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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Síndroma antifosfolipídica: a propósito de um caso clínico]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732017000200007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732017000200007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732017000200007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A síndroma antifosfolipídica é uma doença autoimune que confere maior suscetibilidade para eventos trombóticos, podendo atingir qualquer território vascular e uma multiplicidade de manifestações clínicas que tornam o seu diagnóstico um desafio. Descrição do caso: Uma mulher de 25 anos, caucasiana, recorre à consulta por cefaleia frontal direita, com irradiação para a região ocular, associada a hipostesia da hemiface direita e apagamento do sulco nasogeniano direito. Realizou tomografia computorizada crânio-encefálica (TC-CE) que não evidenciou alterações. Após 48 horas, por agravamento das queixas com aparecimento de &#8220;adormecimento&#8221; (sic) do hemicorpo direito repetiu TC-CE que revelou trombose dos seios venosos (terços anterior e médio do seio longitudinal superior). A investigação etiológica determinou a presença do inibidor lúpico, anticorpos antinucleares (1/320 padrão mosqueado) e anticorpo anti-&#946;2-glicoproteina, tendo sido estabelecido o diagnóstico de síndroma antifosfolipídica. Comentário: O acidente vascular cerebral (AVC) é a forma de apresentação da síndroma antifosfolipídica em 13,5% a 15% dos doentes, com um atingimento predominante da artéria cerebral média. O atingimento dos seios venosos é uma forma de apresentação rara e que se associa a manifestações clínicas inespecíficas. O diagnóstico precoce de AVC nos jovens permanece difícil e a necessidade de sensibilização da equipa de saúde para esta problemática urge, especialmente com a concomitante emergência de fatores de risco em adultos jovens relacionados com a epidemia da obesidade.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Antiphospholipid syndrome is an autoimmune disorder that increases the risk of thrombosis. It has multiple clinical manifestations, making the diagnosis a challenge. Case report: A 25 year-old Caucasian woman presented with right frontal headache, radiating to the eyes, with loss of sensation on the right side of the face and flattening of the right naso-labial fold. Computerized tomography of the head did not reveal acute alterations. Loss of sensation on the right side of the body appeared after 48 hours. Computerized tomography revealed thrombosis of the anterior and medial third of superior longitudinal sinus. Further investigation revealed the presence of lupus anticoagulant, antinuclear antibodies (titers of 1/320), and anti-&#946;2-glycoprotein antibodies confirming the diagnosis of antiphospholipid syndrome. Comment: Stroke is the first manifestation of the antiphospholipid syndrome in 13.5% to 15% of cases, preferentially affecting the middle cerebral artery. Sinus thrombosis is a rare presentation associated with non-specific symptoms. Early diagnosis of stroke in young people remains difficult. Health providers need to be aware of this syndrome with the increase in risk factors such as obesity among the young.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Síndroma antifosfolipídica]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>S&#237;ndroma antifosfolip&#237;dica: a prop&#243;sito de   um caso cl&#237;nico</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Antiphospholipid syndrome: a case report</b></font></p>     <p><b>Lisa Teresa Moreira,<sup>1-2</sup> Ricardo   Torre,<sup>1,3</sup> Joana Barbosa,<sup>1,4</sup> Maria Lu&#237;sa Ferreira,<sup>1,4</sup> Maria Ant&#243;nia Cruz,<sup>4,5</sup></b></p>     <p>1. M&#233;dico   Interno de Medicina Geral e Familiar</p>     <p>2. ACeS   T&#226;mega II, Vale do Sousa Sul</p>     <p>3. ACeS   Grande Porto I, USF Veiga do Le&#231;a</p>     <p>4. ACeS   T&#226;mega II, USF Nova Era</p>     <p>5. M&#233;dica   Assistente Graduada de Medicina Geral e Familiar</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A s&#237;ndroma   antifosfolip&#237;dica &#233; uma doen&#231;a autoimune que confere maior suscetibilidade para   eventos tromb&#243;ticos, podendo atingir qualquer territ&#243;rio vascular e uma   multiplicidade de manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas que tornam o seu diagn&#243;stico um   desafio. </p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Uma mulher de 25   anos, caucasiana, recorre &#224; consulta por cefaleia frontal direita, com   irradia&#231;&#227;o para a regi&#227;o ocular, associada a hipostesia da hemiface direita e   apagamento do sulco nasogeniano direito. Realizou tomografia computorizada   cr&#226;nio-encef&#225;lica (TC-CE) que n&#227;o evidenciou altera&#231;&#245;es. Ap&#243;s 48 horas, por   agravamento das queixas com aparecimento de <i>&#8220;adormecimento&#8221;</i> (sic) do hemicorpo direito repetiu TC-CE que revelou trombose dos seios venosos   (ter&#231;os anterior e m&#233;dio do seio longitudinal superior). A investiga&#231;&#227;o   etiol&#243;gica determinou a presen&#231;a do inibidor l&#250;pico, anticorpos antinucleares   (1/320 padr&#227;o mosqueado) e anticorpo anti-&#946;2-glicoproteina, tendo sido   estabelecido o diagn&#243;stico de s&#237;ndroma antifosfolip&#237;dica.</p>     <p><b>Coment&#225;rio:</b> O acidente vascular   cerebral (AVC) &#233; a forma de apresenta&#231;&#227;o da s&#237;ndroma antifosfolip&#237;dica em 13,5%   a 15% dos doentes, com um atingimento predominante da art&#233;ria cerebral m&#233;dia. O   atingimento dos seios venosos &#233; uma forma de apresenta&#231;&#227;o rara e que se associa   a manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas inespec&#237;ficas. O diagn&#243;stico precoce de AVC nos jovens   permanece dif&#237;cil e a necessidade de sensibiliza&#231;&#227;o da equipa de sa&#250;de para   esta problem&#225;tica urge, especialmente com a concomitante emerg&#234;ncia de fatores   de risco em adultos jovens relacionados com a epidemia da obesidade.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> S&#237;ndroma   antifosfolip&#237;dica; Anticorpo antifosfolip&#237;dico; Acidente vascular cerebral;   Trombose dos seios venosos.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> Antiphospholipid syndrome   is an autoimmune disorder that increases the risk of thrombosis. It has multiple clinical manifestations, making the diagnosis a challenge. </p>     <p><b>Case report:</b> A 25 year-old Caucasian   woman presented with right frontal headache, radiating to the eyes, with loss   of sensation on the right side of the face and flattening of the right   naso-labial fold. Computerized tomography of the head did not reveal acute   alterations. Loss of sensation on the right side of the body appeared after 48   hours. Computerized tomography revealed thrombosis of the anterior and medial   third of superior longitudinal sinus. Further investigation revealed the   presence of lupus anticoagulant, antinuclear antibodies (titers of 1/320), and   anti-&#946;2-glycoprotein antibodies confirming the diagnosis of   antiphospholipid syndrome.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Comment:</b> Stroke is the first   manifestation of the antiphospholipid syndrome in 13.5% to 15% of cases,   preferentially affecting the middle cerebral artery. Sinus thrombosis is a rare   presentation associated with non-specific symptoms. Early diagnosis of stroke   in young people remains difficult. Health providers need to be aware of this   syndrome with the increase in risk factors such as obesity among the young.</p>     <p><b>Keywords:</b> Antiphospholipid syndrome;   Antibodies, Antiphospholipid; Stroke; Sinus thrombosis, Intracranial.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A s&#237;ndroma   antifosfolip&#237;dica &#233; uma doen&#231;a autoimune associada a elevada morbilidade e mortalidade   por conferir maior suscetibilidade para eventos tromb&#243;ticos de natureza   arterial ou venosa.<sup>1-3</sup> Estima-se que seja a causa pr&#243;-tromb&#243;tica   adquirida mais comum, com uma preval&#234;ncia de 2%. &#201; mais frequente no sexo   feminino, dos 15 aos 50 anos, com idade m&#233;dia de diagn&#243;stico aos 34 anos.<sup>3-4</sup></p>     <p>Pode atingir   virtualmente qualquer territ&#243;rio vascular. Logo, as manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas   variam desde a trombose venosa profunda, tromboembolismo pulmonar, acidente   vascular cerebral (AVC), doen&#231;a coron&#225;ria isqu&#233;mica, doen&#231;a valvular, estenose   da art&#233;ria renal, livedo reticular, necrose cut&#226;nea, morte fetal, entre outras,   tornando o seu diagn&#243;stico um desafio.<sup>1-3,5-6</sup></p>     <p>A s&#237;ndroma   antifosfolip&#237;dica n&#227;o &#233; uma situa&#231;&#227;o cl&#237;nica frequente, pelo que no caso   cl&#237;nico descrito surgiram dificuldades diagn&#243;sticas, mas que permitiram   sensibilizar os cl&#237;nicos para a presen&#231;a de eventos tromb&#243;ticos em idades   jovens.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso cl&#237;nico</b></p>     <p>Maria, sexo   feminino, 25 anos, caucasiana, aut&#243;noma, estudante de contabilidade e   trabalhadora em tempo parcial como funcion&#225;ria fabril. &#201; a primeira numa   fratria de dois (<a href="#f1">Figura 1</a>). Vive em uni&#227;o de facto, na fase I do ciclo de vida familiar, com um Apgar familiar de 9 (fam&#237;lia altamente funcional). </p>     <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a07f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Apresenta,   como antecedentes pessoais, obesidade (&#237;ndice de massa corporal: 34,4Kg/m<sup>2</sup>)   e trombocitopenia (desde h&#225; dois anos, de etiologia desconhecida). A hist&#243;ria   cl&#237;nica revelou n&#227;o haver alergias, h&#225;bitos tab&#225;gicos ou et&#237;licos, acidentes,   traumatismos, internamentos, interven&#231;&#245;es cir&#250;rgicas pr&#233;vias, transfus&#245;es ou   imuniza&#231;&#245;es recentes. Hist&#243;ria ginecol&#243;gica e obst&#233;trica: zero gesta&#231;&#245;es e sem   hist&#243;ria de abortos, medicada com anticoncetivo hormonal combinado (anel   vaginal: etonogestrel 0,120mg / etinilestradiol 0,015mg) desde h&#225; um ano (sem   outra terap&#234;utica cr&#243;nica). Realiza 30 minutos de atividade f&#237;sica duas vezes   por semana e vive em habita&#231;&#227;o pr&#243;pria, com eletricidade, &#225;gua pot&#225;vel e   saneamento b&#225;sico. Sem viagens recentes ao estrangeiro.</p>     <p>Tem um primo   materno em 2&#186; grau com antecedentes de AVC aos 32 anos e uma prima materna em   2&#186; grau com antecedentes de AVC da art&#233;ria cerebral m&#233;dia aos 16 anos. Tem   ainda outros fatores de risco familiares, como hipertens&#227;o arterial e diabetes <i>mellitus</i> tipo 2 (<a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     <p>Maria   iniciou quadro s&#250;bito de dor persistente na regi&#227;o frontal direita de grande   intensidade, tendo recorrido ao servi&#231;o de urg&#234;ncia (SU) no mesmo dia. Ap&#243;s   observa&#231;&#227;o cl&#237;nica foi-lhe diagnosticada cefaleia, tendo tido alta com   nimesulide 100mg em SOS.</p>     <p>Ap&#243;s quatro   dias recorreu &#224; consulta aberta na sua Unidade de Sa&#250;de Familiar (USF) por   manuten&#231;&#227;o do quadro de cefaleia persistente na regi&#227;o frontal direita, de   in&#237;cio s&#250;bito e de grande intensidade (escala num&#233;rica: 7-8, em 10), em moinha,   com irradia&#231;&#227;o para a regi&#227;o ocular, que n&#227;o aliviava com a terap&#234;utica   institu&#237;da. Referia ainda hipostesia da hemiface direita, halos luminosos,   fotofobia e dificuldade de concentra&#231;&#227;o. Negava febre, dor &#224; mobiliza&#231;&#227;o   ocular, movimentos involunt&#225;rios, descoordena&#231;&#227;o motora, vertigens, altera&#231;&#245;es   cut&#226;neas, traumatismo ou outras queixas. </p>     <p>O exame   objetivo detalhado estava normal, &#224; exce&#231;&#227;o do exame neurol&#243;gico. A doente   apresentava-se consciente, colaborante, comunicativa e orientada; discurso   ligeiramente lentificado, mas fluente, sem afasia ou outras altera&#231;&#245;es da   linguagem; pupilas fotoreativas; oculomotricidade preservada, sem nistagmo ou   diplopia; campos visuais normais pelo teste de confronta&#231;&#227;o; apresentava diminui&#231;&#227;o   da sensibilidade da hemiface direita para est&#237;mulos &#225;lgicos e t&#225;teis; ligeiro   apagamento do sulco nasogeniano &#224; direita e desvio da comissura labial para a   esquerda; sem altera&#231;&#245;es motoras do andar superior da face; t&#243;nus, for&#231;a global   e for&#231;a segmentar preservada e sim&#233;trica nos quatro membros (escala de   avalia&#231;&#227;o da for&#231;a muscular <i>Medical     Research Council</i>); reflexos osteoarticulares preservados; sem dismetrias na   prova dedo-nariz; marcha e prova de Romberg normal; sinais men&#237;ngeos negativos.</p>     <p>Perante o   quadro cl&#237;nico colocaram-se as hip&#243;teses diagn&#243;sticas de AVC, les&#227;o ocupante de   espa&#231;o, enxaqueca com aura ou cefaleia de <i>cluster,</i> pelo que foi encaminhada para o SU. </p>     <p>No SU, o   eletrocardiograma (ECG) e a tomografia computorizada cr&#226;nio-encef&#225;lica (TC-CE)   n&#227;o evidenciaram qualquer altera&#231;&#227;o, pelo que a doente teve alta com indica&#231;&#227;o   para manter analgesia com nimesulide 100mg em SOS.</p>     <p>Ap&#243;s 48   horas recorreu novamente &#224; consulta aberta na USF por agravamento do quadro   pr&#233;vio, com aparecimento progressivo de <i>&#8220;adormecimento&#8221;</i> <i>(sic)</i> do hemicorpo direito.   Apresentava diminui&#231;&#227;o da sensibilidade (&#225;lgica e t&#225;til) e da for&#231;a muscular   ipsilateral ao exame f&#237;sico, pelo que foi novamente encaminhada para o SU por   suspeita de AVC.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dos exames   realizados no SU, a doente apresentava leucocitose com neutrofilia,   trombocitopenia e eleva&#231;&#227;o da prote&#237;na C reativa (PCR) (leuc&#243;citos: 12.700 x10<sup>3</sup>/L;   neutr&#243;filos: 84,7%, plaquetas: 77.000x10<sup>3</sup>/L; PCR 26,4mg/dL). Repetiu   ECG que n&#227;o demonstrou altera&#231;&#245;es e TC-CE que revelou: &#8220;Hematoma agudo frontal   esquerdo, de 25x11mm, com &#225;rea de edema vasog&#233;nico perifocal e discreta   hemorragia subaracnoid&#233;ia em alguns sulcos corticais parietais e frontais&#8221; (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a07f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>No decurso   da observa&#231;&#227;o no SU apresentou como intercorr&#234;ncia crise convulsiva   t&#243;nico-cl&#243;nica generalizada com dura&#231;&#227;o de 30 segundos, tendo tido recupera&#231;&#227;o   progressiva espont&#226;nea do estado de consci&#234;ncia. Foi medicada com valproato de   s&#243;dio e iniciou anticoagula&#231;&#227;o com enoxaparina.</p>     <p>Nesta fase   apresentava-se sonolenta com abertura espont&#226;nea dos olhos, cumpria ordens   simples, com discurso escasso e lentificado (Glasgow de 13); poss&#237;vel   hemian&#243;psia hom&#243;nima direita, sem anosagnosia, sem extin&#231;&#227;o visual ou   sensitiva; reflexo do v&#243;mito ausente; paresia facial do andar inferior direito;   hemi-hipostesia direita e hemiparesia direita, com for&#231;a muscular grau 0 em 5   no membro superior direito e for&#231;a muscular grau 3 em 5 no membro inferior   direito; reflexo cut&#226;neo plantar extensor &#224; direita; NIHSS:7 <i>(National Institutes of Health Stroke Scale)</i> e mRankin:3 <i>(modified Rankin Scale).</i></p>     <p>Para melhor   carateriza&#231;&#227;o da les&#227;o realizou angio-TC cr&#226;nio que revelou trombose dos seios   venosos (ter&#231;os anterior e m&#233;dio do seio longitudinal superior) com   transforma&#231;&#227;o hemorr&#225;gica, tendo ficado internada.</p>     <p>Durante o   internamento, a doente evoluiu favoravelmente com melhoria progressiva dos   d&#233;fices neurol&#243;gicos, embora com algumas intercorr&#234;ncias (<a href="#q1">Quadro I</a>). Foi ainda   realizado o estudo de trombofilias, que revelou inibidor l&#250;pico positivo,   anticorpos antinucleares positivos (1/320 padr&#227;o mosqueado), anticorpo   anti-&#946;2-glicoproteina discretamente elevado, com restante estudo normal,   tendo-se estabelecido o diagn&#243;stico de s&#237;ndroma antifosfolip&#237;dica.</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a07q1.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Teve alta ao   15&#186; dia de internamento, clinicamente melhorada, for&#231;a muscular no membro   superior direito grau 4 em 5 e membro inferior direito grau 5 em 5; hipostesia   marcada no membro superior direito, ligeira no membro inferior direito;   parcialmente aut&#243;noma para as atividades de vida di&#225;ria (NIHSS:2 e mRankin:2);   e com os diagn&#243;sticos de s&#237;ndroma antifosfolip&#237;dica, trombose dos seios venosos   (ter&#231;os anterior e m&#233;dio do seio longitudinal superior) com transforma&#231;&#227;o hemorr&#225;gica   e, como complica&#231;&#227;o, crise convulsiva t&#243;nico-cl&#243;nica generalizada. </p>     <p>Ap&#243;s a alta   manteve terap&#234;utica anticoagulante com varfarina, com raz&#227;o normalizada   internacional (INR) alvo de 2,5, fisioterapia di&#225;ria para recupera&#231;&#227;o dos   d&#233;fices motores e consulta de seguimento em medicina interna, neurologia,   neuro-oftalmologia e ginecologia-obstetr&#237;cia.</p>     <p>Ao segundo   m&#234;s ap&#243;s a alta, a doente recorreu &#224; consulta de sa&#250;de de adultos na USF para   renova&#231;&#227;o de certificado de incapacidade tempor&#225;ria para o trabalho.   Apresentava ligeiro desvio da comissura labial para a esquerda e ligeiro   apagamento do sulco nasogeniano direito; hipostesia facial direita ligeira;   for&#231;a muscular no hemicorpo esquerdo 5 em 5; for&#231;a muscular no hemicorpo   direito: 5 em 5 na m&#227;o e membro inferior direito e de 4 em 5 no bra&#231;o e   antebra&#231;o; hipostesia ligeira do membro superior direito; reflexo cut&#226;neo   plantar indiferente &#224; direita e flex&#227;o &#224; esquerda (NIHSS:2 e mRankin:1). Estas   altera&#231;&#245;es, por exigirem apoio familiar, foram fatores promotores da resolu&#231;&#227;o   dos conflitos familiares existentes entre Maria, o namorado e a m&#227;e e a   din&#226;mica familiar entre estes elementos tornou-se boa. </p>     <p><b>Coment&#225;rio</b></p>     <p>O   diagn&#243;stico da s&#237;ndroma antifosfolip&#237;dica requer a presen&#231;a de, pelo menos, um   crit&#233;rio cl&#237;nico e um crit&#233;rio laboratorial (<a href="#q2">Quadro II</a>). A avalia&#231;&#227;o   laboratorial deve ser confirmada &#224;s 12 semanas e deve limitar-se apenas aos   pacientes que preenchem os crit&#233;rios cl&#237;nicos, j&#225; que foi demonstrada a   presen&#231;a de anticorpos antifosfolip&#237;dicos em 1 a 5% da popula&#231;&#227;o saud&#225;vel, sem   risco tromb&#243;tico acrescido.<sup>3-4</sup></p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a07q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Dado o risco   pr&#243;-tromb&#243;tico da s&#237;ndroma antifosfolip&#237;dica, a anticoagula&#231;&#227;o oral &#233; o   tratamento de elei&#231;&#227;o. O tipo, dura&#231;&#227;o e intensidade da terap&#234;utica   anticoagulante permanecem quest&#245;es controversas, sendo necess&#225;rio averiguar,   caso a caso, as vantagens da anticoagula&#231;&#227;o e os riscos de hemorragia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A <i>British Society of Haematology</i> recomenda   um INR alvo de 2,5 para pacientes com trombose venosa associada &#224; s&#237;ndroma   antifosfolip&#237;dica e um INR alvo de 3,5 para os doentes com recorr&#234;ncia de   eventos tromb&#243;ticos mesmo sob terap&#234;utica anticoagulante.<sup>7-8</sup></p>     <p>O AVC &#233; a   forma de apresenta&#231;&#227;o da s&#237;ndroma antifosfolip&#237;dica em 13,5 a 15% dos doentes,   com um atingimento predominante da art&#233;ria cerebral m&#233;dia, embora qualquer   territ&#243;rio possa ser afetado.<sup>5</sup></p>     <p>A trombose   dos seios venosos &#233; uma entidade rara,<sup>5</sup> associada a manifesta&#231;&#245;es   cl&#237;nicas inespec&#237;ficas, como a cefaleia (&gt;80%), convuls&#245;es (40%),   hemiparesia (40%), altera&#231;&#227;o do estado de consci&#234;ncia (15-20%) e edema da   papila (20-30%), o que, aliado &#224; possibilidade de permanecer oculta na TC nas   primeiras 24 a 48 horas, torna o seu diagn&#243;stico um verdadeiro desafio.<sup>9-10</sup></p>     <p>Comparativamente   aos adultos e idosos, o AVC em doentes jovens tem um maior impacto   socioecon&#243;mico.<sup>11</sup> Na trombose dos seios venosos, os fatores de risco   para um desfecho desfavor&#225;vel foram identificados como sendo o sexo masculino,   idade &gt;37 anos, coma, perturba&#231;&#227;o do estado mental, hemorragia intracraniana   &#224; admiss&#227;o, trombose do sistema venoso profundo, infe&#231;&#227;o do sistema nervoso   central e cancro.<sup>12</sup> Destes, identificam-se a perturba&#231;&#227;o do estado   mental e a hemorragia intracraniana &#224; admiss&#227;o como fatores de risco de mau   progn&#243;stico no doente descrito.</p>     <p>O   diagn&#243;stico precoce do AVC nos jovens permanece dif&#237;cil, seja pela aus&#234;ncia de   sensibiliza&#231;&#227;o ou de fatores de risco, infrequ&#234;ncia ou diagn&#243;sticos   mimetizantes (como a s&#237;ndroma vestibular, enxaqueca, infe&#231;&#227;o do sistema nervoso   central, tumor cerebral, hipoglicemia, encefalopatia hipertensiva,   gastroenterite ou somatiza&#231;&#227;o).<sup>11</sup> No entanto, aliado &#224;s causas   inerentes de AVC nos jovens adultos (<a href="#q3">Quadro III</a>), a emerg&#234;ncia de fatores de   risco resultantes da atual epidemia da obesidade leva a uma imperiosa   necessidade de sensibiliza&#231;&#227;o da equipa de sa&#250;de.</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a07q3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente   &#224; hist&#243;ria ginecol&#243;gica e obst&#233;trica, na s&#237;ndroma antifosfolip&#237;dica os m&#233;todos   contracetivos de barreira s&#227;o os &#250;nicos que est&#227;o recomendados. A s&#237;ndroma   antifosfolip&#237;dica n&#227;o &#233; contraindica&#231;&#227;o para a gravidez, mas associa-se a   complica&#231;&#245;es, nomeadamente abortos de repeti&#231;&#227;o, prematuridade, insufici&#234;ncia   placentar, pr&#233;-ecl&#226;mpsia, ecl&#226;mpsia, s&#237;ndroma HELLP (hem&#243;lise, eleva&#231;&#227;o das   enzimas hep&#225;ticas e trombocitopenia), eventos tromb&#243;ticos vasculares e, em   casos raros, a s&#237;ndroma antifosfolip&#237;dica catastr&#243;fica com coagula&#231;&#227;o   intravascular disseminada e uma taxa de mortalidade de 50%.<sup>13</sup> Os   anticoagulantes orais, por serem teratog&#233;nicos, devem ser substitu&#237;dos   imediatamente ap&#243;s confirma&#231;&#227;o da gravidez por heparina de baixo peso molecular   (HBPM) e &#225;cido acetilsalic&#237;lico (AAS) em baixa dose. A probabilidade de a   gravidez decorrer com sucesso na aus&#234;ncia de terap&#234;utica &#233; de 30%, 50% se   realizada terap&#234;utica &#250;nica com HBPM e 70% se terap&#234;utica dupla com HBPM e AAS.   A HBPM e o AAS dever&#227;o ser mantidos at&#233; seis semanas ap&#243;s o parto, altura em   que pode ser retomada a anticoagula&#231;&#227;o oral. Nas m&#227;es a amamentar, o   rec&#233;m-nascido deve realizar suplementa&#231;&#227;o com vitamina K.<sup>13</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFER&#202;NCIAS   BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Silva FF,   Levy RA, Carvalho JF. Cardiovascular risk factors in the antiphospholipid   syndrome. J Immunol Res. 2014;2014:ID621270.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369007&pid=S2182-5173201700020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Alchi B,   Griffiths M, Jayne D. What nephrologists need to know about antiphospholipid   syndrome. Nephrol Dial Transplant. 2010;25(10):3147-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369009&pid=S2182-5173201700020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3.   Pinto-Almeida T, Caetano M, Sanches M, Selores M. Cutaneous manifestations of   antiphospholipid syndrome: a review of the clinical features, diagnosis and   management. Acta Reumatol Port. 2013;38(1):10-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369011&pid=S2182-5173201700020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Koniari   I, Siminelakis SN, Baikoussis NG, Papadopoulos G, Goudevenos J, Apostolakis   E.&nbsp; Antiphospholipid syndrome; its   implication in cardiovascular diseases: a review. J Cardiothorac Surg.   2010;5:101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369013&pid=S2182-5173201700020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>5. Carecchio   M, Cantello R, Comi C. Revisiting the molecular mechanism of neurological   manifestations in antiphospholipid syndrome: beyond vascular damage. J Immunol   Res. 2014;2014:ID239398.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369015&pid=S2182-5173201700020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Vicente   I, Fernandes C, Fortuna J, S&#225; A, Ferreira O, Miraldo M. S&#237;ndrome   antifosfolip&#237;dico. Med Interna. 1999;6(4):254-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369017&pid=S2182-5173201700020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>7. Henriques   CC, Louren&#231;o F, Lop&#233;z B, Panarra A, Riso N. Antiphospholipid syndrome and   recurrent thrombosis: limitations of current treatment strategies. BMJ Case   Rep. 2012;2012. </p>     <!-- ref --><p>8. Lim W.   Antiphospholipid syndrome. ASH Education Book. 2013;2013(1):675-80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369020&pid=S2182-5173201700020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Tanislav   C, Siekmann R, Sieweke N, Allend&#246;rfer J, Pabst W, Kaps M, et al. Cerebral vein   thrombosis: clinical manifestation and diagnosis. BMC Neurol. 2011;11:69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369022&pid=S2182-5173201700020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>10.   Ducla-Soares JL. Semiologia m&#233;dica: princ&#237;pios, m&#233;todos e interpreta&#231;&#227;o.   Lisboa: Lidel; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369024&pid=S2182-5173201700020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9789727574261</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>11. Singhal   AB, Biller J, Elkind MS, Fullerton HJ, Jauch EC, Kittner SJ, et al. Recognition   and management of stroke in young adults and adolescents. Neurology.   2013;81(12):1089-97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369026&pid=S2182-5173201700020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Ferro   JM, Canh&#227;o P, Stam J, Bousser MG, Barinagarrementeria F. Prognosis of cerebral   vein and dural sinus thrombosis: results of the International Study on Cerebral   Vein and Dural Sinus Thrombosis (ISCVT). Stroke. 2004;35(3):664-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369028&pid=S2182-5173201700020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>13.   Marchetti T, Cohen M, de Moerloose P. Obstetrical antiphospholipid syndrome:   from the pathogenesis to the clinical and therapeutic implications. Clin Dev   Immunol. 2013;2013:ID159124.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369030&pid=S2182-5173201700020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Lisa Teresa   Moreira</p>     <p>ACeS T&#226;mega   II, Vale do Sousa Sul</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E-mail: <a href="mailto:lisamoreira1@gmail.com">lisamoreira1@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflitos de interesse</b></p>     <p>Os autores   declaram n&#227;o ter conflitos de interesse.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 25-03-2016</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 29-01-2017</b></p>      ]]></body><back>
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