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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Registos clínicos: pedra angular na qualidade da prestação de cuidados de saúde</b></font></p>     <p><b>Conceição Outeirinho*</b></p>     <p>*Médica de família. USF Garcia de Orta, ACeS Porto Ocidental. Professora auxiliar convidada. Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto.</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>É reconhecido que os registos clínicos são essenciais para o exercício de uma medicina de qualidade sendo uma ferramenta fundamental para a gestão clínica. Devem refletir o mais fielmente possível o estado de saúde da pessoa, funcionando como um veículo de comunicação efetiva, rigorosa e completa sobre os factos relevantes. Só com estes pressupostos podemos fazer uma medicina de qualidade, salvaguardar o erro médico, acautelar a proteção médico-legal e promover o desenvolvimento e a investigação clínica.</p>     <p>Este assunto tem andado um pouco afastado das preocupações dos profissionais e, diria mesmo, da gestão, com qualidade, da prática clínica. Parece haver algum descuro nos registos clínicos que reflitam o estado de saúde atualizado do paciente, porquanto o foco de atenção se encontra mais centrado na codificação/classificação das doenças ou procedimentos, nos tempos e locais próprios que servem a leitura de indicadores pelos módulos estatísticos indispensáveis ao processo de contratualização com reflexo, em muitos casos, na remuneração das equipas de saúde.<sup>1</sup></p>     <p>Há, pois, a necessidade de que os médicos se mantenham atualizados sobre os métodos de registo clínico e utilizem corretamente o mais adequado ao contexto da sua prática e conheçam os processos disponíveis para melhorar o registo da informação clínica dos pacientes.</p>     <p>Assim, impõe-se centrar a atenção na qualidade dos registos clínicos com objetivo de melhorar e contribuir para a redução do erro em Medicina, melhorar a prestação de cuidados aos nossos pacientes e promover uma adequada partilha de informação relevante, precisa e atualizada sobre o seu estado de saúde entre os diferentes profissionais dos diversos níveis de cuidados de saúde.<sup>1</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A centralidade dos cuidados no paciente exige também que se reoriente o registo clínico neste sentido.</p>     <p>O Despacho n.º 2.784/2013, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 36, de 20 de fevereiro, chama a atenção para &#8220;os estudos que apontam para o aumento do risco clínico e erro em Medicina com a falta de circulação de informação clara e atempada entre todos os intervenientes no processo de prestação de cuidados de saúde, e da necessidade de promoção da melhoria dos registos electrónicos de dados de saúde e a sua partilha a nível nacional, como instrumentos fundamentais de melhoria dos cuidados prestados à população&#8221;. No seu ponto 4 refere, nomeadamente, que se deve garantir&nbsp;&#8220;que a informação clínica é registada, exclusivamente, em suporte electrónico, e que o resumo clínico único (RCU) do utente, quando disponível na PDS, é atualizado em&nbsp;todos os utentes.&#8221; Este despacho refere também a necessidade de auditorias periódicas aos registos.</p>     <p>Encontramos, ainda, recomendações sobre procedimentos nos registos clínicos informáticos em circulares normativas e documentos do Ministério da Saúde.<sup>2-3</sup> Porém, estas são muitas vezes feitas de modo avulso e mais orientadas para a gestão e não para o paciente.</p>     <p>Não é apenas a força da legislação ou outros documentos normativos que fazem a mudança de práticas e promovem a optimização de procedimentos. A sensibilidade, o conhecimento, as competências e as atitudes, com melhoria contínua, dos profissionais é que são motor fundamental para o atingimento desse desiderato.</p>     <p>Assistimos, no final de 2017, despoletado por médicos de família ligados também à academia, à abordagem e à reflexão interpares (Encontro Nacional da ADSO) sobre o paradigma dos registos clínicos e premência da sua evolução e aperfeiçoamento.</p>     <p>Para trabalharmos a questão da qualidade dos registos clínicos há que ter em conta três grandes linhas de intervenção: <b>a formação, a prática clínica e os sistemas informáticos.</b><sup>1</sup></p>     <p>Na primeira - <b>Formação</b> - há que focar a atenção em três áreas:</p>     <p>1. No ensino pré-graduado, com formação básica sobre registos clínicos, metodologia a adoptar em função do tipo de prestação de cuidados e da área médica envolvida. É reconhecido na comunidade científica e académica que o registo médico orientado por problemas (RMOP), proposto por Lawrence Weed<sup>4</sup> nos anos setenta do século XX, é o mais adequado no âmbito da prestação dos cuidados longitudinais e contínuos e, por isso mesmo, adotado no âmbito da medicina geral e familiar. Nesta fase, para além da obtenção do conhecimento do método, importa saber o porquê da sua utilização e treinar a sua aplicabilidade.</p>     <p>2. No ensino pós-graduado, com a revisitação dos conceitos, desenvolvimento e melhoria das competências e atitudes neste domínio. Orientando para a importância dos registos que salvaguardem a medicina centrada no paciente, a gestão clínica, a investigação e o desenvolvimento.</p>     <p>3. Na formação e atualização contínua dos profissionais. Mas enquanto na primeira área o grande objetivo é a tomada de conhecimento e o treino básico, nas duas últimas, e porque a formação se faz em exercício, a atenção recai na adequação e no rigor dos registos, na utilização, correta, das classificações<sup>5-6</sup> de doenças padronizadas e validadas, quer ao nível do processo do doente (Notas Clínicas Progressivas e Lista de Problemas) quer nas plataformas informáticas de interface entre os diferentes níveis e os diversos prestadores de cuidados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na segunda linha - <b>a prática clínica</b> -, a intervenção deverá ser feita através:</p>     <p>1. Da promoção da otimização dos registos clínicos informáticos pelos clínicos, atendendo, pelo menos, aos seguintes aspetos: registos informativos sobre o real estado de saúde do doente, quer no que respeita à sua apresentação, identificação dos seus problemas de saúde e seu grau de resolução no momento, bem como um plano de intervenção bem delineado a curto, médio e longo prazo; garantia da existência de registos clínicos atuais, fiáveis e reais; adequada classificação<sup>5-6</sup> de problemas de saúde do doente com a utilização da ICPC nas Notas Clínicas Progressivas - no item A do SOAP e lista de problemas; atualização periódica e regular da Lista de Problemas (Problemas ativos e Problemas passivos); atualização do RCU (RCU2); ajuste do tempo de consulta, para realizar adequadamente o «7º passo da consulta»<sup>7</sup>, revendo e completando os registos clínicos; prever tempo para esta tarefa no horário semanal de trabalho.</p>     <p>2. Do desenvolvimento e implementação de planos de qualidade organizacional neste âmbito, que atendam aos procedimentos do ciclo da melhoria contínua da qualidade.</p>     <p>Por fim e dada a sua relevância no processo, temos a 3ª linha - os <b>sistemas informáticos.</b> Na última década, o desenvolvimento das plataformas informáticas, no âmbito do SNS, foi notável; todavia, há ainda muito a desenvolver e a aperfeiçoar neste campo. A sua implementação levou a uma melhoria global no registo e a uma redução dos custos. Para a primeira contribuiu a legibilidade e a gestão mais eficaz de grande volume de informação, a melhoria da acessibilidade aos dados, a maior capacidade de armazenamento, a possibilidade de fazer cópias de segurança, a facilidade de arquivo e a versatilidade (usar códigos de diferentes utilizadores).</p>     <p>Tem havido ao longo do tempo, embora lento e não uniforme a nível nacional, o desenvolvimento da possibilidade da interface com outros programas e registos, permitindo a troca de informação, o acompanhamento do processo, a organização de atividades, a análise estatística da informação, possibilitando uma gestão clínica mais acurada e a interface com outros prestadores e níveis de cuidados. Tudo isto reverteu a favor da redução de custos, quer para o doente quer para as instituições de saúde. Porém, necessitamos de desenvolver e de melhorar ainda mais os sistemas informáticos, não só em aspetos como aqueles que se prendem com a velocidade de acesso, a limitação temporal no acesso aos dados, a confidencialidade dos mesmos, a morosidade de registo ou a interface com outras instituições, mas também ao nível dos próprios registos clínicos.<sup>1</sup> E, aqui, reforço de novo a necessidade da aplicabilidade da medicina centrada no paciente.</p>     <p>Em concreto será necessário acautelar espaço para o registo de problemas de saúde de modo mais completo e não apenas a sua mera classificação/codificação e tornar possível, a todo o tempo, que essa informação esteja acessível a qualquer profissional de saúde que cuide da pessoa, independentemente do contexto da prática e do nível de prestação de cuidados de saúde. Os módulos estatísticos deverão ser desenvolvidos recentrando-se e servindo a investigação clínica e não apenas a aferição de procedimentos que levam ao cumprimento de metas que suportam a contratualização.</p>     <p>A aposta na melhoria e na qualidade dos registos clínicos vai requerer a colaboração e a complementaridade de várias forças, a academia, as associações científicas dos profissionais, os próprios profissionais no terreno e os informáticos. O seu trabalho conjunto, articulado, complementar e contínuo contribuirá por certo para o objetivo final: a prestação de serviços de saúde adequados, eficientes com o exercício de uma medicina de qualidade e personalizada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Outeirinho C. Qualidade dos registos clínicos: qualidade na prestação de cuidados de saúde, melhor governação clínica. J Med Fam. 2017;4(8):10-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1374006&pid=S2182-5173201800010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Administração Central do Sistema de Saúde. Recomendações para a utilização da Classificação Internacional de Cuidados de Saúde Primários (ICPC) na prática clínica diária em Unidades do SNS: circular normativa n.º 20/2014/DPS/ACSS, de 16.07.2014 [Internet]. Lisboa: ACSS; 2014. Available from: <a href="http://www2.acss.min-saude.pt/Portals/0/cn20.pdf" target="_blank">http://www2.acss.min-saude.pt/Portals/0/cn20.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1374008&pid=S2182-5173201800010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. Administração Central do Sistema de Saúde. Bilhete de identidade dos indicadores de contratualização dos cuidados de saúde primários propostos para o ano de 2016: ACES (USF, UCSP e UCC) [Internet]. Lisboa: ACSS; 2016. Available from: <a href="http://www2.acss.min-saude.pt/Portals/0/bilhete_identidade_indicadores_contratualizacao_2016___2016_02_16.pdf" target="_blank">http://www2.acss.min-saude.pt/Portals/0/bilhete_identidade_indicadores_contratualizacao_2016___2016_02_16.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1374009&pid=S2182-5173201800010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>4. Weed LL. Medical records that guide and teach. N Eng J Med. 1968;278(11):593-600.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1374010&pid=S2182-5173201800010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>5. Pinto D. O que classificar nos registos clínicos com a Classificação Internacional de Cuidados Primários? [What should we code in health records with the International Classification of Primary Care?]. Rev Port Med Geral Fam. 2014;30(5):328-34. Portuguese</p>     <p>6. Pinto D. Classificar motivos de consulta e procedimentos com a ICPC na prática clínica? [Classifying reasons for encounter and procedures with ICPC in clinical practice?]. Rev Port Med Geral Fam. 2012;28(4):247-8. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>7. Ramos V. A consulta em 7 passos: execução e análise crítica de consultas em medicina geral e familiar. Lisboa: VFBM Comunicação; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1374014&pid=S2182-5173201800010000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9789898160225</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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