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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estudantes de medicina como colaboradores na investigação em centros de saúde]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Research in family medicine is acknowledged to be important. In the research agenda of family medicine, observational studies can be very useful. Traditionally, observational research has been based on clinical notes, and its limitations are frequently discussed. One of the obstacles to observational research in family medicine is the privacy of the appointment, besides the fact that it is not easy for the family physician to carry out research within the appointment time. Thus, this work presents a methodology described as a ‘gold standard’ in studies on the content of professions, based on the use of external observers, and named time-and-motion technique. Its practical usefulness has been demonstrated in a pioneering study carried out on Portuguese family physicians, which involved medical students as research collaborators performing data collection during the consultation. Collaboration allows students to have early contact with family medicine and with an innovative technology.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Investigação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Estudos de tempo-e-movimento]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Family practice]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>FORMAÇÃO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Estudantes de medicina como colaboradores na investigação    em centros de saúde</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Medical students as research collaborators in primary healthcare    care centers</b></font></p>     <p><b>Luís Filipe Cavadas,<sup>1</sup> Carla Ponte,<sup>2</sup> Mónica Granja<sup>3</sup></b></p>     <p>1. USF Lagoa, ULS Matosinhos</p>     <p>2. USF Porta do Sol, ULS Matosinhos</p>     <p>3. CS de São Mamede Infesta, ULS Matosinhos</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A investigação em medicina geral e familiar (MGF) é reconhecidamente importante.    Na agenda de investigação em MGF, os estudos observacionais podem ser muito    úteis. Tradicionalmente, a investigação observacional tem-se baseado em registos,    sendo frequentemente discutidas as várias limitações dos mesmos. Um dos obstáculos    à investigação observacional em MGF é a privacidade da consulta, além de que    para o médico de família (MF) não é fácil investigar ao mesmo tempo que consulta.    Apresenta-se, assim, uma metodologia descrita como «padrão-ouro» em estudos    sobre o conteúdo das profissões, que se baseia no recurso a observadores externos,    técnica denominada de tempo-e-movimento. Mostra-se a sua aplicabilidade prática    num estudo pioneiro realizado sobre os MF portugueses e que envolveu os estudantes    de medicina como colaboradores na colheita dos dados durante a consulta. Colaborar    permite aos estudantes o contacto precoce com a investigação em MGF e com uma    metodologia inovadora.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Investigação; Estudos de tempo-e-movimento; Educação    médica; Medicina geral e familiar.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b> </p>     <p>Research in family medicine is acknowledged to be important. In the research    agenda of family medicine, observational studies can be very useful. Traditionally,    observational research has been based on clinical notes, and its limitations    are frequently discussed. One of the obstacles to observational research in    family medicine is the privacy of the appointment, besides the fact that it    is not easy for the family physician to carry out research within the appointment    time. Thus, this work presents a methodology described as a ‘gold standard’    in studies on the content of professions, based on the use of external observers,    and named time-and-motion technique. Its practical usefulness has been demonstrated    in a pioneering study carried out on Portuguese family physicians, which involved    medical students as research collaborators performing data collection during    the consultation. Collaboration allows students to have early contact with family    medicine and with an innovative technology.</p>     <p><b>Keywords:</b> Research; Time and motion studies; Medical education; Family    practice.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Contextualização</b></p>     <p>Sendo a maior parte dos cuidados de saúde prestados em contexto de medicina    geral e familiar (MGF), a evidência que sustenta essa prática deve ser mais    vezes gerada no mesmo contexto (em detrimento dos hospitais e dos laboratórios).    No entanto, escasseiam os estudos que reflitam a natureza e os problemas da    MGF.<sup>1</sup> A investigação em MGF é também essencial à sua afirmação académica    e à atração de médicos para a especialidade.<sup>2</sup></p>     <p>A agenda europeia de investigação em MGF e cuidados de saúde primários aponta    como prioritários estudos sobre competências básicas da MGF, como os cuidados    centrados na pessoa e a abordagem abrangente e holística.<sup>1</sup> Concretamente,    são sugeridos estudos sobre a coordenação de cuidados, a organização do acesso,    as consultas telefónicas, a validade dos registos clínicos, a abordagem centrada    na pessoa, a multimorbilidade e o lidar com a incerteza. Esta agenda refere    que os estudos observacionais podem ser muito úteis. Tradicionalmente a investigação    observacional tem-se baseado em registos, sendo frequentemente discutidas as    várias limitações dos mesmos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dos obstáculos à investigação observacional em MGF é a privacidade da consulta.    A consulta é um encontro pessoal médico-utente dentro do espaço privado do consultório    e assume em MGF uma preponderância superior. Noutras especialidades, a relação    é habitualmente menos personalizada e os cuidados estendem-se do consultório    a espaços menos privados, como enfermarias e blocos operatórios. Ao médico de    família (MF) não é fácil investigar ao mesmo tempo que consulta. Também não    é fácil permitir que terceiros invadam este espaço como observadores para investigar.</p>     <p>Estudos sobre a consulta de MGF que usaram investigadores como observadores    externos indicaram taxas de resposta dos médicos a observar de 69 a 79%.<sup>3-4</sup>    Estudos que pediram aos médicos em estudo que autorreportassem os seus dados    encontraram taxas de resposta de 28 a 73%.<sup>5-7</sup></p>     <p>A técnica de tempo-e-movimento é a metodologia descrita como&nbsp;«padrão-ouro»&nbsp;em&nbsp;estudos    sobre o conteúdo funcional das profissões e sobre os respetivos fluxos de trabalho    e assenta sobre o recurso a observadores externos que, durante o período do    estudo, acompanham cada profissional nas suas tarefas, mantendo com este um    mínimo de interação (apenas o necessário a eventuais esclarecimentos sobre a    natureza das tarefas) e registando cada tarefa e o tempo nela despendido.<sup>8-10</sup>    A técnica tempo-e-movimento tem a vantagem de colher dados diretamente no terreno    e de contornar o viés de informação presente da colheita pelo próprio profissional.    Métodos alternativos, como o preenchimento de grelhas pelos participantes, o    fornecimento de estimativas no final do período de trabalho ou mesmo a observação    direta por amostragem, mostraram desvios importantes face à técnica tempo-e-movimento.<sup>8,10</sup>    Como limitações, além do seu custo em recursos humanos, são apontados o efeito    <i>Hawthorne</i> (efeito de alteração da prática pelo facto de essa prática    estar a ser observada) e, no trabalho médico, as questões éticas decorrentes    da introdução de um elemento estranho na consulta.</p>     <p>Em estudos sobre médicos, o recurso a estudantes de medicina como observadores    externos é uma solução que tem sido adotada.<sup>11-12</sup> A colaboração de    um estudante numa investigação como observador externo tem o potencial de enriquecer    o estágio e o seu currículo. Os estudantes são observadores sem custos, permitindo    o estudo de amostras alargadas de médicos. Se previamente ao estudo os estudantes    já estiverem integrados na consulta, o efeito <i>Hawthorne</i> será minimizado.    Por fim, as questões éticas levantadas pela presença dos estudantes na consulta    são as habituais nas unidades de saúde que habitualmente colaboram no ensino    médico.</p>     <p>Os estudantes de medicina, a quem se vêm recomendando períodos cada vez maiores    de formação no terreno da MGF, surgem, assim, como colaboradores privilegiados    na colheita de dados em projetos de investigação sobre o trabalho dos MF e,    em particular, sobre os aspetos da consulta de MGF.</p>     <p>Um estudo recentemente realizado em Portugal contou com a colaboração voluntária    de estudantes de medicina e de internos de MGF como observadores externos.<sup>13</sup>    Visto que não foram encontrados na literatura artigos referindo a taxa de recrutamento    de estudantes nem de internos com este fim, os investigadores aspiravam uma    taxa de recrutamento de colaboradores na ordem dos 50%. No entanto, a taxa atingida    ficou muito aquém do esperado, verificando-se diferenças importantes nas taxas    de sucesso no recrutamento entre estudantes (15,8%) e internos (4,2%) e entre    escolas diferentes (taxa mínima de 4,2% e máxima de 31,9%). Apresentam-se, assim,    em detalhe os métodos e os resultados do recrutamento de estudantes de medicina    como colaboradores, com vista a que futuros estudos possam estimar taxas de    recrutamento mais reais e otimizar a sua metodologia de recrutamento. O recrutamento    de internos de MGF como colaboradores não será abordado neste artigo.</p>     <p><b>Resumo do estudo</b></p>     <p>Com o objetivo de conhecer as tarefas para além da consulta realizadas pelos    MF em Portugal e quantificar o tempo com elas despendido realizou-se um estudo    transversal multicêntrico. Obteve-se uma amostra de conveniência dos MF que,    em 2012, acolheram os estudantes de medicina ou orientaram os internos do 1º    ano de MGF e que se voluntariaram para colaborar na colheita dos dados. Foram    incluídos no estudo 155 MF, observados por 135 estudantes e 18 internos (respetivamente,    15,2% e 4,2% dos convidados a colaborar).</p>     <p><b>Processo de recrutamento</b></p>     <p>Os departamentos de MGF das oito faculdades de medicina portuguesas foram contactados    pelos investigadores solicitando-se colaboração no recrutamento de estudantes    como colaboradores na colheita de dados. Aceitaram cooperar sete das oito faculdades    de medicina portuguesas (uma escola médica não respondeu a sucessivos contactos).    Foram inicialmente convidados a colaborar no estudo os estudantes dos dois últimos    anos do mestrado integrado de medicina que realizassem valências ou estágios    em centros de saúde (CS) entre janeiro e junho de 2012. Tendo a taxa inicial    de recrutamento sido inferior à esperada, o período de recolha de dados foi    prolongado até 31 de dezembro de 2012 nas três faculdades com maior taxa de    recrutamento e com estudantes em estágio em CS nesse período: Instituto de Ciências    Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS), Faculdade de Ciências    Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM) e mestrado integrado de medicina    da Universidade do Algarve (UAlg).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A forma de abordagem aos estudantes, presencial ou por <i>e-mail,</i> foi acordada    individualmente com cada faculdade (<a href="#q1">Quadro I</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v34n6/34n6a12q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Particularizando por faculdade:</b></p>     <p><b>Escola de Medicina da Universidade do Minho (EMUM). </b>Foi feita uma única    apresentação (pela investigadora MG) a um conjunto de estudantes que em simultâneo    iniciavam residência em CS. O estudante delegado de ano disponibilizou-se como    interlocutor e posteriormente enviou a listagem de colegas que se voluntariaram.    Ao <i>kit</i> de participação padrão foi adicionada uma carta de um dos professores    desta escola médica apresentando o estudo e dirigida ao MF tutor do estudante.</p>     <p><b>Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM). </b>Sete    turmas do 6º ano com cerca de vinte e dois estudantes cada realizaram ao longo    do ano estágios em CS. Os contactos de <i>e-mail</i> dos estudantes de cada    turma foram disponibilizados aos investigadores, assim como a designação do    delegado de cada turma. Cerca de uma semana antes do início da valência era    enviado um primeiro<i> e-mail</i> ao estudante delegado de turma, apresentando    o estudo e pedindo confirmação dos endereços de <i>e-mail</i> dos restantes    colegas de turma. A participação no estudo foi encorajada pela responsável do    departamento de MGF nesta faculdade, mediante carta de motivação publicada na    página do ano e mediante a integração da participação como tarefa opcional alternativa    a uma das tarefas obrigatórias do estágio, já que esta atividade se incluía    dentro dos objetivos de aprendizagem para o estágio. Nas últimas turmas começou    a registar-se saturação de tutores, que se iam repetindo em estudantes recrutados    em turmas anteriores, sendo que, quando tal se antecipava, alguns estudantes    já não eram convidados.</p>     <p><b>Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (UBI).</b>    Foi feita uma única apresentação (pela investigadora CP) no final de uma sessão    sobre investigação destinada a todos os estudantes e doutorandos da faculdade.    Estimava-se recrutar um máximo de cinquenta e sete estudantes que iniciavam    residência em MGF em janeiro e março de 2012. Posteriormente foram disponibilizados    aos investigadores os contactos de <i>e-mail</i> dos estudantes e os contactos    dos orientadores das unidades onde estes iriam ser colocados. Foi estabelecido    contacto por <i>e-mail</i> com os estudantes e orientadores, explicando os objetivos    do trabalho e pedindo a respetiva colaboração.</p>     <p><b>Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC). </b>Foi feita uma    apresentação presencial aos cinquenta e cinco estudantes da primeira turma que    iniciou estágio em CS (pela investigadora MG). Dada a baixa taxa de recrutamento    (8/55) da primeira apresentação presencial optou-se por fazer o convite por    <i>e-mail</i> aos estudantes das duas turmas restantes.</p>     <p><b>Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa</b> (FMUL). Foi feita apresentação    e convite por <i>e-mail</i> a quatro turmas de cerca de sessenta e quatro alunos    cada, na semana anterior ao início do estágio em MGF. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS).</b>    Foram feitas apresentações presenciais a cada uma de quatro turmas (com trinta    a quarenta alunos cada) que iniciavam estágio em CS, apresentações feitas pelos    três investigadores.</p>     <p><b>Mestrado integrado de medicina da Universidade do Algarve (UAlg).</b> O    estudo e o convite à colaboração foram apresentados por <i>e-mail</i> aos estudantes    de cada turma do 2º e 3º anos antes de iniciarem o estágio em CS.</p>     <p>A apresentação presencial era feita nas escolas médicas, geralmente no intervalo    de uma aula teórica/seminário de MGF e tinha uma duração entre cinco e dez minutos.    Consistia na distribuição de um texto-convite e na descrição do estudo e do    conteúdo da colaboração pretendida, com uma grelha de colheita de dados pré-preenchida    no estudo piloto. Havia também oportunidade para o esclarecimento de dúvidas    dos estudantes. Estes podiam voluntariar-se desde logo, indicando o seu contacto    de <i>e-mail </i>ou posteriormente contactar os investigadores por <i>e-mail.</i></p>     <p>Na apresentação por <i>e-mail</i> era enviado o texto-convite e os estudantes    que se mostrassem disponíveis recebiam a restante informação também por <i>e-mail.</i>    Os respetivos tutores eram então contactados pelos investigadores (telefone    ou <i>e-mail</i>) e convidados a participar no estudo.</p>     <p>Um <i>kit</i> de participação em papel era disponibilizado (na faculdade ou    por correio postal) a todos os que se voluntariassem para colaborar. Este <i>kit</i>    incluía: guião com instruções detalhadas e os contactos dos investigadores;    declaração de autorização do estudante para ser citado como colaborador; listagem    descritiva das tarefas; grelha para registo de dados sociodemográficos e profissionais;    grelha para registo de tarefas e tempo despendido; modelo de consentimento informado    (em duplicado) para os médicos a observar; questionário de satisfação no trabalho    também para os médicos a observar; envelope pré-selado para devolução dos dados    (exceto aos estudantes do ICBAS, EMUM e FCM, cuja faculdade assumiu a recolha    dos conjuntos de dados e a sua entrega aos investigadores).</p>     <p>O convite de participação a cada MF designado para orientar os estudantes colaboradores    da colheita de dados foi feito por telefone ou por <i>e-mail</i> por um dos    investigadores. Alguns estudantes tomaram a iniciativa de convidar os respetivos    tutores. Aos MF que mostraram disponibilidade em participar foi disponibilizado    o protocolo do estudo e, após confirmação da participação, pedida a assinatura    de um modelo de consentimento informado.</p>     <p>Os observadores externos colheram dados sobre as tarefas que os MF realizam    fora da consulta e o tempo nelas despendido recorrendo à técnica de tempo-e-movimento.    Os dados foram registados numa grelha (<a href="#a1">Anexo I</a><a name="topa1"></a>),    elaborada a partir dos estudos realizados nos EUA<sup>11-12</sup> e adaptada    à realidade portuguesa a partir do estudo exploratório realizado em Portugal    em 2010.<sup>5</sup> Nesta grelha foi registada, em tempo real, a hora de início    e de fim de cada tarefa, usando relógio digital (do estudante ou do computador    do consultório), com aproximação ao minuto. Os estudantes colheram ainda dados    como o número de consultas e de contactos não presenciais, o grau de tipicidade    do dia percebido pelos MF e a caracterização demográfica e profissional dos    MF (<a href="#a2">Anexo II</a><a name="topa2"></a>).</p>     <p>Para a colheita dos dados cada MF escolheu, em conjunto com o estudante, dois    dias úteis de trabalho, preferencial mas não obrigatoriamente consecutivos,    de modo a, sempre que possível, evitar incluir duas vezes o mesmo dia da semana    e idealmente incluir um mínimo de 14 horas totais de trabalho na unidade de    saúde.</p>     <p>Para minimizar os vieses inerentes à colheita de dados por múltiplos observadores,    para além das sessões de apresentação, presenciais sempre que possível, e do    guião em papel distribuído a todos os estudantes, foram disponibilizados contactos    personalizados (<i>e-mail</i> e telemóvel) dos investigadores para esclarecimento    de dúvidas em tempo real. Foi ainda pedido que a colheita de dados fosse feita    sensivelmente a meio do estágio do estudante para que o papel de observador    externo pudesse ser diluído no de estudante, minimizando o «efeito <i>Hawthorne</i>».    Além disso, a análise dos dados colhidos, incluindo classificação/categorização    das tarefas, foi feita em duplicado e em separado por dois dos investigadores<a href="#1"><sup>[*]</sup></a><a name="top1"></a>.    A categorização das tarefas foi harmonizada previamente à análise sendo as situações    duvidosas consensualizadas postumamente. Os conjuntos de dados com perdas reportadas    pelo estudante iguais ou superiores a 50% do tempo observado foram excluídos.    A metodologia do trabalho é descrita em detalhe no artigo publicado.<sup>13</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discussão</b></p>     <p>A dimensão da amostra em estudo resultou inferior à esperada, por um lado,    devido à dificuldade em recrutar estudantes para a colheita de dados; e, por    outro, a alguma saturação dos MF tutores, verificada à medida que o estudo avançava    no tempo - algumas faculdades enviam os estudantes para estágio em CS distribuídos    por várias pequenas turmas, várias vezes no ano e sempre para os mesmos MF tutores.    Havendo também expectativa de uma maior taxa de recrutamento de colaboradores,    esta saturação progressiva dos MF tutores não foi prevista no delineamento do    estudo e limitou a utilidade do prolongamento do período de recrutamento.</p>     <p>Quando se analisa o <a href="#q1">Quadro I</a> com as diferentes taxas de recrutamento    de estudantes por faculdade observa-se que a FCM, ICBAS, EMUM e UAlg são as    que apresentam valores superiores; nestas registou-se articulação por <i>e-mail</i>    ou presencial, havendo uma articulação com a escola, que poderá ser um fator    facilitador. Além disso, a capacidade dos responsáveis pelo ensino apresentarem    a investigação como um objetivo educacional será o maior motivador para a participação    nos trabalhos de investigação.</p>     <p>O facto de haver uma apresentação presencial poderia ser encarada como essencial    para uma maior sensibilização para o tema e para a investigação em si; no entanto,    verifica-se que na FCM não foi realizada essa abordagem presencial, tendo sido    a faculdade com melhores resultados em termos de taxa de recrutamento.</p>     <p>Neste estudo notou-se maior participação nas faculdades em que houve maior    acompanhamento por parte dos respetivos responsáveis do ensino de MGF. Este    acompanhamento, a par do maior contacto com metodologias de investigação, com    apresentação da mesma como parte integrante da prática do MF, pode ser gerador    de motivação nos estudantes.</p>     <p>Outros fatores que podem influenciar a participação dos estudantes nos estudos    de investigação, além das metodologias de recrutamento, são vários: a disponibilidade    pessoal, o interesse pela área de investigação, a organização dos estágios com    duração muito curta (o que pode impossibilitar o desenvolvimento de trabalhos    que impliquem algum tempo de permanência no estágio de MGF), o contacto prévio    com MGF e, o contacto com metodologias de investigação, entre outros.</p>     <p>A colheita de dados por múltiplos observadores pode introduzir importantes    vieses interobservador. No entanto, sendo a observação externa o método de eleição    para colheita de dados em estudos sobre o conteúdo e características do trabalho,<sup>10</sup>    o viés interobservador é um viés incontornável sempre que se pretender estudar    uma amostra alargada de médicos dispersos por várias regiões do país. Além disso,    este viés pode ser incluído no plano de minimização de vieses, como pormenorizado    no artigo publicado.<sup>13</sup></p>     <p>Amostras de MF tutores não são totalmente representativas da generalidade dos    MF que trabalham em Portugal, mas têm o valor acrescentado de representar os    MF que são modelos das futuras gerações de médicos.</p>     <p>Em estudos futuros, recorrendo a estudantes de medicina como observadores externos,    será de investir na colaboração de todas as faculdades de medicina (no presente    estudo não houve colaboração de uma), na prevenção da saturação de tutores e    na adoção, por parte das faculdades, de metodologias de recrutamento semelhantes    às que resultaram em melhores taxas (FCM, ICBAS, EMUM e UAlg).</p>     <p>Será necessário a apresentação do estudo às faculdades e a articulação com    os responsáveis de ensino e representantes dos estudantes, envolvendo-os neste    processo. Se estes reconhecerem a importância do estudo serão uma ponte relevante    para o sucesso do recrutamento de voluntários para participação no mesmo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Será importante aproveitar as vantagens da intervenção não presencial, através    da comunicação por <i>e-mail,</i> com as vantagens inerentes de ganho de tempo    e custos com deslocações. Mas, nesse caso, será importante ter um elo de ligação    ou uma pessoa que divulgue o trabalho e faça a ponte com os investigadores.  </p>     <p>Crucial será também a garantia de que serão consideradas as questões éticas    inerentes à participação dos estudantes em trabalhos de investigação, nomeadamente    a sua participação voluntária, assim como a capacidade dos mesmos avaliarem    os riscos e benefícios da sua participação - tem sido alvo de reflexão que os    estudantes devem ser elucidados relativamente à possível influência do trabalho    sobre os seus objetivos académicos e de formação.<sup>14-15</sup></p>     <p>Para uma melhor adesão dos estudantes em futuros estudos, também pode ser importante    conhecer as suas motivações para integrar um estudo de investigação. Este estudo    revela-nos dados que podem estar relacionados com a motivação transmitida pelos    professores e pela própria filosofia das faculdades em que estão inseridos,    mas também há características pessoais relacionadas com maior participação (sexo    masculino, nota de acesso ao ensino superior, disponibilidade e consciência).<sup>16</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclusão</b></p>     <p>Este estudo contém novos dados acerca da taxa de recrutamento de estudantes    como colaboradores em trabalhos de investigação sobre a consulta de MGF. Mostra    alguns fatores que podem estar associados a uma maior participação, nomeadamente    os relacionados com o tipo de abordagem e métodos de recrutamento.</p>     <p>Pode ser uma mais-valia o conhecimento desses fatores para adequar a abordagem    em estudos futuros similares. Seria importante analisar outros fatores que possam    interferir com a taxa de participação, nomeadamente fatores intrínsecos aos    estudantes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Hummers-Pradier E, Beyer M, Chevallier P, Eilat-Tsanani S, Lionis C, Peremans    L, et al. The research agenda for general practice/family medicine and primary    health care in Europe. Maastricht: European General Practice Research Network;    2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381995&pid=S2182-5173201800060001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Vanasse A, Orzanco MG, Courteau J, Scott S. Attractiveness of family medicine    for medical students: influence of research and debt. Can Fam Physician. 2011;57(6):e216-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381997&pid=S2182-5173201800060001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p>3. Chen MA, Hollenberg JP, Michelen W, Peterson JC, Casalino LP. Patient care    outside of office visits: a primary care physician time study. J Gen Intern    Med. 2011;26(1):58-63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1381999&pid=S2182-5173201800060001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>4. Jacobson CJ Jr, Bolon S, Elder N, Schroer B, Matthews G, Szaflarski JP,    et al. Temporal and subjective work demands in office-based patient care: an    exploration of the dimensions of physician work intensity. Med Care. 2011;49(1):52-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382001&pid=S2182-5173201800060001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>5. Granja M, Ponte C. O que ocupa os médicos de família? Caracterização do    trabalho médico para além da consulta [What keeps family doctors busy? A description    of medical work beyond patient encounters]. Rev Port Clin Geral. 2011;27(4):388-96.    Portuguese</p>     <!-- ref --><p>6. Doerr E, Galpin K, Jones-Taylor C, Anander S, Demosthenes C, Platt S, et    al. Between-visit workload in primary care. J Gen Intern Med. 2010; 25(12):1289-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382004&pid=S2182-5173201800060001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>7. Farber J, Siu A, Bloom P. How much time do physicians spend providing care    outside of office visits? Ann Intern Med 2007;147(10):693-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382006&pid=S2182-5173201800060001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Finkler SA, Knickman JR, Hendrickson G, Lipkin Jr M, Thompson WG. A comparison    of work-sampling and time-and-motion techniques for studies in health services    research. Health Serv Res. 1993;28(5):577-97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382008&pid=S2182-5173201800060001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Edwards A, Fitzpatrick LA, Augustine S, Trzebucki A, Cheng SL, Presseau    C, et al. Synchronous communication facilitates interruptive workflow for attending    physicians and nurses in clinical settings. Int J Med Inform. 2009;78(9):629-37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382010&pid=S2182-5173201800060001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p>10. Bratt JH, Foreit J, Chen PL, West C, Janowitz B, de Vargas T. A comparison    of four approaches for measuring clinician time use. Health Policy Plan. 1999;14(4):374-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382012&pid=S2182-5173201800060001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;  </p>     <!-- ref --><p>11. Gottschalk A, Flocke SA. Time spent in face-to-face patient care and work    outside the examination room. Ann Fam Med. 2005;3(6):488-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382014&pid=S2182-5173201800060001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>12. Gilchrist V, McCord G, Schrop SL, King BD, McCormick KF, Oprandi AM, et    al. Physician activities during time out of the examination room. Ann Fam Med.    2005;3(6):494-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382016&pid=S2182-5173201800060001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Granja M, Ponte C, Cavadas LF. What keeps family physicians busy in Portugal?    A multicentre observational study of work other than direct patient contacts.    BMJ Open. 2014;4(6):e005026.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382018&pid=S2182-5173201800060001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>14. Voo TC. Using medical students as research subjects: is it ethical? Ann    Acad Med Singapore. 2009;38(12):1019-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382020&pid=S2182-5173201800060001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>15. Solomon SS, Tom SC, Pichert J, Wasserman D, Powers AC. Impact of medical    student research in the development of physician-scientists. J Investig Med.    2003;51(3):149-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382022&pid=S2182-5173201800060001200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>16. Salgueira A, Costa P, Gonçalves M, Magalhães E, Costa MJ. Individual characteristics    and student's engagement in scientific research: a cross-sectional study. BMC    Med Educ. 2012;12:95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382024&pid=S2182-5173201800060001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Luís Filipe Cavadas</p>     <p>Centro de Saúde da Senhora da Hora, Rua da Lagos s/ número, 4460-352 Senhora    da Hora</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Os autores agradecem à Profª Doutora Isabel Santos, Prof. Doutor Armando Brito    de Sá, Prof. Doutor Jaime Correia de Sousa, Dr. Luís Filipe Gomes e Prof. Doutor    Luiz Miguel Santiago pela colaboração na recolha de informações sobre os cursos    de medicina referidos.</p>     <p><b>Conflito de interesses</B></p>     <p>Os autores declaram não ter conflitos de interesses.</p>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Recebido em 13-02-2018</b></p>     <p><b>Aceite para publicação em 06-09-2018</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[*]</sup></a><a name="1"></a>MG analisou todos os dados    uma vez, sendo a segunda análise feita por CP ou LFC.</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#topa1">Anexo I</a><a name="a1"></a>      <p align="center"><a name="a1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v34n6/34n6a12a1.jpg"/></p> <a href="#topa2">Anexo II</a><a name="a2"></a>      
<p align="center"><a name="a2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v34n6/34n6a12a2.jpg"/></p>     
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