toma do diur&#233;tico por intensificar os sintomas urin&#225;rios. Em outubro de 2014,   por apresentar sintomas refrat&#225;rios &#224; terap&#234;utica institu&#237;da para a HBP, &#233;   referenciado &#224; consulta de urologia na qual se realiza o diagn&#243;stico de   estenose uretral. </p>     <p><b>Coment&#225;rio:</b> A sintomatologia urin&#225;ria   pouco caracter&#237;stica que o doente apresentava, a inexist&#234;ncia de altera&#231;&#245;es nos   exames complementares de diagn&#243;stico que sugerissem estenose uretral e a   presen&#231;a de v&#225;rios fatores de confundimento (patologia card&#237;aca, diabetes e   resist&#234;ncia na toma de diur&#233;tico) contribu&#237;ram para a baixa suspei&#231;&#227;o desse   diagn&#243;stico. Contudo, a valoriza&#231;&#227;o das queixas do doente e uma monitoriza&#231;&#227;o   dos sintomas ao longo do tempo foram a chave para uma adequada orienta&#231;&#227;o   diagn&#243;stica e terap&#234;utica, permitindo obter um melhor controlo global das   queixas do doente.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Sintomas do aparelho   urin&#225;rio inferior; Hiperplasia prost&#225;tica; Estenose uretral</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> Benign prostatic   hyperplasia (BHP) is one of the most prevalent benign disorders in men. The   diagnosis is essentially clinic and typically characterized by low urinary   tract symptoms (LUTS), a frequent cause of clinical consultation with a   significant impact on quality of life. However, as LUTS can have many   etiologies, the journey to the final diagnosis can be a challenge for the family doctor.</p>     <p><b>Case report:</b> An 88 year-old male, with   a previous history of BHP, knees osteoarthritis, arterial hypertension, atrial <i>flutter,</i> diabetes, parkinsonian tremor,   heart failure and obesity. In June 2013, the patient reports a history of LUTS   with years of evolution, with predominantly urine storage symptoms such as   urgency, increased urinary frequency and a marked noct&#250;ria. He complains of   progressive fatigue with years of evolution and dyspnea on moderate exertion.   After introduction and optimization of therapy directed to BHP and heart   failure, the patient kept avoiding the diuretic because it intensifies the   urinary symptoms. In October 2014 after presenting failure of urinary symptom   control despite therapy, the patient was referred to an urologist where the   diagnosis of urethral stricture was made. </p>     <p><b>Comment:</b> The unusual urinary symptoms   that the patient had, the inexistence of abnormal complementary tests results   suggesting urethral stricture and the presence of several confounding factors   (heart disease, diabetes and resistance in taking diuretic) contributed to the   low suspicion of this diagnosis. However, the valorization of patient&#8217;s   complaints and a systematic monitoring of patient&#8217;s symptoms over time were the   key to the diagnosis and therapeutic choice in order to manage a better control   of the patient&#8217;s complaints. </p>     <p><b>Keywords:</b> Lower urinary tract symptoms;   Prostatic hyperplasia; Urethral stricture.</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A   hiperplasia benigna da pr&#243;stata (HBP) &#233; uma das patologias benignas mais comuns   entre os homens. A sua preval&#234;ncia aumenta com a idade, atingindo mais de 80%<sup>1</sup> a partir da oitava d&#233;cada de vida. O diagn&#243;stico presuntivo &#233; essencialmente   cl&#237;nico e caracteriza-se pela apresenta&#231;&#227;o de sintomatologia do aparelho urin&#225;rio   inferior (<i>lower urinary tract symptoms</i> (LUTS)).<sup>1-3</sup> As comorbilidades presentes em idade avan&#231;ada   (nomeadamente a insufici&#234;ncia card&#237;aca e a hipertens&#227;o arterial) e a   terap&#234;utica institu&#237;da (sobretudo com diur&#233;ticos) condicionam por vezes a   sobreposi&#231;&#227;o de sintomas que dificultam a sua caracteriza&#231;&#227;o e seguimento.</p>     <p>Este caso   pretende ilustrar a necessidade de um acompanhamento e monitoriza&#231;&#227;o atentos   destes sintomas num doente idoso, de modo a chegar a um correto diagn&#243;stico e   adequada orienta&#231;&#227;o terap&#234;utica. </p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o de caso</b></p>     <p><b>Identifica&#231;&#227;o</b></p>     <p>J.R.S. &#233; um   doente de 88 anos, de sexo masculino, caucasiano, reformado de padeiro,   parcialmente dependente nas atividades de vida di&#225;ria (&#237;ndice de <i>Barthel</i> de 60), natural de Aveiro e   residente em Lisboa, onde frequenta durante a semana um centro de dia perto de   casa. &#201; vi&#250;vo, tem duas filhas casadas, um neto e uma neta. Pertence a uma   fam&#237;lia alargada constitu&#237;da pelo pr&#243;prio e pelo neto mais velho. A <a href="#f1">Figura 1</a>   revela o genograma familiar com a representa&#231;&#227;o da psicofigura de Mitchell. S&#227;o   apresentados os antecedentes familiares mais importantes, destacando-se a aus&#234;ncia de patologia oncol&#243;gica do sistema urin&#225;rio. </p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a05f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Antecedentes pessoais</b></p>     <p>Trata-se dum   doente seguido na nossa consulta de medicina geral e familiar (MGF) desde junho   de 2013. Apresenta como antecedentes pessoais: hipertrofia benigna da pr&#243;stata,   artrose dos joelhos, hipertens&#227;o arterial, <i>flutter</i> auricular com resposta ventricular controlada, diabetes mellitus tipo 2   controlada com dieta, tremor parkins&#243;nico controlado com medica&#231;&#227;o seguido em   consulta de neurologia, insufici&#234;ncia card&#237;aca classe II-III da NYHA com uma   fun&#231;&#227;o sist&#243;lica global preservada e obesidade (com um &#237;ndice de massa corporal   de 41,5kg/m2). Foi seguido, em 2005, em consulta externa de urologia por fimose   com realiza&#231;&#227;o de circuncis&#227;o em outubro desse ano, tendo tido alta da   consulta.</p>     <p>&#201;   sedent&#225;rio, sem h&#225;bitos tab&#225;gicos, et&#237;licos ou consumo de subst&#226;ncias de abuso.</p>     <p>Tem, como   medica&#231;&#227;o habitual, levodopa + carbidopa 100mg+25mg (um comprimido duas vezes   dia), tansulosina 0,4mg (um comprimido por dia), &#225;cido acetilsalic&#237;lico 100mg   (um comprimido por dia), paracetamol 1000mg em SOS.</p>     <p><b>Hist&#243;ria da doen&#231;a atual</b></p>     <p><i>Junho 2013 - Consulta programada de   MGF</i></p>     <p>O primeiro   contacto com o doente na nossa consulta de MGF ocorre em junho de 2013 para   vigil&#226;ncia e seguimento de doen&#231;as cr&#243;nicas. O doente relata um quadro de LUTS   com anos de evolu&#231;&#227;o, nomeadamente sintomas de armazenamento como urg&#234;ncia   miccional, aumento da frequ&#234;ncia urin&#225;ria e marcada noct&#250;ria. Nega sintomas de   esvaziamento (jato fraco, intermit&#234;ncia ou esfor&#231;o miccional) ou p&#243;s-miccionais   (gotejamento p&#243;s-miccional ou esvaziamento incompleto). N&#227;o apresenta febre,   dis&#250;ria, dor abdominal, lombar ou hemat&#250;ria macrosc&#243;pica. Nega antecedentes de   infe&#231;&#245;es urin&#225;rias, uretrites ou traumatismos recentes. O preenchimento do   question&#225;rio de sintomas <i>International     Prostatic Symptom Score</i> (IPSS) revela um resultado de 17. O doente refere ainda   um cansa&#231;o progressivo com v&#225;rios anos de evolu&#231;&#227;o e dispneia para os m&#233;dios   esfor&#231;os, sem ortopneia ou dispneia parox&#237;stica noturna, sem toracalgia recente   ou palpita&#231;&#245;es.</p>     <p>Do exame   objetivo realizado destaca-se uma tens&#227;o arterial de 190/100mmHg, a presen&#231;a de   edemas maleolares, fervores crepitantes bibasais, p&#233;nis circuncidado e sem   outras altera&#231;&#245;es aparentes nos genitais externos. O toque retal n&#227;o foi   realizado na primeira consulta dada a cronicidade das queixas e a limita&#231;&#227;o   motora do doente. Do processo cl&#237;nico constam resultados de abril de 2013 que   revelam insufici&#234;ncia renal ligeira (com creatin&#233;mia de 1,16mg/dL,   correspondente a uma taxa de filtra&#231;&#227;o glomerular estimada (TFG) de 73mL/min)   sem outras altera&#231;&#245;es significativas, nomeadamente com hemograma, fun&#231;&#227;o   hep&#225;tica, perfil lip&#237;dico, fun&#231;&#227;o tiroideia, uric&#233;mia, ur&#233;mia e ionograma sem   altera&#231;&#245;es, HbA1c de 6,4%, PSA de 0,66&#956;g/mL, urina II e urocultura   normais. O ecocardiograma transtor&#225;cico revela uma dilata&#231;&#227;o biauricular,   hipertrofia ventricular esquerda, cavidade ventricular esquerda dilatada, fun&#231;&#227;o   global sist&#243;lica conservada, sem zonas de hipocinesia e o ECG regista <i>flutter</i> auricular com resposta   ventricular controlada.</p>     <p>Opta-se por   iniciar terap&#234;utica anti-hipertensora com ramipril + hidroclorotiazida 2,5mg +   12,5mg e furosemida 40mg &#189; comprimido (tr&#234;s vezes por semana), mantendo a   restante medica&#231;&#227;o e pondera-se in&#237;cio de anticoagula&#231;&#227;o oral. S&#227;o requeridos   exames para estudo complementar da insufici&#234;ncia renal ligeira detetada e da   HBP: ecografias prost&#225;tica, renal e vesical.</p>     <p><i>Julho 2013 - Consulta programada</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O doente   apresenta um adequado controlo tensional em ambulat&#243;rio, mas nega melhoria   sintom&#225;tica, mantendo sobretudo urg&#234;ncia miccional e dispneia para m&#233;dios   esfor&#231;os. Tendo em conta a manuten&#231;&#227;o de edemas dos membros inferiores,   questiona-se o doente sobre a ades&#227;o &#224; toma da furosemida. Este refere &#8220;evitar&#8221; <i>(sic)</i> a toma do diur&#233;tico por sentir   que o medicamento agrava as suas queixas urin&#225;rias. Estas, associadas &#224; sua   dificuldade na mobiliza&#231;&#227;o (por obesidade e artroses dos joelhos), reduzem de   forma significativa a sua qualidade de vida e interferem na sua vida social. &#192;   ausculta&#231;&#227;o pulmonar mant&#233;m discretos fervores bibasais. Dos exames   complementares requeridos destaca-se um volume prost&#225;tico de 33mL, com   altera&#231;&#245;es estruturais de tipo benigno com alguns focos esclerocalcificados e   uma bexiga com paredes espessadas, sem les&#245;es suspeitas e sem refer&#234;ncia &#224;   exist&#234;ncia de um res&#237;duo p&#243;s-miccional patol&#243;gico. A ecografia renal n&#227;o   apresenta altera&#231;&#245;es significativas. </p>     <p>&#201; ent&#227;o   ajustada a terap&#234;utica, com a substitui&#231;&#227;o do alfa-bloqueante para silodosina   4mg (um comprimido uma vez dia) e refor&#231;ada a necessidade da toma do diur&#233;tico,   &#189; comprimido em dias alternados, alterando o hor&#225;rio da toma de modo a reduzir   o impacto na qualidade de vida e uma melhor ades&#227;o ao tratamento. </p>     <p><i>Agosto 2013 - Consulta programada</i></p>     <p>J&#225; com um   normal controlo tensional e tendo em conta o c&#225;lculo do CHA<sub>2</sub>DS<sub>2</sub>-VASc   (total de 5) e HAS-BLED (total de 2) opta-se por anticoagular o doente com   varfarina, ap&#243;s ponderar a decis&#227;o com o pr&#243;prio e com a fam&#237;lia.</p>     <p><i>Setembro 2013 a maio 2014</i></p>     <p>Durante   estes meses s&#227;o realizadas sucessivas consultas indiretas por interm&#233;dio da   filha, devido &#224; mobilidade reduzida que o doente apresenta, para monitoriza&#231;&#227;o   do INR e ajuste da dose da varfarina. &#201; solicitada uma avalia&#231;&#227;o anal&#237;tica mais   alargada em abril de 2014, de que se destaca: um ligeiro aumento do PSA total   (para 1,20&#956;g/L) e manuten&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o renal (TFG estimada de 76mL/min).</p>     <p><i>Junho 2014 - Consulta programada de   MGF</i></p>     <p>O doente   refere um aumento do cansa&#231;o com o surgimento recente de dispneia parox&#237;stica   noturna. Mant&#233;m dispneia para m&#233;dios esfor&#231;os e nega ortopneia. Permanece a   resist&#234;ncia &#224; toma do diur&#233;tico, apenas com toma di&#225;ria ao fim-de-semana.   Persistem os sintomas urin&#225;rios de armazenamento, com predom&#237;nio da noct&#250;ria. O   exame f&#237;sico &#233; marcado, &#224; ausculta&#231;&#227;o pulmonar, pela presen&#231;a de crepita&#231;&#245;es   nas bases pulmonares e sibilos dispersos. Inicia salbutamol em SOS de 8-8h e &#233;   refor&#231;ada a necessidade de toma do diur&#233;tico. Pelo agravamento cl&#237;nico da   insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva &#233; referenciado &#224; consulta de cardiologia para   eventual revis&#227;o e otimiza&#231;&#227;o terap&#234;utica, com primeira consulta em setembro de   2014.</p>     <p><i>Outubro 2014 - Consulta programada de   MGF</i></p>     <p>Em consulta   de reavalia&#231;&#227;o, o doente encontra-se melhorado das queixas respirat&#243;rias.   Contudo, mant&#233;m sintomas urin&#225;rios refrat&#225;rios &#224; terap&#234;utica farmacol&#243;gica,   nomeadamente marcada noct&#250;ria e urg&#234;ncia miccional. &#201; ent&#227;o referenciado &#224;   consulta de urologia, com primeira consulta em dezembro de 2014. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Dezembro 2014 - Consulta de urologia   - Primeira consulta</i></p>     <p>De acordo   com o doente, &#233; suspensa a silodosina 4mg e reiniciada tansulosina 0,4mg. S&#227;o   requeridos novos exames complementares de diagn&#243;stico, nomeadamente   urofluxometria com avalia&#231;&#227;o ecogr&#225;fica de res&#237;duo p&#243;s-miccional. </p>     <p><i>Janeiro 2015 - Consulta de cardiologia   - Seguimento </i></p>     <p>&#201; feita a   substitui&#231;&#227;o da varfarina para dabigatrano etexilato e &#233; mantida a restante   terap&#234;utica.</p>     <p><i>Mar&#231;o 2015 - Consulta de urologia   - Seguimento</i></p>     <p>Destaca-se   uma urofluxometria com um fluxo m&#225;ximo (Qmax) de 3,8mL/s, um volume (V) 164mL e   um tempo de mic&#231;&#227;o (T) 61s, sem res&#237;duo p&#243;s-miccional, calibra&#231;&#227;o da uretra, de   dif&#237;cil progress&#227;o de prego 6, a revelar um meato muito estenosado, com   necessidade de realiza&#231;&#227;o de dilata&#231;&#227;o da uretra at&#233; 14Ch. &#201; assumido, assim,   um quadro de estenose uretral e HBP. Mant&#233;m-se terap&#234;utica farmacol&#243;gica com   tansulosina 0,4mg e a realiza&#231;&#227;o peri&#243;dica de dilata&#231;&#245;es da uretra (oito   realizadas no total), sendo a &#250;ltima no dia 3 de julho de 2015.</p>     <p>Em   posteriores consultas de MGF realizadas at&#233; &#224; data, datando a &#250;ltima de julho   de 2015, o doente apresenta gradualmente melhoria sintom&#225;tica, melhor   tolerabilidade &#224; toma de furosemida, com melhor controlo da insufici&#234;ncia   card&#237;aca. </p>     <p><b>Coment&#225;rio</b></p>     <p>De acordo   com o quadro cl&#237;nico inicialmente apresentado, a etiologia mais prov&#225;vel seria   a HBP, uma vez que o seu diagn&#243;stico &#233; essencialmente cl&#237;nico e que o doente   referia j&#225; ter esse antecedente.</p>     <p>A HBP &#233; uma   das patologias benignas mais comuns entre os homens. Define-se pelo aumento do   n&#250;mero de c&#233;lulas do estroma e em menor grau das c&#233;lulas na regi&#227;o periuretral   prost&#225;tica. Consequentemente, existe um aumento de volume da gl&#226;ndula,   obstru&#231;&#227;o da uretra prost&#225;tica e sintomatologia do aparelho urin&#225;rio inferior   (LUTS) com um impacto negativo na qualidade de vida.<sup>1-3</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O diagn&#243;stico   &#233; essencialmente cl&#237;nico, baseado na apresenta&#231;&#227;o de LUTS, uma hist&#243;ria cl&#237;nica   detalhada e um exame objetivo cuidadoso. A aplica&#231;&#227;o do question&#225;rio <i>International Prostatic Symptom Score</i> (IPSS) e os exames complementares de diagn&#243;stico (ecografias prost&#225;tica,   vesical e renal, bioqu&#237;mica sangu&#237;nea - Na+, creatinina s&#233;rica, PSA e   exame de urina) permitem orientar o diagn&#243;stico diferencial e a escolha   terap&#234;utica, assim como descartar poss&#237;veis complica&#231;&#245;es.<sup>1,3-4</sup></p>     <p>Todavia,   existem v&#225;rios fatores a ter em conta: a terap&#234;utica farmacol&#243;gica institu&#237;da   (furosemida) constitui um fator de vi&#233;s na correta avalia&#231;&#227;o dos sintomas, uma   vez que estes eram predominantemente de armazenamento (urg&#234;ncia miccional,   aumento da frequ&#234;ncia urin&#225;ria e noct&#250;ria). A furosemida &#233; um diur&#233;tico de   ansa, inibindo a reabsor&#231;&#227;o dos i&#245;es de Na+, K+ e 2Cl- e aumentando   consequentemente a secre&#231;&#227;o de urina.<sup>5</sup> &#201; utilizada na corre&#231;&#227;o da   sintomatologia card&#237;aca congestiva que o doente apresentava: cansa&#231;o   progressivo, dispneia para os m&#233;dios esfor&#231;os, dispneia parox&#237;stica noturna,   edemas perif&#233;ricos e crepita&#231;&#245;es nas bases &#224; ausculta&#231;&#227;o pulmonar. Uma vez que   o doente n&#227;o fazia toma regular deste f&#225;rmaco, &#233; dif&#237;cil a correta avalia&#231;&#227;o se   os LUTS apresentados eram uma resposta a este f&#225;rmaco ou, por outro lado,   sintomas de HBP.</p>     <p>Pela marcada   noct&#250;ria que o doente relatava &#233; importante caracterizar este sintoma e   entidade cl&#237;nica. A noct&#250;ria &#233; definida pela necessidade de acordar durante a   noite para urinar, n&#227;o se estabelecendo um n&#250;mero espec&#237;fico de vezes para o   diagn&#243;stico. A noct&#250;ria raramente &#233; devida apenas a uma &#250;nica causa e as causas   mistas constituem a maioria. A obstru&#231;&#227;o urin&#225;ria baixa e a bexiga hiperativa   s&#227;o as causas mais conhecidas de noct&#250;ria, mas a mais prevalente &#233;, sem d&#250;vida,   a poli&#250;ria noturna (60-80% dos doentes).<sup>6</sup> No caso do nosso doente, a   noct&#250;ria foi atribu&#237;da &#224; exist&#234;ncia de poli&#250;ria noturna, secund&#225;ria &#224; toma de   diur&#233;ticos, &#224; insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva com edemas perif&#233;ricos e &#224;   diabetes. Todas estas causas promovem uma maior mobiliza&#231;&#227;o dos l&#237;quidos com   aumento do volume intravesical, sobretudo nos idosos em posi&#231;&#227;o de dec&#250;bito,   com consequente aumento do d&#233;bito noturno. Embora n&#227;o tenha sido requerido o   mapa miccional (considerado o melhor para a caracteriza&#231;&#227;o da situa&#231;&#227;o), a   ecografia vesical n&#227;o demonstrou exist&#234;ncia de um res&#237;duo p&#243;s-miccional   patol&#243;gico que sugerisse a hip&#243;tese de obstru&#231;&#227;o urin&#225;ria baixa. Por outro   lado, nos homens com maior frequ&#234;ncia miccional noturna de causa obstrutiva, a   terap&#234;utica com alfa-bloqueantes &#233; considerada uma op&#231;&#227;o terap&#234;utica v&#225;lida.<sup>6</sup></p>     <p>A   inexist&#234;ncia de sintomas como dor hipog&#225;strica, c&#243;lica renal, dis&#250;ria, febre,   hemat&#250;ria, corrimento uretral anormal, altera&#231;&#245;es na urina II e/ou urocultura   ou nos exames de imagem exclu&#237;ram hip&#243;teses de diagn&#243;stico, como: infe&#231;&#227;o do   aparelho urin&#225;rio inferior, prostatite, uretrite, lit&#237;ase urin&#225;ria ou tumor da   bexiga. Embora n&#227;o tenha sido questionado, seria importante ter-se exclu&#237;do   hist&#243;ria pessoal de instrumenta&#231;&#227;o do trato urin&#225;rio, nomeadamente algalia&#231;&#245;es.<sup>7</sup></p>     <p>Em rela&#231;&#227;o   ao exame objetivo, o diagn&#243;stico pr&#233;vio de HBP, a cronicidade das queixas e a   mobilidade reduzida do doente condicionaram o protelar do toque retal para a   consulta de urologia. Por outro lado, uma avalia&#231;&#227;o mais detalhada do meato   uretral poderia eventualmente ter evidenciado uma estenose do meato.</p>     <p>O doente   apresentava ainda alguns fatores de risco para LUTS, como doen&#231;a card&#237;aca e   presen&#231;a de diabetes.<sup>1,8</sup> A gravidade dos LUTS pode ser medida   utilizando o question&#225;rio IPSS <i>(International     Prostate Symptom Score),</i> um question&#225;rio autoaplic&#225;vel, composto por sete   perguntas que avaliam a frequ&#234;ncia de sete sintomas associados &#224; HBP. A oitava   pergunta avalia a qualidade de vida do homem em rela&#231;&#227;o ao seu padr&#227;o   miccional. Quanto maior o resultado desta pergunta, pior &#233; a sua qualidade de   vida. Na <a href="#f2">Figura 2</a> &#233; poss&#237;vel observar com maior detalhe as perguntas do   question&#225;rio.<sup>1</sup> As respostas recebem uma pontua&#231;&#227;o de zero a cinco de   acordo com a frequ&#234;ncia dos sintomas, sendo o resultado m&#225;ximo 35. Os sintomas   ligeiros apresentam valores entre 0 e 7, os sintomas moderados 8 a 19 e os   sintomas graves entre 20 a 35. Estima-se que a incid&#234;ncia moderada a grave de   LUTS seja de cerca de 30%<sup>1</sup> nos homens com idade superior a 50 anos.   No primeiro contacto com o nosso doente foi realizado este question&#225;rio com o   prop&#243;sito de avaliar os sintomas que relatava. Pela complexidade das patologias   que apresentava, este question&#225;rio n&#227;o foi realizado periodicamente nas   consultas subsequentes como forma de avalia&#231;&#227;o e melhor caracteriza&#231;&#227;o dos   sintomas ap&#243;s ajuste terap&#234;utico, o que teria permitido monitorizar as queixas   de forma mais objetiva. Realizou-se <i>a     posteriori,</i> encontrando-se o doente j&#225; a fazer dilata&#231;&#245;es da uretra,   verificando-se uma melhoria no resultado obtido. </p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a05f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>O antig&#233;nio   espec&#237;fico da pr&#243;stata (PSA) pode ser usado como par&#226;metro aproximado do volume   da pr&#243;stata, assim como marcador de risco de reten&#231;&#227;o urin&#225;ria aguda e a   eventual necessidade de cirurgia. &#201; ainda requisito para avaliar a fun&#231;&#227;o do   trato urin&#225;rio superior a determina&#231;&#227;o da creatinina ou, em alternativa, a   realiza&#231;&#227;o de ecografia renal, uma vez que a HBP pode provocar dilata&#231;&#227;o do   trato urin&#225;rio superior e insufici&#234;ncia renal.<sup>1,3</sup> A ecografia renal   requisitada na primeira consulta n&#227;o apresentava altera&#231;&#245;es significativas da   morfologia dos rins e a avalia&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o renal (creatin&#233;mia e TFG) requerida   nas diversas consultas manteve-se est&#225;vel, pelo que essa hip&#243;tese foi   descartada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pelo   apresentado foi assumida, como principal hip&#243;tese diagn&#243;stica, a HBP. A elei&#231;&#227;o   do tratamento seguiu as recomenda&#231;&#245;es e algoritmo existente, conforme observado   na <a href="#f3">Figura 3</a>,<sup>1</sup> selecionando os alfa-bloqueantes (tansulosina e   silodosina) como principais agentes farmacol&#243;gicos. Estes t&#234;m como mecanismo de   a&#231;&#227;o o relaxamento do m&#250;sculo liso prost&#225;tico, com um in&#237;cio de a&#231;&#227;o r&#225;pido   (menos de uma semana) no al&#237;vio sintom&#225;tico. S&#227;o os f&#225;rmacos de primeira linha   nos doentes com queixas moderadas a graves e com impacto na qualidade de vida,   n&#227;o impedindo, contudo, a progress&#227;o da doen&#231;a. Importa justificar que pelas   comorbilidades que o doente apresentava, nomeadamente insufici&#234;ncia card&#237;aca, e   pelo risco de agudiza&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o renal optou-se por iniciar silodosina numa   dose de 4mg.<sup>1-2,4,9</sup></p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a05f3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Uma vez que   n&#227;o existiu melhoria sintom&#225;tica ao fim de alguns meses, mesmo ap&#243;s   substitui&#231;&#227;o do alfa-bloqueante, foi referenciado &#224; consulta de urologia por   sintomas refrat&#225;rios &#224; terap&#234;utica para a realiza&#231;&#227;o de exames complementares   adicionais de diagn&#243;stico para exclus&#227;o de outras poss&#237;veis causas.<sup>1-2</sup> A realiza&#231;&#227;o da urofluxometria acabou por ser o exame chave no correto   diagn&#243;stico diferencial: a estenose uretral.</p>     <p>Estima-se   que a incid&#234;ncia da estenose uretral seja de 200-1.200 casos por 100.000 indiv&#237;duos,   com uma incid&#234;ncia crescente a partir dos 55 anos.<sup>10</sup> O   acompanhamento destes doentes entre os cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios e a consulta   de urologia permite um correto diagn&#243;stico diferencial, tratamento efetivo dos   sintomas e minimiza&#231;&#227;o de complica&#231;&#245;es.</p>     <p>As estenoses   uretrais podem ser divididas em dois tipos: anteriores e posteriores. A maioria   das estenoses &#233; anterior (92,2%)<sup>10</sup> e ocorre tipicamente ap&#243;s   traumatismo ou infe&#231;&#227;o, resultando em esponjofibrose. Por outro lado, as   estenoses uretrais posteriores resultam de um processo obliterativo causador de   fibrose, de que s&#227;o exemplo as les&#245;es iatrog&#233;nicas da radia&#231;&#227;o p&#233;lvica,   prostatectomia radical ou trauma (fraturas p&#233;lvicas). Todas as estenoses   resultam da les&#227;o epitelial da uretra ou do corpo esponjoso, que durante o   processo de cicatriza&#231;&#227;o originar&#225; fibrose.<sup>10</sup> Se inicialmente &#233;   assintom&#225;tico, &#224; medida que o l&#250;men uretral diminui surge a sintomatologia,   surgindo sintomas obstrutivos como hesita&#231;&#227;o, esvaziamento incompleto e jato   urin&#225;rio fraco. Outras complica&#231;&#245;es podem surgir, como infe&#231;&#227;o, lit&#237;ase   vesical, f&#237;stula, s&#233;psis ou insufici&#234;ncia renal, quando n&#227;o devidamente   tratadas. Exames complementares de diagn&#243;stico, como uma urina II e   urofluxometria, s&#227;o utilizados na identifica&#231;&#227;o e exclus&#227;o de complica&#231;&#245;es   (infe&#231;&#245;es).<sup>10</sup></p>     <p>Neste doente   diab&#233;tico, submetido previamente a uma circuncis&#227;o, a causa mais prov&#225;vel de   fimose seria a balanite xer&#243;tica obliterante/l&#237;quen escleroso. Na   impossibilidade de ter acesso &#224; histologia da circuncis&#227;o podemos supor que   esta tamb&#233;m poder&#225; ser a causa de estenose diagnosticada. Numa fase inicial   duma balanite xer&#243;tica, uma interven&#231;&#227;o precoce nos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios   poder&#225; evitar consequ&#234;ncias mais graves a longo prazo.<sup>11</sup></p>     <p>A   urofluxometria (exame n&#227;o invasivo que mede o volume urinado por unidade de   tempo) &#233; um exame importante para avaliar a presen&#231;a de obstru&#231;&#227;o infravesical   e fornece informa&#231;&#227;o acerca da capacidade contr&#225;ctil do detrusor. O exame <i>gold standard</i> para avalia&#231;&#227;o da   capacidade contr&#225;ctil do detrusor &#233; o estudo urodin&#226;mico. Assim, a partir dos   dados obtidos da fluxometria &#233; poss&#237;vel determinar o fluxo m&#225;ximo (Qmax), o   fluxo m&#233;dio (Qmed), o tempo at&#233; Qmax (TQmax), o tempo da mic&#231;&#227;o (T) e o volume   urinado (V), par&#226;metros necess&#225;rios para a sua correta interpreta&#231;&#227;o. A <i>International Continence Society</i> (ICS)   definiu que valores de Qmax superiores a 15mL/s s&#227;o considerados normais,   valores entre 10 e 15mL/s equ&#237;vocos e valores inferiores a 10mL/s como   patol&#243;gicos, indicativos de obstru&#231;&#227;o/estenose.<sup>12</sup></p>     <p>Retrospetivamente,   na avalia&#231;&#227;o deste doente, a hip&#243;tese de estenose uretral foi remotamente   equacionada mas descartada pela sintomatologia que o doente apresentava ao   longo dos meses de seguimento. Primeiramente, os seus sintomas eram   predominantemente de armazenamento, constantes ao longo dos meses e refrat&#225;rios   ao tratamento farmacol&#243;gico, nunca referindo os sintomas obstrutivos t&#237;picos   desta entidade. Os exames complementares de diagn&#243;stico demonstraram   analiticamente uma fun&#231;&#227;o renal est&#225;vel, apenas ligeiramente diminu&#237;da   (compat&#237;vel com a idade, os antecedentes de diabetes e de HTA), assim como a   inexist&#234;ncia de reten&#231;&#227;o urin&#225;ria ou de res&#237;duo p&#243;s-miccional nas ecografias   solicitadas. Acresce ainda mencionar que os fatores de confundimento   previamente descritos contribu&#237;ram para a baixa suspei&#231;&#227;o diagn&#243;stica,   permitindo-nos, com este caso, alertar para a necessidade de se efetuar uma   avalia&#231;&#227;o urol&#243;gica peri&#243;dica e objetiva (atrav&#233;s do question&#225;rio IPSS e de um   exame objetivo detalhado) nos doentes com queixas de LUTS ou refrat&#225;rios ao   tratamento m&#233;dico, mesmo que apresentem patologias conhecidas (como &#233; o caso da   patologia card&#237;aca e diabetes) que podem justificar a sintomatologia   apresentada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este caso   pretende, assim, primeiramente chamar &#224; aten&#231;&#227;o para a complexidade da   abordagem diagn&#243;stica dos LUTS em idosos do g&#233;nero masculino para a sua elevada   preval&#234;ncia como motivo de consulta e o seu importante impacto na qualidade de   vida. Alerta-nos, enquanto m&#233;dicos de fam&#237;lia, para o desafio de gerir as m&#250;ltiplas   comorbilidades e terap&#234;uticas que os doentes apresentam. M&#250;ltiplas patologias,   de etiologias completamente distintas, apresentam, pela sua complexidade,   sintomas semelhantes e cabe ao m&#233;dico de fam&#237;lia ser criterioso na sua   abordagem, na sele&#231;&#227;o de exames complementares e na escolha terap&#234;utica,   estando acima de tudo atento ao seu doente. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS   BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1.   Figueiredo A, Carlos JS, Pr&#237;ncipe P, Correia R, Lopes T. Avalia&#231;&#227;o e seguimento   do doente com HBP. Madrid: Springer Healthcare Ib&#233;rica; 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368778&pid=S2182-5173201700020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN   9788469592380 </p>     <!-- ref --><p>2. Kapoor A.   Benign prostatic hyperplasia (BPH) management in the primary care setting. Can   J Urol. 2012;19 Suppl 1:10-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368780&pid=S2182-5173201700020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Edwards   JL. Diagnosis and management of benign prostatic hyperplasia. Am Fam Physician.   2008;77(10):1403-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368782&pid=S2182-5173201700020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>4.   Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de. Abordagem terap&#234;utica farmacol&#243;gica da hipertrofia   benigna da pr&#243;stata: norma da DGS n&#186; 048/2011, de 26/12/2011. Lisboa: DGS;   2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368784&pid=S2182-5173201700020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Dire&#231;&#227;o   de Gest&#227;o do Risco de Medicamentos. Resumo das caracter&#237;sticas do medicamento:   furosemida generis 40mg comprimidos (Internet). Lisboa: INFARMED; 2014 (cited   2015 Jul 15). Available from: <a href="http://www.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=584661&amp;tipo_doc=rcm" target="_blank">http://www.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=584661&amp;tipo_doc=rcm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368786&pid=S2182-5173201700020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>6. Nunes JG.   Noct&#250;ria: etiopatogenia e terap&#234;utica (Internet). Lisboa: Associa&#231;&#227;o Portuguesa   de Urologia; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368787&pid=S2182-5173201700020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Available from: <a href="http://www.apurologia.pt/medicina_familiar/nocturia.pdf" target="_blank">http://www.apurologia.pt/medicina_familiar/nocturia.pdf</a></p>     <!-- ref --><p>7. Reynard   J, Brewster S, Biers S. Oxford handbook of urology. 3rd ed. Oxford: Oxford   University Press; 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368789&pid=S2182-5173201700020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9780199696130</p>     <!-- ref --><p>8. Parsons JK.   Benign prostatic hyperplasia and male lower urinary tract symptoms:   epidemiology and risk factors. Curr Bladder Dysfunct Rep. 2010;5(4):212-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368791&pid=S2182-5173201700020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Ribeiro   JC, Carvalho AP, Santos AR. Terap&#234;utica atual da hipertrofia benigna da   pr&#243;stata. Acta Urol. 2006;23(1):93-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368793&pid=S2182-5173201700020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>10. Hampson   LA, McAninch JW, Breyer BN. Male urethral strictures and their management. Nat   Rev Urol. 2014;11(1):43-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368795&pid=S2182-5173201700020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>11. Homer L,   Buchanan KJ, Nasr B, Losty PD, Corbett HJ. Meatal stenosis in boys following   circumcision for lichen sclerosus (balanitis xerotica obliterans). J Urol.   2014;192(6):1784-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1368797&pid=S2182-5173201700020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>12.   Domingues N, Fidalgo N, Melo M, Rodrigues M, Santos C, Pires M, et al.   Normograma de urofluxometria do homem portugu&#234;s: nomograma de Lisboa (Uroflow   nomogram for the Portuguese men: Lisbon nomogram). Acta Urol. 2011;28(4):21-5.   Portuguese</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      <p>In&#234;s   Domingues Teixeira</p>     <p>R. da   Ribeira Nova, n&#186; 1, 1200-375 Lisboa </p>     <p>E-mail: <a href="mailto:ines.domingues.teixeira@gmail.com">ines.domingues.teixeira@gmail.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflitos de interesse</b></p>     <p>A autora Ana   Sanches declara ser revisora da RPMGF, n&#227;o tendo participado no processo   editorial deste artigo. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 23-04-2016</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 16-02-2017</b></p>      ]]></body><back>
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