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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cefaleias na gravidez: um caso clínico]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Agrupamento de Centros de Saúde de Entre Douro e Vouga II - Aveiro Norte USF Calâmbriga ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732017000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732017000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732017000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Enquadramento: A cefaleia é um sintoma comum nos cuidados de saúde primários (CSP). Pode ter características sugestivas de uma cefaleia secundária grave, devendo o médico de família (MF) estar atento aos sinais de alarme. Sendo assim, perante um sintoma inespecífico, as competências nucleares do MF capacitam-no para gerir a incerteza, facilitando a gestão das várias possibilidades. Descrição de caso: Sexo feminino, 21 anos, antecedentes de disseção aórtica aos nove anos, sem MF na Unidade Funcional. A 01/09 recorre a consulta de intersusbstituição (CIS), grávida de 12 semanas, por cefaleias com 2,5 semanas, holocranianas e quase diárias. Foi-lhe indicado paracetamol em SOS. Por antecedentes cardiovasculares importantes foi referenciada a consulta hospitalar de obstetrícia. A 14/09 recorre a CIS por manter cefaleias holocranianas de predomínio frontal, de caráter pulsátil, com fonofobia, fotofobia e osmofobia, sem cedência ao analgésico. É encaminhada para o serviço de urgência (SU), onde foi observada por neurologia que considerou tratar-se de uma enxaqueca sem aura. A 01/10 teve consulta de obstetrícia, referindo novamente cefaleias intensas com reforço da toma de analgésico. A 07/10, agora com 17 semanas de gestação, recorre a CIS por manter cefaleias frontais. Por quadro arrastado, com recurso a múltiplas consultas com médicos diferentes, opta-se por contactar telefonicamente o neurologista de urgência. No SU, a angio-ressonância magnética (RM) revelou trombose venosa cerebral do seio lateral esquerdo. Foi internada na Unidade de Cuidados Intermédios Polivalentes e iniciou terapêutica com enoxaparina 12/12h. Discussão: A prevalência das cefaleias nos CSP é alta e, na maioria dos casos, sem sinais de alarme. A continuidade de cuidados, abordagem abrangente, modelação holística e a capacidade de gestão de cuidados - características da medicina geral e familiar -, são essenciais na avaliação destes utentes e conferem ao MF clara vantagem sobre os restantes especialistas na resolução de problemas complexos ou indiferenciados. Este caso vem demonstrar, uma vez mais, a importância de todos terem um MF]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Background: Headache is a common symptom encountered in primary health care. However, it may have features that suggest serious causes. The family doctor should be aware of this risk when faced with a patient with nonspecific symptom. The core competencies of family medicine should allow the doctor to manage uncertainty and to acknowledge various possibilities when faced with a pregnant patient with headache. Case description: A 21 years old patient with a history of aortic dissection at age 9 years presented to a health care center at 12 weeks of gestation complaining of daily headaches. She did not have her own family physician previously. Paracetamol was prescribed for use as needed. Due to her cardiovascular history, she was referred for obstetric consultation at a local hospital. Two weeks later she returned to the health centre without an appointment complaining of severe pulsatile headache, with phonophobia, photophobia, osmophobia, and without improvement with analgesics. The patient was referred to the local hospital emergency department, where she was examined by a neurologist, who diagnosed migraine without aura. Two weeks later, she had a follow-up consultation at the hospital for the pregnancy. She complained of severe headache again and was prescribed analgesics. One week later she returned to the health centre without an appointment (at 17 weeks gestation) because of persistence of the headache. Due to the long course without improvement and multiple consultations with different doctors, contact was made with the neurologist on call at the local hospital and an emergency consultation was arranged. A magnetic resonance angiogram revealed a left lateral sinus cerebral venous thrombosis. She was admitted to the intensive care unit and was treated with enoxaparin. Conclusion: Continuous, comprehensive care and the ability to manage health care resources gave the family physician an advantage in the management of this challenging case. This case highlights the importance of a family doctor for every patient]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Cefaleias]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Cerebral venous thrombosis]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Cefaleias na gravidez: um caso cl&#237;nico</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Headache in pregnancy: when the family doctor makes a difference</b></font></p>     <p><b>Ana Raquel Marques,* Ana Maria Falc&#227;o**</b></p>     <p>*M&#233;dica Assistente de Medicina Geral e Familiar. USF Lavra, Unidade Local de Sa&#250;de de Matosinhos</p>     <p>**M&#233;dica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Cal&#226;mbriga. Agrupamento de Centros de Sa&#250;de de Entre Douro e Vouga II - Aveiro Norte</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="topc0" id="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Enquadramento:</b> A cefaleia &#233; um sintoma comum nos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios (CSP). Pode ter caracter&#237;sticas sugestivas de uma cefaleia secund&#225;ria grave, devendo o m&#233;dico de fam&#237;lia (MF) estar atento aos sinais de alarme. Sendo assim, perante um sintoma inespec&#237;fico, as compet&#234;ncias nucleares do MF capacitam-no para gerir a incerteza, facilitando a gest&#227;o das v&#225;rias possibilidades.</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o de caso:</b> Sexo feminino, 21 anos, antecedentes de disse&#231;&#227;o a&#243;rtica aos nove anos, sem MF na Unidade Funcional. A 01/09 recorre a consulta de intersusbstitui&#231;&#227;o (CIS), gr&#225;vida de 12 semanas, por cefaleias com 2,5 semanas, holocranianas e quase di&#225;rias. Foi-lhe indicado paracetamol em SOS. Por antecedentes cardiovasculares importantes foi referenciada a consulta hospitalar de obstetr&#237;cia. A 14/09 recorre a CIS por manter cefaleias holocranianas de predom&#237;nio frontal, de car&#225;ter puls&#225;til, com fonofobia, fotofobia e osmofobia, sem ced&#234;ncia ao analg&#233;sico. &#201; encaminhada para o servi&#231;o de urg&#234;ncia (SU), onde foi observada por neurologia que considerou tratar-se de uma enxaqueca sem aura. A 01/10 teve consulta de obstetr&#237;cia, referindo novamente cefaleias intensas com refor&#231;o da toma de analg&#233;sico. A 07/10, agora com 17 semanas de gesta&#231;&#227;o, recorre a CIS por manter cefaleias frontais. Por quadro arrastado, com recurso a m&#250;ltiplas consultas com m&#233;dicos diferentes, opta-se por contactar telefonicamente o neurologista de urg&#234;ncia. No SU, a angio-resson&#226;ncia magn&#233;tica (RM) revelou trombose venosa cerebral do seio lateral esquerdo. Foi internada na Unidade de Cuidados Interm&#233;dios Polivalentes e iniciou terap&#234;utica com enoxaparina 12/12h.</p>     <p><b>Discuss&#227;o:</b> A preval&#234;ncia das cefaleias nos CSP &#233; alta e, na maioria dos casos, sem sinais de alarme. A continuidade de cuidados, abordagem abrangente, modela&#231;&#227;o hol&#237;stica e a capacidade de gest&#227;o de cuidados - caracter&#237;sticas da medicina geral e familiar -, s&#227;o essenciais na avalia&#231;&#227;o destes utentes e conferem ao MF clara vantagem sobre os restantes especialistas na resolu&#231;&#227;o de problemas complexos ou indiferenciados. Este caso vem demonstrar, uma vez mais, a import&#226;ncia de todos terem um MF.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Cefaleias; Gravidez; Trombose venosa cerebral.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Background:</b> Headache is a common symptom encountered in primary health care. However, it may have features that suggest serious causes. The family doctor should be aware of this risk when faced with a patient with nonspecific symptom. The core competencies of family medicine should allow the doctor to manage uncertainty and to acknowledge various possibilities when faced with a pregnant patient with headache.</p>     <p><b>Case description:</b> A 21 years old patient with a history of aortic dissection at age 9 years presented to a health care center at 12 weeks of gestation complaining of daily headaches. She did not have her own family physician previously. Paracetamol was prescribed for use as needed. Due to her cardiovascular history, she was referred for obstetric consultation at a local hospital. Two weeks later she returned to the health centre without an appointment complaining of severe pulsatile headache, with phonophobia, photophobia, osmophobia, and without improvement with analgesics. The patient was referred to the local hospital emergency department, where she was examined by a neurologist, who diagnosed migraine without aura. Two weeks later, she had a follow-up consultation at the hospital for the pregnancy. She complained of severe headache again and was prescribed analgesics. One week later she returned to the health centre without an appointment (at 17 weeks gestation) because of persistence of the headache. Due to the long course without improvement and multiple consultations with different doctors, contact was made with the neurologist on call at the local hospital and an emergency consultation was arranged. A magnetic resonance angiogram revealed a left lateral sinus cerebral venous thrombosis. She was admitted to the intensive care unit and was treated with enoxaparin.</p>     <p><b>Conclusion:</b> Continuous, comprehensive care and the ability to manage health care resources gave the family physician an advantage in the management of this challenging case. This case highlights the importance of a family doctor for every patient.</p>     <p><b>Keywords:</b> Headache; Pregnancy; Cerebral venous thrombosis.</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Descri&#231;&#227;o do caso</b></p>     <p>Relata-se o caso de uma utente do sexo feminino, de 21 anos, empregada hoteleira, com o 12&#186; ano de escolaridade, solteira, integrada em fam&#237;lia nuclear na fase I do ciclo de vida de Duvall. Trata-se de uma utente que vive com o companheiro, em habita&#231;&#227;o com boas condi&#231;&#245;es, pr&#243;xima da resid&#234;ncia dos pais de ambos. Tanto a utente como o companheiro t&#234;m atividade laboral remunerada e uma escolaridade de 12 anos. Como empregada hoteleira tinha um hor&#225;rio bastante r&#237;gido, por vezes com necessidade de carregar materiais pesados. Tinha antecedentes de cirurgia corretiva a disse&#231;&#227;o a&#243;rtica aos nove anos. Esta utente n&#227;o tinha m&#233;dico de fam&#237;lia atribu&#237;do na Unidade Funcional (UF). </p>     <p>Recorreu a consulta de intersubstitui&#231;&#227;o (CIS) na UF a 28/07/2015 por tonturas, n&#225;useas e cefaleias holocranianas com uma semana de evolu&#231;&#227;o e com suspeita de gravidez por amenorreia. O exame objetivo, incluindo exame neurol&#243;gico sum&#225;rio, foi descrito como sem altera&#231;&#245;es. Realizou teste de gravidez na UF, que foi positivo, tendo iniciado a toma de &#225;cido f&#243;lico e iodo na dose recomendada pelo Programa Nacional para a Vigil&#226;ncia da Gravidez de Baixo Risco da Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de.<sup>1</sup> Foi explicado &#224; utente que deveria recorrer &#224; CIS, com diferentes m&#233;dicos de fam&#237;lia, para nova avalia&#231;&#227;o e para saber o resultado do estudo anal&#237;tico, do rastreio pr&#233;-natal e do estudo ecogr&#225;fico de 1&#186; trimestre que iria realizar no hospital da &#225;rea de resid&#234;ncia, como protocolado entre o ACeS e o servi&#231;o de obstetr&#237;cia, que disponibiliza a todas as gr&#225;vidas no 1&#186; trimestre que recorram &#224;s suas unidades de atendimento o rastreio pr&#233;-natal das trissomias 13, 18 e 21, atrav&#233;s do estudo bioqu&#237;mico e ecogr&#225;fico. Quanto &#224;s cefaleias foi-lhe indicado tomar paracetamol em SOS na dose de 1000mg, tr&#234;s vezes ao dia.</p>     <p>A 01/09, com gesta&#231;&#227;o de 12 semanas, recorreu a CIS por cefaleia com cerca de duas semanas e meia de evolu&#231;&#227;o, holocraniana, quase di&#225;ria e sem melhoria com analg&#233;sico prescrito. Nesta consulta foram averiguados os antecedentes pessoais da utente de cirurgia corretiva a disse&#231;&#227;o a&#243;rtica aos nove anos. Por antecedentes cardiovasculares importantes, o m&#233;dico que observou a utente optou por referenciar a mesma para a consulta hospitalar de obstetr&#237;cia. A 14/09, com 14 semanas de gesta&#231;&#227;o, recorreu novamente a CIS por manter cefaleia intensa holocraniana, mas de predom&#237;nio frontal, constante, de car&#225;ter puls&#225;til, com fonofobia, fotofobia e osmofobia, com interfer&#234;ncia na sua atividade laboral e sem ced&#234;ncia &#224; toma de paracetamol e sem fatores de agravamento. N&#227;o impedia o sono. Negava antecedentes pessoais ou familiares de enxaqueca. Foi encaminhada para o servi&#231;o de urg&#234;ncia (SU) do hospital da &#225;rea de resid&#234;ncia. No SU foi observada por obstetr&#237;cia que pediu colabora&#231;&#227;o a neurologia. &#192; observa&#231;&#227;o n&#227;o apresentava altera&#231;&#245;es visuais, fundoscopia normal, sem altera&#231;&#245;es dos nervos cranianos, da for&#231;a e t&#243;nus muscular, reflexos osteotendinosos presentes e sim&#233;tricos, sem altera&#231;&#245;es da sensibilidade &#225;lgica &#224; picada, sem altera&#231;&#245;es da sensibilidade postural, sem altera&#231;&#245;es cerebelosas ou sinais de irrita&#231;&#227;o men&#237;ngea. Realizou, ainda no SU, a toma de &#225;cido acetilsal&#237;cilico oral com melhoria da sintomatologia. Assim, o neurologista considerou que a cefaleia cumpria caracter&#237;sticas de enxaqueca sem aura e que n&#227;o existiam, nem na hist&#243;ria cl&#237;nica nem no exame neurol&#243;gico, sinais de alarme para cefaleia secund&#225;ria. Foi considerado ainda que a dura&#231;&#227;o prolongada da cefaleia se devia ao tratamento com paracetamol, por norma pouco eficaz na enxaqueca, tendo tido alta para o domic&#237;lio com indica&#231;&#227;o para a toma espor&#225;dica de anti-inflamat&#243;rio n&#227;o ester&#243;ide, no caso de dor intensa, at&#233; &#224;s 32 semanas de gesta&#231;&#227;o.</p>     <p>A 01/10, com gesta&#231;&#227;o de 16 semanas e tr&#234;s dias, teve consulta de obstetr&#237;cia, referindo novamente cefaleias muito intensas, tendo sido refor&#231;ada a toma de paracetamol ou de ibuprofeno at&#233; 1200mg por dia, como orientado pela neurologia.</p>     <p>Por manuten&#231;&#227;o das cefaleias j&#225; com dois meses de evolu&#231;&#227;o, recorreu novamente a CIS na UF a 07/10, com gesta&#231;&#227;o de 17 semanas, associada a ocasionais altera&#231;&#245;es visuais (vis&#227;o nublada), tendo sido observada pela m&#233;dica interna de apoio &#224; CIS. Referia n&#227;o cumprir o ibuprofeno por receio da toma durante a gravidez, mas tomava paracetamol de 8/8h sem al&#237;vio da sintomatologia. Ao exame objetivo, normotensa, n&#227;o revelou edemas dos membros inferiores e apresentou tira-teste de urina sem altera&#231;&#245;es. Por quadro arrastado, com recurso a m&#250;ltiplas consultas com m&#233;dicos diferentes, opta-se por contactar telefonicamente o neurologista de urg&#234;ncia para expor o caso, concordando o colega que a utente apresentava sinais de alarme e que deveria ser encaminhada para o SU para realizar uma resson&#226;ncia magn&#233;tica (RM) cerebral. Ao exame neurol&#243;gico no SU apresentava ligeiro edema da papila traduzido por discreto apagamento dos vasos, bilateralmente. Na angio-resson&#226;ncia magn&#233;tica (angio-RM), para tempos venosos, observaram-se &#8220;acentuadas irregularidades do seio lateral e do seio sigm&#243;ide esquerdos, com maior acentua&#231;&#227;o das veias corticais, a sugerir &#225;reas de trombose do seio e, eventualmente, com alguma recanaliza&#231;&#227;o&#8221;. Em conclus&#227;o, tratava-se dum quadro de trombose venosa cerebral do seio lateral esquerdo, aparentemente est&#225;vel, sem les&#245;es parenquimatosas por seio parcialmente recanalizado/trombosado. A utente foi internada na Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes (UCIP) e iniciou terap&#234;utica com enoxaparina 12/12h, que atualmente mant&#233;m. O restante estudo anal&#237;tico (hemograma, fun&#231;&#227;o renal, fun&#231;&#227;o hep&#225;tica, ionograma e sum&#225;rio de urina) sem altera&#231;&#245;es mas mant&#233;m estudo e acompanhamento hospitalar por etiologia trombof&#237;lica potencial a esclarecer. A utente manteve seguimento da sua gravidez a n&#237;vel hospitalar, mas voltou &#224; UF a agradecer a disponibilidade da m&#233;dica interna tornando-se utente frequentadora da lista da sua orientadora de forma&#231;&#227;o, com manuten&#231;&#227;o do seguimento da gravidez tamb&#233;m na Unidade. A utente teve um parto eut&#243;cico, de um menino, &#224;s 39 semanas, que decorreu sem qualquer intercorr&#234;ncia e o per&#237;odo p&#243;s-natal est&#225; a correr de forma harmoniosa, n&#227;o tendo sido registadas mais queixas at&#233; &#224; data.</p>     <p><b>Discuss&#227;o</b></p>     <p>Desde o in&#237;cio do quadro, a utente recorreu a m&#250;ltiplas consultas num espa&#231;o de dois meses (tempo de evolu&#231;&#227;o da cefaleia): quatro consultas de intersubstitui&#231;&#227;o com v&#225;rios m&#233;dicos, uma consulta hospitalar de obstetr&#237;cia e duas idas ao SU. O programa nacional de vigil&#226;ncia de gravidez de baixo risco<sup>1</sup> define a periodicidade das consultas a realizar, a metodologia a adotar em cada consulta (anamnese, exame f&#237;sico, exames auxiliares de diagn&#243;stico, terap&#234;utica, educa&#231;&#227;o para a sa&#250;de) e os crit&#233;rios de referencia&#231;&#227;o para os cuidados de sa&#250;de secund&#225;rios. O papel do MF no seguimento destas gravidezes &#233;, assim, contribuir para um futuro mais saud&#225;vel da popula&#231;&#227;o, atuando desde o in&#237;cio do ciclo de vida atrav&#233;s de cuidados abrangentes, antecipat&#243;rios e individualizados, numa perspetiva de participa&#231;&#227;o ativa das mulheres / fam&#237;lias. A obten&#231;&#227;o de uma hist&#243;ria cl&#237;nica detalhada, em particular da hist&#243;ria obst&#233;trica pregressa e a observa&#231;&#227;o cl&#237;nica, s&#227;o fundamentais na defini&#231;&#227;o dos cuidados a prestar e requerem disponibilidade e uma continuidade de cuidados e de vigil&#226;ncia. Al&#233;m disso, todas as informa&#231;&#245;es recolhidas sobre sa&#250;de, estilos de vida, comportamentos e ambiente psicossocial s&#227;o elementos essenciais para a prossecu&#231;&#227;o deste objetivo.</p>     <p>Apesar de ser uma gravidez n&#227;o planeada, tanto o casal como a fam&#237;lia mais pr&#243;xima vivia a gravidez de forma intensa e encaravam o novo beb&#233; como parte integrante do agregado familiar. Era motivo de alegria e de uni&#227;o familiar. A doen&#231;a inesperada da utente e a poss&#237;vel interfer&#234;ncia com a gravidez causaram grande ansiedade nos elementos da fam&#237;lia. No caso desta utente, a inexist&#234;ncia de um MF atribu&#237;do dificultou toda a vigil&#226;ncia da gravidez que, desde o in&#237;cio, foi assumida como uma gravidez de baixo risco pela <i>escala modificada de Goodwin,</i> sem agendamento de consultas de vigil&#226;ncia, sem centraliza&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o e sem tempo de consulta adequada para estabelecer uma rela&#231;&#227;o de confian&#231;a entre o profissional de sa&#250;de e a gr&#225;vida. Esta rela&#231;&#227;o facilitaria a express&#227;o de ideias, expectativas, fantasias, sentimentos (positivos e negativos) e compet&#234;ncias inerentes &#224; gravidez, nascimento e parentalidade. O recurso frequente aos cuidados de sa&#250;de com acesso a m&#233;dicos diferentes contribuiu para o aumento da ansiedade no seio familiar e teve tamb&#233;m impacto na atividade profissional da gr&#225;vida, que se ausentava com frequ&#234;ncia do seu local de trabalho. No entanto, a entidade patronal desde o in&#237;cio de todo o processo que se revelou compreensiva e facilitadora do acesso aos cuidados de sa&#250;de. Para al&#233;m de uma gravidez n&#227;o vigiada de forma adequada, a utente apresentava ainda queixas de cefaleia com dois meses de evolu&#231;&#227;o, coincidentes com o diagn&#243;stico da gravidez.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que &#224; acessibilidade aos servi&#231;os de sa&#250;de diz respeito, apesar de n&#227;o existir agendamento de consultas, a utente teve consulta sempre que necess&#225;rio e justificado. No entanto, o processo de diagn&#243;stico tornou-se moroso. Se por um lado, as queixas eram inespec&#237;ficas, por outro, o facto de ter sido um seguimento realizado por v&#225;rios profissionais poder&#225; ter quebrado uma eventual linha condutora que pudesse existir.</p>     <p>O processo terap&#234;utico apresentou-se tamb&#233;m como um entrave. Algumas das propostas de tratamento foram recusadas pela utente pelo facto de estar gr&#225;vida e de ter receio de rea&#231;&#245;es adversas no beb&#233;. Efetivamente, o ibuprofeno est&#225; contraindicado a partir do terceiro trimestre de gravidez,<sup>2</sup> o que restringia a escolha da terap&#234;utica. Por isso, n&#227;o alcan&#231;ando o efeito terap&#234;utico acabava por desistir da medica&#231;&#227;o institu&#237;da.</p>     <p>Nos CSP s&#227;o vulgares quatro tipos de cefaleia (enxaqueca, cefaleia tipo tens&#227;o, cefaleia em salvas e cefaleia por uso excessivo de medicamentos). Todos t&#234;m uma base neurobiol&#243;gica, s&#227;o incapacitantes e diminuem a qualidade de vida.<sup>3</sup> A anamnese assume, desta forma, grande import&#226;ncia no diagn&#243;stico das cefaleias e na distin&#231;&#227;o entre causas prim&#225;rias e secund&#225;rias, por exemplo, ao uso excessivo de medicamentos ou a outras situa&#231;&#245;es de maior gravidade, como eventos tromboemb&#243;licos ou les&#245;es ocupantes de espa&#231;o. N&#227;o h&#225; exames complementares de diagn&#243;stico patognom&#243;nicos. A hist&#243;ria cl&#237;nica dever&#225; detetar quaisquer caracter&#237;sticas sugestivas de uma cefaleia secund&#225;ria grave.<sup>3</sup></p>     <p>Constituem sintomas e sinais de alarme na hist&#243;ria e/ou no exame:<sup>3</sup> cefaleia <i>de novo</i> ou inesperada num determinado doente ou com novas caracter&#237;sticas; cefaleia explosiva prim&#225;ria (cefaleia intensa, de in&#237;cio s&#250;bito ou &#171;explosivo&#187;), que poder&#225; indicar hemorragia subaracn&#243;idea; cefaleia com aura at&#237;pica (dura&#231;&#227;o &gt;1 hora ou que inclui par&#233;sia), podendo ser um sintoma de acidente isqu&#233;mico transit&#243;rio (AIT) ou acidente vascular cerebral (AVC); aura sem cefaleia, sem hist&#243;ria pr&#233;via de enxaqueca com aura, podendo ser um sintoma de AIT ou AVC; aura que ocorre pela primeira vez numa doente, enquanto esta toma contracetivos orais combinados, indicando risco de AVC; cefaleia <i>de novo</i> num paciente com idade superior a 50 anos, podendo ser um sintoma de arterite temporal ou tumor intracraniano, ou numa crian&#231;a antes da puberdade; cefaleia progressiva que piora ao longo de semanas ou mais e que n&#227;o cede a terap&#234;utica adequada; cefaleia associada a, ou agravada por, mudan&#231;as de posi&#231;&#227;o ou outros movimentos que aumentam a press&#227;o intracraniana, podendo indicar a presen&#231;a de um tumor intracraniano; cefaleia <i>de novo</i> num doente com hist&#243;ria de cancro, infe&#231;&#227;o ou imunodefici&#234;ncia por VIH; febre inexplic&#225;vel associada a cefaleia, podendo indicar meningite e ainda sinais neurol&#243;gicos focais associados a cefaleia.</p>     <p>Numa fase inicial, a utente n&#227;o apresentava cefaleia com sinais de alarme mas, com a progress&#227;o do quadro, surgiram alguns sintomas e sinais que alteraram a gravidade do mesmo. Surgiram altera&#231;&#245;es visuais (vis&#227;o nublada) e um ligeiro edema da papila traduzido por discreto apagamento dos vasos, bilateralmente, sem d&#233;fices focais associados (apenas poss&#237;vel valorizar atrav&#233;s da observa&#231;&#227;o com oftalmosc&#243;pio e conhecimento adequado da sua utiliza&#231;&#227;o).</p>     <p>Relativamente ao tratamento da cefaleia, todos os indiv&#237;duos devem progredir numa escalada de tratamentos abortivos ou sintom&#225;ticos (abordagem por patamares), tratando, geralmente, tr&#234;s crises por patamar, antes de passar ao pr&#243;ximo. Se aplicada corretamente, esta &#233; uma boa estrat&#233;gia para proporcionar os cuidados personalizados mais eficazes e econ&#243;micos.<sup>3</sup> O primeiro patamar &#233; constitu&#237;do por terap&#234;utica sintom&#225;tica, n&#227;o espec&#237;fica: analg&#233;sico simples ou anti-inflamat&#243;rio, complementado, se necess&#225;rio, por um antiem&#233;tico. Neste contexto, inicialmente foi-lhe receitado paracetamol, ao qual a cefaleia n&#227;o cedia. Posteriormente, a terap&#234;utica foi otimizada com ibuprofeno, mas n&#227;o cumprida pela gr&#225;vida por receio das consequ&#234;ncias para a gravidez. O segundo patamar consiste em terap&#234;utica espec&#237;fica e preventiva, nomeadamente triptanos.<sup>3</sup></p>     <p>Entre as raz&#245;es que levam &#224; referencia&#231;&#227;o para os cuidados de sa&#250;de secund&#225;rios encontram-se: as d&#250;vidas de diagn&#243;stico ap&#243;s a anamnese e exame f&#237;sico completo, a suspeita de uma cefaleia de causa secund&#225;ria e os casos que exijam uma investiga&#231;&#227;o para excluir patologias graves (poder&#225; ser necess&#225;ria a referencia&#231;&#227;o imediata).<sup>3</sup> Foi o caso desta gr&#225;vida que, por d&#250;vidas no diagn&#243;stico, com suspeita de causa secund&#225;ria grave foi referenciada ao SU ao cuidado de neurologia.</p>     <p>V&#225;rias evid&#234;ncias sugerem rela&#231;&#227;o entre cefaleia e o ciclo de vida normal das mulheres, incluindo importantes fases de altera&#231;&#227;o hormonal: menarca, gravidez, uso de anticontracetivos orais, menopausa e terapia de substitui&#231;&#227;o hormonal.<sup>4</sup> No que diz respeito &#224; cefaleia na gravidez, se a mulher j&#225; sofria de cefaleias anteriormente, as suas caracter&#237;sticas podem alterar durante a gesta&#231;&#227;o.<sup>4</sup> Apenas 7% das mulheres descrevem surgimento de cefaleia pela primeira vez na gravidez.<sup>2</sup> H&#225;, no entanto, relato de enxaqueca iniciando-se pela primeira vez na gravidez, principalmente enxaqueca com aura.<sup>4</sup> Esta situa&#231;&#227;o poderia corresponder ao caso da utente em quest&#227;o, pois nos antecedentes n&#227;o h&#225; relato de hist&#243;ria de cefaleias, como descrito anteriormente. Contudo, &#233;-nos descrita uma enxaqueca sem aura, que n&#227;o &#233; a mais comum na gravidez. Outro aspeto a considerar &#233; que, se a cefaleia n&#227;o melhorar at&#233; final do 1&#186; trimestre, &#233; pouco prov&#225;vel que melhore no tempo restante da gravidez.<sup>2</sup> No caso descrito, as queixas mantiveram-se mesmo ap&#243;s o 1&#186; trimestre e sem sinais de melhoria.</p>     <p>Quanto ao tratamento das cefaleias durante a gravidez, h&#225; alguns medicamentos que podem ser utilizados de forma segura. No entanto, esta quest&#227;o deve ser sempre ponderada de forma individual, tendo em conta caracter&#237;sticas da gr&#225;vida e da cefaleia.<sup>2</sup></p>     <p>Para a dor leve ou moderada e de in&#237;cio lento, o paracetamol, anti-inflamat&#243;rios n&#227;o esteroides e opi&#243;ides poder&#227;o ser tomados, com modera&#231;&#227;o, no in&#237;cio da gravidez.<sup>2</sup> O uso de anti-inflamat&#243;rios n&#227;o esteroides est&#225; contraindicado no 3&#186; trimestre devido &#224; constri&#231;&#227;o ou eventual encerramento do canal arterial fetal ou enterocolite necrosante. Embora o paracetamol possa ser menos eficaz do que anti-inflamat&#243;rios n&#227;o esteroides ou triptanos, no tratamento da enxaqueca &#233; considerado um medicamento &#171;seguro&#187; na gravidez (categoria de risco B).<sup>2</sup> Ainda assim, os doentes (neste caso, a gr&#225;vida) devem ser advertidos a respeito da toxicidade hep&#225;tica com o uso excessivo. Os opi&#243;ides t&#234;m uma efic&#225;cia limitada no tratamento da cefaleia, embora os de curta a&#231;&#227;o como a code&#237;na possam ser &#250;teis no tratamento agudo, em associa&#231;&#227;o com o paracetamol.<sup>2</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para a dor moderada a grave, ou que aumenta rapidamente de intensidade, ou numa hist&#243;ria de enxaqueca com significativa interfer&#234;ncia nas atividades de vida di&#225;ria, podem ser considerados os triptanos. Embora a gravidez constitua uma contraindica&#231;&#227;o para o seu uso, n&#227;o existe evid&#234;ncia definitiva de teratogenicidade. Em gr&#225;vidas com enxaqueca grave, o benef&#237;cio poder&#225; ser superior aos riscos.<sup>2</sup> No entanto, mais estudos s&#227;o necess&#225;rios com o intuito de encorajar ou desencorajar o seu uso.</p>     <p>A trombose venosa cerebral (TVC) &#233; uma situa&#231;&#227;o relativamente rara, com uma incid&#234;ncia anual estimada de tr&#234;s a quatro casos por milh&#227;o de habitantes na popula&#231;&#227;o em geral,<sup>5</sup> sendo que 75% dos doentes adultos s&#227;o mulheres.<sup>6</sup> A incid&#234;ncia de TVC na gravidez &#233; vari&#225;vel com o n&#237;vel socioecon&#243;mico do pa&#237;s. Nos pa&#237;ses desenvolvidos, a incid&#234;ncia &#233; de 10 a 20 casos por 100.000 mulheres gr&#225;vidas, sendo respons&#225;vel por 6% das mortes maternas<sup>7</sup> e correspondendo a 5 a 10% de todas as TVC.<sup>8</sup></p>     <p>Os fatores causais podem ser divididos em locais ou sist&#233;micos,<sup>7</sup> de que s&#227;o exemplos estados pr&#243;-tromb&#243;ticos gen&#233;ticos (d&#233;fice antitrombina III, prote&#237;na C e S) ou adquiridos (gravidez e puerp&#233;rio), infe&#231;&#245;es (otite, mastoidite), doen&#231;as inflamat&#243;rias (l&#250;pus eritematoso sist&#233;mico, sarcoidose), doen&#231;as hematol&#243;gicas, medicamentos, entre outros.<sup>6</sup> No caso desta utente, a causa da TVC poder&#225; ter sido o fator adquirido gravidez; no entanto, estudos decorrem no sentido de averiguar se se trata de uma trombofilia.</p>     <p>O motivo da incid&#234;ncia de TVC na gravidez relaciona-se com o facto de esta ser um estado de hipercoagulabilidade, observando-se altera&#231;&#245;es no sistema de coagula&#231;&#227;o, sistema fibrinol&#237;tico, fluxo venoso e paredes dos vasos, que pode predispor &#224; trombose.<sup>7</sup> As manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas dependem da extens&#227;o e localiza&#231;&#227;o do processo tromb&#243;tico, bem como da exist&#234;ncia de circula&#231;&#227;o venosa colateral adequada.<sup>7</sup> As cefaleias s&#227;o o sintoma mais frequente (75 a 95% dos casos)<sup>6</sup> e mais precoce de TVC. O facto de n&#227;o terem caracter&#237;sticas espec&#237;ficas e de poderem n&#227;o estar associadas a outros sinais neurol&#243;gicos tornam o diagn&#243;stico da doen&#231;a mais dif&#237;cil.<sup>6-7</sup> Assim, o diagn&#243;stico correto &#233;, por vezes, feito com demora consider&#225;vel, necessitando, al&#233;m disso, de exames de neuro imagem para a sua confirma&#231;&#227;o.<sup>9</sup> Como foi constatado no caso descrito, a doente foi observada v&#225;rias vezes em consultas de v&#225;rios profissionais, at&#233; que fosse estabelecido o diagn&#243;stico de TVC. A cefaleia n&#227;o era caracter&#237;stica e n&#227;o apresentava sintomas ou sinais neurol&#243;gicos associados, numa fase inicial, provavelmente pela exist&#234;ncia de circula&#231;&#227;o venosa colateral e pela recanaliza&#231;&#227;o parcial do seio.</p>     <p>A RM cerebral, especialmente a angio-RM, e a angiografia cerebral s&#227;o os exames auxiliares que conduzem ao diagn&#243;stico de TVC.<sup>9</sup> S&#227;o aqui de destacar as acentuadas irregularidades do seio lateral e do seio sigmoide esquerdos, com maior acentua&#231;&#227;o das veias corticais, a sugerir &#225;reas de trombose do seio e eventualmente com alguma recanaliza&#231;&#227;o descritas na angio-RM da utente e que levaram ao diagn&#243;stico de TVC.</p>     <p>O tratamento da TVC inclui anticoagula&#231;&#227;o plena na fase aguda, tratamento de crises epil&#233;ticas e controlo de hipertens&#227;o intracraniana, se existirem.<sup>10</sup> A finalidade da anticoagula&#231;&#227;o &#233; evitar a progress&#227;o do trombo, ajudando na recanaliza&#231;&#227;o venosa.<sup>10</sup></p>     <p>Este caso cl&#237;nico pretende, assim, alertar para alguns fatores que podem ter dificultado o encaminhamento mais precoce e adequado desta utente: </p>     <p>&#8226; A cefaleia trata-se de um sintoma inespec&#237;fico e muito frequente nos CSP, que pode ter sinais de alarme que devem ser ativamente pesquisados e que podem n&#227;o ocorrer facilmente ao MF;</p>     <p>&#8226; Apesar de estar descrito que a enxaqueca se pode iniciar pela primeira vez na gravidez, principalmente enxaqueca com aura, o acompanhamento e vigil&#226;ncia da gravidez permitem ao MF avaliar a evolu&#231;&#227;o e o aparecimento de sinais ou sintomas de alarme;</p>     <p>&#8226; A realiza&#231;&#227;o de um exame objetivo neurol&#243;gico sistem&#225;tico em todas as consultas perante uma queixa persistente de cefaleia &#233; essencial para a procura de sintomas neurol&#243;gicos que podem ser indicativos de causa grave de cefaleia;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8226; A import&#226;ncia do MF ter conhecimentos atualizados sobre as causas de cefaleia, diagn&#243;stico, tratamento e diagn&#243;sticos diferenciais.</p>     <p>O relato deste caso visa ainda salientar a import&#226;ncia de todos os utentes serem devidamente assistidos por um MF que, pelas suas compet&#234;ncias nucleares, &#233; capaz de utilizar eficientemente os recursos de sa&#250;de, coordenando a presta&#231;&#227;o de cuidados e gerindo a interface com outras especialidades, assumindo um papel de advogado do paciente, sempre que necess&#225;rio, perante a gest&#227;o da doen&#231;a que se apresenta de forma indiferenciada, numa fase precoce da sua hist&#243;ria natural e que pode necessitar de interven&#231;&#227;o urgente. A sua vis&#227;o hol&#237;stica do doente permite desenvolver uma abordagem centrada na pessoa e ter um processo de consulta singular em que se estabelece uma rela&#231;&#227;o ao longo do tempo, atrav&#233;s de uma comunica&#231;&#227;o m&#233;dico-paciente efetiva, e de ser respons&#225;vel pela presta&#231;&#227;o de cuidados continuados longitudinalmente. Citando o Dr. Margarte Chan, diretor geral da Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de, <i>primary care is our best hope for the future. Family doctors are our rising stars for the future.</i></p>     <p>O MF, lidando com uma alta preval&#234;ncia de queixas, muitas vezes indiferenciadas, como a cefaleia, deve valorizar a sintomatologia e procurar ativamente sinais de alarme, com vista ao poss&#237;vel diagn&#243;stico e tratamento de causas secund&#225;rias graves, com risco de incapacidade e mesmo com perigo de vida, que necessitam de referencia&#231;&#227;o urgente.</p>     <p>No caso descrito, a interna foi a m&#233;dica que observou a utente na &#250;ltima consulta na Unidade e que, por persist&#234;ncia da cefaleia, contactou o colega da especialidade para encaminhamento da utente. A persist&#234;ncia das queixas ao longo do tempo (um dos sinais de alarme descrito na literatura)<sup>3</sup> foi, de facto, o sinal chave gerido por esta m&#233;dica.</p>     <p>A reflex&#227;o sobre este caso cl&#237;nico desencadeou uma importante mudan&#231;a na gest&#227;o/cuidados aos doentes sem m&#233;dico no caso particular desta unidade de sa&#250;de. Foi criada uma consulta espec&#237;fica para os utentes sem m&#233;dico de fam&#237;lia com necessidades espec&#237;ficas de vigil&#226;ncia (sa&#250;de materna, planeamento familiar e crian&#231;as at&#233; aos dois anos). A situa&#231;&#227;o cl&#237;nica da gr&#225;vida e a fragilidade que acarretava &#224; mesma e ao seu agregado familiar motivaram a inclus&#227;o da utente da lista da orientadora de forma&#231;&#227;o da interna. A utente manteve seguimento na Unidade com a nova m&#233;dica de fam&#237;lia que se manteve sempre atualizada sobre o desenvolvimento da gravidez e de todo o seguimento no hospital. &#192;s 39 semanas nasceu um menino saud&#225;vel, de parto eut&#243;cico e n&#227;o houve, at&#233; &#224; data, registo de intercorr&#234;ncias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de. Programa nacional para a vigil&#226;ncia de gravidez de baixo risco. Lisboa: DGS; 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1370375&pid=S2182-5173201700030000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Lucas S. Medication use in the treatment of migraine during pregnancy and lactation. Curr Pain Headache Rep. 2009;13(5):392-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1370377&pid=S2182-5173201700030000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. European Headache Federation. Princ&#237;pios europeus da abordagem das cefaleias comuns nos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios (Internet). Lisboa: Sociedade Portuguesa de Cefaleias; 2010. Available from: <a href="http://ehf-org.org/wp-content/uploads/2013/12/European-Principles-of-Management-of-Common-Headache-Disorders-in-Primary-Care_Portuguese-Translation.pdf" target="_blank">http://ehf-org.org/wp-content/uploads/2013/12/European-Principles-of-Management-of-Common-Headache-Disorders-in-Primary-Care_Portuguese-Translation.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1370379&pid=S2182-5173201700030000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>4. Camargo CH. Cefaleias e gesta&#231;&#227;o: um estudo cl&#237;nico epidemiol&#243;gico em 100 mulheres em um hospital universit&#225;rio (Dissertation). Florian&#243;polis: Universidade Federal de Santa Catarina; 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1370380&pid=S2182-5173201700030000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>5. Matos LC, Martins B, Canto-Moreira N, Gomes A, Martins I, Capelo J, et al. Trombose de seios durais (Dural sinus thrombosis). Acta Med Port. 2007;20(4):369-73. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>6. Stam J. Thrombosis of the cerebral veins and sinuses. N Engl J Med. 2005;352(17):1791-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1370383&pid=S2182-5173201700030000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>7. Ferreira MM, Rios AC, Fragata I, Baptista JT, Mana&#231;as R, Reis J. Aspectos imagiol&#243;gicos da trombose venosa cerebral numa mulher gr&#225;vida (Cerebral venous thrombosis imagiologic features in a pregnant woman). Acta Med Port. 2011;24(1):193-8. Portuguese</p>     <p>8. Vilela P, Duarte J, Goul&#227;o A. Doen&#231;a c&#233;rebro-vascular na gravidez e no puerp&#233;rio (Cerebrovascular disease in pregnancy and puerperium). Acta Med Port. 2001;14(1):49-54. Portuguese</p>     <p>9. Adry RA, Lins CC, Brand&#227;o MC. Trombose venosa cerebral: relato de casos e revis&#227;o de literatura (Cerebral venous thrombosis: case report and literature review). J Bras Neurocirurg. 2012;23(2):160-5. Portuguese</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>10. Kirchhoff DF, Kirchhof DC, Silva GS. Espectros cl&#237;nicos da trombose venosa cerebral (The clinical spectrum of cerebral venous thrombosis). Rev Neurocienc. 2013;21(2):258-63. Portuguese</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Ana Raquel Marques</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:dr.ana.marques@gmail.com">dr.ana.marques@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&#227;o ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 08-05-2016</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 05-03-2017</b></p>      ]]></body><back>
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<source><![CDATA[Programa nacional para a vigilância de gravidez de baixo risco]]></source>
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