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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aconselhamento alimentar numa unidade de saúde familiar]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: The high prevalence of chronic diseases and situations where the Nutrition is crucial, as well as the extent and continuity of care that characterize the primary health care, forces these health professionals to be involved in nutritional counseling (NC) of the community they serve. Objectives: Quantification of the time available for the NC, on medical and nursing care; identification of the themes most frequently discussed; classification of the approach: therapeutic or preventive. Methodology: Observational analitic review. Population: Physicians and nurses of the USF in study. The time dedicated to NC was classified as Grade 0, not addressed, Grade I, 1-3 min; Grade II, more than 3 min. The approach was classified as therapeutic in the context of illness / problem and Prevention in the absence of disease / problem. Results: Ninety consultations were observed (43 medical and 47 nursing) and 53,3% have NC. From the total of consultations, 67,8% were scheduled appointments, of these, 72,1% were classified as grade I / II, namely: Consultation of Children: 100%; consultation of Diabetes: 92,3%; consultation of hypertension: 88,9%, consultation of pregnancy: 80%; consultation of family planning: 42,9%; consultation of Adult: 23,1%. The approach was preventive in 43,7% of consultations and therapeutic in 56,3%. The three most frequently discussed topics were: time/number of meals/day, increased intake of water and "restrict consumption of sweets". Discussion and Conclusions: The results show the sensitivity of these health professionals to NC, especially in vulnerable and risk groups, and point to the need to improve performance in some consultations, such as Adult health. The frequency of visits over the life and schedule appointments for groups with common characteristics are aspects that make primary care ideal for nutrition education.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Aconselhamento]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Nutrição]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Primary health care]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO PROFISSIONAL</b></p>     <p><b >Aconselhamento alimentar numa unidade de sa&#250;de familiar</b></p>     <p><b >Nutritional counseling in a family health unit</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ><b >Daniela Ribeiro<sup>1</sup>; Sandra Louren&#231;o<sup>2</sup></b><b ></b></p>     <p ><sup>1</sup>Interna de Medicina Geral e Familiar, USF Manuel Rocha Peixoto, ACES C&#225;vado I, Braga     <p ><sup>2</sup>Nutricionista, MSc Clinical Nutrition, ACES C&#225;vado I, Braga</p>     <p ><b ><a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><br/>Introdu&#231;&#227;o: A elevada preval&#234;ncia de doen&#231;as cr&#243;nicas e situa&#231;&#245;es em que a alimenta&#231;&#227;o &#233; determinante, assim como a abrang&#234;ncia e a continuidade de cuidados que caracterizam os cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios, obrigam que todos os profissionais de sa&#250;de intervenham no aconselhamento alimentar (A.A) da comunidade que servem.  <br/>Objectivos: Quantifica&#231;&#227;o do tempo disponibilizado para o A.A na consulta, m&#233;dica e de enfermagem; identifica&#231;&#227;o dos temas abordados com maior frequ&#234;ncia; classifica&#231;&#227;o da abordagem em: terap&#234;utica ou preventiva.  <br/>Metodologia: Estudo observacional anal&#237;tico, transversal. Popula&#231;&#227;o: M&#233;dicos e enfermeiros da Unidade de Sa&#250;de Familiar (USF) em estudo. O tempo despendido com A.A foi classificado em: Grau 0, n&#227;o abordado; Grau I, 1-3 min; Grau II, mais de 3 min. A abordagem foi classificada como: Terap&#234;utica, no contexto de doen&#231;a/problema e Preventiva, na aus&#234;ncia de doen&#231;a/problema.  <br/>Resultados: Foram observadas 90 consultas (43 m&#233;dicas e 47 de enfermagem) e em 53,3% efectuou-se A.A. Do total de consultas, 67,8% eram programadas e destas, 72,1% foram classificadas com grau I/II, nomeadamente: Consulta de S. Infantil: 100%; Consulta de Diabetes: 92,3%; Consulta de HTA: 88,9%; Consulta de S. Materna: 80%; Consulta de P. Familiar: 42,9%; Consulta de S. Adulto: 23,1%. <br/>A abordagem foi preventiva em 43,7% das consultas e terap&#234;utica em 56,3%. <br/>Os 3 temas abordados com maior frequ&#234;ncia foram: altera&#231;&#227;o dos hor&#225;rios/n&#250;mero de refei&#231;&#245;es/dia, aumento da ingest&#227;o de &#225;gua e &#8220;restri&#231;&#227;o do consumo de doces&#8221;. <br/>Discuss&#227;o e Conclus&#245;es: Os resultados mostram a sensibilidade dos profissionais para este aconselhamento, principalmente em grupos vulner&#225;veis e de risco e alertam para necessidade de melhoria de desempenho em algumas consultas, designadamente a consulta de S. Adulto. <br/>A frequ&#234;ncia de visitas ao longo da vida e a programa&#231;&#227;o de consultas por grupos terap&#234;uticos ou com caracter&#237;sticas comuns s&#227;o aspectos que tornam os cuidados prim&#225;rios locais privilegiados para se fazer educa&#231;&#227;o alimentar.</p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: Aconselhamento, Nutri&#231;&#227;o, Alimenta&#231;&#227;o, Cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios</p>      <p>&nbsp;</p><hr>    <p>&nbsp;</p>     <p><b >ABSTRACT</b></p>     <p>Introduction: The high prevalence of chronic diseases and situations where the Nutrition is crucial, as well as the extent and continuity of care that characterize the primary health care, forces these health professionals to be involved in nutritional counseling (NC) of the community they serve. <br/>Objectives: Quantification of the time available for the NC, on medical and nursing care; identification of the themes most frequently discussed; classification of the approach: therapeutic or preventive. <br/>Methodology: Observational analitic review. Population: Physicians and nurses of the USF in study. The time dedicated to NC was classified as Grade 0, not addressed, Grade I, 1-3 min; Grade II, more than 3 min. The approach was classified as therapeutic in the context of illness / problem and Prevention in the absence of disease / problem. <br/>Results: Ninety consultations were observed (43 medical and 47 nursing) and 53,3% have NC. From the total of consultations, 67,8% were scheduled appointments, of these, 72,1% were classified as grade I / II, namely: Consultation of Children: 100%; consultation of Diabetes: 92,3%; consultation of hypertension: 88,9%, consultation of pregnancy: 80%; consultation of family planning: 42,9%; consultation of Adult: 23,1%. <br/>The approach was preventive in 43,7% of consultations and therapeutic in 56,3%. <br/>The three most frequently discussed topics were: time/number of meals/day, increased intake of water and "restrict consumption of sweets". <br/>Discussion and Conclusions: The results show the sensitivity of these health professionals to NC, especially in vulnerable and risk groups, and point to the need to improve performance in some consultations, such as Adult health. <br/>The frequency of visits over the life and schedule appointments for groups with common characteristics are aspects that make primary care ideal for nutrition education.</p>     <p><b>keywords</b><b >:</b> Counseling, Nutrition, Food, Primary health care</p>     <p>&nbsp;</p><hr>    <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b> <br/>As doen&#231;as cr&#243;nicas n&#227;o comunic&#225;veis (DCNC), nomeadamente, doen&#231;as cardiovasculares, doen&#231;as respirat&#243;rias cr&#243;nicas, diabetes e cancros, s&#227;o as principais causas de morte e incapacidade na Europa, Estados Unidos da Am&#233;rica e nos pa&#237;ses em vias de desenvolvimento, representando 63% de todas as mortes (1). Os factores de risco preponderantes para o desenvolvimento destas DCNC, &#224; excep&#231;&#227;o do tabagismo e da inactividade f&#237;sica, s&#227;o factores alimentares, designadamente, consumo excessivo de alimentos de elevada densidade energ&#233;tica, de alimentos pobres nutricionalmente e com elevado teor de gordura, sal e a&#231;&#250;car, assim como consumo insuficiente de frutos, legumes e hortali&#231;as (2).  <br/>A.A &#233; o m&#233;todo de preven&#231;&#227;o e tratamento das DCNC com a melhor rela&#231;&#227;o custo/efic&#225;cia, deve portanto fazer parte integrante do cuidado global de sa&#250;de (3). <br/>Os profissionais de sa&#250;de dos cuidados prim&#225;rios encontram-se no local privilegiado para fazer educa&#231;&#227;o para a sa&#250;de e naturalmente educa&#231;&#227;o alimentar, pois t&#234;m acesso directo e regular &#224; popula&#231;&#227;o, prestam cuidados de sa&#250;de abrangentes e continuados e gozam de elevada credibilidade junto da popula&#231;&#227;o (4). <br/>Estudos internacionais revelam que a maioria dos m&#233;dicos e enfermeiros de fam&#237;lia, considera de grande import&#226;ncia o A.A, no entanto apenas uma minoria o realiza na sua pr&#225;ctica di&#225;ria, de acordo com escassos estudos observacionais dispon&#237;veis (3, 5, 6, 7, 8). Os m&#233;dicos e enfermeiros identificam como barreiras ao A.A, a falta de forma&#231;&#227;o pr&#233; e p&#243;s-graduada na &#225;rea da nutri&#231;&#227;o, a metodologia de ensino em nutri&#231;&#227;o desadequada ou insuficiente, o tempo diminuto para a realiza&#231;&#227;o da consulta e a falta de retorno/gratifica&#231;&#227;o recebido, pela fraca ades&#227;o do utente (3, 5, 6). <br/>A mudan&#231;a de estilos de vida &#233; lenta e depende de in&#250;meros factores externos e internos inerentes ao utente e profissional de sa&#250;de, factores sociais, econ&#243;micos, culturais e psicol&#243;gicos. A modifica&#231;&#227;o dos h&#225;bitos alimentares n&#227;o &#233; excep&#231;&#227;o (5, 6). <br/>Todas as ocasi&#245;es de contacto entre o utente e os cuidados prim&#225;rios, desejavelmente em contexto multidisciplinar e com equipas treinadas e motivadas, s&#227;o momentos ideais para este aconselhamento.  <br/>Este trabalho baseou-se na observa&#231;&#227;o directa de diferentes tipos de consulta, numa Unidade de Sa&#250;de Familiar (USF), visando conhecer melhor o seu desempenho ao n&#237;vel do A.A, por forma a melhorar a presta&#231;&#227;o de cuidados. <br/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b >Objectivos</b> <br/>O estudo teve como objectivos: quantifica&#231;&#227;o do tempo de consulta, tanto m&#233;dica como de enfermagem, disponibilizado para o A.A; identifica&#231;&#227;o dos temas abordados com maior frequ&#234;ncia; e classifica&#231;&#227;o da abordagem em terap&#234;utica ou preventiva.</p>     <p><b>Metodologia</b> <br/><u>Tipo de Estudo</u>: Estudo observacional, anal&#237;tico e transversal. <br/><u>Popula&#231;&#227;o em estudo</u>: Constitu&#237;da pelos profissionais de sa&#250;de da USF Manuel Rocha Peixoto (MRP) do ACES do C&#225;vado I de Braga. Apenas foi exclu&#237;do um m&#233;dico, por conhecimento pr&#233;vio do estudo, resultando numa amostra final de 7 m&#233;dicos e 8 enfermeiros. A selec&#231;&#227;o da amostra, por tipos de consulta e por profissional de sa&#250;de, foi efectuada por conveni&#234;ncia, em fun&#231;&#227;o da disponibilidade dos investigadores.  <br/><u>Recolha dos dados</u>: A recolha dos dados efectuou-se por observa&#231;&#227;o directa das consultas, decorreu na USF MRP, de Junho a Agosto/2011. A dura&#231;&#227;o de observa&#231;&#227;o de cada profissional, m&#233;dico e enfermeiro, em consulta, foi aproximadamente de 2h30 a 3h, por cada um. O tempo atribu&#237;do ao A.A foi medido e registado durante a consulta. No final de cada consulta somou-se o total dos tempos dedicados ao A.A e foi classificado de acordo com graus previamente definidos: Grau 0, n&#227;o abordado (quando n&#227;o foi realizado qualquer aconselhamento alimentar); Grau I, realizado durante 1-3 minutos; Grau II, superior a 3 minutos. <br/>Foram registados os temas alimentares abordados em cada consulta, e a sua abordagem foi classificada em Terap&#234;utica, quando em contexto de doen&#231;a/problema e em Preventiva, na aus&#234;ncia de doen&#231;a/problema. <br/><u>An&#225;lise estat&#237;stica</u>: Os dados foram registados e analisados nos programas inform&#225;ticos, <i >Microsoft Excel</i> 2007<sup>&#174;</sup> e SPSS 19<sup>&#174;</sup>. O valor de p foi considerado significativo se inferior a 0,05. <br/><u>&#201;tica</u>: O estudo foi cego, os profissionais de sa&#250;de observados desconheciam o objectivo do estudo. Todos os profissionais observados deram o seu consentimento informado. A realiza&#231;&#227;o deste estudo obteve autoriza&#231;&#227;o da comiss&#227;o de &#233;tica da ARS Norte. O estudo n&#227;o teve nenhum custo adicional, nem se verificou qualquer conflito de interesses.</p>     <p><b >Resultados</b> <br/>Foram observadas 90 consultas, das quais 47,8% (n=43) m&#233;dicas e 52,2% (n=47) de enfermagem. <br/>O <a href="#g1">Gr&#225;fico 1</a> representa a distribui&#231;&#227;o da amostra pelos diferentes subtipos de consulta assistidos, diferenciando o n&#250;mero correspondente a consultas m&#233;dicas ou de enfermagem. Os grupos de consultas mais representativos foram: a consulta N&#227;o programada (N.P) (n=29), onde geralmente se observa patologia aguda, seguido da consulta de Sa&#250;de Infantil (S.I) (n=14), Sa&#250;de de Adulto (S.A) (n=13) e consulta de Diabetes (DM) (n=13).      <p>&nbsp;</p> <a name="g1"> <img src="/img/revistas/nut/n14/n14a10g1.jpg">     
<p>&nbsp;</p> Os grupos menos representativos foram a consulta de Hipertens&#227;o Arterial (HTA) (n=9), Planeamento familiar (P.F) (n= 7) e consulta de Sa&#250;de Materna (S.M) (n=5). <br/>Nas consultas N.P, S.I e DM, as consultas m&#233;dicas e de enfermagem foram em propor&#231;&#245;es id&#234;nticas. Nas consultas de S.A e HTA houve um predom&#237;nio de consultas de enfermagem, enquanto nas de P.F e S.M existiu um predom&#237;nio de consultas m&#233;dicas. <br/>Do total de consultas observadas o A.A ocorreu em 53,3% dos casos, 30% grau I (1 a 3 minutos) e 23,3% grau II (superior a 3 minutos), com contribui&#231;&#227;o muito semelhante por parte da equipa de enfermagem e m&#233;dica (<a href="#g2">Gr&#225;fico 2</a>)     <p>&nbsp;</p> <a name="g2"> <img src="/img/revistas/nut/n14/n14a10g2.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <br/>A actividade programada (todos os tipos de consulta &#224; excep&#231;&#227;o das consultas N.P) representou a maioria das consultas observada, 67,8%.Neste subgrupo, 72,1% obteve grau I/II. Da actividade n&#227;o programada, apenas 13,8% obteve grau I/II. <br/>Os resultados, divididos pelos graus propostos, nos diferentes tipos de consulta considerados, encontram-se representados no <a href="#g3">Gr&#225;fico 3</a>.      <p>&nbsp;</p> <a name="g3"> <img src="/img/revistas/nut/n14/n14a10g3.jpg">     
<p>&nbsp;</p> As consultas que apresentam menor percentagem de A.A s&#227;o a N.P, S.A e P.F. Por outro lado, a S.I e S.M, e os grupos de risco, HTA e DM, t&#234;m percentagens elevadas de aconselhamento alimentar nesta amostra. <br/>Os temas relacionados com a alimenta&#231;&#227;o abordados foram diversos, ocorrendo muitas vezes, na mesma consulta, a discuss&#227;o de mais do que um. No <a href="#g4">Gr&#225;fico 4</a> encontram-se representados pela sua respectiva frequ&#234;ncia de abordagem os temas de A.A discutidos em consulta.     <p>&nbsp;</p> <a name="g4"> <img src="/img/revistas/nut/n14/n14a10g4.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <br/>Os 3 temas abordados com maior frequ&#234;ncia foram, a altera&#231;&#227;o dos hor&#225;rios/n&#250;mero de refei&#231;&#245;es, aumento da ingest&#227;o de &#225;gua e &#8220;restri&#231;&#227;o do consumo de doces&#8221;, seguidos, do aumento do consumo de vegetais e fruta, diminui&#231;&#227;o do consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e altera&#231;&#227;o do modo de confec&#231;&#227;o culin&#225;ria. A abordagem de um modo geral foi maioritariamente terap&#234;utica com uma diferen&#231;a percentual ligeiramente superior relativamente &#224; preventiva (56,3% vs. 43,7%). N&#227;o existiu diferen&#231;a estatisticamente significativa no tipo de abordagem entre os diferentes grupos profissionais (teste do qui-quadrado, p=0,971). A abordagem terap&#234;utica foi efectuada em 13 consultas m&#233;dicas e 14 de enfermagem, e a n&#237;vel preventivo em10 consultas m&#233;dicas e 11de enfermagem.</p>     <p><b >Discuss&#227;o</b> <br/>Observou-se uma propor&#231;&#227;o semelhante de consultas m&#233;dicas e de enfermagem, n&#227;o privilegiando nenhum dos tipos de consulta. No entanto a amostra &#233; de dimens&#227;o reduzida e existem algumas consultas, nomeadamente, S.M e P.F, com um n&#250;mero muito baixo. O facto de amostra ser de conveni&#234;ncia &#233; um vi&#233;s deste estudo. <br/>As autoras identificam outra poss&#237;vel limita&#231;&#227;o do estudo na atribui&#231;&#227;o dos graus baseados no tempo, seria prefer&#237;vel atribui-los em fun&#231;&#227;o da percentagem do tempo total de consulta e n&#227;o em tempo absoluto. <br/>No geral, em aproximadamente metade das consultas observadas existiu A.A, a maioria dos m&#233;dicos e enfermeiros dedicou cerca de 1 a 3 minutos a esta &#225;rea (grau I). A percentagem de aconselhamento foi maior nos grupos vulner&#225;veis (S.I e S.M) e principalmente nos grupos de risco (DM e HTA), o que seria expect&#225;vel e desej&#225;vel, tendo em conta que nestes grupos &#233; fundamental a terap&#234;utica nutricional. <br/>N&#227;o foi encontrado nenhum estudo nacional semelhante e os estudos de observa&#231;&#227;o directa internacionais s&#227;o escassos (7, 8). Apesar da import&#226;ncia da alimenta&#231;&#227;o, quer em termos de preven&#231;&#227;o de doen&#231;a e promo&#231;&#227;o de sa&#250;de, quer como terap&#234;utica, a frequ&#234;ncia deste aconselhamento, o tempo dedicado e a forma&#231;&#227;o na &#225;rea da Nutri&#231;&#227;o dos m&#233;dicos e enfermeiros, n&#227;o est&#227;o bem estudados. <br/>Num estudo efectuado nos cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios a 2400 utentes, ap&#243;s consulta m&#233;dica, realizado em 2001 em Inglaterra, verificou-se que apenas 13% dos doentes referiram discuss&#227;o do tema alimenta&#231;&#227;o na consulta (9). Um outro estudo mais recente, 2010, realizado no Canad&#225;, a 451 m&#233;dicos, concluiu que 58,1% acreditam que mais de 60% dos seus doentes beneficiariam de A.A mas apenas 19.1% responderam que mais de 60% dos seus doentes o recebiam na pr&#225;tica (5). Em estudos de observa&#231;&#227;o directa, em Ohio em 2002, durante 2 dias de consulta, no geral, 24% das consultas tiveram A.A. Os doentes cr&#243;nicos obtiveram uma percentagem ligeiramente superior, de 30% (7). Percentagens id&#234;nticas de 25% tamb&#233;m foram obtidas num outro estudo observacional em 2003, numa amostra de 4344 consultas (8). <br/>Tendo como compara&#231;&#227;o alguns dos estudos dispon&#237;veis, a percentagem de A.A nos estudos observacionais (7,8), ronda os 25% e em question&#225;rios de h&#233;tero (9) e auto-avalia&#231;&#227;o (5, 6) os 13-19%.  <br/>Na amostra em quest&#227;o a percentagem foi muito superior (53,3%) o que revela a sensibilidade e import&#226;ncia que esta equipa de sa&#250;de atribui a esta mat&#233;ria. <br/>As autoras consideram que apesar dos bons resultados nos grupos de maior risco, existem consultas em que este aconselhamento pode ser realizado com mais frequ&#234;ncia, de forma mais estruturada, nomeadamente na consulta de S.A. <br/>Nos estudos encontrados o tempo habitualmente usado &#233; geralmente inferior a 5 minutos (6), sendo num dos estudos em particular uma m&#233;dia de 55 segundos (7). Estes resultados v&#227;o de encontro aos encontrados nesta amostra, com predom&#237;nio de 1 a 3 minutos dedicados ao A.A.  <br/>Relativamente ao tipo de abordagem e aos subtemas identificados n&#227;o foram encontrados estudos como meio de compara&#231;&#227;o.  <br/>A maioria da abordagem foi efectuada quando estava presente um problema/doen&#231;a, sendo classificada como terap&#234;utica, no entanto &#233; importante salientar que a abordagem preventiva obteve uma percentagem muito relevante (43,7%).</p>     <p><b>Conclus&#245;es</b> <br/>A pertin&#234;ncia deste estudo, apesar das suas limita&#231;&#245;es, &#233; relevante no contexto desta USF, para consciencializa&#231;&#227;o e reflex&#227;o do desempenho dos profissionais (m&#233;dicos e enfermeiros) que as constituem.  <br/>Os resultados reflectem a sensibilidade e pr&#225;ticas destes profissionais para o A.A, principalmente em grupos vulner&#225;veis e de risco. O estudo avaliou o aconselhamento em termos quantitativos, e foi not&#243;ria a import&#226;ncia que este tem em v&#225;rias consultas, alertando para necessidade de melhoria de desempenho noutras, como na S.A.  <br/>&#201; importante apostar na qualidade de conhecimentos cient&#237;ficos na &#225;rea da nutri&#231;&#227;o, suficientes para dar suporte a este aconselhamento, assim como conhecer as melhores t&#233;cnicas para efectuar um aconselhamento efectivo, responsabilizando progressivamente os utentes. A colabora&#231;&#227;o com nutricionistas &#233; crucial na forma&#231;&#227;o cont&#237;nua, na capacita&#231;&#227;o dos profissionais de sa&#250;de e na defini&#231;&#227;o de crit&#233;rios de referencia&#231;&#227;o para consulta de Nutri&#231;&#227;o cientificamente v&#225;lidos.  <br/>A altera&#231;&#227;o do comportamento alimentar &#233; dif&#237;cil, portanto, todos s encontros com o utente s&#227;o momentos ideais para este aconselhamento. Os cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios, devido &#224; proximidade com as popula&#231;&#245;es e &#224; abrang&#234;ncia da sua actividade t&#234;m o potencial de diminuir a morbilidade e mortalidade de v&#225;rias doen&#231;as cr&#243;nicas se efectuarem um A.A eficaz.</p>     <p><b >Agradecimentos</b> <br/>Um agradecimento a todos os profissionais de sa&#250;de da USF MRP que aceitaram participar neste estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <!-- ref --><p><b>Refer&#234;ncias Bibliogr&#225;ficas</b><b ></b> <br/>1. World Health Organization, Plataforma Programmes and projects, Chronic diseases and health promotion [Internet]. Dispon&#237;vel em: <a href="http://www.who.int/chp/about/integrated_cd/en/index.html" target="_blank">http://www.who.int/chp/about/integrated_cd/en/index.html</a>. Consultado em: Agosto 2012 <br/>2. WHO regional Publications. Food and health in Europe: a new basis for action 2004; N.&#186;96 <br/>3. Warber JI, Warber JP, Simone KA. Assessment of general nutrition knowlegde of nurse practitioners in New England. Journal of American Dietetic Association. 2000; 100 (3): 368-370 <br/>4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1716606&pid=S2182-7230201200030001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Worsley A. Perceived reliability of sources of health information. Health Educ. Res. 1989; 4 (3): 367-376 <br/>5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1716607&pid=S2182-7230201200030001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Wynn K Trudeau JD Taunton K Gowans M, Scott I. Nutrition in primary care: current practices, attitudes and barriers. Can Fam Physician. 2010; 56:109-116  <br/>6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1716608&pid=S2182-7230201200030001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Eaton CB, McBride PE, Gans KA, Underbakke GL.Teaching nutrition skills to primary care practitioners.J. Nutr.2003;133: 563S&#8211;566S <br/>7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1716609&pid=S2182-7230201200030001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Eaton CB, Goodwin MA, Stange KC. Direct observation of nutrition counseling in community family practice. Am J Prev Med. 2002 Oct;23(3):174-179 <br/>8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1716610&pid=S2182-7230201200030001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Anis NA, Lee RE, Ellerbeck EF, Nazir N, Greiner KA, Ahluwalia JS. Direct observation of physician counseling on dietary habits and exercise: patient, physician, and office correlates. Prev Med. 2004;38(2):198-202 <br/>9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1716611&pid=S2182-7230201200030001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Moore H, Adamson AJ. Nutrition interventions by primary care staff: a survey of involvement, Knowledge and attitude. Public health nutrition.2001; 5:531-53&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1716612&pid=S2182-7230201200030001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p ><b ><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b> <br/>Daniela Ribeiro <br/>Rua Am&#225;lia da Costa Lima, n.&#186; 60, <br/>4710-488 Braga <br/><a href="mailto:danielaribeiromgf@gmail.com">danielaribeiromgf@gmail.com</a> </p> <br/>Recebido a 14 de Maio de 2012 <br/>Aceite a 3 de Outubro de 2012 <br/>       ]]></body><back>
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