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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Importância da Intervenção Nutri-cional na Anemia da Fanconi]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Importance of Nutritional Intervention in Fanconi’s Anemia]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Fanconi Anemia is a rare recessive disorder clinically associated with a progressive bone marrow failure, hypersensitivity to oxidative damage and consequent increased predisposition to cancer. The importance of the nutritionist in clinical monitoring of patients begins to be consensual. The disorders in the digestive tract experienced by patients as well as the chronic inflammatory state and drug therapy contribute to the prevalence of underweight and malnutrition. However, cases of obesity and metabolic syndrome are also being reported in patients with Fanconi anemia. This condition is often associated with glucose intolerance and dyslipidemia for which they exhibit greater predisposition. Nutritional therapy begins to occupy an important place in the treatment of these patients due to a few studies that have demonstrated potential benefits of an intervention with antioxidants (such as alpha-lipoic acid and N-acetylcysteine) in patients with Fanconi anemia. Although the need for further studies about it still remains, it is assumed that dietary intervention should be part of clinical monitoring of patients with Fanconi anemia not only for a treatment aimed at increasing life expectancy, but essentially to improve the life quality of patients.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Anemia de Fanconi]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO DE REVIS&#195;O</b></p>     <p >  <br/><b >Import&#226;ncia da Interven&#231;&#227;o Nutri-cional na Anemia da Fanconi</b></p> <p/><b >Importance of Nutritional Intervention in Fanconi&#8217;s Anemia</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ><b >Catarina Martins<sup>1</sup>; In&#234;s P&#225;dua<sup>1</sup></b></p>     <p ><sup>1</sup>Estudante, Faculdade de Ci&#234;ncias da Nutri&#231;&#227;o e Alimenta&#231;&#227;o da Universidade do Porto </p>      <p><a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b >RESUMO</b></p>     <p> <br/>A anemia de Fanconi &#233; uma doen&#231;a gen&#233;tica recessiva rara que se associa com uma fal&#234;ncia medular progressiva, hipersensibilidade ao dano oxidativo e consequente aumento da predisposi&#231;&#227;o para o cancro. A import&#226;ncia do papel do nutricionista no acompanhamento cl&#237;nico dos doentes come&#231;a a ser consensual. Os problemas no tracto digestivo apresentados pelos doentes bem como o estado inflamat&#243;rio cr&#243;nico e a terap&#234;utica farmacol&#243;gica contribuem para a preval&#234;ncia de baixo peso e m&#225; nutri&#231;&#227;o. Contudo est&#227;o tamb&#233;m a ser reportados casos de obesidade e s&#237;ndrome metab&#243;lica nos doentes com anemia de Fanconi, sendo esta condi&#231;&#227;o frequentemente associada &#224; intoler&#226;ncia &#224; glicose e dislipidemia, para as quais apresentam uma maior predisposi&#231;&#227;o. A terapia nutricional come&#231;a a ocupar um importante lugar no que diz respeito a tratamentos para estes doentes no sentido em que alguns estudos t&#234;m demonstrado poss&#237;veis benef&#237;cios de uma interven&#231;&#227;o com antioxidantes (nomeadamente &#225;cido alfa-lip&#243;ico e N-acetilciste&#237;na) nos doentes com anemia de Fanconi. Embora permane&#231;a a necessidade de mais estudos no &#226;mbito da tem&#225;tica, assume-se que a interven&#231;&#227;o nutricional dever&#225; ser parte integrante do acompanhamento cl&#237;nico dos doentes com anemia de Fanconi, n&#227;o s&#243; para um tratamento que vise o aumento da esperan&#231;a m&#233;dia de vida, mas essencialmente para a melhoria da qualidade de vida dos doentes. </p>     <p><b >Palavras-Chave</b>: Anemia de Fanconi, Nutri&#231;&#227;o, Dano oxidativo, Antioxidantes </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>      <p><b >ABSTRACT</b>  <br/>Fanconi Anemia is a rare recessive disorder clinically associated with a progressive bone marrow failure, hypersensitivity to oxidative damage and consequent increased predisposition to cancer. The importance of the nutritionist in clinical monitoring of patients begins to be consensual. The disorders in the digestive tract experienced by patients as well as the chronic inflammatory state and drug therapy contribute to the prevalence of underweight and malnutrition. However, cases of obesity and metabolic syndrome are also being reported in patients with Fanconi anemia. This condition is often associated with glucose intolerance and dyslipidemia for which they exhibit greater predisposition. Nutritional therapy begins to occupy an important place in the treatment of these patients due to a few studies that have demonstrated potential benefits of an intervention with antioxidants (such as alpha-lipoic acid and N-acetylcysteine) in patients with Fanconi anemia. Although the need for further studies about it still remains, it is assumed that dietary intervention should be part of clinical monitoring of patients with Fanconi anemia not only for a treatment aimed at increasing life expectancy, but essentially to improve the life quality of patients. </p>     <p><b >keywords</b>: Fanconi&#8217;s anemia, Nutrition, Oxidative damage, Antioxidants </p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>      <p><b     >INTRODU&#199;&#195;O</b>     <br/>A     anemia de Fanconi &#233; uma doen&#231;a gen&#233;tica recessiva     ]]></body>
<body><![CDATA[rara. Os sintomas podem manifestar-se logo desde o nascimento, no entanto o     diagn&#243;stico correcto &#233; obtido normalmente numa fase tardia, na generalidade dos     casos por volta dos 13 anos, o que dificulta o seu tratamento (1, 2). Esta     patologia associa-se com uma fal&#234;ncia medular progressiva e com um aumento da     predisposi&#231;&#227;o para o cancro, o que leva a uma reduzida esperan&#231;a de vida (cerca     de 20 anos) destes pacientes. Apresentam ainda diversas anomalias cong&#233;nitas     como baixa estatura; deforma&#231;&#245;es no polegar e r&#225;dio; hiperpigmenta&#231;&#227;o     &#8220;caf&#233; com leite&#8221;; malforma&#231;&#245;es card&#237;acas e renais (3, 4) .     Trata-se de uma doen&#231;a muito heterog&#233;nea e complexa, com cerca de 15 genes     envolvidos e manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas vari&#225;veis. Existem no entanto marcadores     ]]></body>
<body><![CDATA[comuns a todos os doentes com anemia de Fanconi como     por exemplo a hipersensibilidade ao efeito clastog&#233;nico     de agentes alquilantes, em particular o diepoxibutano (DEB) e a hipersensibilidade ao dano     oxidativo (5, 6). A citotoxicidade induzida pelo DEB,     apesar de ainda n&#227;o estar completamente conhecida, tem sido relacionada com a     deple&#231;&#227;o de glutationa e activa&#231;&#227;o de uma via apopt&#243;tica mitocondrial induzida pelo stress     oxidativo. Por outro lado, parece haver tamb&#233;m uma associa&#231;&#227;o directa entre o stress oxidativo e defeitos gen&#233;ticos prim&#225;rios da Anemia de     Fanconi. Entre os referidos defeitos incluem-se     muta&#231;&#245;es nos genes que codificam para as prote&#237;nas FANCC, FANCG E FANCA,     envolvidas na replica&#231;&#227;o do ADN e na resposta a danos celulares. Estas t&#234;m     ]]></body>
<body><![CDATA[tamb&#233;m sido relacionadas com desequil&#237;brios no balan&#231;o oxidativo do organismo e     com uma sensibilidade funcional e estrutural &#250;nica ao stress     oxidativo. Adicionalmente, estudos no &#226;mbito desta tem&#225;tica, sugerem uma     interac&#231;&#227;o da prote&#237;na FANCC com a redutase do     citocromo P450 e com a glutationa-S-transferase (5).     No que diz respeito ao tratamento, actualmente este prende-se com a     administra&#231;&#227;o de androg&#233;nios, administra&#231;&#227;o de factores de crescimento e     transplante de medula &#243;ssea (3). A alimenta&#231;&#227;o come&#231;a a ocupar tamb&#233;m um     importante lugar no que diz respeito a tratamentos e terapias para estes     doentes. Alguns estudos t&#234;m direccionado investiga&#231;&#245;es no &#226;mbito de uma     ]]></body>
<body><![CDATA[poss&#237;vel interven&#231;&#227;o profil&#225;ctica atrav&#233;s do uso de antioxidantes nos doentes     com anemia de Fanconi, pretendendo sobretudo atrasar     a progress&#227;o tumoral e a falha medular (5, 7).     <br/>O     Porqu&#234; da Necessidade de Acompanhamento Nutricional      <br/>1.     <u>Papel do Nutricionista</u>     <br/>De     entre as anomalias end&#243;crinas associadas &#224; anemia de Fanconi     sublinham-se a intoler&#226;ncia &#224; glicose e dislipidemia,     ]]></body>
<body><![CDATA[causas reconhecidas de morbilidade e de redu&#231;&#227;o da qualidade de vida dos     doentes (8). Verifica-se tamb&#233;m uma preval&#234;ncia significativa de factores de     risco para a s&#237;ndrome metab&#243;lica, sendo que os mesmos persistem ap&#243;s o     transplante de medula &#243;ssea (8-10). Assim sendo, a interven&#231;&#227;o nutricional     dever&#225; ser parte integrante do acompanhamento cl&#237;nico dos doentes com anemia de     Fanconi durante toda a sua vida (11).      <br/>2.     <u>Controlo Glic&#233;mico e Dislipidemias</u>      <br/>Um     dos problemas mais comumente identificados nos doentes com anemia de Fanconi diz respeito a anomalias no metabolismo da glicose     ]]></body>
<body><![CDATA[e insulina (12). Embora se possa atribuir como causa a terap&#234;utica utilizada     por alguns doentes e/ou o excesso de peso, um anormal metabolismo da glicose     pode ser considerado uma manifesta&#231;&#227;o intr&#237;nseca da anemia de Fanconi (8). Estudos recentes revelaram que 68% das     crian&#231;as e 30% dos adultos com anemia de Fanconi     apresentam intoler&#226;ncia &#224; glicose, sendo ainda reportados casos de     hiperglicemia e diabetes Mellitus associados a     defeitos na secre&#231;&#227;o de insulina (8, 13). Estudos t&#234;m tamb&#233;m reportado a     preval&#234;ncia de dislipidemias nos doentes com anemia     de Fanconi. Foram descritas altera&#231;&#245;es no perfil     lip&#237;dico dos doentes, com uma elevada preval&#234;ncia de dislipidemias:     ]]></body>
<body><![CDATA[n&#237;veis plasm&#225;ticos elevados de colesterol LDL e triglicer&#237;deos e n&#237;veis baixos     de colesterol HDL (8). Estas altera&#231;&#245;es foram tamb&#233;m reportadas no estudo de Shatilin et al., no qual cerca de     30% dos doentes com anemia de Fanconi submetidos a     transplante de medula &#243;ssea apresentavam dislipidemias     (9).      <br/>Tendo     em conta a hipersensibilidade dos doentes com anemia de Fanconi     ao stress oxidativo (5) e os casos de diabetes Mellitus recentemente observados nestes doentes (8, 11,     14), foi realizado um estudo com o objectivo de entender a rela&#231;&#227;o entre a     acumula&#231;&#227;o de esp&#233;cies reactivas de oxig&#233;nio (ROS) e a resist&#234;ncia &#224; insulina,     ]]></body>
<body><![CDATA[caracter&#237;stica da obesidade e diabetes Mellitus tipo     2. No estudo em quest&#227;o verificou-se que ratinhos com defici&#234;ncia no gene que     codifica as prote&#237;nas FANCA E FANCC da anemia de Fanconi, parecem ser mais suscept&#237;veis ao aparecimento de diabetes     e ao r&#225;pido ganho de peso quando alimentados com uma dieta hiperlipidica.     Estas caracter&#237;sticas fenot&#237;picas de resist&#234;ncia &#224; insulina derivam de uma     redu&#231;&#227;o na fosforila&#231;&#227;o da tirosina do receptor de insulina e de um aumento da     fosforila&#231;&#227;o inibit&#243;ria da serina do substrato-1 do receptor de insulina     (IRS-1), no f&#237;gado, m&#250;sculo e tecido adiposo. Concluiu-se, assim a exist&#234;ncia     de uma rela&#231;&#227;o positiva entre a acumula&#231;&#227;o de ROS e a diabetes Mellitus tipo 2 (15).     <br/>3.     ]]></body>
<body><![CDATA[<u>Excesso de Peso e Obesidade</u>     <br/>O     excesso de peso e a obesidade podem originar graves complica&#231;&#245;es, nomeadamente     relacionadas com hiperlipidemia, doen&#231;as     cardiovasculares, diabetes, dist&#250;rbios do sono, entre outros (14, 16). Estudos     indicam que cerca de 27% dos pacientes com anemia de Fanconi     apresentam excesso de peso ou obesidade (8). &#201; importante o acompanhamento e     aconselhamento por um profissional, pois s&#227;o necess&#225;rias modifica&#231;&#245;es do estilo     de vida e dos h&#225;bitos alimentares, tentando desta forma controlar o aumento de     peso e evitar o aparecimento de co-morbilidades     ]]></body>
<body><![CDATA[nestes doentes (14).     <br/>4.     <u>Baixo Peso e Dificuldades no Crescimento</u>     <br/>Estudos     reportaram que cerca de 22% dos doentes com anemia de Fanconi     apresentam baixo peso (8). Para esta condi&#231;&#227;o contribuem de forma significativa     os problemas gastrointestinais apresentados pelos doentes, tais como refluxo,     n&#225;usea, diarreia, obstipa&#231;&#227;o e saciedade precoce. Entre as causas para os     referidos sintomas incluem-se n&#227;o s&#243; anomalias anat&#243;micas do tracto gastrointestinal     associadas &#224; doen&#231;a (atresia esof&#225;gica, duodenal e anal e fistula traqueoesof&#225;gica), como tamb&#233;m um estado inflamat&#243;rio     ]]></body>
<body><![CDATA[cr&#243;nico, exist&#234;ncia de uma infec&#231;&#227;o (os doentes s&#227;o particularmente     suscept&#237;veis a infec&#231;&#245;es f&#250;ngicas, nomeadamente aspergilose) ou ainda efeitos     secund&#225;rios da terap&#234;utica farmacol&#243;gica (14). Um outro estudo evidencia que os     doentes com anemia de Fanconi tamb&#233;m apresentam uma     diminui&#231;&#227;o na secre&#231;&#227;o e fluxo salivares (17). Esta condi&#231;&#227;o pode comprometer a     forma&#231;&#227;o do bolo alimentar e consequentemente uma correcta nutri&#231;&#227;o.     Adicionalmente, como j&#225; referido, doentes com anemia de Fanconi     podem apresentar uma produ&#231;&#227;o deficiente de insulina e posteriormente     desenvolver hiperglicemia e glicos&#250;ria. Esta quest&#227;o carece de particular     aten&#231;&#227;o no caso das crian&#231;as e adolescentes tendo em conta que poder&#225;     ]]></body>
<body><![CDATA[contribuir para atrasos no seu crescimento e desenvolvimento (11, 13). De     referir que os valores dos par&#226;metros de crescimento s&#227;o anormais tanto no     per&#237;odo pr&#233;-natal como p&#243;s-natal. De acordo com os dados do IFAR (Registo     Internacional da Anemia de Fanconi), os valores     m&#233;dios do peso (tal como a altura e a circunfer&#234;ncia da cabe&#231;a) situam-se perto     do percentil 5 (12). Assim sendo as causas m&#233;dicas e nutricionais para o baixo     peso de doentes com anemia de Fanconi devem ser     identificadas o mais cedo poss&#237;vel. (11, 13). Embora o conhecimento actual n&#227;o     permita saber se estas complica&#231;&#245;es podem ser revertidas, as suas consequ&#234;ncias     poder&#227;o ser minimizadas tendo em vista a qualidade de vida do doente.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br/><u>Nutri&#231;&#227;o     como Terapia </u>     <br/>O     tratamento de doentes com anemia de Fanconi passa     actualmente pelo transplante de medula &#243;ssea, administra&#231;&#227;o de factores de     crescimento hematopoi&#233;ticos e de androg&#233;nios (3). No caso do transplante, a     necessidade de compatibilidade dificulta e atrasa todo o processo terap&#234;utico e     o tratamento com administra&#231;&#227;o de androg&#233;nios tamb&#233;m tem levado a efeitos     adversos sobretudo a n&#237;vel hep&#225;tico (aumento do n&#250;mero de enzimas hep&#225;ticas,     aumento dos n&#237;veis de colesterol, hepatite ou neoplasia) (18). Adicionalmente,     ]]></body>
<body><![CDATA[embora as terapias referidas apresentem resultados vantajosos na preven&#231;&#227;o de     anemia, o mesmo n&#227;o se verifica quanto &#224; ocorr&#234;ncia de cancro (3, 5). Assim     sendo, imp&#245;e-se investiga&#231;&#227;o nesta &#225;rea tendo por pressuposto que a melhor     terapia passar&#225; pela preven&#231;&#227;o da ocorr&#234;ncia de danos no ADN ou ent&#227;o pela sua     repara&#231;&#227;o. O stress oxidativo &#233; considerado um     importante factor patog&#233;nico na anemia de Fanconi. A     express&#227;o de mediadores inflamat&#243;rios nestes pacientes, particularmente     TNF-Î± e IL-6, &#233; muitas vezes associada com o aumento da produ&#231;&#227;o de ROS,     quer como componente da sua resposta imune quer como uma consequ&#234;ncia do     aumento do metabolismo (19). Assim sendo, a presen&#231;a de citoquinas     ]]></body>
<body><![CDATA[pr&#243;-inflamat&#243;rias e do aumento do stress oxidativo     pode traduzir-se numa maior predisposi&#231;&#227;o para a ocorr&#234;ncia de danos     cromoss&#243;micos nos linf&#243;citos, aumento do encurtamento dos tel&#243;meros e perda de     fun&#231;&#227;o, ocorr&#234;ncia de muta&#231;&#245;es e consequentemente de cancro (7, 19). O     tratamento nutricional, tendo por base uma dieta de car&#225;cter antioxidante pode     reduzir o dano oxidativo no ADN e &#233; uma terapia emergente na &#225;rea (3, 6). Num     estudo de Picheira et al. com doentes com anemia de Fanconi, foi reportado que a administra&#231;&#227;o de     Î±-tocoferol (vitamina E) diminui a frequ&#234;ncia de danos cromoss&#243;micos (em     cerca de 50%) e a dura&#231;&#227;o da fase G2 no ciclo celular (diminui&#231;&#227;o de     aproximadamente 40 minutos). Ressalva-se no entanto que n&#227;o foram encontrados     ]]></body>
<body><![CDATA[efeitos estatisticamente significativos do Î±-tocoferol sobre a repara&#231;&#227;o     dos mesmos danos cromoss&#243;micos. Tendo em conta que a dura&#231;&#227;o da fase G2 poder&#225;     estar relacionada com a quantidade de danos cromoss&#243;micos que necessitam de     repara&#231;&#227;o, a diminui&#231;&#227;o na dura&#231;&#227;o da fase poder&#225; ser explicada pela diminui&#231;&#227;o     nas les&#245;es cromoss&#243;micas induzidas pelo Î±-tocoferol. No referido estudo     foi tamb&#233;m demonstrado que o efeito antioxidante (expresso atrav&#233;s da     diminui&#231;&#227;o das quebras dos cromat&#237;deos) foi maior em c&#233;lulas de anemia de Fanconi do que nas c&#233;lulas controlo (6).      <br/>Ponte     et al. demonstraram     tamb&#233;m que a exposi&#231;&#227;o concomitante a &#225;cido Î±-lipoico     ]]></body>
<body><![CDATA[e a N-acetilciste&#237;na pode melhorar drasticamente a     estabilidade gen&#233;tica dos linf&#243;citos in vitro de pacientes com anemia de Fanconi, diminuindo a instabilidade cromoss&#243;mica em cerca     de 60%. Para al&#233;m do papel no aumento da estabilidade cromoss&#243;mica, o &#225;cido     Î±-lipoico &#233; tamb&#233;m importante na regula&#231;&#227;o da     transcri&#231;&#227;o e inibi&#231;&#227;o da activa&#231;&#227;o do factor de transcri&#231;&#227;o nuclear kappa B e prote&#237;na activadora-1. Por outro lado e     aparentemente, a N-acetilciste&#237;na parece modular as     concentra&#231;&#245;es de citocinas como a interleucina-1     (IL-1), o factor de necrose tumoral-alfa (TNF-Î±) e o interfer&#227;o gama     (IFN-Î³). Estes efeitos s&#227;o importantes na redu&#231;&#227;o do processo     inflamat&#243;rio, frequente nos doentes com anemia de Fanconi.     ]]></body>
<body><![CDATA[Foi tamb&#233;m observado, in vitro, que a administra&#231;&#227;o     concomitante de &#225;cido Î±-lipoico e N-acetilciste&#237;na pode ser ainda mais efectiva quando aplicada     a mosaicos e quimeras de anemia de Fanconi ap&#243;s     transplante de medula &#243;ssea. Tendo em conta que o transplante n&#227;o tem qualquer     efeito na instabilidade cromoss&#243;mica e consequentemente na predisposi&#231;&#227;o para a     ocorr&#234;ncia de tumores s&#243;lidos, o controlo dessa instabilidade ap&#243;s transplante     assume particular import&#226;ncia (5).      <br/>Uziel     et al. conclu&#237;ram que a administra&#231;&#227;o das subst&#226;ncias     antioxidantes dimetiltiour&#233;ia e de 2,2&#8217;-dipiridil, em     ]]></body>
<body><![CDATA[culturas celulares, minimizou o encurtamento dos tel&#243;meros induzido pelo     peroxido de hidrog&#233;nio. Este efeito verificou-se mais modesto quer para a     vitamina E, quer para o dimetilsuf&#243;xido.     Relativamente &#224; vitamina C, os estudos n&#227;o s&#227;o consensuais, sendo reportada a     sua actividade dupla como oxidante e antioxidante (7).      <br/>Adicionalmente,     estudos de Zangh et al.     reportaram que, em ratos com muta&#231;&#227;o para a anemia de Fanconi,     a administra&#231;&#227;o do antioxidante tempol mimetiza o     efeito da dismutase do super&#243;xido e atrasa o     ]]></body>
<body><![CDATA[aparecimento de tumores epiteliais, sem qualquer efeito adverso sobre o sistema     hematopoi&#233;tico. Os autores ressalvam que o tempol     pode ser um bom candidato a ser testado em ensaios cl&#237;nicos humanos para a     preven&#231;&#227;o de tumores s&#243;lidos. Relativamente ao resveratrol foi reportada uma     correc&#231;&#227;o, ainda que parcial, de defeitos hematopoi&#233;ticos e melhorando o     microambiente da medula &#243;ssea. (20, 21)     <br/>Existem     ainda estudos cujo prop&#243;sito &#233; avaliar o efeito de v&#225;rios antioxidantes sobre o     stress oxidativo numa generalidade de patologias.     Nestes estudos &#233; reportada a efic&#225;cia do bioflavonoide     ]]></body>
<body><![CDATA[rutina (vitamina P) na inibi&#231;&#227;o da sobreprodu&#231;&#227;o de ROS, bem como a efic&#225;cia     das vitaminas A e C (18, 22). No seguimento destes resultados imp&#245;e-se estudar     se os mesmos efeitos se verificam quando os referidos antioxidantes s&#227;o     administrados a doentes com anemia de Fanconi.      <br/>Contudo,     a maioria dos estudos refere a dificuldade em medir o efeito in vivo de um     &#250;nico composto flavonoide, exceptuando consumos em     grande escala e por isso n&#227;o vi&#225;veis ou presumivelmente t&#243;xicos. (23). De notar     ainda que poder&#225; n&#227;o ser f&#225;cil avaliar a ac&#231;&#227;o exclusiva de um determinado     composto quando este &#233; ingerido numa matriz alimentar, devido &#224; ac&#231;&#227;o dos     ]]></body>
<body><![CDATA[restantes componentes. Ressalva-se tamb&#233;m que estudos reportaram uma associa&#231;&#227;o     entre restri&#231;&#227;o energ&#233;tica e diminui&#231;&#227;o na taxa de doen&#231;as linfoproliferativas     pelo que ser&#225; sempre de grande import&#226;ncia o acompanhamento nutricional no     sentido da elabora&#231;&#227;o e promo&#231;&#227;o de uma dieta equilibrada (18).     </p>     <p><b>AN&#193;LISE CR&#205;TICA E CONCLUS&#213;ES</b> <br/>O acompanhamento do nutricionista &#233; relevante e pode levar a melhorias da qualidade de vida dos doentes com anemia de Fanconi. Para tal, &#233; essencial que o nutricionista seja capaz de integrar os resultados obtidos atrav&#233;s da investiga&#231;&#227;o, nomeadamente relacionada com antioxidantes, numa dieta equilibrada e personalizada para cada doente. &#201; tamb&#233;m fundamental a comunica&#231;&#227;o entre os profissionais das diferentes especialidades que contactam com o doente, pois desta forma poder&#225; ser poss&#237;vel obter melhores resultados no tratamento. <br/>Apesar da exist&#234;ncia de estudos a n&#237;vel citogen&#233;tico, este tema carece ainda de uma maior investiga&#231;&#227;o na &#225;rea da nutri&#231;&#227;o, para que seja poss&#237;vel direccionar de forma cada vez mais eficaz a alimenta&#231;&#227;o dos pacientes. </p>    <p>&nbsp;</p>     <p><b >AGRADECIMENTOS</b> <br/>Dr.&#170; Rosa Sousa, Laborat&#243;rio de Citogen&#233;tica, Instituto de Ci&#234;ncias Biom&#233;dicas Abel Salazar, Universidade do Porto </p>      <p>&nbsp;</p>     <!-- ref --><p><b >REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b><b ></b> <br/>1. Porto B, Sousa R, Ponte F, Torgal A, Campilho F, Campos A, et al. FANCONI ANEMIA Cytogenetic Diagnosis of 40 Cases. Acta Medica Port. 2011 May-Jun;24(3):405-12 <br/>2. Lanneaux J, Poidvin A, Soole F, Leclerc G, Grimaud M, Dalle JH. [Fanconi anemia in 2012]. Arch Pediatr. 2012 Oct;19(10):1100-9 <br/>3. Shukla P, Ghosh K, Vundinti BR. Current and emerging therapeutic strategies for Fanconi anemia. HUGO Journal. 2012;6(1):1-8 <br/>4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1718577&pid=S2182-7230201200040000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Soulier J. Fanconi anemia. Hematology / the Education Program of the American Society of Hematology American Society of Hematology Education Program. [Review]. 2011;2011:492-7 <br/>5. Ponte F, Sousa R, Fernandes AP, Goncalves C, Barbot J, Carvalho F, et al. Improvement of genetic stability in lymphocytes from Fanconi anemia patients through the combined effect of alpha-lipoic acid and N-acetylcysteine. Orphanet journal of rare diseases. 2012:28 <br/>6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1718578&pid=S2182-7230201200040000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Pincheira J, Bravo M, Santos MJ, de la Torre C, Lopez-Saez JF. Fanconi anemia lymphocytes: effect of DL-alpha-tocopherol (Vitamin E) on chromatid breaks and on G2 repair efficiency. Mutation research. 2001 Jan 5;461(4):265-71 <br/>7. Uziel O, Reshef H, Ravid A, Fabian I, Halperin D, Ram R, et al. Oxidative stress causes telomere damage in Fanconi anaemia cells - a possible predisposition for malignant transformation. Br J Haematol. 2008 Jul;142(1):82-93 <br/>8. Giri N, Batista DL, Alter BP, Stratakis CA. Endocrine abnormalities in patients with fanconi anemia. J Clin Endocr Metab. 2007 Jul;92(7):2624-31 <br/>9. Shalitin S, Phillip M, Stein J, Goshen Y, Carmi D, Yaniv I. Endocrine dysfunction and parameters of the metabolic syndrome after bone marrow transplantation during childhood and adolescence. Bone Marrow Transplant. 2006 Jun;37(12):1109-17 <br/>10. Taskinen MS-P, U. Hovi, L. Lipsanen-Nyman, M. . Impaired glucose tolerance and dyslipidaemia as late effects after bone-marrow transplantation in childhood. Lancet. 2000;356:993-97 <br/>11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1718579&pid=S2182-7230201200040000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Rose SR, Myers KC, Rutter MM, Mueller R, Khoury JC, Mehta PA, et al. Endocrine phenotype of children and adults with Fanconi anemia. Pediatr Blood Cancer. 2012 Oct;59(4):690-6 <br/>12. Auerbach AD. Fanconi anemia and its diagnosis. Mutation research. 2009 Jul 31;668(1-2):4-10 <br/>13. Elder DA, D'Alessio DA, Eyal O, Mueller R, Smith FO, Kansra AR, et al. Abnormalities in glucose tolerance are common in children with fanconi anemia and associated with impaired insulin secretion. Pediatr Blood Cancer. 2008 Aug;51(2):256-60 <br/>14. Fanconi Anemia: Guidelines for Diagnosis and Management. Third Edition. 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<body><![CDATA[<br>Recebido a 13 de Setembro de 2012     <br>Aceite a 31 de Dezembro de 2012 <br/>       ]]></body><back>
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