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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></journal-title>
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<article-id>S2182-51732018000600010</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.32385/rpmgf.v34i6.12150</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mutilação genital feminina: uma prática antiga, um problema atual]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Female genital mutilation (FGM) comprises every procedure that includes removal or injury to the external genitalia for non-medical reasons. It is estimated to affect at least 200 million girls and women in 30 countries, mostly in Africa. In Portugal, it is especially relevant because of the existence of several immigrant communities from countries where this practice is common. It is a painful and traumatic experience, which results in serious health consequences. In legal terms, it is a public crime even if practiced outside of the country. This brief review brings attention to the management of the cases of FGM, which should be holistic and multidisciplinary, and articulated with other entities. It is important to be alert and informed to the identification and reporting of these cases, as well as to the prevention of these situations in generations to come. The holistic approach, the longitudinal monitoring, and the follow-up of the sociocultural and familiar context, characteristics inherent to family medicine, reinforce the significant role of the family doctor in these cases.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Mutilação genital feminina]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Saúde da mulher]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Female genital mutilation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Women’s health]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS BREVES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Mutilação genital feminina: uma prática antiga, um problema    atual</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Female genital mutilation: an ancient practice, a current    problem</b></font></p>     <p><b>Ana Margarida Magalhães Gomes,* Ana Rute Ferreira Marques,* Gema Ponce Revilla,*    Ana Maria Marques Raposo*</b></p>     <p>*USF Travessa da Saúde</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A mutilação genital feminina (MFem) inclui qualquer remoção ou dano dos genitais    externos por motivos não médicos. Estima-se que afete pelo menos 200 milhões    de raparigas e mulheres em trinta países, maioritariamente africanos. Em Portugal    assume especial relevância devido à existência de várias comunidades imigrantes    de países onde esta prática é comum. É uma experiência dolorosa e traumática,    com graves consequências para a saúde e constitui, em termos legais, crime público,    mesmo se praticada fora do país. Esta revisão breve alerta para a abordagem    dos casos de MFem, que deve ser integrada e multidisciplinar, em articulação    com outras entidades. É importante estar atento e informado para a deteção e    denúncia dos casos, bem como para a prevenção de novas situações em gerações    futuras. A abordagem holística, o acompanhamento longitudinal e a vigilância    do contexto sociocultural e familiar, características inerentes à medicina geral    e familiar, reforçam o papel preponderante do médico de família nestes casos.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Mutilação genital feminina; Saúde da mulher.</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Female genital mutilation (FGM) comprises every procedure that includes removal    or injury to the external genitalia for non-medical reasons. It is estimated    to affect at least 200 million girls and women in 30 countries, mostly in Africa.    In Portugal, it is especially relevant because of the existence of several immigrant    communities from countries where this practice is common. It is a painful and    traumatic experience, which results in serious health consequences. In legal    terms, it is a public crime even if practiced outside of the country. This brief    review brings attention to the management of the cases of FGM, which should    be holistic and multidisciplinary, and articulated with other entities. It is    important to be alert and informed to the identification and reporting of these    cases, as well as to the prevention of these situations in generations to come.    The holistic approach, the longitudinal monitoring, and the follow-up of the    sociocultural and familiar context, characteristics inherent to family medicine,    reinforce the significant role of the family doctor in these cases.</p>     <p><b>Keywords:</b> Female genital mutilation; Women’s health.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>     <p>A mutilação genital feminina (MFem) constitui um problema real e atual a nível    europeu,<sup>1-2</sup> que assume especial importância em Portugal pela existência    de várias comunidades imigrantes de países onde a MFem é comum.<sup>3-4</sup>    É um atentado grave à saúde física e psicológica da mulher<sup>1</sup> e, em    termos legais, constitui crime público, mesmo se praticada fora do país.<sup>4-5</sup></p>     <p>Esta breve revisão alerta para a abordagem destas situações, que deverá ser    integrada e multidisciplinar, desempenhando o médico de família um papel central.    É importante estar informado e alerta para a deteção e denúncia dos casos, bem    como para a prevenção da sua realização em gerações futuras.</p>     <p><b>Uma visão geral da problemática</b></p>     <p>A MFem inclui qualquer remoção ou dano dos genitais externos femininos por    razões não médicas.<sup>6</sup> Embora seja difícil esclarecer o número exato,    estima-se que em todo o mundo pelo menos 200 milhões de raparigas e mulheres    tenham sido submetidas a esta prática<sup>7</sup> e que anualmente cerca de    3 milhões estejam em risco.<sup>6</sup> Apesar de todos os esforços continuam    a reportar-se casos em cerca de trinta países, principalmente no Oeste, Este    e Nordeste de África e em alguns países da Ásia, Médio Oriente, América Central    e do Sul.<sup>6</sup> Tendo em conta o aumento dos fluxos migratórios, esta    é uma problemática também presente na América do Norte e Europa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente à realidade nacional, foram registados na Plataforma de Dados    de Saúde (PDS) 99 casos entre abril de 2014 e dezembro de 2015, todos eles introduzidos    na Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.<sup>3</sup> Adicionalmente, segundo    o estudo de avaliação de prevalência de MFem em Portugal, publicado em 2015,<sup>8</sup>    estima-se que o número de mulheres que poderá ter sido submetida à prática ronda    as 6.500, correspondendo a 49% das mulheres residentes em Portugal nascidas    em países onde a MFem é comum. A Guiné-Bissau é o país que mais contribui para    este valor (&#8776;90%), seguida da Guiné-Conacri (&#8776;3%) e do Senegal (&#8776;2%).    Constata-se que a maior parte desta população habita nos distritos de Lisboa    e Setúbal (84%).</p>     <p>A MFem é maioritariamente realizada entre os quatro e os dez anos, embora possa    ser praticada em crianças de outras idades, adolescentes ou mesmo adultos, como    preparação para o casamento.<sup>9</sup> Divide-se em quatro tipos:<sup>2</sup>  </p>     <p>a) Tipo 1 ou clitoridectomia: remoção parcial ou total do clítoris e, em casos    raros, apenas do prepúcio;</p>     <p>b) Tipo 2 ou excisão: remoção parcial ou total do clítoris e dos pequenos lábios,    com ou sem excisão dos grandes lábios;</p>     <p>c) Tipo 3 ou infibulação: estreitamento do introito vaginal através da criação    de uma membrana selante, pelo corte e aposição dos pequenos lábios e/ou dos    grandes lábios, com ou sem excisão do clítoris;</p>     <p>d) Tipo 4 ou atos não classificados: todas as outras intervenções nefastas    sobre os órgãos genitais femininos por motivos não médicos (e.g., punção, perfuração,    incisão, escarificação e cauterização da região genital).</p>     <p>Os motivos que levam a esta prática variam entre as diferentes comunidades    e ao longo do tempo, englobando múltiplos fatores, dos quais se destacam: pressão    social, preparação para o casamento, preservação da virgindade e fidelidade,    aumento do prazer sexual masculino e concomitante diminuição do prazer feminino,    manutenção da limpeza e beleza dos órgãos sexuais da mulher, tradição cultural    e religiosa.<sup>2,9</sup> Importa salientar que a MFem não está associada a    nenhuma religião em particular, tendo sido já documentada em diferentes comunidades    religiosas, incluindo cristãs, muçulmanas e judaicas.<sup>9</sup></p>     <p>Esta é uma experiência dolorosa e traumática, geralmente realizada com utensílios    rudimentares, sem condições de assepsia, pelos membros mais velhos da comunidade.<sup>2,4</sup>    Como tal, pode ter graves consequências para a saúde, sendo que os riscos aumentam    com a extensão do procedimento realizado.<sup>2</sup> Segundo a Organização    Mundial da Saúde (OMS),<sup>1-2</sup> as complicações podem dividir-se em imediatas    e a longo prazo, como é demonstrado no resumo apresentado no <a href="#q1">Quadro    I</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v34n6/34n6a10q1.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Apesar de haver ainda um grande caminho a percorrer na abolição da MFem, alguns    passos têm sido dados nos últimos anos, quer a nível europeu quer a nível mundial.</p>     <p>Desde 1997, ano em que a OMS, o Fundo das Nac&#807;o&#771;es Unidas para a    Infa&#770;ncia (UNICEF) e o Fundo das Nac&#807;o&#771;es Unidas para a Populac&#807;a&#771;o    (UNFPA) emitiram uma declaração conjunta sobre a MFem, grandes esforços têm    sido feitos para erradicar esta prática.<sup>6</sup> Inclusivamente foram criadas    novas leis contra a MFem em 26 países Africanos e do Médio Oriente, bem como    em 33 outros países com populações migrantes de locais onde a MFem é prática    comum.<sup>2</sup></p>     <p>Portugal foi um dos oito países a desenvolver um plano de ação nacional exclusivamente    dirigido à problemática da MFem, tendo sido publicado em 2009 o primeiro Programa    de ação para a eliminação da mutilação genital feminina,<sup>10</sup> e estando    atualmente em vigor o terceiro programa nesta área (2014-2017) que prevê o reforço    de algumas medidas essenciais para a erradicação da MFem, nomeadamente através    da formação e capacitação de profissionais de várias áreas, com programas específicos    para profissionais de saúde.<sup>11</sup></p>     <p>Assim, em Portugal tem-se assistido a uma aposta crescente na formação relativa    a este tema na área da saúde, com o objetivo de sensibilizar para o diagnóstico    e prevenção de novas ocorrências, bem como capacitar relativamente aos procedimentos    a tomar aquando da identificação de um novo caso. A publicação da Orientação    nº 005/2012, por parte da Direção-Geral da Saúde, veio intervir precisamente    nesse sentido. Para além disso, a criação da PDS, que permite registar a situação    de MFem num separador específico para as utentes do sexo feminino, trouxe a    possibilidade de obter e analisar mais dados relativamente à prevalência desta    prática em território nacional.<sup>3</sup></p>     <p>Apesar de todos estes avanços, a prevalência da mutilação ainda se mantém elevada    em alguns pontos do globo, revelando-se essencial a intensificação e aprimoramento    das medidas levadas a cabo nos últimos anos, de forma a tornar a eliminação    da MFem em gerações futuras uma realidade.<sup>6</sup></p>     <p>Na resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas 67/146,<sup>12</sup> a MFem    é reconhecida como &ldquo;um abuso irreparável e irreversível com impacto negativo    nos direitos humanos de mulheres e raparigas&rdquo;. Em Portugal, do ponto de vista    jurídico, a MFem encontra-se prevista e punida, qualificada e agravada no Código    Penal Português, nos artigos 144.º, 145.º e 147.º, relativos à ofensa à integridade    física. É considerada crime público, mesmo que seja praticada fora do território    nacional.<sup>5</sup></p>     <p>Assim, é de extrema importância referenciar e denunciar os casos de MFem. A    Orientação da Direção-Geral da Saúde já referida<sup>4</sup> menciona que cada    Agrupamento de Centros de Saúde e Unidade Hospitalar deve organizar uma resposta    a estas situações. Esta orientação remete para o Guia prático de abordagem,    diagnóstico e intervenção - maus tratos em crianças e jovens,<sup>13</sup> que    tipifica a abordagem geral a adotar em situações de maus tratos. Segundo este    documento, os objetivos da intervenção do profissional de saúde deverão ser:    a) proteger a criança/jovem; b) intervir no risco para prevenir evolução para    o perigo; c) evitar a recorrência. Relativamente aos conceitos de risco e perigo,    esclarece-se que o risco diz respeito à vulnerabilidade da criança/jovem vir    a sofrer de maus tratos e o perigo corresponde à objetivação do risco, sendo    que as situações de perigo se encontram particularizadas na Lei de Proteção    de Crianças e Jovens em Perigo.</p>     <p>No guia supracitado e na Orientação nº 005/2012 referida existem múltiplos    fluxogramas que podem servir de orientação para os profissionais de saúde e    que se encontram sumarizados na <a href="/img/revistas/rpmgf/v34n6/34n6a10f1.jpg" target="_blank">Figura    1</a>.</p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a href="/img/revistas/rpmgf/v34n6/34n6a10f1.jpg" target="_blank"><img src="/img/revistas/rpmgf/v34n6/34n6a10f1.jpg" width="300" height="167"/><br />   (clique para ampliar ! click to enlarge)</a></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como é retratado neste fluxograma, é importante distinguir entre uma situação    urgente e não urgente. Em caso de situação urgente é ativado o procedimento    de urgência e o caso deverá ser encaminhado para o Ministério Público, solicitando-se    a colaboração policial, informando a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens    (caso esta já esteja a acompanhar o processo) e sinalizando ao Núcleo de Apoio    a Crianças e Jovens em Risco.</p>     <p>Desta forma, todos os profissionais de saúde devem estar informados e alerta    para detetar os casos de MFem e, simultaneamente, aptos a identificar e denunciar    situações de risco/perigo. Nos cuidados de saúde primários, a possibilidade    de detetar casos de MFem existe em qualquer consulta ou atividade, assumindo    o médico de família um papel preponderante no diagnóstico, abordagem e prevenção    desta prática em gerações futuras.<sup>4</sup> A perspetiva holística do doente,    tão enraizada na intervenção do médico de família, permite a possibilidade de    questionar quanto à prática as mulheres oriundas ou ligadas a países onde a    MFem é comum, reforçando sempre a empatia, confiança e confidencialidade e utilizando    termos culturalmente aceites (e.g., «fanado»). Permite também abordar a questão    das complicações físicas e psicológicas resultantes da mesma, constituindo uma    boa oportunidade para explicar a anatomia dos genitais femininos.</p>     <p>O acompanhamento longitudinal assegurado pela medicina geral e familiar permite    a avaliação das repercussões a curto e longo prazo nas mulheres que foram submetidas    a MFem, devendo ser assegurado o seu adequado planeamento familiar. Não deve    também ser descurada a observação ginecológica dos genitais externos das descendentes.    Importa salientar que a interpretação da anatomia pode ser difícil e requer    um exame atento.</p>     <p>A vigilância do contexto sociocultural e familiar, outra das características    inerentes ao trabalho do médico de família, reveste-se de especial importância    durante a gravidez e no pós-parto, onde é particularmente importante perceber    a posição dos pais relativamente à MFem. A abordagem deve ser feita evitando    a emissão de juízos de valor, mas desmotivando a prática e informando acerca    das implicações jurídicas, mesmo se praticada no estrangeiro. Para além disso,    é ainda importante envolver a comunidade e sensibilizar para a prevenção da    MFem, bem como acompanhar de perto os planos familiares, nomeadamente no que    diz respeito a viagens ao país de origem ou visitas de parentes ao atual país    de residência.</p>     <p><b>Conclusão</b></p>     <p>Concluindo: é fundamental estar consciente da existência da MFem, que não é    exclusiva de países africanos e ter conhecimento dos procedimentos a seguir    para uma correta referenciação e acompanhamento, contribuindo, desta forma,    para a erradicação de uma prática que constitui crime e atentado aos direitos    da mulher.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</B></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1. World Health Organization. WHO guidelines on the management of health complications    from female genital mutilation. Geneva: WHO; 2016. ISBN 9789241549646&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381810&pid=S2182-5173201800060001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. World Health Organization. Female genital mutilation: key facts [homepage].    Geneva: WHO; 2018. Available from: <a href="http://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/female-genital-mutilation" target="_blank">http://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/female-genital-mutilation</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381811&pid=S2182-5173201800060001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Direção-Geral da Saúde. Mutilação genital feminina: análise dos casos registados    em 2014 e 2015 (Informação da Direção-Geral da Saúde nº 002/2016, de 18/03/2016).    Lisboa: DGS; 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381813&pid=S2182-5173201800060001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Direção-Geral da Saúde. Mutilação genital feminina: orientação nº 005/2012,    de 06/02/2012, atualização em 22/03/2012. Lisboa: DGS; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381815&pid=S2182-5173201800060001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Escola de Polícia Judiciária. Mutilação genital feminina: guia de procedimentos    para órgãos de polícia criminal [Internet]. Loures: Escola de Polícia Judiciária;    2012. Available from: <a href="https://www.cig.gov.pt/siic/2015/01/mutilacao-genital-feminina-guia-de-procedimentos-para-orgaos-de-policia-criminal/" target="_blank">https://www.cig.gov.pt/siic/2015/01/mutilacao-genital-feminina-guia-de-procedimentos-para-orgaos-de-policia-criminal/</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381817&pid=S2182-5173201800060001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>6. OHCHR, UNAIDS, UNDP, UNECA, UNESCO, UNFPA, et al. Eliminating female genital    mutilation: an interagency statement. Geneva: WHO; 2008. ISBN 9789241596442&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381818&pid=S2182-5173201800060001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>7. UNICEF. Female genital mutilation/cutting: a global concern [Internet].    Washington: UNICEF; 2016. Available from: <a href="https://www.unicef.org/media/files/FGMC_2016_brochure_final_UNICEF_SPREAD.pdf" target="_blank">https://www.unicef.org/media/files/FGMC_2016_brochure_final_UNICEF_SPREAD.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381819&pid=S2182-5173201800060001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>8. Lisboa M, Cerejo D, Teixeira AL, Santana R, Luís AA, Teixeira AB, et al.    Mutilação genital feminina: prevalências, dinâmicas socioculturais e recomendações    para a sua eliminação. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade    Nova de lisboa; 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381820&pid=S2182-5173201800060001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Committee on Bioethics, Davis DS. Ritual genital cutting of female minors.    Pediatrics. 2010;125(5):1088-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381822&pid=S2182-5173201800060001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>10. European Institute for Gender Equality. Current situation of female genital    mutilation in Portugal [Internet]. Vilnius: EIGE; 2013. Available from: <a href="https://eige.europa.eu/rdc/eige-publications/current-situation-and-trends-female-genital-mutilation-portugal" target="_blank">https://eige.europa.eu/rdc/eige-publications/current-situation-and-trends-female-genital-mutilation-portugal</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381824&pid=S2182-5173201800060001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>11. Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. III Programa de ação para    a prevenção e eliminação da mutilação genital feminina 2014-2017: resolução    do Conselho de Ministros n.º 102/2013, de 31 de dezembro. Lisboa: CIG; 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381825&pid=S2182-5173201800060001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. UNFPA. General assembly: intensifying global efforts for the elimination    of female genital mutilations (Resolution no. A/C.3/67/L.21/Rev.1) [Internet].    Washington: United Nations; 2012. Available from: <a href="https://www.unfpa.org/resources/general-assembly-intensifying-global-efforts-elimination-female-genital-mutilations" target="_blank">https://www.unfpa.org/resources/general-assembly-intensifying-global-efforts-elimination-female-genital-mutilations</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381827&pid=S2182-5173201800060001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>13. Menezes B, Leça A, Perdigão A, Laranjeira AR, Velez C, Veloso C, et al.    Maus tratos em crianças e jovens: guia prático de abordagem, diagnóstico e intervenção.    Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381828&pid=S2182-5173201800060001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Ana Margarida Magalhães Gomes</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:ana_gomes_sps@hotmail.com">ana_gomes_sps@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</B></p>     <p>Os autores declaram não ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 20-07-2017</b></p>     <p><b>Aceite para publicação em 13-09-2018</b></p>     ]]></body>
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