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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Variante comportamental da demência frontotemporal: relato de caso]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732017000200008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732017000200008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732017000200008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A demência frontotemporal corresponde a um conjunto de síndromas demenciais que têm em comum alterações de personalidade, comportamento e linguagem como características clínicas precoces; e a atrofia do córtex frontal e temporal como característica anátomo-patológica. Esta entidade parece estar subdiagnosticada, pelo que se pretende sensibilizar para as dificuldades na sua identificação e na gestão terapêutica. Descrição do caso: Homem de 74 anos sem antecedentes pessoais e familiares de relevo para a história da doença atual. Um ano após a idade normal de reforma começou a apresentar alteração progressiva dos padrões de conduta social, com ausência do controlo do impulso, associado a comportamentos alimentares desadequados e a rituais, bem como um discurso empobrecido. Algum tempo após o início dos sintomas e observação por outras especialidades médicas foi avaliado e orientado por neurologia. Comentário: O médico de família pode ter um papel importante na suspeição desta entidade clínica, devido à prestação de cuidados longitudinais que assegura um vasto conhecimento dos utentes. Nesse sentido possibilitará uma investigação e orientações adequadas e atempadas, evitando tratamentos desnecessários e potencialmente prejudiciais. Destaca-se, ainda, o seu papel de gestão da multimorbilidade associada e de suporte aos familiares/cuidadores.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Frontotemporal dementia is characterized by changes in personality, behavior, and language. Atrophy of the frontal and temporal cortex is the main pathological finding. As this entity is under-diagnosed, it is important to raise awareness of the difficulties in diagnosis and management. Case Description: A 74 year-old man had progressive changes in appropriate social behavior from age 66. This included a lack of impulse control, inadequate food behaviors and rituals, and reduced production of speech. Some time after the onset of symptoms and consultation with different medical specialists, he was referred to a neurologist who made the diagnosis of frontotemporal dementia. Commentary: The family physician can play an important role by suspecting this condition, through longitudinal care and personal knowledge of the patient. Proper investigation and appropriate and timely guidance can help avoid unnecessary and potentially harmful treatments. The family physician can also manage associated comorbidity and support the family and other caregivers.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Demência frontotemporal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Variante comportamental da demência frontotemporal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Critérios de diagnóstico]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Diagnosis]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Variante comportamental da dem&#234;ncia   frontotemporal: relato de caso</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Behavioral changes in frontotemporal dementia: a case report</b></font></p>     <p><b>S&#243;nia Moreira,<sup>1-2</sup> Sara Duarte,<sup>3-4</sup> Isabel Moreira,<sup>3-4</sup> Ernestina Santos<sup>4-5</sup></b></p>     <p>1. M&#233;dica   Interna de Medicina Geral e Familiar </p>     <p>2. USF de   F&#226;nzeres, ACeS de Gondomar</p>     <p>3. M&#233;dica   Interna de Neurologia </p>     <p>4. Hospital   Geral de Santo Ant&#243;nio, Centro Hospitalar do Porto</p>     <p>5. M&#233;dica   Assistente de Neurologia</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o:</b> A dem&#234;ncia frontotemporal   corresponde a um conjunto de s&#237;ndromas demenciais que t&#234;m em comum altera&#231;&#245;es   de personalidade, comportamento e linguagem como caracter&#237;sticas cl&#237;nicas   precoces; e a atrofia do c&#243;rtex frontal e temporal como caracter&#237;stica   an&#225;tomo-patol&#243;gica. Esta entidade parece estar subdiagnosticada, pelo que se   pretende sensibilizar para as dificuldades na sua identifica&#231;&#227;o e na gest&#227;o   terap&#234;utica.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso:</b> Homem de 74 anos sem   antecedentes pessoais e familiares de relevo para a hist&#243;ria da doen&#231;a atual.   Um ano ap&#243;s a idade normal de reforma come&#231;ou a apresentar altera&#231;&#227;o   progressiva dos padr&#245;es de conduta social, com aus&#234;ncia do controlo do impulso,   associado a comportamentos alimentares desadequados e a rituais, bem como um   discurso empobrecido. Algum tempo ap&#243;s o in&#237;cio dos sintomas e observa&#231;&#227;o por   outras especialidades m&#233;dicas foi avaliado e orientado por neurologia.</p>     <p><b>Coment&#225;rio:</b> O m&#233;dico de fam&#237;lia pode   ter um papel importante na suspei&#231;&#227;o desta entidade cl&#237;nica, devido &#224; presta&#231;&#227;o   de cuidados longitudinais que assegura um vasto conhecimento dos utentes. Nesse   sentido possibilitar&#225; uma investiga&#231;&#227;o e orienta&#231;&#245;es adequadas e atempadas,   evitando tratamentos desnecess&#225;rios e potencialmente prejudiciais. Destaca-se,   ainda, o seu papel de gest&#227;o da multimorbilidade associada e de suporte aos   familiares/cuidadores. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Dem&#234;ncia frontotemporal;   Variante comportamental da dem&#234;ncia frontotemporal; Crit&#233;rios de diagn&#243;stico;   Tratamento; Cuidados prim&#225;rios.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> Frontotemporal dementia   is characterized by changes in personality, behavior, and language. Atrophy of   the frontal and temporal cortex is the main pathological finding. As this   entity is under-diagnosed, it is important to raise awareness of the   difficulties in diagnosis and management.</p>     <p><b>Case Description:</b> A 74 year-old man had   progressive changes in appropriate social behavior from age 66. This included a   lack of impulse control, inadequate food behaviors and rituals, and reduced   production of speech. Some time after the onset of symptoms and consultation   with different medical specialists, he was referred to a neurologist who made   the diagnosis of frontotemporal dementia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Commentary:</b> The family physician can   play an important role by suspecting this condition, through longitudinal care   and personal knowledge of the patient. Proper investigation and appropriate and   timely guidance can help avoid unnecessary and potentially harmful treatments.   The family physician can also manage associated comorbidity and support the   family and other caregivers.</p>     <p><b>Keywords:</b> Frontotemporal Dementia;   Behavioral variant of Frontotemporal Dementia; Diagnosis; Therapeutics; Primary   Care.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>Perante um   doente em idade de reforma com sintomas neuropsicol&#243;gicos de altera&#231;&#227;o de   personalidade, de comportamento e/ou de linguagem, o m&#233;dico de fam&#237;lia (MF)   coloca como hip&#243;teses diagn&#243;sticas outras entidades autolimitadas e institui   tratamentos em conformidade. O diagn&#243;stico de uma s&#237;ndroma demencial,   nomeadamente a dem&#234;ncia frontotemporal (DFT), n&#227;o deve ser descurado, ap&#243;s   despistadas outras etiologias e tendo em conta a sua preval&#234;ncia neste grupo   et&#225;rio.<sup>1-2</sup> Esta corresponde a um conjunto de entidades que t&#234;m em   comum os sintomas enumerados como caracter&#237;stica cl&#237;nica precoce e a atrofia do   c&#243;rtex frontal e temporal como caracter&#237;stica an&#225;tomo-patol&#243;gica.<sup>3-4</sup></p>     <p>A   apresenta&#231;&#227;o deste caso cl&#237;nico permitir&#225; divulgar os aspetos chave para a sua   suspei&#231;&#227;o e evidenciar as dificuldades associadas ao seu diagn&#243;stico. A   realiza&#231;&#227;o de uma hist&#243;ria cl&#237;nica adequada, n&#227;o s&#243; com o doente, mas sobretudo   com a fam&#237;lia/cuidador(es) do doente &#233; um elemento chave para estabelecer o   diagn&#243;stico. A referencia&#231;&#227;o precoce &#224; neurologia e uma boa articula&#231;&#227;o com a   medicina geral e familiar s&#227;o aspetos fundamentais para assegurar uma melhor   resposta, n&#227;o s&#243; &#224;s necessidades do doente, mas &#224;s dificuldades que poder&#227;o   surgir no seio familiar ao longo da evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a.<sup>3-5</sup></p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso</b></p>     <p>Homem de 74   anos, caucasiano, licenciado em engenharia, pertencente a fam&#237;lia nuclear, na   fase VIII do ciclo de vida de <i>Duvall</i> e na classe I de <i>Graffar,</i> sem antecedentes familiares de doen&#231;a neurol&#243;gica (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a08f1.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Reformou-se   em 2007, com 65 anos, mas continuava a ter uma vida ativa e sa&#237;a de casa todos   os dias. Cerca de um ano depois come&#231;ou a ter algumas atitudes fora do seu   habitual, por exemplo: dava sempre dinheiro a mais ao pagar no restaurante onde   almo&#231;ava; os familiares come&#231;aram a notar que estava sempre a ver as horas nos   rel&#243;gios, mas n&#227;o sabia responder quando lhe perguntavam as horas. Apesar de um   dos seus passatempos favoritos ser o de assistir a jogos de futebol, os amigos   referiam que o doente sa&#237;a do est&#225;dio de futebol cerca de dez minutos ap&#243;s o   in&#237;cio do jogo. Deixou igualmente de frequentar o gin&#225;sio, n&#227;o conseguia fazer   uma aula at&#233; ao fim, fartava-se e desistia rapidamente, abandonando a aula. </p>     <p>A mulher   conta que, ap&#243;s a reforma, <i>&#8220;o mundo dele     parou&#8221; (sic);</i> gradualmente foi ficando cada vez mais desmotivado, sem   interesse para nada e deixou de se preocupar com a gest&#227;o da casa, nomeadamente   com os pagamentos das contas da fam&#237;lia. Aos 67 anos recorreram a um psiquiatra   por suspeitarem de uma depress&#227;o. Foi medicado com antidepressivos sem   apresentar melhoria cl&#237;nica. </p>     <p>Entretanto,   a mulher constatou que o doente tinha gastos excessivos e despropositados.   Comprava CD de m&#250;sica repetidos, que nem chegava a abrir; in&#250;meras   enciclop&#233;dias, contudo, algumas vezes repetidas; muitas camisolas iguais, que   nem chegava a usar. Muitos destes artigos estavam escondidos na mala do carro,   cobertos com uma manta. Al&#233;m disso, descobriu que o marido passou a roubar   pequenas coisas sup&#233;rfluas no supermercado, principalmente perfumes e cremes,   que escondia em casa.</p>     <p>No ver&#227;o de   2010, foram passar f&#233;rias no local habitual desde h&#225; v&#225;rios anos e, durante o   percurso, o doente perdeu-se duas vezes. J&#225; no hotel desapareceu durante tr&#234;s   dias. A pol&#237;cia encontrou-o na rua, usando apenas cal&#231;&#245;es de banho. Estava   desidratado, pelo que foi internado e fez tomografia computorizada (TC) cerebral,   que revelou atrofia dos lobos pr&#233;-frontal e temporal anterior, discretamente mais evidente &#224; direita (lado esquerdo de cada corte axial - <a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a08f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Posteriormente   come&#231;ou a deixar de cuidar da sua higiene pessoal, a ter muita dificuldade em   comunicar, respondia apenas quando tentavam falar com ele e n&#227;o tinha   iniciativa para iniciar discurso. Concomitantemente come&#231;ou a ficar   infantilizado, gostava muito de brincadeiras com os netos, comportando-se de   igual para igual. Manteve, no entanto, sempre afeto pelos netos. Nunca   demonstrou agressividade, nem teve alucina&#231;&#245;es. A mulher referiu ainda que ele   apresentava total desinteresse sexual. </p>     <p>O seu padr&#227;o   alimentar tamb&#233;m se alterou: passando a alimentar-se de forma voraz e/ou   comendo toda a fruta que via. Perdeu o controlo dos esf&#237;ncteres. Adormecia   facilmente, mas acordava pelas 5-6 horas da manh&#227; e iniciava movimentos   repetitivos e estereotipados, como bater repetidamente nas grades da cama.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No in&#237;cio de   julho de 2012, o MF solicita observa&#231;&#227;o por neurologia por suspei&#231;&#227;o de   s&#237;ndroma demencial grave, explicitando no pedido a situa&#231;&#227;o cl&#237;nica e a   dificuldade dos familiares em levarem o doente para a realiza&#231;&#227;o de estudo   complementar alargado. Por esta altura, foi tamb&#233;m pedido apoio do servi&#231;o   social.</p>     <p>Na primeira   observa&#231;&#227;o em neurologia, em finais de julho, o doente apresentou um   comportamento desadequado: esteve sempre a comer e muito inquieto, mexendo em   tudo o que estava pousado na secret&#225;ria. No exame neurol&#243;gico apresentou   afasia, de predom&#237;nio motor, que comprometeu a realiza&#231;&#227;o da avalia&#231;&#227;o   neuropsicol&#243;gica, e reflexo palmomentoniano bilateral. Estava medicado com   gabapentina 100mg (duas vezes por dia); sertralina 50mg (uma vez por dia),   donepezilo 5mg (uma vez por dia) e lorazepam 1mg (uma vez por dia).   Estabeleceu-se, como prov&#225;vel diagn&#243;stico, dem&#234;ncia frontotemporal variante   comportamental (DFTvc). Recomendou-se suspender a gabapentina e o donepezilo,   manter a sertralina e o lorazepam, e iniciar trazodona 100mg (uma vez por dia,   ao deitar) e foi agendada consulta de reavalia&#231;&#227;o, explicando-se as implica&#231;&#245;es   do diagn&#243;stico e a poss&#237;vel evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a.</p>     <p>Em janeiro   de 2013 h&#225; registo de internamento no servi&#231;o de endocrinologia por   descompensa&#231;&#227;o da diabetes <i>mellitus</i> tipo 2 associada a coma hiperosmolar hiperglic&#233;mico, insufici&#234;ncia renal aguda   e rabdomi&#243;lise - uma associa&#231;&#227;o prov&#225;vel ao aumento da ingest&#227;o de doces   e inatividade f&#237;sica em doente com v&#225;rios fatores de risco cardiovasculares.</p>     <p>Na consulta   de neurologia subsequente, em mar&#231;o de 2013, a mulher referia que estava mais   tranquilo, com sono regularizado e dependente para todas as atividades de vida   di&#225;ria. Necessitava de ajuda na alimenta&#231;&#227;o, para se vestir e no banho. Ao   exame neurol&#243;gico apresentou-se desatento, sem iniciativa verbal e motora,   sempre a esbo&#231;ar uma gargalhada, rindo-se, por vezes, a desprop&#243;sito. Nomeou   alguns objetos com erros e cumpriu apenas ordens simples. Registou-se ainda   reflexo de <i>grasping</i> bilateral, <i>sucking</i> e estereotipias das m&#227;os.</p>     <p>O doente   manteve acompanhamento regular com o MF, destacando-se as interven&#231;&#245;es ao n&#237;vel   da vigil&#226;ncia: dos fatores de risco cardiovascular e, em particular, da   diabetes <i>mellitus</i> tipo 2; da ades&#227;o &#224;   terap&#234;utica e renova&#231;&#227;o do receitu&#225;rio; e na prescri&#231;&#227;o de tratamentos de   medicina f&#237;sica e de reabilita&#231;&#227;o para promo&#231;&#227;o da autonomia funcional, em   abril de 2013.</p>     <p>Em dezembro   de 2013, na consulta subsequente de neurologia, a mulher relata que apresenta   cada vez maior dificuldade em se expressar, <i>&#8220;agora     s&#243; abana cabe&#231;a sim-n&#227;o&#8221; (sic)</i> em sinal de resposta. O doente passou a   consulta toda a mascar pastilha el&#225;stica e, segundo a mulher, se lhe retirasse   a pastilha el&#225;stica, passaria o tempo a bater com as m&#227;os na mesa. H&#225; ainda   refer&#234;ncia a desorienta&#231;&#227;o dentro da pr&#243;pria habita&#231;&#227;o: quando a mulher lhe   dizia para ele ir ao quarto de banho, ele <i>&#8220;ia     para a sala&#8221; (sic).</i> N&#227;o revelava comportamentos agressivos, nem   alucina&#231;&#245;es. </p>     <p>Em mar&#231;o de   2014, h&#225; refer&#234;ncia a epis&#243;dios de agressividade, de curta dura&#231;&#227;o, ap&#243;s a   higiene e mantinha hiperfagia, pelo que se decidiu introduzir topiramato e   otimizar a dose de trazodona para 300mg (uma vez dia, ao deitar) e manter   restante medica&#231;&#227;o. A TC cerebral (<a href="#f3">Figura 3</a>), realizada em data pr&#243;xima da consulta   de seguimento, demonstrou achados concordantes com o diagn&#243;stico cl&#237;nico e agravamento da atrofia frontotemporal. </p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a08f3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cerca de um   m&#234;s ap&#243;s a consulta &#233; solicitada visita domicili&#225;ria ao MF, porque o doente   apresenta deteriora&#231;&#227;o importante da sua funcionalidade e h&#225; refer&#234;ncia a   dificuldade de degluti&#231;&#227;o. Nesta fase de evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a s&#227;o not&#243;rios os   sinais indicativos de exaust&#227;o da cuidadora (mulher), evidenciando   sintomatologia depressiva reativa e dificuldade na aceita&#231;&#227;o da doen&#231;a do   marido.</p>     <p>Em dezembro   de 2014 obtiveram-se os resultados dos biomarcadores do l&#237;quido   cefalorraquidiano (presen&#231;a de prote&#237;na <i>tau</i> elevada e <i>beta</i> amiloide normal),   solicitados pela neurologia. Estes revelaram-se concordantes com o diagn&#243;stico   de DFTvc. Segundo a mulher, dorme e alimenta-se bem, com epis&#243;dios de   engasgamento; usa sempre fraldas; passa o dia calmo, quase n&#227;o fala, n&#227;o l&#234;,   nem escreve. Mant&#233;m estereotipias frequentes: est&#225; sempre a bater palmas, nas   pernas ou na mesa.</p>     <p>A &#250;ltima   consulta de neurologia decorreu em mar&#231;o de 2016, denotando-se um agravamento   da doen&#231;a, estando o doente mais debilitado, com aus&#234;ncia completa de pe&#231;as   dent&#225;rias, mas com melhoria das dificuldades na degluti&#231;&#227;o. J&#225; n&#227;o comunica,   nem reconhece os familiares e amigos. A mulher reporta que tem medo da &#225;gua,   assustando-se com o toque, e mant&#233;m-se como cuidadora principal, com escasso   apoio dos restantes familiares. </p>     <p>No intervalo   entre estas consultas decorreram visitas domicili&#225;rias regulares do MF para   apoio na gest&#227;o das intercorr&#234;ncias (e.g., obstipa&#231;&#227;o; edema dos membros   inferiores) e dos problemas cr&#243;nicos, bem como no suporte aos cuidadores.</p>     <p><b>Coment&#225;rio</b></p>     <p>A evolu&#231;&#227;o   dos factos narrados retrata a dificuldade na orienta&#231;&#227;o diagn&#243;stica e   terap&#234;utica da DFT. Desde a evid&#234;ncia dos primeiros sintomas at&#233; ao diagn&#243;stico   decorreram cerca de cinco anos, que envolveram v&#225;rias observa&#231;&#245;es por   diferentes m&#233;dicos de diferentes especialidades, provas terap&#234;uticas com a   possibilidade de efeitos secund&#225;rios associados, pedidos de exames   complementares e o sofrimento inerente &#224; incerteza no diagn&#243;stico.&nbsp; </p>     <p>Em termos   epidemiol&#243;gicos, constitui a segunda causa mais comum de dem&#234;ncia antes dos 65   anos (a seguir &#224; doen&#231;a de Alzheimer), com uma preval&#234;ncia estimada de 15-22   casos por 100.000 pessoas entre os 45 e os 65 anos. A DFTvc &#233; o subtipo mais   prevalente. A n&#237;vel nacional desconhece-se a sua preval&#234;ncia, mas os estudos   referem que poder&#225; estar subdiagnosticada.<sup>3-4,6</sup> Este facto tem implica&#231;&#245;es   importantes em termos da qualidade dos cuidados que podem estar a ser prestados   a estes doentes.</p>     <p>Na   observa&#231;&#227;o pela neurologia, em 2012, foi poss&#237;vel apurar carater&#237;sticas   cl&#237;nicas preponderantes, bem como informa&#231;&#245;es sobre as orienta&#231;&#245;es pr&#233;vias fornecidas   ao doente e &#224; mulher, principal cuidadora. A reflex&#227;o sobre estes dados   permitiu considerar a hip&#243;tese de DFTvc como muito prov&#225;vel.</p>     <p>A   apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica caracterizou-se por instala&#231;&#227;o progressiva de altera&#231;&#227;o   dos padr&#245;es de conduta social (roubos no supermercado, mexer em coisas alheias   e comer durante a consulta), aus&#234;ncia de controlo do impulso e perda da   autocr&#237;tica (as compras excessivas e desnecess&#225;rias; roubos no supermercado),   bem como pela apatia. Registou-se tamb&#233;m impersist&#234;ncia nas tarefas (incapaz de   se manter na aula no gin&#225;sio ou no jogo de futebol at&#233; ao fim); altera&#231;&#227;o do   comportamento alimentar, com hiperfagia (prefer&#234;ncia por doces); e   comportamentos ritualizados (sempre a olhar para o rel&#243;gio) e aditivos (sempre   a ler enciclop&#233;dias). Adicionalmente a estas caracter&#237;sticas apresentava   estereotipias (bater com as m&#227;os nas grades da cama), comportamento de   utiliza&#231;&#227;o (pegar nos pap&#233;is e canetas em cima da secret&#225;ria durante a   consulta) e presen&#231;a de reflexos primitivos. De destacar, ainda, as altera&#231;&#245;es   da linguagem, com uma redu&#231;&#227;o progressiva da produ&#231;&#227;o do discurso. Numa   primeira fase h&#225; refer&#234;ncia a um discurso estereotipado, com economia da   linguagem, e presentemente encontra-se numa fase de quase mutismo e   imobilidade. </p>     <p>Em termos   gerais, as altera&#231;&#245;es do comportamento e da linguagem s&#227;o os aspetos dominantes   deste tipo de dem&#234;ncia e as caracter&#237;sticas base comuns aos v&#225;rios subgrupos da   DFT.<sup>3-4,7</sup> Os problemas de mem&#243;ria aparecem mais tardiamente,   tornando mais dif&#237;cil o diagn&#243;stico da s&#237;ndroma demencial. Do ponto de vista   cognitivo verifica-se uma deteriora&#231;&#227;o dominante das capacidades executivas   (planeamento, sistematiza&#231;&#227;o) e da aten&#231;&#227;o, que muitas vezes s&#243; &#233; detetada ap&#243;s   uma avalia&#231;&#227;o neuropsicol&#243;gica detalhada. Nos exames neuropsicol&#243;gicos, tanto   funcionais como estruturais, os doentes afetados podem apresentar resultados   normais ou levemente patol&#243;gicos. Estes exames assumem, assim, uma import&#226;ncia   extraordin&#225;ria, pois identificam e separam as fun&#231;&#245;es cognitivas deterioradas   das intactas. Contudo, &#224; semelhan&#231;a do que ocorreu na avalia&#231;&#227;o do doente, as   fun&#231;&#245;es cognitivas s&#227;o, por vezes, dif&#237;ceis de avaliar devido &#224;s altera&#231;&#245;es   emocionais do doente, &#224; eventual disfun&#231;&#227;o da linguagem e/ou a um estadio   avan&#231;ado da doen&#231;a.<sup>3-4,6-7</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente   ao estudo imagiol&#243;gico, &#233; obrigat&#243;ria a sua realiza&#231;&#227;o na avalia&#231;&#227;o inicial de   um doente com cl&#237;nica sugestiva de DFTvc de forma a serem exclu&#237;das altera&#231;&#245;es   estruturais, nomeadamente patologia tumoral ou doen&#231;a vascular cerebral.   Adicionalmente, permite compreender o estadio da doen&#231;a, uma vez que ao longo   da evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a ocorre uma progressiva atrofia das por&#231;&#245;es anteriores dos   lobos frontais e temporais (como observado nas imagens de TC cerebral das   <a href="#f2">Figuras 2</a> e <a href="#f3">3</a>). Este achado, por n&#227;o ser objetiv&#225;vel nos estadios iniciais,   pode justificar a referencia&#231;&#227;o precoce para os cuidados de sa&#250;de secund&#225;rios   para prosseguir estudo com an&#225;lise volum&#233;trica por resson&#226;ncia magn&#233;tica   cerebral e/ou estudo de imagem funcional.<sup>4,6-7</sup> Neste caso foi poss&#237;vel   o acesso &#224;s imagens do TC cerebral realizado na primeira admiss&#227;o hospitalar,   com car&#225;ter urgente, e que teve como objetivo priorit&#225;rio a exclus&#227;o de   patologias agudas. Este dado pode explicar, em parte, a n&#227;o valoriza&#231;&#227;o do   achado imagiol&#243;gico de atrofia cerebral. Em 2014, o pedido de TC cerebral de   reavalia&#231;&#227;o permitiu a realiza&#231;&#227;o de uma an&#225;lise de confronta&#231;&#227;o.</p>     <p>De notar   que, apesar de a semiologia ser muito sugestiva de DFTvc, o diagn&#243;stico   definitivo &#233; an&#225;tomo-patol&#243;gico. As altera&#231;&#245;es histol&#243;gicas encontram-se nas   por&#231;&#245;es anteriores dos lobos frontais e temporais e, em alguns n&#250;cleos, da base   do c&#233;rebro. Descrevem-se classicamente perda de neur&#243;nios, degeneresc&#234;ncia   sin&#225;ptica, gliose e diferentes inclus&#245;es neuronais (como os corpos de Pick). Existe,   assim, uma correla&#231;&#227;o entre as altera&#231;&#245;es gen&#233;ticas, o fen&#243;tipo cl&#237;nico e a   patologia na DFT, que tem sido utilizada na classifica&#231;&#227;o ainda em   aperfei&#231;oamento desta doen&#231;a.<sup>7-9</sup></p>     <p>Apesar de   neste caso n&#227;o se ter apurado exist&#234;ncia de hist&#243;ria familiar (<a href="#f1">Figura 1</a>), em   cerca de 25-50% dos casos pode existir hist&#243;ria familiar de DFT, sendo   usualmente de transmiss&#227;o autoss&#243;mica dominante. Nesse sentido, perante a   apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica sugestiva de DFT, o estudo de antecedentes familiares n&#227;o deve ser descurado.<sup>6,8-9</sup></p>     <p>Na abordagem   inicial foram exclu&#237;das as possibilidades de estar perante sintomas   psicol&#243;gicos ou comportamentais (agita&#231;&#227;o, agressividade, depress&#227;o e/ou   ansiedade, desinibi&#231;&#227;o e euforia ou apatia, ins&#243;nia) de uma etiologia org&#226;nica   (como infe&#231;&#245;es respirat&#243;ria, urin&#225;ria, entre outras; descompensa&#231;&#227;o de   patologia de base; altera&#231;&#245;es hidroeletrol&#237;ticas); ou resultantes de efeitos   laterais (efeitos colin&#233;rgicos; outros t&#243;xicos) ou de abstin&#234;ncia de f&#225;rmacos. </p>     <p>Por outro   lado, nas observa&#231;&#245;es m&#233;dicas pr&#233;vias do doente, foram despistados aspetos   cl&#237;nicos que colocavam em causa o diagn&#243;stico, nomeadamente: in&#237;cio s&#250;bito da   sintomatologia (hip&#243;tese de depress&#227;o); a hist&#243;ria de traumatismo   cranioencef&#225;lico a preceder os sintomas; a perda de mem&#243;ria marcada no estadio   inicial; o predom&#237;nio da desorienta&#231;&#227;o espacial ou a presen&#231;a de sinais   piramidais no exame neurol&#243;gico. Considera-se importante excluir outras   patologias que podem originar um quadro demencial com caracter&#237;sticas cl&#237;nicas   que simulam DFT ou excluir a possibilidade de estar perante uma outra dem&#234;ncia   (como a dem&#234;ncia vascular). </p>     <p>O estudo   laboratorial e/ou imagiol&#243;gico permitiu excluir patologias que podem atingir o   sistema nervoso central, nomeadamente: patologia infecciosa (neuross&#237;filis;   doen&#231;a de Creutzfeldt-Jakob; encefalopatia por v&#237;rus da imunodefici&#234;ncia   humana); tumores do lobo frontal, esclerose m&#250;ltipla, entre outros.<sup>8,10</sup></p>     <p>N&#227;o se   disp&#245;e, at&#233; ao momento, de terap&#234;utica espec&#237;fica aprovada para a DFT, apesar   dos novos conhecimentos sobre a gen&#233;tica da DFT que podem ter importantes   implica&#231;&#245;es no tratamento. Atualmente, a institui&#231;&#227;o de terap&#234;utica destina-se   ao controlo sintom&#225;tico. O doente foi medicado inicialmente com donepezilo, sem   benef&#237;cio terap&#234;utico. Os inibidores das colinesterases (donepezilo, memantina)   t&#234;m sido usados de forma emp&#237;rica, mas sem efic&#225;cia comprovada.<sup>3-4,10</sup> Al&#233;m disso, o donepezilo pode ter um efeito paradoxal de agravamento da   agita&#231;&#227;o e da impulsividade, recomendando-se a sua suspens&#227;o.</p>     <p>Em rela&#231;&#227;o &#224;   terap&#234;utica destinada a estabilizar as altera&#231;&#245;es comportamentais, em   particular a agita&#231;&#227;o, v&#225;rios f&#225;rmacos t&#234;m sido tentados, nomeadamente os   neurol&#233;pticos at&#237;picos e os antiepil&#233;pticos, mas sem resultados sustentados,   podendo os primeiros agravar os sintomas parkins&#243;nicos. As benzodiazepinas n&#227;o   est&#227;o indicadas na maioria das situa&#231;&#245;es, podendo induzir agita&#231;&#227;o paradoxal e   efeitos cognitivos negativos. </p>     <p>Relativamente   aos f&#225;rmacos inibidores da recapta&#231;&#227;o da serotonina (como a sertralina) t&#234;m-se   registado resultados nos casos que apresentam sintomas depressivos,   comportamentos estereotipados e ritual&#237;sticos ou desinibi&#231;&#227;o. Nesse sentido   considera-se adequada a sua manuten&#231;&#227;o na primeira avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica realizada.</p>     <p>Aliada &#224;   terap&#234;utica farmacol&#243;gica existem algumas medidas que poder&#227;o melhorar a   qualidade de vida destes doentes. No caso em concreto, o MF recomendou a   realiza&#231;&#227;o de tratamentos de reabilita&#231;&#227;o. Poderia ainda ter sido integrado em   programas de terapia da fala, devido &#224;s perturba&#231;&#245;es da linguagem. No atual estadio   da DFTvc deve-se procurar evitar altera&#231;&#245;es bruscas do ambiente (como mudan&#231;a   de cuidador ao fim-de-semana; volume de televis&#227;o muito alto; excesso de   estimula&#231;&#227;o), adotando uma atitude n&#227;o confrontativa nem recriminativa.<sup>3,5,10</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo,   apesar de ser poss&#237;vel alguma estabilidade cl&#237;nica com recurso a t&#233;cnicas   ambientais e comportamentais, associadas ao tratamento farmacol&#243;gico, trata-se   de uma doen&#231;a progressiva, grave e muito incapacitante.</p>     <p>Um dado   interessante &#233; que estes doentes recorrem mais precocemente &#224; consulta de   medicina geral e familiar, comparativamente com doentes com prov&#225;vel   diagn&#243;stico de doen&#231;a de Alzheimer, o que talvez tenha rela&#231;&#227;o com a idade de   in&#237;cio mais precoce e pelo facto destas altera&#231;&#245;es serem pior toleradas. </p>     <p>Estas   caracter&#237;sticas s&#227;o reportadas frequentemente por/pelos familiar(es) do doente   e devem alertar o MF. Durante a consulta poder&#225; tamb&#233;m detetar altera&#231;&#245;es da   linguagem associadas (como discurso empobrecido) e, eventualmente, n&#227;o t&#227;o   valorizadas pelo doente e/ou familiar(es). Estes dois aspetos, aliados a uma   preserva&#231;&#227;o relativa da mem&#243;ria e da orienta&#231;&#227;o topogr&#225;fica (s&#227;o doentes que   n&#227;o se perdem at&#233; um estadio avan&#231;ado e que reconhecem sempre as pessoas,   incluindo o MF), s&#227;o os aspetos mais importantes para a suspei&#231;&#227;o do   diagn&#243;stico.<sup>4-5</sup></p>     <p>Os crit&#233;rios   de diagn&#243;stico cl&#237;nico mencionados (<a href="#q1">Quadro I</a>) apresentam uma especificidade e   uma sensibilidade razo&#225;vel e os exames subsidi&#225;rios, embora possam ajudar a   excluir situa&#231;&#245;es que impossibilitam o diagn&#243;stico, n&#227;o s&#227;o cr&#237;ticos para o seu   estabelecimento.<sup>1-2,7</sup> Por essa raz&#227;o, perante um doente com   apresenta&#231;&#227;o sugestiva de DFT, &#233; importante o MF explorar adequadamente as suas   caracter&#237;sticas, colocar como hip&#243;tese de diagn&#243;stico e referenciar   atempadamente a neurologia, evitando investiga&#231;&#227;o e tratamentos desnecess&#225;rios   e potencialmente prejudiciais. Considera-se ainda importante destacar o papel   do MF na gest&#227;o da multimorbilidade associada, na presta&#231;&#227;o de cuidados   domicili&#225;rios em fases avan&#231;adas da doen&#231;a e de suporte ao(s) familiar(es) e/ou   cuidador(es) do doente. </p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v33n2/33n2a08q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS   BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Neary D,   Snowden JS, Gustafson L, Passaut U, Stuss D, Black S, et al. Frontotemporal   lobar degeneration: a consensus on clinical diagnostic criteria. Neurology.   1998;51(6):1546-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369138&pid=S2182-5173201700020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>2. McKhann   GM, Albert MS, Grossman M, Miller B, Dickson D, Trojanowski JQ. Clinical and   pathological diagnosis of frontotemporal dementia: report of the work group on   frontotemporal dementia and Pick's disease. Arch Neurol. 2001;58(11):1803-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369140&pid=S2182-5173201700020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3.   Karageorgiou E, Miller BL. Frontotemporal lobar degeneration: a clinical   approach. Semin Neurol. 2014;34(2):189-201.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369142&pid=S2182-5173201700020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4.   Pelicano-Paulos J, Massano J. Clinical, genetic and neuropathological features   of frontotemporal dementia: an update and guide. Acta Med Port.   2013;26(4):392-401.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369144&pid=S2182-5173201700020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>5. Alves RP,   Caetano AI. O papel do m&#233;dico de fam&#237;lia no diagn&#243;stico e seguimento dos   doentes com decl&#237;nio cognitivo e dem&#234;ncia (The role of the family physician in   the diagnosis and monitoring of patients with cognitive decline and dementia).   Rev Port Clin Geral. 2010;26(1):69-74. Portuguese</p>     <p>6. Guimar&#227;es   J, Fonseca R, Garrett C. Dem&#234;ncia frontotemporal: que entidade? (Frontotemporal   dementia). Acta Med Port. 2006;19(4):319-24. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>7. Rascovsky   K, Hodges JR, Knopman D, Mendez MF, Kramer JH, Neuhaus J, et al. Sensitivity of   revised diagnostic criteria for the behavioural variant of frontotemporal   dementia. Brain. 2011;134(Pt 9):2456-77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369148&pid=S2182-5173201700020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>8. Taipa R,   Pinho J, Melo-Pires M. Clinico-pathological correlations of the most common   neurodegenerative dementias. Front Neurol. 2012;3:68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369150&pid=S2182-5173201700020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Seelaar   H, Rohrer JD, Pijnenburg YA, Fox NC, Van Swieten JC. Clinical, genetic and   pathological heterogeneity of frontotemporal dementia: a review. J Neurol   Neurosurg Psychiatry. 2011;82(5):476-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1369152&pid=S2182-5173201700020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>10. Couto   FS, Mendon&#231;a A. Sintomas psiqui&#225;tricos e comportamentais da dem&#234;ncia   (Behavioral and psychiatric symptoms of dementia). Rev Port Clin Geral.   2010;26(1):55-60. Portuguese</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>      <p>S&#243;nia   Moreira</p>     <p>USF de   F&#226;nzeres</p>     <p>Praceta da   Barrosa, s/n</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>4510-503   F&#226;nzeres</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:soniamarquesmoreira@gmail.com">soniamarquesmoreira@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflitos de interesse</b></p>     <p>As autoras   declaram n&#227;o possuir qualquer tipo de conflitos de interesse.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 31-05-2016</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 24-02-2017</b></p>      ]]></body><back>
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<year>1998</year>
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