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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aleitamento materno e a prevenção da doença alérgica: uma revisão baseada na evidência]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Allergic diseases are among the most common diseases affecting children and have a substantial impact on the quality of life of patients and/or caregivers. Breast milk is the food of choice in the first year of life, with several established benefits. However, its role in the prevention of allergic diseases is controversial. Objective: To determine the effect of breastfeeding compared with adapted formula or mixed feeding in the reduction of allergic disease in children up to 18 years of age. Data sources: MEDLINE and Evidence-based medicine databases. Review methods: Research of studies published between January 2007 and March 2017, in Portuguese, English, and Spanish, using the MeSH terms: breastfeeding, atopic dermatitis, allergic rhinitis, asthma, and food hypersensitivity. The American Family Physician's Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) was used to establish the quality of the studies and define the strength of recommendation. Results: Three hundred and seven articles were obtained and seven met the inclusion criteria: one meta-analysis, one systematic review, two randomized clinical trials, one observational study, and two clinical guidelines. Overall, in relation to atopic dermatitis, it appears that breastfeeding is protective mainly up to two years of age, although some studies didn’t find any association. In relation to allergic rhinitis, breastfeeding was protective up to five years of age and in asthma until 18 years of age. Finally, for food allergy, no association with breastfeeding was found. Conclusions: Breastfeeding has a protective effect on the onset of asthma (SORT A) and allergic rhinitis (SORT B). Regarding food allergy and atopic dermatitis, the results are controversial, therefore, it is not possible to confirm its protective effect (SORT B). In face of this results further studies of good quality and for long periods of time are required.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Aleitamento materno]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>REVISÕES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Aleitamento materno e a prevenção da doença alérgica: uma    revisão baseada na evidência</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Breastfeeding and allergic disease prevention: an evidence-based    review</b></font></p>     <p><b>Marisa Monteiro Gomes,<sup>1</sup> Susana Patricia Leal Rebelo<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Interna de Medicina Geral e Familiar, USF Antonina, ACeS Ave Famalicão.</p>     <p><sup>2</sup> Médica Assistente de Medicina Geral e Familiar. UCSP Lustosa,    ACeS Vale Sousa Norte.</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdução:</b> As doenças alérgicas estão entre as patologias mais comuns    que afetam as crianças, tendo um impacto considerável na qualidade de vida dos    doentes e/ou cuidadores. O leite materno é o alimento de eleição no primeiro    ano de vida, com vários benefícios demonstrados. Contudo, o seu papel na prevenção    de doenças alérgicas é controverso.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Objetivo:</b> Comparar o efeito do aleitamento materno (AM) com o do leite    adaptado ou misto na redução da doença alérgica nas crianças até aos 18 anos    de idade.</p>     <p><b>Fonte de dados:</b> Base de dados MEDLINE e sítios eletrónicos de medicina    baseada na evidência.</p>     <p><b>Métodos de revisão: </b>Pesquisa de estudos publicados entre janeiro de    2007 e março de 2017, em português, inglês e espanhol, utilizando os termos    MeSH <i>breast feeding, atopic dermatitis, allergic rhinitis, asthma</i> e <i>food    hypersensivity.</i> Para avaliação da qualidade dos estudos e força de recomendação    foi utilizada a escala <i>Strength of Recommendation Taxonomy,</i> da <i>American    Family Physician</i> (SORT).</p>     <p><b>Resultados:</b> Da pesquisa obtiveram-se 307 artigos, dos quais sete preencheram    os critérios de inclusão: uma meta-análise, uma revisão sistemática, dois ensaios    clínicos aleatorizados, um estudo observacional e duas normas de orientação    clínica. Globalmente, o AM parece ter um efeito protetor relativamente ao aparecimento    de dermatite atópica até aos dois anos de idade, apesar de alguns estudos não    demonstrarem qualquer associação. Em relação à rinite alérgica, o AM foi protetor    até aos cinco anos de idade e na asma até aos 18 anos. Por fim, para alergia    alimentar não foi encontrada associação com o AM.</p>     <p><b>Conclusão:</b> O AM tem efeito protetor no aparecimento de asma (SORT A)    e rinite alérgica (SORT B). Relativamente à alergia alimentar e à dermatite    atópica, os resultados são controversos. Assim, não é possível confirmar o seu    efeito protetor (SORT B). São, portanto, necessários mais estudos de boa qualidade    e por períodos mais alargados.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Aleitamento materno; Doença alérgica; Asma; Rinite alérgica;    Dermatite atópica.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> Allergic diseases are among the most common diseases affecting    children and have a substantial impact on the quality of life of patients and/or    caregivers. Breast milk is the food of choice in the first year of life, with    several established benefits. However, its role in the prevention of allergic    diseases is controversial.</p>     <p><b>Objective:</b> To determine the effect of breastfeeding compared with adapted    formula or mixed feeding in the reduction of allergic disease in children up    to 18 years of age.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Data sources:</b> MEDLINE and Evidence-based medicine databases.</p>     <p>Review methods: Research of studies published between January 2007 and March    2017, in Portuguese, English, and Spanish, using the MeSH terms: breastfeeding,    atopic dermatitis, allergic rhinitis, asthma, and food hypersensitivity. The    American Family Physician's Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) was used    to establish the quality of the studies and define the strength of recommendation.</p>     <p><b>Results:</b> Three hundred and seven articles were obtained and seven met    the inclusion criteria: one meta-analysis, one systematic review, two randomized    clinical trials, one observational study, and two clinical guidelines. Overall,    in relation to atopic dermatitis, it appears that breastfeeding is protective    mainly up to two years of age, although some studies didn&rsquo;t find any association.    In relation to allergic rhinitis, breastfeeding was protective up to five years    of age and in asthma until 18 years of age. Finally, for food allergy, no association    with breastfeeding was found.</p>     <p><b>Conclusions:</b> Breastfeeding has a protective effect on the onset of asthma    (SORT A) and allergic rhinitis (SORT B). Regarding food allergy and atopic dermatitis,    the results are controversial, therefore, it is not possible to confirm its    protective effect (SORT B). In face of this results further studies of good    quality and for long periods of time are required.</p>     <p><b>Keywords:</b> Breastfeeding allergic disease; Asthma; Allergic rhinitis;    Atopic dermatitis.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>     <p>As doenças alérgicas afetam a qualidade de vida de milhões de crianças e adultos,    sendo, além disso, responsáveis por gastos consideráveis em recursos sociais    e económicos,<sup>1</sup> o que as torna um importante problema de saúde pública.</p>     <p>A sua prevalência tem vindo a aumentar nas últimas décadas,<sup>2</sup> pelo    que é premente a descoberta dos fatores responsáveis por este crescimento, tendo    os fatores ambientais, nomeadamente os nutricionais, sido amplamente estudados.</p>     <p>O leite materno (LM) é o alimento de eleição recomendado no primeiro ano de    vida, com efeito benéfico demonstrado a nível do desenvolvimento físico e psicológico    do lactente.<sup>3</sup> A ausência de aleitamento materno (AM) tem sido associada    a diversas doenças na infância, nomeadamente doença celíaca, obesidade e doenças    infeciosas (e.g., gastroenterite, infeções respiratórias superiores).<sup>3-4</sup>    Além disto, pensa-se que o AM tenha um papel protetor na prevenção das doenças    alérgicas, embora a literatura não seja consensual.<sup>3</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objetivo primário deste estudo consiste em verificar o efeito do AM, comparativamente    ao aleitamento artificial ou leite adaptado na redução da dermatite atópica,    rinite alérgica, asma e alergia alimentar em crianças até aos 18 anos de idade.</p>     <p><b>Métodos</b></p>     <p>Foi efetuada uma pesquisa de meta-análises (MA), revisões sistemáticas (RS),    ensaios clínicos controlados e aleatorizados (ECA), estudos originais (EO) e    normas de orientação clínica (NOC), nas bases de dados MEDLINE, <i>Guidelines    Finder, National Guideline Clearinghouse</i> (NICE), <i>Canadian Medical Association    Infobase, Canadian Task Force on Preventive Health, US Preventive Services Task    Force, The Cochrane Library,</i> DARE, <i>Bandolier,</i> TRIP e Índex das Revistas    Médicas Portuguesas. Utilizaram-se os termos MeSH: <i>breast feeding, atopic    dermatitis,</i> <i>allergic rhinitis, asthma</i> e <i>food hypersensivity.</i>    Foram selecionados os artigos publicados entre 1 de janeiro de 2007 e 31 de    março de 2017, em inglês, espanhol e português.</p>     <p>Foram critérios de inclusão:</p>     <p>&middot; População: crianças até aos 18 anos de idade;</p>     <p>&middot; Intervenção: aleitamento materno;</p>     <p>&middot; Comparação: leite adaptado ou aleitamento misto;</p>     <p>&middot; <i>Outcomes:</i> efeitos na doença alérgica, nomeadamente dermatite atópica,    rinite alérgica, asma e alergia alimentar.</p>     <p>Foram excluídos: estudos com crianças pré-termo; estudos com suplementação    materna ou infantil com nutrientes (e.g., ácidos gordos, prebióticos, probióticos);    estudos com introdução de leite de vaca e estudos com exposição a alergénios    específicos. Foram excluídos ainda artigos duplicados, artigos de opinião, artigos    de revisão clássica do tema, ensaios clínicos incluídos nas RS ou MA selecionadas,    resumos de sítios na Internet e artigos discordantes do objetivo da revisão.</p>     <p>A robustez metodológica dos ensaios clínicos incluídos foi avaliada utilizando    a escala de <i>Jadad.</i><sup>5</sup> A qualidade dos estudos e a força de recomendação    foram avaliadas utilizando a escala de <i>Strength of Recommendation Taxonomy</i>    (SORT), da <i>American Family Physician.</i><sup>6</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n3/35n3a05f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Da pesquisa realizada obteve-se um total de 307 artigos. Destes, sete preencheram    os critérios de inclusão: uma MA, uma RS, dois ECA, um EO e duas NOC. Os <a href="#q1">Quadros    I</a> e <a href="#q2">Quadros II</a> resumem as características dos estudos    selecionados para revisão. Os restantes foram excluídos por divergirem dos objetivos    do trabalho, por não cumprirem os critérios de inclusão ou por serem repetidos.    Também foram excluídos os ECA incluídos nas MA e RS.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n3/35n3a05q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n3/35n3a05q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De forma a facilitar a interpretação optou-se por analisar os resultados obtidos    separadamente para cada um dos objetivos desta revisão: 1) o AM e o desenvolvimento    da doença alérgica; 2) dermatite atópica; 3) rinite alérgica; 4) asma; 5) alergia    alimentar.</p>     <p><b>O aleitamento materno e o desenvolvimento de doença alérgica em geral</b></p>     <p>O papel do AM na prevenção da doença alérgica tem sido alvo de estudo por diferentes    autores, contudo com resultados controversos. Enquanto alguns estudos demonstraram    um papel protetor do AM nas doenças alérgicas, muitos outros não encontraram    qualquer associação ou, pelo contrário, encontraram um aumento do risco de doença    alérgica.<sup>7</sup></p>     <p>Uma das principais razões pelas quais o efeito do AM no desenvolvimento de    alergias permanece em discussão deve-se à complexidade imunológica do LM. Assim,    para além da imunidade passiva através das imunoglobulinas A e G, o LM contém    também outros fatores que estimulam o sistema imunitário infantil. Consequentemente,    o LM fornece tanto sinais protetores como estimulatórios que podem conferir    efeitos contraditórios no desenvolvimento do sistema imune e, consequentemente,    levar ao desenvolvimento de suscetibilidade para a doença alérgica.<sup>7</sup></p>     <p>Em 2014, a <i>European Academy of Allergy and Clinical Immunology</i> (EAACI)    publicou uma norma de orientação clinica<sup>8</sup> que recomenda o AM exclusivo    para todas as crianças durante os primeiros quatro a seis meses de vida.</p>     <p>Os componentes imunomoduladores como, por exemplo, os ácidos gordos de cadeia    longa e oligossacarídeos presentes no LM diferem de mãe para mãe, o que dificulta    o estudo do efeito do LM na prevenção da alergia.<sup>9</sup></p>     <p>Também em 2014, o <i>National Institute for Health and Care Excellence</i>    (NICE) publicou uma norma de orientação clinica<sup>4</sup> que recomenda o    AM durante os primeiros seis meses de vida da criança e enquanto for mutuamente    desejado pela mãe e pelo filho. Refere ainda não haver evidência que suporte    o aleitamento com fórmulas hidrolizadas para a prevenção de alergias quando    comparado com o AM.</p>     <p><b>Dermatite atópica</b></p>     <p>A dermatite atópica é uma patologia frequente e com um importante impacto negativo    na qualidade de vida. Nos primeiros meses de vida da criança, situações clínicas    de infeções com repercussão cutânea podem ser erroneamente diagnosticadas como    dermatite atópica e, desta forma, ser um viés quando se analisam os estudos.</p>     <p>Lodge e colaboradores<sup>7</sup> encontraram pouca evidência do efeito protetor    do AM na redução do risco de eczema até aos dois anos de idade, sendo que o    efeito protetor se limitou ao AM exclusivo durante 3-4 meses em estudos transversais.    Depois dos dois anos de idade, o efeito protetor do LM desapareceu e aumentou    até o risco de dermatite atópica. O AM parece conferir alguma proteção em relação    à dermatite atópica nas crianças de países menos desenvolvidos. Os autores explicam    estes resultados com base na proteção contra infeções em idades precoces, nas    dermatoses erroneamente diagnosticadas como dermatite atópica e ainda nas diferenças    ambientais presentes nos países mais desenvolvidos que podem aumentar o risco    da doença. Os estudos incluídos nesta meta-análise apresentavam baixa qualidade,    tendo sido por isso atribuído um nível de evidência (NE) 2.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Kramer e colaboradores<sup>10</sup> na sua RS incluíram dois estudos que compararam    o efeito do AM exclusivo até aos 6-7 meses de idade versus o AM durante 3-4    meses e o eczema atópico nos primeiros 12 meses de vida. Concluíram que não    existe redução significativa do risco de eczema atópico até ao ano de idade    com o AM exclusivo.</p>     <p>No ECA de Kramer e colaboradores<sup>11</sup> não ficou demonstrado um efeito    protetor do AM exclusivo ou misto prolongado em relação ao eczema, nas crianças    até aos 6,5 anos de idade. Contudo, os autores referem que o diagnóstico de    dermatite atópica é controverso e que, como tal, pode estar subestimado.</p>     <p>À semelhança deste estudo, também Giwercman e colaboradores<sup>9</sup> procuraram    avaliar o efeito do AM na prevenção do eczema, verificando um aumento do risco    de eczema com o AM exclusivo (RR=2,09; IC95%, 1,15-3,08; <i>p</i>&lt;0,05).    Adicionalmente, foi encontrado um aumento do risco de eczema com o prolongamento    da amamentação (<i>p</i>&lt;0,05).</p>     <p>O estudo observacional de Hong e colaboradores<sup>12</sup> comparou a duração    do AM e a associação com a dermatite atópica em crianças coreanas. Verificou-se    que nas crianças com menos de cinco anos de idade, a prevalência da dermatite    atópica foi 1,56 vezes superior com a amamentação prolongada (mais de 12 meses)    quando comparada com o grupo de crianças não amamentadas (IC95%, 1,26-1,94).    Assim, a prevalência de dermatite atópica foi associada positivamente à duração    da amamentação (<i>p</i>&lt;0,001). Em relação às crianças com mais de cinco    anos de idade não foi encontrada nenhuma associação estatisticamente significativa    entre a dermatite atópica e a duração da amamentação (<i>p</i>=0,07). Por fim,    o efeito da amamentação nesta doença não foi modificado pela história familiar    de atopia. Os autores desta revisão explicam isto com base no facto de o leite    materno conter muitos fatores, nomeadamente alergénios, toxinas e citocinas,    que podem passar da mãe para a criança, assim como haver já uma predisposição    genética destas crianças para o desenvolvimento de doenças alérgicas.</p>     <p>Em 2014, a NICE publicou uma norma de orientação clínica<sup>4</sup> que recomenda    o AM durante os primeiros seis meses de vida da criança e refere que o AM exclusivo    durante os primeiros meses de vida pode reduzir o risco de dermatite atópica.</p>     <p><b>Rinite alérgica</b></p>     <p>Na meta-análise de Lodge e colaboradores,<sup>7</sup> que incluiu cinco estudos    coorte e 11 estudos transversais, verificou-se que o AM prolongado (superior    a três meses) versus um curto período de tempo tem um efeito protetor na rinite    alérgica, embora não significativo (OR=0,92; IC95%, 0,84-1,01). Contudo, após    a estratificação pela idade, este efeito protetor só foi encontrado nas crianças    com menos de cinco anos de idade (OR=0,79; IC95%, 0,63-0,98), não tendo sido    encontrada nenhuma associação nas crianças depois dos cinco anos de idade (OR=1,05;    IC95%, 0,99-1,12). Um dos estudos transversais incluídos na MA estudou a interação    com a história familiar de atopia e não encontrou associação.</p>     <p><b>Asma</b></p>     <p>Na meta-análise de Lodge e colaboradores,<sup>7</sup> as crianças que foram    amamentadas tiveram uma redução do risco de asma entre os cinco e os 18 anos    de idade (OR=0,88; IC95%, 0,82-0,95). Contudo, após a estratificação pelo nível    de desenvolvimento do país, este efeito protetor foi superior nos países subdesenvolvidos.</p>     <p>Os autores explicam este facto com base na elevada prevalência de infeções    respiratórias nas crianças destes países, sendo que estas são um importante    fator de risco para o desenvolvimento de asma. Por outro lado, as medidas de    higiene, vacinação e cuidados de saúde são também mais precários nestes países.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando estudado o AM exclusivo durante pelo menos três a quatro meses versus    inferior a três meses nas crianças dos cinco aos 18 anos de idade não foi encontrada    nenhuma associação entre o AM exclusivo superior a três meses e a redução de    asma nestas crianças.</p>     <p>Pelo contrário, nessa mesma faixa etária, quando se comparou o AM prolongado    (superior a três meses) versus um curto período de tempo este mostrou ser protetor    quando prolongado (OR=0,90; IC95%, 0,84-0,97) e, em especial, nos países menos    desenvolvidos (OR=0,86; IC95%, 0,79-0,94). Já quando se estratificou pela história    familiar de atopia não foi encontrada nenhuma associação entre AM e asma nas    crianças com e sem história familiar de atopia (OR=1,08; IC95%, 0,74-1,58 e    OR=1,2; IC95%, 0,91-1,59, respetivamente).</p>     <p>A revisão sistemática de Kramer<sup>10</sup> verificou que não existe redução    do risco de asma nas crianças entre os 5-6 anos de idade com o AM exclusivo.</p>     <p>Ressalve-se que as definições de asma nos diferentes estudos são variadas e    que pode haver alguma confusão entre asma e sibilância recorrente. Por outro    lado, houve diferenças em relação à faixa etária avaliada nos diferentes estudos.</p>     <p><b>Alergia alimentar</b></p>     <p>Um grande obstáculo nos estudos que avaliam a alergia alimentar é a sua própria    definição.</p>     <p>Na meta-análise de Lodge e colaboradores<sup>7</sup> não se encontrou associação    entre o AM prolongado versus um curto período de tempo no desenvolvimento de    AA (OR=1,02; IC95%, 0,88-1,18). Quando foi investigada a interação da história    familiar de atopia com o AM e o desenvolvimento de alergia alimentar foi encontrado    um risco superior nas crianças com história de atopia (OR=5,3; IC95%, 1,2-24,1).</p>     <p>A revisão sistemática de Kramer<sup>10</sup> verificou que não existe redução    do risco de alergia alimentar até ao ano de idade com o AM exclusivo até aos    6-7 meses de idade (RR=0,77; IC95%, 0,25-2,41) nem aos cinco anos de idade (RR=0,61;    IC95%, 0,12-3,19).</p>     <p><b>Conclusão</b></p>     <p>O aleitamento materno tem benefícios para a mãe e para a criança, devendo por    isso ser recomendado pelo menos nos primeiros quatro meses de vida e devendo    ser continuado até aos seis meses de idade.<sup>13</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, o seu papel na prevenção da doença alérgica permanece controverso.</p>     <p>Em relação ao efeito do AM na prevenção da dermatite atópica não existe evidência    científica de que o AM seja protetor. Contudo, nas crianças de países menos    desenvolvidos, parece que o AM confere alguma proteção em relação a esta patologia.    Por outro lado, em alguns estudos houve inclusivamente uma associação positiva    entre a dermatite atópica e o AM prolongado (duração superior a 12 meses).</p>     <p>No que concerne à rinite alérgica, o AM parece preveni-la em crianças até aos    cinco anos de idade. Contudo, a prevalência desta patologia aumenta a partir    dos três anos de idade, tendo um pico na adolescência; o facto de nos diferentes    estudos não ter sido feito um acompanhamento das crianças até à adolescência    pode ter levado à perda de alguns casos de rinite alérgica.</p>     <p>Relativamente à asma, os estudos foram mais consensuais, mostrando um efeito    protetor do AM mesmo em crianças até aos 18 anos de idade.</p>     <p>Quanto à alergia alimentar, os estudos são mais limitados e o próprio diagnóstico    desta patologia é controverso. Desta forma, não foi encontrada uma associação    entre o AM e a prevenção da alergia alimentar.</p>     <p>A presente revisão apresenta várias limitações, a primeira das quais está relacionada    com o facto dos estudos utilizados não serem uniformes na definição dos diferentes    tipos de doenças alérgicas. Por outro lado, acresce ainda a multiplicidade de    fatores externos envolvidos, nomeadamente o ambiente, a genética e a própria    complexidade imunológica do LM e da sua interação com a flora intestinal e sistema    imune do latente.</p>     <p>Outra limitação envolve o curto tempo de seguimento das crianças.</p>     <p>Assim, face ao exposto, é possível afirmar que o AM tem efeito protetor no    aparecimento de asma (SORT A) e rinite alérgica (SORT B). Relativamente à alergia    alimentar e à dermatite atópica, os resultados são controversos; como tal, não    é possível confirmar o seu efeito protetor (SORT B). Desta forma, são necessários    estudos de elevada qualidade, metodologia homogénea, amostras relevantes e mais    prolongados para verificar o efeito do AM na doença alérgica ao longo do tempo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1. Ferreira M, Coelho R, Trindade JC. Prevenção primária da doença alérgica    [Primary prevention of allergic disease]. Acta Med Port. 2007;20(3):215-9. Portuguese</p>     <p>2. Kliegman RM, Stanton BM, St Geme J, Schor N, Behrman RE, editors. Nelson&rsquo;s    textbook of pediatrics. New York: Elsevier Health Sciences; 2011. ISBN 9781437735895</p>     <p>3. Schneider AP, Stein RT, Fritscher CC. O papel do aleitamento materno, da    dieta e do estado nutricional no desenvolvimento de asma e atopia [The role    of breastfeeding, diet and nutritional status in the development of asthma and    atopy]. J Bras Pneumol. 2007;33(4):454-62. Portuguese</p>     <!-- ref --><p>4. National Institute for Health and Care Excellence. Maternal and child nutrition.    London: NICE; 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385588&pid=S2182-5173201900030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Jadad AR, Moore RA, Carroll D, Jenkinson C, Reynolds DJ, Gavaghan DJ, et    al. Assessing the quality of reports of randomized clinical trials: is blinding    necessary? Control Clin Trials. 1996;17(1):1-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385590&pid=S2182-5173201900030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Ebell MH, Siwek J, Weiss BD, Woolf SH, Susman J, Ewigman B, et al. Strength    of recommendation taxonomy (SORT): a patient-centered approach to grading evidence    in the medical literature. Am Fam Physician. 2004;69(3):548-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385592&pid=S2182-5173201900030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Lodge CJ, Tan DJ, Lau MX, Dai X, Tham R, Lowe AJ, et al. Breastfeeding and    asthma and allergies: a systematic review and meta-analysis. Acta Paediatr.    2015;104(467):38-53.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385594&pid=S2182-5173201900030000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Muraro A, Halken S, Arshad SH, Beyer K, Dubois AE, Du Toit G, et al. EAACI    food allergy and anaphylaxis guidelines: primary prevention of food allergy.    Allergy. 2014;69(5):590-601.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385596&pid=S2182-5173201900030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Giwercman C, Halkjaer LB, Jensen SM, Bønnelykke K, Lauritzen L, Bisgaard    H. Increased risk of eczema but reduced risk of early wheezy disorder from exclusive    breast-feeding in high-risk infants. J Allergy Clin Immunol. 2010;125(4):866-71.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385598&pid=S2182-5173201900030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Kramer MS, Kakuma R. Optimal duration of exclusive breastfeeding: review.    Cochrane Databse Syst Rev. 2012;(8):ID003517.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385600&pid=S2182-5173201900030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Kramer MS, Matush L, Vanilovich I, Platt R, Bogdanovich N, Sevkovskaya    Z, et al. Effect of prolonged and exclusive breast feeding on risk of allergy    and asthma: cluster randomised trial. BMJ. 2007;335(7624):815.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385602&pid=S2182-5173201900030000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Hong S, Choi WJ, Kwon HJ, Cho YH, Yum HY, Son DK. Effect of prolonged breast-feeding    on risk of atopic dermatitis in early childhood. Allergy Asthma Proc. 2014;35(1):66-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385604&pid=S2182-5173201900030000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Mavroudi A, Xinias I. Dietary interventions for primary allergy prevention    in infants. Hippokratia. 2011;15(3):216-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385606&pid=S2182-5173201900030000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Marisa Monteiro Gomes</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:marisamonteirogomes@gmail.com">marisamonteirogomes@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram não ter quaisquer conflitos de interesse. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Financiamento do estudo</b></p>     <p>Os autores não receberam qualquer financiamento para o desenvolvimento do estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em 02-05-2017</p>     <p>Aceite para publicação em 08-01-2019</p>      ]]></body><back>
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