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<article-id>S2182-51732019000200006</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.32385/rpmgf.v35i2.12087</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prática de ioga como terapia complementar ou alternativa em crianças e adolescentes com perturbação de hiperatividade e défice de atenção: uma revisão baseada na evidência]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Yoga practice as a complementary or alternative therapy in children with attention deficit hyperactivity disorder: an evidence-based review]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objectives: To review the evidence available on the effectiveness of yoga practice in the reduction of ADHD symptoms in children and adolescents. Data source: MEDLINE/PubMed and evidence-based medicine databases (National Guideline Clearinghouse, Canadian Medical Association Practice Guidelines InfoBase, Guidelines Finder of the National NHS British Library for Health, DARE, Bandolier, and The Cochrane Library). Methods: We conducted an evidence-based review of scientific papers published between January 1999 and January 2017, in Portuguese and English, using the MeSH terms ‘attention deficit hyperactivity disorder' (ADHD), ‘yoga', ‘child', and ‘adolescent'. Levels of evidence (LE) and strength of recommendations (SOR) were assigned according to the American Family Physician's Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) criteria. Results: Our search revealed a total of 48 papers and we selected five according to the inclusion criteria: one systematic review and four original articles, of which three randomised controlled trials, and one quasi-experimental trial. Although some studies have shown positive results, there is insufficient evidence to demonstrate a beneficial effect of yoga practice on the reduction of symptoms in children and adolescents with ADHD (LE 2). Conclusion: The evidence available does not support the recommendation of yoga practice as an alternative or complementary therapy to the strategies already implemented, in children and adolescents with ADHD (strength of recommendation B). Studies that point out to a beneficial effect of this modality raise concerns about their methodology, limiting the quality of the evidence. Further prospective large-scale studies, with homogeneous samples and adequate follow-up are suggested, in order to allow the validation of the evidence found to date, and to help in the formulation of future recommendations.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Perturbação de hiperatividade e défice de atenção]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>REVIS&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Pr&aacute;tica de ioga como terapia complementar ou alternativa em crian&ccedil;as e adolescentes com perturba&ccedil;&atilde;o de hiperatividade e d&eacute;fice de aten&ccedil;&atilde;o: uma revis&atilde;o baseada na evid&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Yoga practice as a complementary or alternative therapy in children with attention deficit hyperactivity disorder: an evidence-based review</b></font></p>     <p><b>In&ecirc;s Pintalh&atilde;o<sup>1</sup>, Joana Penetra<sup>2</sup>, Joel Batista<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> USF Garcia de Orta, ACeS Porto Ocidental</p>     <p><sup>2</sup> USF Top&aacute;zio, ACeS Baixo Mondego</p>     <p><sup>3</sup> UCSP Cinf&atilde;es, ACeS T&acirc;mega I, Baixo T&acirc;mega </p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Objetivo:</b> Rever a evid&ecirc;ncia dispon&iacute;vel acerca do efeito da pr&aacute;tica de ioga na diminui&ccedil;&atilde;o dos sintomas de perturba&ccedil;&atilde;o de hiperatividade e d&eacute;fice de aten&ccedil;&atilde;o (PHDA) em crian&ccedil;as e adolescentes.</p>     <p><b>Fontes de dados:</b> MEDLINE/PubMed e bases de dados de medicina baseada na evid&ecirc;ncia <i>(National Guideline Clearinghouse, Canadian Medical Association Practice Guidelines InfoBase, Guidelines Finder</i> da <i>National Electronic Library for Health</i> - NHS brit&acirc;nico, DARE, <i>Bandolier</i> e <i>The Cochrane Library</i>).</p>     <p><b>M&eacute;todos de revis&atilde;o: </b>Pesquisa de artigos (normas de orienta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, meta-an&aacute;lises, revis&otilde;es sistem&aacute;ticas e estudos originais) publicados entre janeiro de 2000 e janeiro de 2017 nas l&iacute;nguas portuguesa e inglesa, utilizando os termos MeSH <i>attention deficit hyperactivity disorder, yoga, child</i> e <i>adolescent.</i> O n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia e a for&ccedil;a de recomenda&ccedil;&atilde;o foram atribu&iacute;dos de acordo com os crit&eacute;rios da escala <i>Strength of Recommendation Taxonomy </i>(SORT), da <i>American Family Physician.</i></p>     <p><b>Resultados:</b> Foram encontrados 48 artigos no total, dos quais se selecionaram cinco de acordo com os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o: uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica e quatro artigos originais, entre os quais tr&ecirc;s ensaios cl&iacute;nicos controlados e aleatorizados e um ensaio quase-experimental. Apesar de alguns estudos apresentarem resultados positivos, n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncia suficiente que demonstre efeito ben&eacute;fico da pr&aacute;tica de ioga na diminui&ccedil;&atilde;o dos sintomas de PHDA (n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia 2).</p>     <p><b>Conclus&atilde;o:</b> A evid&ecirc;ncia dispon&iacute;vel n&atilde;o permite suportar com robustez a recomenda&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica de ioga em crian&ccedil;as e adolescentes com PHDA, como terapia alternativa ou complementar &agrave;s estrat&eacute;gias j&aacute; implementadas (for&ccedil;a de recomenda&ccedil;&atilde;o B). Os estudos que atribuem efeito ben&eacute;fico &agrave; modalidade levantam preocupa&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; metodologia, limitando a qualidade da evid&ecirc;ncia. Sugere-se a realiza&ccedil;&atilde;o de mais estudos prospetivos e de larga escala, com amostras homog&eacute;neas e <i>follow-up</i> adequado, que a longo prazo permitam validar a evid&ecirc;ncia encontrada e auxiliar na formula&ccedil;&atilde;o de recomenda&ccedil;&otilde;es.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Perturba&ccedil;&atilde;o de hiperatividade e d&eacute;fice de aten&ccedil;&atilde;o; Ioga; Crian&ccedil;a; Adolescente.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Objectives:</b> To review the evidence available on the effectiveness of yoga practice in the reduction of ADHD symptoms in children and adolescents.</p>     <p><b>Data source:</b> MEDLINE/PubMed and evidence-based medicine databases (National Guideline Clearinghouse, Canadian Medical Association Practice Guidelines InfoBase, Guidelines Finder of the National NHS British Library for Health, DARE, Bandolier, and The Cochrane Library).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Methods:</b> We conducted an evidence-based review of scientific papers published between January 1999 and January 2017, in Portuguese and English, using the MeSH terms ‘attention deficit hyperactivity disorder' (ADHD), ‘yoga', ‘child', and ‘adolescent'. Levels of evidence (LE) and strength of recommendations (SOR) were assigned according to the American Family Physician's Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) criteria.</p>     <p><b>Results:</b> Our search revealed a total of 48 papers and we selected five according to the inclusion criteria: one systematic review and four original articles, of which three randomised controlled trials, and one quasi-experimental trial. Although some studies have shown positive results, there is insufficient evidence to demonstrate a beneficial effect of yoga practice on the reduction of symptoms in children and adolescents with ADHD (LE 2).</p>     <p><b>Conclusion:</b> The evidence available does not support the recommendation of yoga practice as an alternative or complementary therapy to the strategies already implemented, in children and adolescents with ADHD (strength of recommendation B). Studies that point out to a beneficial effect of this modality raise concerns about their methodology, limiting the quality of the evidence. Further prospective large-scale studies, with homogeneous samples and adequate follow-up are suggested, in order to allow the validation of the evidence found to date, and to help in the formulation of future recommendations.</p>     <p><b>Keywords:</b> Attention deficit hyperactivity disorder; Yoga; Child; Adolescent.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A perturba&ccedil;&atilde;o de hiperatividade e d&eacute;fice de aten&ccedil;&atilde;o (PHDA) &eacute; uma das perturba&ccedil;&otilde;es neurocomportamentais mais frequentes na crian&ccedil;a e no adolescente<sup>1-3</sup> que pode persistir ao longo da vida, acarretando v&aacute;rias comorbilidades. De acordo com o Manual de Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Doen&ccedil;as Mentais, vers&atilde;o 5 (DSM-5),<sup>4</sup> a PHDA &eacute; caracterizada por um padr&atilde;o persistente de desaten&ccedil;&atilde;o e/ou hiperatividade/impulsividade, que interfere no normal funcionamento e desenvolvimento, tendo impacto negativo nas atividades sociais, acad&eacute;micas e profissionais. Na Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Doen&ccedil;as, vers&atilde;o 10 (CID-10), a nomenclatura diverge sendo denominada perturba&ccedil;&atilde;o hipercin&eacute;tica, mas os crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico s&atilde;o semelhantes.<sup>5</sup></p>     <p>A preval&ecirc;ncia da PHDA varia de acordo com a popula&ccedil;&atilde;o estudada e com os crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico, embora n&atilde;o existam dados precisos para as crian&ccedil;as portuguesas. O DSM-5 aponta uma preval&ecirc;ncia de cerca de 5% em crian&ccedil;as e adolescentes, sendo mais comum no g&eacute;nero masculino com uma propor&ccedil;&atilde;o de 2:1.<sup>4</sup> Estima-se que a patologia prevale&ccedil;a no adulto em cerca de 60% dos casos.<sup>1,6</sup> Apesar de a etiologia da PHDA permanecer desconhecida, existe uma componente multifatorial que envolve fatores gen&eacute;ticos, psicol&oacute;gicos, sociais e ambientais.<sup>2</sup> As manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas geralmente modificam com a idade escolar, sendo mais evidentes na idade pr&eacute;-escolar os sintomas de hiperatividade e impulsividade, que se atenuam na idade escolar e adolesc&ecirc;ncia, dando lugar a sintomas relacionados com o d&eacute;fice de aten&ccedil;&atilde;o.<sup>7</sup> Para al&eacute;m destes sintomas nucleares e/ou prim&aacute;rios existem ainda d&eacute;fices em m&uacute;ltiplas &aacute;reas relacionadas com fun&ccedil;&otilde;es cerebrais executivas (planeamento, organiza&ccedil;&atilde;o e mem&oacute;ria de trabalho), atrasos de desenvolvimento e dificuldades na regula&ccedil;&atilde;o emocional e comportamental.<sup>8</sup> Est&atilde;o dispon&iacute;veis in&uacute;meras escalas e question&aacute;rios, validados para diferentes pa&iacute;ses, que permitem quantificar comportamentos e avaliar corretamente o diagn&oacute;stico e monitoriza&ccedil;&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o da PHDA, tanto para as crian&ccedil;as como para pais e educadores.</p>     <p>O tratamento da PHDA inclui uma abordagem educacional, psicossocial e farmacol&oacute;gica, que pode ser complementada por t&eacute;cnicas psicoterap&ecirc;uticas cognitivo-comportamentais, programas de treino parental e treino de compet&ecirc;ncias sociais. A farmacoterapia &eacute; em muitos casos o tratamento de elei&ccedil;&atilde;o para a PHDA, com indica&ccedil;&atilde;o do metilfenidato e da atomoxetina como f&aacute;rmacos de primeira linha. Geralmente a toma do f&aacute;rmaco &eacute; realizada durante o per&iacute;odo escolar, em que &eacute; requerida maior aten&ccedil;&atilde;o. No entanto, em crian&ccedil;as com altera&ccedil;&otilde;es do comportamento mais s&eacute;rias pode ser realizada durante o per&iacute;odo de f&eacute;rias ou fins-de-semana. Numa sociedade em que a press&atilde;o para o diagn&oacute;stico de hiperatividade por parte dos pais e professores tem vindo a aumentar,<sup>9-10</sup> torna-se fundamental a assertividade no diagn&oacute;stico correto, evitando os riscos inerentes ao excesso de medica&ccedil;&atilde;o de forma desnecess&aacute;ria.</p>     <p>Assim, na tentativa de encontrar estrat&eacute;gias complementares &agrave; terapia farmacol&oacute;gica, a pr&aacute;tica de ioga tem ganho uma posi&ccedil;&atilde;o de destaque, tanto no dom&iacute;nio f&iacute;sico como psicol&oacute;gico. Os longos per&iacute;odos de concentra&ccedil;&atilde;o exigidos pelo ioga, assim como o treino de relaxamento e de t&eacute;cnicas respirat&oacute;rias s&atilde;o apontados como os principais motivos que poder&atilde;o estar na base deste fundamento.<sup>11,13-14</sup> Outros estudos indicam ainda que o ioga capacita para uma maior resist&ecirc;ncia a eventos stressantes,<sup>11,14</sup> diminuindo a ativa&ccedil;&atilde;o do sistema nervoso simp&aacute;tico com a consequente ativa&ccedil;&atilde;o do parassimp&aacute;tico, provocando uma sensa&ccedil;&atilde;o de autocontrolo emocional.<sup>6,12-13</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, pouco se conhece ainda acerca da efic&aacute;cia desta estrat&eacute;gia na diminui&ccedil;&atilde;o dos sintomas da PHDA.<sup>2</sup> O objetivo deste trabalho &eacute; rever a evid&ecirc;ncia dispon&iacute;vel sobre o efeito da pr&aacute;tica de um treino de ioga na diminui&ccedil;&atilde;o dos sintomas da PHDA, como tratamento alternativo ou complementar &agrave;s estrat&eacute;gias terap&ecirc;uticas j&aacute; conhecidas.</p>     <p><b>M&eacute;todos</b></p>     <p>Pesquisa bibliogr&aacute;fica de artigos escritos em l&iacute;ngua portuguesa ou inglesa (normas de orienta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, meta-an&aacute;lises, revis&otilde;es sistem&aacute;ticas e estudos originais) nas bases de dados MEDLINE/PubMed, <i>National Guideline Clearinghouse,</i> <i>Guidelines Finder, Canadian Medical Association Practice Guideline Infobase, The Cochrane Library,</i> <i>Bandolier,</i> bem como refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas dos artigos selecionados. Foram utilizados os termos MeSH <i>attention deficit hyperactivity disorder, yoga, child</i> e <i>adolescent</i> - tendo sido pesquisados artigos publicados de 1 de janeiro de 2000 a 31 de janeiro de 2017.</p>     <p>Foram inclu&iacute;dos estudos segundo os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o definidos pelo modelo PICO: </p>     <p>1) Popula&ccedil;&atilde;o: crian&ccedil;as e adolescentes entre os cinco e os 18 anos de idade com diagn&oacute;stico de PHDA pelo DSM, vers&atilde;o 4 ou 5 (DSM 4/5) e/ou CID, vers&atilde;o 10 (CID-10), com ou sem tratamento farmacol&oacute;gico habitual; </p>     <p>2) Interven&ccedil;&atilde;o: treino de ioga; </p>     <p>3) Compara&ccedil;&atilde;o: grupo placebo, aus&ecirc;ncia de interven&ccedil;&atilde;o; </p>     <p>4) <i>Outcome:</i> diminui&ccedil;&atilde;o dos sintomas prim&aacute;rios e secund&aacute;rios da PHDA. </p>     <p>Foram exclu&iacute;das crian&ccedil;as com outras comorbilidades psiqui&aacute;tricas, doen&ccedil;as cr&oacute;nicas e/ou doen&ccedil;as fisicamente incapacitantes, assim como pr&aacute;tica adicional de terapia comportamental ou outras t&eacute;cnicas de medita&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Os artigos selecionados para leitura integral foram lidos por todos os autores para determinar a sua inclus&atilde;o e a avalia&ccedil;&atilde;o final da qualidade e n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia foi discutida e decidida unanimemente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para atribui&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de evid&ecirc;ncia (NE) e for&ccedil;a de recomenda&ccedil;&atilde;o (FR) foi utilizada a escala <i>Strength of Recommendation Taxonomy</i> (SORT), da <i>American Family Physician.</i><sup>15</sup></p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>A pesquisa bibliogr&aacute;fica incluiu um total de 48 artigos, dos quais foram selecionados cinco: uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica (RS) e quatro artigos originais, dos quais tr&ecirc;s ensaios cl&iacute;nicos aleatorizados e controlados (ECAC) e um ensaio quase-experimental. O processo de sele&ccedil;&atilde;o dos estudos est&aacute; apresentado no fluxograma da <a href="#f1">Figura 1</a> e os resultados dos mesmos est&atilde;o sucintamente descritos nos <a href="#q1">Quadros I</a> e <a href="#q2">II</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n2/35n2a06f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n2/35n2a06q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n2/35n2a06q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Revis&otilde;es sistem&aacute;ticas</b></p>     <p>A revis&atilde;o sistem&aacute;tica realizada por Balasubramaniam e colaboradores (de 2013)<sup>12</sup> incluiu dois ECAC que avaliaram o efeito da pr&aacute;tica de ioga em crian&ccedil;as com PHDA, envolvendo no total 35 crian&ccedil;as das quais 22 estavam sob medica&ccedil;&atilde;o. No estudo alem&atilde;o de Haffner e colaboradores (de 2006)<sup>3</sup> foi comparado um grupo de crian&ccedil;as submetidas a um treino estruturado de ioga com um grupo que realizou exerc&iacute;cio f&iacute;sico convencional e inespec&iacute;fico durante 34 semanas. Os resultados foram avaliados para duas escalas alem&atilde;s, <i>FBB-HKS Scale</i> e <i>Dortmund Attention Test.</i> O outro ECAC, n&atilde;o duplamente cego, da autoria de Jensen e Kenny (de 2004)<sup>16</sup> continha um grupo que foi submetido a um programa de ioga pr&eacute;-definido e outro que envolvia atividades de coopera&ccedil;&atilde;o (como treino de comunica&ccedil;&atilde;o, escuta e partilha) durante 20 semanas. Os resultados foram avaliados segundo as respostas ao <i>Question&aacute;rio de Conners para Pais</i> e <i>Professores.</i> Ambos os estudos atribu&iacute;ram m&eacute;rito &agrave; pr&aacute;tica de ioga como estrat&eacute;gia terap&ecirc;utica complementar para crian&ccedil;as com PHDA, verificando-se melhoria significativa no per&iacute;odo p&oacute;s-interven&ccedil;&atilde;o para cada um dos par&acirc;metros estudados para avaliar o <i>outcome. </i>Nenhum dos estudos revelou efeitos adversos ou prejudiciais com a pr&aacute;tica de ioga. Tratam-se de ensaios n&atilde;o-duplamente cegos, sem processo de aleatoriza&ccedil;&atilde;o bem definido, incluindo amostras pequenas e heterog&eacute;neas. Nenhum apresentou um programa de <i>follow-up</i> adequado. Atribuiu-se um n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia 2 pela qualidade da metodologia efetuada pelos autores.</p>     <p><b>Ensaios cl&iacute;nicos </b></p>     <p>O mais recente estudo duplamente cego e quase experimental, da autoria de Chou e Huang (de 2017),<sup>6</sup> foi realizado em 49 crian&ccedil;as, entre os oito e os 12 anos, com o objetivo de investigar o efeito da pr&aacute;tica de um programa de ioga regular e estruturado nas fun&ccedil;&otilde;es executivas de crian&ccedil;as com PHDA. Do total, 22 crian&ccedil;as estavam medicadas. Durante oito semanas, um grupo foi submetido a um treino de ioga ap&oacute;s a escola (40 min por sess&atilde;o, duas vezes por semana) que inclu&iacute;a exerc&iacute;cios de flexibilidade, relaxamento e concentra&ccedil;&atilde;o. O grupo controlo n&atilde;o sofreu interven&ccedil;&atilde;o, sendo as crian&ccedil;as submetidas &agrave;s suas atividades habituais depois do per&iacute;odo escolar. Antes e depois do programa de interven&ccedil;&atilde;o os resultados foram estudados para dois testes: <i>Visual Pursuit Test</i> (VPT) para avalia&ccedil;&atilde;o da perce&ccedil;&atilde;o visual e aten&ccedil;&atilde;o seletiva e <i>Determination Test</i> (DT), elaborado para testar o desempenho nas fun&ccedil;&otilde;es cognitivas. As crian&ccedil;as sob tratamento farmacol&oacute;gico foram instru&iacute;das para suspender a medica&ccedil;&atilde;o 24h antes da realiza&ccedil;&atilde;o dos testes, antes e depois do programa. Para ambas as escalas, o grupo praticante de ioga apresentou um tempo de rea&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pido (<i>p</i>&lt;0,001 no VPT e DT) e taxa de precis&atilde;o superior (<i>p</i>=0,045 no VPT e <i>p</i>&lt;0,001 no DT) no final da interven&ccedil;&atilde;o. Os resultados sugerem que a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, complementada com treino de concentra&ccedil;&atilde;o, controlo corporal e desempenho motor, traduz o efeito ben&eacute;fico da modalidade do ioga nas fun&ccedil;&otilde;es discriminativas e executivas das crian&ccedil;as com PHDA. Apesar de o estudo incluir uma amostra controlada e homog&eacute;nea entre os dois grupos de compara&ccedil;&atilde;o, o facto de ser n&atilde;o-randomizado limita a validade dos resultados pelo menor controlo das condi&ccedil;&otilde;es de exposi&ccedil;&atilde;o. Atribuiu-se, por isso, um n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia 2.</p>     <p>O ECAC de Abadi e colaboradores (de 2008)<sup>13</sup> apresentou um estudo em crian&ccedil;as iranianas com o objetivo de determinar o papel que a pr&aacute;tica de ioga pode ter no tratamento dos sintomas de PHDA durante um programa de oito semanas que envolveu 40 crian&ccedil;as com idade m&eacute;dia pr&oacute;xima dos 10 anos. Foi inclu&iacute;do um grupo experimental submetido a duas sess&otilde;es de 45 min de ioga por semana durante o tempo estabelecido. O treino englobava exerc&iacute;cios de aquecimento muscular e t&eacute;cnicas respirat&oacute;rias, treino postural espec&iacute;fico e alongamentos e t&eacute;cnicas de relaxamento. O grupo controlo n&atilde;o sofreu interven&ccedil;&atilde;o de qualquer tipo. A ambos foi aplicada uma subescala de um question&aacute;rio que mede os sintomas de PHDA <i>(Child Symptoms Inventory)</i> no per&iacute;odo pr&eacute; e p&oacute;s interven&ccedil;&atilde;o. Os resultados conclu&iacute;ram que o grupo praticante de ioga diminuiu significativamente a pontua&ccedil;&atilde;o do <i>score</i> do question&aacute;rio (F=47,15 (1,32); <i>p</i>&lt;0,001) em compara&ccedil;&atilde;o com o grupo sem interven&ccedil;&atilde;o, nomeadamente nas quest&otilde;es que se destinavam a avaliar simultaneamente sintomas de aten&ccedil;&atilde;o e impulsividade (<i>p</i>&lt;0,005). N&atilde;o foi explicitado o n&uacute;mero de crian&ccedil;as submetidas, ou n&atilde;o, a tratamento farmacol&oacute;gico. Apesar de o estudo utilizar uma amostra homog&eacute;nea e de tamanho adequado, o procedimento de aleatoriza&ccedil;&atilde;o e o m&eacute;todo de oculta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foram descritos. O m&eacute;todo de sele&ccedil;&atilde;o da amostra por conglomerados <i>(cluster sampling)</i> est&aacute; sujeito a maior erro de amostragem, em termos de controlo de amplitude da amostra. Foi, por isso, atribu&iacute;do um n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia 2.</p>     <p>O ECAC da autoria de Haffner e colaboradores (de 2006),<sup>3</sup> e j&aacute; referido anteriormente na RS, pretendeu comparar a efic&aacute;cia entre a pr&aacute;tica de ioga e a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico convencional e inespec&iacute;fico na redu&ccedil;&atilde;o dos sintomas prim&aacute;rios de PHDA num estudo cruzado durante um per&iacute;odo de 34 semanas. O estudo incluiu dois grupos, um com 10 crian&ccedil;as que iniciaram o programa por treino de exerc&iacute;cios convencionais (corrida, &laquo;escondidas&raquo;, jogos com bola, jogos sociais), seguido de treino de ioga, e outro com nove crian&ccedil;as que iniciaram o programa com a ordem inversa. Entre cada esquema de treino de oito semanas (duas vezes por semana), as crian&ccedil;as tinham seis semanas de descanso. Os resultados foram estudados no pr&eacute; e p&oacute;s-teste para duas escalas alem&atilde;s que avaliam o desempenho em tarefas de aten&ccedil;&atilde;o e os sintomas PHDA na vis&atilde;o dos pais e professores - FBB-HKS <i>Scale</i> que avalia sintomas de PHDA e <i>Dortmund Attention Test</i> (DAT) que testa a exatid&atilde;o da observa&ccedil;&atilde;o e impulsividade cognitiva durante tarefas de perce&ccedil;&atilde;o visual. Em ambas as escalas os resultados foram superiores ap&oacute;s a pr&aacute;tica de ioga do que ap&oacute;s o exerc&iacute;cio f&iacute;sico convencional inespec&iacute;fico (FBB-HKS <i>p</i>=0,007, <i>efeito interven&ccedil;&atilde;o</i> 0,77; DAT <i>p</i>&lt;0,001, <i>efeito interven&ccedil;&atilde;o</i> 2,66). Para o DAT, a superioridade do treino de ioga foi evidente dependendo da sequ&ecirc;ncia dos treinos: no grupo que iniciou o programa pelo treino de ioga verificou-se uma redu&ccedil;&atilde;o significativa dos sintomas para um n&iacute;vel n&atilde;o-patol&oacute;gico. As principais limita&ccedil;&otilde;es do estudo consistem no facto de conter uma amostra pequena, sem dupla oculta&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o desenhar um programa de <i>follow-up</i> e de possuir um tempo curto entre as duas interven&ccedil;&otilde;es a fim de esperar a cessa&ccedil;&atilde;o do efeito residual (efeito <i>carry-over</i>). Assim, atribuiu-se um n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia 2.</p>     <p>Jensen e Kenny (em 2004),<sup>16</sup> tamb&eacute;m no ECAC j&aacute; referido na RS, avaliaram os efeitos do ioga como tratamento complementar em crian&ccedil;as com PHDA medicadas e est&aacute;veis do ponto de vista cl&iacute;nico. Ao longo de 20 semanas foi comparado um grupo submetido a 20 sess&otilde;es de ioga (uma hora por semana) com um grupo controlo que realizou exerc&iacute;cios e atividades de coopera&ccedil;&atilde;o (atividades de comunica&ccedil;&atilde;o, escuta e partilha), num total de 16 rapazes entre os oito e 13 anos. Os resultados pr&eacute; e p&oacute;s-interven&ccedil;&atilde;o foram avaliados para os <i>Question&aacute;rios de Conners para Pais</i> e <i>Professores,</i> com a inten&ccedil;&atilde;o de avaliar adicionalmente o comportamento dos filhos sem efeito de medica&ccedil;&atilde;o (f&eacute;rias ou fins-de-semana). O grupo praticante de ioga mostrou, no final da interven&ccedil;&atilde;o, melhoria significativa em cinco das subescalas analisadas do <i>Question&aacute;rio de Conners para Pais,</i> nomeadamente nas quest&otilde;es relativas &agrave; labilidade emocional (<i>p</i>=0,001, <i>Cohen's d</i> 0,79), oposi&ccedil;&atilde;o (<i>p</i>=0,003, <i>Cohen's d</i> 0,77), impulsividade (<i>p</i>=0,008, <i>Cohen's d</i> 0,73), &laquo;&iacute;ndex global&raquo; (<i>p</i>=0,019, <i>Cohen's d</i> 0,29) e &laquo;&iacute;ndex total&raquo; (<i>p</i>=0,001, <i>Cohen's d</i> 0,73) em compara&ccedil;&atilde;o com o grupo controlo que apresentou melhoria em tr&ecirc;s par&acirc;metros diferentes: hiperatividade (<i>p</i>=0,004, <i>Cohen's d</i> 0,39), ansiedade (<i>p</i>=0,028, <i>Cohen's d</i> 0,59) e problemas sociais (<i>p</i>=0,034, <i>Cohen's d</i> 0,85). Ambos demonstraram melhoria significativa nos par&acirc;metros relativos ao &laquo;Perfeccionismo&raquo;, &laquo;DSM-IV Hiperatividade&raquo; e &laquo;DSM-IV Total&raquo;. No <i>Question&aacute;rio de Conners para Professores</i> n&atilde;o houve diferen&ccedil;a estatisticamente significativa entre os dois grupos - os autores apontam para o facto de a avalia&ccedil;&atilde;o decorrer durante o per&iacute;odo em que as crian&ccedil;as est&atilde;o sob maior efeito da medica&ccedil;&atilde;o (tempo escolar), enquanto os pais lidam com as crian&ccedil;as em per&iacute;odos sem medica&ccedil;&atilde;o, notando por isso maior diferen&ccedil;a a n&iacute;vel de comportamentos. O <i>follow-up</i> limitado do estudo n&atilde;o permite perceber os resultados e os efeitos da pr&aacute;tica de ioga mantida ao longo do tempo. As outras limita&ccedil;&otilde;es metodologicamente encontradas dizem respeito ao facto de ser um estudo sem dupla oculta&ccedil;&atilde;o, o processo de aleatoriza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser descrito e ter uma amostra pequena e heterog&eacute;nea, particularmente no que diz respeito ao g&eacute;nero, idade e grau de escolaridade. Os resultados parecem apontar um papel importante da pr&aacute;tica de ioga na estabiliza&ccedil;&atilde;o emocional e na redu&ccedil;&atilde;o dos sintomas de oposi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o fornecendo, no entanto, poder estat&iacute;stico suficiente para se inferirem tais conclus&otilde;es. Atribuiu-se um n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia 2.</p>     <p>O <a href="#q2">Quadro II</a> descreve o resumo das principais caracter&iacute;sticas dos ensaios cl&iacute;nicos, assim como a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade e n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia. </p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Na PHDA, a necessidade de encontrar alternativas ou um complemento &agrave; terapia farmacol&oacute;gica tem ganho um valor acrescido, uma vez que &eacute; uma patologia que exige estrat&eacute;gias de controlo emocional, controlo da impulsividade e treino de aten&ccedil;&atilde;o, situa&ccedil;&otilde;es que implicam um trabalho individual dif&iacute;cil de gerir apenas com medica&ccedil;&atilde;o. De uma forma global, os estudos apontam que o ioga atinge o seu efeito ben&eacute;fico pelo facto de ser uma modalidade que implica disciplina de concentra&ccedil;&atilde;o conjugada com t&eacute;cnicas de aten&ccedil;&atilde;o e relaxamento.<sup>2,6,13</sup> Os exerc&iacute;cios praticados no ioga geralmente conduzem a um intenso treino postural, respirat&oacute;rio e mental que pode influenciar positivamente o estado de sa&uacute;de mental.<sup>3,6,13</sup> Al&eacute;m disso, est&aacute; descrito que promovem o autocontrolo, autoestima e redu&ccedil;&atilde;o da tens&atilde;o corporal, para al&eacute;m de estimularem a aten&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o.<sup>17</sup> Outros estudos referem ainda que a pr&aacute;tica de ioga pode ter uma a&ccedil;&atilde;o positiva na capacidade e/ou fun&ccedil;&atilde;o discriminativa das crian&ccedil;as com PHDA por aumentar a aten&ccedil;&atilde;o e o processamento da informa&ccedil;&atilde;o.<sup>3,6</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, esta revis&atilde;o inclui algumas limita&ccedil;&otilde;es: o tamanho e a heterogeneidade das amostras, nomeadamente no que diz respeito ao g&eacute;nero, idade, n&iacute;vel de escolaridade e tipo e dose de medica&ccedil;&atilde;o. Os pr&oacute;prios programas de ioga tamb&eacute;m diferiram entre si e, uma vez que &eacute; uma modalidade com diversas vertentes, &eacute; importante uniformizar o tipo de treino e estudar os exerc&iacute;cios e t&eacute;cnicas mais adequadas para o objetivo em causa. Nas diferentes formas de avaliar os <i>outcomes,</i> a maior parte dos trabalhos apenas tentou estabelecer rela&ccedil;&atilde;o entre a pr&aacute;tica de ioga e a diminui&ccedil;&atilde;o dos sintomas prim&aacute;rios de PHDA, n&atilde;o incluindo os sintomas secund&aacute;rios, como as fun&ccedil;&otilde;es cerebrais executivas e discriminativas, descritas apenas para o estudo de Chou e Huang<sup>6</sup> (de 2017). Apontam-se ainda limita&ccedil;&otilde;es relativas ao per&iacute;odo de seguimento de <i>follow-up,</i> diminuindo o poder e a precis&atilde;o dos estudos, bem como &agrave; garantia de aleatoriza&ccedil;&atilde;o e dupla oculta&ccedil;&atilde;o adequadas. A limita&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica pode eventualmente ter condicionado a n&atilde;o inclus&atilde;o de estudos que seriam potencialmente relevantes em outras l&iacute;nguas.</p>     <p>Em suma, apesar de terem sido descritos resultados positivos na diminui&ccedil;&atilde;o dos sintomas de PHDA com a pr&aacute;tica de ioga, n&atilde;o existe evid&ecirc;ncia suficiente para recomendar a sua pr&aacute;tica como terapia complementar na PHDA (for&ccedil;a de recomenda&ccedil;&atilde;o B) pelas limita&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas apontadas. N&atilde;o foram encontrados efeitos adversos significativos com a pr&aacute;tica de ioga. Em Portugal ainda n&atilde;o foram realizados estudos acerca desta tem&aacute;tica. Dada a popularidade da modalidade e a vasta oferta dispon&iacute;vel seria pertinente estudar se se adequa ao contexto e realidade portuguesas, sobretudo numa altura em que as terapias alternativas t&ecirc;m sido temas de discuss&atilde;o entre a comunidade m&eacute;dica.</p>     <p>A necessidade da realiza&ccedil;&atilde;o, num futuro pr&oacute;ximo, de mais estudos aleatorizados, duplamente-cegos, prospetivos e com amostras adequadas torna-se fundamental para perceber o efeito a longo prazo da pr&aacute;tica de ioga como terapia complementar em crian&ccedil;as com PHDA. S&oacute; assim se poder&atilde;o obter estudos de boa qualidade que validem a evid&ecirc;ncia encontrada e auxiliem na formula&ccedil;&atilde;o de recomenda&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Saraiva CB, Cerejeira J. Psiquiatria fundamental. Lisboa: LIDEL; 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384334&pid=S2182-5173201900020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9789897520716 </p>     <!-- ref --><p>2. Lange KM, Makulska-Gertruda E, Hauser J, Reissmann A, Kaunzinger I, Tucha L, et al. Yoga and the therapy of children with attention deficit hyperactivity disorder. J Yoga Phys Ther. 2014;4(3):168.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384336&pid=S2182-5173201900020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>3. Haffner J, Roos J, Goldstein N, Parzer P, Resch F. Zur wirksamkeit k&ouml;rperorientierter therapieverfahren bei der behandlung hyperaktiver St&ouml;rungen: ergebnisse einer kontrollierten pilotstudie [The effectiveness of body-oriented methods of therapy in the treatment of attention-deficit hyperactivity disorder (ADHD): results of a controlled pilot study]. Z Kinder Jugendpsychiatr Psychother. 2006;34(1):37-47. German</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>4. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM - 5). 5th ed. American Psychiatric Publishing; 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384339&pid=S2182-5173201900020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9780890425596</p>     <!-- ref --><p>5. World Health Organization. The ICD-10 Classification of mental and behavioural disorders: clinical descriptions and diagnostic guidelines. Geneva: WHO; 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384341&pid=S2182-5173201900020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9241544228</p>     <!-- ref --><p>6. Chou CC, Huang CJ. Effects of an 8-week yoga program on sustained attention and discrimination function in children with attention deficit hyperactivity disorder. PeerJ. 2017;5:e2883.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384343&pid=S2182-5173201900020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Cerrillo-Urbina AJ, Garc&iacute;a-Hermoso A, S&aacute;nchez-L&oacute;pez M, Pardo-Guijarro MJ, Santos G&oacute;mez JL, Mart&iacute;nez-Vizca&iacute;no V. The effects of physical exercise in children with attention deficit hyperactivity disorder: a systematic review and meta-analysis of randomized control trials. Child Care Health Dev. 2015;41(6):779-88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384345&pid=S2182-5173201900020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Harrison LJ, Manocha R, Rubia K. Sahaja yoga meditation as a family treatment programme for children with attention deficit-hyperactivity disorder. Clin Child Psychol Psychiatry. 1998;9(4):479-97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384347&pid=S2182-5173201900020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>9. Paris J, Bhat V, Thombs B. Is adult attention-deficit hyperactivity disorder being overdiagnosed? Can J Psychiatry. 2015;60(7):324-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384349&pid=S2182-5173201900020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Taylor E. Attention deficit hyperactivity disorder: overdiagnosed or diagnoses missed? Arch Dis Child. 2017;102(4):376-379.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384351&pid=S2182-5173201900020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Galantino ML, Galbavy R, Quinn L. Therapeutic effects of yoga for children: a systematic review of the literature. Pediatr Phys Ther. 2008;20(1):66-80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384353&pid=S2182-5173201900020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Balasubramaniam M, Telles S, Doraiswamy PM. Yoga on our minds: a systematic review of yoga for neuropsychiatric disorders. Front Psychiatry. 2013;3:117.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384355&pid=S2182-5173201900020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Abadi MS, Madgaonkar J, Venkantesan S. Effect of yoga on children with attention deficit/hyperactivity disorder. Psychol Stud. 2008;53(2):154-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384357&pid=S2182-5173201900020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>14. Birdee GS, Yeh GY, Wayne PM, Phillips RS, Davis RB, Gardiner P. Clinical applications of yoga for the pediatric population: a systematic review. Acad Pediatr. 2009;9(4):212-20.e1-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384359&pid=S2182-5173201900020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>15. Ebell MH, Siwek J, Weiss BD, Woolf SH, Susman J, Ewigman B, et al. Strength of recommendation taxonomy (SORT): a patient-centered approach to grading evidence in the medical literature. Am Fam Physician. 2004;69(3):548-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384361&pid=S2182-5173201900020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>16. Jensen PS, Kenny DT. The effects of yoga on the attention and behavior of boys with attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD). J Atten Disord. 2004;7(4):205-16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384363&pid=S2182-5173201900020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17. Peck HL, Kehle T, Bray MA, Theodore LA. Yoga as an intervention for children with attention. School Psych Rev. 2005;34(3):415-24.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1384365&pid=S2182-5173201900020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>In&ecirc;s Pintalh&atilde;o</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:inesmspintalhao@gmail.com">inesmspintalhao@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&atilde;o ter quaisquer conflitos de interesse.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em 21-04-2017</b></p>     <p><b>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 05-01-2019</b></p>      ]]></body><back>
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