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<article-id pub-id-type="doi">10.32385/rpmgf.v35i3.11972</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Relato de um caso de fadiga persistente dois anos após pneumonia a Legionella pneumophila]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Legionnaire's disease (LD) is a severe form of pneumonia caused by Legionella spp. Transmission is generally airborne by inhalation of aerosolized particles. Adults older than 50 years of age, smokers, patients with chronic illness and with immunodeficiency, are more prone to infection. Although early detection and antibiotherapy usually lead to a cure, sequelae may remain. Case description: We present an improved but unresolved case of persistent fatigue during 24 months, in a 47-year-old woman infected after a two-hour stay in the 2014 Vila Franca de Xira outbreak area. The patient had as a sole risk factor: active and passive smoking. A course of 13 days of levofloxacin 500mg/day was started 48 hours after symptoms begin. Improvement of LD clinical symptoms along with laboratory tests results allowed hospital discharge on the fifth day. Comment: This case, while raising questions concerning risk factors and individual susceptibility to residual LD symptoms, draws attention to the possibility that persistent fatigue may occur even after non-severe LD and may thus contribute to the eventual improvement of the medical follow-up of patients after the resolution of the LD. Given the characteristics of the general and family medicine (FGM) discipline, family physicians play a crucial role in monitoring and supporting patients with residual LD symptoms and in promoting healthy habits and lifestyles that can confer well-being and mitigate their impact.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Doença dos Legionários]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RELATOS DE CASO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Relato de um caso de fadiga persistente dois anos após pneumonia    a Legionella pneumophila</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Report of a case of persistent fatigue at two years after    Legionella pneumophila pneumonia</b></font></p>     <p><b>Filipa Maria Paixão,<sup>1</sup> Inês Vinga,<sup>2</sup> Rita Rogado<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Médica especialista de Medicina Geral e Familiar. UCSP OLIVAIS,    ACeS Lisboa Central.</p>     <p><sup>2</sup> Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Tejo, ACeS Loures,    Odivelas.</p>     <p><sup>3</sup> Assitente Graduada de Medicina Geral e Familiar. USF Tejo, ACeS    Loures, Odivelas.</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdução:</b> A doença dos Legionários (DL) é uma pneumonia causada por    bactérias do género <i>Legionella.</i> A transmissão é geralmente inalatória,    tendo os adultos com idade &gt; 50 anos, os fumadores, os doentes crónicos e    os imunodeprimidos uma suscetibilidade aumentada. A deteção e antibioterapia    precoces conduzem geralmente à cura, podendo, todavia, permanecer sequelas.</p>     <p><b>Descrição do caso:</b> Apresenta-se um caso melhorado, mas não resolvido,    de 24 meses de fadiga persistente sem causa identificada, após DL não-grave    confirmada, numa mulher de 47 anos infetada, depois de ter permanecido duas    horas na área do surto de 2014 de Vila Franca de Xira. A doente apresentava,    como único fator de risco, tabagismo (ativo e passivo). Foi tratada às 48h de    evolução com levofloxacina 500mg/dia durante 13 dias. A melhoria clínica e laboratorial    da DL permitiu a alta hospitalar ao quinto dia.</p>     <p><b>Comentário:</b> Este caso levanta questões relacionadas com fatores de risco    e suscetibilidade individual para sintomas residuais, chamando a atenção para    a possibilidade de ocorrência de fadiga persistente mesmo após formas não-graves    de DL e podendo contribuir para a eventual melhoria do acompanhamento médico    dos doentes após resolução da DL.</p>     <p>Pelas características da disciplina de medicina geral e familiar (MGF), o médico    de família tem um papel crucial no diagnóstico e no acompanhamento de doentes    com sintomas residuais de DL, assim como na promoção de hábitos e estilos de    vida saudáveis que podem conferir bem-estar e mitigar o impacto destes sintomas.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Doença dos Legionários; <i>Legionella pneumophila;</i>    Fator de risco; Tabagismo; Fadiga crónica.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> Legionnaire's disease (LD) is a severe form of pneumonia    caused by Legionella spp. Transmission is generally airborne by inhalation of    aerosolized particles. Adults older than 50 years of age, smokers, patients    with chronic illness and with immunodeficiency, are more prone to infection.    Although early detection and antibiotherapy usually lead to a cure, sequelae    may remain.</p>     <p><b>Case description:</b> We present an improved but unresolved case of persistent    fatigue during 24 months, in a 47-year-old woman infected after a two-hour stay    in the 2014 Vila Franca de Xira outbreak area. The patient had as a sole risk    factor: active and passive smoking. A course of 13 days of levofloxacin 500mg/day    was started 48 hours after symptoms begin. Improvement of LD clinical symptoms    along with laboratory tests results allowed hospital discharge on the fifth    day.</p>     <p><b>Comment:</b> This case, while raising questions concerning risk factors    and individual susceptibility to residual LD symptoms, draws attention to the    possibility that persistent fatigue may occur even after non-severe LD and may    thus contribute to the eventual improvement of the medical follow-up of patients    after the resolution of the LD.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Given the characteristics of the general and family medicine (FGM) discipline,    family physicians play a crucial role in monitoring and supporting patients    with residual LD symptoms and in promoting healthy habits and lifestyles that    can confer well-being and mitigate their impact.</p>     <p><b>Keywords:</b> Legionnaires' disease; Legionella pneumophila; Risk factor;    Tobacco use; Chronic fatigue.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>     <p>Designa-se por doença de Legionários (DL) a doença sistémica manifestada por    pneumonia, causada por bactérias do género <i>Legionella.</i> Estas bactérias    podem também causar a febre de <i>Pontiac,</i> uma forma de doença localizada    nos brônquios, autolimitada, moderada, semelhante a gripe, sem quadro de pneumonia.</p>     <p>A DL é considerada uma doença transmissível de declaração obrigatória desde    1999, sendo monitorizada no contexto do Programa de Vigilância Epidemiológica    Integrada da DL (VigLab - D. Legionários) desde 2004.<sup>1</sup></p>     <p>A DL apresenta uma variabilidade clínica, dependente da suscetibilidade individual,    em termos de gravidade da morbilidade e da mortalidade; assim, a identificação    de fatores de risco pré-estabelecidos é essencial na definição da abordagem    terapêutica, tendo em conta o prognóstico de gravidade estimado.<sup>2</sup></p>     <p><b>Transmissão e patogénese da <i>Legionella</i></b></p>     <p>Estão identificadas 52 espécies de <i>Legionella</i> e 70 serotipos, estando    cerca de 80% dos casos associados a <i>Legionella pneumophila</i> subgrupo 1    <i>(Lpsg1).</i><sup>3</sup></p>     <p>A <i>Lp</i> é uma bactéria aeróbia gram-negativa de multiplicação intracelular    facultativa, em macrófagos humanos e em protozoários que funcionam como reservatórios.    A estagnação de água, a formação de biofilmes, a presença de algas e protozoários    e temperaturas entre 25 °C e 50 °C favorecem a multiplicação desta bactéria    ubiquitária e saprófita da água.<sup>4</sup> A <i>Lp</i> sobrevive no exterior,    no solo e na água, em baixo número, raramente causando infeções. Contudo, no    interior de edifícios, pode multiplicar-se em sistemas de água, como torres    de refrigeração, sistemas de ar condicionado, fontes decorativas, piscinas,    sistemas de água de hotéis ou hospitais até ao nível de contaminação ou dose    infetante.<sup>5</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Até fevereiro de 2016 era consensual que a infeção por <i>Lp</i> era adquirida    sobretudo por via inalatória (e, esporadicamente, por microaspiração de água    contaminada); todavia, foi recentemente reportado em Portugal um caso confirmado    de provável transmissão interpessoal.<sup>6</sup></p>     <p>A DL tem um elevado potencial epidémico; surge frequentemente sob a forma de    surtos, sobretudo no verão e no outono, podendo ocorrer como casos esporádicos.    A OMS define como surto a ocorrência de pelo menos dois casos, num período até    seis meses, numa área de residência ou de trabalho comum, em que há suspeita    de uma fonte comum de infeção.<sup>7</sup></p>     <p>O raio de distância de disseminação de aerossóis contaminados é de cerca de    3km, havendo evidência que possa atingir até 6km.<sup>8</sup></p>     <p>A vigilância das instalações que albergam potenciais fontes de infeção faz    parte da prevenção primária, pelo que estas são alvo de inspeções regulares    no que respeita à operação e manutenção de sistemas e equipamentos, ao controlo    e tratamento físico-químico e microbiológico da água, bem como da limpeza e    desinfeção de todas as instalações.<sup>5</sup></p>     <p>A ocorrência de infeção depende<sup>4-5</sup> não só do grau de contaminação    da água, mas também da virulência das bactérias, da contaminação e da disseminação    de aerossóis a partir da fonte contaminada, do tempo de exposição aos aerossóis    e de fatores de risco do hospedeiro.</p>     <p><b>Doença dos Legionários</b></p>     <p>Os fatores de risco do hospedeiro para a DL são: idade superior ou igual a    50 anos, sexo masculino, hábitos tabágicos ou alcoólicos, imunossupressão e    doença crónica (DPOC, diabetes <i>mellitus,</i> doença renal ou oncológica).<sup>4-5</sup></p>     <p>O período de incubação varia de dois a dez dias. A apresentação clínica pode    ser inespecífica, havendo sintomas classicamente associados a DL, como mal-estar,    febre alta, prostração, anorexia e cefaleias. As mialgias são menos frequentes,    apesar de proeminentes em alguns doentes. Os sintomas das vias respiratórias    superiores, como a coriza, são raros. Pelo segundo a terceiro dia, surge tosse    ligeiramente produtiva, por vezes hemoptóica, dispneia em cerca de 33-50% dos    doentes e dor torácica. São também frequentes sintomas gastrointestinais (dor    abdominal, náuseas, vómitos, diarreia). As alterações neurológicas mais comuns    são confusão ou alteração do estado mental, mas também estão descritas letargia,    estado confusional, depressão e outros sintomas de encefalopatia.<sup>7</sup></p>     <p>O pulmão é geralmente a porta de entrada para a <i>Lp,</i> resultando as manifestações    extrapulmonares, sobretudo, da disseminação hematogénica a partir do pulmão.<sup>7</sup></p>     <p>O coração é a localização extrapulmonar mais comum (pericardite e endocardite).<sup>7</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre o primeiro e o terceiro dia após o início dos sintomas, a confirmação    da infeção por <i>Lpsg1</i> pode ser realizada através de um método rápido da    pesquisa de antigénios urinários.<sup>4,9-10</sup> A confirmação pode também    ser feita por isolamento do agente em cultura de produtos biológicos/biópsia    respiratórios (moroso para confirmação de negatividade) e por pesquisa de anticorpos    no soro por imunofluorescência indireta.<sup>9</sup></p>     <p>A avaliação clínica deve também incluir hemograma, ionograma, função hepática    e função renal, bem como radiografia ao tórax para avaliar a gravidade e a extensão    da doença.<sup>9</sup></p>     <p>Ao contrário da febre de <i>Pontiac, </i>a DL necessita de tratamento com antibioterapia    (macrólido ou quinolona), obrigando frequentemente a hospitalização.<sup>7</sup></p>     <p>A DL pode condicionar complicações precoces graves, das quais se destacam a    insuficiência respiratória, o choque séptico e a insuficiência renal aguda.<sup>7</sup>    Segundo a Organização Mundial da Saúde, a taxa de mortalidade varia entre 5%    a 10%, em função das co-morbilidades, do estado imunitário do doente, da gravidade    da pneumonia e da precocidade do início da terapia antimicrobiana, podendo atingir    80% nos doentes imunossuprimidos, nos que não recebem atempadamente tratamento    ou naqueles com complicações.<sup>7</sup></p>     <p>As complicações podem, todavia, perdurar no tempo, como observado num estudo    holandês de 144 sobreviventes a um surto da DL adquirida na comunidade (2005),    em que foi observada a persistência de fadiga, fraqueza e sintomas neurológicos    inespecíficos em 63% a 75% dos doentes, até 17 meses após o tratamento<sup>10</sup>    e até 24 meses, como relatado no surto inicial de Filadélfia em 1976.</p>     <p>Por outro lado, está descrito que os sintomas residuais podem ser mais arrastados    no tempo em doentes com pneumonia adquirida na comunidade que esteja associada    a maior risco de vida.<sup>10</sup></p>     <p>Os critérios de estimativa de prognóstico de gravidade imediata específicos    para a pneumonia da comunidade em geral não foram definidos para a DL nem para    o prognóstico de suscetibilidade de complicações a longo prazo, que continua    a depender de uma avaliação clínica individualizada.<sup>11</sup></p>     <p>Os cuidados de saúde prestados a nível hospitalar estão tipificados por vários    normativos, nomeadamente da Direção-Geral da Saúde, que incluem a confirmação    laboratorial do diagnóstico e o seguimento até à resolução da DL e das suas    complicações imediatas, não estando previsto um seguimento a longo prazo, após    alta, em qualquer orientação clínica.<sup>9</sup></p>     <p><b>Fadiga crónica</b></p>     <p>As causas de fadiga crónica incluem doenças do foro infecioso (ou <i>status</i>    pós-infecioso), endocrinológico, hematológico, oncológico, reumatológico, neurológico    ou psiquiátrico. A síndroma de fadiga crónica (SFC) é um diagnóstico de exclusão,<sup>12</sup>    corresponde a uma entidade nosológica essencialmente funcional que poderá fazer    diagnóstico diferencial de fadiga após exclusão de patologia orgânica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A SFC é um quadro muito prevalente, que afeta sobretudo pessoas do sexo feminino    com idade superior a 40 anos, sendo muito debilitante. Os critérios de diagnóstico    do CDC definem a doença como fadiga grave, com mais de seis meses de evolução,    associada a quatro dos seguintes sintomas: cefaleia, dor poliarticular (sem    edema ou eritema), dor muscular, cansaço de esforço que dura mais de 24h, alterações    da memória de curto prazo e da concentração, odinofagia, adenopatias dolorosas    e alterações do sono.<sup>12</sup></p>     <p><b>Contexto epidemiológico</b></p>     <p>Entre 14 de outubro e 24 de novembro de 2014 ocorreu o segundo maior surto    europeu de DL em algumas zonas do município português de Vila Franca de Xira.    Este surto foi investigado pelas autoridades de saúde, sendo a provável fonte    de emissão de aerossóis contaminados as torres de refrigeração de uma das quatro    instalações fabris situadas na região de Alverca.</p>     <p>Foram confirmados, através de antigenúria, 334 casos de infeção por <i>Lpsg1</i>    (genótipo mais prevalente ST 1905), dos quais 221 (67%) eram em indivíduos do    sexo masculino, com uma média de idades de 58 anos, tendo sido registados 10    óbitos.<sup>13</sup></p>     <p>No mês de outubro de 2014 verificou-se uma série de condições particularmente    profícuas para a multiplicação e disseminação de uma estirpe de <i>Lpsg1</i>    muito virulenta, em que se conjugaram elevadas temperaturas do ar, diminuição    da espessura da camada limite da atmosfera, presença de uma massa de ar com    poeiras proveniente de África e elevada humidade relativa numa zona industrial    de alta densidade populacional.</p>     <p>A USF Tejo serve a população de Moscavide, localidade que dista cerca de 14km    da provável fonte de disseminação da infeção (<a href="#f1">Figura 1</a>), ou    seja, fora da área do surto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n3/35n3a07f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Descrição do caso</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>C.S., 47 anos de idade, sexo feminino, leucodérmica, natural de Lisboa, casada,    pertence a uma família nuclear na fase I do ciclo de <i>Duvall</i> e à classe    social média de Graffar, com seis anos de escolaridade, caixa fixa em sala de    jogos, residente em Moscavide.</p>     <p>C.S. parecia ter uma vida pessoal e familiar preenchida, era ativa e aparentemente    realizada.</p>     <p>Era saudável até à data de <b>10 de novembro de 2014</b> (D0=dia 0), quando    recorreu à consulta de doença aguda da USF Tejo por febre alta (temperatura    axilar de 39 °C), arrepios, mal-estar geral, prostração, mialgias, cefaleias,    dispneia, tosse seca, náuseas e vómitos, com 48h de evolução. Negava queixas    de expetoração, dor torácica, odinofagia ou otalgia. Para obter descidas da    temperatura axilar até próximo de 37 °C necessitou de efetuar tomas de paracetamol    1000mg de 6 em 6h.</p>     <p>No dia <b>30 de outubro de 2014,</b> 11 dias antes do início dos sintomas (D-11=dia    -11), a doente tinha-se deslocado de carro por um período de duas horas, na    companhia do marido, à área do surto (Forte da Casa) para limpeza de um apartamento,    não tendo permanecido em ambiente exterior. Nas duas semanas anteriores não    tinha efetuado quaisquer deslocações à área do surto.</p>     <p>Em termos de antecedentes pessoais havia a registar excesso de peso (58Kg com    IMC 26,1Kg/m<sup>2</sup>), hipercolesterolemia e hábitos tabágicos de 15 UMA,    sendo a sinvastatina 20mg e a contraceção hormonal combinada oral as únicas    terapêuticas crónicas que efetuava. A doente era, desde há 27 anos, caixa fixa    numa sala de jogos onde estava exposta a fumo de tabaco durante o seu horário    de trabalho por turnos de 6h diárias. Os antecedentes familiares são clinicamente    irrelevantes.</p>     <p>Ao exame físico apresentava-se apirética, com sudorese aumentada e extremamente    prostrada, com frequência respiratória de 24cpm, frequência cardíaca de 109bpm,    pressão arterial de 130/69mmHg, embora com uma saturação periférica de oxigénio    em ar ambiente de 99%. À auscultação pulmonar tinha uma diminuição do murmúrio    vesicular à direita, sem ruídos adventícios e som claro pulmonar à percussão.    O restante exame objetivo era normal.</p>     <p>Referenciou-se a doente ao serviço de urgência (SU) do hospital de referência.    À entrada no SU, apresentava antigénio urinário <i>Lpsg1 </i>positivo, leucocitose    de 13,20x10<sup>9</sup>/L, com neutrofilia (89,09% - 11,76x10<sup>9</sup>/L),    elevação da PCR (426,2mg/dl), hiponatrémia ligeira de 134mEq/L, hipoxémia e    alcalose respiratória na gasimetria (pH 7,51; PaCO2 28,6mmHg; PaO2 73,5mmHg;    HCO3 22,8mMol/l; lactatos 1,06mg/dl; SaO<sub>2</sub> a ar ambiente 95,8%), que    excluiram insuficiência respiratória. Radiologicamente observava-se um foco    de condensação no lobo superior direito (<a href="#f2">Figura 2</a>). Ao terceiro    dia de internamento foi avaliada a função hepática, que estava inalterada com    valores de AST 17U/L e ALT de 9U/L.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n3/35n3a07f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esteve internada durante cinco dias num serviço de medicina, sob terapêutica    com levofloxacina 500mg/dia e.v. Ao longo do internamento registou-se uma progressiva    melhoria clínica da sintomatologia e da auscultação pulmonar, acompanhada por    uma melhoria radiológica e laboratorial que se traduziu por uma descida da PCR    para 174,4mg/L, um decréscimo da neutrofilia para valores de 77,8% (embora mantendo    uma leucocitose de 13,6 x10<sup>9</sup>/L), uma normalização da natrémia para    142mEq/L e valores de normoxémia na gasimetria que determinaram a alta medicada    com levofloxacina 500mg/dia oral durante dez dias. O seguimento hospitalar foi    efetuado através de uma consulta na semana seguinte à alta, em que se procedeu    à confirmação da evolução clínica favorável e à reavaliação radiológica que    já não revelava o foco de condensação no lobo superior direito (<a href="#f3">Figura    3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n3/35n3a07f3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Após confirmação do caso, o hospital procedeu à notificação do caso ao Sistema    Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE).</p>     <p>A doente regressou ao trabalho ao vigésimo segundo dia (D22).</p>     <p>O marido, um homem de 43 anos, hipertenso e não fumador, esteve simultaneamente    com a doente na área do surto, não apresentando sintomas de infeção por <i>Legionella.</i>    Em <b>julho de 2015,</b> nove meses (M9=mês 9) após o episódio de DL, a doente    recorreu de novo à nossa consulta por queixas mantidas de fadiga intensa, que    se traduziam em dificuldade nas atividades da vida diária, como pentear-se,    ter relações sexuais, estender a roupa e subir as escadas da passagem aérea    da linha de comboio de Moscavide.</p>     <p>Negava queixas álgicas, febre, mialgias, artralgias, cefaleias, sintomas digestivos,    urinários, psiquiátricos ou neurológicos. Tinha abandonado os hábitos tabágicos    por ocasião do internamento, embora mantivesse a exposição passiva ao fumo de    tabaco no posto de trabalho. Não apresentava sintomas ou sinais músculo-esqueléticos,    neurológicos ou psiquiátricos.</p>     <p>Ao exame objetivo apresentava, à auscultação pulmonar, murmúrio vesicular mantido    sem ruídos adventícios e à auscultação cardíaca S1 e S2 rítmicos, normofónicos,    taquicárdicos, sem sopros ou extra-sons. A pressão arterial era de 155-83mmHg,    com frequência cardíaca 93ppm. O peso tinha aumentado 3Kg, para 61Kg e o IMC    subira para 27,5Kg/m<sup>2</sup>. Não se identificaram outras alterações no    restante exame objetivo.</p>     <p>Em função do quadro clínico foram efetuadas investigações diagnósticas no sentido    de excluir as causas mais prováveis de fadiga numa mulher de 47 anos: SFC, anemia,    insuficiência cardíaca, insuficiência respiratória, apneia do sono, DPOC, asma,    alterações da tiroide, climatério, doenças reumatológicas, infeções ou infestações    e doenças psiquiátricas.<sup>11</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Não foram identificadas alterações laboratoriais significativas que validassem    qualquer das hipóteses diagnósticas de patologia orgânica consideradas nesta    fase, nomeadamente no que respeita: hemograma, VS, PCR, proteinograma, função    renal, ionograma, calcémia, função hepática, função tiróideia, marcadores de    autoimunidade (fator reumatoide, TASO, RA teste, anticorpos antimitocôndrias;    dsDNA), pesquisa de ovos e parasitas nas fezes ou urina tipo II.</p>     <p>Quanto à hipótese da insuficiência cardíaca, o ecocardiograma não revelou alterações    sugestivas de patologia do foro cardíaco.</p>     <p>Relativamente a psicopatologia, a utente não apresentava sintomas de alterações    cognitivas nem as queixas preenchiam os critérios da DSM-5 para depressão major,    doença bipolar ou esquizofrenia, conforme a avaliação efetuada na consulta.</p>     <p>Foi excluído o diagnóstico de fibromialgia dada a ausência de sintomas de dor    generalizada.</p>     <p>Por último, exclui-se o diagnóstico de SFC por as queixas apresentadas não    corresponderem aos critérios dos CDC para SFC (ausência de mialgias, alterações    do humor e do sono).</p>     <p>Não tendo sido identificada uma causa para o cansaço ou para a dispneia foi    decidido agendar espirometria e manter a utente sob vigilância assídua.</p>     <p>Dados os antecedentes de tabagismo e a idade superior a 35 anos, aproveitou-se    a oportunidade para aconselhamento sobre contraceção, pelo que a utente substituiu    a contraceção hormonal combinada por contraceção progestagénica oral.</p>     <p>Em <b>setembro de 2015,</b> ao 11º mês (M11) após o episódio inicial, mantinha    praticamente inalteradas as queixas de fadiga e dispneia. Realizou-se na USF    a espirometria, que foi efetuada por um técnico cardiopulmonar do serviço de    pneumologia do hospital de referência, com um espirómetro portátil (em conformidade    com especificações técnicas da norma 005/2016). Dado que o índice de <i>Tiffeneau</i>    pré-broncodilatação foi de 75%, o de pós-broncodilatação foi de 78% e que o    aumento do VEMS após broncodilatação foi de 8% (18ml), não se observaram critérios    funcionais de nenhuma das duas doenças obstrutivas consideradas.</p>     <p>Nesta consulta estava normotensa e não se registou aumento de peso.</p>     <p>Em <b>janeiro de 2016,</b> ao 14º mês (M14), voltou à consulta para reavaliação,    apresentando uma ligeira melhoria sintomática, sobretudo das queixas de dispneia,    mas continuando a referir sensação de fadiga e cansaço para grandes esforços.    Apresentava-se normotensa e com um novo aumento de peso de 2Kg, tendo 63Kg e    um IMC de 28,4Kg/m<sup>2</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesta data foram também pedidas provas de função respiratória, em laboratório,    com pletismografia, com prova de reversibilidade e de provocação inalatória    com metacolina. Os resultados revelaram volumes pulmonares, débitos expiratórios    forçados e resistência aérea dentro dos limites da normalidade e negatividade    da prova de provocação da metacolina (redução do VEMS inferior a 20%). Foi doseada    a alfa-1-antitripsina que estava em valores normais de 200mg/dL, permitindo    excluir uma eventual deficiência desta proteína. Foi simultaneamente pedida    TAC torácica de alta definição, que não revelou alterações significativas.</p>     <p>Em <b>fevereiro de 2016,</b> ao 15º mês (M15) após o início da pneumonia a    <i>Legionella,</i> a doente mantinha queixas de fadiga e sensação de dispneia    para esforços mais intensos (como caminhar em declive), com uma considerável    repercussão geral nas atividades de vida diária, mais acentuadas do que seria    expectável após 15 meses de DL, sem identificação de uma alteração causal. O    peso corporal não tinha aumentado. Decidimos a referenciação a pneumologia para    esclarecimento de eventual associação com DL e para reavaliação clínica de eventuais    alterações da função respiratória, apesar de não termos diagnosticado qualquer    doença deste foro.</p>     <p>Em <b>março de 2016,</b> 16º mês (M16), mantinha fadiga menos intensa e negava    dispneia. Foi observada na consulta de pneumologia do Hospital Pulido Valente,    não se tendo objetivado alterações clínicas. Foram solicitadas novas provas    de função respiratória que foram normais e sobreponíveis às anteriores. Estas    provas incluíram, pela primeira vez, a prova de difusão de CO para despiste    de lesão da membrana alvéolo-capilar sugestiva, nomeadamente de patologia do    interstício pulmonar (DLCO 104% e DLCO/VA 85%). Foi também efetuada prova da    marcha de seis minutos, associada com gasimetria, para avaliação da capacidade    funcional em deambulação, que revelou boa tolerância ao esforço, sem desencadear    cansaço, dor no peito ou dessaturação da hemoglobina (saturação de O<sub>2</sub>    média 98% durante a marcha), tendo-se registado dispneia moderada de grau 3    da escala de <i>Borg</i> (0,5-11 pontos). Os resultados obtidos contribuíram    para a exclusão de alterações restritivas ou obstrutivas significativas. Foi    valorizado pelo pneumologista o potencial impacto na fadiga do aumento de 5Kg    no último ano até alcançar um peso de 63Kg e um IMC de 28,5Kg/m<sup>2</sup>,    pelo que foi sugerido emagrecimento e prática de exercício. A doente iniciou    hidroginástica três vezes por semana, mas não iniciou o plano alimentar recomendado    nas consultas posteriores de medicina geral e familiar.</p>     <p>Em <b>dezembro de 2016,</b> 24º mês (M24), apresenta-se francamente melhorada    da fadiga, tendo recuperado a capacidade de esforço para quase todas as atividades    da vida diária, exceto para andar em declive e voltar a subir as escadas da    passagem aérea sem ter de parar. O peso estabilizou em 63Kg, mas não diminuiu.    Foi reiterada a importância da manutenção da cessação tabágica, da alimentação    saudável e da diminuição do peso adquirido, tendo a utente manifestado a intenção    de retomar, no ano novo, o plano alimentar acordado.</p>     <p>Ao ser questionada sobre o impacto destes sintomas, respondeu que &ldquo;mudou a    minha vida familiar e profissional em termos de cansaço. Deixei de fumar e comecei    a fazer desporto. Ainda me sinto cansada, mas faço quase a minha vida normal&rdquo;.</p>     <p>Após a realização desta última consulta considerou-se que haviam sido efetuadas    as investigações necessárias para excluir causas orgânicas prováveis ou graves    de fadiga (<a href="#f4">Figura 4</a>), tendo sido decidido manter vigilância    semestral em consulta.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f4"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v35n3/35n3a07f4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Comentário</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No presente trabalho apresentou-se um caso de 24 meses de fadiga persistente    com repercussão nas atividades da vida diária após DL não grave, confirmada,    numa utente de 47 anos, infetada durante o surto de 2014 de Vila Franca de Xira    e tratada com 13 dias de levofloxacina. A fadiga persistente foi-se atenuando,    mas não se resolveu ao longo de 24 meses.</p>     <p>A doente revelou-se particularmente suscetível à infeção, dado que residia    fora da área do surto, a cerca de 14km da fonte emissora de aerossóis, tendo    permanecido apenas duas horas no local de risco (na maior parte do tempo, em    ambiente interior) e apresentando, como único fator de risco, a exposição ao    fumo do tabaco (carga tabágica de 15 UMA em ambiente laboral), dado ter uma    idade &lt; 50 anos, ser do sexo feminino e não ser portadora de doença crónica    conhecida.</p>     <p>A discussão deste caso centrou-se nos tópicos abaixo discutidos, que foram    relativos à necessidade de referenciação de queixas inespecíficas aos cuidados    hospitalares, à relação da infeciosidade com as características do surto, à    associação entre fadiga crónica e infeção por <i>Lp,</i> à importância do tabagismo    na fadiga pós-infeciosa persistente, aos parâmetros clínicos relevantes para    o prognóstico de complicações de DL a longo-prazo e finalmente à modalidade    de seguimento a longo prazo.</p>     <p>1. Acompanhou-se a doente nos cuidados primários, sem referenciação a qualquer    especialidade durante seis meses, devido à inespecificidade dos sintomas. Efetuou-se    uma marcha diagnóstica no sentido de excluir as causas mais frequentes de fadiga    persistente. Não foi possível relacionar a fadiga persistente com a SFC ou com    outra doença. Consequentemente, ao sexto mês decidiu-se referenciá-la à consulta    de pneumologia para esclarecimento de eventual associação com DL e para avaliação    clínica das alterações da função respiratória ligeiras. Foram excluídas alterações    restritivas ou obstrutivas significativas. Foi sugerida diminuição de peso até    normalização do IMC e prática de exercício físico regular.</p>     <p>2. Questionou-se sobre a eventual relação entre o aumento de risco de infeção    e as características específicas do surto em termos de dose infetante e tempo    mínimo de exposição. O facto de a permanência de apenas duas horas no local    do surto e em ambiente interior ter sido suficiente para causar doença sugere    uma carga bacteriana particularmente elevada. Contudo, o facto de o marido ter    permanecido no mesmo local durante o mesmo tempo e não ter sido infetado levantou    dúvidas sobre a relevância deste aspecto e privilegiou a abordagem relativa    à suscetibilidade aumentada da doente, devido ao tabagismo, como o fator principal    e determinante para a contração da doença.</p>     <p>3. A literatura relata a associação de fadiga crónica pós infeciosa em determinadas    doenças virais e, mais raramente, bacterianas, havendo evidência científica    esporádica para a <i>Lp.</i><sup>14</sup> Este quadro tem semelhanças com o    descrito no artigo do estudo holandês de Lettinga<sup>11</sup> sobre a persistência    de fadiga 17 meses após o tratamento de DL, que menciona que Lattimer já tinha    verificado sintomas residuais aos 24 meses nos doentes do surto inicial de Filadélfia,    em 1976. Lettinga não identificou nenhum fator predisponente, mas cita Fine,    que sugere que os sintomas residuais podem ser mais arrastados no tempo<sup>11</sup>    em doentes com pneumonia adquirida na comunidade que esteja associada a maior    risco de vida; todavia, nesta doente a persistência da fadiga até aos 24 meses    após a DL não é concordante com a gravidade da pneumonia.</p>     <p>4. Outra questão incidiu sobre se os hábitos tabágicos e a exposição passiva    ao fumo do tabaco no local de trabalho (com eventuais repercussões na função    respiratória) teriam sido determinantes para a suscetibilidade aumentada à DL,    se poderiam predispor à persistência da fadiga. Por este motivo, aconselhou-se    e a doente foi apoiada relativamente à manutenção da cessação tabágica (embora    não pudesse mudar de emprego).</p>     <p>5. Este quadro de fadiga residual, embora atenuada, ainda persistia aos 24    meses após a pneumonia. Terá havido um impacto favorável da cessação tabágica    e da prática de hidroginástica; todavia, persistiu o ambiente laboral e o excesso    de peso. Não existem dados clínicos suficientes nem foram encontrados dados    na literatura que permitam a elaboração de um prognóstico relativo a intensidade    ou duração deste quadro, pelo que se manteve a doente sob vigilância regular,    pelo menos de seis em seis meses, para acompanhamento da redução de peso, manutenção    do estilo de vida saudável e para monitorização da evolução da fadiga.</p>     <p><b>Conclusão</b></p>     <p>Este caso levanta questões relacionadas com fatores de risco e suscetibilidade    individual para sintomas residuais, chamando a atenção para o problema da possível    magnitude destes sintomas e do seu impacto na qualidade de vida, podendo assim    contribuir para o reconhecimento precoce de complicações persistentes, mesmo    após formas não graves de DL, e para a eventual melhoria do acompanhamento médico    dos doentes após resolução da DL.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A disciplina de medicina geral e familiar define-se por um leque de características    que incluem, entre outras, a acessibilidade, a abordagem abrangente e holística,    a gestão de sintomatologia indiferenciada, a gestão e a integração dos cuidados    de saúde contínuos. Por esses motivos e pelas competências da sua especialidade,    o médico de família tem um papel crucial no acompanhamento de doentes com sintomas    residuais de DL e na promoção de hábitos e estilos de vida saudáveis que podem    conferir bem-estar e mitigar o seu impacto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <p>1. Portaria n.º 1071/98, de 31 de dezembro. Diário da República. 1ª Série-B.    1998;(301).</p>     <!-- ref --><p>2. Fiumefreddo R, Zaborsky R, Haeuptle J, Christ-Crain M, Trampuz A, Steffen    I, et al. Clinical predictors for Legionella in patients presenting with community-acquired    pneumonia to the emergency department. BMC Pulm Med. 2009;9:4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385925&pid=S2182-5173201900030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. UK Standards for Microbiology Investigations. Identification of Legionella    species [Internet]. London: Public Health England; 2015. Available from: <a href="https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/422702/ID_18i3.pdf" target="_blank">https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/422702/ID_18i3.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385927&pid=S2182-5173201900030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>4. Diegues P, Martins V. Prevenção da doenlas dos Legionários: sistemas de    tratamento (vantagens e desvantagens). Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385928&pid=S2182-5173201900030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <p>5. Soares AS, Pinto A. Prevenção e controlo de Legionella nos sistemas de água    [Internet]. Caparica: Instituto Português da Qualidade; EPAL; 2014. ISBN 9789727631490.    Available from: <a href="http://www1.ipq.pt/PT/SPQ/ComissoesSectoriais/CS04/Documents/Brochura_Legionella_2014.pdf" target="_blank">http://www1.ipq.pt/PT/SPQ/ComissoesSectoriais/CS04/Documents/Brochura_Legionella_2014.pdf</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>6. Correia AM, Ferreira JS, Borges V, Nunes A, Gomes B, Capucho R, et al. Probable    person-to-person transmission of Legionnaires&rsquo; disease. N Engl J Med. 2016;374(5):497-8.  </p>     <!-- ref --><p>7. World Health Organization. Legionella and the prevention of legionellosis.    Geneva: WHO; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385932&pid=S2182-5173201900030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISBN 9241562978 </p>     <!-- ref --><p>8. Nguyen TM, Ilef D, Jarraud S, Rouil L, Campese C, Che D, et al. A community-wide    outbreak of legionnaires disease linked to industrial cooling towers: how far    can contaminated aerosols spread? J Infect Dis. 2006;193(1):102-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385934&pid=S2182-5173201900030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Marques MT, Froes F, Grum G, Esteves AC. Doença dos Legionários: protocolo    de diagnóstico. Lisboa: Centro Regional de Saúde Pública de Lisboa e Vale do    Tejo; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385936&pid=S2182-5173201900030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>10. Direção-Geral da Saúde. Doença dos Legionários [homepage]. Lisboa: DGS;    2018. Available from: <a href="https://www.dgs.pt/doenca-dos-legionarios/informacao-para-profissionais/diagnostico.aspx" target="_blank">https://www.dgs.pt/doenca-dos-legionarios/informacao-para-profissionais/diagnostico.aspx</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385938&pid=S2182-5173201900030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>11. Lettinga KD, Verbon A, Nieuwkerk PT, Jonkers RE, Gersons BP, Prins JM,    et al. Health-related quality of life and posttraumatic stress disorder among    survivors of an outbreak of Legionnaires disease. Clin Infect Dis. 2002;35(1):11-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385939&pid=S2182-5173201900030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>12. Fine MJ, Auble TE, Yealy DM, Hanusa BH, Weissfeld LA, Singer DE, et al.    A prediction rule to identify low risk patients with community-acquired pneumonia.    N Engl J Med. 1997;336(4):243-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385941&pid=S2182-5173201900030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Yancey JR, Thomas SM. Chronic fatigue syndrome: diagnosis and treatment.    Am Fam Physician. 2012;86(8):741-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1385943&pid=S2182-5173201900030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>14. Shivaji T, Sousa Pinto C, San-Bento A, Oliveira Serra LA, Valente J, Machado    J, et al. A large community outbreak of Legionnaires&rsquo; disease in Vila Franca    de Xira, Portugal, October to November 2014. Euro Surveill. 2014;19(50):20991.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Filipa Maria Paixão</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:filipa.m.paixao@sapo.pt">filipa.m.paixao@sapo.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Os autores agradecem ao Dr. Filipe Froes a observação da utente, o aconselhamento    clínico e a revisão deste artigo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram não ter quaisquer conflitos de interesse.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em 07-05-2017</p>     <p>Aceite para publicação em 04-10-2018</p>      ]]></body><back>
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<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>UK Standards for Microbiology Investigations</collab>
<source><![CDATA[Identification of Legionella species]]></source>
<year>2015</year>
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