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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Papel da Tiamina Presente nas Leguminosas na Prevenção e Progressão da Doença de Alzheimer]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Role of Thiamine in the Leguminous Vegetables for the Prevention and Progression of Alzheimer&#8217;s Disease]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Alzheimer&#8217;s is a neurodegenerative disease that mainly affects the elderly. This disease induces gradual cognitive deficits and progressive amnesic dementia, which is caused by the presence of an abnormal mass of beta-amyloid and neurofibrillary tangles composed by TAU proteins. Alzheimer&#8217;s disease also implies functional changes of the neurotransmitters like acetylcholine, a neurotransmitter that is related to memory, affected in this disease. This disease symptom - memory loss - can be prevented through nutrient-rich food. In this case, thiamine, as a precursor of acetylcholine, becomes an essential nutrient for the proper functioning of the nervous system and memory improvement. This vitamin is found in the leguminous vegetables, a food group which is known to have a list of health benefits due to a considerable protein content of vegetal origin, complex carbohydrates, fiber, potassium, iron and vitamin B complex, particularly thiamine. Given this connection between acetylcholine and thiamine, and the influence of a healthy food pattern on health status, the low consumption of leguminous vegetables in the population, especially in the elderly, has become a public health concern. Therefore, an intervention is needed aiming the increase of leguminous consumption in the community, to be possible to experience the health benefits, in particular to prevent and improve neurodegenerative diseases like Alzheimer&#8217;s disease.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO DE REVIS&#195;O</b></p>     <p >      <p><strong>Papel da Tiamina Presente nas Leguminosas na Preven&ccedil;&atilde;o e Progress&atilde;o da Doen&ccedil;a de Alzheimer</strong></p>     <p><strong>Role of Thiamine in the Leguminous Vegetables for the Prevention and Progression of Alzheimer&rsquo;s Disease</strong></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Teresa Carvalho<sup>1</sup>; Helena Real<sup>2</sup></strong></p>     <p><sup>1</sup>Nutricionista Estagi&aacute;rio, Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa dos Nutricionistas, </p>     <p>Rua Jo&atilde;o das Regras, 284, R/C3, 4000-291 Porto, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>Nutricionista, Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa dos Nutricionistas, Rua Jo&atilde;o das Regras, 284, R/C3, 4000-291 Porto, Portugal</p>     <p><a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b >RESUMO</b></p>     <p>A doen&ccedil;a de Alzheimer &eacute; uma doen&ccedil;a neurodegenerativa com maior preval&ecirc;ncia em idosos. Esta doen&ccedil;a induz d&eacute;fices cognitivos graduais e dem&ecirc;ncia amn&eacute;sica progressiva. Tal &eacute; causado pela presen&ccedil;a de uma massa anormal de &beta;-amil&oacute;ide e agregados neurofibrilares constitu&iacute;dos por prote&iacute;nas TAU. A doen&ccedil;a de Alzheimer implica tamb&eacute;m altera&ccedil;&otilde;es funcionais dos neurotransmissores, como &eacute; o caso da acetilcolina, um neurotransmissor que se encontra relacionado com a mem&oacute;ria, que est&aacute; afectado nesta patologia. Este sintoma da doen&ccedil;a &ndash; a perda de mem&oacute;ria - pode ser prevenido atrav&eacute;s de uma alimenta&ccedil;&atilde;o rica em nutrientes modulares. Neste caso, a tiamina, como precursor da acetilcolina, torna-se um nutriente fundamental para o correcto funcionamento do sistema nervoso e melhoria da mem&oacute;ria. Esta vitamina encontra-se presente nas leguminosas, grupo de alimentos ao qual se reconhece um rol de benef&iacute;cios para a sa&uacute;de devido ao teor apreci&aacute;vel de prote&iacute;nas de origem vegetal, hidratos de carbono complexos, fibra, pot&aacute;ssio, ferro e vitaminas do complexo B, particularmente a tiamina. Atendendo a esta conex&atilde;o entre a acetilcolina/tiamina e a influ&ecirc;ncia de um padr&atilde;o alimentar saud&aacute;vel sobre o estado de sa&uacute;de, o baixo consumo de leguminosas na popula&ccedil;&atilde;o, especialmente pelas pessoas idosas, surge como uma preocupa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica. Deste modo, &eacute; necess&aacute;rio uma interven&ccedil;&atilde;o que vise incrementar o consumo de leguminosas na comunidade, de forma a poderem usufruir das suas vantagens para a sa&uacute;de, nomeadamente na preven&ccedil;&atilde;o e melhoria das doen&ccedil;as neurodegenerativas como a doen&ccedil;a de Alzheimer. </p>     <p><strong>Palavras-Chave</strong>: Dieta Mediterr&acirc;nica, Doen&ccedil;a de Alzheimer, Doen&ccedil;as neurodegenerativas, Leguminosas, Tiamina</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>      <p><b >ABSTRACT</b>      <p>Alzheimer&rsquo;s is a neurodegenerative disease that mainly affects the elderly. This disease induces gradual cognitive deficits and progressive amnesic dementia, which is caused by the presence of an abnormal mass of beta-amyloid and neurofibrillary tangles composed by TAU proteins. Alzheimer&rsquo;s disease also implies functional changes of the neurotransmitters like acetylcholine, a neurotransmitter that is related to memory, affected in this disease. This disease symptom &ndash; memory loss &ndash; can be prevented through nutrient-rich food. In this case, thiamine, as a precursor of acetylcholine, becomes an essential nutrient for the proper functioning of the nervous system and memory improvement. This vitamin is found in the leguminous vegetables, a food group which is known to have a list of health benefits due to a considerable protein content of vegetal origin, complex carbohydrates, fiber, potassium, iron and vitamin B complex, particularly thiamine. Given this connection between acetylcholine and thiamine, and the influence of a healthy food pattern on health status, the low consumption of leguminous vegetables in the population, especially in the elderly, has become a public health concern. Therefore, an intervention is needed aiming the increase of leguminous consumption in the community, to be possible to experience the health benefits, in particular to prevent and improve neurodegenerative diseases like Alzheimer&rsquo;s disease.</p>     <p><strong>Keyworks</strong>: Alzheimer's disease, Leguminous, Mediterranean diet, Neurodegenerative diseases, Thiamine</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b >INTRODU&#199;&#195;O</b>     <p><u>Doen&ccedil;as Neurodegenerativas</u></p>     <p>Segundo dados de 2015 da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), estima-se que h&aacute; cerca de 47,5 milh&otilde;es de pessoas com dem&ecirc;ncia, aumentando o n&uacute;mero de ano para ano em aproximadamente 7,7 milh&otilde;es de pessoas (1). O <em>Alzheimer&rsquo;s</em><em> Disease International Report</em> (2014) afirma que em 2050, aproximadamente 135 millh&otilde;es de pessoas em todo o mundo sofrer&atilde;o de dem&ecirc;ncia (2). Contudo, considera-se que cerca de 60 a 70% dos casos de dem&ecirc;ncia corresponde &agrave; doen&ccedil;a de Alzheimer (DA), sendo as mulheres mais afectadas do que os homens (1). No que respeita a Portugal, a Alzheimer Portugal reportou que, em 2011, 150 mil portugueses sofriam de dem&ecirc;ncia dos quais 110 mil tinham DA (3). </p>     <p>Tendo em conta este aumento exponencial, o relat&oacute;rio da OMS de 2012 - <em>Dementia</em><em>: a public health priority</em> - identifica a dem&ecirc;ncia como uma prioridade de sa&uacute;de p&uacute;blica, sendo crucial compreender os factores de risco que induzem a dem&ecirc;ncia e, por sua vez, a DA (4).</p>     <p><u>Doen&ccedil;a de Alzheimer</u></p>     <p>A DA consiste numa doen&ccedil;a neurodegenerativa causada pela presen&ccedil;a de uma massa anormal de &szlig;-amil&oacute;ide no c&eacute;rebro e de novelos neurofibrilares constitu&iacute;dos por prote&iacute;nas TAU (5&ndash;9). Este dist&uacute;rbio neurol&oacute;gico degenerativo caracteriza-se por d&eacute;fices cognitivos graduais e pela presen&ccedil;a de dem&ecirc;ncia amn&eacute;sica progressiva (5&ndash;7,9&ndash;11). Geralmente, afecta mais a pessoa idosa, um grupo populacional que tem vindo a aumentar, de acordo com os dados da OMS, prevendo-se que de 2000 para 2050 a percentagem mundial de pessoas com mais de 60 anos duplique de 11% para 22% (12). Este aumento tamb&eacute;m se verifica em Portugal, onde se perspectiva que o &iacute;ndice de envelhecimento entre 2012 e 2060 evolua de 131 para 307 idosos por cada 100 jovens (13). Prevendo-se que, em 2060 a popula&ccedil;&atilde;o idosa possa atingir 3344 milhares no cen&aacute;rio alto e 2729 milhares no cen&aacute;rio baixo (13). Contudo, saliente-se que a doen&ccedil;a n&atilde;o integra o processo natural de envelhecimento, sendo a idade um dos factores de risco preponderante, mas n&atilde;o a causa principal (5&ndash;7,10,11).</p>     <p>O processo de desenvolvimento da DA n&atilde;o est&aacute; ainda muito bem esclarecido, mas sup&otilde;e-se que os danos cerebrais se iniciam 10 a 20 anos antes de qualquer manifesta&ccedil;&atilde;o, o que a leva a ser considerada uma doen&ccedil;a com desenvolvimento ao longo do tempo (5,10,14). N&atilde;o obstante, ao longo das d&eacute;cadas tem aumentado o interesse em compreender qual a etiologia da doen&ccedil;a e, para isso, est&atilde;o a ser estudadas diversas hip&oacute;teses. Algumas explica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o a ocorr&ecirc;ncia da perda sin&aacute;ptica e neuronal, a presen&ccedil;a de prote&iacute;nas amiloidog&eacute;nicas e/ou TAU, a disfun&ccedil;&atilde;o vascular, a resist&ecirc;ncia &agrave; insulina no in&iacute;cio da doen&ccedil;a, o contributo do stress oxidativo e mitocondrial (5,14,15).</p>     <p>Saliente-se como altera&ccedil;&otilde;es neuropatol&oacute;gicas, o desenvolvimento de placas neur&iacute;ticas extracelulares A&szlig;-amil&oacute;ide e tran&ccedil;as neurofibrilares, ou seja, filamentos intraneuronais com prote&iacute;na TAU hiperfosforilada (<a href ="/img/revistas/nut/n24/n24a04f1.jpg">Figura 1</a>) (16,17). A prote&iacute;na TAU pertence ao grupo de prote&iacute;nas associadas aos microt&uacute;bulos (MAP) e s&atilde;o abundantes no sistema nervoso central. Esta prote&iacute;na &eacute; codificada por um gene e expressa-se a partir de 6 isoformas diferentes no c&eacute;rebro do adulto atrav&eacute;s de splicing alternativo (8). Uma das suas fun&ccedil;&otilde;es &eacute; a incorpora&ccedil;&atilde;o de mon&oacute;meros &alpha; e &beta;-tubulina nos microt&uacute;bulos neuronais, o que garante a manuten&ccedil;&atilde;o dos microt&uacute;bulos (8,18). Outra fun&ccedil;&atilde;o importante &eacute; a regula&ccedil;&atilde;o das espinhas dendr&iacute;ticas, locais respons&aacute;veis pela entrada de sinapses excitat&oacute;rias (8,18). As insufici&ecirc;ncias de sinapses s&atilde;o as respons&aacute;veis pela diminui&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria, sintoma vis&iacute;vel no in&iacute;cio da DA (8,18). Deste modo, a hiperfosforila&ccedil;&atilde;o das prote&iacute;nas TAU, caracter&iacute;stica das les&otilde;es neurofibrilares, impede a sua liga&ccedil;&atilde;o aos microt&uacute;bulos, causando desestabiliza&ccedil;&atilde;o da estrutura e do transporte celular, o que pode contribuir para a perda de ax&oacute;nios, dendrites, sinapses e um aumento/acumula&ccedil;&atilde;o dos agregados neurofibrilares (5,8,15,19). No que diz respeito &agrave;s placas neur&iacute;ticas, estas s&atilde;o constitu&iacute;das essencialmente pela acumula&ccedil;&atilde;o do pept&iacute;deo &szlig;-amil&oacute;ide (A&szlig;) neurot&oacute;xico que resulta da clivagem proteol&iacute;tica sequencial da prote&iacute;na precursora da amil&oacute;ide &ndash; APP (Amyloid Precursor Protein) (15,17,19). A APP &eacute; uma prote&iacute;na transmembranar de passagem &uacute;nica que se expressa em n&iacute;veis elevados no c&eacute;rebro e &eacute; metabolizada rapidamente por uma s&eacute;rie de proteases (15,19,20). A raz&atilde;o que leva &agrave; acumula&ccedil;&atilde;o de A&szlig; no c&eacute;rebro dos idosos ainda n&atilde;o est&aacute; determinada, mas provavelmente deve-se &agrave;s mudan&ccedil;as na APP, em termos do metabolismo/elimina&ccedil;&atilde;o do A&szlig; (15,19,20). Outra altera&ccedil;&atilde;o &eacute; o comprometimento funcional dos neurotransmissores como a acetilcolina; onde a perda da capacidade de funcionamento e comunica&ccedil;&atilde;o por parte dos neur&oacute;nios provoca a sua morte (19&ndash;21). </p>     
<p>Com a morte dos neur&oacute;nios, as regi&otilde;es cerebrais afectadas, principalmente o c&oacute;rtex e o hipocampo, come&ccedil;am a diminuir de tamanho; o que leva a que na fase final da doen&ccedil;a os danos se espalhem largamente, ocasionando uma diminui&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel dos tecidos cerebrais (5,19). Os neur&oacute;nios colin&eacute;rgicos s&atilde;o os neur&oacute;nios mais afectados, o que influencia os n&iacute;veis de acetilcolina na regi&atilde;o do prosenc&eacute;falo basal, bem como os n&iacute;veis da enzima que permite a sua s&iacute;ntese, a colina-acetiltransferase (19,21). Esta afecta&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de acetilcolina pode ser uma das raz&otilde;es que explica a perda de mem&oacute;ria e as fun&ccedil;&otilde;es cognitivas na DA (21). Na verdade, de acordo com Sano et al (2008), os mecanismos de estimula&ccedil;&atilde;o colin&eacute;rgica melhoram a aprendizagem e mem&oacute;ria (22). Atendendo a esta redu&ccedil;&atilde;o progressiva dos neur&oacute;nios colin&eacute;rgicos no c&eacute;rebro e, consequentemente os d&eacute;fices cognitivos e de mem&oacute;ria t&iacute;picos num quadro de DA, uma das terap&ecirc;uticas age sobre a acetilcolinesterase (AChE), a enzima respons&aacute;vel por hidrolisar a acetilcolina (21&ndash;24). Estes f&aacute;rmacos bloqueiam a ac&ccedil;&atilde;o da AChE e, desta forma, impede-se a destrui&ccedil;&atilde;o da acetilcolina dos doentes que j&aacute; se encontra em concentra&ccedil;&otilde;es mais baixas do que o normal (21). Este aumento da acetilcolina possibilita uma comunica&ccedil;&atilde;o entre c&eacute;lulas mais eficaz, na medida que a acetilcolina se encontra dispon&iacute;vel para actuar nas sinapses. Geralmente, estes f&aacute;rmacos s&atilde;o administrados em fases iniciais da doen&ccedil;a por 6 meses a 1 ano, conseguindo-se melhorar e estabilizar os sintomas da doen&ccedil;a, mais propriamente os associados &agrave; mem&oacute;ria (23,24). Em estados mais avan&ccedil;ados, os f&aacute;rmacos inibidores da AChE n&atilde;o propiciam tantas melhorias (23,24).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Considerando o aumento exponencial desta condi&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e as incertezas &agrave; sua volta, proliferam os estudos cujo objectivo se prende com a descoberta de factores protectores contra o desenvolvimento da DA, sendo v&aacute;rios os estudos epidemiol&oacute;gicos com este objectivo. Desta forma, a <em>US National Institutes of Health</em> (NIH) realizou, em 2010, uma revis&atilde;o/avalia&ccedil;&atilde;o dos dados que se encontram actualmente dispon&iacute;veis sobre a preven&ccedil;&atilde;o da DA e do decl&iacute;nio cognitivo (25). Este relat&oacute;rio mostra que a evid&ecirc;ncia &eacute; ainda insuficiente para justificar a associa&ccedil;&atilde;o de factores de risco modific&aacute;veis com o decl&iacute;nio cognitivo e a DA, o que justifica a necessidade de mais pesquisas neste &acirc;mbito (25). Por outro lado, h&aacute; uma s&eacute;rie de estudos de coorte que apresentam os potenciais benef&iacute;cios de uma adequada sa&uacute;de cardiovascular, actividade f&iacute;sica e literacia da popula&ccedil;&atilde;o (4,25). O presente relat&oacute;rio informa tamb&eacute;m que as doen&ccedil;as neurodegenerativas, card&iacute;acas e oncol&oacute;gicas podem ser prevenidas atrav&eacute;s de uma adop&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o eficaz de estrat&eacute;gias de sa&uacute;de p&uacute;blica, nas quais a popula&ccedil;&atilde;o pondere e pratique as medidas preconizadas (4,6,25). Com efeito, uma alimenta&ccedil;&atilde;o mais equilibrada constitui uma das recomenda&ccedil;&otilde;es, visto que o estado salubre da popula&ccedil;&atilde;o passa indiscutivelmente por uma alimenta&ccedil;&atilde;o correcta, porque esta possui um papel importante na preven&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias patologias, onde a DA n&atilde;o parece ser excep&ccedil;&atilde;o (4).</p>     <p><u>Nutrientes e Preven&ccedil;&atilde;o da Doen&ccedil;a de Alzheimer</u></p>     <p>De entre os v&aacute;rios nutrientes relacionados com a melhoria da DA destacam-se as vitaminas do complexo B e o folato, os &aacute;cidos gordos polinsaturados &omega;-3 e os antioxidantes (vitamina C, vitamina E, caroten&oacute;ides e polifen&oacute;is) (<a href ="/img/revistas/nut/n24/n24a04f2.jpg">Figura 2</a>) (15,25&ndash;33). No que respeita &agrave;s vitaminas do complexo B e folato estes est&atilde;o directa e indirectamente relacionados com os processos metab&oacute;licos neuronais, sendo a convers&atilde;o de homociste&iacute;na em ciste&iacute;na, um dos seus pap&eacute;is (27,28,30,31). Na verdade, n&iacute;veis elevados de homociste&iacute;na est&atilde;o associados a uma maior ocorr&ecirc;ncia de DA. Ao n&iacute;vel dos &aacute;cidos gordos &oacute;mega-3 estes permitem reduzir a inflama&ccedil;&atilde;o no sistema circulat&oacute;rio e vascular, inibem a agrega&ccedil;&atilde;o plaquet&aacute;ria e diminuem o colesterol s&eacute;rico (26,27,31,32). A menor ocorr&ecirc;ncia destas comorbilidades &eacute; favor&aacute;vel, na medida que h&aacute; um decl&iacute;nio cognitivo mais lento (27,28,32,33). No que concerne aos antioxidantes, estes t&ecirc;m revelado diminuir a peroxida&ccedil;&atilde;o lip&iacute;dica e o stress oxidativo que levam ao aumento do A&beta; e da hiperfosforila&ccedil;&atilde;o da prote&iacute;na TAU (27,28,30,31,33). Evidencie-se que a suplementa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o incrementa mais benef&iacute;cios do que uma alimenta&ccedil;&atilde;o completa e nutricionalmente rica (26,29,34). Deste modo, a Dieta Mediterr&acirc;nica surge como um padr&atilde;o alimentar interessante na preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, j&aacute; que algumas investiga&ccedil;&otilde;es recentes t&ecirc;m colocado em hip&oacute;tese haver alguma vantagem preventiva conferida por este padr&atilde;o alimentar (34&ndash;36). </p>     
<p>Relativamente &agrave; evid&ecirc;ncia, esta tem vindo a demonstrar que os nutrientes presentes em certos tipos de alimentos t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es sobre a DA, particularmente na sua preven&ccedil;&atilde;o (34&ndash;39). Efectivamente, os macro e os micronutrientes comportam uma forte influ&ecirc;ncia sobre a estrutura e fun&ccedil;&otilde;es cerebrais (34&ndash;39). Por isso, a ingest&atilde;o nutricional adequada e individualizada pode fornecer os nutrientes espec&iacute;ficos para a constitui&ccedil;&atilde;o das membranas, forma&ccedil;&atilde;o de sinapses e produ&ccedil;&atilde;o de neurotransmissores (34,35,37,39). Al&eacute;m de que, uma correcta ingest&atilde;o nutricional pode influenciar directamente a disponibilidade de nutrientes, energia e oxig&eacute;nio facultados ao c&eacute;rebro (37). Assim sendo, tem sido verificado que os nutrientes n&atilde;o estimulam somente a plasticidade neuronal, mas tamb&eacute;m melhoram o processo neurodegenerativo, podendo diminuir a ocorr&ecirc;ncia do decl&iacute;nio da capacidade cerebral (34,35,37,39). </p>     <p>No que concerne &agrave; DA, caracteriza-se por originar d&eacute;fices cognitivos, progressivos e irrevers&iacute;veis (15). Estes d&eacute;fices t&ecirc;m v&aacute;rias implica&ccedil;&otilde;es, salientando-se a perda de mem&oacute;ria e a capacidade de aprendizagem (15). Estas duas consequ&ecirc;ncias da doen&ccedil;a relacionam-se com a relev&acirc;ncia dos receptores colin&eacute;rgicos na execu&ccedil;&atilde;o dos mecanismos da mem&oacute;ria (15,20). De acordo com as investiga&ccedil;&otilde;es realizadas em modelos animais, ao administrar-se escopolamina, um f&aacute;rmaco que reduz a actividade da acetilcolina, h&aacute; preven&ccedil;&atilde;o da codifica&ccedil;&atilde;o de novas mem&oacute;rias. Da&iacute; a acetilcolina, detentora de um papel mais efectivo sobre a codifica&ccedil;&atilde;o de novas mem&oacute;rias, ser um factor chave na descoberta da preven&ccedil;&atilde;o da DA (40).</p>     <p>Portanto, destaque-se o papel crucial da alimenta&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o das estruturas e processos cerebrais, bem como a import&acirc;ncia da acetilcolina como neurotransmissor colin&eacute;rgico na DA, pois a comunica&ccedil;&atilde;o do sistema nervoso central depende tamb&eacute;m da oferta e liberta&ccedil;&atilde;o de neurotransmissores (37,41,42). Contudo, a taxa de s&iacute;ntese destes neurotransmissores relaciona-se com a ingest&atilde;o dos seus precursores e cofactores. No que respeita &agrave; acetilcolina, sabe-se que a sua s&iacute;ntese depende da ingest&atilde;o de colina, o seu precursor directo (41,42). Contudo, h&aacute; ainda outros nutrientes que t&ecirc;m de estar dispon&iacute;veis para a s&iacute;ntese deste neurotransmissor, sendo um desses nutrientes a tiamina (vitamina B1) (43).</p>     <p><u>Tiamina</u></p>     <p>A tiamina pirofosfato (um derivado da tiamina com particular import&acirc;ncia no complexo da piruvato desidrogenase) &eacute; um dos cofactores respons&aacute;veis pela forma&ccedil;&atilde;o da acetil-coenzima A (38,44,45). Relativamente &agrave; absor&ccedil;&atilde;o da tiamina, esta &eacute; assimilada atrav&eacute;s do duodeno e jejuno proximal e, posteriormente, transferida para a circula&ccedil;&atilde;o porta (43,45&ndash;47). Todavia, a tiamina n&atilde;o &eacute; totalmente utilizada na produ&ccedil;&atilde;o de difosfato e trifosfato de tiamina, sendo parte excretada na urina e suor, aumentando a sua excre&ccedil;&atilde;o com a diurese (43,45&ndash;47). </p>     <p>Existe uma s&eacute;rie de processos bioqu&iacute;micos que est&atilde;o intrinsecamente relacionados com tr&ecirc;s enzimas que dependem da tiamina - a transcetolase, o complexo do piruvato desidrogenase e o complexo do &alpha;-cetoglutarato desidrogenase. Estas enzimas regulam o metabolismo da glicose ao n&iacute;vel da via das pentoses e do ciclo de Krebs (48,49). </p>     <p>Na DA h&aacute; uma diminui&ccedil;&atilde;o do metabolismo da glicose (bom biomarcador) e os portadores da doen&ccedil;a geralmente possuem n&iacute;veis s&eacute;ricos inferiores de tiamina (ao contr&aacute;rio da doen&ccedil;a de Parkinson) (48,49). Esta desregula&ccedil;&atilde;o do metabolismo da glicose leva a que a diabetes seja uma doen&ccedil;a que se associa &agrave; DA, havendo autores que a consideram como um tipo espec&iacute;fico de diabetes (26,48). Nos estudos realizados com modelos animais, na presen&ccedil;a de d&eacute;fice de tiamina os animais possu&iacute;am um stress oxidativo nos neur&oacute;nios semelhante ao que ocorre na DA (48,49). Al&eacute;m disso, o d&eacute;fice de tiamina deprimia a utiliza&ccedil;&atilde;o da glicose pelo c&eacute;rebro. Por&eacute;m, uma vez administrada tiamina (sob a forma de benfotiamina, por exemplo), ocorria a melhoria da capacidade de utiliza&ccedil;&atilde;o da glicose, a diminui&ccedil;&atilde;o das placas neur&iacute;ticas, a fosforila&ccedil;&atilde;o da prote&iacute;na TAU e o d&eacute;fice de mem&oacute;ria revertiam (48). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alguns autores sugerem ainda que a tiamina pode trazer benef&iacute;cios para a DA, devido &agrave;s melhorias que ela oferece na progress&atilde;o da dem&ecirc;ncia no s&iacute;ndrome de Wernick-Korsakoff (43,46,50&ndash;53). Este racioc&iacute;nio &eacute; suportado com base na liga&ccedil;&atilde;o entre a tiamina e a liberta&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-sin&aacute;ptica de acetilcolina, onde a tiamina ligar-se-ia aos receptores nicot&iacute;nicos possuindo uma actividade anticolinesterase (43,46,50&ndash;53). Tal &eacute; ben&eacute;fico porque a mem&oacute;ria e algumas fun&ccedil;&otilde;es intelectuais s&atilde;o mediadas pela acetilcolina (40,41). </p>     <p>Deste modo, os efeitos colin&eacute;rgicos da acetilcolina poder&atilde;o ser conseguidos atrav&eacute;s do consumo de uma alimenta&ccedil;&atilde;o com a presen&ccedil;a de tiamina. As doses di&aacute;rias recomendadas desta vitamina encontram-se descritas na <a href ="/img/revistas/nut/n24/n24a04t1.jpg">Tabela 1</a> (54). </p>     
<p><u>Leguminosas e Tiamina</u></p>     <p>Quanto &agrave; presen&ccedil;a de tiamina nos alimentos, um dos grupos que se destaca &eacute; o das leguminosas. As leguminosas podem ser divididas em dois grupos: os gr&atilde;os (p.e. feij&atilde;o, gr&atilde;o-de-bico, lentilha, ervilha, fava, ch&iacute;charo e tremo&ccedil;o) e as oleaginosas (p.e. soja e amendoim) (36,55&ndash;57). Efectivamente, as leguminosas destacam-se por reunirem em si uma pan&oacute;plia de nutrientes essenciais para a homeostasia, no qual o teor em hidratos de carbono complexos, o conte&uacute;do consider&aacute;vel em prote&iacute;nas e a presen&ccedil;a de altos n&iacute;veis de fibra alimentar, s&atilde;o as principais raz&otilde;es pela sua notoriedade entre os produtos de origem vegetal (55,58). Por&eacute;m, s&atilde;o tamb&eacute;m uma boa fonte de minerais (p.e. ferro e c&aacute;lcio) e vitaminas, tais como as do complexo B (58). </p>     <p>No caso particular da tiamina, as leguminosas apresentam valores muito diferentes entre si, principalmente se tiverem sido sujeitas a um m&eacute;todo de prepara&ccedil;&atilde;o/confec&ccedil;&atilde;o (59). Verificar-se-&atilde;o igualmente diferen&ccedil;as caso a leguminosa se encontre crua e por demolhar (<a href ="/img/revistas/nut/n24/n24a04t2.jpg">Tabela 2</a>) (58,59). De facto, os m&eacute;todos de coc&ccedil;&atilde;o s&atilde;o imprescind&iacute;veis no caso das leguminosas, de forma a eliminar compostos antinutricionais e melhorar a qualidade organol&eacute;ptica (60,61). No entanto, estes s&atilde;o os respons&aacute;veis pelas perdas vitam&iacute;nicas (principalmente vitaminas hidrossol&uacute;veis como a tiamina) devido &agrave; sua alta solubilidade, instabilidade t&eacute;rmica e qu&iacute;mica a solu&ccedil;&otilde;es neutras e alcalinas (60). Por isso, ao acelerar o processamento alimentar das leguminosas sujeitando-as ao efeito de pH alcalino com tratamento com bicarbonato de s&oacute;dio h&aacute; uma redu&ccedil;&atilde;o substancial do teor em tiamina da leguminosa podendo at&eacute; ser destru&iacute;do todo o conte&uacute;do na vitamina (60&ndash;62). Este efeito &eacute; motivado pelos subsequentes processos de soaking (demolha), a temperatura de cozedura e o aumento dos i&otilde;es de s&oacute;dio (60). De forma a reter-se parte da vitamina, aquando o processamento das leguminosas, &eacute; interessante acidificar o meio onde as leguminosas ser&atilde;o demolhadas com 0,1% de &aacute;cido c&iacute;trico (60). </p>     
<p>Ao analisar-se o teor em tiamina das leguminosas e seus derivados, verifica-se que a soja em gr&atilde;o crua, a farinha de soja, com baixo teor de gordura, e o miolo de amendoim s&atilde;o os mais ricos em tiamina (59). No caso da farinha, tal pode ser conferido pela moagem do gr&atilde;o que a torna mais acess&iacute;vel. Seguidamente, as ervilhas s&atilde;o as que apresentam maior conte&uacute;do na vitamina, inclusive quando sujeitas a processos de coc&ccedil;&atilde;o (ervilhas gr&atilde;o, frescas cozidas), representando 100g de ervilhas em gr&atilde;o cozidas cerca de 60% da dose di&aacute;ria recomendada de tiamina (54,59). J&aacute; uma por&ccedil;&atilde;o desta leguminosa (80g), representa cerca de 50% da dose di&aacute;ria recomendada (54,59). No entanto, a quantidade dispon&iacute;vel em cru e ap&oacute;s a coc&ccedil;&atilde;o &eacute; bastante distinta (59). Por exemplo, o gr&atilde;o-de-bico cru tem um teor de 0,41mg/100g enquanto que, ap&oacute;s cozido e sujeito a demolha, apresenta 0,1mg/100g, havendo assim um decr&eacute;scimo superior a 75% (59). O mesmo se sucede com outras leguminosas como por exemplo, as lentilhas e as favas (59). De entre as v&aacute;rias leguminosas, subprodutos e prepara&ccedil;&otilde;es culin&aacute;rias, o menor teor em tiamina recai sobre as favas, o tremo&ccedil;o, os derivados da soja (excepto a farinha de soja) e as sopas (excepto a sopa de ervilhas), respectivamente (59). Portanto, &eacute; importante considerar que os teores em tiamina podem variar de acordo com a &aacute;gua, a cozedura, a luz, os sulfitos e os polifen&oacute;is (37,46,58). </p>     <p><u>Consumo de Leguminosas em Portugal</u></p>     <p>Atendendo aos n&iacute;veis de tiamina de certas leguminosas e ao seu consumo na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, mais propriamente na popula&ccedil;&atilde;o idosa, constata-se que o consumo de leguminosas &eacute; baixo (63,64). Segundo informa&ccedil;&otilde;es recolhidas no semin&aacute;rio &ldquo;Import&acirc;ncia da Produ&ccedil;&atilde;o e Consumo de Leguminosas em Portugal&rdquo;, realizado em 2013, pelo Observat&oacute;rio dos Mercados Agr&iacute;colas e das Importa&ccedil;&otilde;es Agroalimentares verificou-se que, em 2010/2011, o consumo de leguminosas secas/habitante neste per&iacute;odo foi de 4,1kg, sendo consumido maioritariamente feij&atilde;o (3,2kg/habitante) e gr&atilde;o-de-bico (0,9kg/habitante) (64). Note-se que, a Roda dos Alimentos aconselha que as leguminosas contribuam com 4% da distribui&ccedil;&atilde;o pelos diversos grupos alimentares (65) e, na realidade, a disponibilidade destes alimentos em Portugal rondar&aacute; apenas os 0,6%, conforme as estimativas apresentadas na Balan&ccedil;a Alimentar Portuguesa de 2008-2012 (66). Some-se a esta redu&ccedil;&atilde;o da ingest&atilde;o de leguminosas pela popula&ccedil;&atilde;o o baixo cultivo e autoaprovisionamento destes alimentos, quando Portugal tem condi&ccedil;&otilde;es compat&iacute;veis para a sua produ&ccedil;&atilde;o (67). Um estudo realizado por Sampaio et al (2012) refere que, o consumo m&eacute;dio de leguminosas pelo p&uacute;blico-alvo (distritos de Aveiro e Porto) foi de 18g por dia (64). Por outro lado, em 2006, os dados do Consumo Alimentar no Porto aludem que 62% dos inquiridos consomem 1 a 4 vezes por m&ecirc;s leguminosas secas, sendo a ingest&atilde;o estimada de tiamina para o Porto de 1,8mg/dia (dp=0,5) (63). Al&eacute;m disso, os indiv&iacute;duos com mais de 64 anos apresentaram ingest&otilde;es m&eacute;dias de tiamina mais baixas comparativamente com os outros grupos et&aacute;rios (63). Esta condi&ccedil;&atilde;o &eacute; alarmante, pois as leguminosas conferem v&aacute;rios benef&iacute;cios tanto para a agricultura (p.e. n&atilde;o produzem azoto) como para a sa&uacute;de, do qual o teor em tiamina &eacute; um exemplo, mas tamb&eacute;m a presen&ccedil;a de prote&iacute;na vegetal, hidratos de carbono complexos, pot&aacute;ssio, ferro e fibras contribuem para a excel&ecirc;ncia deste grupo de alimentos (67). Na verdade, as leguminosas encontram-se cada vez mais associadas &agrave; preven&ccedil;&atilde;o e melhoria de condi&ccedil;&otilde;es patol&oacute;gicas como as doen&ccedil;as cardiovasculares, a diabetes mellitus, a doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intestinal e o cancro do c&oacute;lon (55,68). Da&iacute; que, ao reconhecerem-se os v&aacute;rios ganhos em sa&uacute;de promovidos pelos compostos bioactivos presentes nas leguminosas, estas constituem um grupo de alimentos funcionais que deve ser consumido ao longo de toda a vida, para desencadear um efeito protector, principalmente em situa&ccedil;&otilde;es onde as necessidades nutricionais podem estar comprometidas, como &eacute; o caso da pessoa idosa (36,55,56,68&ndash;71).</p>     <p><b>AN&#193;LISE CR&#205;TICA E CONCLUS&#213;ES</b>     <p>A DA caracteriza-se pelo d&eacute;fice de tiamina que origina uma menor efici&ecirc;ncia do metabolismo da glicose, a forma&ccedil;&atilde;o de placas, hiperfosforila&ccedil;&atilde;o da TAU e altera&ccedil;&otilde;es do estado de mem&oacute;ria. Perante estes dois factores (tiamina e desregula&ccedil;&atilde;o da glicose), as leguminosas surgem como um dos grupos alimentares com interesse na melhoria e/ou preven&ccedil;&atilde;o da DA devido ao seu conte&uacute;do em tiamina e &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o lenta da glicose na corrente sangu&iacute;nea (motivo que leva a que seja um dos grupos de alimentos a privilegiar na alimenta&ccedil;&atilde;o da pessoa com diabetes). &Eacute; importante que o consumo das leguminosas seja integrado num padr&atilde;o alimentar saud&aacute;vel, de que &eacute; exemplo o padr&atilde;o alimentar Mediterr&acirc;nico. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar de estarem definidas doses di&aacute;rias de consumo de tiamina para a popula&ccedil;&atilde;o em geral, n&atilde;o se conhecem valores que possam estar relacionados com a DA e a sua preven&ccedil;&atilde;o. Deste modo, tendo em vista a preven&ccedil;&atilde;o desta doen&ccedil;a e a manuten&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de cerebral, um poss&iacute;vel aumento das doses di&aacute;rias de tiamina (e leguminosas) nas pessoas idosas ou uma maior discrimina&ccedil;&atilde;o das doses di&aacute;rias, a partir dos 45/50 anos seriam factores que permitiriam incrementar o consumo de tiamina anos antes da possibilidade de manifesta&ccedil;&atilde;o da DA. </p>     <p>No sentido de potenciar o aumento do consumo de leguminosas, cujo consumo se sabe baixo, algumas medidas poderiam ser postas em pr&aacute;tica, como por exemplo, o est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o nacional de leguminosas atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas de incentivo agr&iacute;cola; um aumento da ades&atilde;o &agrave; Dieta Mediterr&acirc;nica por parte dos diferentes grupos populacionais atrav&eacute;s da sensibiliza&ccedil;&atilde;o relativa aos seus benef&iacute;cios e de uma actua&ccedil;&atilde;o clara em institui&ccedil;&otilde;es onde s&atilde;o facultadas refei&ccedil;&otilde;es como, por exemplo, escolas, lares, IPSS, hospitais. Nestas institui&ccedil;&otilde;es deveriam privilegiar-se ementas que promovam a Dieta Mediterr&acirc;nica, favorecendo toda a sua riqueza alimentar na qual se incluem variadas possibilidades de oferta de leguminosas. Ao n&iacute;vel da tecnologia e ind&uacute;stria alimentar, seria interessante desenvolver ou melhorar produtos alimentares com a incorpora&ccedil;&atilde;o de leguminosas atrav&eacute;s da diminui&ccedil;&atilde;o de prote&iacute;na de origem animal, incorporando prote&iacute;na isolada de leguminosas ou substituindo parte das farinhas (refinadas) &agrave; base de cereais por farinhas de leguminosas. </p>     <p>Em suma, associar uma alimenta&ccedil;&atilde;o rica em nutrientes moduladores dos processos degenerativos com uma terap&ecirc;utica farmacol&oacute;gica adequada pode proporcionar ganhos em sa&uacute;de, atrav&eacute;s da melhoria do estado cl&iacute;nico do doente com DA ou at&eacute; como uma coadjuvante na preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a.</p>     <p>Tendo a tiamina um papel importante neste processo ser&aacute; importante fomentar o consumo de alimentos fornecedores da mesma, onde se destacam as leguminosas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b >REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b>     <p>1. WHO. Dementia. WHO [Internet]. World Health Organization; [cited 2014 Aug 12];(362). Available from: <a href="http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs362/en/" target="_blank">http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs362/en/</a></p>     <p>2. Martin Prince A, Albanese E, Guerchet M, Prina M, Richard Pender C, Ferri C, et al. World Alzheimer Report 2014 Dementia and Risk Reduction an Analysis of Protective and Modifiable Factors Supported. London; 2014. </p>     <p>3. alzheimer Portugal. ALZHEIMER. Lisboa; 2009. </p>     <p>4. Organization ADIWH. A public health priority [Internet]. Geneva; 2012. Available from: <a href="http://www.who.int/mental_health/publications/dementia_report_2012" target="_blank">http://www.who.int/mental_health/publications/dementia_report_2012</a> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>5. Frosch M, Anthony D, de Girolami U. The central nervous system. In: Kumar V, Abbas A, Fausto N, editors. Robbins and Cotran pathologic basis of ?disease. 7th ed. Philadelphia: Saunders Elsevier; 2005. p. 1347&ndash;419. </p>     <p>6. NIH. About Alzheimer&rsquo;s Disease: Alzheimer's Basics [Internet]. National Institute on Aging (NIH). [cited 2014 Jul 6]. Available from: <a href="http://www.nia.nih.gov/alzheimers/topics/alzheimers-basics" target="_blank">http://www.nia.nih.gov/alzheimers/topics/alzheimers-basics</a> </p>     <p>7. NIH. Understanding Memory Loss [Internet]. Alzheimer&rsquo;s Disease Education and Referral Center, editor. Silver Spring: NIH Publication No. 10-5442; 2010 [cited 2014 Jul 6]. 24 p. Available from: <a href="http://www.nia.nih.gov/sites/default/files/understanding_memory_loss.pdf" target="_blank">http://www.nia.nih.gov/sites/default/files/understanding_memory_loss.pdf</a> </p>     <p>8. Medina M, Avila J. New perspectives on the role of tau in Alzheimer&rsquo;s disease. Implications for therapy. Biochem Pharmacol. 2014;88:540&ndash;7. </p>     <p>9. Jin J. Alzheimer Disease. JAMA. 2015;313(14):1488. </p>     <p>10. NIH. La enfermedad de Alzheimer [Internet]. Alzheimer&rsquo;s Disease Fact Sheet. 2010 [cited 2014 Jun 10]. p. 19. Available from: <a href="http://www.nia.nih.gov/espanol/publicaciones/la-enfermedad-de-alzheimer" target="_blank">http://www.nia.nih.gov/espanol/publicaciones/la-enfermedad-de-alzheimer</a> </p>     <p>11. alzfdn. About Alzheimer&rsquo;s [Internet]. Alzheimer&rsquo;s Foundation of America. 2014 [cited 2014 Jun 16]. Available from: <a href="http://www.alzfdn.org/AboutAlzheimers/definition.html" target="_blank">http://www.alzfdn.org/AboutAlzheimers/definition.html</a> </p>     <p>12. (WHO) WHO. Facts about ageing [Internet]. WHO. World Health Organization; 2012 [cited 2014 Jun 11]. Available from: <a href="http://www.who.int/ageing/about/facts/en/" target="_blank">http://www.who.int/ageing/about/facts/en/</a> </p>     <p>13. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE). Proje&ccedil;&otilde;es de Popula&ccedil;&atilde;o Residente: 2012-2060. Lisboa: INE; 2014. 18 p. </p>     <p>14. Kumar V, Abbas AK, Fausto N, Mitchell R. Fundamentos de Robbins &amp; Cotran - Patologia: Bases Patol&oacute;gicas das Doen&ccedil;as. 7a ed. Elsevier, editor. Geburtshilfe und Frauenheilkunde. Rio de Janeiro: Elsevier; 2006. 899 p. </p>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>45. Manzetti S, Zhang J, van der Spoel D. Thiamin function, metabolism, uptake, and transport. Biochemistry. 2014; 53(5):821&ndash;35. </p>     <p>46. Gibney M, Lanham-New S, Cassidy A, Vorster H. Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; nutri&ccedil;&atilde;o humana. 2nd ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2010. </p>     <p>47. Crook M a, Sriram K. Thiamine deficiency: the importance of recognition and prompt management. Nutrition; 2014; 30:953&ndash;4. </p>     <p>48. Gibson GE, Hirsch J a., Cirio RT, Jordan BD, Fonzetti P, Elder J. Abnormal thiamine-dependent processes in Alzheimer&rsquo;s Disease. Lessons from diabetes. Mol Cell Neurosci. 2013;55:17&ndash;25. </p>     <p>49. Karuppagounder SS, Xu H, Shi Q, Chen LH, Pedrini S, Pechman D, et al. Thiamine deficiency induces oxidative stress and exacerbates the plaque pathology in Alzheimer&rsquo;s mouse model. Neurobiol Aging. 2009;30(10):1587&ndash;600. </p>     <p>50. Pinto H, Alves L. Vitamina B1. Diagn Trat. 2010;15(2):69&ndash;70. </p>     <p>51. Birney E, Stamatoyannopoulos JA, Dutta A, Guig&oacute; R, Gingeras TR, Margulies EH, et al. Identification and analysis of functional elements in 1% of the human genome by the ENCODE pilot project. Nature. 2007;447(7146):799&ndash;816. </p>     <p>52. Gold M, Hauser RA, Chen MF. Plasma Thiamine Deficiency Associated with Alzheimer&rsquo;s Disease but Not Parkinson's Disease. Metab Brain Dis. 1998;13(1):43&ndash;53. </p>     <p>53. Butterworth RF, Besnard A. Thiamine-Dependent Enzyme Changes in Temporal Cortex of Patients with Alzheimer &rsquo; s Disease. 1990;5(4):179&ndash;84. </p>     <p>54. Food and Nutrition Board. Dietary Reference Intakes (DRIs): Estimated Average Requirements. 2011. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>55. Singh RJ, Chung GH, Nelson RL. Landmark research in legumes. Genome. 2007;50:525&ndash;37. </p>     <p>56. DGS. A import&acirc;ncia das leguminosas na alimenta&ccedil;&atilde;o humana [Internet]. 2013. Available from: <a href="http://www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt/ResourcesUser/Brochura_LEGUMINOSAS.pdf" target="_blank">http://www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt/ResourcesUser/Brochura_LEGUMINOSAS.pdf</a> </p>     <p>57. Watson MJ. The Families of Flowering Plants. Interactive Identification and Information Retrieval on CD-ROM version 1.0 1993, and colour illustrated manual. Nord J Bot. 1994;14(486). </p>     <p>58. Almeida M, Afonso C. Princ&iacute;pios B&aacute;sicos de Alimenta&ccedil;&atilde;o e Nutri&ccedil;&atilde;o. Universidade Aberta; 1997. 268 p. </p>     <p>59. Porto A, Oliveira L. Tabela da Composi&ccedil;&atilde;o de Alimentos. 1st ed. Lisboa: Instituto Nacional de Sa&uacute;de Dr. Ricardo Jorge; 2007. 355 p. </p>     <p>60. Prodanov M, Sierra I, Vidal-Valverde C. Influence of soaking and cooking on the thiamin, riboflavin and niacin contents of legumes. Food Chem. 2004;84(2):271&ndash;7. </p>     <p>61. Jyothi V, Sumathi S. Effect of alkali treatments on the nutritive value of common bean (Phaseolus vuigaris). Plant Foods Hum Nutr. 1995;48:193&ndash;200. </p>     <p>62. Deuel HJ, Johnston C, Schauer L, Rapaport S. The effect of sodium bicarbonate on the thiamine content of peas. J Nutr. 1943;97(2506):50&ndash;1. </p>     <p>63. Lopes C, Oliveira A, Santos AC, Ramos E, Severo M BH. Consumo Alimentar no Porto [Internet]. Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. 2006 [cited 2014 Jul 12]. Available from: www.consumoalimentarporto.med.up.pt</p>     <p>64. Sampaio AS, Carola LF DM. Avalia&ccedil;&atilde;o do consumo de hortofrut&iacute;colas e leguminosas por parte de consumidores de uma grande cadeia de hipermercados portuguesa. Rev SPCNA. 2012;18(2):33. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>65. Rodrigues SSP de AM. A new FOOD GUIDE for the Portuguese population: development and technical considerations. J Nutr Educ Behav. 2006;38:189&ndash;95. </p>     <p>66. INE. Balan&ccedil;a Alimentar Portuguesa - 2008-2012. INE. 2014. </p>     <p>67. Carnide V, Martins S, Vegas CA. Caracteriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o de diferentes esp&eacute;cies de leguminosas gr&atilde;o na regi&atilde;o de Tr&aacute;s-os-Montes. 1st ed. (NDRP) DR de A e P do N (DRAPN); N de D e RP, editor. Mirandela: Direc&ccedil;&atilde;o Regional de Agricultura e Pescas do Norte; 2007. 67 p. </p>     <p>68. Martins JM, Bento OP. As leguminosas como alimentos funcionais: o caso das dislipid&eacute;mias e das doen&ccedil;as cardiovasculares. Rev Ci&ecirc;ncias Agr&aacute;rias. 2007;(1):385&ndash;99. </p>     <p>69. Bazzano LA, Thompson AM, Tees MT, Nguyen CH WD. Non-Soy Legume Comsumption Lowers Cholesterol levels: A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Nutr Metab Cardiovasc Dis. 2011;21(2):94&ndash;103. </p>     <p>70. Nilsson A, Johansson E, Ekstr&ouml;m L, Bj&ouml;rck I. Effects of a brown beans evening meal on metabolic risk markers and appetite regulating hormones at a subsequent standardized breakfast: a randomized cross-over study. PLoS One. 2013; 8(4):e59985. </p>     <p>71. EUFIC. Alimentos funcionais (EUFIC). FOODTODAY [Internet]. 1999 [cited 2014 Jul 6];12. Available from: <a href="http://www.eufic.org/article/pt/nutricao/alimentos-funcionais/artid/alimentos-funcionais/" target="_blank">http://www.eufic.org/article/pt/nutricao/alimentos-funcionais/artid/alimentos-funcionais/</a>  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>  <b ><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b>     <p>Teresa Carvalho</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Rua do Outeiro, 270, 4635-219 Folhada, Portugal</p>     <p><a href="mailto:teresa.carvalho18@gmail.com">teresa.carvalho18@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 1 de Dezembro de 2014</p>     <p>Aceite a 30 de Mar&ccedil;o de 2015</p>      ]]></body>
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