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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Qual a evidência da restrição do consumo de açúcar nas crianças com PHDA?]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732019000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732019000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732019000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é considerada a patologia neurocomportamental mais prevalente na infância, atingindo cerca de 3 a 7% das crianças em idade escolar. A intervenção terapêutica tem por objetivo principal o desenvolvimento de um equilíbrio emocional e a otimização do desempenho académico, ocupacional e relacional. Preconiza-se uma abordagem terapêutica multimodal, incluindo intervenções psicológicas e pedagógicas, farmacológicas e nutricionais. O papel da dieta como tratamento da PHDA é controverso, mas o tópico continua a interessar aos pais e profissionais de saúde, que preferem uma alternativa/complementaridade à medicação instituída. Objetivo: Esclarecer se existe evidência acerca da restrição dietética de açúcares no controlo da sintomatologia da PHDA. Metodologia: Em março de 2016 foi efetuada uma pesquisa bibliográfica utilizando os termos MESH “Attention Deficit Disorder with Hyperactivity” e “Dietary Carbohydrates” em diversas bases de dados, de artigos escritos em inglês, português ou espanhol, e publicados nos últimos 15 anos. Como critérios de inclusão foi definida uma população de crianças e adolescentes (<18 anos) com PHDA, cuja intervenção avaliasse a restrição de açúcares simples na alimentação em comparação com placebo ou metilfenidato, e um outcome na melhoria da sintomatologia. Para avaliar a qualidade dos estudos e a força de recomendação foi utilizada a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT), da American Family Physician. Resultados: A pesquisa efetuada resultou na identificação de um total de 54 artigos. Foram excluídos os artigos repetidos, aqueles em que se verificou discordância com o objetivo da revisão e aqueles que não cumpriam a totalidade dos critérios de inclusão. Deste modo, foram incluídos e analisados três artigos: um estudo observacional e duas revisões não sistemáticas. Discussão: Verificou-se uma grande heterogeneidade nos estudos apresentados, assim como uma fragilidade no desenho dos trabalhos. Reconhece-se a dificuldade em conduzir ensaios clínicos bem estruturados, relativos à alimentação, pela necessidade de ter em conta múltiplos fatores passíveis de interferência. Atualmente a evidência disponível é insuficiente para sugerir que a restrição do consumo de açúcares refinados poderá melhorar os sintomas da PHDA (SORT C).]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) is considered the most prevalent neurobehavioral pathology in infancy, affecting about 3 to 7 % of children in school age. The main goal of therapeutic intervention is the development of an emotional equilibrium and the optimization of the academic, occupational and relational performance. A multimodal therapeutic approach is favoured, including psychological and pedagogical interventions, as well as pharmacological and nutriti-onal. The role of diet as a treatment for ADHD is still controversial, but the topic continues to interest parents and health professionals that prefer an alternative or a complement to the given medication. Goal: To elucidate if there is evidence to support the dietary restriction to sugars in the control of the symptomatology of ADHD. Methodology: In March 2016 a literature search was done using the MESH terms “Attention Deficit Disorder with Hyperactivity” and “Dietary Carbohydrates” in different databases, for articles written in English, Portuguese or Spanish, and published in the last 15 years. The following inclusion criteria were defined: a population of children and teenagers (< 18 years old) with ADHD; an intervention that would evaluate the restriction of simple sugars in the diet of this group, in comparison to a placebo or methylphenidate; and an outcome in the improvement of the symptomology. In order to evaluate the quality of the studies and the strength of the recommendation for the dietary restriction of sugars, the Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) scale, from the American Family Physician, was used. Results: The search resulted in a total of 54 articles. The repeated articles, those that disagreed with the goal of the revision and those that did not fulfil all the inclusion criteria, were excluded. Thus, three articles were included and analysed: an observational study and two non-systematic revisions. Discussion: A great heterogeneity in the presented studies was verified, as well as a fragility in the design of the studies. The challenge of conducting well-structured clinical trials with dietary interventions is acknowledged, as multiple factors susceptible to interference need to be taken into account. Currently, the available evidence is insufficient to suggest that a restriction to the consumption of refined sugars can lead to improvements in the symptoms of ADHD (Sort C).]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Perturbação de hiperatividade e défice de atenção]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>REVISÕES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Qual a evidência da restrição do consumo de açúcar nas crianças    com PHDA?</b></font></p>     <p><font size="3"><b>What is the evidence of sugar consumption restriction in    children with ADHD?</b></font></p>     <p><b>Teresa Pereira Martins,<sup>1</sup> Carla Costa,<sup>2</sup> Carla Pereira,<sup>3</sup>    Catarina Marques Pinho,<sup>4</sup> Cláudia Teixeira,<sup>5</sup> Helena Ribeiro,<sup>6</sup>    Maria João Abreu,<sup>7</sup> Nuno Namora<sup>8</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> USF Novos Rumos - ACeS Alto Ave.</p>     <p><sup>2</sup> USF S.Nicolau - ACeS Alto Ave.</p>     <p><sup>3</sup> USF Fafe Sentinela - ACeS Alto Ave. </p>     <p><sup>4</sup> USF Pevidém - ACeS Alto Ave.</p>     <p><sup>5</sup> USF S.Nicolau - ACeS Alto Ave. </p>     <p><sup>6</sup> USF Novos Rumos - ACeS Alto Ave.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>7</sup> USF Duovida - ACeS Alto Ave. </p>     <p><sup>8</sup> USF Duovida - ACeS Alto Ave.</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdução:</b> A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA)    é considerada a patologia neurocomportamental mais prevalente na infância, atingindo    cerca de 3 a 7% das crianças em idade escolar. A intervenção terapêutica tem    por objetivo principal o desenvolvimento de um equilíbrio emocional e a otimização    do desempenho académico, ocupacional e relacional. Preconiza-se uma abordagem    terapêutica multimodal, incluindo intervenções psicológicas e pedagógicas, farmacológicas    e nutricionais. O papel da dieta como tratamento da PHDA é controverso, mas    o tópico continua a interessar aos pais e profissionais de saúde, que preferem    uma alternativa/complementaridade à medicação instituída.</p>     <p><b>Objetivo:</b> Esclarecer se existe evidência acerca da restrição dietética    de açúcares no controlo da sintomatologia da PHDA.</p>     <p><b>Metodologia:</b> Em março de 2016 foi efetuada uma pesquisa bibliográfica    utilizando os termos MESH <i>&ldquo;Attention Deficit Disorder with Hyperactivity&rdquo;</i>    e <i>&ldquo;Dietary Carbohydrates&rdquo;</i> em diversas bases de dados, de artigos escritos    em inglês, português ou espanhol, e publicados nos últimos 15 anos. Como critérios    de inclusão foi definida uma população de crianças e adolescentes (&lt;18 anos)    com PHDA, cuja intervenção avaliasse a restrição de açúcares simples na alimentação    em comparação com placebo ou metilfenidato, e um outcome na melhoria da sintomatologia.    Para avaliar a qualidade dos estudos e a força de recomendação foi utilizada    a escala <i>Strength of Recommendation Taxonomy</i> (SORT), da <i>American Family    Physician.</i></p>     <p><b>Resultados:</b> A pesquisa efetuada resultou na identificação de um total    de 54 artigos. Foram excluídos os artigos repetidos, aqueles em que se verificou    discordância com o objetivo da revisão e aqueles que não cumpriam a totalidade    dos critérios de inclusão. Deste modo, foram incluídos e analisados três artigos:    um estudo observacional e duas revisões não sistemáticas.</p>     <p><b>Discussão:</b> Verificou-se uma grande heterogeneidade nos estudos apresentados,    assim como uma fragilidade no desenho dos trabalhos. Reconhece-se a dificuldade    em conduzir ensaios clínicos bem estruturados, relativos à alimentação, pela    necessidade de ter em conta múltiplos fatores passíveis de interferência. Atualmente    a evidência disponível é insuficiente para sugerir que a restrição do consumo    de açúcares refinados poderá melhorar os sintomas da PHDA (SORT C).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-Chave:</b> Perturbação de hiperatividade e défice de atenção; açúcar;    metilfenidato.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) is considered    the most prevalent neurobehavioral pathology in infancy, affecting about 3 to    7 % of children in school age. The main goal of therapeutic intervention is    the development of an emotional equilibrium and the optimization of the academic,    occupational and relational performance. A multimodal therapeutic approach is    favoured, including psychological and pedagogical interventions, as well as    pharmacological and nutriti-onal. The role of diet as a treatment for ADHD is    still controversial, but the topic continues to interest parents and health    professionals that prefer an alternative or a complement to the given medication.</p>     <p><b>Goal:</b> To elucidate if there is evidence to support the dietary restriction    to sugars in the control of the symptomatology of ADHD.</p>     <p><b>Methodology:</b> In March 2016 a literature search was done using the MESH    terms <i>&ldquo;Attention Deficit Disorder with Hyperactivity&rdquo;</i> and <i>&ldquo;Dietary    Carbohydrates&rdquo;</i> in different databases, for articles written in English,    Portuguese or Spanish, and published in the last 15 years. The following inclusion    criteria were defined: a population of children and teenagers (&lt; 18 years    old) with ADHD; an intervention that would evaluate the restriction of simple    sugars in the diet of this group, in comparison to a placebo or methylphenidate;    and an outcome in the improvement of the symptomology. In order to evaluate    the quality of the studies and the strength of the recommendation for the dietary    restriction of sugars, the <i>Strength of Recommendation Taxonomy</i> (SORT)    scale, from the American Family Physician, was used.</p>     <p><b>Results:</b> The search resulted in a total of 54 articles. The repeated    articles, those that disagreed with the goal of the revision and those that    did not fulfil all the inclusion criteria, were excluded. Thus, three articles    were included and analysed: an observational study and two non-systematic revisions.</p>     <p><b>Discussion:</b> A great heterogeneity in the presented studies was verified,    as well as a fragility in the design of the studies. The challenge of conducting    well-structured clinical trials with dietary interventions is acknowledged,    as multiple factors susceptible to interference need to be taken into account.    Currently, the available evidence is insufficient to suggest that a restriction    to the consumption of refined sugars can lead to improvements in the symptoms    of ADHD (Sort C).</p>     <p><b>Keywords:</b> Attention Deficit Hyperactivity Disorder; sugar; methylphenidate.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>INTRODUÇÃO</b></p>     <p>A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é considerada a    patologia neurocomportamental mais prevalente na infância, atingindo cerca de    3 a 7% das crianças em idade escolar, sendo mais comum no género masculino.<sup>1</sup></p>     <p>O quadro clínico da PHDA caracteriza-se por três grupos de sintomas: hiperatividade,    défice de atenção e impulsividade. Estes sintomas, frequentes na infância e    em outros quadros psiquiátricos, para serem critérios diagnósticos de PHDA devem    ser crónicos, de intensidade e frequência elevadas para a idade da criança,    constatados por diferentes observadores (pais, professores ou outros) e estar    presentes em todos os locais/situações, provocando disfunção escolar, familiar    e social.<sup>2</sup></p>     <p>A intervenção terapêutica tem por objetivo principal o desenvolvimento de um    equilíbrio emocional e a otimização do desempenho académico, ocupacional e relacional.    Tendo em conta as características inerentes à PHDA, preconiza-se uma abordagem    terapêutica multimodal, incluindo intervenções psicológicas e pedagógicas (dirigidas    à criança/adolescente, aos pais e professores), farmacológicas e nutricionais.<sup>1,3</sup></p>     <p>A ideia de que os alimentos que contêm açúcar, principalmente sacarose, podem    ter um efeito adverso sobre o comportamento das crianças com PHDA surge pela    primeira vez por Shannon (1922) e foi revista por Randolph em 1947.<sup>4</sup></p>     <p>Os pais de crianças com PHDA relatam frequentemente um agravamento da hiperatividade    após ingestão excessiva de doces. Em 1995, Wolraich e colaboradores realizaram    uma meta-análise, com inclusão 16 estudos aleatorizados, duplo-cego, com placebo,    avaliando os efeitos do açúcar no comportamento das crianças, tendo concluído    que os achados não suportam a hipótese de que o açúcar refinado afetasse a hiperatividade,    atenção ou desempenho cognitivo das crianças, embora a possibilidade de um efeito    sobre um subconjunto de crianças não pudesse ser descartada.<sup>5</sup></p>     <p>O papel da dieta como tratamento da PHDA é controverso, mas o tópico continua    a interessar aos pais e profissionais de saúde, que preferem uma alternativa/complementaridade    à medicação instituída. A adoção de alterações dietéticas para controlo da sintomatologia    insere-se na necessidade de controlo por parte dos pais e no desejo de promover    um estilo de vida saudável para os filhos.<sup>4</sup></p>     <p>Os hidratos de carbono, importantes nutrientes da nossa alimentação e principal    fonte de energia da nossa dieta, são o alvo de interesse neste papel da dieta    na PHDA. Os hidratos de carbono podem dividir-se em dois tipos, com base na    sua estrutura molecular: simples e complexos. Os hidratos de carbono simples    são absorvidos de forma rápida devido à sua estrutura simples e circulam no    sangue em forma de glucose, promovendo energia de forma imediata. Os principais    alimentos que se inserem nesta categoria são os bolos, sobremesas e refrigerantes.    Os hidratos de carbono complexos, pela sua absorção gradual, permitem um aporte    de energia constante ao nosso organismo, e estão presentes nas leguminosas,    massas, arroz, pão, batata entre outros.</p>     <p><b>OBJETIVO</b></p>     <p>Esclarecer se existe evidência acerca da restrição dietética de açúcares no    controlo da sintomatologia da PHDA.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>MÉTODOS</b></p>     <p>Em março de 2016 foi efetuada uma pesquisa bibliográfica utilizando os termos    MESH <i>&ldquo;Attention Deficit Disorder with Hyperactivity&rdquo;</i> e <i>&ldquo;Dietary Carbohydrates&rdquo;</i>    nas bases de dados <i>National Guideline Clearinghouse, Guidelines Finder da    National Electronic Library for Health</i> do <i>NHS Britânico, Canadian Medical    Association Infobase, The Cochrane Library, DARE, American Academy of Pediatrics</i>    e <i>Pubmed,</i> de artigos escritos em inglês, português ou espanhol, e publicados    nos últimos 15 anos.</p>     <p>Como critérios de inclusão foi definida uma população de crianças e adolescentes    (&lt;18 anos) com PHDA, cuja intervenção avaliasse a restrição de açúcares simples    na alimentação em comparação com placebo ou metilfenidato, e um outcome na melhoria    da sintomatologia, nomeadamente hiperatividade, défice de atenção ou impulsividade    (<a href="#q1">Quadro I</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n1/35n1a05q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para a avaliação dos níveis de evidência e atribuição de forças de recomendação    foi utilizada a escala <i>Strength of Recommendation Taxonomy</i> (SORT) da    <i>American Family Physician.</i></p>     <p><b>RESULTADOS</b></p>     <p>A pesquisa efetuada resultou na identificação de um total de 54 artigos. Foram    excluídos os artigos repetidos, aqueles em que se verificou discordância com    o objetivo da revisão e aqueles que não cumpriam a totalidade dos critérios    de inclusão. Deste modo, foram incluídos e analisados três artigos: um estudo    observacional e duas revisões não sistemáticas.</p>     <p>Os <a href="#q2">Quadros II</a> e <a href="#q3">III</a> resumem os principais    resultados dos artigos selecionados, com referência aos níveis de evidência.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n1/35n1a05q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n1/35n1a05q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O estudo de Millichap J.G. pretendeu avaliar o impacto na função cognitiva    e comportamental das crianças, com base em dietas com adição ou restrição de    açúcares. Avaliaram uma revisão sistemática que incluiu 8 estudos, realizados    entre 1984 e 1995, com crianças em idade pré-escolar e escolar, e que não demonstrou    diferenças estatisticamente significas na função cognitiva e comportamental    entre o grupo com dieta rica em açúcares e o grupo com restrição. Outra revisão    sistemática, com 16 estudos incluídos, concluiu que os açúcares não afetavam    o comportamento ou a função cognitiva das crianças analisadas. No estudo observacional    com crianças entre os 2 e os 6 anos, a dieta com açúcares não mostrou alterar    os níveis de atividade ou agressividade, mas a dose total de açúcares ingerida    relacionou-se com a duração da agressividade, assim como com o nível de desatenção.<sup>6</sup></p>     <p>Cornier E. e Elder J. realizaram uma avaliação das modificações dietéticas    em crianças com autismo e PHDA. No seu estudo analisaram uma revisão sistemática    com 16 ensaios clínicos randomizados, controlados com placebo, duplo-cego, que    incluiu crianças saudáveis, crianças identificadas pelos pais como exibindo    mau comportamento após ingestão de açúcares, crianças com diagnóstico de PHDA    e crianças agressivas e delinquentes, concluindo que a evidência não suporta    a hipótese de que o açúcar refinado se relacione com hiperatividade, atenção    ou desempenho cognitivo.<sup>4</sup></p>     <p>O estudo observacional realizado por Blunden <i>et al,</i> 2011, pretendeu    analisar a existência de relação entre dieta, sono e comportamento da criança    com PHDA. Foram incluídas 91 crianças entre os 6-13 anos, com diagnóstico de    PHDA ou sintomas acima do percentil 90 na escala de Conners, e excluídas aquelas    sob tratamento com estimulantes. As crianças realizaram avaliações cognitivas    e os pais realizaram questionários de frequência alimentar (com posterior análise    de macronutrientes) e a escala de Conners. O sono foi avaliado através de <i>&ldquo;Sleep    Disturbance Scale for Children&rdquo;.</i> Os problemas de sono foram frequentes nesta    amostra, encontrando-se estes significativamente relacionados com hiperatividade/impulsividade    reportada pelos pais. Verificou-se uma associação entre os distúrbios do sono    e o consumo de açúcares simples, outros hidratos de carbono e gorduras mono    e polinsaturadas.<sup>7</sup></p>     <p><b>DISCUSSÃO</b></p>     <p>Os autores gostariam de realçar o número reduzido de estudos com esta temática,    sobretudo recentes, uma vez que os principais trabalhos que levaram à formulação    desta hipótese foram realizados há vários anos e talvez com pouca representação    nos dias atuais. A alimentação atual tem vindo a alterar-se com um aparente    maior consumo de açúcares presente na dieta da maioria das crianças. Por outro    lado, existe mais consciencialização para perturbações mentais como a PHDA.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Verificou-se uma grande heterogeneidade nos estudos apresentados, assim como    uma fragilidade no desenho destes trabalhos (2 revisões não sistemáticas).</p>     <p>No estudo observacional realizado por Blunden e colaboradores (2011) as alterações    do sono foram significativamente relacionadas com hiperatividade/impulsividade    e verificou-se uma correlação entre os distúrbios do sono e o consumo de açúcares    e gorduras. Mas a avaliação conjunta do consumo de açúcares e gorduras impossibilita    realçar o efeito dos açúcares isoladamente.</p>     <p>Outra limitação encontrada é o método utilizado para avaliação dos <i>outcomes,</i>    existindo uma elevada heterogeneidade nos questionários aplicados, sendo que    em alguns estudos os questionários não eram estandardizados. </p>     <p><b>CONCLUSÃO</b></p>     <p>Atualmente a evidência disponível é insuficiente para sugerir que a restrição    do consumo de açúcares refinados poderá melhorar os sintomas da PHDA (SORT C).</p>     <p>Reconhece-se a dificuldade em conduzir ensaios clínicos bem estruturados relativos    à alimentação, pela necessidade de ter em conta múltiplos fatores passíveis    de interferência. Contudo, apesar da escassez de suporte científico, é interessante    verificar que na prática clínica se mantém uma noção subjetiva por parte dos    pais de que o consumo de açúcar influencia os comportamentos de hiperatividade    nas crianças com PHDA<sup>4</sup>. Neste contexto, é importante efetuar estudos    mais recentes, com metodologia sólida e rigorosa, para avaliar a utilidade destas    terapêuticas não farmacológicas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Monteiro P et al. Psicologia e Psiquiatria da Infância e Adolescência. Lisboa,    2014 Set. Cap. 10 (p.115-135).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382660&pid=S2182-5173201900010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>2. Protocolos da Sociedade Espanhola de Psiquiatria Infantil: Perturbação Défice    de Atenção e Hiperatividade; Associação Espanhola de Pediatria; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382662&pid=S2182-5173201900010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Canadian Attention Deficit Hyperactivity Disorder Resource Alliance (CADDRA):    Canadian ADHD Practice Guidelines, Third Edition, Toronto ON; CADDRA, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382664&pid=S2182-5173201900010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Cornier E, Elder JH, Diet and Child Behavior Problems: Fact or Fiction?    Pediatr Nurs. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382666&pid=S2182-5173201900010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Wolraich ML, Wilson DB, White JW; The effect of sugar on behavior or cognition    in children. A meta-analysis; JAMA; Nov 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382668&pid=S2182-5173201900010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>6. Millichap JG, Yee MM; The Diet Factor in Attention-Deficit/Hyperactivity    Disorder; Pediatrics, Volume 129, Number 2, February 2012.</p>     <!-- ref --><p>7. Blunden SL, Milte SM, Sinn N; Diet and sleep in children with attention    deficit hyperactivity disorder: preliminary data in Australian children; J Child    Health Care 2011 15: 14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1382671&pid=S2182-5173201900010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Teresa Pereira Martins</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:teresa.mp.martins@gmail.com">teresa.mp.martins@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONFLITO DE INTERESSES</b></p>     <p>Os autores declaram não ter conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 05-10-2016</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Aceite para publicação em 07-09-2018</b></p>      ]]></body><back>
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