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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Hipertensão arterial secundária no adulto jovem: um caso clínico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Secondary arterial hypertension represents about 5-10% of cases of arterial hypertension. In the presence of hypertension in young adults, secondary causes should be suspected, and the adequate clinical, laboratory and imaging investigations should be performed. In young adults (19-39 years), the most frequent causes of secondary hypertension are thyroid dysfunctions, fibromuscular renal artery dysplasia, and renal parenchymal diseases. We report a case of hypertension in a young woman, whose study revealed an autoimmune hyperthyroidism. Case report: A 19-year-old woman presented to her family physician with palpitations, tachycardia (heart rate: 117bpm), and high blood pressure (mean BP: 154/86mmHg) for one month. Anxiety, initial insomnia, irritability, and polyphagia were also present. Physical examination confirmed the presence of high blood pressure values (mean BP: 150/98mmHg) and tachycardia, as well as palpation of diffuse, painless and symmetrical goiter without apparent nodules. Considering the elevated blood pressure values at two different time points, the diagnosis of arterial hypertension grade I was established, and the patient was medicated with propranolol. Further exams confirmed the diagnosis of autoimmune hyperthyroidism, microcytic and hypochromic anemia, and ultrasound features suggestive of thyroiditis, as well as the presence of diffuse goiter with increased uptake in thyroid scintigraphy, suggestive of Graves’ disease. The patient was initially treated with methimazole 5mg bid, and referred to endocrinology consultation. The treatment resulted in improved symptomatology, tensional stabilization, and normalization of the thyroid function. Discussion: This case aims to illustrate the diagnostic and therapeutic approach of hypertension in young adults, in a primary care setting. Hyperthyroidism is a common cause of isolated systolic hypertension, and its timely diagnosis and treatment can prevent the occurrence of complications, and influence prognosis. To this end, it is essential to achieve an adequate collaboration between primary and secondary care.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Hipertensão arterial]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RELATOS DE CASO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Hipertensão arterial secundária no adulto jovem: um caso    clínico</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Secondary arterial hypertension in a young adult: a case    report</b></font></p>     <p><b>Sandra Oliveira, Ana Marta Neves, Teresa Tomaz, Margarida Lima, Francisco    Fachado</b></p>     <p>USF do Minho</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdução:</b> A hipertensão arterial (HTA) secundária corresponde a cerca    de 5-10% dos casos de hipertensão. Perante uma hipertensão em adultos jovens    deve-se suspeitar de causas secundárias e proceder a uma investigação clínica,    laboratorial e imagiológica adequada. Em adultos jovens (19-39 anos), as causas    mais frequentes de HTA secundária são as disfunções tiroideias, a displasia    fibromuscular da artéria renal e as doenças do parênquima renal. Relata-se um    caso clínico de uma jovem, na qual o estudo de hipertensão secundária revelou    hipertiroidismo autoimune.</p>     <p><b>Descrição do caso:</b> Utente do sexo feminino, 19 anos de idade, que recorreu    a consulta de saúde de adultos por palpitações, taquicardia (FC média: 117bpm)    e tensão arterial elevada (TA média: 154/86mmHg), objetivadas em ambulatório    desde há um mês. Constatou-se ainda ansiedade, insónia inicial, irritabilidade    e polifagia. Ao exame objetivo confirmaram-se valores tensionais elevados (TA    média: 150/98mmHg) e taquicardia, bem como palpação de bócio difuso, indolor    e simétrico, sem nódulos aparentes. Tendo em conta os valores tensionais elevados    em dois momentos distintos foi estabelecido o diagnóstico de HTA grau I, tendo    a utente sido medicada com propranolol. Do estudo efetuado confirmou-se hipertiroidismo    de etiologia auto-imune, anemia microcítica e hipocrómica, aspetos sugestivos    de tiroidite na ecografia, bem como bócio difuso com captação aumentada na cintigrafia    tiroideia, sugestivo de doença de Graves. A utente foi medicada com metibasol    5mg 12/12h e referenciada para consulta de endocrinologia. Verificou-se melhoria    da sintomatologia, estabilização tensional e normalização da função tiroideia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Comentário:</b> Este caso clínico pretende ilustrar a abordagem diagnóstica    e terapêutica da HTA no adulto jovem nos cuidados de saúde primários. O hipertiroidismo    é uma causa comum de hipertensão sistólica isolada e o seu diagnóstico e tratamento    atempados podem prevenir a emergência de complicações e influenciar o prognóstico.    Para tal, é fundamental uma boa articulação entre os cuidados de saúde primários    e secundários. </p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Hipertensão arterial; Hipertensão secundária; Hipertiroidismo;    Doença de Graves; Adulto jovem</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> Secondary arterial hypertension represents about 5-10%    of cases of arterial hypertension. In the presence of hypertension in young    adults, secondary causes should be suspected, and the adequate clinical, laboratory    and imaging investigations should be performed. In young adults (19-39 years),    the most frequent causes of secondary hypertension are thyroid dysfunctions,    fibromuscular renal artery dysplasia, and renal parenchymal diseases. We report    a case of hypertension in a young woman, whose study revealed an autoimmune    hyperthyroidism.</p>     <p><b>Case report:</b> A 19-year-old woman presented to her family physician with    palpitations, tachycardia (heart rate: 117bpm), and high blood pressure (mean    BP: 154/86mmHg) for one month. Anxiety, initial insomnia, irritability, and    polyphagia were also present. Physical examination confirmed the presence of    high blood pressure values (mean BP: 150/98mmHg) and tachycardia, as well as    palpation of diffuse, painless and symmetrical goiter without apparent nodules.    Considering the elevated blood pressure values at two different time points,    the diagnosis of arterial hypertension grade I was established, and the patient    was medicated with propranolol. Further exams confirmed the diagnosis of autoimmune    hyperthyroidism, microcytic and hypochromic anemia, and ultrasound features    suggestive of thyroiditis, as well as the presence of diffuse goiter with increased    uptake in thyroid scintigraphy, suggestive of Graves&rsquo; disease. The patient was    initially treated with methimazole 5mg bid, and referred to endocrinology consultation.    The treatment resulted in improved symptomatology, tensional stabilization,    and normalization of the thyroid function.&nbsp; </p>     <p><b>Discussion:</b> This case aims to illustrate the diagnostic and therapeutic    approach of hypertension in young adults, in a primary care setting. Hyperthyroidism    is a common cause of isolated systolic hypertension, and its timely diagnosis    and treatment can prevent the occurrence of complications, and influence prognosis.    To this end, it is essential to achieve an adequate collaboration between primary    and secondary care.</p>     <p><b>Keywords:</b> Hypertension; Secondary hypertension; Hyperthyroidism; Graves&rsquo;    disease; Young adult</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A hipertensão arterial (HTA) secundária resulta de uma causa identificável    e potencialmente tratável. Os dados epidemiológicos mais recentes apontam para    uma prevalência de hipertensão de 26,9% em Portugal, sendo mais elevada no sexo    feminino (29,5%) do que no sexo masculino (23,9%).<sup>1</sup> Não há dados    relativos à prevalência da hipertensão secundária em Portugal. Outros estudos    apontam para uma prevalência de HTA secundária que varia entre 5-10% dos casos    de HTA.<sup>2-4</sup> No entanto, dada a elevada prevalência de hipertensão,    é provável que seja uma situação frequentemente diagnosticada ao nível dos cuidados    de saúde primários, cujo diagnóstico e terapêutica atempadas podem influenciar    o prognóstico dos utentes.<sup>5-6</sup> </p>     <p>As últimas recomendações da <i>European Society of Hypertension/European Society    of Cardiology</i><sup>7</sup> sugerem que todos os doentes devem ser submetidos    a um rastreio simples para formas secundárias de hipertensão, baseado na história    clínica, exame físico e achados laboratoriais. Além disso, uma elevação severa    da pressão arterial, o início súbito ou agravamento da HTA, a má resposta à    terapêutica e lesões de órgão alvo desproporcionais à duração da HTA devem fazer    suspeitar de uma hipertensão secundária.<sup>7</sup> A norma de orientação clínica    da Direção-Geral da Saúde acrescenta ainda que deve ser feito um rastreio de    causas secundárias de HTA a indivíduos jovens (idade &lt; 40 anos). Sempre que    haja suspeição de HTA secundária preconiza-se o envio a serviço especializado.<sup>8</sup></p>     <p>As causas de HTA secundária mais frequentes variam consoante a faixa etária.<sup>6</sup>    Em adultos jovens (19-39 anos), as causas mais frequentes são as disfunções    tiroideias, a displasia fibromuscular da artéria renal e as doenças do parênquima    renal.<sup>3,6</sup></p>     <p>Relata-se um caso de uma utente jovem com valores tensionais elevados identificados    em ambulatório, em que o estudo de hipertensão secundária foi compatível com    o diagnóstico de hipertiroidismo de etiologia autoimune.</p>     <p><b>Descrição do caso</b></p>     <p>Utente do sexo feminino, 19 anos, raça caucasiana, solteira, estudante de curso    de Técnico Auxiliar de Saúde, residente em Braga. Pertence a uma família nuclear,    em fase VI do Ciclo de vida familiar de <i>Duvall. </i>Trata-se de uma família    de baixo risco, segundo as escalas de <i>Segovia-Dreyer</i> e <i>Garcia-Gonzalez</i>),    de classe de <i>Graffar</i> média-baixa (18 pontos) e APGAR familiar altamente    funcional (8 pontos). Sem antecedentes pessoais de relevo. Tem antecedentes    ginecológicos de menarca aos 11 anos, menstruação regular, mas abundante, e    dismenorreia medicada com contracetivo oral desde há quatro anos. Sem antecedentes    cirúrgicos, sem hábitos etílicos, de drogas ou tabágicos e sem alergias conhecidas.    Os antecedentes familiares estão representados no genograma, bem como a psicofigura    de<i> Mitchel</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v34n6/34n6a09f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A utente recorreu, em março de 2016, à Unidade de Saúde Familiar, no contexto    de uma consulta programada com a sua médica de família, por tonturas e palpitações    ocasionais, tendo objetivado em ambulatório valores de tensão arterial (TA)    persistentemente elevados, sobretudo da TA sistólica, e taquicardia (TA média:    154/86mmHg; frequência cardíaca (FC) média: 117bpm) com um mês de evolução.    Quando questionada referiu sentir mais ansiedade, irritabilidade e insónia inicial,    que associou a período de maior <i>stress</i> por ter iniciado recentemente    um estágio. Apesar de a doente ter negado outra sintomatologia, a mãe referiu    acessos vorazes de polifagia, aparentemente sem repercussão no peso.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na consulta objetivou-se palidez, peso de 74kg (IMC 24,7kg/m<sup>2</sup>),    perímetro abdominal de 89cm, TA média de 150/98mmHg (após três medições em ambos    os braços), bem como taquicardia (FC média de 114bpm). Uma vez que se constataram    valores tensionais elevados em duas ocasiões distintas (valores tensionais superiores    a 135/85mmHg em ambulatório e acima de 140/90mmHg no consultório) admitiu-se    o diagnóstico de HTA grau I.</p>     <p>Perante o quadro clínico já arrastado iniciou-se terapêutica com propranolol    em dose baixa (20mg/dia) e foi pedido estudo para possíveis causas de hipertensão    secundária. A utente foi aconselhada a monitorizar diariamente a tensão arterial    em casa e a trazer os registos na próxima consulta.</p>     <p>Um mês depois, a utente mantinha a mesma sintomatologia. Constatou-se ligeira    melhoria do perfil tensional e da FC; no entanto, a TA sistólica e a FC permaneciam    elevadas (TA média: 145/80mmHg, FC média: 102bpm). Objetivou-se ainda bócio    difuso, indolor e simétrico, sem nódulos aparentes - <i>cf.</i> os resultados    do estudo efetuado no <a href="#q1">Quadro I</a>. Analiticamente destaca-se    uma anemia microcítica e hipocrómica e TSH indoseável, tendo sido solicitado    estudo complementar. A dose de propranolol foi aumentada para 40mg/dia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v34n6/34n6a09q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em maio de 2016, a utente referiu melhoria das palpitações e valores tensionais    mais estáveis (TA média: 141/65mmHg, FC média: 97bpm). O estudo complementar    da anemia foi negativo; no entanto, confirmou-se um hipertiroidismo de etiologia    autoimune. Não obstante, a ecografia revelou &ldquo;tiroide de dimensões e topografia    normais, contornos regulares e ecoestrutura globalmente hipoecoica, heterogénea,    micronodular, altamente sugestiva de Tiroidite Linfocítica de <i>Hashimoto</i>&rdquo;,    achados não concordantes com a clínica nem com o exame físico da utente.</p>     <p>Perante o facto dos anticorpos estimuladores do recetor da TSH (TRABs) não    serem comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde, aliado à dissociação clínico-imagiológica,    efetuou-se contacto telefónico com o serviço de endocrinologia do hospital da    área de referenciação, que aconselhou investigação etiológica previamente ao    início do tratamento. Foi discutido com a utente a possibilidade de realizar    cintigrafia tiroideia em ambulatório, enquanto aguardaria consulta de endocrinologia,    que a utente concordou.</p>     <p>A cintigrafia tiroideia foi concordante com a clínica, demonstrando &ldquo;bócio    difuso com índice de captação muito aumentado, relacionado com hiperfunção muito    significativa da glândula, sugestivo de Doença de <i>Graves</i>&rdquo; (<a href="#q1">Quadro    I</a>). Foi iniciado metibasol 5mg 12/12h e manteve-se o propranolol na dose    de 40mg/dia.</p>     <p>Pelo genograma constatam-se antecedentes familiares de doença da tiroide (não    especificada) em dois familiares em 2º grau, bem como de hipertensão na mãe    (com início aos 35 anos) e no irmão (recentemente diagnosticada). Considerando    o risco hereditário do hipertiroidismo, o estudo foi alargado a estes familiares,    que foi negativo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enquanto aguardava consulta hospitalar, a utente foi contactada pela sua médica    de família para avaliação intermédia (outubro de 2016) e realização de estudo    analítico de controlo, tendo-se objetivado melhoria da sintomatologia - TA:    112/68mmHg, FC: 70bpm e normalização da função tiroideia (<a href="#q1">Quadro    I</a>). Optou-se pela manutenção do metibasol e ajuste de dose do propranolol    (20mg/dia). Uma vez atingido o controlo da HTA com medicação dirigida ao hipertiroidismo,    a HTA foi considerada como problema inativo.</p>     <p>Em março de 2017, no contexto da primeira consulta de endocrinologia, dada    a melhoria sintomática, o bom controlo tensional e da FC, foi suspenso o propranolol    e manteve o metibasol na mesma dose. Posteriormente confirmou-se a positividade    dos TRABs e o controlo da função tiroideia (<a href="#q1">Quadro I</a>), tendo    diminuído a dose de metibasol (2,5mg/dia).</p>     <p>Atualmente a utente permanece em seguimento em consulta hospitalar. </p>     <p><b>Comentário</b></p>     <p>O hipertiroidismo é uma causa comum de hipertensão sistólica isolada que ocorre    devido à diminuição da resistência vascular periférica e ao aumento do débito    e da frequência cardíaca.<sup>9</sup> Os estudos não são concordantes em relação    ao pico de incidência do hipertiroidismo; no entanto, a maioria aponta para    um máximo de incidência na faixa etária dos 20-40 anos. As causas mais frequentes    de hipertiroidismo são a doença de Graves (60-88%), seguida do bócio multinodular    tóxico (8-25%) e do nódulo tóxico (4-15%), sendo o sexo feminino o mais atingido.<sup>10</sup>    A doença de <i>Graves</i> é uma patologia autoimune, em que os linfócitos T    são sensíveis aos antigénios tiroideus e estimulam os linfócitos B a produzirem    anticorpos contra estes antigénios, nomeadamente os TRABs. Uma vez que nesta    patologia existe uma predisposição familiar (cerca de 15% dos doentes têm um    familiar com a mesma doença),<sup>10</sup> é importante a colheita de uma história    familiar detalhada.</p>     <p>A apresentação clínica mais frequente do hipertiroidismo inclui palpitações,    ansiedade, aumento da sudorese, diarreia, intolerância ao calor, insónia e,    habitualmente, perda ponderal com apetite normal ou aumentado. No entanto, a    repercussão no peso pode não ser notória devido à polifagia, como no caso apresentado.    As manifestações mais típicas são a taquicardia, arritmias, tremores e aumento    da TA sistólica. Os casos mais raros podem cursar com exoftalmia e dermopatia,    sobretudo na doença de <i>Graves,</i><sup>9-11</sup> bem como com envolvimento    respiratório, neurológico, neuromuscular, hematopoiético ou ao nível do sistema    reprodutivo.<sup>10</sup></p>     <p>No caso clínico descrito, a utente apresentava uma anemia ligeira microcítica    e hipocrómica, que poderia ser interpretada no contexto das menorragias, pelo    que foi solicitado estudo complementar que se revelou negativo. Assim, é mais    provável que estes achados sejam explicados pela própria doença de <i>Graves.</i>    Apesar de ser uma apresentação atípica da doença, a anemia pode surgir em 22%    dos casos de doença de <i>Graves.</i><sup>12</sup> Caracteristicamente, a «anemia    da doença de <i>Graves</i>» é normo ou, mais comummente, microcítica, com cinética    do ferro normal, podendo estar associada a trombo e a leucopenia.<sup>12</sup>    A patogénese permanece desconhecida; no entanto, pensa-se que pode estar relacionada    com o efeito do excesso das hormonas da tiroide na eritropoiese que, apesar    de estar aumentada, é ineficaz. É expectável a normalização do VGM e da concentração    de hemoglobina com o tratamento da doença de <i>Graves.</i><sup>12</sup></p>     <p>O diagnóstico de hipertiroidismo passa pelo doseamento da TSH (baixa ou indoseável)    e T4 livre (fração metabolicamente ativa) ou T3 livre aumentada. De referir    que a toma de anovulatórios pode simular um hipertiroidismo pelo aumento da    T3 e T4 totais, pelo que deve ser usado para diagnóstico o doseamento da T3    e T4 livres.<sup>10</sup> Além disso, a toma oral de estrogénios na dose de    30-35mcg pode ser também uma causa de hipertensão arterial;<sup>5</sup> no entanto,    neste caso seria pouco provável uma vez que a utente já toma o anticoncecional    há vários anos e não explicaria todo o quadro clínico.</p>     <p>A ecografia tiroideia permite documentar uma tiroidite e o diagnóstico diferencial    com bócio nodular tóxico, que requer outro tipo de abordagem e tratamento. A    positividade dos anticorpos antitiroideus documenta a etiologia autoimune da    doença, podendo estar elevada na doença de <i>Graves,</i> tiroidite de <i>Hashimoto,</i>    bem como na tiroidite subaguda.<sup>11</sup> Os anticorpos anti-TPO (antitireoperoxidase)    são os que se relacionam mais com a disfunção clínica da tiroide e a sua presença    está fortemente associada a inflamação linfocítica e lesão glandular. Geralmente    permanecem positivos mais tempo e são usados para definir a etiologia autoimune    da doença.<sup>13</sup> Os anticorpos anti-TG (antitireoglobulina) são menos    frequentes e o seu papel é menos claro. Os TRABs, apesar de não serem patognomónicos    de doença de Graves, uma vez que podem estar presentes também noutras tiroidites    autoimunes onde são anticorpos bloqueadores (e.g., 10% dos casos de tiroidite    de <i>Hashimoto</i>),<sup>13</sup> são altamente sugestivos da primeira (sensibilidade    &gt; 90%).<sup>11</sup> Além disso, os TRABs relacionam-se positivamente com    a gravidade da doença e permitem uma monitorização da terapêutica, uma vez que    níveis normais no final do tratamento indicam maior probabilidade de remissão.<sup>14</sup>    Embora um resultado positivo não revele se se tratam de anticorpos estimuladores    ou bloqueadores, aceita-se concluir que a sua presença num indivíduo com hipertiroidismo    seja diagnóstico de doença de <i>Graves.</i><sup>15</sup></p>     <p>No caso clínico apresentado, a ecografia tiroideia suscitou dúvidas na etiologia    do hipertiroidismo, indicando uma tiroide de dimensões normais e sugerindo a    hipótese &ldquo;altamente sugestiva de Tiroidite Linfocítica de <i>Hashimoto</i>&rdquo;.    Este resultado não é concordante com os achados clínicos de hipertiroidismo,    nem com a presença de bócio ao exame objetivo ou com os resultados analíticos    (nomeadamente a elevação mais notória da T3 livre comparativamente à T4 livre,    que é mais sugestiva de doença de <i>Graves</i>). Pela clínica e exame objetivo    apresentados seria expectável uma ecografia compatível com tiroidite e tiroide    aumentada de volume, a favor de doença de <i>Graves.</i> Estes dados incongruentes    podem ser explicados pela base etiopatogénica comum entre a tiroidite de <i>Hashimoto</i>    e a doença de <i>Graves,</i> ambas doenças autoimunes que se podem manifestar    por um largo espetro de alterações clínicas e laboratoriais, variando de hipo    a hipertiroidismo no mesmo doente e podendo evoluir de uma para a outra. A primeira,    ou tiroidite autoimune crónica, é a causa mais frequente de bócio e hipotiroidismo.    Apesar de poder haver alternância entre hiper e hipotiroidismo, é muito rara.    Clinicamente manifesta-se por um bócio firme, simétrico e indolor, anti-TPO    fortemente positivos em 90% casos, anti-TG positivos em 20-50% dos utentes,    TSH normal ou aumentada (muito raramente está diminuída). Ecograficamente, a    tiroide apresenta um padrão heterogéneo de predomínio hipoecogénico, com istmo    espessado.<sup>13</sup> Por outro lado, a doença de Graves cursa com clínica    de hipertiroidismo e bócio difuso e, mais raramente, com oftalmopatia e dermopatia    que, quando presentes, são suficientes para confirmar o diagnóstico,<sup>15</sup>    o que, pela sua ausência, dificultou o diagnóstico no caso apresentado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outra dificuldade no diagnóstico foi a ausência de comparticipação pelo Serviço    Nacional de Saúde do doseamento dos TRABs. Neste caso, após discussão com a    utente e com a endocrinologista, optou-se pela realização da cintigrafia tiroideia    em ambulatório, o que permitiu esclarecer as dúvidas diagnósticas e o início    do tratamento precoce. A cintigrafia tiroideia está indicada para esclarecimento    etiológico e diagnóstico diferencial entre doença de <i>Graves,</i> bócio nodular    tóxico ou tiroidite subaguda, que requerem diferentes abordagens terapêuticas.    Na doença de Graves constata-se um aumento difuso da captação de iodo,<sup>11,15</sup>    como se confirmou no caso descrito, no bócio nodular tóxico hiperfuncionante    uma captação localizada de iodo e na tiroidite subaguda habitualmente não se    verifica aumento da captação de iodo, uma vez que não ocorre aumento da síntese    das hormonas tiroideias - apenas um aumento da sua libertação e o tratamento    é apenas sintomático.<sup>16</sup></p>     <p>As potenciais consequências do hipertiroidismo não tratado são as arritmias    (nomeadamente fibrilhação auricular), hipertensão pulmonar, hipertrofia do ventrículo    esquerdo e insuficiência cardíaca.<sup>9</sup></p>     <p>O tratamento da doença de <i>Graves,</i> em primeira linha, passa pelo recurso    a fármacos antitiroideus (preferencialmente metibasol 5mg - exceto no primeiro    trimestre da gravidez - no máximo até 60mg/dia, dependendo da gravidade da doença)<sup>10</sup>    e beta-bloqueantes para controlo dos sintomas adrenérgicos (e.g., propranolol,    atenolol, bisoprolol) em utentes com FC em repouso &gt; 90bpm ou com doença    cardiovascular coexistente.<sup>11,14</sup> O utente deve ser alertado para    possíveis efeitos adversos da medicação, como <i>rash</i> pruriginoso, icterícia,    fezes acólicas, urina escura, artralgias, dor abdominal, náuseas, fadiga, febre    ou faringite.<sup>14</sup> Além disso, é aconselhável obter-se um hemograma    completo e função hepática prévios à introdução do tratamento pelo risco de    agranulocitose e dano hepático.<sup>17</sup> Por rotina, não está recomendado    o doseamento da fórmula leucocitária no <i>follow-up.</i><sup>14</sup> Em casos    refratários pode ser necessário tratamento com iodo radioativo ou cirurgia.<sup>10</sup></p>     <p>Os principais objetivos do tratamento são reduzir a TA sistólica, a FC e o    débito cardíaco.<sup>9</sup> No caso da doença de <i>Graves,</i> o tratamento    pode ser mantido durante 12 a 24 meses,<sup>10</sup> até o doente apresentar    função tiroideia normalizada (T4 livre normal - a TSH pode demorar meses a normalizar)    e título de TRABs negativo.<sup>11</sup> A taxa de remissão na doença de <i>Graves</i>    após terapêutica com antitiroideus é de 30-60%, mas nos jovens pode ser inferior    (15 a 30% ao fim de dois ou mais anos).<sup>10</sup> De realçar que nunca se    pode falar em cura, pois podem ocorrer recidivas.<sup>10</sup></p>     <p>Com este caso clínico pretende-se alertar para a pesquisa de causas secundárias    de hipertensão arterial no adulto jovem ao nível dos cuidados de saúde primários,    uma vez que o diagnóstico precoce diminui o risco de complicações e um tratamento    atempado permite um bom controlo da doença na maioria das situações. Para tal,    é fundamental uma boa articulação entre os cuidados de saúde primários e secundários.    Além disso, pretende-se fomentar o espírito crítico na interpretação dos exames    auxiliares de diagnóstico, que deve ser sempre enquadrado com a clínica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</B></p>     <!-- ref --><p>1. Macedo ME, Ferreira RC. A hipertensão arterial nos cuidados de saúde primários,    em Portugal: contributo para o conhecimento epidemiológico da população em 2013.    Rev Factores Risco. 2015;(36):47-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381697&pid=S2182-5173201800060000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Berglund G, Andersson O, Wilhelmsen L. Prevalence of primary and secondary    hypertension: studies in a random population sample. Br Med J. 1976;2(6035):554-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381699&pid=S2182-5173201800060000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Rudnick KV, Sackett DL, Hirst S, Holmes C. Hypertension in a family practice.    Can Med Assoc J. 1977;117(5):492-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381701&pid=S2182-5173201800060000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Omura M, Saito J, Yamaguchi K, Kakuta Y, Nishikawa T. Prospective study    on the prevalence of secondary hypertension among hypertensive patients visiting    a general outpatient clinic in Japan. Hypertens Res. 2004;27(3):193-202.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381703&pid=S2182-5173201800060000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Onusko E. Diagnosing secondary hypertension. Am Fam Physician. 2003;67(1):67-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381705&pid=S2182-5173201800060000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Viera AJ, Neutze DM. Diagnosis of secondary hypertension: an age-based approach.    Am Fam Physician. 2010;82(12):1471-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381707&pid=S2182-5173201800060000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Mancia G, Fagard R, Narkiewicz K, Redon J, Zanchetti A, Böhm M, et al. 2013    ESH/ESC guidelines for the management of arterial hypertension: the Task Force    for the Management of Arterial Hypertension of the European Society of Hypertension    (ESH) and of the European Society of Cardiology (ESC). Eur Heart J. 2013;34(28):2159-219.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381709&pid=S2182-5173201800060000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Direção-Geral da Saúde. Abordagem terapêutica da hipertensão arterial: norma    nº 026/2011, de 29/09/2011, atualizada a 19/03/2013. Lisboa: DGS; 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381711&pid=S2182-5173201800060000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Prisant LM, Gujral JS, Mulloy AL. Hyperthyroidism: a secondary cause of    isolated systolic hypertension. J Clin Hypertens. 2006;8(8):596-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381713&pid=S2182-5173201800060000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Galvão-Teles A, Garcia e Costa J, Jorge Z, Dias T. Hipertiroidismo/Tireotoxicose    [Internet]. Lisboa: Núcleo de Endocrinologia, Diabetes e Obesidade [cited 2016    May 29]. Available from: <a href="https://pt.scribd.com/document/301491766/Hipertiroidismo" target="_blank">https://pt.scribd.com/document/301491766/Hipertiroidismo</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381715&pid=S2182-5173201800060000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>11. Esteves C, Neves C. Tirotoxicose. Arq Med. 2013;27 Suppl:16-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381716&pid=S2182-5173201800060000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>12. Hegazi MO, Ahmed S. Atypical clinical manifestations of Graves&rsquo; disease:    an analysis in depth. 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<body><![CDATA[<!-- ref --><p>14. Bahn RS, Burch HB, Cooper DS, Garber JR, Greenlee MC, Klein I, et al. Hyperthyroidism    and other causes of thyrotoxicosis: management guidelines of the American Thyroid    Association and American Association of Clinical Endocrinologists. Endocr Pract.    2011;17(3):456-520.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381720&pid=S2182-5173201800060000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>15. Neves C, Alves M, Delgado JL, Medina JL. Doença de Graves [Graves&rsquo; disease].    Arq Med. 2008;22(4/5):137-46. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>16. Intenzo CM, Capuzzi DM, Jabbour S, Kim SM, dePapp AE. Scintigraphic features    of autoimmune thyroiditis. Radiographics. 2001;21(4):957-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381723&pid=S2182-5173201800060000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17. Burch HB, Cooper DS. Management of Graves disease: a review. JAMA. 2015;314(23):2544-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381725&pid=S2182-5173201800060000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Sandra Oliveira</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E-mail: <a href="mailto:sandrafeoliveira@gmail.com">sandrafeoliveira@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram não possuir quaisquer conflitos de interesse.</p>     <p><b>Financiamento</B></p>     <p>Os autores declaram não ter recebido qualquer financiamento para o desenvolvimento    do estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 02-06-2017</b></p>     <p><b>Aceite para publicação em 03-07-2018</b></p>      ]]></body><back>
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