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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>CLUBE DE LEITURA</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Descontinuar estatinas em doentes com espectativa de vida limitada?</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Discontinue statin therapy in patients with limited life expectancy<sup>1</sup></b></font></p>     <p><strong>Daniela Carvalho Runa*</strong>, <strong>Ana Rita Domingues*</strong></p>     <p>*USF AlphaMouro</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Kutner JS, Blatchford PJ, Taylor DH Jr, Ritchie CS, Bull JH, Fairclough DL, et al. Safety and benefit of discontinuing statin therapy in the setting of advanced, life-limiting illness. JAMA Intern Med. 2015;175(5):691-700. doi: 10.1001/jamainternmed.2015.0289</p>     <p><b>Introdução</b></p>     <p>Pouco se sabe acerca dos riscos e benefícios da interrupção de terapêutica em doentes com prognóstico reservado e as estatinas são um exemplo disso. Este estudo pretendeu avaliar a segurança e o impacto clínico e financeiro da descontinuação de estatinas em doentes com necessidades paliativas.</p>     <p><b>Métodos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trata-se de um ensaio clínico pragmático, multicêntrico, aleatorizado, com grupo de controlo e sem ocultação. Foram incluídos adultos (&gt;18 anos) com esperança média de vida entre um mês a um ano, a fazer terapêutica com estatina durante, pelo menos, três meses para prevenção primária ou secundária de doença cardiovascular, deterioração recente do status funcional e sem doença cardiovascular ativa recente. Os doentes foram distribuídos aleatoriamente para suspender ou continuar o tratamento com estatinas e foram monitorizados mensalmente durante um ano. O estudo foi conduzido entre 3 de junho de 2011 e 2 de maio de 2013. Todas as análises foram realizadas com intenção-de-tratar e testada a hipótese de não inferioridade. As variáveis de resultado analisadas incluíram morte em 60 dias (objetivo primário), tempo de sobrevida e tempo para o primeiro evento cardiovascular, funcionalidade, qualidade de vida (QoL), presença de sintomas, número de medicamentos (exceto estatinas), efeitos adversos decorrentes da terapêutica com estatinas, satisfação com o serviço de saúde e custos.</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Foram avaliados 381 pacientes, 189 dos quais suspenderam estatinas e 192 continuaram a terapêutica. A média de idades foi de 74,1 anos (±11,6), 22,0% dos pacientes estavam cognitivamente debilitados e 48,8% tinham doença oncológica. A proporção dos participantes que morreu no período de 60 dias nos dois grupos de estudo (grupo que descontinuou <i>vs.</i> grupo que continuou terapêutica) não foi significativamente diferente (23,8% <i>vs.</i> 20,3%; IC90%, -3,5%-10,5%; P=0,36), mas a não inferioridade não foi verificada. A QoL total foi superior no grupo que descontinuou a terapêutica com estatinas (score=7,11 <i>vs.</i> 6,85; P=0,04). Alguns participantes sofreram eventos cardiovasculares (13 no grupo que descontinuou terapêutica <i>vs.</i> 11 no grupo que continuou a terapêutica). O número total de medicamentos (exceto estatinas) foi significativamente mais baixo no grupo que descontinuou (10,1 <i>vs.</i> 10,8 medicamentos; <i>p</i>=0,03). Verificou-se uma redução de custos de $ 3,37 por dia por participante e de $ 716,00 durante o período do estudo, representando um seguimento médio de 212,6 dias. Todos os restantes resultados em estudo não revelaram diferenças estatisticamente significativas.</p>     <p><b>Discussão/Conclusão</b></p>     <p>Este estudo sugere que a suspensão da terapêutica com estatinas pode ser segura nos doentes com doença terminal avançada com mais de um mês de esperança de vida mas menos de um ano e com deterioração significativa recente do estado funcional. Está também associada a uma melhor qualidade de vida, diminuição do número da prescrição de outros medicamentos, para além das estatinas, e redução, embora modesta, nos custos associados à terapêutica.</p>     <p><b>COMENTÁRIO <O:P> </b></p>     <p>Nos doentes com prognóstico reservado, os benefícios esperados com o uso de estatinas devem ser avaliados e ponderados, principalmente quando estes requerem mais do que um ano a ser atingidos. A simplificação do regime terapêutico em fim de vida pode ter importância na saúde total do doente e cuidadores, devendo essa decisão ser centrada no doente, partilhada e informada.</p>     <p>O presente estudo tem a seu favor o facto de ser pragmático, conseguindo obter uma amostra representativa da população em estudo, bem como resultados da prática clínica do mundo real.<sup>2</sup> Não foram aparentes diferenças significativas na mortalidade aos 60 dias nem na sobrevida geral dos doentes, mas não foi possível verificar a não inferioridade da suspensão de estatina em relação à sua manutenção, o que pode constituir uma dificuldade na decisão clínica, até porque houve necessidade de alterar o protocolo do estudo para poder atingir um tamanho amostral significativo.</p>     <p>A definição de caso para inclusão baseia-se numa estimativa de sobrevida, sujeita a subjetividade de avaliação que os autores não conseguiram resolver. O facto de o ensaio ter decorrido sem ocultação é outra limitação que pode ter influído nos resultados, até porque ao mesmo tempo que se parou a estatina se verificou também uma redução dos outros medicamentos prescritos. A inclusão de doentes foi aberta, após consentimento informado dos mesmos para a alteração clínica, o que é também um viés a considerar, mas os grupos eram homogéneos na caracterização inicial e esta parece não ser uma questão fundamental. A questão da alteração e simplificação terapêutica em doentes em fim de vida é uma questão muito importante. Muitas vezes a medicação é introduzida num determinado momento com um objetivo preventivo e há uma inércia que impede o repensar os objetivos e suspender os procedimentos. Mas mesmo ultrapassando esta inércia, é necessário saber se podemos suspender em segurança a medicação sem provocar instabilidade que possa de alguma forma colocar em risco a homeostasia já de si muito frágil destes doentes. Este estudo não é definitivo nas respostas que oferece, mas ajuda nesta definição ao propor que não haverá impacto significativo na paragem das estatinas nos doentes com doença avançada terminal. O maior mérito, no entanto, será obrigar os médicos a repensar qual a melhor atitude para o doente que, neste momento, tem objetivos de vida e de saúde que poderão não ser os mesmos da altura em que uma determinada medicação foi prescrita.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Kutner JS, Blatchford PJ, Taylor DH Jr, Ritchie CS, Bull JH, Fairclough DL, et al. Safety and benefit of discontinuing statin therapy in the setting of advanced, life-limiting illness. JAMA Intern Med. 2015;175(5):691-700.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1372964&pid=S2182-5173201700050000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2.&nbsp; Roland M, Torgerson DJ. What are pragmatic trials? BMJ. 1998;316(7127):285.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1372966&pid=S2182-5173201700050000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflitos de interesse</b></p>     <p>As autoras declaram não ter conflitos de interesse.</p>      ]]></body><back>
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