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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Síndroma de Takotsubo em medicina geral e familiar: a propósito de um caso clínico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Takotsubo syndrome is a transient systolic dysfunction of the left ventricle, which mimics acute myocardial infarction in the absence of coronary artery disease. It is more common in postmenopausal women with suspected acute coronary syndrome (ACS) and electrocardiographic abnormalities that are not proportional to the values of cardiac markers. An emotional or physical trigger is often present, and in these cases the family physician can play an important role in the diagnosis and follow-up. Case study: The authors describe the case of a 49-year-old woman admitted to the emergency room with suspected ACS, presenting with chest pain, dyspnea and nausea. Acute heart failure was observed, with a severe compromise of left ventricular systolic function, but in the absence of coronary disease. A favorable clinical evolution was observed, with a complete recovery of cardiac function, and the diagnosis of Takotsubo syndrome was made. In this context, the general practitioner (GP) knowledge about this patient was able to identify work and family stress as probable triggers of this syndrome, and played an important role on anxiety management and follow-up. Comment: After this event, the patient remained asymptomatic, and was essentially given general supportive care. Thus, the GP will be responsible for the symptomatic control of anxiety and emotional disorders, as well as for the monitoring of signs and/or symptoms of heart failure. The GP will play a preventive role, by identifying and acting timely on putative triggers, promoting and reinforcing the importance of adopting healthy habits and lifestyles, and monitoring the patient’s biopsychosocial health status, in order to avoid and minimize long-term complications.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Síndroma de Takotsubo]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RELATOS DE CASO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Síndroma de Takotsubo em medicina geral e familiar: a propósito    de um caso clínico</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Takotsubo syndrome in family medicine: a case report</b></font></p>     <p><b>Sofia Faria*, Cátia Cordeiro**, Luís Filipe Cavadas***</b></p>     <p>*Interna de Medicina Geral e Familiar de Medicina Geral e Familiar. USF Lagoa,    Unidade Local de Saúde de Matosinhos.</p>     <p>**Interna de Formação Específica de Medicina Geral e Familiar. USF Lagoa, Unidade    Local de Saúde de Matosinhos.</p>     <p>***Assistente de Medicina Geral e Familiar. USF Lagoa, Unidade Local de Saúde    de Matosinhos</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdução:</b> A síndroma de Takotsubo caracteriza-se por uma disfunção    sistólica transitória do ventrículo esquerdo, que mimetiza o enfarte agudo do    miocárdio, na ausência de doença coronária significativa. É mais comum em mulheres    na pós-menopausa, com suspeita de síndroma coronário agudo (SCA) e manifestações    clínicas e eletrocardiográficas desproporcionais relativamente aos marcadores    cardíacos. Um&nbsp;<i>trigger</i>&nbsp;emocional ou físico está muitas vezes    presente, podendo nestes casos o médico de família (MF) desempenhar um papel    importante no seu diagnóstico e seguimento.</p>     <p><b>Descrição do caso:</b> Apresenta-se o caso de uma doente de 49 anos, admitida    no serviço de urgência por suspeita de SCA, apresentando dor torácica, dispneia    e náuseas. Foi constatada insuficiência cardíaca (IC) aguda, com compromisso    severo da função sistólica do ventrículo esquerdo, no entanto, na ausência de    doença coronária. A evolução clínica foi favorável, com recuperação completa    da função cardíaca, tendo sido feito o diagnóstico de síndroma de Takotsubo.    Neste contexto, com o conhecimento adquirido que tinha desta doente, o MF conseguiu    identificar o stress laboral e familiar como provável fator desencadeante da    síndroma, intervindo de forma importante no ensino da gestão da ansiedade e    no seu seguimento.</p>     <p><b>Comentário:</b> Após o episódio de urgência descrito, a doente manteve-se    assintomática do foro cardiovascular, sendo o tratamento essencialmente de suporte.    Assim, caberá ao MF o controlo sintomático da ansiedade e do foro emocional,    assim como a vigilância de sinais e/ou sintomas de IC. O MF desempenhará um    papel de prevenção, no sentido de identificar e atuar precocemente em possíveis    fatores desencadeantes, promovendo e reforçando a importância da adoção de hábitos    e estilos de vida saudáveis e ainda na monitorização do estado de saúde da utente,    no seu contexto biopsicossocial, de forma a evitar e minimizar complicações    a longo prazo.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Síndroma de Takotsubo; Cardiomiopatia; Cuidados de saúde    primários; Cardiologia.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> Takotsubo syndrome is a transient systolic dysfunction    of the left ventricle, which mimics acute myocardial infarction in the absence    of coronary artery disease. It is more common in postmenopausal women with suspected    acute coronary syndrome (ACS) and electrocardiographic abnormalities that are    not proportional to the values of cardiac markers. An emotional or physical    trigger is often present, and in these cases the family physician can play an    important role in the diagnosis and follow-up.</p>     <p><b>Case study:</b> The authors describe the case of a 49-year-old woman admitted    to the emergency room with suspected ACS, presenting with chest pain, dyspnea    and nausea. Acute heart failure was observed, with a severe compromise of left    ventricular systolic function, but in the absence of coronary disease. A favorable    clinical evolution was observed, with a complete recovery of cardiac function,    and the diagnosis of Takotsubo syndrome was made. In this context, the general    practitioner (GP) knowledge about this patient was able to identify work and    family stress as probable triggers of this syndrome, and played an important    role on anxiety management and follow-up.</p>     <p><b>Comment:</b> After this event, the patient remained asymptomatic, and was    essentially given general supportive care. Thus, the GP will be responsible    for the symptomatic control of anxiety and emotional disorders, as well as for    the monitoring of signs and/or symptoms of heart failure. The GP will play a    preventive role, by identifying and acting timely on putative triggers, promoting    and reinforcing the importance of adopting healthy habits and lifestyles, and    monitoring the patient&rsquo;s biopsychosocial health status, in order to avoid and    minimize long-term complications.</p>     <p><b>Keywords:</b> Takotsubo syndrome; Cardiomyopathy; Primary health care; Cardiology.</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>     <p>A síndroma Takotsubo, também denominada cardiomiopatia induzida pelo <i>stress</i>    ou síndroma do coração partido, caracteriza-se por uma disfunção sistólica transitória    do ventrículo esquerdo (VE), que mimetiza o enfarte agudo do miocárdio (EAM)    na ausência de doença coronária significativa.<sup>1-3</sup> Estima-se que a    sua prevalência atinja 1 a 2% dos casos suspeitos de síndroma coronária aguda    (SCA),<sup>1,3-4</sup> sendo mais comum nas mulheres, sobretudo no período pós-menopausa.<sup>1</sup>    Deverá suspeitar-se deste diagnóstico perante manifestações clínicas e eletrocardiográficas    sugestivas de EAM, desproporcionais relativamente aos marcadores cardíacos.    Um&nbsp;<i>trigger</i>&nbsp;emocional ou físico está muitas vezes presente.<sup>1</sup></p>     <p>A descrição deste caso clínico pretende colocar em evidência um diagnóstico    raro para um quadro sintomático comum, cuja manifestação inicial poderá muitas    vezes surgir no âmbito dos cuidados de saúde primários, e enfatizar a atuação    do médico de família (MF) no seu diagnóstico e orientação.</p>     <p><b>Descrição do caso</b></p>     <p>Apresenta-se o caso de uma doente do sexo feminino, de raça caucasiana, com    49 anos de idade, natural de Angola e divorciada.</p>     <p>Inserida numa família alargada, classe III segundo a classificação de <i>Graffar,</i>    com relações familiares e laborais conflituosas, geradoras de <i>stress</i>    e ansiedade.</p>     <p>Como antecedentes familiares relevantes apresenta hipertensão arterial, um    fator de risco partilhado por ambos os progenitores, bem como diabetes mellitus,    presente na mãe.</p>     <p>Como antecedentes pessoais mais significativos salienta-se a dislipidemia (colesterol    LDL 144,8mg/dL), o excesso de peso (índice de massa corporal 27kg/m<sup>2</sup>),    insuficiência venosa periférica, esofagite de refluxo, gastrite crónica e hérnia    do hiato esofágico e uma perturbação de ansiedade. Trata-se de uma utente com    hábitos tabágicos no passado (cerca de 10 unidades maço-ano) e também hábitos    passados de consumo etílico abusivo (cerca de 80g/dia), encontrando-se atualmente    abstinente. À data do caso relatado, a utente encontrava-se medicada apenas    com um inibidor da bomba de protões e realizava contraceção hormonal oral combinada.</p>     <p>Em setembro de 2014, a utente recorre ao serviço de urgência hospitalar com    um quadro de dor retroesternal, do tipo moedeira, de intensidade moderada, com    irradiação cervical, acompanhada de dispneia e náuseas. A dor mantinha-se constante,    sem fatores de alívio ou agravamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>À admissão encontrava-se pálida, taquipneica e taquicárdica, apresentando à    auscultação cardiopulmonar sons respiratórios diminuídos basalmente e crepitações    nos terços inferiores de ambos os campos pulmonares. É realizado de imediato    um eletrocardiograma (ECG) que revela inversão da onda T nas derivações precordiais    de V2 a V6, estando em ritmo sinusal. A radiografia torácica mostra congestão    pulmonar, atingindo a metade inferior de ambos os campos pulmonares. Analiticamente    há uma elevação dos marcadores cardíacos, principalmente da troponina I (1,646ng/mL;    valor de referência (VR) &lt; 0,0329ng/mL), mas também da CK-MB (11,3ng/mL;    VR &lt; 6,4ng/mL), de D-dímeros (773ng/mL; Positivo &gt; 500ng/mL) e do BNP    (1222pg/mL; VR &lt; 100pg/mL). Assumido o diagnóstico de uma síndroma coronária    aguda (SCA) sem elevação do segmento ST, a utente é transferida para a Unidade    de Cuidados Intensivos Polivalente, iniciando terapêutica com antiagregante    plaquetário (ácido acetilsalicílico), diurético e nitratos. É realizado um ecocardiograma,    que revela uma insuficiência cardíaca (IC) aguda, com sinais de insuficiência    tricúspide moderada a grave e compromisso grave da função sistólica do VE, com    fração de ejeção muito diminuída (FEVE 25%). Constata-se ainda acinésia dos    segmentos médio e apical do septo, paredes anterior e lateral, e ainda hipocinésia    do segmento apical da parede inferior do VE com dilatação aneurismática a esse    nível.</p>     <p>É realizada coronariografia que não revelou doença coronária significativa,    sendo assumido o diagnóstico de IC aguda em doente jovem, de causa não esclarecida,    com compromisso grave da função do VE. Durante o restante internamento, a doente    manteve a estabilidade hemodinâmica, apresentando uma evolução favorável e rápida    melhoria do quadro, com recuperação completa da função cardíaca.</p>     <p>A restante investigação laboratorial, incluindo serologias de sífilis, vírus    da imunodeficiência humana (VIH), vírus da hepatite B (VHB), vírus da hepatite    C (VHC) foi negativa; também as serologias de vírus de <i>Epstein Barr</i> (VEB),    vírus herpes simples 1 e 2 (VHS 1 e 2) e parvovírus foram negativas; a função    tiroideia demonstrou-se dentro dos valores da normalidade; os doseamentos de    ferro, ferritina, vitamina B12 e folatos foram normais; a pesquisa de anticorpos    ANA e anti-dsDNA e de fator reumatoide foi negativa; a análise do complemento    e eletroforese de proteínas séricas não apresentou alterações de relevo. Verificou-se    que não existia história prévia de síndroma gripal ou aparente <i>stress</i>    emocional recente, assim como manifestações de doença autoimune, nem história    familiar de miocardiopatias.</p>     <p>A doente teve alta ao final de nove dias de internamento, mantendo-se assintomática,    sem ocorrência de novos episódios de dor torácica e sem sinais de IC agudizada.    Não foi esclarecida a etiologia da IC aguda, apesar do estudo realizado durante    o internamento, sendo a doente orientada para consulta externa de cardiologia.    À data da alta, a seguinte terapêutica foi instituída: lisinopril 5mg (uma vez    por dia), carvedilol 3,125mg (duas vezes por dia), espironolactona 12,5mg (uma    vez por dia), pantoprazol 20mg (uma vez por dia) e rosuvastatina 10mg (uma vez    por dia).</p>     <p>Após o episódio de internamento, a utente recorreu ao seu MF, dando conhecimento    do ocorrido. Na consulta apresentava-se assintomática do foro cardiovascular    e sem alterações objetiváveis ao exame físico; no entanto, encontrava-se muito    angustiada, com receios e medos relativos ao episódio ocorrido, tendo sido alvo    de escuta terapêutica, assim como de aconselhamento e educação para a saúde    ao longo das várias consultas de seguimento nos cuidados de saúde primários,    enquanto aguardava pela consulta de cardiologia.</p>     <p>Com o conhecimento adquirido que o MF tinha da utente percebeu que provavelmente    o fator desencadeante desta patologia, neste contexto em particular, teria sido    um <i>stress</i> emocional motivado pelo trabalho. A utente trabalhava num cabeleireiro    e referia conflitos diários com as colegas de trabalho, estando numa semana    particularmente difícil, com muito trabalho e, consequentemente, com maior <i>stress</i>    profissional. Neste processo, o MF trabalhou a ansiedade e o <i>stress</i> emocional,    agendando consultas mais frequentes, inicialmente com periodicidade semanal    e posteriormente mensal, onde a escuta terapêutica teve um papel muito importante    no ensino da gestão da ansiedade.</p>     <p>Durante o seguimento por cardiologia, a utente realizou novo ecocardiograma    que demonstrou a completa recuperação da função cardíaca, apresentando a função    sistólica de ambos os ventrículos conservada, com uma fração de ejeção do VE    estimada em 66%, sem alterações segmentares evidentes e sem alterações morfológicas    significativas das estruturas valvulares. Foi também realizada uma ressonância    magnética cardíaca que excluiu qualquer alteração estrutural cardíaca.</p>     <p>A utente teve alta de cardiologia em fevereiro de 2016, com o diagnóstico final    de síndroma de Takotsubo. Foi mantida a terapêutica instituída inicialmente    à data do internamento, tendo sido dada indicação para manutenção da vigilância    no seu MF, embora sem orientação escrita ou verbal de cuidados específicos.</p>     <p>O MF continuou a intervir, de forma a esclarecer, tranquilizar e vigiar esta    utente nesta fase complicada e causadora de ansiedade, instabilidade emocional    e incapacidade laboral. Realizou também uma avaliação familiar. Salienta-se    um contexto de disfunção familiar grave, com conflitos frequentes entre o agregado    familiar, importantes geradores de <i>stress</i> que, tendo por base a personalidade    ansiosa da utente, poderão ter contribuído para o despoletar desta síndroma.    No momento da avaliação, a utente demonstrou apresentar-se já com humor estabilizado,    tendo sido, no entanto, um momento importante de enfatização de mecanismos de    <i>coping</i> apropriados para a gestão de conflitos, importante para prevenir    a recorrência do quadro clínico.</p>     <p><b>Comentário</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vários mecanismos fisiopatológicos têm sido propostos para explicar a síndroma    de Takotsubo, entre os quais se incluem a doença aterosclerótica oculta, a ocorrência    de um espasmo de multivasos ou a disfunção microvascular.<sup>1</sup> No entanto,    a hipótese mais aceite atualmente é a do excesso de catecolaminas que, por sobrecarga    de cálcio nos miócitos cardíacos, leva a uma perturbação transitória da contração    e função ventriculares.<sup>1-2</sup></p>     <p>O <i>stress</i> emocional pode estar envolvido, estando o MF numa posição incomparável    para compreender o contexto biopsicossocial e familiar dos seus utentes e, assim,    possivelmente identificar eventuais fatores de risco, que poderão estar na base    desta síndroma.</p>     <p>Relativamente aos exames auxiliares de diagnóstico (EAD), as alterações eletrocardiográficas    sugestivas de EAM são comuns, sendo a mais frequente a elevação do segmento    ST.<sup>1,4</sup> Os marcadores cardíacos apresentam geralmente uma ligeira    elevação, verificando-se que a troponina sérica está elevada na maioria destes    doentes e os níveis de CK estão geralmente normais ou ligeiramente aumentados.    Também os níveis do peptídeo natriurético (BNP) estão elevados em grande parte    destes doentes.<sup>1</sup> O ecocardiograma demonstra geralmente um compromisso    da função sistólica do VE, sendo a coronariografia imprescindível, no sentido    de excluir a presença de doença coronária significativa.<sup>1,3</sup> A ressonância    magnética cardíaca pode ser útil para o diagnóstico e avaliação da miocardiopatia,    sobretudo para exclusão de doença cardíaca estrutural.<sup>1,4</sup></p>     <p>Apresentou-se um caso clínico de uma síndroma de Takotsubo numa doente de 49    anos de idade, com dois fatores de risco cardiovasculares identificados: a dislipidemia    e o excesso de peso. Era também do conhecimento do seu MF o <i>stress</i> emocional    marcado, envolvendo o contexto sociofamiliar da utente. Tratou-se de um caso    típico desta síndroma, com recuperação total da função cardíaca, de forma rápida    e sem deixar sequelas, tendo-se a doente mantido assintomática após o evento    e sem novos episódios de dor torácica ou sinais de IC. Após um período de tempo    em seguimento por cardiologia, confirmado o diagnóstico e não havendo doença    cardíaca estrutural, a doente teve alta com orientação para manutenção da vigilância    pelo seu MF.</p>     <p>Pretende-se com este caso clínico enfatizar a importância do MF na gestão desta    patologia, bem como a importância de uma boa articulação entre os cuidados de    saúde primários e secundários. De facto, o contacto com o MF pode ser de grande    auxílio na abordagem diagnóstica e no diagnóstico diferencial desta síndroma,    tendo em conta o conhecimento abrangente que este detém do utente, do seu contexto    biopsicossocial e da relação singular que estabelece com os seus utentes através    dos cuidados de saúde longitudinais prestados.</p>     <p>Por outro lado, após o diagnóstico definitivo da síndroma de Takotsubo, estando    a utente assintomática e apresentando uma função cardíaca normal, surgiu a dúvida    na sua orientação relativamente à medicação de suporte previamente instituída    (lisinopril, carvedilol, espironolactona). Estas questões colocaram-se ao MF    da utente aquando da alta de cardiologia. A existência de informação clínica    de retorno é fundamental para que exista de facto uma articulação de cuidados    eficaz, que se traduzirá certamente numa melhoria da qualidade de cuidados de    saúde e numa maior satisfação por parte dos utentes e profissionais de saúde.</p>     <p>De facto, o tratamento destes doentes é essencialmente de suporte, desempenhando    aqui um papel muito importante as consultas do MF. Tratando-se de uma síndroma    induzida por catecolaminas, devem instituir-se um &#946;-bloqueador e um inibidor    da enzima de conversão da angiotensina (IECA) até à recuperação da função cardíaca,    sendo que nos casos em que esta é completa não se justifica a manutenção do    IECA. Por sua vez, considerando o mecanismo fisiopatológico mais aceite para    esta síndroma, poderá manter-se o &#946;-bloqueador. Os diuréticos são recomendados    em casos de IC e a anticoagulação a curto prazo é indicada em doentes com fibrilhação    auricular ou formação de trombos.<sup>1</sup></p>     <p>A maioria dos doentes apresenta um excelente prognóstico, com uma história    natural aparentemente benigna e recuperação integral da função ventricular.<sup>5</sup>    Os sintomas, as alterações eletrocardiográficas, os marcadores cardíacos e anomalias    de movimento ventriculares desaparecem geralmente entre seis a oito semanas.<sup>6-7</sup>    A mortalidade intra-hospitalar é baixa (inferior a 2%), sendo as complicações    mais comuns a IC sistólica e a rutura cardíaca. Nos doentes com recuperação    completa verifica-se uma sobrevida a longo prazo semelhante à da população geral,    sendo a taxa de recorrência desta síndroma inferior a 10%.<sup>1,8</sup></p>     <p>Assim, e a longo prazo, caberá ao MF o controlo sintomático da ansiedade e    do foro emocional, a vigilância de sinais e/ou sintomas de IC, assim como a    sua devida orientação terapêutica, sendo esta a principal complicação possível    conhecida desta síndroma.</p>     <p>Ainda do ponto de vista do MF, será muito pertinente, tendo em conta o acompanhamento    do utente ao longo do seu ciclo vital, assim como o conhecimento prévio do seu    contexto familiar e biopsicossocial, uma abordagem holística que inclua a monitorização    do estado de saúde global, incluindo o estado de saúde mental, para uma intervenção    atempada e apropriada, caso se demonstre necessário. Além disso, aproveitando    o privilégio de ser também o médico «da família» e, assim, conhecer e acompanhar    os outros elementos familiares, abre-se uma porta para uma abordagem não apenas    individual, mas de toda a dinâmica familiar, que deverá ser alvo de monitorização    e intervenção adequada, uma vez que esta se identificou como um fator que condicionou    uma desregulação emocional da paciente, conduzindo ou contribuindo para esta    síndroma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trabalhar a família é importante, pois permite dar resposta às dúvidas dos    restantes elementos familiares que vivem de perto esta situação, receosos de    novos episódios e de como proceder em família.</p>     <p>De facto, na síndroma de Takotsubo está muitas vezes descrito um fator físico    ou emocional significativo como fator despoletante, o que na maioria dos casos    será um evento agudo e dificilmente previsível. Particularmente no caso clínico    descrito, considerando os antecedentes de patologia ansiosa, será fundamental    a sua vigilância regular a longo prazo no contexto dos CSP, antevendo-se uma    possível abordagem farmacológica e/ou não farmacológica em caso de recidiva    da perturbação ansiosa. Assim, na abordagem da síndroma de Takotsubo, o MF desempenhará    um papel de prevenção, no sentido de identificar e atuar precocemente em possíveis    fatores desencadeantes, promovendo e reforçando a importância da adoção de hábitos    e estilos de vida saudáveis e ainda na monitorização do estado de saúde do utente    no seu contexto biopsicossocial, de forma a evitar e minimizar complicações    a longo prazo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <p>1. Nóbrega S, Brito D. Miocardiopatia Takotsubo: estado da arte [The ‘broken    heart syndrome&rsquo;: state of the art]. Rev Port Cardiol. 2012;31(9):589-96.</p>     <!-- ref --><p>2. Richard C. Stress-related cardiomyopathies. Ann Intensive Care. 2011;1:39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381602&pid=S2182-5173201800060000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Gianni M, Dentali F, Grandi AM, Sumner G, Hiralal R, Lonn E. Apical ballooning    syndrome or takotsubo cardiomyopathy: a systematic review. Eur Heart J. 2006;27(13):1523-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381604&pid=S2182-5173201800060000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>4. Koulouris S, Pastromas S, Sakellariou D, Katrimenos T, Piperopoulos P, Manolis    AS. Takotsubo cardiomyopathy: the ‘broken heart&rsquo; syndrome. Hellenic J Cardiol.    2010;51(5):451-7.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>5. Ionescu CN, Aguilar-Lopez CA, Sakr AE, Ghantous AE, Donohue TJ. Long-term    outcome of Tako-tsubo cardiomyopathy. Heart Lung Circ. 2010;19(10):601-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381607&pid=S2182-5173201800060000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Madhavan M, Prasad A. Proposed Mayo Clinic criteria for the diagnosis of    Tako-Tsubo cardiomyopathy and long-term prognosis. Herz. 2010;35(4):240-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381609&pid=S2182-5173201800060000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Stöllberger C, Finsterer J, Schneider B. Transient left ventricular dysfunction    (tako-tsubo phenomenon): findings and potential pathophysiological mechanisms.    Can J Cardiol. 2006;22(12):1063-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381611&pid=S2182-5173201800060000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Opolski G, Pawlak MM, Roik MF, Kochanowski J, Scislo P, Piatkowski R, et    al. Clinical presentation, treatment, and long-term outcomes in patients with    takotsubo cardiomyopathy: experience of a single cardiology center. Pol Arch    Med Wewn. 2010;120(6):231-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381613&pid=S2182-5173201800060000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sofia Faria</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:faria.sofia@hotmail.com">faria.sofia@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram não ter quaisquer conflitos de interesse.</p>     <p><b>Financiamento do estudo</b></p>     <p>Os autores declaram que o trabalho relatado neste manuscrito não foi </p>     <p>objecto de qualquer tipo de financiamento externo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 17-03-2017</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Aceite para publicação em 13-06-2018</b></p>      ]]></body><back>
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