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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar]]></publisher-name>
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<article-id>S2182-51732020000400003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.32385/rpmgf.v36i4.12374</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estatinas: uma revisão baseada na evidência dos efeitos na função cognitiva]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Statins: an evidence-based review of the effects on cognitive function]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,ACeS Cávado I USF S. João de Braga ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732020000400003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732020000400003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732020000400003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Objetivo: O consumo de estatinas tem aumentado ao longo dos anos, tendo sido descritas alterações na função cognitiva. Sabe-se que o cérebro contém cerca de 25% do colesterol presente no corpo humano. O objetivo desta revisão é avaliar os efeitos laterais cognitivos das estatinas em adultos que tomam esta classe de antidislipidémicos. Fontes de dados: National Guideline Clearinghouse, Guidelines Finder da National Electronic Library for Health do NHS britânico, Canadian Medical Association Practice Guidelines Infobase, The Cochrane Library, Bandolier, DARE, Clinical Evidence e PubMed. Métodos de revisão: Pesquisa de artigos publicados entre janeiro de 2013 e janeiro de 2018, nas línguas portuguesa e inglesa, utilizando os termos MeSH Hydroxymethylglutaryl-CoA Reductase Inhibitors e Cognitive Dysfunction. Utilizou-se a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT), da American Academy of Family Physicians, para atribuição dos níveis de evidência e forças de recomendação. Resultados: Foram encontrados 58 artigos, dos quais oito cumpriam os critérios de inclusão e exclusão: duas revisões sistemáticas, quatro revisões, um estudo observacional e um artigo de opinião. Após leitura destes estudos verificaram-se resultados contraditórios: uns mostram efeitos laterais das estatinas na cognição, outros não mostram qualquer diferença quando comparados com o placebo e outros ainda sugerem em efeito protetor na demência. Vários estudos não apresentam poder estatístico para avaliar os riscos. Conclusões: São necessários estudos prospetivos controlados para avaliar os efeitos das estatinas na função cognitiva a curto e a longo prazo. A evidência não apoia a alteração das guidelines, mas defende que as queixas não sejam desvalorizadas.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objective: Statin consumption has increased over the years and associated cognitive dysfunction has been described. It is known that the human brain contains about 25% of the cholesterol present in the human body. The aim of this review is to evaluate the cognitive side effects of statins in adults taking this class of anti-dyslipidemic drugs. Data sources: National Guideline Clearinghouse, NICE Guidelines Finder, Canadian Medical Association Practice Guidelines Infobase, The Cochrane Library, Bandolier, DARE, Clinical Evidence e PubMed. Methods: A survey of articles published between January 2013 and January 2018, in Portuguese and English, was conducted, using the MeSH terms Hydroxymethylglutaryl-CoA Reductase Inhibitors and Cognitive Dysfunction. The Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) scale was used to assign levels of evidence and recommendation strengths. Results: A total of 58 articles were found, of which eight met the inclusion and exclusion criteria: two systematic reviews, four reviews, one observational study, and one opinion article. After reading these studies, contradictory results were found: some showed side effects of statins on cognition, others showed no difference when compared with placebo and others even suggested a protective effect on dementia. Several studies did not have statistical power to assess the risks. Conclusion: Controlled prospective studies are needed to evaluate the effects of statins on shortand long-term cognitive function. The evidence does not support the change of the actual guidelines but argues that the complaints should not be devalued.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Inibidores de hidroximetilglutaril-CoA redutases]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Disfunção cognitiva]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Hydroxymethylglutaryl-CoA reductase inhibitors]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Cognitive dysfunction]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>REVISÕES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Estatinas: uma revisão baseada na evidência dos efeitos na função cognitiva</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Statins: an evidence-based review of the effects on cognitive function</b></font></p>     <p><b>Tânia Gonçalves* </b>    <br> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-0386-8687">https://orcid.org/0000-0002-0386-8687</a></p>     
<p>*Interna de Medicina Geral e Familiar, na USF S. João de Braga - ACeS Cávado I. </p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Objetivo:</b> O consumo de estatinas tem aumentado ao longo dos anos, tendo sido descritas alterações na função cognitiva. Sabe-se que o cérebro contém cerca de 25% do colesterol presente no corpo humano. O objetivo desta revisão é avaliar os efeitos laterais cognitivos das estatinas em adultos que tomam esta classe de antidislipidémicos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Fontes de dados:</b> <i>National Guideline Clearinghouse, Guidelines Finder da National Electronic Library for Health</i> do NHS britânico, <i>Canadian Medical Association Practice Guidelines Infobase, The Cochrane Library, Bandolier,</i> DARE, <i>Clinical Evidence</i> e PubMed.</p>     <p><b>Métodos de revisão:</b> Pesquisa de artigos publicados entre janeiro de 2013 e janeiro de 2018, nas línguas portuguesa e inglesa, utilizando os termos MeSH <i>Hydroxymethylglutaryl-CoA Reductase Inhibitors</i> e <i>Cognitive Dysfunction.</i> Utilizou-se a escala <i>Strength of Recommendation Taxonomy</i> (SORT), da <i>American Academy of Family Physicians,</i> para atribuição dos níveis de evidência e forças de recomendação.</p>     <p><b>Resultados:</b> Foram encontrados 58 artigos, dos quais oito cumpriam os critérios de inclusão e exclusão: duas revisões sistemáticas, quatro revisões, um estudo observacional e um artigo de opinião. Após leitura destes estudos verificaram-se resultados contraditórios: uns mostram efeitos laterais das estatinas na cognição, outros não mostram qualquer diferença quando comparados com o placebo e outros ainda sugerem em efeito protetor na demência. Vários estudos não apresentam poder estatístico para avaliar os riscos.</p>     <p><b>Conclusões:</b> São necessários estudos prospetivos controlados para avaliar os efeitos das estatinas na função cognitiva a curto e a longo prazo. A evidência não apoia a alteração das <i>guidelines,</i> mas defende que as queixas não sejam desvalorizadas.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Inibidores de hidroximetilglutaril-CoA redutases; Disfunção cognitiva.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Objective:</b> Statin consumption has   increased over the years and associated cognitive dysfunction has been   described. It is known that the human brain contains about 25% of the   cholesterol present in the human body. The aim of this review is to evaluate   the cognitive side effects of statins in adults taking this class of anti-dyslipidemic drugs.</p>      <p><b>Data sources:</b> <i>National Guideline Clearinghouse,</i> NICE <i>Guidelines Finder,</i> <i>Canadian Medical Association Practice Guidelines Infobase, The Cochrane Library, Bandolier,</i> DARE, <i>Clinical Evidence</i> e PubMed.</p>      <p><b>Methods:</b> A survey of articles published between January 2013 and January 2018, in Portuguese and English, was conducted, using the <i>MeSH</i> terms <i>Hydroxymethylglutaryl-CoA Reductase Inhibitors and Cognitive Dysfunction.</i> The Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) scale was used to assign levels of evidence and recommendation strengths.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Results:</b> A total of 58 articles were found, of which eight met the inclusion and exclusion criteria: two systematic reviews, four reviews, one observational study, and one opinion article. After reading these studies, contradictory results were found: some showed side effects of statins on cognition, others showed no difference when compared with placebo and others even suggested a protective effect on dementia. Several studies did not have statistical power to assess the risks.</p>     <p><b>Conclusion:</b> Controlled prospective studies are needed to evaluate the effects of statins on shortand long-term cognitive function. The evidence does not support the change of the actual guidelines but argues that the complaints should not be devalued.</p>     <p><b>Keywords:</b> Hydroxymethylglutaryl-CoA reductase inhibitors; Cognitive dysfunction.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>     <p>O consumo de estatinas em Portugal mantém uma tendência crescente ao longo dos últimos anos. Em 2017 foram comparticipadas e dispensadas, em regime de ambulatório, 9.547.102 embalagens destes fármacos. A sinvastatina costumava ser a estatina mais prescrita, tendo sido substituída pela atorvastatina em 2017.*<sup>1</sup> Em Portugal, estão atualmente comercializados sete fármacos desta classe: atorvastatina, fluvastatina, lovastatina, pitavastatina, pravastatina, rosuvastatina e sinvastatina.<sup>2</sup></p>        <p>*Os dados, solicitados a pedido ao INFARMED, referem-se aos medicamentos comparticipados e dispensados em regime de ambulatório aos utentes do Serviço Nacional de Saúde e subsistemas públicos, no período de 1 de janeiro 2015 a 31 de dezembro de 2017, em Portugal Continental.</p>        <p>Têm sido descritas alterações na função cognitiva em utilizadores de estatinas,<sup>3</sup> estando estas igualmente relatadas no resumo das características do medicamento como efeitos adversos raros e reversíveis com a suspensão destes fármacos.<sup>4</sup></p>      <p>No que diz respeito à constituição do cérebro humano, sabe-se que este contém 25% do colesterol presente no corpo humano, sendo este um constituinte essencial das células nervosas e vital para a sua função.<sup>5</sup></p>      <p>O objetivo desta revisão é avaliar os efeitos laterais das estatinas na cognição nos indivíduos sob terapêutica com esta classe de antidislipidémicos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Métodos</b></p>     <p>Foi realizada uma pesquisa bibliográfica em janeiro de 2018, utilizando os termos <i>MeSH (Medical Subject Headings) Hydroxymethylglutaryl-CoA Reductase Inhibitors</i> e <i>Cognitive Dysfunction.</i></p>      <p>Foi selecionada a pesquisa de artigos publicados nas bases de dados <i>National Guideline Clearinghouse,</i> <i>Guidelines Finder da National Electronic Library for Health</i> do NHS britânico, <i>Canadian Medical Association Practice Guidelines Infobase,</i> <i>The Cochrane Library, Bandolier,</i> DARE, <i>Clinical Evidence</i> e PubMed, entre 2013 e 2018, nas línguas portuguesa e inglesa.</p>      <p>A população incluiu indivíduos medicados com estatinas, com idade superior a 18 anos. A variável estudada foi a toma de estatinas e o <i>outcome</i> as alterações da função cognitiva.</p>      <p>Foram excluídos estudos cuja população já apresentasse patologia neurológica (demência, esclerose múltipla, alterações cognitivas ligeiras, doença cerebrovascular), psiquiátrica ou doenças graves (pós <i>bypass</i> coronário, diabetes e doença vascular, sob ventilação mecânica ou cuidados intensivos, sepsia, em quimioterapia, síndroma de <i>Down, bypass</i> cardiopulmonar, pós lesão cerebral traumática grave, pós endarterectomia carotídea), bem como os estudos repetidos.</p>     <p>Utilizou-se a escala <i>Strength of Recommendation Taxonomy</i> (SORT), da <i>American Academy of Family Physicians,</i> para atribuição dos níveis de evidência e forças de recomendação.</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Foram encontrados 58 artigos na pesquisa realizada. Destes foram selecionados 14 artigos para leitura integral: duas meta-análises (MA), quatro revisões sistemáticas (RS), cinco revisões, um estudo observacional, um relato de caso e um artigo de opinião. Foram excluídos 44 artigos: 38 por divergirem do objetivo do trabalho ou não cumprirem os critérios de inclusão e seis por serem repetidos. Após leitura integral foram excluídos mais seis artigos: duas MA, três RS e um relato de caso (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v36n4/36n4a03f1.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Os oito artigos incluídos (duas RS, quatro revisões, um estudo observacional e um artigo de opinião) encontram-se descritos na <a href="/img/revistas/rpmgf/v36n4/36n4a03t1.jpg" target="_blank">Tabela I</a>. No caso das revisões foram descritos apenas os estudos incluídos nestas que se aproximavam dos objetivos e critérios de inclusão da presente revisão, sendo excluídos os restantes, quer pela descrição do mesmo quer pelo título da respetiva referência.</p>     
<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a href="/img/revistas/rpmgf/v36n4/36n4a03t1.jpg" target="_blank"><img src="/img/revistas/rpmgf/v36n4/36n4a03t1.jpg" width="300" height="167"/><br />(clique para ampliar ! click to enlarge)</a></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>O primeiro estudo descrito<sup>6</sup> trata-se da revisão mais recente que inclui três MA, dois relatos de caso e dois estudos prospetivos. A primeira MA<sup>7</sup> incluiu 16 estudos qualitativos e 11 quantitativos em adultos sem história de disfunção cognitiva. Na cognição a curto prazo, avaliada em três ensaios clínicos randomizados (ECR), não se verificaram efeitos adversos (diferença média 1,65; IC95%, -0,03 a 3,32); na cognição a longo prazo, avaliada em oito ECR e estudos de coorte prospetivos de alta qualidade, três estudos não mostraram associação e cinco estudos mostraram efeito protetor de demência. A síntese quantitativa mostrou redução de 29% de demência nos utilizadores de estatinas (HR=0,71; IC95%, 0,61-0,82). Cinco estudos com <i>follow-up</i> médio de 6,2 anos mostraram uma redução absoluta de 2% (IC95%, 1%-3%). A segunda MA incluiu 57 estudos (incluindo três ECR, dezasseis estudos de coorte, quatro caso-controlo e quatro transversais de qualidade baixa a moderada) e a terceira MA incluiu 23 ECR. Ambas mostraram não haver efeitos estatisticamente significativos na cognição. Estão também incluídos dois relatos de caso, um deles referindo alterações na função cognitiva, relacionadas com a potência da estatina e outro referindo resultados conflituantes. Em ambos os estudos prospetivos mencionados, cada um deles com mais de 2.000 participantes com idade igual ou superior a 65 anos, não houve aumento da incidência de demência, não havendo efeito significativo na diminuição da mesma no primeiro e, por sua vez, parecendo haver um efeito protetor no segundo.</p>      <p>Uma revisão sistemática de 2016 apresenta resultados inconsistentes.<sup>8</sup> A associação entre estatinas e disfunção cognitiva foi sugerida em estudos de coorte isolados, sendo necessários outros estudos para corroborar estes dados. Assim, as <i>guidelines</i> canadianas concluem que, à luz da evidência atual, não se pode inferir uma verdadeira associação entre o uso de estatinas e disfunção cognitiva, mantendo-se as indicações para a sua prescrição.</p>      <p>Uma revisão de 2016 incluiu quatro MA (três já descritas na revisão de 2017)<sup>6</sup> e uma RS.<sup>9</sup> A MA restante<sup>10</sup> relata que o uso de estatinas foi associado a menor risco de demência e alterações cognitivas, efeito que foi atenuado na análise restrita a estudos de alta qualidade (OR=0,74; IC95%, 0,62-0,87). A RS incluída no estudo englobou cerca de 26.000 participantes, sendo que cerca de 44% dessa amostra tinha idade igual ou superior a 70 anos, não se demonstrando alterações cognitivas pelo efeito das estatinas (0,3% tanto no grupo das estatinas como no do placebo).</p>      <p>Uma RS de 2015<sup>11</sup> resumiu três MA já descritas nas revisões de 2016 e 2017; uma RS<sup>12</sup> que relata que, apesar dos efeitos laterais cognitivos poderem ocorrer a nível individual, a evidência que apoia uma relação causal é fraca ou inexistente, sendo necessários mais estudos; uma revisão, na qual a maioria da investigação clínica não mostra diferenças na alteração da função cognitiva entre estatinas e placebo mas, ainda assim, não exclui a possibilidade de ocorrência deste efeito raro a nível individual; um ECR, no qual a diminuição da função cognitiva e perda de memória ou confusão, ao longo do tempo, foram semelhantes com pravastatina ou placebo; e, por fim, um estudo observacional que admite um efeito protetor das estatinas na demência e disfunção cognitiva.</p>      <p>Numa revisão de 2014, seis ECR não encontraram diferenças entre estatinas e placebo, três ECR mostraram melhorar a função cognitiva com estatinas e apenas um estudo em pacientes com hipercolesterolemia mostrou disfunção cognitiva com a sinvastatina.<sup>13</sup> Os estudos observacionais não mostraram associação entre uso de estatinas e alterações cognitivas e dois deles mostraram uma menor prevalência de demência. A idade avançada e as doenças cardiovasculares são possíveis fatores de confundimento a considerar. No que respeita aos relatos de caso foram reportados 19 casos de amnésia potencialmente relacionados com o uso de estatinas e 171 casos de alterações na memória ou disfunção cognitiva. Foram igualmente reportados casos de disfunção cognitiva com o uso de sinvastatina, atorvastatina e rosuvastatina. A idade média foi de 53 anos (40-70 anos), o início mediano de 56 dias após exposição (1-360 dias) e o tempo mediano de recuperação de 17,5 dias (1-42 dias). A descontinuação estava habitualmente associada à resolução dos sintomas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um estudo observacional de 2014 mostrou através de um modelo de regressão logística que os que tomavam estatinas era 2,4 vezes mais propensos a obter um resultado anormal (&lt; 24) no MMSE, comparado com os que não tomavam.<sup>14</sup> Este modelo apresentava uma boa precisão de previsão (75%). No entanto, a natureza observacional do estudo não permite estabelecer uma relação causal.</p>      <p>Um artigo de opinião de 2014, com um autorrelato da experiência com a toma de sinvastatina e pravastatina, refere aparecimento de sintomas associados ao início da toma de ambos os fármacos e desaparecimento dos mesmos com a suspensão de cada um deles.<sup>15</sup> O autor refere que como as alterações cognitivas são graduais, os pacientes podem não se aperceber delas a menos que sejam alertados.</p>      <p>Numa revisão de 2013, uma MA não mostrou associação estatisticamente significativa entre o uso de estatinas e alterações cognitivas em indivíduos saudáveis, três revisões revelam que os efeitos laterais cognitivos são raros e que a evidência é insuficiente para provar causalidade com demência ou doença de Alzheimer; que não há associação com o tipo ou dose das estatinas apesar de se sugerir diferença entre as hidrofílicas e lipofílicas; e uma delas mostra que as alterações cognitivas com a sinvastatina são raras e potencialmente se resolvem com a substituição de estatinas lipofílicas por hidrofílicas. Adicionalmente, dois ECR revelaram diminuição da função cognitiva com a sinvastatina e não mostraram efeitos na função cognitiva com a lovastatina.<sup>16</sup></p>     <p><b>Conclusões</b></p>     <p>Após a análise da evidência disponível verifica-se que esta permanece controversa e inconsistente: alguns estudos mostram alterações cognitivas, entre as quais perda de memória, enquanto outros sugerem um efeito protetor na prevenção da demência e vários estudos não mostram alterações na função cognitiva com a toma de estatinas (SORT B). Admite-se que estas alterações possam ocorrer como uma reação rara, que se resolve com a suspensão do fármaco. Vários estudos apresentavam uma população pequena, sem poder estatístico para avaliar os riscos. Uma das limitações da presente revisão prende-se com o facto de algumas revisões não descreverem ao pormenor a população dos estudos incluídos, pelo que poderão não cumprir na totalidade os critérios de inclusão e exclusão da presente revisão. Assim, são necessários estudos prospetivos controlados para avaliar os efeitos das várias estatinas a curto e longo prazo. Conclui-se também que a evidência não apoia a alteração das <i>guidelines,</i> mas defende que não sejam desvalorizados os possíveis efeitos laterais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS   BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Centro de Conferência de Faturas. Dados de consumos de medicamentos no mercado do Serviço Nacional de Saúde. Lisboa: INFARMED; 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396788&pid=S2182-5173202000040000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>2. INFARMED. 3.7. Antidislipidémicos. In: INFARMED, editor. Prontuário terapêutico on-line [homepage]. Lisboa: INFARMED; 2016 [cited 2018 Jan 28]. Available from: <a href="http://app10.infarmed.pt/prontuario/frameprimeiracapitulos.html" target="_blank">http://app10.infarmed.pt/prontuario/frameprimeiracapitulos.html</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396790&pid=S2182-5173202000040000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. Perlmutter D. Cérebro de farinha - A chocante verdade sobre o trigo, o glúten e o açúcar: os assassinos silenciosos do seu cérebro. Alfragide: Lua de Papel; 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396791&pid=S2182-5173202000040000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>4. INFARMED. Sinvastatina 20mg. In: Infomed: base de dados de medicamentos [Internet]. Lisboa: INFARMED; 2018. Available from: <a href="https://extranet.infarmed.pt/INFOMED-fo/pesquisa-avancada.xhtml" target="_blank">https://extranet.infarmed.pt/INFOMED-fo/pesquisa-avancada.xhtml</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396793&pid=S2182-5173202000040000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>5. Björkhem I, Meaney S. Brain cholesterol: long secret life behind a barrier. Arterioscler Thromb Vasc Biol. 2004;24(5):806-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396794&pid=S2182-5173202000040000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>6. Banach M, Rizzo M, Nikolic D, Howard G, Howard V, Mikhailidis D. Intensive LDL-cholesterol lowering therapy and neurocognitive function. Pharmacol Ther. 2017;170:181-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396796&pid=S2182-5173202000040000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>7. Swiger KJ, Manalac RJ, Blumenthal RS, Blaha MJ, Martin SS. Statins and cognition: a systematic review and meta-analysis of shortand long-term cognitive effects. Mayo Clin Proc. 2013;88(11):1213-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396798&pid=S2182-5173202000040000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>8. Mancini GB, Baker S, Bergeron J, Fitchett D, Frohlich J, Genest J, et al. Diagnosis, prevention, and management of statin adverse effects and intolerance: Canadian Consensus Working Group update (2016). Can J Cardiol. 2016;32(7 Suppl):s35-s65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396800&pid=S2182-5173202000040000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>9. Barry AR, O&#8217;Neill DE, Graham MM. Primary prevention of cardiovascular disease in older adults. Can J Cardiol. 2016;32(9):1074-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396802&pid=S2182-5173202000040000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>10. Macedo AF, Taylor FC, Casas JP, Adler A, Prieto-Merino D, Ebrahim S. Unintended effects of statins from observational studies in the general population: systematic review and meta-analysis. BMC Med. 2014;12:51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396804&pid=S2182-5173202000040000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>11. &Scaron;imi&#263; I, Reiner &#381;. Adverse effects of statins: myths and reality. Curr Pharm Des. 2015;21(9):1220-6.</p>      <!-- ref --><p>12. Rojas-Fernandez CH, Goldstein LB, Levey AI, Taylor BA, Bittner V, The National Lipid Association&#8217;s Safety Task Force. An assessment by the Statin Cognitive Safety Task Force: 2014 update. J Clin Lipidol. 2014;8(3 Suppl):S5-16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396807&pid=S2182-5173202000040000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>13. Tuccori M, Montagnani S, Mantarro S, Capogrosso-Sansone A, Ruggiero E, Saporiti A, et al. Neuropsychiatric adverse events associated with statins: epidemiology, pathophysiology, prevention and management. CNS Drugs. 2014;28(3):249-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1396809&pid=S2182-5173202000040000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>A autora   declara n&atilde;o ter quaisquer conflitos de interesse.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em 03-04-2018. Aceite para publicação em 22-06-2020</p>      ]]></body><back>
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